Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer. Capítulo 25 — O Movimento Prometido!

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Homossexual
Contém 7715 palavras
Data: 17/02/2026 21:37:23

O silêncio da casa, que antes me causava apreensão, agora servia apenas como uma moldura para o som das nossas respirações descompassadas. Eu ainda sentia o rastro do meu próprio toque nos dedos, o gosto salgado do pré-gozo dele na minha língua, quando Arthur, em um movimento de agilidade impressionante, uma demonstração clara de que sua perna não era mais um obstáculo, mas um pilar de força, segurou minha cintura e girou nossos corpos na cama.

​Em um piscar de olhos, a perspectiva mudou. O teto de madeira escura agora era o que eu via, enquanto o peso sólido e quente de Arthur me prensava contra o colchão macio. Ele estava sobre mim, os braços esticados, as mãos espalmadas ao lado da minha cabeça, encarando-me com uma intensidade que parecia querer atravessar minha pele.

​— Você foi rápido — murmurei, o coração batendo tão forte que eu sentia o pulso ecoar na ponta dos dedos.

​Arthur soltou uma risada baixa, um som gutural que vibrou no peito dele e se transferiu para o meu.

— Não, pelo contrário, Ber... só está sendo fácil.

​Arqueei as sobrancelhas, sentindo um arrepio percorrer minha espinha.

— Fácil como assim?

​— Está sendo fácil te derrubar — ele retrucou, o olhar descendo lentamente pelo meu pescoço até o meu peito, que subia e descia freneticamente.

​Eu ri, tentando disfarçar o quanto aquela autoridade dele me afetava.

— Arthur...

Ele sorriu, mas logo a expressão dele suavizou para algo mais sério, quase solene. Ele inclinou o rosto, aproximando-se até que nossos narizes se roçassem.

— Posso te fazer uma pergunta? Antes da gente começar...

​Eu respondi apenas abrindo as pernas um pouco mais, sentindo o pau dele, rígido e latejante, encaixar-se perfeitamente no vão das minhas coxas. O contato da pele nua, a textura do pré-gozo melando nossos pelos pubianos, era um convite silencioso e gritante ao mesmo tempo.

— Acho que a gente já até começou, Arthur.

​Ele não se distraiu. Os olhos claros, tão profundos quanto os do irmão, mas agora carregados de um brilho possessivo que era só dele, fixaram-se nos meus.

— Você confia realmente em mim? Você se entregaria realmente para mim agora?

​Parei por um segundo. Meus pensamentos voaram para o Arthuro, para o segredo que nos dividia, para o peso daquela casa, mas o calor de Arthur me puxou de volta para o presente.

— Por que essa pergunta agora, Arthur?

​— É que eu quero que seja a melhor transa da nossa vida — ele disse, e a sinceridade na voz dele me desarmou.

​— Lá vem você de novo com essa história, Arthur. Se você continuar, vai acabar quebrando o clima — tentei desviar, mas ele foi mais rápido.

​Arthur segurou meu rosto com as duas mãos, obrigando-me a encará-lo. Nossas testas se encostaram, e eu podia sentir o calor da pele dele emanando como um radiador.

— Ber... deixa eu satisfazer você. Deixa eu ser seu homem. Deixa... Eu só quero que você esqueça tudo o que está fora daqui, por enquanto. Esqueça o colégio, esqueça as preocupações, esqueça tudo. Aproveite tudo o que eu tenho a oferecer pra você, já que das últimas vezes foi você que ofereceu pra mim. Eu quero compensar o tempo que fiquei parado. Eu quero te levar ao ápice do seu prazer.

​Ele respirou fundo, e o cheiro dele — aquele aroma de homem excitado, misturado com um leve toque de sabonete — me entonteceu.

— Posso ser esse homem? Pelo menos por essa tarde? Quero te marcar de uma forma inesquecível.

Olhei para ele, vendo a vulnerabilidade misturada com a força bruta.

— Arthur... você está criando poesia no meio disso tudo.

​Ele não riu. Pelo contrário, segurou minhas duas mãos e as prendeu acima da minha cabeça com uma firmeza que não admitia réplicas.

— Não, eu não tô fazendo poesia. Eu só tô dizendo pra você que estou explodindo de tesão por você. E que você é o que eu quero, aqui e agora.

​Senti um nó na garganta. O desejo dele era tão cru, tão palpável, que me assustava e me atraía na mesma proporção.

— Então tá. Tudo bem — assenti, a voz saindo em um sussurro. — A gente faz um pouco do que os dois gostam.

​Ele soltou um sorriso vitorioso, revelando os dentes brancos, e roçou os lábios na minha orelha.

— Eu sei que o que eu gosto, você vai gostar mais ainda.

​Fechei os olhos, entregando-me ao peso do corpo dele sobre o meu. Arthur começou a descer os beijos pelo meu pescoço, usando a barba por fazer para me provocar arrepios. Senti a língua dele traçar o caminho da minha clavícula, enquanto suas mãos, agora livres, começavam a explorar meu tronco. Ele apertava meus mamilos com a ponta dos dedos, fazendo-me arquear o corpo contra o dele.

​O pau dele era uma barra de ferro entre nós, pulsando contra a minha barriga. Eu sentia cada centímetro daquela ereção, o brilho do pré-gozo escorrendo e criando uma ponte de lubrificação entre nossas peles. Era um encontro de carnes ávidas; eu sentia meus próprios músculos retesarem, minha masculinidade respondendo ao comando da presença dele.

​Ele desceu mais, a boca encontrando meu abdômen, deixando um rastro de umidade que esfriava em contato com o ar do quarto. Arthur parecia querer venerar cada parte de mim, mas com uma agressividade contida, como se a qualquer momento fosse perder o controle. Eu via a definição das costas dele, o jogo dos músculos sob a pele morena enquanto ele se movimentava. Sem a bota, ele era um atleta em ação, e o quarto do seu pai era o seu ginásio de prazer.

​— Você está pronto? — ele perguntou, voltando a subir, os olhos em brasa.

​— Mais do que pronto — respondi, puxando-o para um beijo profundo, sentindo que, naquela tarde, as regras do mundo lá fora não tinham poder nenhum sobre nós.

Eu estava ali, deitado naquela cama imensa, sentindo o peso do corpo do Arthur e o calor da sua pele contra a minha. O clima de entrega era total, mas ele me surpreendeu com um pedido que eu não esperava.

