O Barman e o Confeiteiro (Capítulo 7)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 3235 palavras
Data: 20/03/2026 12:27:13
Assuntos: Amor, Gay

Capítulo 7

Adriano

Terça-feira. Quatro dias desde a noite do sorvete no Benfica que mudou a porra da minha vida. Eu sei que o ditado diz que a felicidade de pobre dura pouco, mas o universo parecia ter finalmente parado de me usar como saco de pancadas. Pelo menos era o que eu achava.

O sol de meio-dia em Fortaleza tava daquele jeito que faz o asfalto derreter e a alma pedir arrego. Eu tava sentado no nosso restaurante self-service de guerra, no centro da cidade, de frente pro Luan. O prato dele tava aquela montanha de sempre: pedreiro com muito orgulho e muita fome. O meu tava mais modesto. Eu não conseguia pensar muito em comida quando a minha cabeça tava dividida entre planilhas de call center, receitas de glacê e a boca do Nathan.

— E aí, a mulher me mandou mensagem hoje de manhã confirmando — eu falava, gesticulando com o garfo sujo de feijão, animado pra caralho. — Duas encomendas grandes, Luan! Dois bolos de andar pra um noivado chique lá na Aldeota e um pra uma festa de bodas. Cara, isso vai me render uma grana que eu não via há meses. Vou até conseguir adiantar o cartão de crédito e parar de viver no cheque especial. Minha sorte tá mudando, amigo, eu tô sentindo!

Dei uma pausa para tomar um gole de suco de caju, esperando o tradicional "parabéns, Dri" ou "você merece, mano". Mas só ouvi o barulho dos talheres no prato de cerâmica.

— E o melhor de tudo? — continuei, ignorando o silêncio dele. — Eu e o Nathan, cara... puta que pariu. A gente tem se pegado todos os dias depois do expediente. Todo santo dia. O bofé me espera na esquina do prédio, a gente entra num beco lá perto e, nossa... o moleque tem uma pegada que me deixa tonto. Eu juro que tô tentando seguir seu conselho e não me emocionar, mas tá difícil, viu? Ele é perfeito.

Luan continuava mastigando, olhando pra parede de azulejo branco descascado do restaurante como se lá estivesse passando um filme em 4K. Os olhos escuros e grandes dele estavam completamente vidrados. Ele não tava ouvindo uma única sílaba do que eu dizia.

Eu estreitei os olhos. O Luan sempre foi um cara centrado, o bom ouvinte da nossa dupla, a rocha que segurava os meus surtos. Mas desde o final de semana, o bicho tava estranho. Parecia que a alma dele tinha saído do corpo e ido dar um passeio na Avenida Beira-Mar.

— Pois é, aí eu tava pensando com meus botões... — baixei o tom de voz, testando o terreno. — O que você acha de eu colocar chumbinho de rato na massa do bolo da cliente? Acho que dá um sabor mais rústico, sabe? Uma crocância a mais antes da morte cerebral.

Luan piscou devagar, engoliu a comida e balançou a cabeça devagar para cima e para baixo.

— Aham. É. Acho legal, Dri. Fica bom mesmo.

Eu soltei o garfo no prato com um barulho estalado.

— Luan! Seu corno! — estalei os dedos bem na frente do nariz dele.

Ele deu um pulo na cadeira de plástico, os olhos arregalados, a mão instintivamente indo pro peito como se eu tivesse atirado nele.

— Que foi, porra?! — ele engasgou, olhando pros lados, meio desorientado.

— Que foi digo eu! Eu acabei de falar que vou matar minha cliente envenenada e você concordou, caralho! Onde é que você tá com essa cabeça? Cê tá no mundo da lua desde que sentou aqui. O que rolou no seu final de semana com a Stella que sugou toda a sua capacidade cognitiva? A mulher sugou seu cérebro pelo pau, foi?

O rosto do Luan, que já era retinto, pareceu assumir um tom mais escuro e avermelhado nas bochechas. Ele travou o maxilar, olhou pro prato, depois pro copo, visivelmente desconfortável e nervoso. Parecia que eu tinha tocado numa ferida exposta, ou lembrado ele de um segredo de estado.

