Os “Filhos” Do Meu Marido Me Fizeram Chorar De Tanto Gozar - Parte 1

Um conto erótico de Gihh
Categoria: Heterossexual
Contém 4669 palavras
Data: 17/02/2026 04:13:14

PARTE 1 - O Dia Em Que Conheci Os Meninos

Você quer saber como começou. É, todo mundo quer saber como começa. O começo é sempre a parte fácil, a parte que a gente conta rindo, antes de chegar na parte que dói. Mas vou te contar. Do jeito que foi. Sem fingir que sou santa nem puta. Só o que aconteceu.

Meu nome é Marina. Trinta e nove. Arquiteta. Casada há quinze anos com um homem que eu jurei que amava mais que tudo. Talvez ainda ame, sei lá. Amor é uma palavra que perdeu o sentido faz tempo, sabe? Quando você passa anos dormindo do lado de alguém que ronca e vira as costas, amor vira uma coisa abstrata. Como Deus. A gente fala que existe, mas nunca vê.

Meu marido se chama César. Professor de sociologia numa universidade particular. O tipo de cara que acredita que pode mudar o mundo com diálogo, com livro, com "conscientização". Bonito, sabe? Essa ingenuidade. No começo, eu achava lindo. Ele falava dos sonhos dele e eu ficava ali, olhando, pensando "meu Deus, como esse homem é puro". Depois de quinze anos, a pureza cansa. A pureza não paga conta, não lava louça, não te come de quatro no domingo de manhã. A pureza é uma coisa que ocupa espaço e não produz nada.

E olha que eu tentei, viu? Tentei ser a esposa perfeita. Fazia janta, cuidava da casa, ouvia as histórias dele sobre o projeto, sobre os meninos. Ele falava com tanto brilho nos olhos que eu chegava a ter inveja. Inveja de uns moleque que ele mal conhecia. Porque pra eles ele tinha tempo, tinha paciência, tinha abraço. Pra mim, sobrava cansaço.

Mas deixa pra lá. Não é sobre ele. Ou é. Tudo é sobre ele, de um jeito que ele nunca vai saber.

A ONG. Vamos começar por lá.

César fundou um projeto social num galpão na periferia. Escolheu a zona sul de São Paulo, daquelas áreas que a prefeitura esquece, que o asfalto acaba e começa o barro. Capão Redondo, perto disso. O lugar fedia a mofo e esperança, se é que esperança tem cheiro. Ele passava mais tempo lá do que em casa. Quando perguntava "amor, que horas você volta?", ele respondia "qualquer hora" e voltava meia-noite, uma da manhã. Eu jantava sozinha, via TV sozinha, dormia sozinha. Acordava com ele roncando do lado, o cheiro de suor da comunidade grudado na pele, um cheiro estranho, diferente — não era só suor, era o cheiro de lugar pobre, de gente que não tem água encanada direito. Eu virava pro lado e tentava dormir de novo.

Por seis meses foi assim. Eu ouvia histórias sobre os meninos — ele chamava de "os meninos". Davi, Wesley, Jonathan. Falava como se fossem filhos. "O Davi é tão inteligente, Marina. Aprende rápido, articulado, podia estar na universidade se tivesse tido chance." "O Wesley precisa de afeto, coitado. A mãe sumiu, o pai tá preso, ele só quer um abraço." "O Jonathan é mais fechado, tem umas paradas do passado, mas tem potencial." Eu ouvia, acenava, tomava meu vinho, e pensava em como a cama estava fria.

Até que um dia eu decidi ir lá.

Foi em março. Início do outono, mas ainda fazia calor. Eu tinha saído do trabalho mais cedo, um projeto de reforma de um apartamento nos Jardins que tinha travado porque o cliente não aprovou o orçamento. Saí de lá frustrada, entrei no carro, e em vez de ir pra casa, peguei a marginal e fui descendo. Passei no supermercado, comprei umas coisinhas — pão de queijo, frios, refrigerante, um bolo pronto — e fui.

Queria ver. Queria entender o que prendia ele lá tanto tempo.

O galpão ficava no fim de uma rua sem asfalto. Lembro que o carro chacoalhava nos buracos e eu pensava "onde é que ele se meteu". Teve uma hora que quase bati o parachoque num buraco fundo. Pensei em desistir, dar a volta, mas continuei. Precisava ver.

