“Conexão”
O mês de fevereiro de 2020 trouxe chuvas fortes para o interior de Santa Catarina, daquelas que enchem os riachos até a margem e fazem o pomar cheirar a terra molhada por dias seguidos. O sítio parecia mais vivo com a água: as jabuticabeiras carregadas pingavam gotas grossas, o curral tinha lama até os joelhos das vacas, e a casa de madeira rangia de forma confortável, como se respirasse junto com os dois homens que agora a dividiam de verdade.
Tiago tinha se adaptado rápido. Acordava antes do sol nascer para ajudar Daniel na ordenha, mesmo que suas mãos ainda fossem delicadas demais para o trabalho pesado. Ele aprendia aos poucos: como amarrar o rabo das vacas para não sujar o leite, como limpar os úberes com cuidado, como carregar os baldes sem derramar. Daniel observava tudo com um sorriso discreto, orgulhoso, mas nunca fazia graça da inexperiência — só ensinava, paciente, tocando a mão de Tiago para corrigir o movimento.
Naquela manhã chuvosa, eles voltaram do curral ensopados. Daniel tirou as botas na varanda, Tiago fez o mesmo. Entraram na cozinha pingando, rindo do frio que subia pelas pernas.
— Banho quente primeiro — Daniel decretou, já puxando Tiago pela mão. — Depois a gente vê o que faz com o dia.
No banheiro, a água veio escaldante. Eles entraram juntos, corpos colados sob o jato forte. Daniel ensaboou as costas de Tiago devagar, dedos traçando a coluna, descendo até a curva da bunda. Tiago virou de frente, passou sabonete no peito largo de Daniel, circulando os mamilos com o polegar até eles endurecerem.
Não houve pressa para sexo. Só toques lentos, beijos molhados, respirações misturadas com vapor. Quando saíram, enrolados em toalhas, o frio da casa os fez correr para o quarto. Deitaram na cama ainda úmidos, lençol puxado até a cintura.
Tiago deitou de lado, olhando Daniel.
— Eu recebi um e-mail ontem. Um cliente antigo da agência. Quer que eu faça o redesign do site deles. Remoto, pagamento bom.
Daniel ergueu uma sobrancelha, mão acariciando a barriga macia de Tiago.
— E tu vai aceitar?
— Acho que sim. Dá pra fazer daqui. Eu monto um cantinho no quarto dos fundos, com mesa, computador… se tu não se importar.
Daniel sorriu devagar.
— Importar? Eu vou adorar te ver trabalhando de cueca, concentrado, mordendo o lábio quando estiver pensando.
Tiago riu e deu um tapa leve no braço dele.
— Tu é impossível.
— E tu gosta.
Eles ficaram em silêncio por um tempo, ouvindo a chuva bater no telhado.
— Sabe o que eu mais gosto nisso tudo? — Tiago perguntou, voz baixa.
— Conta.
— De ter rotina com alguém. De acordar e saber que tu tá aqui. De brigar por besteira, tipo quem lava a louça, e depois fazer as pazes na cama. De planejar coisas pequenas, tipo plantar mais limoeiros ou comprar uma geladeira maior.
Daniel virou de lado, ficando cara a cara com Tiago. Passou o polegar na bochecha dele.
— Eu também. Eu vivi anos sozinho aqui, achando que era o suficiente. Mas agora que tu tá aqui… parece que a casa finalmente faz sentido.
Tiago se aproximou mais, encostando a testa na de Daniel.
— A gente vai brigar às vezes, né?
— Vai. Eu sou teimoso pra caralho. Tu é ansioso. Vamos discutir por besteira.
— E depois?
— Depois a gente transa até esquecer quem tava certo.
Tiago riu baixo, beijando a boca dele devagar.
— Combinado.
O dia seguiu preguiçoso por causa da chuva. Eles fizeram almoço juntos: arroz, feijão, linguiça grelhada e salada de folhas que Tiago colheu no pomar coberto. Comeram na mesa da cozinha, pés se tocando por baixo.
À tarde, Tiago montou o “escritório” improvisado no quarto dos fundos. Daniel ajudou a arrastar a mesa velha da sala, trouxe uma cadeira confortável, instalou uma tomada extra. Quando terminou, Tiago sentou na cadeira nova, abriu o laptop e testou a internet (ainda capenga, mas suficiente para freelas).
Daniel parou na porta, braços cruzados, olhando.
— Tá bonito. Parece escritório de verdade.
Tiago sorriu, tímido.
— É o meu cantinho. Pra trabalhar e… pra lembrar que eu escolhi isso.
Daniel andou até ele, inclinou-se e beijou a testa.
— Eu amo ver tu assim. Independente. Feliz.
A noite caiu cedo com a chuva. Eles jantaram sopa quente na sala, assistiram um filme qualquer na TV pequena. Quando subiram os créditos, Daniel desligou a televisão e puxou Tiago para o colo.
— Vem cá.
Beijaram-se devagar no sofá, mãos explorando por baixo das roupas. Daniel tirou a camiseta de Tiago, chupou os mamilos devagar até eles ficarem duros e vermelhos. Tiago gemeu baixo, mão descendo para dentro da calça de moletom de Daniel, masturbando o pau grosso devagar.
— Quero te foder de novo — Daniel murmurou contra o peito dele.
Tiago assentiu, ofegante.
— Mas hoje… devagar. Quero sentir tudo.
Eles subiram para o quarto. Daniel deitou Tiago de costas, tirou as roupas dele com calma. Beijou cada centímetro de pele exposta: pescoço, clavícula, mamilos, barriga, coxas internas. Quando chegou ao pau de Tiago, chupou devagar, língua circulando a cabeça, depois engolindo até a base. Tiago gemeu alto, mãos no cabelo curto de Daniel.
Daniel pegou o lubrificante, preparou Tiago com dedos lentos, curvando para acertar a próstata até ele tremer. Depois se posicionou entre as pernas abertas, pau duro encostado na entrada.
Entrou devagar, olhando nos olhos de Tiago o tempo todo. Centímetro por centímetro, sentindo o aperto quente. Quando estava todo dentro, parou, respirando pesado.
— Tu é tão gostoso… tão meu…
Mexeu devagar, estocadas longas e profundas. Tiago envolveu as pernas na cintura dele, puxando-o mais fundo. Gemiam juntos, ritmados, olhos fixos um no outro.
Tiago gozou primeiro, sem tocar no pau, jatos quentes na barriga enquanto o cu se contraía forte. Daniel estocou mais algumas vezes e gozou dentro, enchendo-o devagar, gemendo rouco contra a boca de Tiago.
Eles ficaram colados, suados, ofegantes. Daniel saiu devagar, sêmen escorrendo. Limpou os dois com carinho, depois puxou Tiago para o peito.
— Eu te amo — sussurrou no escuro.
— Eu te amo mais — respondeu Tiago, já sonolento.
A chuva continuava caindo lá fora.
Dentro da casa, dois corpos quentes, entrelaçados, respirando juntos.
A vida que se construía não era perfeita.
Mas era deles.
E isso bastava.
Continua…