A atmosfera na academia "Ferro e Aço" estava elétrica. No centro do tablado de levantamento de peso, Kiara terminava uma série de agachamentos com uma carga que fazia a barra de aço vergar. Seus músculos, esculpidos com precisão cirúrgica e banhados em suor, brilhavam sob as luzes de LED. Foi então que Tico, o anão mais audacioso da academia, atravessou o salão com um sorriso de quem guardava um segredo perverso.
— Impressionante, Kiara. Realmente impressionante — disse Tico, cruzando os braços e olhando para cima. — Mas toda essa armadura de músculos é só fachada. Por dentro, você é tão vulnerável quanto qualquer um. Eu aposto que consigo te fazer implorar por misericórdia em dez minutos.
Kiara soltou a barra, que atingiu o chão com um estrondo que interrompeu as conversas ao redor. Ela limpou o suor do pescoço, encarando-o com uma sobrancelha arqueada.
— Misericórdia? Tico, eu aguento pressões que esmagariam seus ossos. Do que você está falando?
— Estou falando de resistência real. Não contra o peso, mas contra si mesma — Tico desafiou, a voz subindo para que os outros ouvissem. — Um desafio de cócegas. Na sala de massagem. Se você se render e pedir para eu parar, admite para todo mundo que eu sou mais forte que você. Se aguentar sem desistir... bem, eu limpo seus pesos por um mês.
Um coro de "Uhhhh!" ecoou dos amigos de Kiara, que já largavam seus equipamentos para acompanhar o desenrolar da cena. O orgulho de Kiara falou mais alto que sua razão. Ela não aceitaria ser chamada de fraca, nem por brincadeira.
— Aceito. Mas aviso logo: você vai perder o seu tempo.
O grupo seguiu em procissão pelo corredor estreito. No final, a porta da sala de massagem aguardava. Tico entrou primeiro, acendendo as luzes e ajustando a câmera de segurança que transmitia o sinal diretamente para o monitor da área de convivência.
— Regras de engajamento, rainha — disse Tico, apontando para a maca. — Para o teste ser justo, precisamos de acesso total aos seus pontos sensíveis.
Kiara não hesitou. Com movimentos decididos, ela retirou seus tênis de treino e as meias, revelando pés grandes e firmes, com arcos altos e pele tensa. Ela subiu na maca, deitando-se sobre o couro frio.
Tico pegou as cordas de nylon que já estavam preparadas. Com uma habilidade surpreendente, ele prendeu os pulsos de Kiara acima da cabeça, fixando-os nos suportes da maca. Depois, desceu para os tornozelos, imobilizando seus pés de forma que as solas ficassem perfeitamente expostas e voltadas para ele.
— O que é isso, Tico? — Kiara perguntou, sentindo o aperto firme das cordas, sua pele negra contrastando com o branco do nylon.
— Segurança, Kiara. Para você não me chutar para fora da sala quando o desespero bater — ele provocou, ajustando a câmera para que os amigos dela, que já faziam apostas no monitor lá fora, vissem cada detalhe. — E essa roupa... perfeita para o que eu planejei.
Kiara vestia um top de alta performance e um short curto, deixando sua linha de cintura e costelas totalmente desprotegidas. Ela respirou fundo, sentindo o abdômen em gomos subir e descer.
— Pode começar, pequeno. Estou pronta.
Tico esfregou as mãos, o som da pele seca criando um presságio sinistro. — Então vamos lá. Vamos ver quanto tempo esse seu orgulho dura.
Tico posicionou-se na cabeceira da maca, pairando sobre o rosto de Kiara. Pelo monitor na área de convivência, os amigos dela pararam de rir por um segundo, fixos na tela. O contraste era absoluto: a massa muscular imponente de Kiara imobilizada e os dedos ágeis de Tico prontos para o bote.
— Vamos começar por onde você guarda toda essa sua marra — sussurrou Tico, aproximando as mãos do pescoço dela.
Ele começou com um leve roçar de unhas logo abaixo das orelhas, descendo em círculos lentos pelas laterais do pescoço. Kiara fechou os olhos e cerrou os dentes, os músculos do trapézio saltando como cordas de aço.
— Hihi... Tico... isso... isso não é nada... — ela murmurou, mas sua voz já estava uma oitava acima.
Subitamente, Tico mudou o ritmo. Ele começou a "atacar" com as pontas dos dedos na base da nuca e na "covinha" do pescoço, fazendo um movimento vibratório rápido.
— AHAHAHA! NÃO! TICO! HIHIHIHI! — A cabeça de Kiara balançava de um lado para o outro, tentando escapar do toque. — KKKKKK! PARA! PARA COM ISSO! GUAHAHAHA!