​— Já que você confia em mim, vamos fazer tudo isso vendados? — ele perguntou, os olhos fixos nos meus, buscando uma permissão que ia além do toque físico.

​Eu pisquei, processando a informação.

— Como assim? Vendados?

​Arthur deu um sorriso de lado, aquele sorriso que misturava o "cara certinho" com uma malícia que eu estava começando a conhecer agora. Sem dizer nada, ele se esticou na cama e abriu a gaveta da mesa de cabeceira do pai dele. Eu arregalei os olhos ao ver o que ele tirou de lá.

​— Sabia que tinha aí — ele murmurou, quase para si mesmo.

​— Como você sabia que isso estava aí? — Perguntei, sentindo um frio na barriga.

​— Ah, às vezes... enfim — ele desconversou, balançando levemente a tira de tecido preto entre os dedos. — Vamos?

​— Tá, mas se nós estivermos vendados... — comecei a argumentar, sentindo a insegurança de perder o controle visual da situação.

​— Não, só você vai estar vendado — ele me interrompeu, a voz ficando mais grave, mais decidida.

​— Arthur, é que isso não me dá tanto prazer assim. Eu gosto de ver o que está acontecendo — confessei, sentindo o suor brotar na palma das minhas mãos.

​Ele se aproximou, ajoelhando-se entre as minhas pernas e segurando meu rosto com uma delicadeza que contrastava com a força dos seus braços.

— Eu tenho certeza que eu vou te dar o prazer que você quer. Confia em mim? Deixa só eu te vendar. Te amarra...

​Refleti por um segundo, olhando para aquele rosto tão familiar e, ao mesmo tempo, tão cheio de novas facetas.

— Eu não conhecia esse seu lado fetichista, Arthur. Você é tão certinho comparado ao...

​— Comparado a quem? — ele perguntou rápido, os olhos estreitados.

​— A nada — respondi rápido, sentindo o perigo da comparação com o Arthuro quase escapar.

— Mas eu gosto de coisas diferentes. Só que estar amarrado aqui, nessa cama... e com os olhos vendados... é muita coisa.

​Arthur me puxou para um beijo lento, profundo, daqueles que parecem sugar a alma. Ele encostou os lábios no meu pescoço, deixando o hálito quente bater na minha pele.

— Bora, Ber... deixa. Deixa eu te dominar.

​Aquele "deixa eu te dominar" foi o gatilho. O peso da autoridade dele, o fato de ele estar finalmente saudável e querendo exercer cada grama dessa nova força sobre mim, fez meu pau latejar.

— Tá... eu deixo. Mas não amarra agora. Não agora.

​— Tudo bem — ele anuiu, mantendo a calma. — Eu só vou colocar a venda primeiro. Você sente. Se você ficar confortável, você deixa eu amarrar as suas mãos. Pode ser?

​— Mas como assim? Isso é meio estranho, Arthur — falei, embora meu corpo estivesse pedindo por aquilo.

​— Não, é gostoso — ele garantiu, os olhos brilhando.

​— Você já fez isso antes? — perguntei, curioso.

​— É... digamos que sim. Era uma fantasia minha, e eu fiz. Foi bom.

​Respirei fundo, sentindo o cheiro do quarto e o cheiro dele se misturarem.

— Tá. Deixa você me vendar. Sem problema algum. Mas isso de amarrar... essas cordas...

​— Relaxa — ele disse, já se posicionando atrás de mim.

​Senti o toque do tecido preto contra a minha pele. Era uma venda simples, de cetim, fria ao toque inicial. Arthur a passou pelos meus olhos e deu um nó firme atrás da minha cabeça. No momento em que a escuridão se tornou total, meu mundo encolheu para o tato e a audição. Eu ouvia o som da seda deslizando, a respiração pesada dele logo atrás de mim e o batido frenético do meu próprio coração.

​A escuridão trazia uma vulnerabilidade absurda. Eu estava nu, excitado, no quarto do pai dele, com um homem que eu ainda estava descobrindo.

​— Deita ali de bruços — a voz do Arthur veio como um comando, agora que eu não podia mais ver suas expressões. — Eu quero cuidar de um lugar muito especial.

​Tateei o colchão, sentindo a textura do lençol sob minhas mãos, e me deitei conforme ele pediu. O contato do meu peito nu com a cama, enquanto eu estava cego para o que viria a seguir, fez cada pelo do meu corpo se eriçar. Senti o peso do Arthur subindo na cama logo em seguida, o colchão afundando com o vigor do seu corpo.

​— Tudo bem? — ele perguntou, e eu senti a mão dele, quente e pesada, pousar na base da minha coluna, começando a descer em direção às minhas nádegas.

​Eu estava ali, exposto, esperando o próximo movimento do homem que prometeu me marcar de forma inesquecível. O mistério da venda estava apenas começando a abrir as portas para uma tarde que eu sabia que mudaria tudo entre nós.

A escuridão da venda preta transformou o quarto em um abismo de sensações puramente táteis. Sem a visão, eu não era mais o professor Bernardo; eu era apenas pele, nervos e um desejo que queimava de forma desgovernada. Ouvi o som do Arthur se posicionando, o colchão rangendo sob seu peso viril, e logo senti suas mãos grandes e firmes, mãos de quem agora tinha o controle total do corpo, espalmarem na minha cintura. Ele não foi sutil. Senti seus dedos fortes enterrarem na minha carne enquanto ele abria as duas bandas da minha bunda com uma força que me fez arquear as costas no mesmo instante.

​— Sente isso... sente isso, Ber — a voz dele ecoou mais alta, carregada de uma vibração que parecia vir do fundo do peito.

​Antes que eu pudesse responder, senti o calor da respiração dele invadir o vão entre minhas pernas. O contraste do ar frio do quarto com o bafo quente do Arthur foi o prelúdio de algo avassalador. Ele mergulhou a língua com vontade, explorando cada centímetro daquela região com uma voracidade que eu nunca tinha sentido. Ele não estava apenas lambendo; ele estava me reivindicando. A língua dele, áspera e quente, subia e descia ritmadamente, penetrando superficialmente e me fazendo soltar gemidos que eu não conseguia conter.

