Heitor é um dos principais heróis e príncipes de Tróia na Ilíada de Homero. Filho de Príamo e Hécuba, era marido de Andrômaca e o maior guerreiro troiano. Ele representa o dever, a ética e a defesa da pátria, destacando-se por seu caráter humano e bravura.
Como chefe das forças da cidade de Tróia, sua contribuição frente ao exército grego foi decisiva para a guerra. Na obra de Homero, Heitor se situa como o personagem antagonista a Aquiles, tanto no campo de batalha quanto no caráter, por seu amor à família, diferenciando-se de Aquiles, que lutava por sua glória pessoal.
Terminadas as férias do Fabinho, ficou cada vez mais difícil ele manter a rotina de treinos na academia e, com o tempo, foi perdendo contato com seus amigos, mas acho que eu acabei ganhando um sobrinho. Depois daquele dia, só voltamos lá mais duas vezes, mas devo ter causado alguma impressão no amigo do meu filho. Heitor, o rapaz que morava no apartamento dos nossos encontros.
Ele me deu seu telefone e confesso que acabei não resistindo a uma visita ou duas, e acho que depois de um tempo talvez poderia dizer que já éramos amantes, embora essa palavra não me ocorresse de fato. Mesmo que aquelas reuniões do pessoal da academia continuassem acontecendo, ainda preferia os nossos encontros a sós, quando podíamos desfrutar melhor um do outro.
Mas não se engane, ele não era nem homossexual, nem pervertido, nem nada que se possa rotular para dar nome ao que nos é diferente. Ele apenas não tinha problema algum com a sua sexualidade e na forma como a desfrutava. De fato, ele até tinha namorada, e fui surpreendido quando, depois de uns drinques uma tarde, fomos parar os três na cama. Nem sei bem como foi que aconteceu, mas acho que a ideia era de um ménage, e me vi ali na cama com os dois.
Acho que muitas mulheres têm essa fantasia de ter dois homens na cama, e, de alguma forma, ela sabia que pra ele era mais do que isso. Era uma vida que embora secreta, ele parecia não esconder dela. E muitas mulheres, isso eu descobri com o Luca e suas namoradas, parecem nutrir uma curiosidade em atrair para sua cama dois homens e vê-los provar o seu amor numa entrega total de si mesmos, e de sua pobre noção de masculinidade.
Depois de subir no meu pau e lançar ao outro um olhar de cumplicidade, ela abriu as pernas e o convidou a uma dupla penetração, recebendo seu pau e sua boca. E, no auge do seu prazer, ela se desvencilhou de nós e, por um instante, se limitou apenas a assistir o encontro dos nossos corpos, enquanto nos beijávamos.
Em seguida, se juntou a nós num beijo a três e, quando seu namorado se virou e subiu no meu pau, ela o guiou até o seu cu e se encheu de tesão ao vê-lo gemerm. Foi a minha primeira experiência do tipo. E confesso que ver aquilo nos vídeos que eu tinha gravado era uma coisa, mas acho que participar foi tão prazeroso quanto instrutivo.
Eu realmente não sabia nada sobre esta geração. Não entendia seus códigos de conduta, suas tatuagens, suas gírias, mas, sobretudo, não entendia como eles lidam com sua sexualidade. Enquanto eu metia no seu namorado, ela se masturbava e a ele ao mesmo tempo, até que, excitada, subiu na cama e, de pé na frente dele, oferecia a buceta pra ele chupar. E ele, como seu antepassado grego, de quem tomara o nome, cavalgava bravamente o meu pau, gemendo e suspirando no campo de batalha dos lençóis da sua cama.
Não sabia ao certo o que a excitava, vendo ele subir e descer no meu pau, mas ela não resistiu por muito mais tempo e agora queria o seu pau, que ela manejou enfiar na sua buceta, sentando no seu colo. Nesse instante, enquanto os dois gemiam a cada estocada que eu dava, ele fodia a namorada ao mesmo tempo em que tinha o meu pau cravado no seu cu. E, no final, terminamos os três abraçados na cama, depois que os dois dividiram o meu gozo, lambendo do rosto um do outro a minha porra e me chupando, ambos com o mesmo tesão.
Com o tempo, descobri um pouco mais sobre aquele tio do Heitor, com o qual eu era frequentemente comparado. Se de alguma coisa tinham me servido minhas leituras de psicanálise é que estão nas nossas projeções as pistas dos nossos segredos mais íntimos. E ele projetava muita coisa em mim, não apenas a imagem de alguém do passado, mas, como já desconfiava, a sua queda por caras mais velhos era no fundo uma coisa mal resolvida com seu tio, há muitos anos.
Pra encurtar a história, digamos que foi o tio quem lhe ensinou os prazeres do sexo e como chupar um pau. E tudo isso logo se tornou algo bem natural pra ele. O problema é que a coisa toda não acabou nada bem, e foi um escândalo na família quando descobriram. O tio, é claro, desapareceu, e o garoto foi mandado pra terapia e assunto encerrado. Mas a verdade é que, no fundo, ele gostava do tio, e dos seus encontros secretos.
