Eu nunca pensei que um dia ia me acostumar com isso. Mas aconteceu. Aos poucos, sem eu perceber, sem eu admitir em voz alta. Virou rotina. Virou normal. E o pior: virou o que eu mais esperava toda semana.
No começo, cada coisa nova me fazia chorar de vergonha. O cuspe na cara era humilhante — quente, viscoso, escorrendo pelo rosto enquanto ele ria e me chamava de “vadia babada”. Eu limpava com as costas da mão, tremendo, mas ele segurava meu pulso e me obrigava a deixar secar. “Deixa ficar, cadela. É marca minha.” Depois de umas semanas, eu nem limpava mais. Quando ele cuspia, eu abria a boca por instinto, recebia na língua, engolia sem reclamar. O gosto salgado virava familiar. Quase reconfortante. Eu chegava em casa com o rosto seco de cuspe e mijo misturados, e em vez de correr pro banho, ficava um tempo olhando no espelho, sentindo o cheiro dele ainda na pele. Meu corpo respondia sozinho: os mamilos duros, a buceta latejando. Eu me tocava devagar, revivendo o momento, gozando só de lembrar.
O mijo foi pior no início. A primeira vez que ele mirou na minha cara e soltou o jato quente, eu engasguei, tossi, chorei. O cheiro forte invadia tudo, o gosto amargo descia pela garganta. Eu me sentia suja de um jeito que nem imaginava possível. Mas ele me segurava firme, me fazia engolir parte, lambia o resto do meu rosto como se fosse um presente. “Você ama ser meu mictório, né? Admite.” Eu negava com a cabeça, mas meu corpo traía: as coxas tremiam, a umidade escorria. Depois da terceira, quarta vez, eu parei de resistir. Quando ele dizia “Abre a boca, puta”, eu abria. Recebia o jato na cara, na boca, nos seios. Engolia o que caía dentro, deixava o resto escorrer pelo corpo como se fosse óleo de massagem. Virou parte do ritual. Todo sábado, no meio da sessão, ele parava, se posicionava em cima de mim e mijava. Eu ficava de joelhos, olhos fechados, boca aberta, sentindo o calor, o cheiro, o gosto. E gozava só com isso — sem toque, sem pau dentro de mim. Só com a humilhação de ser usada como privada humana.
Limpar o pau sujo de merda… Deus, isso me quebrou de um jeito diferente. A primeira vez eu vomitei quase na hora. O gosto terroso, amargo, misturado com o dele. Chorei tanto que ele riu mais ainda. Mas ele me forçou: segurava minha nuca, enfiava devagar, me fazia lamber cada centímetro até ficar limpo. Depois da segunda vez, eu parei de vomitar. Na terceira, eu lambia com mais calma, rodando a língua na cabeça, descendo pela vara, engolindo tudo sem engasgar. Virou automático. Quando acontecia — e acontecia de vez em quando, porque meu intestino nem sempre cooperava —, eu não hesitava mais. Ele saía do meu cu sujo, colocava na minha frente e eu abria a boca sozinha. Limpava com devoção, como se fosse um dever. Ele me elogiava depois: “Boa cadela. Sabia que você ia aprender a ser útil.” E eu… eu sentia um orgulho doentio. Meu clitóris pulsava só de ouvir isso.
Os socos na costela vieram mais tarde. Ele não batia pra machucar de verdade — era controlado, mas doía o suficiente pra me deixar sem ar por segundos. Um soco firme na lateral do corpo enquanto me fodia de quatro, outro no meio das costas quando eu estava amarrada. A dor explodia, o ar fugia, eu arquejava, lágrimas escorrendo. Mas logo depois vinha o prazer: o corpo liberava endorfina, tudo ficava mais intenso. O pau dentro de mim parecia maior, mais fundo. Eu gozava mais forte depois de cada soco. Ele percebia e aumentava: “Toma, sua masoquista. Goza com dor.” E eu gozava. Chorando, gemendo, implorando com os olhos pra ele bater de novo.
Tudo virou normal. Cuspe na cara? Normal. Mijo quente escorrendo pelo corpo? Normal. Lambendo merda do pau dele? Normal. Soco na costela enquanto ele me fodia até o talo? Normal. Eu não pedia mais. Não resistia. Quando ele chegava, eu já me ajoelhava sozinha, mãos atrás das costas, boca aberta, esperando o que viesse. Ele me amarrava, me chicoteava, me usava, me humilhava, e eu aceitava tudo em silêncio. Meu corpo se entregava antes da mente. Meu silêncio era a minha rendição total.
Eu ainda ia à igreja todo domingo. Ainda sorria pras irmãs, ainda cantava os hinos, ainda lia a Bíblia com Rogério antes de dormir. Mas por dentro… por dentro eu carregava as marcas dele. As vermelhidões nas coxas escondidas pela saia longa, o gosto residual na boca, o cheiro de urina que às vezes eu sentia no cabelo mesmo depois de lavar. E toda vez que o pastor falava de “pecado” e “redenção”, eu apertava as coxas uma contra a outra, sentindo a umidade crescer.
Porque eu não queria redenção.
Eu queria o próximo sábado. Queria mais cuspe, mais mijo, mais dor, mais humilhação.
Queria ser a cadela dele. Pra sempre.
E nunca ia admitir em voz alta.
Mas meu corpo já tinha gritado tudo.