Cláusula de Entrega - Primeiro dia

Um conto erótico de Skuld
Categoria: Gay
Contém 861 palavras
Data: 14/02/2026 01:16:23

Terça-feira

Às 6h59 eu já estava pronto. Pronto demais para alguém que, até poucos dias antes, vivia no improviso.

O carro estava onde ele disse que estaria. Mesmo terno escuro. Mesmo silêncio controlado. Entrei sem dizer bom dia. Ele não esperava.

— Pontual — comentou, sem olhar. Não era elogio. Era registro.

Seguimos direto para o escritório, mas não para a sala principal. Ele me levou a uma sala menor, lateral, sem janela. Uma mesa limpa. Duas cadeiras. Nada além do necessário.

— Esse é o seu espaço quando não estiver comigo — disse. — Aqui você observa. Aprende. Anota. Não opina sem ser chamado.

Assenti. De novo.

Ele colocou uma pasta à minha frente. Não era processo. Era um cronograma. Meu cronograma. Aulas, horários de estudo, treinos, refeições. Tudo reorganizado com uma lógica que não era a minha, e, ainda assim, fazia sentido.

— Você vai perceber rápido — continuou — que liberdade não vem de escolher tudo. Vem de não ter que escolher.

Ficou em silêncio, esperando reação. Não dei.

— Bom — concluiu. — Começamos hoje.

O resto da manhã passou num ritmo estranho: rápido demais por fora, lento por dentro. Eu seguia. Observava. Absorvia. Ele não explicava tudo. Às vezes explicava pouco demais. Era intencional.

No almoço, não perguntou o que eu queria. Pediu por nós dois. Conversou sobre trabalho como se eu já fizesse parte da engrenagem. Em nenhum momento me apresentou como “estagiário”. Eu notei.

Depois, fechou a pasta e se levantou.

— Vamos.

Descemos direto para a garagem. O trajeto até a academia foi curto. Assim que cheguei, fui me trocar. O personal já me esperava. Tudo seguiu o mesmo protocolo do dia anterior.

Depois do treino, com o suor ainda escorrendo pelo peito e pelas costas e as pernas pesadas de agachamentos e leg press, caminhei direto para os chuveiros.

O vestiário era pequeno, privativo. Duas cabines abertas, sem divisórias. Um banco de madeira no centro. Ganchos na parede. Nada de privacidade desnecessária. Tudo ali parecia projetado para exposição controlada.

Tirei a cueca molhada de suor, preta como a do dia anterior, agora grudada na pele lisa da virilha e das nádegas e pendurei no gancho. Abri o chuveiro quente. A água bateu forte, escorrendo pelo corpo dolorido, levando o suor, mas não a sensação de estar sendo observado.

Ouvi a porta abrir de novo. Passos firmes, sem pressa. Não precisei virar para saber quem era.

Ele entrou.

Sem camisa. Sem calça. Só de boxer cinza escuro, justa o suficiente para marcar tudo. Coxas grossas, abdômen reto, peitoral largo. Não era corpo de ostentação. Era funcional. Construído para comandar. Ocupava o espaço sem esforço.

Passou por mim sem dizer nada. Abriu o chuveiro ao lado. A água caiu sobre ele. Ensaboou o corpo devagar, sem pressa nenhuma. A boxer molhada colava na virilha, o volume evidente sob o tecido. Ele passou a mão por cima, ensaboando por fora, como quem segue uma rotina antiga.

Virou de costas. As costas largas, a cintura firme, os glúteos contraídos de leve para manter o equilíbrio. A boxer encharcada entrava entre as nádegas, expondo a curva lisa, definida. Ele ensaboou ali também. Movimento prático. Deliberado. Como se soubesse que eu estava olhando.

Não falou. Não precisava.

Fiquei parado sob a água, pau meia bomba de novo. Não era só desejo. Era outra coisa. Reconhecimento de hierarquia. Ele era o molde.

Eu era o ajuste.

Ele virou de frente. Olhos nos meus. Calmos. Fixos.

— Lava direito — disse, a voz baixa atravessando o barulho da água. — Não deixa resto de suor.

Obedeci. Ensaboei o peito, a barriga, desci para a virilha. A pele ainda sensível da depilação reagiu. O pau endureceu mais. Ele viu. Não desviou o olhar. Assentiu uma vez.

Então tirou a boxer. Deixou cair no chão molhado. Corpo inteiro exposto agora. Nada apressado. Nada performático. Era rotina. Mas era para mim.

Ensaboou tudo com a mesma calma: base, tronco, depois as bolas. Virou de lado, lavou a bunda de novo, abrindo o suficiente para eu ver. Limpo. Controlado. Sem exagero.

Fechou o chuveiro. Pegou uma toalha grande e se enxugou devagar. Depois enrolou na cintura, baixo, deixando a linha da virilha visível.

Passou por mim. Parou ao lado.

— Seu corpo está respondendo bem — murmurou. — Mas ainda falta controle.

Estendeu a mão. Não tocou de verdade. Só roçou o dorso dos dedos no meu pau duro. Um toque curto. Seco. Meu corpo inteiro contraiu.

Ele retirou a mão.

— Não é sobre gozar. É sobre aguentar.

Vestiu uma calça limpa e uma camiseta preta. Antes de sair, me olhou pelo espelho.

— Se vista. Banho frio se precisar baixar. Te encontro em dez minutos.

Saiu.

Fiquei ali mais um pouco, água caindo, corpo tremendo. No espelho embaçado, vi o que estava virando: ajustado, cansado, atento.

No carro, ele olhou o relógio.

— Você tem uma palestra hoje.

Me deixou na faculdade com a mesma precisão de sempre. Nem cedo, nem em cima da hora.

— Vai direto pra casa depois.

Assenti. Ele só arrancou depois que fechei a porta.

Na sala de aula, tudo parecia alto demais. Solto demais. Em casa, o silêncio caiu pesado.

E foi aí que entendi:

o silêncio também fazia parte do método.

Deitei cedo. Corpo cansado. Mente acordada.

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