Estacionei na frente. A porta de ferro estava aberta. Dava pra ver luz fraca lá dentro, uma lâmpada amarelada, dessas de obra. Uns cachorro latindo longe. Criança chorando em alguma casa. O cheiro de esgoto misturado com comida. Fiquei uns segundos dentro do carro, segurando o volante, pensando "o que eu tô fazendo aqui".

Desci.

Entrei.

O cheiro lá dentro era forte. Suor, mofo, e um negócio doce que não identifiquei na hora — depois descobri que era maconha, mas na época achei que fosse incenso. César tinha lá suas teorias sobre "acolher sem julgar", então provavelmente sabia e deixava.

Eles estavam sentados no chão, em círculo. César no meio com um livro aberto no colo — Paulo Freire, claro, a bíblia dele. Em volta, três jovens. Eu vi as costas deles primeiro. Três nucas diferentes.

Quando eu entrei, a conversa parou.

O silêncio foi tão pesado que eu ouvi meu próprio sapato rangendo no cimento. Era um sapato de salto médio, de trabalho, fazia "tic, tic, tic" enquanto eu caminhava. Todos os olhos viraram pra mim.

César levantou na hora, todo feliz. O rosto dele iluminou de um jeito que eu não via há meses. "Marina! Que surpresa!" Veio me abraçar, me beijar na boca na frente deles. Eu senti os olhos em mim. Todos. Três pares de olhos.

O beijo foi rápido, sem gosto. Ele me soltou, me puxou pela mão.

Vou descrever cada um pra você, do jeito que eu vi naquela primeira vez. Presta atenção, porque esses três vão entrar na sua cabeça igual entraram na minha.

O primeiro que notei foi o Davi. Ele estava sentado de pernas cruzadas, as costas retas, uma postura que não combinava com o chão sujo. Tinha uma expressão calma, controlada, e me olhava sem piscar. Sabe quando alguém te olha e você sente um peso, uma coisa física? Foi isso. O olhar dele desceu do meu rosto até meus pés e subiu de volta devagar, como se tivesse tempo. Eu estava de vestido — um vestido leve, bege, até o joelho, com uma alcinha fina. Nada demais. Mas naquele olhar, eu me senti nua. Sentada no chão, mas me sentindo nua.

Ele tinha os olhos escuros, muito escuros, quase pretos. A pele retinta, lisa, brilhando levemente sob a luz fraca. O cabelo raspado dos lados, um pouco maior em cima, com ondas definidas. Braços fortes, marcados, veias saltando. Uma cicatriz fina perto do olho esquerdo, que dava um ar perigoso. Quando nossos olhos se encontraram, ele não desviou. Segurou meu olhar por tempo demais, como se dissesse "eu tô vendo você, tô vendo tudo". E eu, idiota, senti um calor subindo pela nuca.

Depois veio o Wesley. Esse era mais novo, dava pra ver na cara. Tinha um ar de menino perdido, olhos grandes, meio assustados, mas com uma curiosidade feroz escondida. A pele também escura, mas num tom diferente, mais quente, mais terrosa. O cabelo black power crespo, armado, uma auréola de fios ao redor do rosto. Ele usava uma camiseta larga do Corinthians, rasgada no ombro, mostrando um pedaço de pele que me fez desviar o olhar sem querer. Quando eu olhei pra ele, ele desviou o olhar na hora, corou — corou mesmo, o preto dele ficou meio avermelhado nas bochechas. Olhou pro chão, pro teto, pra parede, pra qualquer lugar menos pra mim. Ficou mexendo nas próprias mãos, sem jeito, os dedos longos e finos entrelaçando e desentrelaçando.

Eu achei fofo, na época. Inocente. Não sabia que a timidez dele era só o outro lado da mesma moeda. Que por trás daqueles olhos de cachorro abandonado, tinha uma fome igual à do Davi, só que mais desesperada, mais carente.

O último foi Jonathan. Esse não levantou na hora. Ficou sentado, me avaliando de baixo, com uma expressão que eu não consegui decifrar. Não era timidez como o Wesley, nem segurança como o Davi. Era outra coisa. Cálculo. Ele tava me medindo, pesando, avaliando como quem olha um carro usado antes de comprar. Quando levantou, vi que era o mais velho, o mais forte. Largo de ombros, braços grossos como cordas, tatuagens no braço direito — umas letras góticas que não deu pra ler, uma cruz, uma cobra enroscada numa faca. Tinha uma tatuagem no pescoço também, uma teia de aranha, os fios se espalhando pela pele. A barba rala, mal feita, mas que combinava com o ar de quem já viu coisa demais.

