O Novinho Negão Quer Acabar com o meu Casamento - Parte 6

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 3843 palavras
Data: 18/02/2026 11:45:19
Última revisão: 18/02/2026 11:49:26

(N.A.: Caros leitores que estão acompanhando a saga da Beatriz, gostaria de entender por que nessa história em específico estão tendo tantos comentários com ataques direcionados à protagonista? Sim, eu li tudo. Sempre leio todos os comentários de vocês. E confesso: fico me perguntando se estamos lendo a mesma história. Desde o primeiro capítulo, deixei muito claro que essa é uma narrativa sobre traição. O título já entrega isso, com todas as letras. É uma história sobre uma mulher insatisfeita, casada há mais de vinte anos com um homem que a ignora, que descobre no desejo proibido uma centelha de vida que ela achava que tinha morrido. Sabendo de tudo isso, por que se dão ao trabalho de ler se o tema da história os desagrada? Não estou aqui para defender as escolhas da protagonista. Ela erra, ela mente, ela trai. Ela é humana, complexa, contraditória. Exatamente como todos nós. Embora eu esteja dando vida a ela, Beatriz não é um exemplo a ser seguido. Se queriam uma história sobre uma santa mártir do casamento perfeito, sugiro procurar outro tipo de literatura. Obrigada a quem está aqui pela narrativa, pela complexidade, pelos personagens. Vocês são meu combustível. Agora, vamos à próxima parte)

_______________________________

O jantar foi silencioso. Roberto comeu sem levantar os olhos do prato, perdido em pensamentos que eu não conseguia e nem queria decifrar. Lavei a louça, guardei as sobras, preparei o café da manhã do dia seguinte com antecedência. Tudo automático. Tudo mecânico. Meu corpo estava ali, mas minha mente já tinha atravessado o muro.

Nove horas. Roberto bocejou na poltrona e subiu. Nove e meia. Os roncos começaram, familiares, previsíveis.

Peguei o celular. Meus dedos tremeram enquanto digitei para Victor: “pode vir”.

A resposta veio em segundos.

V: Vem você pra cá. Quer conhecer meu quarto?

Meu coração deu um salto.

B: Seu quarto?

V: Podemos ficar mais à vontade. Meus pais dormem lá em baixo, não ouvem nada. Vem.

Hesitei por um momento. Ir até a casa dele. Atravessar o jardim, entrar pela porta dos fundos, subir as escadas... e se alguém acordasse? E se Adriana precisasse de água? E se Vicente levantasse para ir ao banheiro?

V: Tô esperando na porta dos fundos. Vem de chinelo, pra não fazer barulho.

Respirei fundo.

B: Tá bom. Estou indo.

Abri o armário do quarto de hóspedes e encarei as roupas novas. A lingerie vermelha nova era um pecado à parte. Conjunto de renda, transparente nas laterais, sutiã que mal segurava os seios e calcinha que era mais fio do que pano. Comprei sem pensar, levada por um impulso que não me pertencia, ou que talvez tivesse estado adormecido por tempo demais.

Vesti. Meu reflexo no espelho me encarou com olhos arregalados. A renda vermelha contra a pele branca, os seios quase escapando, os quadris marcados pelo fio delicado. Era vulgar. Era indecente. Era... Era o que ele merecia ver.

Por cima, vesti a saia jeans nova. Justa, curta, marcando cada curva. Uma blusa solta, pra disfarçar caso alguém me visse no caminho.

Me olhei no espelho mais uma vez. Fazia tempo que não usava uma saia tão justa. Tão pequena. A bunda parecia ainda maior, empinada pelo corte, o tecido azul esticado sobre as curvas.

Desci as escadas no escuro, de olho nos degraus que rangiam. Atravessei a cozinha, destranquei a porta dos fundos com o máximo de cuidado, e saí para a noite.

O ar estava fresco, carregado de orvalho. Atravessei o gramado que separava as duas casas, os pés quase flutuando sobre a grama molhada. Ele estava lá.

Victor esperava encostado no batente da porta dos fundos, os braços cruzados, a silhueta recortada pela luz fraca que vinha de dentro. Vestia apenas uma camiseta branca e um shorts de futebol. Quando me viu, um sorriso lento se abriu no rosto.

- Bia - murmurou, quase um suspiro.

