Sob o Sol Vermelho

Um conto erótico de trigêmeas Servas
Categoria: Heterossexual
Contém 647 palavras
Data: 18/02/2026 01:14:53

O mundo de seda, flashes e perfumes caros desapareceu como um sonho febril. A última coisa que Lívia lembrava era do burburinho nos bastidores do desfile em Miami; a última coisa que Luna sentira fora o cheiro adocicado de um lenço pressionado contra seu rosto; e Lara... Lara só conseguia se lembrar do pânico ao ver suas irmãs desabarem antes de ser atingida por uma escuridão súbita.

​Agora, o despertar era um pesadelo de metal e calor.

​— Lívia? Luna? Vocês estão acordadas? — a voz de Lara era um fio de esperança sufocado pelo choro.

​— Sim... — Lívia respondeu, sentindo o corpo moído. — Minhas pernas... eu não consigo movê-las.

​O contêiner de metal onde estavam presas era um forno. Elas estavam nuas, exceto pelas lingeries de alta-costura que usavam para o encerramento do desfile — peças de renda francesa e seda que agora pareciam trapos inúteis. Seus pulsos e tornozelos estavam presos por algemas de aço grosso, unidas por uma corrente curta que as obrigava a ficar em uma posição fetal humilhante.

​— Onde estamos? Esse cheiro... é terra e óleo — Luna soluçava, sentindo o suor escorrer por entre seus seios e arder na pele delicada.

​De repente, o mundo rugiu. O caminhão parou e as portas do contêiner foram escancaradas. A luz do sol da Bolívia entrou como uma lâmina, queimando as retinas das trigêmeas.

​O Tribunal da Poeira

​Mãos rudes e calejadas as agarraram pelos cabelos e as arrastaram para fora. O contraste era brutal: a pele de porcelana das "Joias de Santa Cruz", famosas em todas as capas de revista, agora estava sendo arrastada pela terra vermelha e seca.

​— ¡Miren estas muñecas! — gritou um dos homens armados, rindo enquanto as chutava levemente para que ficassem de joelhos.

​Lívia levantou o rosto, tentando manter a dignidade, mas o que viu a fez gelar. Diante delas, dois homens velhos, com peles curtidas pelo sol e dentes amarelados, as observavam com um pragmatismo assustador. Não havia desejo de fã naqueles olhos; havia o olhar de quem avalia gado no mercado.

​Don Mateo aproximou-se de Luna. Ele segurou o rosto dela com uma mão que cheirava a fumo e estrume, forçando-a a abrir a boca.

— Estão limpas, Silas. Bem cuidadas. Nunca pegaram no cabo de uma enxada na vida — Mateo disse, a voz rouca e fria.

​— Isso vai mudar, Mateo — respondeu o outro, Don Silas, aproximando-se de Lara e passando a ponta de um canivete pela alça da sua lingerie. — A terra de "La Purísima" não gosta de frescura. Elas têm pernas fortes e quadris bons. Vão parir muitos trabalhadores se não servirem para o campo.

​A Queda das Deusas

​O pavor que percorreu as irmãs foi físico. Elas eram as "Deusas", as mulheres mais desejadas do hemisfério, e agora estavam sendo discutidas como ferramentas de reprodução e trabalho braçal por dois velhos que cheiravam a morte e suor antigo.

​— Por favor... nós temos dinheiro! — Lívia tentou negociar, a voz falhando sob o sol de 40 graus. — Nossa família pagará qualquer resgate!

​Don Mateo soltou uma gargalhada seca e deu um tapa forte no rosto de Lívia, fazendo-a cair na poeira.

— Aqui não existe família, boneca. Aqui só existe a minha vontade e a terra. Vocês foram compradas. São mercadoria.

​Ele se virou para os capangas e deu a ordem final.

— Joguem-nas na caçamba. Quero que cheguem à fazenda ainda hoje. E tirem essas rendas... não quero que nada lembre quem elas eram. De agora em diante, elas são apenas 'as joias' da minha fazenda.

​As três irmãs foram jogadas umas sobre as outras no metal quente da caminhonete. Enquanto o veículo sacolejava pela estrada de terra, Lívia olhou para as irmãs e viu o brilho da esperança se apagar. Elas não eram mais modelos. Não eram mais deusas. Eram escravas na imensidão selvagem da Bolívia, sob o domínio de dois homens que pretendiam quebrá-las até que nada restasse além de obediência.

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