Apertou minha mão firme, rápido, soltou na hora. "Tia." Só isso. Um olho no meu rosto, outro na porta, como quem tá sempre calculando saída, sempre atento. Desconfiado de tudo e de todos. A mão dele era calejada, áspera, quente.

César, todo entusiasmado, me puxou pelo braço. "Gente, essa é a Marina, minha esposa. Arquiteta, mas também apoia o projeto." Fez as apresentações formais. Davi veio apertar minha mão de novo, dessa vez mais demorado. "Tia Marina, finalmente a gente conhece a senhora." A voz dele era grave, calma, macia, com um sotaque de periferia que arrastava as palavras. A mão, grande, quente, segurou a minha por tempo demais, os dedos envolvendo os meus. Eu puxei, ele soltou, mas os olhos continuaram presos.

Wesley quase não conseguiu apertar minha mão. Estendeu a mão trêmula, tocou de leve, puxou rápido. "Oi, tia." A voz fina, quase sumindo, os olhos fixos no chão. "Oi, Wesley", respondi, tentando ser gentil. O César tinha me falado dele — o mais novo, o mais carente, o que mais precisava de afeto.

Jonathan só acenou de longe. "Tia." A voz grossa, grave, sem inflexão, mas os olhos... os olhos dele disseram mais que a boca. Disseram "eu sei o que você é, mesmo que você não saiba".

César pediu que eu ficasse, comesse com eles. "A gente tava justamente fazendo um lanche coletivo, vai, fica." Eu ia recusar, ia dizer que precisava ir, mas ele já estava abrindo as sacolas de comida, espalhando no chão em cima de um pano. Sentei num banquinho perto da parede, desconfortável, as pernas cruzadas, e fiquei observando.

O lugar era um galpão reformado pelas metades. Parede de tijolo à mostra, piso de cimento queimado, umas prateleiras de madeira com livros doados, um quadro branco rabiscado com frases do Freire. "Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão." Isso tava escrito. Num canto, um colchonete velho, coberto com um lençol estampado, manchado. Devia ser onde eles descansavam. O lugar inteiro tinha um ar de abandono que contrastava com o entusiasmo do César.

Eles comiam com vontade. O Wesley devorou três pães de queijo sozinho, um atrás do outro, como se não comesse há dias. Os dedos dele sujos, unhas roídas, mas um jeito quase delicado de segurar a comida. O Davi comia devagar, mastigando cada pedaço como se fosse a última refeição, os olhos sempre subindo pra mim de vez em quando, medindo minha reação. O Jonathan quase não comeu, só pegou um pedaço de frios e ficou ali, roendo, desconfiado até da comida, os olhos varrendo o ambiente.

César falava sem parar — sobre o próximo mutirão, sobre uma verba que tinha conseguido com uma emenda parlamentar, sobre a importância de acreditar no potencial humano. Eu olhava pra ele e pensava "como você não vê?".

Como ele não via o jeito que o Davi me olhava quando eu cruzava as pernas, o olhar descendo pelas minhas coxas? Como não via o Wesley quase derrubando o copo de refrigerante quando eu me inclinei pra pegar um guardanapo e a alça do vestido caiu um pouco, mostrando o ombro, a curva do seio? Como não via o Jonathan com o celular na mão, gravando tudo discretamente, a câmera sempre apontada pro meu lado, pro meu decote, pras minhas pernas?

Não via. Ou não queria ver.

Depois de comer, o Davi veio sentar perto de mim. No chão, perto do meu banquinho. Ofereceu refrigerante. "Aceita mais um pouco, tia?" Eu aceitei, mais pra ter o que fazer. Ele serviu, os olhos nos meus lábios enquanto eu bebia. O copo estava gelado, mas a mão dele, quando roçou na minha, era quente. Depois que eu engoli, ele falou, baixo:

"A senhora é muito bonita."

Quase engasguei. "Obrigada", respondi, seca. Ele sorriu. Tinha um sorriso bonito, dentes brancos, contrastando com a pele escura. Um sorriso que iluminava o rosto e escondia tudo o mais.

"Obrigada só? A senhora não tá acostumada a receber elogio, não?"

Fiquei sem graça. "Meu marido me elogia."