Estendeu a mão. Entrelacei meus dedos nos dele, aquela mão grande, quente, que fazia a minha desaparecer, e ele me puxou para dentro.

Atravessamos a varanda dos fundos em silêncio. A cozinha estava impecável, tão diferente da minha, com cores vibrantes nos armários e uma planta na janela. A sala estava escura, apenas uma luz noturna iluminando o caminho. Subimos as escadas devagar, cada degrau uma eternidade, os dedos dele ainda entrelaçados nos meus.

O quarto de Victor era pequeno. Uma cama de solteiro, um criado-mudo, um armário simples. Pôsteres de rap e funk nas paredes, um par de tênis caro no canto, livros empilhados no chão. O cheiro dele no ar, aquele perfume jovial que eu já conhecia. Ele fechou a porta atrás de nós e girou a chave.

Depois, seus olhos escuros me percorreram de cima a baixo. Devagar. Deliberadamente. A saia jeans, a blusa solta.

- Você tá linda demais - disse, a voz mais grave. - Seu cabelo ficou muito bom.

Toquei o cabelo novo, sem jeito.

- Obrigada.

Ele deu um passo à frente. Depois outro. Suas mãos encontraram minha cintura e me puxaram para perto.

- E essa roupa... - murmurou, os lábios roçando minha orelha. - Puta que pariu, Bia.

A mão dele deslizou para minha bunda, apertando a curva generosa por cima da saia jeans.

- Olha essa sainha - continuou, a voz quente contra minha pele. - Se você abaixar um pouco, dá até pra ver a polpa dessa bunda gigante. Que delícia.

Minhas mãos subiram para os ombros dele, sentindo o calor da pele sob a regata. E então nossos lábios se encontraram.

O beijo foi avassalador. Mais urgente, mais profundo, com fome. A língua dele invadiu minha boca enquanto as mãos exploravam meu corpo, apertando a saia, subindo para a cintura, descendo de novo para a bunda. Eu gemi contra a boca dele, sentindo minha buceta começar a latejar instantaneamente, um pulsar quente e úmido que parecia ter vida própria.

Ele se afastou só o suficiente para pegar o celular no bolso. Toques rápidos na tela, e uma música começou a soar baixo, um funk, batida grave, letra sugestiva que eu mal conseguia distinguir.

- Pra gente conversar - ele explicou, um sorriso nos lábios. - Meus pais não acordam com isso, mas se a gente falar muito alto...

Entendi. A música era uma cortina de som. E então, sem aviso, as mãos dele encontraram o elástico do shorts. Puxou para baixo num movimento rápido.

A rola pulou para fora, livre.

Eu já tinha visto. Já tinha sentido. Mas toda vez era um choque. Aquela coisa enorme, preta, grossa, dura, apontando para mim como se tivesse vida própria. A cabeça arredondada, brilhante.

- Olha como eu fiquei - ele disse, a voz rouca. - Só de te olhar. Só de te beijar.

Meus olhos se arregalaram.

- Acho que nunca vou me acostumar com esse tamanho - murmurei, com uma risadinha nervosa.

Ele riu também, um som baixo e quente.

- Ah, vai sim.

Victor se sentou na beira da cama de solteiro. Esparramou o corpo grande, as pernas abertas, a rola e as bolas completamente expostas. Descansou as mãos nos próprios joelhos e me olhou com uma expressão que misturava desejo e algo a mais, uma expectativa, um pedido.

- Eu queria uma coisa especial hoje, Bia - disse, a voz macia. - Quero sentir sua boquinha nele.

Meu estômago deu um nó.

- Eu... - a vergonha subiu ao rosto, quente. - Eu nunca fiz isso.

A expressão dele não mudou. Não houve deboche, nem surpresa, nem aquela superioridade masculina que eu temia. Ele apenas acenou com a cabeça, compreensivo.

- Eu te ensino - apontou para o chão entre suas pernas. - Ajoelha aqui.

Por um segundo, minha mente gritou. Ajoelhar? Isso é coisa de puta. É degradante. Mas minhas pernas já estavam se movendo.

Ajoelhei no chão frio do quarto dele, entre suas pernas abertas. A saia jeans subiu um pouco com o movimento, e eu senti o ar fresco na pele das coxas. Fiquei ali, aos pés dele, olhando para aquela rola enorme que agora estava na altura do meu rosto.