— Foi mal... foi mal, Dri. Eu... eu não dormi direito. O trabalho tá puxado. — Ele passou a mão grande pela nuca, respirando fundo, fugindo do meu olhar. — Tô meio avoado hoje. Aconteceu nada não. Só cansaço. Desculpa. O que você tava falando mesmo? Começa do começo.

Eu o avaliei por uns bons segundos. O Luan era um péssimo mentiroso. Péssimo. Mas eu respeitava demais o espaço dele pra ficar espremendo. Se ele e a Stella tinham brigado, ou se tinham feito alguma loucura na cama que deixou o pastorzinho em choque, ele me contaria quando estivesse pronto.

— Esquece o chumbinho. Eu tava dizendo que fechei duas encomendas boas de bolo pra essa semana. E que eu e o Nathan estamos praticamente vivendo uma lua de mel no beco da empresa todo dia.

O rosto dele relaxou um pouco. Ele abriu um sorriso pequeno, mais parecido com o Luan de sempre.

— Fico feliz pelas encomendas, Dri. De verdade. E sobre o moleque... vai na moral, mas aproveita. Você merece uma fase boa.

— É, eu mereço. Agora termina de comer que o meu turno no inferno me espera.

Passado o almoço, a realidade bateu de novo na porta. Chegar no call center era o mesmo esquema de todo dia: logar no sistema, colocar o headset vagabundo e aguentar xingamento de gente do país inteiro. Como o Nathan agora estava numa baia do outro lado do andar, no setor definitivo dele, a minha tarde ficou cinza de novo.

E pra piorar o que já não era bom, o Henrique. Meu supervisor encosto, o homem que não aceitava ter tomado um fora de um viadinho confeiteiro.

— Adriano, o seu tempo médio de atendimento tá dois minutos acima da meta. Você tá conversando com os clientes ou resolvendo o problema? — A voz anasalada dele zumbiu no meu ouvido enquanto ele parava atrás da minha cadeira, os braços cruzados, o cheiro de perfume barato me dando náusea.

— Tô tentando resolver um problema que o sistema da empresa não colabora, Henrique — respondi seco, sem tirar os olhos da tela do computador. — Se o botão de reset funcionasse na primeira tentativa, eu não precisava ficar acalmando o cliente na linha.

Ele deu um sorriso cínico.

— Acalmar cliente não tá na sua descrição de cargo. Segue o script. Mais uma pausa estourada e eu vou ter que aplicar uma advertência. E foca no seu trabalho em vez de ficar trocando sorrisinho com o setor de retenção.

Ele deu as costas e saiu rebolando a sua frustração. A menção ao "setor de retenção" — onde o Nathan estava — me deu uma raiva surda. Ele tava me vigiando.

Quando finalmente deu o horário do meu lanche de quinze minutos, eu desloguei correndo e fui pro armário na sala de descanso. Peguei meu celular, que tava no silencioso, só pra checar a vida.

Havia uma notificação do WhatsApp. O nome "Nathan" com um emoji de diabinho do lado. Meu humor mudou da água pro vinho numa fração de segundo. Abri a conversa com os dedos até suando um pouco.

Nathan: "Tô contando os minutos pra esse expediente acabar. Tenho uma surpresa pra você hoje, lá fora. Vê se não enrola pra deslogar."

O sorriso que eu dei pro nada ali no vestiário foi patético. Eu tava completamente rendido. Fiquei ansioso pra caralho, batendo o pé no chão o resto do turno. O tempo não passava. Cada cliente que caía na minha linha nos últimos vinte minutos era uma tortura psicológica.

Sete horas em ponto. Arranquei o fone, peguei a mochila e voei pro elevador.

Quando saí do prédio de vidro da empresa, o vento quente da noite de Fortaleza bateu no meu rosto. E lá estava ele. Encostado no muro, mexendo no celular, com aquela camisa social branca um pouco aberta no peito e um sorriso que misturava a inocência de um menino de coral com a safadeza de quem ia destruir a minha vida.