"Seu marido é um cara ocupado." Ele olhou pro César, que tava no canto conversando animado com Wesley, gesticulando sobre alguma ideia. "Ele vive aqui. A senhora deve passar mais tempo sozinha do que com ele."

Aquilo doeu porque era verdade. Doeu porque ele viu. Ele viu a solidão em mim antes de qualquer um.

"Cê trabalha com o quê mesmo?", ele mudou de assunto, sentindo que tinha ido longe demais. "Arquiteta." "Arquiteta... deve ganhar bem, né?" Falei que dava pro gasto. Ele assentiu, pensativo. "Deve ser bom. Ter uma casa bonita, um carro, essas coisas." Olhou em volta, pro galpão caindo aos pedaços. "Diferente daqui."

"Não é tão diferente", eu menti. "Todo lugar tem seus problemas."

Ele riu, um riso curto, sem graça. "Com todo respeito, tia, a senhora não faz ideia do que é problema de verdade."

Fiquei quieta. Não sabia o que responder. Ele tava certo. Eu não fazia ideia.

Ele ficou em silêncio também, olhando pro nada. Depois de um tempo, falou, sem me olhar:

"Meu pai foi morto quando eu tinha dez. Na minha frente. Tava brincando na rua, ouvi os tiros, quando olhei, ele tava no chão. Minha mãe virou cracuda depois disso, vendia o que tinha em casa, vendia ela mesma. Eu cresci na rua, aprendi cedo que ninguém ia me dar nada. Aprendi que se você não toma, não tem. Seu marido... o César... ele é a primeira pessoa na minha vida que me tratou como gente. Que falou que eu podia ser alguém sem precisar matar ninguém."

Ele virou o rosto pra mim. Os olhos escuros estavam úmidos, mas ele não deixou a lágrima cair. A mão dele, no chão, fechou e abriu.

"Por isso que eu respeito ele. E por isso que eu peço desculpa se olhei de um jeito que a senhora não gostou. É que... a gente não vê mulher bonita aqui. E a senhora... a senhora é muito bonita mesmo."

Meu coração apertou. Coloquei a mão no ombro dele, sem pensar. A pele quente, o músculo duro por baixo da camisa. "Não precisa se desculpar."

Ele cobriu minha mão com a dele. Quente. Grande. Os dedos envolvendo os meus. Ficamos assim por um segundo, dois, três. Eu sentia o pulso dele, acelerado.

Wesley apareceu do nada. "Davi, o César tava chamando."

Davi soltou minha mão, levantou, foi falar com César. Wesley ficou ali, me olhando com aqueles olhos grandes de cachorro abandonado, mas agora eu via algo mais. Uma fome. Uma curiosidade.

"Tia, a senhora vem sempre aqui?" a voz dele era insegura, mas os olhos não desviaram.

"Não, foi a primeira vez."

"Ah." Ele parecia decepcionado. "É que... a gente quase não vê mulher aqui. Só o César e a gente." Ele riu sem graça. "Faz bem ver uma mulher bonita."

Outro elogio. Dois num dia. Eu tava recebendo mais elogios em uma hora do que nos últimos seis meses. E vinham de dois moleques que mal me conheciam.

"Obrigada, Wesley. Você é um doce."

Ele corou de novo, aquela coisa linda, mas dessa vez os olhos dele brilharam diferente. "Ninguém nunca me chamou de doce."

"Pois é. Você é."

Ele sorriu, um sorriso tímido, e saiu correndo, sem jeito, mas com um peso diferente no olhar.

Fiquei ali, pensando. Três meninos. Três histórias. Três jeitos de me olhar. O Davi com segurança, o Wesley com carência, o Jonathan com desconfiança. E eu no meio, sentindo coisas que não devia.

Jonathan se aproximou devagar. Não sentou, ficou de pé, olhando de cima. O celular na mão, sempre, os olhos mirados em mim. Dava pra ver a tela, ainda gravando.

"Tia, o César fala muito da senhora."

"Fala?"

"Fala. Diz que a senhora é inteligente, que apoia ele, que é uma boa esposa." Ele fez uma pausa, o olhar descendo pelo meu corpo, demorando nas curvas. "Mas ele não fala que a senhora é bonita. Nem que tem esse corpo."

"Talvez ele não ache."

Jonathan riu, um riso seco, sem humor. "Ele acha. Mas homem casado às vezes esquece de falar as coisas." Guardou o celular no bolso, mas não antes de dar uma última olhada na tela, como se conferindo o que tinha gravado. "Enfim. Só vim agradecer pela comida. E dizer que a senhora é bem-vinda aqui. Mas toma cuidado."