- Segura primeiro - ele instruiu, a voz calma, paciente. - Sente a textura na sua mão. Sente como ele pulsa pra você.

Ergui a mão trêmula e envolvi a rola com os dedos. Era impossível. Minha mão não conseguia fechar em volta da grossura. Meus dedos encontravam a pele quente, macia, mas não se tocavam do outro lado. Tive que usar as duas mãos para envolvê-la completamente.

- Nossa... - murmurei, hipnotizada. - É muito grande, Victor.

Ele sorriu, aquele sorriso torto, e a mão grande dele desceu para acariciar meu cabelo novo.

- E é toda sua - disse, com uma malícia doce na voz. - Agora começa a lamber a cabeça, devagar. E depois coloca ela dentro da boca, sugando.

Inclinei o rosto. A cabeça da rola estava na minha frente, arredondada, brilhante, com uma pequena fenda no topo. Passei a língua, hesitante.

O gosto era estranho. Salgado. Macho. Diferente de tudo que eu conhecia. Mas não era desagradável, era apenas novo.

- Isso - ele murmurou, a mão ainda no meu cabelo. - Continua.

Lambi de novo, mais confiante. A cabeça inteira, a lateral, a parte de baixo. Cada movimento da minha língua arrancava um pequeno som dele: suspiros, gemidos baixos, palavras soltas.

- Agora coloca na boca - pediu.

Abri os lábios e levei a cabeça da rola para dentro.

Era estranho. Quente. Pesada na minha língua. Fechei os lábios em volta e chupei, suavemente, como ele tinha dito.

- Porra, Bia - a voz dele falhou. - Que boca gostosa.

Comecei a me mover, a cabeça subindo e descendo devagar, aprendendo o ritmo. Uma das mãos segurava a base da rola, a outra acariciava suas coxas. A cada descida, ele gemia mais alto, abafado pela música.

- Olha pra mim - pediu.

Ergui os olhos. Ele estava me olhando de cima, os olhos escuros queimando, a respiração pesada. A mão dele acariciava meu cabelo com uma ternura que contrastava com tudo.

- Você é linda, Bia - murmurou. - Linda demais assim, de joelho, com essa boquinha rosa em mim.

Alguma coisa se aqueceu dentro de mim. Uma sensação estranha, orgulho, talvez. Poder. Eu estava fazendo aquilo. Eu, Beatriz, a dona de casa perfeita, a esposa dedicada, a mulher que nunca tinha feito sexo oral em ninguém. Estava ali, de joelhos, com a rola preta e gigante de um garoto de dezoito anos na boca. E estava adorando. A vergonha já tinha ido embora há muito tempo.

Minha cabeça começou a se mover num ritmo mais rápido, mais confiante. Eu queria mais. Queria sentir tudo. Abri a boca o máximo que consegui e enfiei a rola para dentro, engolindo o máximo que podia.

A cabeça grossa bateu no fundo da minha garganta e eu engasguei, os olhos lacrimejando. Mas não parei. Continuei, engolindo o desconforto, sentindo a saliva escorrer pelo canto da boca, descendo pelo queixo, molhando a pele escura dele.

Quando me afastei para respirar, a rola inteira brilhava, coberta pela minha saliva. Uma visão obscena. Uma visão que fez alguma coisa queimar ainda mais fundo em mim.

- Isso, gostosa - a voz dele estava mais grossa, mais rouca. - Olha como você aprende rápido.

A mão dele apertou meu cabelo, não para me guiar, apenas para sentir. Para ter controle.

- Você nasceu pra isso, sua cavala deliciosa - as palavras dele entravam em mim como facas quentes. - Nasceu pra viver com a boca cheia de pica preta.

Minha buceta latejou dentro da calcinha vermelha. Eu sentia o tecido encharcando, grudando em mim, enquanto eu continuava mamando. A cada descida, a cada engasgo, a cada respiração ofegante, o calor aumentava.

Olhei para ele enquanto chupava. Os olhos de Victor estavam revirados, a cabeça jogada para trás, a mandíbula tensa. Ele estava sentindo. Eu estava fazendo aquilo nele. Eu, Beatriz, que nunca tinha feito isso em ninguém, estava levando aquele garoto ao delírio.