​— Nossa, Arthur... caralho... oh, Arthur, que isso? — eu balbuciava contra o travesseiro, as mãos agarrando o lençol com força.

​O som de um tapa seco e estalado ecoou no quarto, seguido por uma ardência deliciosa na minha nádega esquerda.

— Isso é o que você merece, Ber — ele rosnou

.

​Senti o peso do Arthur se deslocar. Ele posicionou um dedo bem na entrada do meu cuzinho, e o simples toque me fez rebolar involuntariamente, buscando mais. Ouvi o som dele cuspindo — um barulho úmido e excitante — e logo em seguida a língua dele voltou, ainda mais molhada, massageando o lugar onde ele pretendia entrar. Eu estava completamente à mercê dele. O meu pau, pressionado entre meu ventre e o colchão, latejava a cada estocada da língua dele, vazando meu próprio pré-gozo nos lençóis do pai dele.

​Com uma autoridade renovada, Arthur segurou meus joelhos e os puxou para frente. Meu corpo deslizou, os joelhos se dobrando até que eu ficasse em uma inclinação acentuada, com a bunda empinada para o alto e o peito colado na cama. Eu era um convite aberto.

​— Caralho... tá uma delícia isso aqui — ele exclamou, a voz rouca de desejo.

​— É? Como você gosta disso? — perguntei, sentindo minha respiração falhar.

​— Eu gosto muito! — ele respondeu, e no segundo seguinte, ele manuseou meus braços, me forçando a ficar de quatro.

​Ele entrou por baixo de mim, deitando-se de costas na cama, e o comando veio seco:

— Senta na minha cara.

​— Quê? — a surpresa me fez hesitar por um milésimo de segundo.

​— Senta na minha cara, porra! Anda, caralho!

​— Calma, Arthur... — tentei dizer, mas dois tapas fortes e ritmados na minha bunda me fizeram obedecer instantaneamente.

Aproximei meu quadril do rosto dele, sentindo a barba por fazer roçar na minha pele sensível. Quando sentei, senti a língua dele trabalhar com uma fúria selvagem, sugando e lambendo meu cyzinho enquanto suas mãos apertavam minhas coxas. O prazer era tão intenso que eu sentia vertigens atrás da venda.

​— Agora vai deitando de novo... segura o meu pau e chupa — ele ordenou.

​Iniciamos um 69 frenético. Eu tateei no escuro até encontrar aquela pica pulsante e latejante. O pau do Arthur era imponente, cheirando a sexo e a pré-gozo. Eu o envolvi com os lábios, sentindo a textura das veias saltadas contra a minha língua. Engolia cada centímetro com vontade, fazendo barulhos de sucção que preenchiam o quarto, enquanto ele continuava a me devorar por baixo com a mesma intensidade.

​— Porra... puta que pariu! Que delícia de chupada, Ber — ele gemia, sua voz abafada pela minha pele.

​— Tá bom pra você, Arthur? — perguntei, tirando o pau da boca por um segundo, sentindo o gosto dele em toda a minha face.

​— Tá uma delícia...

​Subitamente, senti a pressão de um dedo entrando no meu cuzinho, seguido por outro. A invasão me fez soltar um grito abafado.

— Ai! Que porra é essa?

​— Você já sentiu coisa maior aqui — ele provocou, tateando com dois dedos, massageando as paredes internas com um movimento rítmico e firme. Ele cuspia na própria mão, voltava a lamber e enfiava os dedos lentamente, dilatando-me, preparando o terreno com uma paciência cruel.

​Soltei o pau dele por um momento, a cabeça girando.

— Calma aí, Arthur... vai devagar...

​— Que devagar o quê, Ber? Porra, aceita sua sorte. Você é minha vadia hoje — ele disse, a voz transbordando uma virilidade possessiva que me fazia estremecer.

​A venda preta era minha única realidade. Eu não via o quarto, não via os móveis do pai dele; eu só sentia o corpo do Arthur, aquele colosso de músculos e desejo. Virei meu rosto para trás, tentando sentir a direção dele no escuro, e segurei o pau dele novamente, sentindo como ele pulsava loucamente na minha mão, pronto para explodir.

​— Sua... sua o quê? — perguntei, provocando-o.

​Ele me deu uma mordida leve, mas firme, na bunda e rosnou no meu ouvido:

— Piranha... safada... cachorra!

​Ouvir aqueles xingamentos, naquela posição, vindos do Arthur que sempre foi o "irmão certinho", despertou em mim um tesão primal. Eu soltei um gemido longo:

— Ahhhhh...

​— Caralho, eu tô louco pra meter nesse cuzinho — ele disse, a voz vibrando de prazer pura. — Eu preciso comer esse seu cuzinho agora, porra!

​Eu sentia o calor que emanava dele, o som da sua respiração curta e o cheiro do suor se misturando ao cheiro do pré-gozo. Arthur estava no seu auge, a perna recuperada dando a ele a base necessária para me dominar como nunca. Eu estava pronto para ser aberto, para ser dele naquela tarde de sexta-feira, em um quarto onde o proibido era a única regra.

A tensão no quarto do pai dele atingiu um ponto de ebulição onde a negação não tinha mais espaço. Quando Arthur exclamou, com aquela voz rouca e carregada de uma testosterona represada por dias, que eu levaria um "chá de pica" inesquecível, meu corpo inteiro estremeceu. Era uma promessa bruta, despida de qualquer sutileza. Mas quando ele mencionou as cordas para me amarrar, algo em mim travou.

​Num movimento instintivo, puxei a venda preta do rosto. A luz do quarto agrediu meus olhos por um segundo, mas eu precisava encarar a realidade.

​— Não, Arthur. Eu não quero — falei, minha voz firme apesar da respiração curta.

​Ele parou o movimento, as cordas na mão, e uma sombra de frustração cruzou seu rosto másculo.

— Merda, por que você tirou a venda? — ele perguntou, a voz séria, os olhos claro me perfurando.

​— Porque eu não quero — respondi, sustentando o olhar. — A venda tudo bem, eu aceito o jogo, mas corda eu não quero. Não aqui, não agora.

​A expressão dele suavizou num instante, uma transição rápida da dominância para um carinho quase protetor. Ele se aproximou, a pele branca brilhando de suor, e acariciou meu rosto com o polegar.

— Tudo bem, tudo bem, amor... — ele sussurrou. O "amor" saiu baixo, denso. — A gente faz do jeito que você quer.