"Cuidado com o quê?"

Ele me olhou nos olhos, sério. "Com eles. Com você. Esse lugar mexe com as pessoas."

Antes que eu pudesse perguntar mais, ele acenou com a cabeça e foi embora, pro fundo do galpão, sumindo na sombra.

Fiquei ali, no meu banquinho, observando os três. Davi conversando com César sobre política, articulado, seguro, os gestos largos. Wesley arrumando as coisas do lanche, cuidadoso, quase delicado, mas de vez em quando olhando pra mim por cima do ombro. Jonathan encostado na parede, observando tudo, o celular de volta na mão, filmando o ambiente, filmando a mim.

Foi então que César teve a ideia. A ideia que mudou tudo.

Ele se levantou, todo empolgado, e bateu palmas. "Gente, vamos fazer uma dinâmica! Uma de confiança!"

Os três olharam pra ele. Eu também.

"É simples. A gente vai fazer um círculo, um abraço coletivo. Cada um abraça o outro, sente a energia, a presença. É uma forma de quebrar barreiras, de criar vínculo. Vamos lá!"

Davi olhou pra mim, rápido, um sorriso discreto nos lábios. Wesley pareceu confuso, mas interessado. Jonathan levantou uma sobrancelha, mas não disse nada, só guardou o celular no bolso com um movimento lento.

César veio até mim, me puxou. "Vem, Marina. Você também. É importante."

Eu resisti. "César, eu não... não conheço eles direito."

"Por isso mesmo! É uma forma de conhecer. De quebrar o gelo. Vem, vai ser lindo."

Ele me levou pro centro do galpão. Os três se aproximaram, formando um círculo. César ficou de um lado, eu do outro. Davi ficou à minha direita, Wesley à esquerda, Jonathan atrás de mim. Eu podia sentir o calor dos corpos, o cheiro deles — suor, maconha, sabonete barato, e algo mais, algo animal.

"Vamos começar", César disse, todo sorrisos. "Cada um abraça o outro, devagar, sentindo. Não precisa ser rápido. É um exercício de presença. De confiança."

Ele abraçou Davi primeiro. Forte, demorado, as mãos batendo nas costas. "Você é importante, Davi. Não esquece." Davi correspondeu, mas os olhos dele estavam em mim por cima do ombro de César, fixos, queimando.

Depois César abraçou Wesley. O menino quase se derreteu no abraço, os olhos fechados, o corpo inteiro relaxando contra o do professor. César segurou ele por tempo demais, afagando as costas, a mão subindo e descendo. "Você é amado, Wesley. Lembra disso. Você merece ser amado." Wesley tremia, eu vi.

Por fim, César abraçou Jonathan. Jonathan ficou rígido no começo, os braços duros, mas depois relaxou um pouco, deixando o abraço acontecer. César falou algo no ouvido dele que eu não ouvi, mas Jonathan assentiu, sério.

Agora era a vez deles me abraçarem.

Wesley veio primeiro. Tímido, os braços meio abertos, sem saber onde colocar as mãos. Ele parou na minha frente, os olhos grandes me encarando. "Pode vir", eu falei, tentando ser gentil. Ele avançou, os braços envolvendo minha cintura com cuidado, como se eu fosse quebrar. Eu abracei ele de leve, só de educação, as mãos nas costas dele. Mas ele me apertou forte de repente, o rosto enterrado no meu ombro, o nariz roçando meu pescoço. Fiquei imóvel por um segundo, sentindo o corpo magro dele contra o meu, o peito dele pressionando meus seios, as pernas dele encostando nas minhas. O cheiro dele era forte — suor jovem, um desodorante barato, e algo doce, como açúcar queimado. Ele tremeu um pouco, a respiração acelerada contra minha pele.

"Tá tudo bem", eu falei, baixo, a mão subindo pelas costas dele. Ele era tão magro, dava pra sentir cada vértebra. Ele assentiu contra meu ombro, mas não soltou. Ficamos assim, abraçados, por tempo demais. Eu sentia o coração dele batendo, ou era o meu? A mão dele apertou minhas costas, puxando mais perto. Por um segundo, nosso corpos colaram de verdade. Eu senti o baixo ventre dele contra o meu, e senti. Senti ele duro. Era uma pressão leve, mas inconfundível. O pau dele, duro, pressionando minha barriga.

