O RETORNO
Já tinham se passado três dias desde a "noite do capuz". Três dias tentando agir como um ser humano funcional, um pai responsável e um marido fiel, enquanto minha cabeça estava permanentemente presa naquele porão. O cheiro de sexo, suor e perfume doce daquelas garotas parecia ter impregnado minhas narinas, uma lembrança fantasma que me assaltava nos momentos mais inoportunos — no meio de uma reunião de orçamento, na fila do supermercado, e, pior de tudo, deitado na cama ao lado da minha esposa.
Minha esposa, Márcia, tinha voltado da conferência dela radiante, cheia de histórias sobre palestras e networking. Eu ouvia, sorria e concordava nos momentos certos, mas por dentro eu estava gritando. A culpa que eu esperava sentir — aquela ressaca moral esmagadora que geralmente segue uma punheta vergonhosa — simplesmente não veio. Ao invés disso, o que eu sentia era uma fome. Uma fome voraz, insaciável, que fazia minha pele formigar e meu pau endurecer só de lembrar da sensação da boca da Kátia, das tetas da Helena, da buceta apertada da minha própria filha.
Para minha "sorte" — e bota sorte nisso, daquelas que você desconfia que o universo está conspirando a seu favor ou armando uma arapuca gigante —, Márcia mal desfez as malas antes de receber uma ligação do escritório central. Uma crise com um cliente grande em São Paulo. Presença da diretoria exigida. Voo marcado para a manhã seguinte. Quatro dias fora.
Tentei não demonstrar entusiasmo demais enquanto a ajudava a refazer a mala. Dei aquele beijo de despedida protocolar no aeroporto, vi ela passar pelo portão de embarque, e voltei para o carro sentindo uma mistura perigosa de alívio e antecipação. O caminho de volta para casa foi silencioso, exceto pelo rádio tocando baixinho e pelos meus pensamentos gritando alto.
Cheguei em casa no meio da tarde. Larissa estava na cozinha, debruçada sobre o balcão, estudando — ou fingindo estudar — alguma coisa no tablet. Ela vestia um shortinho de moletom cinza, daqueles que são confortáveis demais e curtos demais, e uma regata branca larga. Sem sutiã, claro. Desde aquela noite, a dinâmica entre nós tinha mudado sutilmente. Não era nada explícito na frente da mãe dela, mas quando estávamos sozinhos, havia uma eletricidade no ar. Olhares que duravam um segundo a mais. Toques "acidentais" no corredor. Ela sabia que eu sabia. E ela sabia que eu tinha gostado.
"Mãe já foi?" ela perguntou sem levantar os olhos da tela, mas vi um sorriso brincando no canto da boca dela.
"Já. Embarcou agora pouco," respondi, jogando as chaves no balcão e indo até a geladeira pegar uma água. Minha garganta estava seca.
"Hmm. Quatro dias, né?"
"É. Quatro dias."
O silêncio que se seguiu foi carregado. Bebi a água devagar, sentindo os olhos dela em mim. Quando me virei, ela tinha largado o tablet e estava me encarando. Aquele mesmo olhar da noite no porão. Inocência misturada com uma devassidão que me assustava e excitava na mesma medida.
O celular dela, jogado na bancada, começou a vibrar. Uma chamada de vídeo. O nome "Kátia" brilhava na tela, junto com uma foto das duas fazendo biquinho numa festa qualquer.
Larissa atendeu e apoiou o aparelho numa fruteira, aumentando o volume.
"Amiga! Adivinha quem acabou de ficar órfã de mãe de novo?" Larissa disse, a voz animada.
"Mentira! A Tia Márcia viajou?" A voz da Kátia preencheu a cozinha, rouca e inconfundível. "Sério, o universo tá querendo muito que a gente se divirta."
"Pois é. O pai acabou de chegar do aeroporto," Larissa respondeu, lançando um olhar malicioso na minha direção.
"Ah, o Tio Roberto tá aí? Melhor ainda," Kátia disse. "Põe ele na linha. Ou melhor, vira a câmera. Quero ver se ele tá com aquela cara de cansado de quem trabalhou muito... ou se tá com cara de quem tá precisando relaxar."
Larissa riu e virou o celular na minha direção. Me vi na telinha, com a garrafa de água na mão e uma expressão que devia ser meio idiota. Kátia apareceu na tela grande. Ela estava deitada numa espreguiçadeira, usando óculos escuros e um biquíni preto minúsculo. O fundo mostrava uma piscina azul turquesa.