​Ele terminou de remover a venda do meu rosto completamente e me envolveu num beijo profundo, enquanto sua mão descia com agilidade para a minha bunda, distribuindo tapas rítmicos que faziam a pele estalar e arder. Ele se afastou apenas o suficiente para cuspir na palma da mão e segurar o próprio pau, que pulsava como algo vivo, veias latejante.

​— Eu vou respeitar você — ele disse, encarando-me intensamente. — Mas se prepara pro que você vai levar, tá?

​Eu ri, sentindo um frio na barriga que se misturava ao tesão absoluto. Ele puxou meu corpo para mais perto, colando meu peito ao dele, e senti a cabeça do pau dele, quente e úmida de pré-gozo, pressionar a entrada do meu cuzinho.

— Deixa eu te comer assim primeiro — ele pediu, a voz vibrando contra o meu pescoço.

​— Assim como?

​— Assim, te olhando. Olhando no teu olho enquanto eu te abro — ele respondeu, e aquela frase foi mais excitante que qualquer fetiche.

​Ele me ajustou na cama, deitando-me de costas para o colchão macio. Abriu minhas pernas com uma autoridade que não aceitava resistência e se posicionou entre elas. A visão do Arthur ali, nu, saudável, com os músculos das coxas e do abdômen retesados, era a imagem da virilidade pura.

​— Vai ser devagar, tá? — ele prometeu, mas seus olhos diziam o contrário.

​Ele começou a enfiar. A cabeça larga do pau dele encontrou resistência, e eu senti cada fibra do meu músculo se dilatando para recebê-lo.

— Ai... ai! Calma, Arthur... calma... — eu gemia, as mãos agarrando os lençóis. — Só vai devagar...

​— É difícil me controlar, Ber... você sabe disso — ele respondeu, o rosto vermelho pelo esforço de não mergulhar de uma vez.

​Ele continuou o movimento, penetrando centímetro a centímetro. Eu o encarava, vendo a veia saltada em sua testa e o suor escorrendo pelo seu peito. Era uma conexão crua. Mas, num movimento brusco, ele tirou o pau de uma vez, fazendo um som úmido de sucção que me fez soltar um "Ai!" de surpresa.

​— Arthur, cuidado! — reclamei.

​— Desculpa... — ele disse, ofegante. Ele cuspiu novamente no pau, de forma bruta, e depois levou minha bunda em direção ao rosto dele. Eu estava com as costas encostadas na cama, mas ele elevou meu quadril, cuspindo diretamente na minha entrada, espalhando a saliva com o polegar de forma rítmica. — Acho que agora dá pro gasto.

​Desta vez, ele foi mais certeiro. Com o meu cuzinho já mais relaxado e lubrificado, o pau dele entrou de forma mais fluida. Senti meu interior se moldando àquela espessura. Quando ele percebeu que eu estava cedendo, pegou uma das minhas pernas e a jogou sobre o ombro dele, aumentando o ângulo de penetração.

​— Tá quase tudo dentro — ele murmurou, dando um soquinho com o quadril.

​— Ai caramba... calma... — eu soltei, sentindo a ponta dele tocar lugares que me faziam perder o sentido.

​Ele se inclinou para me beijar e, simultaneamente, prendeu minhas duas mãos contra o colchão, uma em cada mão dele.

— Agora eu vou com mais força, tá bom? — ele avisou entre beijos famintos.

​E então o ritmo mudou. Arthur começou a fuder com uma cadência poderosa. O som do encontro dos nossos corpos preenchia o quarto: plaft, plaft, plaft. Eram as coxas dele batendo contra as minhas nádegas, um estalo de pele com pele que era música para o meu tesão. Meu próprio pau, entre nós, batia na minha barriga a cada estocada dele, ficando cada vez mais ensopado de fluido.

​— Ah... ah... caralho, Arthur! — eu gritava, a cabeça balançando de um lado para o outro.

​— Que foi? Que foi, porra? — ele perguntou, aumentando a velocidade, os olhos fixos nos meus, devorando minha reação.

​— Tá muito bom... mas você tá indo muito fundo! — eu gemia, sentindo que ele estava alcançando minha alma.

​— Quer mudar? — ele perguntou, a voz falha. — Vamos de quatro logo, porra! Vira!

​Ele não esperou minha resposta completa. Me puxou para a beira da cama, virando meu corpo com uma facilidade que demonstrava toda a sua nova força física. Eu fiquei de quatro, os joelhos afundando no colchão e os cotovelos apoiados, sentindo o ar frio bater na minha bunda que agora brilhava de suor e lubrificação. Ele se posicionou atrás de mim, segurando firme nos meus quadris, os dedos enterrando na minha pele.

​— Agora você vai ver o que é o movimento que eu te prometi — ele rosnou, antes de desferir a primeira estocada naquela nova posição.

A mudança para a posição de quatro na beira daquela cama imensa, que pertencia ao pai dele, mudou completamente a dinâmica do nosso encontro. Ali, sem a visão da venda, mas com a percepção aguçada pela entrega, eu me senti vulnerável e excitado ao extremo. O Arthur não perdeu tempo. Senti o peso do seu corpo se acomodar atrás do meu e, sem qualquer aviso, ele desferiu uma estocada profunda, entrando com tudo de uma vez. O impacto foi tão seco que soltei um ganido curto, abafado pelo colchão.

​— Toma... sente isso — ele rosnou, a voz vibrando nas minhas costas.

​Ele desferiu um tapa estalado e forte na minha bunda esquerda, a pele ardendo instantaneamente sob a palma da mão dele.

— Rebola pra mim, vai... rebola essa bunda gostosa pra mim. Deixa eu te dar o chá que você merece.

​Eu estava possuído por uma instigação que não conhecia limites. Empinei a bunda ainda mais, sentindo o Arthur soltar um palavrão de puro deleite ao ver a curvatura do meu corpo. Comecei a contrair meu cuzinho, prendendo o pau dele dentro de mim a cada movimento. A cama de madeira rangia ritmadamente, um som que preenchia o quarto e denunciava a nossa urgência.

​— Calma, Arthur... se a gente continuar assim... — eu tentava falar, mas o prazer me roubava as palavras.

​— Que foi? — ele perguntou, a respiração curta e quente na minha nuca.