Meu corpo inteiro congelou. Mas não afastei.

César observava, emocionado. "Olha que lindo, pessoal. A conexão. É isso que a gente busca."

Wesley finalmente soltou, mas devagar, como se custasse. Os olhos dele encontraram os meus, e pela primeira vez, não desviaram. Estavam úmidos, brilhantes, cheios de algo que eu não soube nomear na hora. "Obrigado, tia", ele sussurrou, a voz falhando. E eu vi. Vi que ele não tava agradecendo só pelo abraço.

Davi veio em seguida.

Ele não foi tímido. Ele veio decidido, os olhos fixos nos meus, e me abraçou com força, os braços envolvendo minha cintura, puxando meu corpo contra o dele sem cerimônia. Nosso corpos colaram de verdade, peito contra peito, barriga contra barriga. Ele era mais alto que eu, tive que levantar a cabeça. Eu senti o peito largo dele, o abdômen duro como tábua, as coxas fortes contra as minhas. E senti. Senti ele duro contra minha barriga. Não foi leve como o Wesley. Foi uma pressão firme, grossa, que deixou claro o tamanho do que ele escondia na calça.

Meu corpo inteiro reagiu. Um calor subiu da minha barriga, espalhando. Meus mamilos endureceram contra o peito dele. Eu esperava que ele não notasse, mas ele notou. Ele sabia.

Ele baixou a cabeça, o rosto perto do meu ouvido. "Tia", ele murmurou, a voz rouca, quente. A respiração dele na minha pele, no meu pescoço. As mãos dele apertaram minhas costas, descendo, descendo, até quase na cintura, quase na curva da minha bunda. Eu senti os dedos pressionando, como se fosse descer mais, mas ele parou. Ficou ali, as pontas dos dedos na borda do meu vestido, na pele nua das minhas costas.

César assistia, com um sorriso bobo. "Olha que lindo, pessoal. A conexão. O Davi é tão afetivo."

Davi ficou ali, me abraçando, por tempo demais. Eu sentia o coração dele batendo, forte, acelerado. A dureza dele contra mim não diminuía. Pelo contrário. Parecia crescer. Eu não me mexia. Não conseguia. Meu corpo traiu minha mente, ficou ali, quieto, aceitando.

Ele se afastou devagar, os olhos nos meus lábios de novo, depois subindo pro meu olhar. "Foi bom te conhecer, tia", ele falou, e a voz dele disse mais do que as palavras. Disse "eu vou ter você". Disse "você já é minha".

Jonathan veio por último.

Ele abraçou de lado, quase desajeitado, o braço passando por cima do meu ombro. Ele era mais alto que todos, tive que levantar a cabeça pra ver o rosto dele. Ele olhou pra mim, sério, e apertou meu ombro com força, a mão grande e pesada. O outro braço dele envolveu minhas costas, puxando eu contra ele de um jeito diferente dos outros. Não era íntimo, era possessivo. Como se ele estivesse me marcando.

Ele se inclinou, a boca perto do meu ouvido. "Cuidado com eles", ele falou, tão baixo que só eu ouvi. A voz dele era grave, um aviso. "Eles não são tão inocentes quanto parecem. E você também não é, pelo jeito."

Antes que eu pudesse reagir, ele soltou e se afastou, o olhar impenetrável.

César estava radiante. Bateu palmas de novo. "Viu? Que lindo! Vocês tão de parabéns. Isso é construção de vínculo! É confiança! É amor!"

Eu fiquei ali, no centro do círculo, o corpo ainda quente dos abraços. O cheiro dos três na minha pele. A sensação do corpo do Davi colado no meu. A dureza dele. O tremor do Wesley. O aviso de Jonathan. Minha pele arrepiada, minha respiração presa, meus mamilos duros contra o vestido.

Olhei pros três. Davi me olhava de volta, com aquele sorriso calmo, confiante, os olhos escuros brilhando. Wesley desviava o olhar, vermelho, mas com um sorriso bobo no canto da boca. Jonathan observava tudo, impenetrável, mas com um olho em mim, sempre.

César veio me abraçar também, rápido, distraído. "Amor, que bom que você veio. Viu como eles são bons? Viu como tão evoluindo?" Ele me apertou sem força, sem vontade, e já se afastou, voltando a falar dos planos dele.

"Vi", eu respondi. E era verdade. Eu vi.