Ele guardou o celular e veio na minha direção, me dando um abraço rápido, só pra encostar nossos corpos no meio da calçada lotada.

— Oi. Demorou — ele sussurrou perto do meu pescoço, a voz macia.

— Você sabe que o Henrique adora segurar a gente lá dentro. — Eu me afastei só um pouco, olhando pra boca rosada dele. — Qual é a surpresa? Não me diz que você comprou coxinha, porque eu já jantei.

Nathan deu uma risada baixa, daquelas que arranham a garganta e descem direto pro meu baixo ventre. Ele olhou pros lados pra garantir que não tinha nenhum colega de trabalho espiando, sacou o celular do bolso, desbloqueou a tela e virou na minha direção.

Eu arregalei os olhos. Meu coração errou uma, duas, três batidas.

A foto na tela era dele. Uma selfie tirada num espelho de banheiro. Ele tava sem camisa, o peito liso e definido, mas o que me roubou todo o fôlego foi a parte de baixo. O desgraçado tava usando uma jockstrap. Uma cueca vermelha e preta, com o bojo na frente marcando o pau pesado, e duas tiras esticadas que deixavam a bunda redonda e perfeita dele completamente de fora, nua.

Senti o meu pau acordar no mesmo instante, roçando duro na minha calça jeans. Eu engoli a seco, sentindo a boca salivar.

— Puta que pariu, Nathan... — sussurrei, a voz quase falhando.

Ele apagou a tela do celular e guardou no bolso devagar, o sorriso safado aumentando.

— Eu tô usando ela agora, por baixo dessa roupa chata. — Ele mordeu o lábio inferior. — Tem um motel aqui pelo centro mesmo. Na Rua General Sampaio. Dá pra ir a pé, é baratinho, mas é limpo. O que você acha?

O que eu achava? Eu achava que eu ia morrer de tesão no meio da rua se não tirasse a roupa dele nos próximos dez minutos. Eu nem pensei duas vezes, nem ponderei que o dinheiro tava curto, ou que o Caio ia me chamar de vagabunda emocionada se soubesse que eu tava torrando grana em motel de centro com o novato.

— Vamos. Agora.

Caminhamos a passos largos, ombro a ombro. A tensão sexual entre a gente tava tão alta que o ar parecia faiscar. Chegamos no motel. Era exatamente o que se espera de um motel no centro de Fortaleza: luzes neon azuis e vermelhas piscando na fachada, uma entrada discreta com uma catraca de metal e um cheiro onipresente de desinfetante de pinho e sabonete barato no ar.

Eu paguei duas horas no balcão e pegamos a chave do quarto 14.

Assim que trancamos a porta de madeira fina atrás de nós, o clima explodiu. O quarto era brega, as paredes pintadas de um vermelho escuro, uma luz indireta amarelada. No meio do cômodo, a glória dos motéis baratos: uma cama redonda, com lençóis brancos engomados, e um espelho gigantesco colado no teto bem em cima dela. Para mim, naquele momento, era o próprio Taj Mahal.

Nathan não perdeu tempo. Ele me empurrou devagar contra a porta recém-trancada e me beijou com urgência. A boca dele era quente, faminta, sugando a minha língua. Ele começou a tirar a minha roupa ali mesmo. Desabotoou a minha camisa social jogando no chão, abriu o cinto da minha calça e me deixou completamente nu em menos de um minuto. Ele beijava cada pedaço de pele que expunha. Beijou meu pescoço, meu peito, desceu pro meu abdômen e deixou a respiração quente bater no meu pau, que já tava duro feito pedra, latejando pra cima.

— Deita lá — ele sussurrou, a voz rouca, os olhos escuros brilhando de luxúria.

Eu não discuti. Andei até a cama redonda e deitei de costas, nu, a respiração ofegante, assistindo à cena que se desenrolava.