​Num movimento ágil, ele soltou uma das mãos da minha cintura e agarrou meu cabelo com firmeza, puxando minha cabeça para trás e me obrigando a ficar de pé, ainda conectado a ele. Foi uma manobra brusca que fez uma corrente elétrica descer por uma das minhas pernas. Fiquei em pé, de costas para ele, sentindo o pau dele me preencher completamente enquanto ele mantinha uma mão cravada no meu cabelo e a outra apertando minha cintura com tanta força que os dedos dele deixavam marcas na minha pele morena.

​— Fala... fala o que você quer, porra! — ele exigiu, o corpo dele colado ao meu, o suor nos unindo como uma cola natural.

​— Eu quero... eu quero o chá que você prometeu... ai, Arthur... só não para! — respondi, rebolando contra ele, sentindo o pau dele raspando em cada nervo meu.

Arthur riu, uma risada vitoriosa. Ele tentou posicionar a cabeça no meu ombro para me beijar, mas como eu era mais alto, ele precisou ficar na ponta dos pés, mostrando que sua perna recuperada agora aguentava qualquer esforço. Eu tentei me virar, a pica dele saindo milímetros de dentro de mim, mas ele me puxou de volta.

​— Vem cá... só não vou sair de dentro de você, tá? — ele sussurrou.

​E começamos a andar daquele jeito pelo quarto, num movimento desajeitado e extremamente erótico, eu sendo conduzido por ele enquanto sentia aquela coluna de carne pulsando dentro do meu corpo. O cheiro de sexo e suor estava por toda parte.

​— Senta ali... senta nessa poltrona aqui — ele comandou, apontando para a poltrona de couro escura no canto do quarto.

​Ele tirou a pica de dentro de mim com um solavanco rápido. O vácuo súbito me fez soltar um gemido de protesto.

— Ai, caralho, Arthur! Faz assim não...

​— Que foi? Já tá com saudade dela? — ele provocou, o pau dele balançando, vermelho e brilhando de pré-gozo bem na minha frente.

​Ele me guiou até a poltrona.

— Senta. Deixa que eu te ajusto.

​Eu me sentei na poltrona de couro, que rangeu sob meu peso. Arthur se agachou diante de mim, segurou minhas pernas e as levantou, apoiando meus calcanhares nos braços da poltrona. Fiquei completamente escancarado, vulnerável sob o olhar faminto dele.

​— Segura aqui — ele disse, indicando que eu devia segurar as laterais da poltrona com as mãos.

​Ele se posicionou entre minhas coxas abertas e encostou a cabeça do pau na minha entrada. Ele começou um jogo de tortura e prazer, entrando e saindo apenas alguns centímetros, cutucando a entrada de forma rítmica. O couro da poltrona estava frio, mas o corpo dele era puro fogo. Eu via o jogo de músculos do seu peito e dos seus braços enquanto ele se apoiava sobre mim. Meu próprio pau estava tão duro que batia na minha barriga a cada estocada dele, e ele percebeu.

​— Caralho, Ber... teu pau parece que tá gozando sozinho — ele disse, com os olhos fixos na minha ereção latejante.

​— É... é que... — tentei responder, mas ele interrompeu minha fala enfiando o pau com toda a força, mergulhando até a base.

​— CARALHO, ARTHUR! — meu grito foi de dor e prazer absoluto.

​— Que foi? É do jeito que você gosta, bebê. É do jeito que você gosta — ele repetia, começando a meter com uma cadência profunda e devastadora.

​Ele se inclinou para frente, colando sua testa na minha. Nossos cabelos, úmidos de suor, se misturavam. Eu via cada detalhe do rosto dele: os cílios, o brilho de luxúria nos olhos castanhos, o sorriso sacana que ele não conseguia esconder.

​— Não é do jeito que você gosta, amor? — ele perguntava, enquanto o som da pele batendo contra a pele ecoava naquele quarto proibido. — Fala pra mim.

​— É... eu gosto assim... — eu gemia, o corpo tremendo sob o comando dele.

​Arthur riu, sentindo que eu estava no limite.

— Me dá a pica, vai... me fode... eu estou quase gozando já! — eu implorei, sentindo as ondas de prazer subindo pelas minhas pernas.

​— Você demora pra gozar, Ber... eu sei — ele disse, acelerando o ritmo, o olhar fixo no meu, transformando aquela tarde de sexta-feira em um rito de passagem inesquecível.

​No epicentro daquele quarto, onde o cheiro de madeira antiga do pai de Arthur se misturava agora ao odor inebriante do suor e do sexo, a atmosfera tornou-se quase sólida. Arthur, com o rosto banhado de um brilho febril, riu da minha confissão sobre a iminência do meu pré-gozo. Ele não queria apenas me dar prazer; ele queria me dominar através dele.

​— Você não vai resistir, Ber... você já não está resistindo — ele provocou, a voz saindo como um rosnado de satisfação.

​Eu tentava rebolar, tentando encontrar o ritmo que me levaria ao abismo, mas ele travou meu quadril com suas mãos grandes.

— Me escuta. Segura em mim. Segura no meu pescoço — ele ordenou, e a autoridade em sua voz fez meu baixo ventre latejar.

​Ele se ajeitou, seus músculos das coxas — agora perfeitamente recuperados — saltando sob a pele.

— Coloca as pernas nas minhas costas e te segura. Só te segura, tá?

​— O que você vai fazer, Arthur? Você não vai me aguentar... — balbuciei, sentindo o peso do meu próprio corpo.

​— Claro que vou, porra! Confia em mim — ele rebateu, e num movimento de pura força bruta e explosão muscular, ele me levantou da poltrona.

​Em um segundo, eu estava no colo dele. Minhas pernas cruzavam suas costas largas, meus braços rodeavam seu pescoço com desespero e o pau dele estava cravado até o fundo, pulsando dentro de mim como se tivesse vida própria. A sensação de estar suspenso, sustentado apenas pelo vigor dele enquanto aquela coluna de carne me preenchia, era aterradora e deliciosa.

​— Tá com medo de quê, caralho? — ele rosnou no meu ouvido, começando a caminhar pelo quarto comigo pendurado nele. — Eu já falei: confia na minha pica. Olha só como você está...