"Oi, Tio Roberto!" ela saudou, baixando os óculos e me olhando com aqueles olhos verdes predadores. "Tudo bem com o senhor?"
"Oi, Kátia. Tudo indo," respondi, tentando manter a voz firme. "Aproveitando o dia de sol?"
"Tô tentando, tio. Mas tá meio chato aqui sozinha. Meus pais foram pra Europa, sabe? Só voltam mês que vem. A casa tá enorme, a piscina tá aquecida, a geladeira tá cheia de cerveja e comida boa... mas falta companhia."
Ela fez uma pausa dramática, mordendo a haste dos óculos.
"As meninas tão aqui comigo. A Amanda, a Helena... a Júlia também. A gente tava conversando agora pouco. As meninas não param de falar de você, sabia? Sério. A Amanda disse que sonhou com seu pau duas noites seguidas. Disse que acordou toda molhada. E a Júlia... bom, a Júlia tá diferente desde aquela noite. Ela não para de perguntar quando a gente vai repetir a dose."
Senti meu pau dar um solavanco violento dentro da calça jeans só com a menção dos nomes e das lembranças que eles traziam. Amanda sonhando comigo. Júlia querendo repetir.
"É mesmo?" consegui responder, minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia.
"É," Kátia continuou, o tom ficando mais sério, mais baixo. "E como a gente sabe que a Tia Márcia viajou... a gente tava pensando. Por que vocês não vêm pra cá? Agora. Passar a tarde. A noite. O fim de semana, se quiserem."
Larissa estava me olhando, mordendo o lábio inferior, esperando minha reação.
"O que você tá propondo, Kátia?" perguntei, embora já soubesse a resposta. Meu coração batia forte contra as costelas.
"Uma segunda rodada, Tio. Mas dessa vez... diferente. Sem capuz. Sem cortina. Sem anonimato. A gente quer ver você. A gente quer olhar no seu olho enquanto chupa seu pau. A gente quer ver a cara que você faz quando goza. E a gente quer fazer coisas que não deu tempo de fazer na outra noite. Coisas que a gente ficou imaginando depois."
Engoli seco. Sem o capuz. Sem a proteção do "anonimato" fingido. Olhar nos olhos delas — das amigas da minha filha, da minha própria filha — enquanto elas me usavam. A ideia era aterrorizante. Era a quebra final de qualquer barreira moral que ainda restasse. Mas, ao mesmo tempo, era excitante pra caralho. A ideia de ser o centro das atenções, de ser desejado abertamente, sem fingimentos...
"Não sei, Kátia..." comecei, minha velha hesitação tentando dar as caras uma última vez, um reflexo condicionado de anos sendo o "pai de família". "Sem o capuz é... complicado. Vocês são amigas da Larissa. Eu sou..."
Larissa desligou o áudio da chamada, mas manteve o vídeo. Ela se aproximou de mim, invadindo meu espaço pessoal. O cheiro dela — baunilha e algo natural, almiscarado — invadiu meu nariz. Ela colocou as mãos no meu peito, espalmadas sobre a camisa, e olhou fundo nos meus olhos.
"Pai," ela sussurrou, a voz macia, persuasiva. "Para com isso. Você me prometeu que ia ajudar na festa, lembra? E você ajudou. Foi incrível. Mas você gostou. Eu sei que gostou. Eu senti você gozar dentro de mim. Você não quer ficar aqui nessa casa vazia, sozinho, batendo punheta pensando nelas — pensando em mim — quando podia estar lá, com a gente. Com cinco bucetas molhadas querendo você. Querendo te dar prazer."
Ela fez uma pausa, e sua mão direita desceu devagar pelo meu tronco, passando pela fivela do cinto e pousando com firmeza sobre o volume inegável na minha calça. Ela apertou. Um gemido baixo escapou da minha garganta.
"Além do que..." ela continuou, aproximando a boca do meu ouvido, o hálito quente batendo na minha pele. "...eu quero mais tempo com você. Só nós dois. A casa da Kátia é enorme. Tem quartos que ninguém usa. A gente pode... continuar o que começou. Sem pressa. Sem medo."
Aquele aperto na minha virilha foi o argumento final. Minha moralidade já tinha ido pro espaço há muito tempo mesmo. O que eu estava defendendo, afinal? Uma honra que eu já tinha manchado com gosto?
"Que horas a gente vai?" perguntei, a voz rouca, entregue.
Larissa sorriu. Foi um sorriso de triunfo, de quem acabou de ganhar na loteria, mas também um sorriso de cumplicidade. Ela se afastou, ligou o áudio de volta e falou para o celular:
"Prepara a casa, amiga. A gente tá saindo daqui a pouco."