- Se você continuar mamando assim - ele murmurou, a voz falhando - vou encher sua boca de leite.

Continuei. Olhei para ele enquanto mamava, os olhos fixos nos dele. Queria que ele visse. Queria que ele soubesse que eu queria aquilo. Que eu estava pedindo por aquilo.

- É isso que você quer? - ele perguntou, a voz um misto de surpresa e excitação.

Assenti levemente, sem parar de chupar. Queria sentir o gosto.

Ele riu. Uma risadinha baixa, quente, que vibrou no ar.

- Vagabunda - a palavra saiu como um elogio, como um presente. - Então chupa. Chupa bem gostoso pra eu jorrar porra na sua boquinha, Bia.

Acelerei o ritmo.

Minha boca subia e descia na rola dele com uma fome que eu não sabia que existia em mim. A saliva escorria, formando poças no chão entre meus joelhos. Meu queixo estava encharcado. Minhas mãos seguravam o que não cabia na boca, massageando, apertando.

A respiração dele ficou mais pesada. Os gemidos mais frequentes.

- Bia... - a voz dele era um aviso. - Vou te dar leitinho na boca, sua puta.

Não parei. Queria sentir. Queria provar.

O primeiro jato atingiu o fundo da minha garganta. Quente, grosso, salgado. Engoli sem pensar, sem hesitar. O segundo, o terceiro, enchendo minha boca, escorrendo pelos lábios, misturado com a saliva.

Continuei chupando, espremendo cada gota, até que ele gemeu, exausto, e sua mão no meu cabelo afrouxou. Só então me afastei.

Fiquei ali, de joelhos, ofegante. A boca inchada, o queixo brilhando com a mistura de saliva e porra. Limpei os lábios com as costas da mão, num gesto automático, e olhei para ele.

Victor me encarava com uma expressão que eu nunca tinha visto em ninguém. Admiração. Desejo. E alguma coisa mais profunda, que eu não sabia nomear.

- Caralho, Bia - ele murmurou. - Caralho.

Ele me puxou para cima, para a cama, e seus lábios encontraram os meus num beijo que tinha gosto dele. Gosto de nós.

- Vou ter que tomar um banho pra me recompor - ele avisou, se levantando. - Fica à vontade. Se quiser, tem água nessa garrafa aí do lado da cama - me deu mais um beijo rápido. - Se prepara, quando eu voltar, tem mais.

Eu sorri enquanto ele fechava a porta. O funk continuava a tocar no alto falante onde o bluetooth do celular dele estava conectado. Vi a tela do celular brilhando na cômoda. Sinceramente, não dava pra escutar nem mais um minuto dessa batida insuportável.

Peguei o celular e comecei a olhar suas músicas salvas, pra ver se conseguia encontrar algo que prestasse. Então, uma notificação pipocou na tela, de um grupo do WhatsApp chamado “Os Maloka”. Era provavelmente um amigo dele. A mensagem era: “e aí, já comeu a coroa gostosa”?

Meus dedos tremeram sobre a tela do celular. Por um longo segundo, fiquei paralisada, ouvindo apenas o ritmo insuportável do funk que continuava tocando ao fundo.

Toquei na notificação sem pensar. Sem respirar. Como se o corpo agisse antes que a mente pudesse impedir.

A conversa abriu.

Maikão: e aí, já comeu a coroa gostosa?

Maikão: manda a foto da bunda dela que vc prometeu

Maikão: essas donas de casa carentes são as mais fáceis

Juninho: vsfd kkkkk victor comedor de coroa

Maikão: ele vai virar lenda mano

Juninho: conta como foi dps

Rolei para cima, para as conversas mais antigas do grupo. Meus dedos estavam gelados, mas se moviam sozinhos.

Victor havia enviado uma foto. Foi do dia do parque. Ele tirou uma foto minha, sentada no banco. Eu nem sequer havia visto que ele me fotografou. Eu estava sorrindo na foto, provavelmente conversando com Adriana.