Acho que, melhor que ninguém, eu entendia o Heitor e aquela sua antiga paixão pelo tio. Eu entendia muito bem como um garoto pode gostar de um pau e aos poucos ir aprendendo a cavalgá-lo e chupá-lo, descobrindo ser algo tão prazeroso quanto proibido. Um dia, um menino loirinho de olhos azuis me mostrou que, longe das histórias de abuso condenadas pela sociedade, um menino pode sim ter desejo e, embora não saiba como expressá-lo, em algum momento sua curiosidade o levará a querer prová-lo.
Não duvido que por aí haja muita gente perversa, capaz de tudo. Mas tenho a impressão de que quando um adulto tenta assustar uma criança com histórias do “velho do saco”, ou quando uma mãe surpreende uma filha pequena se masturbando e diz pra tirar a mão dali, “porque é sujo”, talvez isto não passe de uma reação ao medo que eles têm de serem confrontados com a sexualidade dos filhos.
Imagino que, não muito diferente da sociedade do século 20, quando Freud escreveu sobre a sexualidade dos bebês, a sociedade de hoje ainda não consegue lidar com o fato de uma criança ter prazer. Acredito que este ainda é um assunto que tão cedo não estará nas conversas em família. Se nas escolas nem é mais possível ser abordado, acho que não será em casa que se discutirá a questão em volta da mesa do jantar.
Deitados na cama, depois de nos amarmos, eu tinha um dos braços em volta do Heitor, que, com a cabeça no meu peito, contava a sua história. Depois que o escândalo se espalhou pela família e os dois se separaram, ele teve sobre si a constante sombra que o perseguiria por toda a vida, de ser uma vítima que ele nunca foi e carregando o peso da culpa de todo o desfecho trágico que se deu.
Alguns meses depois, o tio apareceu às escondidas e lhe disse que teriam de se afastar por um tempo, que ele iria viajar e tentar a sorte como garimpeiro, e que quando tivesse dinheiro o bastante, voltaria pra ele. Mas, pouco tempo depois, ele descobriria por um primo que a família foi informada que o tio havia contraído malária e, muito doente, acabou morrendo no garimpo.
Enquanto me contava sua história, por um instante suas palavras se perdiam no silêncio emudecido que o tomava, e ele me abraçava mais forte, como se um peso lhe deixasse os ombros depois de muitos anos.
Acho que tudo o que o Luca teve foi o que faltou ao Heitor, e não me refiro a sexo. Falo do toque, do beijo, do abraço que o tira do chão, da possibilidade de um carinho sem o medo da repreensão. Falo da grandeza de se compartilhar uma insegurança, sem ser julgado, sem ter a vergonha e a humilhação como resposta.
Um menino só quer ser a imagem do adulto que ele vê e admira; ele só precisa da sua mão no ombro e sentir contra si o corpo que um dia será o seu. Mas, quando a mão é a única que o acerta no rosto, e o corpo, a distância que os separa, logo a sua imagem também se desfará e, no futuro, ele não será nem uma coisa nem outra, nem mais um menino, mas tampouco um homem, apenas alguém em busca de algo perdido, que um dia pensou ter.
Numa análise rápida, dentro das minhas leituras de psicanálise, poderia dizer que a súbita ruptura e a consequente perda produziu nele uma incompletude, agravada pela ausência de desfecho, sem ao menos poder se despedir ou ir ao enterro. Tenho minhas dúvidas se foi este o diagnóstico do terapeuta que a família pagou, levando o “pobrezinho”, sobrecarregado com o peso e o rótulo de “vítima”. O que as famílias querem ouvir quando levam um filho num terapeuta é que eles não serão “malucos” nem “viadinhos”, sem maiores implicações. Apenas adultos funcionais.
Depois então, quando finalmente tirou do peito aquelas palavras e o peso que carregavam, ele sorriu e me beijou, sem que precisássemos dizer nada um ao outro, além daquela cumplicidade de saber que eu guardaria o seu segredo comigo, que ele pelo visto nunca havia partilhado com ninguém. Fomos então pro banheiro tomar uma ducha e, pela primeira vez, apenas ficamos ali abraçados, debaixo do chuveiro. A água caindo e o silêncio da tarde por fim quebrados com aquele seu “Obrigado”, sussurrado no meu ouvido ao me beijar mais uma vez, como que grato por apenas ouvi-lo.
Acho que dentre os meus crimes, ter como amante um garoto que tinha idade de ser meu filho era o menor deles. Mas essa relação acabou não durando muito, talvez porque já estou velho demais pra acompanhar o ritmo desses garotos de hoje, ou porque a imagem de um garoto sempre me evocava a lembrança de um loirinho de olhos azuis, que ainda assombrava os meus dias, mesmo depois de tantos anos.
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Luca - Petruchio Schiavo
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