Nathan ficou em pé no pé da cama. Ele não teve pressa. Ele começou um strip-tease particular que me deixou completamente hipnotizado. Tirou a camisa branca, jogou pro lado. Desabotoou a calça preta e foi descendo o zíper devagar. Ele chutou os sapatos pra longe, tirou a calça de uma vez e lá estava.

Ao vivo era dez vezes melhor que na foto. O contraste das tiras vermelhas contra a pele clara e as coxas grossas dele era a coisa mais pornográfica que eu já tinha visto. O volume do pau dele marcava forte na frente. Ele virou de costas de propósito, caminhando até a beirada da cama para eu ter a visão clara e maravilhosa da bunda dele durinha e redonda, livre dentro daquela jockstrap. Meu cérebro deu tela azul. Eu queria foder esse garoto até a gente não aguentar andar.

Ele subiu na cama de joelhos e engatinhou até mim.

— Gostou da surpresa, Dri? — ele murmurou, sorrindo e alisando o meu peito suado.

— Eu vou te rasgar no meio hoje, Nathan — rosnei, puxando ele pela nuca e colando nossas bocas.

O sexo foi intenso, bruto. Sem meias palavras, eu rasguei aquele pacote de camisinha com os dentes, lubrifiquei a entrada dele e o invadi com força e urgência. A cada estocada, a cama redonda rangia, mas nós não estávamos nem aí. O som da nossa pele batendo e dos gemidos dele ecoava no quarto.

Eu comi o Nathan com uma fome que eu não sabia que tinha. Quando ele inverteu as posições, sentando em mim, com aquela jockstrap ainda presa na cintura e as tiras contornando a bunda dele que quicava no meu colo, eu perdi o resto da sanidade. A visão do espelho no teto, mostrando nós dois embolados, ele cavalgando na minha pica com os olhos revirados, era enlouquecedora. Se não fosse pela camisinha de borracha fina, eu teria enchi do o cuzinho quente dele de porra sem pensar nas consequências.

Nós gozamos quase juntos. O quarto cheirava a sexo suado.

Deitamos de lado, dividindo o espaço apertado da cama redonda, os peitos arfando. Aos poucos, a respiração voltou ao normal. Nathan se aninhou no meu ombro, me dando beijos pelo pescoço, enquanto eu alisava os cabelos dele. A conversa veio mansa.

— Puta merda, eu precisava disso pra desestressar — eu falei, rindo baixo, olhando pro teto. — Aquele call center suga a nossa alma. O Henrique hoje quase me fez pedir as contas. O bicho não larga do meu pé, parece um encosto de terno.

Eu senti o corpo do Nathan dar uma leve tensionada nos meus braços. Ele parou de beijar o meu pescoço e apoiou o queixo no meu peito, evitando me olhar nos olhos por um momento.

— Ah... o Henrique. — A voz dele soou um pouco mais baixa, quase mecânica. — Ele... ele pega no pé de todo mundo, né? O cara é estressado, é a cobrança da meta, sei lá. Ele é só chato mesmo.

Ele desconversou rápido, levantando da cama pra ir pegar a roupa espalhada no chão. Achei a reação dele meio estranha, fria, mas meu cérebro tava tão entupido de serotonina, tesão e paixão platônica que eu não dei importância. Criei uma justificativa burra na cabeça: ele só não queria falar de trabalho depois de ter gozado. Eu, emocionado do caralho, tava focado demais na bunda dele e no cheiro do perfume dele nos meus dedos pra ligar os pontos de qualquer bandeira vermelha.

O tempo acabou e nós saímos do motel. Caminhamos até o terminal de ônibus no centro.

A despedida foi no ponto de ônibus da Praça do Ferreira. Dei um beijo demorado na boca dele, ignorando quem tava em volta.

— Me avisa quando chegar, principezinho — falei, dando um último selinho e o vendo subir no coletivo lotado.

Fiquei lá na parada esperando a minha linha. Não deu nem dois minutos que o ônibus do Nathan partiu, meu celular vibrou no bolso. Era o Caio.