Maikão: caralho ela é bonita mesmo

Victor: e tem uma bunda gigante. se pá hoje vou ver de perto

Maikão: mano, cuidado. mulher casada, mais velha... isso pode dar merda

Victor: relaxa. ela é carente pra caralho. é questão de tempo até eu comer

Juninho: aposto que vc come ela hoje mano

Maikão: aposto que não come kkkkkk aí victor, se comer ela hoje eu te dou cinquentão no pix

Victor: vai perder cinquenta então mano kkk semana passada eu já tinha visto que ela era facil. ela fica me olhando pela janela toda noite

Maikão: KKKKKK pqp coroa tarada

Rolei mais para cima.

Maikão: e a vizinha?

Victor: hoje de manhã passei por ela na rua. tava de legging. bunda enorme mano

Maikão: já pensou ela de quatro?

Victor: slc que delicia

Juninho: minha vizinha é pique essa daí, bunda gigante

Maikão: vamo apostar quem de vcs come a vizinha primeiro?

Victor: eu já to na frente porra. vou dar pica logo logo pra essa aqui. o juninho vai perder

Juninho: kkkkk ó as ideia do cara

Victor: vcs tao duvidando de mim?

Maikão: duvido

Victor: quando eu comer ela tiro foto e mando pra vcs.

O celular tremeu na minha mão. Tinha sido uma aposta. Eu era uma aposta. Uma "coroa fácil" para ser comida e transformada em troféu.

Continuei rolando. Mais mensagens. Mais fotos. Uma de mim na janela, outra de mim no jardim, outra de mim entrando no carro. Ele tinha me fotografado durante dias sem que eu soubesse. Eu era um alvo. Um plano. Uma missão.

A porta abriu. Victor entrou no quarto com uma toalha na cintura, o corpo ainda úmido, com gotas de água escorrendo. O sorriso morreu no rosto dele quando me viu.

Eu estava sentada na cama, o celular dele na mão, a tela ainda acesa com a conversa.

O silêncio entre nós durou uma eternidade.

- Bia... - a voz dele saiu diferente. Cautelosa. - O que você...

- "Quando eu comer ela, tiro foto e mando pra vocês" - li em voz alta, a minha própria voz soando estranha aos meus ouvidos, embargada. - "Ela é carente pra caralho. É questão de tempo até eu comer."

Ele deu um passo à frente.

- Bia, deixa eu explicar...

- Explicar o quê, Victor? - levantei da cama, o celular apertado na mão. - Que eu sou uma aposta? Que você estava contando pros seus amigos que ia comer a sua vizinha coroa e carente?

- Não foi assim...

- Foi exatamente assim - cortei, a voz tremendo. - Eu li tudo. A aposta. As fotos escondidas. Tudo.

Ele passou a mão no cabelo molhado, um gesto nervoso.

- No começo... no começo era sim, ok? - a voz dele era mais baixa agora. - No começo era só uma brincadeira. Meus amigos zoando, eu zoando de volta. Comentei com eles que você me olhava da janela, que era linda...

- Você contou que eu te olhava? - a humilhação queimou meu rosto. - Você contou pra eles que eu...?

- Não contei tudo - ele interrompeu. - Só que você olhava. Só isso.

- Só isso? - ri, um som amargo. - Victor, você tirou foto de mim na janela. Você mostrou pros seus amigos. Eu sou um troféu pra vocês.

- Não é mais assim!

Ele avançou e tentou segurar minha mão, mas eu recuei.

- Não chega perto de mim.

Ele parou. Os olhos escuros estavam arregalados, diferentes de tudo que eu tinha visto nele. Não era o sorriso torto, não era a malícia, não era a confiança de sempre. Era... medo. Ele estava com medo de eu ir embora.

- Bia, por favor - a voz dele falhou. - No começo era uma aposta com os moleques, eu admito. Era brincadeira. Mas depois... depois que eu te beijei, que eu passei tempo com você...

- Depois que você me comeu, você quer dizer.

- Não - ele negou com a cabeça, firme. - Não foi isso. Foi antes. Foi na cozinha, quando a gente conversou. E quando você falou do seu casamento, de como se sentia invisível. Foi quando você me olhou de um jeito que ninguém nunca olhou.

As palavras dele entraram em mim como facas.

- Você realmente quer que eu acredite nisso? Depois de tudo que eu li?

- Quero - ele disse, simples. - Juro que é verdade.

- Você mandou foto minha nua pra eles?