Vi o Davi me olhando como quem quer devorar.

Vi o Wesley tremendo no meu abraço, duro contra mim.

Vi o Jonathan me avisando, mas também me marcando.

E vi meu marido, cego, feliz, achando que tinha acabado de construir uma ponte para um mundo melhor.

No caminho de volta, no carro, eu não conseguia parar de pensar naquele momento. No corpo do Davi contra o meu. Na dureza dele. Na mão do Wesley apertando minhas costas, no corpo dele tremendo. No aviso de Jonathan, que parecia um desafio. No cheiro dos três grudado na minha pele. Na minha própria reação. No calor que subiu. No umedecimento entre minhas pernas.

Em casa, tomei banho demorado. Muito demorado. No chuveiro, a água quente descendo, minha mão desceu sozinha. Fechei os olhos e pensei no Davi. Na voz dele. Nos olhos escuros. Na mão grande descendo minhas costas. Na dureza que senti contra a barriga, grossa, quente. Pensei em como seria sentir aquilo em outro lugar. Em como seria sentir aquilo dentro.

Minha mão deslizou, encontrou o clitóris já inchado, molhado. Me toquei ali, em pé, a água escorrendo, o vapor enchendo o banheiro. Pensei no Wesley, no corpo magro contra o meu, no tremor dele, na forma como ele me agarrou como se eu fosse a única coisa segura no mundo. Pensei em como seria segurar a cabeça dele, guiar ele.

Pensei no Jonathan, no olhar calculista, no aviso. No braço forte em volta de mim.

Gozei rápido, com culpa, mordendo o lábio pra não gemer. O orgasmo veio forte, sacudindo minhas pernas, me fazendo apoiar na parede do box. Por alguns segundos, esqueci de tudo.

Depois, a culpa voltou.

Deitei na cama, vazia, esperando César chegar. Ele chegou meia-noite, tomou banho rápido, deitou, dormiu em cinco minutos. O ronco dele encheu o quarto. Ele não me tocou. Não perguntou como eu estava. Não notou nada.

Eu fiquei acordada, olhando pro teto, o corpo ainda vibrante, a mente a mil.

Os meninos.

Eles iam voltar.

E eu não sabia ainda, mas naquela noite, no centro daquele galpão, alguma coisa tinha começado. Algo que nem César com todo o idealismo dele podia parar. Algo que estava escrito no olhar do Davi, no tremor do Wesley, no aviso do Jonathan. Algo que estava escrito em mim, no meu corpo, na minha solidão, na minha fome.

O que ele não sabia — o que ele nunca soube — é que o abraço do Davi durou tempo demais. Que as mãos do Wesley tremeram de desejo, não de medo. Que o Jonathan já sabia de tudo antes mesmo de começar. Que ele viu em mim o que o marido não via.

E que eu, naquela noite, gozei no chuveiro pensando no pau duro de um moleque de 23 anos, e no corpo magro de outro de 20, e no olhar de um terceiro que me via por completo.

Gozei pensando neles.

E adorei.

---

**Fim da Parte 1**

# Na Parte 2: O churrasco na casa de Marina. A piscina. O biquíni preto. A primeira vez que ela vê os corpos deles sem camisa, molhados, brilhando. A primeira vez que César, ingênuo, sugere que eles "ajudem" a tomar conta da casa enquanto ele viaja. E a primeira vez que as mãos de Davi encontram as dela debaixo d'água, escondidas, enquanto todos os outros olham.

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Foto de perfil de contradio contradio Contos: 146Seguidores: 225Seguindo: 18Mensagem Sou só um cara comum que escreve contos eróticos por hobby, nos intervalos entre o trabalho de verdade e a vida real. Não sou nenhum daqueles ‘grandes autores’ que se acham donos da sabedoria universal, corrigindo o mundo com lições de vida disfarçadas de sacanagem repetida até enjoar. Escrevo porque gosto do tesão de imaginar cenas quentes, de brincar com palavras que fazem o sangue ferver, sem pretensão de mudar o mundo ou salvar o gênero. Meus textos são o que são: diversão crua, sem aula moral no final, sem aquela pose de quem descobriu a fórmula mágica do prazer e agora desce do pedestal pra ensinar os mortais equivocados. Leio, gozo, escrevo, rio — e pronto. Se alguém curte, ótimo. Se não, vida que segue. Só um amador feliz da vida, sem ego inflado.

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