​Ele começou a fazer o movimento, subindo e descendo meu corpo no colo dele. A cada passo que ele dava, o pau entrava de um jeito diferente, atingindo as paredes internas com uma precisão que me fazia ver estrelas atrás das pálpebras.

​— Assim... mais rápido, Arthur! Assim! — eu pedia, perdendo a noção de onde estávamos.

​Ele me segurou com tanta força que eu parei de pular; era ele quem ditava o ritmo, me fodendo com estocadas violentas enquanto caminhava. O som da pele batendo — o plaft úmido do encontro dos nossos corpos — ecoava pelas paredes do quarto de seu pai. Ele me encostou contra a parede fria, o contraste térmico fazendo meu corpo estremecer.

​— Agora você pede apoio... vai, fode — ele disse, a voz falha pelo esforço.

​Eu comecei a me movimentar com desespero, sentindo que o ápice estava ali, a um milímetro de distância. Mas o esforço físico era grande. Arthur soltou uma risada curta, uma mistura de exaustão e tesão.

— Calma... minha perna... meu braço... não aguento mais te segurar no ar, não — ele riu, e eu ri junto, uma risada histérica de quem estava bêbado de prazer.

​Ele me desceu lentamente, mas não permitiu que a conexão se quebrasse.

— Olha o teu pau, Arthur... tá duro, tá pingando.

— Mas não encosta essa porra dessa mão aí agora. Só encosta com o cuzinho. Encosta na poltrona de novo, só as mãos.

​Eu obedeci, sentindo-me como um animal treinado. Inclinei-me sobre a poltrona, empinando a bunda para ele, sentindo o ar frio do quarto mais uma vez.

— Curva mais... isso... agora sobe na poltrona. Fica de joelhos nela — ele comandou.

​Fiquei de quatro sobre o couro, com os joelhos afundando na superfície macia. Arthur ficou na ponta dos pés atrás de mim, a posição perfeita para me invadir. Quando ele entrou novamente, foi como se ele quisesse alcançar meu estômago. Ele segurou meu cabelo, puxando minha cabeça para trás para sussurrar no meu ouvido, enquanto me fodia com uma violência rítmica e primitiva.

​— Caralho, você é muito gostoso, Ber... Você é muito gostoso, porra! Olha essa marquinha que você tem aqui... caralho, você é um gostoso da porra!

​Os xingamentos dele agiam como combustível. Eu rebolava com uma fúria cega, sentindo o barulho do atrito ficando cada vez mais alto, mais úmido, mais urgente. O Arthur estava chegando lá, eu sentia o pau dele ficando ainda mais inchado dentro de mim.

​— Vira, vira! — ele gritou, a voz embargada. — A gente vai terminar diferente.

​Ele se jogou na cama de costas, as pernas para fora. Eu não esperei. Sentei nele com pressa, querendo sentir o controle.

— Deixa que eu faço agora — eu disse, descendo com tudo sobre ele.

​— Só vai rápido... que eu já vou! — ele avisou, segurando minhas coxas com as mãos trêmulas.

​Eu comecei a sentar com toda a minha força, cada impacto fazendo nossos corpos grudarem pelo suor. Ele começou a dar solavancos para cima, me encontrando no meio do caminho.

— Toma, porra! Toma! É assim que você merece... engole meu pau com esse cuzinho, vai! Mastiga ele porra!

​Aquelas palavras foram o gatilho final. Senti a primeira onda de gozo do Arthur explodir dentro de mim — um jato de porra quente que pareceu me queimar por dentro. O calor era absurdo. Eu sentia cada pulsação dele injetando o sêmen no fundo do meu ser, e isso me levou ao meu próprio limite.

​— AH, CARALHO! — eu gritei, sentindo meu próprio gozo disparar, sujando minha barriga, o peito dele e os lençóis.

​Eu gozava muito, jatos grossos que acompanhavam as contrações do meu cuzinho em volta do pau dele. Ficamos ali, naquele movimento final, as respirações tão altas que pareciam gritos, até que o corpo dele amoleceu sob o meu. Caí sobre o peito dele, sentindo o coração dele martelando contra o meu.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som do sêmen escorrendo de dentro de mim, uma sensação de esvaziamento total. Senti o pau dele saindo lentamente, e o rastro de porra escorrendo pelas minhas coxas.

​— Caralho... isso foi uma delícia — ele murmurou, dando dois tapas leves e carinhosos no meu rosto.

​Ficamos agarrados, os pelos do corpo dele ainda roçando nos meus, o meu gozo espalhado pelo abdômen de ambos. Arthur me beijou, um beijo cansado, mas cheio de uma gratidão carnal.

— Eu nunca estive com alguém tão gostoso... você me levou ao limite, Ber.

​— Eu tô exausto... nem consigo falar — respondi, rindo baixo contra o ombro dele.

​— Esse chá de pica de hetero é muito gostoso, né? — ele brincou, recuperando o fôlego.

​— Hetero? — ri, olhando para ele com deboche. — Arthur, eu nem sei mais o que você é.

​Ele riu junto, me puxando para mais um beijo.

— A gente precisa se limpar... limpar tudo isso aqui antes que alguém chegue.

​— É... a gente precisa — concordei, mas sem fazer menção de me mexer, querendo prolongar aquele estado de anestesia completa que só um encontro daquela magnitude poderia proporcionar.

​Eu ainda sobre o corpo do Arthur, o suor esfriando e criando uma película pegajosa entre nossas peles, quando ele finalmente se moveu. O olhar dele tinha mudado; não era mais o caçador, mas um homem que parecia ter tirado um fardo das costas, ao mesmo tempo em que outro, muito mais pesado, começava a se desenhar em seus olhos claros.

​— Ber, vai tomar banho lá no meu quarto, no meu banheiro... enquanto eu tiro tudo daqui e deixo arrumado. Pode ser? — ele sugeriu, a voz ainda um pouco rouca, enquanto se levantava e exibia sua nudez sem qualquer pudor.

​— Tá bom — respondi, sentindo minhas pernas meio trêmulas ao tocar o chão.

​— Você já sabe o caminho, né? A porta tá aberta — ele completou, e antes que eu saísse, ele deu um sorriso de lado, aquele sorriso sacana que só o Arthur sabia dar. — É... tá descendo porra do seu cu, né?

​Ele se aproximou e, com uma liberdade que só o sexo daquela intensidade permite, abriu as bandas da minha bunda com as mãos, olhando o estrago que havia feito.