Kátia bateu palmas no vídeo e mandou um beijo.
"Vai tomar um banho, paizinho," Larissa disse, me dando um tapinha no ombro. "Deixa tudo bem limpinho e cheiroso. Você vai ter muito trabalho hoje."
## A Chegada
Subi para o meu quarto com as pernas meio bambas. O banho foi rápido, mas meticuloso. Lavei cada centímetro do meu corpo, caprichei nas partes baixas, me barbiei com cuidado. Escolhi uma roupa casual — jeans, uma camisa polo azul marinho, mocassins — tentando parecer normal, embora soubesse que aquelas roupas não ficariam no meu corpo por muito tempo.
Enquanto me vestia, me olhei no espelho. Vi um homem de quarenta e poucos anos, com alguns fios grisalhos nas têmporas, mas ainda em forma. Não era nenhum modelo, mas também não estava caindo aos pedaços. O que eu via nos meus olhos, porém, era diferente. Havia um brilho febril ali. O brilho de um homem que estava prestes a entrar na cova dos leões — ou melhor, das leoas — e estava ansioso para ser devorado.
Desci as escadas. Larissa já estava pronta, me esperando na sala. Ela tinha trocado de roupa. Vestia um vestidinho de verão florido, leve e solto, que batia no meio das coxas. Parecia inocente à primeira vista, até você perceber que o tecido era fino e que, contra a luz da porta, dava para ver a silhueta das pernas dela até a cintura. Ela estava com uma mochila pequena nas costas.
"Vamos no meu carro?" sugeri.
"Melhor no meu," ela disse, jogando as chaves do Honda dela pra cima e pegando no ar. "Assim, se você beber ou... ficar cansado demais... eu dirijo na volta."
O trajeto até a casa da Kátia foi feito num silêncio carregado de expectativa. Larissa dirigia com uma mão no volante e a outra repousada na minha coxa, apertando de vez em quando. O rádio tocava um pop genérico, mas eu mal ouvia. Minha mente estava criando cenários, repassando as memórias da outra noite, imaginando o que "sem limites" significava na cabeça daquelas garotas.
A casa da Kátia ficava num condomínio fechado na Barra da Tijuca, daqueles que parecem uma cidade à parte. Guaritas blindadas, segurança armada, ruas largas e arborizadas. As casas eram verdadeiras mansões, escondidas atrás de muros altos e paisagismo exuberante. Larissa passou pela portaria com a naturalidade de quem frequentava aquilo sempre — o que era verdade.
Entramos numa rua sem saída e paramos em frente a um portão de madeira maciça que se abriu automaticamente assim que o carro se aproximou. A casa era impressionante. Moderna, linhas retas, muito vidro e concreto aparente. Parecia algo saído de uma revista de arquitetura.
Larissa estacionou na garagem larga, ao lado de um SUV importado coberto por uma capa.
"Chegamos," ela disse, desligando o motor e se virando para mim. "Pronto, pai?"
"Tão pronto quanto posso estar," respondi, respirando fundo.
"Só lembra de uma coisa," ela disse, colocando a mão no meu rosto. "Hoje não tem regras. Não tem 'pai e filha', não tem 'tio Roberto'. Hoje você é nosso. Só nosso. Aproveita."
Ela me deu um selinho rápido, mas demorado o suficiente para eu sentir a promessa nos lábios dela, e saiu do carro.
A porta da frente da casa, uma folha pivotante enorme de madeira, já estava entreaberta. Entramos. O ar condicionado central mantinha a temperatura agradavelmente fria, um contraste bem-vindo com o calor abafado do Rio de Janeiro lá fora.
"Sejam bem-vindos ao paraíso!" A voz da Kátia ecoou pelo hall de entrada de pé-direito duplo.
Ela desceu a escadaria de mármore branco que dominava o ambiente. A imagem era de tirar o fôlego. Kátia não estava mais de biquíni. Ela vestia um robe de seda preto, curto, amarrado frouxamente na cintura. O tecido brilhava sob a luz do lustre de cristal. Ela estava descalça, o que a deixava um pouco mais baixa, mas não menos imponente. O cabelo loiro estava solto, caindo em ondas sobre os ombros.
"Oi, Tio Roberto," ela disse, parando no último degrau e me olhando de cima a baixo com um sorriso predatório. "Gostei da camisa. Vai ficar ótima no chão do meu quarto."