— O que foi, Kiara? Já está perdendo a linha? — Tico provocava, enquanto soprava o pescoço dela entre um ataque e outro. — No monitor o pessoal tá dizendo que você já está vermelha!
Sem dar tempo para ela recuperar o oxigênio, Tico deslizou as mãos para baixo. Ele parou diante do abdômen de Kiara, onde os gomos eram tão definidos que pareciam esculpidos em rocha.
— Esse escudo aqui parece duro — ele disse, batendo levemente nos músculos abdominais. — Mas todo mundo tem um ponto onde a armadura falha.
Ele começou a "caminhar" com os dedos pelas costelas dela, subindo e descendo com uma rapidez frenética. Depois, mergulhou os dedos profundamente nas laterais da cintura, logo acima do osso do quadril.
— AUIUIUI! HEHEHEHE! KKKKKKKK! — Kiara deu um solavanco tão forte que a maca rangeu. Seu corpo se contorcia o máximo que as cordas permitiam. — TICO! NÃ-NÃ-NÃO! HAAHAHA! AS LATERAIS NÃO! GUAHAHAHAHA!
— Olha só como a "Mulher de Ferro" derrete! — Tico exclamava, fazendo movimentos de "garra" e apertando levemente os gomos do abdômen, procurando cada terminação nervosa escondida entre os músculos. — Você treina o abdômen para aguentar pancada, mas e para aguentar isso aqui?
— AHA-CA-CA-CA! HIHIHIHI! TÁ FAZENDO... MUITA CÓCEGAS! EU... EU VOU MORRER! KKKKKKKK! — As lágrimas de riso começaram a escorrer, borrando sua visão. No monitor, seus amigos gritavam e batiam palmas, vendo a campeã de bodybuilding se contorcer como uma criança.
Tico não dava trégua. Ele alternava entre ataques rápidos nas costelas e pressões lentas no umbigo, fazendo com que o riso de Kiara se tornasse uma sinfonia de desespero e diversão.
— KKKKKKKK! TICO! PARA! HEHEHEHE! MEU DEUS! EU NÃO CONSIGO... RESPIRAR! AHAHAHAHA!
Tico subiu novamente, posicionando-se ao lado dos ombros de Kiara. Com os braços dela presos acima da cabeça, as axilas estavam totalmente expostas, revelando a pele mais clara e sensível que contrastava com a densidade dos seus ombros musculosos. Pelo monitor, os amigos de Kiara faziam silêncio, sabendo que aquele era o "calcanhar de Aquiles" da atleta.
Sem aviso, ele mergulhou os dedos indicadores e médios profundamente no centro das axilas de Kiara. Ele não apenas roçava; ele fazia movimentos circulares rápidos e rítmicos, "cavocando" a área mais sensível.
— GUAHAHAHA! NÃO! TICO! KKKKKKK! — O grito de Kiara foi imediato e agudo. Seus braços, presos acima da cabeça, esticaram as cordas ao limite enquanto ela tentava fechar os cotovelos. — PÁRA! HIHIHIHI! ISSO É MUITO PIOR! AHA-CA-CA-CA!
— Olha só! A câmera tá pegando tudo! — Tico ria, mudando o ataque para um dedilhar frenético, como se estivesse tocando um piano em alta velocidade bem no fundo das axilas dela. — O pessoal lá fora tá adorando ver a "Rainha do Ferro" se debulhar em riso!
— EHEHEHEHE! KKKKKKKK! SOCORRO! — Kiara arqueava as costas, os abdominais saltando em gomos rígidos enquanto ela lutava para respirar. — TICO... HIHIHI... EU VOU... HAHAHA... TER UM ESPASMO! KKKKKKK!
Tico então começou a usar os polegares para pressionar a borda do músculo peitoral enquanto os outros dedos continuavam o "ataque de formiguinha" na parte interna.
— Desiste? É só dizer as palavras mágicas! "Tico, você é o mestre das cócegas"! — provocou ele, aproximando-se para ver as lágrimas de riso escorrendo pelo rosto dela.
— JAMAIS! AHAHAHAHA! HIHIHIHI! — Ela soltou uma gargalhada tão alta que ecoou por toda a sala de massagem. — NUNCA! KKKKKKK! PODE... PODE FAZER... O QUE QUISER! GUAHAHAHAHA!
Ela estava completamente entregue ao reflexo. Seus pés presos se contorciam no ar, e o suor fazia sua pele brilhar sob a luz da sala. Tico continuou por mais dois minutos inteiros, alternando entre ataques lentos e profundos e toques rápidos e superficiais, até que Kiara estivesse quase sem voz de tanto rir.
Finalmente, ele retirou as mãos. Kiara desabou na maca, soltando suspiros longos e trêmulos, o riso ainda borbulhando em sua garganta como um soluço.