— Eu fiz um estrago, hein? — ele riu, orgulhoso da própria virilidade.

​— Eu sei... parece que vai arrebentar — brinquei, sentindo o latejar da região. — Mas vai logo, dá um jeito nisso. Se sujar o chão, eu limpo.

​— Beleza, então. Vai lá.

​Corri para o quarto dele, buscando a privacidade do box. A água quente batendo no meu corpo foi um alívio. Me limpei com pressa, sentindo o cheiro do Arthur saindo da minha pele, mas a sensação da posse dele ainda estava gravada nos meus músculos. Saí do banheiro apenas de toalha, secando o cabelo, sentindo o frescor do banho contrastar com o calor que ainda emanava do meu interior.

​— Preciso das minhas roupas — falei, entrando no quarto onde o Arthur já me esperava.

​Fiquei impressionado. Ele já tinha feito tudo. O quarto do pai já estava impecável.

— Você já terminou? — perguntei.

​— Só tirei a roupa de cama e limpei tudo. Daqui a pouco eu volto lá e coloco lençóis novos. Ninguém vai desconfiar de nada — ele disse, caminhando até mim. A pele dele ainda estava quente. — Deixa só eu tomar um banho rápido e a gente desce para pegar as roupas que ficaram na sala.

​O banho dele foi um flash. Em poucos minutos, ele saiu do banheiro, a água escorrendo pelos pelos aparados do peito, o abdômen definido brilhando sob as luzes do quarto.

— Bet, me passa a toalha?

​Num movimento natural, tirei a toalha que cobria meu corpo e entreguei a ele. No momento em que nossas mãos se tocaram, a eletricidade voltou. Ele me puxou para um beijo urgente, as mãos molhadas segurando minha cintura nua.

— Foi muito bom tudo o que aconteceu — ele sussurrou contra meus lábios. — Você é um gostoso, Ber...

​Ele deu um tapa estalado na minha bunda, e eu, rindo, comecei a usar a toalha para secar o corpo dele. Meus dedos roçavam na pele úmida, sentindo a firmeza dos músculos.

— Vou ficar mal acostumado com isso — ele provocou, fechando os olhos enquanto eu passava a toalha pelos seus ombros largos.

​— Acho melhor você não se acostumar — retruquei, com um sorriso de canto. — Tudo o que vira costume, vira rotina. E tudo que vira rotina, enjoa.

​Ele riu, mas o clima mudou sutilmente. O prazer tinha dado lugar a uma necessidade de conversa. Descemos, pegamos o restante das roupas e nos acomodamos no sofá da sala. Olhei para o relógio; o tempo estava voando.

​— É... eu já preciso ir, Arthur.

​— Quer que eu te leve? — ele ofereceu.

​— Acho melhor não. Você precisa descansar, e eu preciso processar tudo isso.

​Arthur sentou-se no sofá, as mãos entrelaçadas, os cotovelos apoiados nos joelhos. Ele parecia subitamente menor, ou talvez apenas mais humano.

— Eu ainda preciso falar uma coisa com você. Será que tem como?

​— Claro. Sabe que eu não gosto de enrolação, Arthur. O que foi?

​Ele hesitou, desviando o olhar para o tapete.

— É difícil pedir um segredo. Uma coisa que você não pode contar pra ninguém... principalmente pro Arthuro.

​Meu coração falhou uma batida. Pro Arthuro? — Nem pro Arturo? Como assim? O que você fez?

​— Você vai me julgar... — ele começou. — Você lembra da Minna ? A ex do Arthuro?

​— Lembro. A menina que ele gostava bastante. O que tem ela? Vocês estão ficando?

​— Não agora. É que... — ele respirou fundo, como se estivesse prestes a pular de um penhasco. — Já tem muito tempo que eles terminaram. E eu acabei ficando com ela alguns meses atrás.

​Fiquei em silêncio por um momento, processando a traição implícita, mesmo que fosse com uma ex.

— E aconteceu algo enquanto ele estava com ela? Porque se não, não tem nada a ver... você não deu chifre no seu irmão, né?

​— Não! Tá maluco? Foi depois. Mas eu fiquei com ela mais de uma vez. A gente transou, sim. E esse é o problema. Ela me mandou mensagem pedindo pra conversar, mas como eu estava com a perna ruim, a gente não se viu. Então ela me ligou... ela disse que está grávida. E tem certeza que é meu.

​O choque me percorreu. Arthur, pai. No meio de toda aquela confusão.

— O quê? Grávida? Caralho, Arthur...

​— Eu não sei o que fazer, Ber. Você é a primeira pessoa que eu conto. Eu sou muito novo, não queria ser pai agora. E ainda tem você... a gente tá se curtindo, e eu não queria que isso mudasse. Eu curto ficar com você, minha cabeça é bem resolvida quanto a isso, mas um filho... é muita coisa.

​Eu olhei para ele, vendo o desespero de um amigo debaixo daquela carcaça de homem dominante que ele tinha mostrado na cama. Segurei as mãos dele, sentindo-as frias.

— Te entendo. Mas primeiro, se organiza. Conversa com ela, entenda se é verdade. Depois, cria coragem e conta pro Arthuro. Se você precisar de ajuda pra falar com ele, eu vou estar aqui, tudo bem?

​Ele apertou minhas mãos com força, os olhos brilhando de gratidão.

— Obrigado por estar comigo, Ber. De verdade.

​Ele se inclinou para me beijar, mas eu segurei o rosto dele de leve, mantendo uma pequena distância.

— O que foi? — ele perguntou, estranhando. — É algo sério? Não me diga que você também vai ser pai...

​Eu ri, uma risada nervosa.

— Não, né? Impossível. A não ser que você tenha acabado de me engravidar.

​Arthur relaxou e riu, a mão descendo para o meu abdômen, apertando-o por cima da roupa.

— É... desse jeito que eu te enchi de leite... te engravidei gostoso com aquele chá de pica.

​Ele me puxou para um beijo mais intenso, sua língua invadindo minha boca com uma possessividade renovada, como se o segredo nos unisse ainda mais. Eu sentia o volume dele voltando a crescer contra minha coxa, mas eu tinha minha própria bomba para soltar.

​— É que assim, Arthur... — comecei, o coração martelando contra as costelas enquanto eu olhava fixamente nos olhos dele.