Sorri, meio sem graça, meio excitado. "Obrigado pelo convite, Kátia. Sua casa é... incrível."
"É, dá pro gasto," ela deu de ombros. "Vem. As meninas tão na sala de estar, lá no fundo, perto da piscina. A gente já abriu um vinho."
Seguimos Kátia pela casa. Passamos por salas de estar decoradas com móveis de design, quadros abstratos e tapetes persas. Tudo gritava dinheiro e bom gosto, mas também uma certa frieza de casa de revista que raramente é vivida. Mas hoje... hoje ela parecia viva.
Chegamos a uma sala ampla, com paredes de vidro que davam para a área externa. A piscina iluminada brilhava lá fora, mas meus olhos não conseguiram passar das figuras espalhadas pelos sofás de couro branco em "L".
Elas estavam todas lá. Amanda, Helena e Júlia. E a visão fez meu queixo cair.
Amanda estava de pé, servindo vinho em taças de cristal. Ela usava um conjunto de lingerie de renda vermelha — sutiã balconet que empurrava os seios pequenos para cima e uma calcinha fio-dental que eu veria melhor depois. Por cima, apenas uma camisa social masculina branca, aberta, mangas dobradas até os cotovelos. O contraste da pele morena dela com o vermelho e o branco era hipnotizante.
Helena estava sentada no sofá, as pernas cruzadas. Ela vestia um sutiã esportivo preto e uma calcinha boxer feminina, também preta. Parecia confortável, atlético, mas a forma como os seios fartos dela estufavam o top deixava claro que conforto não era a única prioridade. Ela sorriu quando me viu, um sorriso tímido mas convidativo.
E então havia a Júlia.
A "virgem tímida" da última vez, a garota que tinha ficado vermelha ao ver meu pau, estava irreconhecível. Quer dizer, era ela, mas a atitude... Júlia estava sentada numa poltrona individual, com as pernas jogadas por cima de um dos braços do móvel. Ela usava um uniforme escolar. Não um uniforme qualquer, mas aqueles estilo japonês, de anime: saia xadrez plissada curtíssima, meias três-quartos brancas que iam até o meio das coxas, e uma camisa branca justa, com os primeiros botões abertos, revelando o início dos seios pequenos. Uma gravatinha frouxa completava o visual.
O fetiche explícito me atingiu como um soco no estômago. Ela estava interpretando um papel, claro, mas a intensidade com que ela me encarava — sem desviar o olhar, sem corar — me dizia que a brincadeira era séria.
"Oi, Roberto," Júlia disse. Não "Tio Roberto", não "Seu Roberto". Apenas Roberto. A voz dela estava mais firme, menos infantil.
"Oi, meninas," consegui dizer, minha voz saindo um pouco estrangulada.
Amanda veio até mim e me entregou uma taça de vinho. Os dedos dela roçaram nos meus, quentes e macios.
"A gente tava apostando se você vinha mesmo," ela disse, me olhando com aqueles olhos puxados e escuros. "A Helena achou que você ia amarelar. Eu disse que não. Que depois daquela noite, você não ia conseguir ficar longe."
"A Amanda ganhou a aposta," Helena disse do sofá, rindo.
Bebi um gole generoso do vinho. Era bom, encorpado. Precisava disso pra lubrificar as palavras.
"Eu não ia perder isso por nada," respondi, ganhando um pouco de confiança. O álcool e a testosterona começando a fazer efeito.
Kátia se aproximou por trás de mim e colocou as mãos nos meus ombros, começando uma massagem leve.
"Ótimo. Porque a gente tem planos," ela sussurrou no meu ouvido. "A casa é nossa. Ninguém vai chegar. Os empregados foram dispensados pro fim de semana. Temos comida, bebida... e você."
Ela apertou meus ombros com força.
"E, Roberto... dessa vez, eu quero ver seus olhos. Quero ver você olhando pra gente. Nada de esconder. Você aguenta?"
Virei o rosto para encará-la. Os olhos verdes dela estavam a centímetros dos meus.
"Eu aguento," prometi.
"Então vamos começar," ela disse, soltando meus ombros e caminhando em direção à escada que levava ao mezanino. "Preparei o quarto dos meus pais. É o melhor da casa. Cama king, espelhos... vem."
Ela não olhou para trás, sabendo que eu a seguiria. E eu segui. Como um cachorro no cio, segui aquela mulher escada acima, com minha filha e as amigas dela logo atrás, sentindo meu coração bater na garganta e meu pau pulsar contra o zíper da calça.
Quando chegar em 50 estrelas eu publico a próxima parte!!