— Respira, Kiara. Aproveita esse ar — disse Tico, pegando a escova de cerdas duras que estava sobre a mesa e caminhando lentamente em direção aos pés dela. — Porque agora que os braços tiveram o descanso, os pés vão conhecer o verdadeiro terror. E eu trouxe uma "amiguinha" para ajudar.
Tico caminhou com passos lentos até a extremidade da maca, onde os pés de Kiara estavam firmemente imobilizados. Ele segurava a escova de cerdas firmes em uma das mãos, mas a deixou sobre o banco por um momento. Primeiro, ele queria sentir a resistência daquela pele com as próprias mãos.
— Chegamos ao seu destino final, Kiara — disse Tico, com um tom de voz quase solene. — Você sobreviveu ao pescoço, às laterais e às axilas. Mas ninguém, nem mesmo a mulher mais forte do mundo, escapa do que eu vou fazer com essas solas.
Ele começou de forma insidiosa, usando apenas os polegares para descrever círculos lentos e profundos bem no centro dos arcos dos pés de Kiara.
— AHA! HIHIHI! TICO, JÁ COMEÇOU MAL! HEHEHEHE! — Kiara tentou recolher as pernas, mas os tornozelos presos apenas fizeram as cordas estalarem.
Tico mudou o ritmo para um ataque de "aranha", subindo com os dedos em movimentos frenéticos do calcanhar até a base de cada dedo do pé.
— KKKKKKKKK! NÃO! GUAHAHAHAHA! — Kiara deu um solavanco que quase levantou o quadril da maca. — AÍ NÃO! HIHIHIHI! MEUS PÉS SÃO MUITO SENSÍVEIS! TICO! KKKKKKK!
— Ah, é? Então vamos ver como eles reagem a isso aqui! — Tico começou a "tocar piano" nas pontas dos dedos dela, enquanto com a outra mão fazia cócegas rápidas e leves bem no meio da sola do pé.
— AHAHA-CA-CA-CA! SOCORRO! HEHEHEHE! — No monitor, os amigos de Kiara estavam em polvorosa. Ela estava vermelha, suada, e seus dedos dos pés se abriam e fechavam como leques em um ritmo desesperado. — EU NÃO VOU AGUENTAR! KKKKKKKK! TICO, VOCÊ É UM DEMÔNIO! HIHIHIHI!
Tico então sorriu e pegou a escova. Ele testou as cerdas na palma da própria mão antes de encostá-las na sola direita de Kiara. No momento em que as cerdas ásperas roçaram a pele, Kiara soltou o maior grito de riso de toda a sessão.
— NÃAAAAAAAAAAAO! GUAHAHAHAHAHA! KKKKKKKKK! — Ela se contorcia violentamente, os músculos das coxas saltando de tensão. — A ESCOVA NÃO! HIHIHIHI! TICO! PÁRA! HEHEHEHEHE! É DEMAIS! KKKKKKKK!
Tico passava a escova em movimentos de "vaivém" rápidos e curtos, focando especialmente nos calcanhares e depois deslizando suavemente para as pontinhas dos dedos.
— O que foi, Kiara? Cadê a força? Cadê o orgulho? — Tico provocava, aproximando a escova da curva do arco. — Admite que você se rendeu! Admite que o anão te venceu!
— J-JAMAIS! AHAHAHAHA! — Ela mal conseguia falar, as lágrimas de riso agora molhando o travesseiro da maca. — EU... HIHIHI... EU NÃO VOU... DESISTIR! KKKKKKKK! GUAHAHAHAHA!
Para o toque final, Tico usou a escova em um pé e os dedos da outra mão no outro, alternando os estímulos para confundir o cérebro de Kiara. A sala era preenchida apenas pelo som das gargalhadas histéricas dela e pelas provocações de Tico.
— KKKKKKKK! HIHIHIHI! AHA-CA-CA-CA! — Kiara estava em transe de tanto rir. Sua força bruta de nada servia contra o ataque sensorial implacável.
Após alguns minutos que pareceram horas para Kiara, Tico finalmente parou. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração pesada e ofegante da atleta. Ela estava exausta, trêmula, mas com um sorriso vitorioso no rosto molhado.
Tico guardou a escova e soltou as cordas.
— Você é louca, Kiara. Realmente louca. — Tico estendeu a mão para ajudá-la a sentar. — Dez minutos de tortura total e você não disse a palavra.
Kiara sentou-se devagar, sentindo as solas dos pés ainda formigando intensamente. Ela olhou para a câmera, deu um sinal de "joinha" para os amigos e depois olhou para Tico.
— Eu te disse... — ela ofegou, ainda soltando uma risadinha residual. — Músculos podem ter pontos fracos, mas meu orgulho é blindado.