— Eu também tenho algo pra te falar...

​O silêncio que se instalou na sala após a confissão de Arthur sobre a gravidez de Minna era denso, quase palpável. Eu ainda sentia o gosto dele na minha boca e o latejar leve no meu corpo, marcas indeléveis daquela tarde no quarto do pai dele. Quando ele me olhou, esperando que eu soltasse a minha própria bomba, eu fechei os olhos por um segundo.

​Naquela escuridão momentânea, uma galeria de lembranças desfilou pela minha mente. Vi o rosto de Yan, o mistério de Jonas, a urgência de Arthuro... mas, no final desse turbilhão, uma imagem se fixou com uma nitidez dolorosa: o Sr. Juan. Era como se o tempo tivesse congelado, e eu estivesse flutuando entre a luxúria que acabara de viver e a profundidade de algo que eu ainda não conseguia rotular.

​— O que foi, Ber? Fala — a voz de Arthur me trouxe de volta, quebrando o transe.

​Abri os olhos e o vi ali, sentado no sofá, o corpo ainda exalando aquela virilidade que me derrubara horas antes. O cabelo dele estava levemente bagunçado, e os olhos claros, agora ansiosos, buscavam os meus.

​— É que... — comecei, buscando as palavras com cautela. — Durante o momento em que a gente estava transando, eu percebi uma coisa. Você tem uma certa... possessividade, Arthur.

​Ele soltou uma risada curta, meio sem jeito, mas com um brilho de orgulho nos olhos.

— Como assim, possessividade?

​— Você muda de personalidade — continuei, observando a reação dele. — Em alguns momentos você me chamou de amor, de bebê... em outros, você estava tão dominante, tão... agressivo, que era quase irreconhecível. Nem parecia o Arthur que eu conheço no dia a dia.

Ele se inclinou para frente, diminuindo a distância entre nós, o cheiro de sabonete do banho recém-tomado se misturando ao odor natural da pele dele.

— Eu queria te agradar, Ber. Eu queria que você sentisse que eu estava ali, por inteiro. Você gostou, não gostou?

​— Gostei, Arthur. Gostei muito — confessei, e ele se aproximou para me dar um beijo rápido, um selinho que carregava o sal da nossa entrega.

— Mas aquele negócio de cordas, de amarrar... não é muito a minha vibe. Eu gosto de pele, de beijo, de me entregar de forma orgânica. Essas coisas tão... "sadomasoquistas" não combinam comigo.

​— Desculpa — ele murmurou, a mão subindo pela minha nuca e acariciando meus cabelos com uma doçura que contrastava com a força que ele usara antes. — É algo que eu gosto, mas eu te entendo. Respeito seu limite. Era só isso?

​Respirei fundo. Agora vinha a parte difícil.

— Na verdade, não. Eu queria dizer que, independente desse caos com a Minna e o que você decidir fazer, eu sempre vou estar aqui para te apoiar. Mas eu não quero que você esqueça que nós somos amigos.

​— Amigos que transam, que se beijam, que se gostam... — ele interrompeu, a voz baixando de tom, tornando-se mais possessiva novamente.

​— Sim, no momento é isso. Mas eu não sei daqui para frente o que pode acontecer — falei, sentindo o peso da minha própria honestidade. — Eu estou ficando com uma outra pessoa, Arthur. E essa pessoa me faz muito bem.

​O olhar de Arthur, que antes era de pura adoração e desejo, desmoronou em segundos. A mandíbula dele travou, e eu vi o brilho da frustração começar a nublar seus olhos.

— Isso quer dizer o quê? — ele perguntou, a voz ficando seca.

​— Isso quer dizer que eu tenho um sentimento por outra pessoa, apesar de tudo o que acontece entre a gente. Estou abrindo isso para você porque não quero trazer frustração para a sua vida, especialmente agora. Eu não me vejo em um relacionamento sério com ninguém neste momento, mas o que sinto por essa pessoa é... diferente.

​Arthur me encarou, o peito subindo e descendo com uma respiração mais pesada.

— Mas você não gosta de mim?

​— Eu gosto de você, Arthur. Muito. Você é meu grande amigo, e o que a gente faz na cama é incrível. Mas eu me sinto bem com essa pessoa de uma forma que eu não esperava.

​Ele engoliu seco, o ciúme quase saindo pelos poros.

— Você se sente como se sentia com o Miguel?

​A pergunta me atingiu como um soco.

— Nada é igual, Arthur. Mas eu me sinto bem com você também. Você é especial, assim como o Arthuro é especial. Mas... — fiz uma pausa, sentindo o ar faltar.

​— Eu posso saber quem é essa outra pessoa? — ele perguntou, a voz agora carregada de uma urgência sombria. — Eu conheço?

​Eu o olhei nos olhos, vendo a vulnerabilidade e a raiva contida naquele rosto que, horas antes, estava enterrado no meu corpo. O suspense pairava na sala como uma guilhotina. Eu precisava falar. Precisava colocar as cartas na mesa, mesmo sabendo que o nome que eu estava prestes a pronunciar poderia mudar para sempre a ligação entre nós dois.

​— Então... — comecei, minha voz quase sumindo. — A pessoa que eu estou vendo... a pessoa que me faz sentir isso... é o...

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Comentários

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Será que Arthur transa com o pai? Ele mudou completamente a personalidade dele no sexo, e esse fetiche de transar na cama do pai sugere muitas ideias na cabeça do leitor. Avancemos...

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A mudança foi justamente a mobilidade dele,nesse ele já estava bem das pernas.

E sim, uma gama de possibilidades, e ja no próximo capítulo vou soltar uma delas, vocês vão se surpreender bastante... rs

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Bernardo, a história abriu um leque de possibilidades, as tensões criadas são geniais. Ansioso pelos próximos capítulos, ainda mais que tem Arthuro, Jonas, Julio, Beto e o ranço não declarado pelo passado com o pai de Arthur e Arthuro.

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Toda vez que vejo um comentário seu, eu tenho vontade de contar a historia toda de uma vez hahaha

Eu gosto muito dos seus comentários.

Sobre o ranço, ta bem próximo de tocarmos nesse assunto. E nos próximos capítulos eu tenho certeza que um dos queridinhos vai passar a ser bastante odiado. rs

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