— Fala, Carmen — atendi, ainda sorrindo pro vento.

— Sua vagabunda, você tá onde? Eu já cheguei em casa, o Ykaro não tá e a casa tá um tédio. Não me diga que tá num beco engolindo o calouro do telemarketing?

Eu ri alto. A bicha era uma bruxa, não tinha explicação.

— Pior, acabei de sair do motel com ele, sua invejosa. Tô aqui no ponto do centro esperando a condução.

— Motel de centro? Cruz credo, cheiro de Pinho Sol e desespero. Não pega ônibus não, que a gente tá indo te buscar. A gente vai comer alguma coisa no shopping.

— A gente quem?

— Eu e o Breno, ué. — O tom de voz dele tentou soar indiferente, mas eu captei a mentira.

— Ah, a madame agora tem motorista particular num Kwid.

Ele mandou eu ir à merda e desligou. Vinte minutos depois, o Renault Kwid branco do Breno encostou perto do ponto. Eu entrei no banco de trás. O Breno, como sempre, tava vestido como se fosse estampar a capa de uma revista de advocacia, cheiroso e com um sorriso de comercial de pasta de dente. O Caio tava no banco do carona, sem montação de Carmen hoje, mas exalando prepotência num óculos de sol à noite.

Fomos pro Shopping Benfica, o nosso porto seguro.

Sentamos na praça de alimentação com nossas bandejas de fast-food. O clima tava estranho. O Caio, sorrateiramente, passava a conversa pra mim toda vez que o Breno tentava puxar assunto com ele.

— Breno tava me falando agorinha sobre um caso novo do escritório, bem complexo. Conta pro Adriano, Breno. Ele adora essas fofocas jurídicas de pensão alimentícia — Caio disse, tomando um gole do refri, empurrando a bola pro cara.

Eu olhei pro Caio. Ele secretamente queria tentar empurrar o Breno pra mim? Queria deixar o cara mais próximo de mim pra ver se, sei lá, eu me interessava e tirava o peso da rejeição das costas dele? Era óbvio o joguinho de distanciamento, ele não queria se envolver.

Mas a bicha era burra demais. O Breno falava comigo por pura educação, mas os olhos dele não saíam da boca do Caio, das mãos do Caio, de cada movimento que o Caio fazia. O homem tava babando por ele. E além disso, eu? Eu não tava nem aí. Meu protagonista romântico agora tinha nome, CPF e usava jockstrap vermelha. O Breno podia ser rico e lindo, mas minha cabeça só passava o replay do quarto 14 daquele motel barato. Eu tava tão apaixonado, cego, que não ligava a mínima pra tentativa de cupido reverso do meu melhor amigo.

Comemos, demos algumas risadas e, quando deu dez e meia, o Breno nos deixou na porta de casa.

Nos despedimos e caminhamos pelo corredor escuro até a porta do nosso apartamento. Quando coloquei a chave na fechadura, ouvi o barulho pesado do motor de uma moto roncando alto.

Olhei pra trás. Era o Ykaro. Ele tava tirando a moto da vaga do estacionamento. Com uma jaqueta de couro surrada e o capacete preto, ele acelerou devagar, descendo a rampinha da garagem.

Parei com a chave na porta. Terça-feira. Terça-feira é a folga dele no pub. Ele não tava indo pro trabalho. Uma curiosidade mórbida bateu. Pra onde aquele homem ia às onze da noite, na folga, com a cara séria daquele jeito? Será que ia encontrar a Stella? Ou ia fazer programa na beira-mar de novo?

— Fica olhando pro marido dos outros não, sua safada — Caio me deu um empurrãozinho no ombro, destrancando a porta e entrando na sala.

Dei uma última olhada na luz vermelha da lanterna traseira da moto sumindo na rua, e entrei em casa. Fechei a porta. O que o Ykaro fazia da vida não era da minha conta. Eu já tinha os meus próprios problemas amorosos pra gerenciar, e uma jockstrap vermelha na minha imaginação que merecia muito mais a minha atenção antes de dormir.

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