O Flagrante na Mesa de Cristal
Eu nunca gostei de pedir licença. O mundo é de quem tem tamanho e força, e com 1,96m de altura e um corpo forjado no peso bruto, eu não caminho, eu ocupo espaço. Eu estava de passagem pela cidade, o destino final era o baile funk na favela vizinha, onde o grave racha o asfalto e as mulheres perdem o juízo. Antes, passei na casa do meu primo — um moleque que sempre foi um zero à esquerda — pra ver se ele tinha alguma mercadoria pra gente levar pro desenrolo.
A porta daquela mansão em condomínio fechado estava apenas encostada. O ar-condicionado lá dentro gelava o ambiente, mas o cheiro que vinha da cozinha era o de um perfume doce demais, floral demais para uma casa de homens. Eu empurrei a porta com o pé, minhas botas de sola grossa fazendo um barulho seco contra o mármore. Eu esperava encontrar meu primo jogando videogame ou bebendo, mas o que meus olhos captaram foi uma visão que beirava o absurdo.
Lá estava ele. Renato, meu tio.
O cara tinha quarenta e poucos anos, mas a genética tinha sido uma piada de mau gosto com ele. A pele era de uma brancura de porcelana, sem um único pelo — nem nos braços, nem nas pernas, nem no peito que parecia esculpido em cetim. Ele estava de costas para mim, debruçado sobre a mesa de jantar de vidro, organizando talheres de prata e taças com uma delicadeza que me deu náuseas.
Mas o choque real veio quando bati o olho na vestimenta.
Renato não usava calças. Ele não usava sequer um robe. Ele estava apenas com uma regata de seda branca que mal batia no umbigo e, na parte de baixo, uma calcinha fio-dental de renda preta. A peça desaparecia no meio das nádegas arredondadas e brancas dele, que tremiam levemente enquanto ele se esticava para alcançar o centro da mesa. Era uma visão humilhante. O patriarca daquela casa parecia uma coisinha delicada, uma boneca que foi esquecida fora da caixa.
Eu cruzei os braços e encostei no batente da porta, deixando minha sombra gigantesca se projetar sobre as costas dele.
— Mas que porra é essa que eu tô vendo, "tio"? — Minha voz saiu do fundo do peito, um trovão que fez os cristais da mesa tilintarem.
Renato deu um pulo, soltando um talher que caiu no chão com um barulho metálico. Ele virou-se rápido, tentando cobrir a frente com as mãos, mas não havia como esconder o estrago. De frente, ele era ainda mais patético. Os traços finos, os lábios rosados e os olhos arregalados de pânico. Ele parecia uma donzela flagrada em pecado.
— Marcus! O que... o que você está fazendo aqui? Achei que o seu primo tinha te avisado que eu estaria sozinho... — Ele gaguejava, a voz fina e trêmula, enquanto a renda preta da calcinha sublinhava a ausência total de virilidade ali.
Eu dei um passo à frente. O contraste era uma covardia visual. Eu, um colosso de pele negra retinta, transpirando testosterona, vestido com calça cargo e regata preta que explodia nos meus ombros, diante de um homem de quarenta anos que se vestia como uma serva.
— O primo não avisou nada. Mas acho que ele esqueceu de mencionar que o pai dele virou uma cadelinha de luxo nas horas vagas — Eu ri, um som seco e predatório. — Olha pra você, Renato. Todo branquinho, todo depiladinho... arrumando mesa de calcinha. Você é um desperdício de oxigênio masculino.
Eu me aproximei até meu peito quase encostar no rosto dele. Ele teve que inclinar a cabeça totalmente para trás para me encarar. O cheiro dele era de hidratante caro; o meu era de suor, fumo e poder.
— P-por favor, Marcus... é só um hobby, um jeito de relaxar... não conta pro seu primo... — Ele implorava, as mãos brancas agora tocando meu peito, tentando me afastar, mas parecia que ele estava acariciando uma estátua de ferro.
— Relaxar? Eu vou te mostrar o que é relaxar de verdade — Eu disse, agarrando o pulso dele e torcendo levemente.
Eu não tive pressa. Abri o zíper da minha calça e, com um movimento lento, libertei a fera. Meus 28cm saltaram para fora, latejando, uma haste de ébano carregada de veias que pareciam raízes de uma árvore milenar. O membro era quase do tamanho do antebraço de Renato. A cabeça era roxa, escura e vertia uma gota de antecipação que brilhou sob a luz do lustre de cristal.
O rosto de Renato ficou pálido. Ele nunca tinha visto nada daquele calibre. Ele olhava para o meu membro e depois para os meus olhos, o terror se misturando com uma fascinação doentia que ele tentava esconder.
— Isso aqui é o que um homem de verdade carrega, Renato. Enquanto você se veste de renda, a genética entregou o bastão de comando pra mim. — Eu segurei a nuca dele com a mão zona, forçando-o a olhar de perto para as veias pulsantes do meu pau. — O baile pode esperar. Eu acabei de encontrar um brinquedo muito mais interessante aqui nessa mesa de jantar.
Eu o joguei contra a mesa de vidro. O som do corpo macio dele batendo no vidro temperado foi música para os meus ouvidos.
— Fica de quatro agora. Quero ver como essa calcinha fica esticada enquanto eu te ensino quem é o novo dono dessa casa. Se você quer se vestir como fêmea, vai ser tratado como uma.
Renato não protestou. O medo e a submissão eram tão profundos que ele apenas obedeceu, empinando o rabo decorado pela renda preta para mim, soluçando baixinho enquanto eu me preparava para colonizar aquele território de marfim com a minha fúria negra.