​Capítulo VIII: O Rastro da Tempestade ​(O silêncio que pesa)

Um conto erótico de Entre fogo e água
Categoria: Heterossexual
Contém 858 palavras
Data: 18/02/2026 07:32:44

​O mundo parou.

​Não houve aplausos, não houve música de fundo. Apenas o som rasgado das nossas respirações tentando reencontrar um ritmo que não fosse o da sobrevivência. O quarto, antes um santuário de expectativa, agora era uma estufa úmida, cheirando a sexo, suor e manteiga de karité derretida.

​Eu estava desabado sobre ela. Minha cabeça repousava na curva do pescoço de Ayandara, meu peso morto contra o peito dela. Senti a mão dela — aquela mão que comandou, puniu e guiou — agora acariciando meu cabelo curto, num gesto lento, quase maternal, mas com a posse de quem afaga um leão que acabou de domar.

​— Você é pesado, Malik... — ela sussurrou, a voz rouca, vibrando contra meu ouvido.

​Mas ela não me empurrou. Pelo contrário, o braço dela me apertou mais e suas pernas me envolveram, me mantendo cativo ali, colado.

​— Desculpa... — tentei dizer, fazendo menção de sair de cima.

​— Fica — ela ordenou. O tom era suave, mas a ordem era absoluta. — Deixa eu sentir o peso. Deixa eu sentir que você está aqui mesmo.

​Relaxei novamente. O suor dos nossos corpos, esfriando sob o ar parado do quarto, funcionava como uma cola. Eu podia sentir o coração dela batendo forte contra o meu peito e, lá embaixo, onde nossos sexos ainda estavam conectados, as contrações e a sensação de plenitude transbordavam a cada tremor que me transpassava.

​Levantei o rosto devagar para olhá-la.

​Ayandara estava desfeita. A maquiagem leve tinha sumido, o cabelo estava bagunçado, os lábios inchados e vermelhos de tantos beijos e mordidas. Ela nunca esteve tão bonita. O brilho da "Rainha" intocável deu lugar à glória da mulher satisfeita.

​Ela passou o polegar no meu rosto, limpando uma gota de suor que escorria pela minha têmpora.

​— Você fez bagunça, garoto... — ela disse, um sorriso preguiçoso nos lábios. — Me encheu.

​— Eu avisei que ia encher — respondi, roçando o nariz no dela. — Tudo o que eu guardei na estrada. Tudo o que eu guardei a vida toda.

​Ela riu baixo. Desceu a mão pelas minhas costas e eu sibilhei de dor quando os dedos dela tocaram os arranhões que ela mesma havia feito.

​— Doeu? — ela perguntou, sem nenhum arrependimento na voz.

​— Arde — admiti.

​— Bom. É pra você não esquecer de quem é esse território aqui. — Ela bateu de leve na minha bunda. — Agora sai de cima. Minhas pernas estão dormentes e eu preciso... me limpar.

​Saí de dentro dela devagar. O som úmido da separação dos corpos foi constrangedor e excitante ao mesmo tempo. Um fio de sêmen e fluidos dela escorreu pela coxa de Ayandara, manchando o lençol. A "bagunça" que ela mencionou. A prova do crime.

​Ela não se cobriu. Deitou-se de costas, respirando fundo, olhando para o teto, permitindo que eu a admirasse naquele estado de nudez crua.

​— O banheiro tem toalha limpa — ela disse, apontando com a cabeça. — Pega pra mim?

​Levantei-me, sentindo as pernas bambas. Caminhei até o banheiro, peguei uma toalha úmida e voltei. Em vez de entregar a ela, ajoelhei-me na cama novamente.

​— Deixa eu fazer isso — pedi.

​Ayandara me olhou, surpresa por um instante, mas assentiu. Afastou as pernas.

​Com um cuidado que eu não tive minutos antes, passei a toalha morna entre as coxas dela, limpando o excesso, cuidando da pele que eu havia profanado com tanta fome. Ela fechou os olhos, soltando um suspiro longo. Aquele ato — limpar a mulher que eu acabei de foder — parecia, de alguma forma estranha, mais íntimo do que o próprio sexo. Era serviço. Era cuidado. Era amor disfarçado de higiene.

​— Malik... — ela chamou, sem abrir os olhos.

​— Hum?

​— O teste acabou.

​Parei a mão. Olhei para o rosto dela.

​— Você passou — ela continuou, abrindo os olhos escuros e me encarando com uma seriedade que fez meu estômago gelar. — Você entrou na casa. Entrou no quarto. E entrou em mim. Agora, a porta está aberta. Mas saiba de uma coisa: quem entra aqui, deixa um pedaço. Você não vai sair desse quarto o mesmo homem que entrou.

​Terminei de limpá-la e joguei a toalha no chão. Deitei ao lado dela, puxando o corpo quente para os meus braços.

​— Eu não quero meu pedaço de volta, Ayandara — sussurrei, beijando a testa dela. — Pode ficar com ele. Pode ficar com tudo.

​Ficamos em silêncio por alguns minutos, ouvindo o som da casa voltando a penetrar no quarto. Passos na sala. O som abafado da TV. A realidade batendo na porta.

​Mas ali, naquele casulo de cheiros e fluidos, estávamos protegidos.

​— Ei, Rei... — ela murmurou, a voz sonolenta.

​— Oi.

​— Aquele pão com mortadela... acho que esfriou.

​Ri alto, e ela me acompanhou.

​— Eu faço outro — prometi. — Mas só depois do segundo round.

​Ela se virou, subindo em cima de mim, o peso do corpo dela agora me prendendo contra o colchão, o olhar de predadora voltando a brilhar.

​— Quem disse que vai ter segundo round? — ela provocou, roçando a buceta úmida no meu quadril. — Você disse que ia me dar o mundo, Malik. Até agora, só me deu uma gozada. Eu sou uma Rainha exigente.

​Segurei a nuca dela, puxando-a para um beijo lento e profundo.

​— Então se prepara, preta. Porque a noite mal começou.

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