- Não mandei. Eu nunca mandaria! - ele arqueou as sobrancelhas.

Fiquei em silêncio, processando. A toalha na cintura dele, o corpo ainda molhado, os olhos implorando. E atrás de tudo, a pergunta queimando na minha cabeça.

- Tem mais alguma coisa que eu deveria saber?

A hesitação dele durou apenas um segundo. Mas foi o suficiente. Meu estômago despencou.

- Victor.

Ele desviou o olhar.

- Desembucha.

O silêncio se esticou como elástico prestes a romper.

- Tem uma... - ele engoliu em seco. - Tem uma menina. Na capital. A gente... tá junto há dois anos. Ela vem me visitar esse final de semana, e combinamos que ela vai vir uma vez por mês. Meus pais gostam dela, é... complicado.

Dois anos. Eu era a amante. A outra. A coroa.

- Ela vem... - repeti, a voz oca. - Uma vez por mês. Enquanto ela não está, você come a vizinha casada.

- Bia...

- Não me chama assim - cortei.

Ele tentou se aproximar de novo, mas eu levantei a mão, parando ele.

- Você me usou. Eu era uma aposta. Uma brincadeira. E você ainda tem uma namorada! Eu sou o quê, Victor? O troféu? A aventura? A coroa gostosa que você vai contar pros amigos no grupo?

- Não é mais assim! - a voz dele subiu, desesperada. - No começo era. Era idiota, era errado, era tudo que você tá pensando. Mas depois... Agora é diferente.

- Não - eu falei, sentindo os olhos marejarem.

- Você é diferente.

- Chega, Victor. Chega das suas mentiras.

Coloquei o celular dele na cômoda com um baque seco. Passei por ele em direção à porta.

- Bia, por favor, não vai...

Minha mão encontrou a maçaneta.

- Eu tô apaixonado por você! - ele falou.

A frase paralisou meu corpo inteiro.

Fiquei de costas para ele, a mão ainda na maçaneta, o coração martelando tão forte que parecia querer sair do peito.

- No começo era aposta, você tem razão - a voz dele vinha de trás, quebrada, urgente. - Eu queria comer a vizinha gostosa e contar pros meus amigos. Ser o cara. Mas aí você abriu a porta naquela noite. Com aquele roupão besta. E depois de transar, na cama, a gente conversou. E você falou do seu casamento, de como se sentia invisível. E eu olhei pra você e pensei: caralho, essa mulher é incrível.

Respirei fundo, mas não virei.

- Minha namorada... - ele continuou, a voz mais baixa. - A gente tá junto há dois anos. Os pais dela são super amigos dos meus pais. Eu sei que é errado. Mas eu não sei como terminar. Ela é da minha idade, a gente tem história, é complicado pra caralho.

- E eu? - minha voz saiu num sussurro, meus olhos ainda encarando a maçaneta.

- Você é diferente - ele disse, e eu ouvi ele se aproximar. Não tocou em mim, mas eu sentia o calor do corpo dele nas minhas costas. - Você me olha e me vê de verdade. Não o moleque que mora com os pais, não o “filho não sei de quem”. Você me vê. E, não sei por que, quando eu tô com você, eu esqueço de tudo. Da aposta idiota, da namorada, dos meus amigos, de tudo.

Virei devagar. Ele estava ali, a toalha ainda na cintura, o peito nu, os olhos escuros marejados de algo que parecia sincero demais para ser mentira.

- Eu não sei o que fazer - ele admitiu, a voz falhando. - Sei que te magoei. Sei que errei. Mas o que eu sinto agora... é real.

Ficamos nos encarando. O funk continuava tocando baixo, alheio à tempestade no quarto.

- Eu... Preciso pensar, Victor. Isso tudo é demais pra mim - eu disse.

Saí de sua casa andando nas pontas dos pés, com o coração martelando contra as costelas.

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Comentários

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Não vi nem um capítulo, mas agora vou maratonar só para falar mal dessa tal de Beatriz… 🤣🤣🤣🤣🤣

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Oi Aurora, muito bom esta história. Gosto da Beatriz e do Victor, os invisíveis que se veem, não acho Bia vilã,ela está num casamento frio e tedioso e o Victor a fez se sentir notada, desejada, se ela vai seguir no casamento só o desenrolar do conto vou saber.

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