Eis que chega o dia da festa. Helena comenta com Lucas.
- Filho, vai ter uma festa junina na casa de Karina. A mãe dela convidou o Marcelo e vou com ele como companhia. Está a fim de ir?
- Ah, não, mãe, não tô afim.
- É por causa da Karina? Não sei se ela vai estar lá. Possivelmente. Não quer ir, se divertir um pouco?
- Não, não acho uma boa ideia... não tenho falado com ela, aliás, tem um tempão que não entramos em contato. Não vejo razões pra ir. Tô de boa, se ela estiver lá, diga que mandei um abraço.
- Ok, ok... não vou insistir.
Marcelo buscou Helena e foram. Ao chegarem lá, foram recebidos pelo casal, que ficou boquiaberto ao perceber quem era a nova namorada de Marcelo.
- Meu Deus!!! Ganhamos a noite!!! Helena!! É você a felizarda!
- Oi, Ângela, olá, Ferdinando! Pois é, o mundo dá voltas!
- Caramba! E vocês se conheceram na nossa casa! Entrem, entrem! Queremos saber cada detalhe desse babado!
Todos estavam a caráter, com trajes caipiras, chapéus, maquiagens e demais adereços que lembram as celebrações daquela festa rural. Já haviam algumas pessoas, mas não estava cheio.
- Sentem-se! Daqui a pouco chega mais gente.
- Como vai Karina?
- Está bem, já já ela desce com a turma
Minutos depois desce Karina de mãos dadas com Luan. Ao avistar Helena de mãos dadas ao lado de Marcelo, ela foi correndo falar com ela, entusiasmada.
- Dona Helena! Que surpresa!! Nossa!
- Tudo bem, Karina? Nossa, você está linda, toda elegante de maria chiquinha.
- Marcelo???! Não me diga que... Meu Deus! Vocês... ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, que lindoooooooooo!!
E abraçou os dois ao mesmo tempo, pulando. Karina já era quase uma adolescente quando Marcelo passou a frequentar sua casa.
- Nossa, que notícia boa! Que coisa... estão juntos há quanto tempo???
- Uns 3 meses, né, amor?
- Isso, uns 3 pra 4 meses. Nos conhecemos aqui, naquela festa de Natal, lembra?
- Sim, sim... Mas, desde então vocês... não entendi direito...
- Eu levei Helena em casa naquele dia, lembra? Então... no ano seguinte, estive com ela na Receita Federal, contei dos perrengues, da doença de minha ex... depois liguei pra ela quando me divorciei. Enfim, ela ligou há 3 meses, marcamos, saímos, e estamos aqui pra comemorar essa festa com vocês.
- Ahhhhhhhhhhh, que ótimo! Nossa, muito feliz mesmo! Helena, Marcelo é um tio pra mim, ele frequentava nossa casa com a ex-mulher.
- Sim, eu sei, todos se conheciam antes de mim.
- Bem, esse é o Luan, meu namorado. Luan, essa é a mãe do Lucas. Talvez você nem lembre dela.
- Ei... você frequentou minha casa???
- Poucas vezes, pra fazer trabalho de escola. Acho que vi a senhora uma vez, talvez...
- Vocês estudaram juntos???
- Sim, andavamos juntos, eu, o Lucas e ele. Ele saiu da escola enquanto eu e o Lucas namorávamos. Bem, conto melhor depois.
Nisso, descem Zeca e Michele de mãos dadas. Mais surpresas a vista.
- Dona Helena! A senhora por aqui!
- Zeca??
- Puxa, que surpresa. Como vai? Lucas não veio???
- Não, vim com Marcelo, meu namorado. Ele é amigo da família. Marcelo, esse é nosso vizinho, Zeca. Nunca mais lhe vi, menino!
- Saí de lá, tem dois anos. A senhora parece que estava viajando, foi logo no início da pandemia.
- Nossa, o Lucas nem me disse nada. Também, nem perguntei.
- Oi, tia... não tá lembrada de mim?
Helena estava olhando pra Michele tentando reconhecer.
- Ei, você não é... Natasha? A enteada de... nossa, é você mesma!
- Michele! Sim, sou a “irmã” do Lucas! Eu cheguei a almoçar lá uma vez, tem uns anos. Eu encontrei o Lucas na praia algumas vezes e em outra vez a senhora apareceu por lá, ficamos conversando.
- Menina! Essa é a noite dos encontros inusitados!
Todos se reuniram pra ouvir Helena contar como a coisa se desenrolou, mas ela também estava curiosa sobre o romance de Karina com Luan.
Helena: Quer dizer que vocês estudaram juntos no ensino médio?
Karina: Sim, nos conhecemos no primeiro ano, e passamos a formar nosso grupinho, nós três, e nos reuníamos aqui em casa pra estudar juntos, nessa época morava só. No ano seguinte eu e Lucas começamos a namorar e no fim daquele período o Luan mudou de colégio e sumiu.
Luan: eu era obeso, sofria bullyng, só o Lucas e a Karina colavam comigo. No segundo ano, minha família mudou de cidade e tive que ir junto. Não tinha rede social porque não tinha nada pra postar e não ficar lendo gracinha. Daí, me esforcei pra perder peso e quando consegui, malhei bastante, me dediquei a mudar meu corpo e estilo de vida. Fiz minha rede social pra mostrar minha mudança e me tornei modelo de suplementos. Daí, retornei pra cá, fui fazer umas fotos e quem era a fotógrafa?
Karina: Pois é, quando nos encontramos ficamos admirados como estávamos mudados. Nossa, o Luan tava muito gato!
Luan: Eu já nutria admiração por ela, por ser uma menina legal, mas também fiquei fascinado como ela estava com corpo impecavelmente cuidado, mudado, estava com longos cabelos soltos, um arraso!
Karina: Fizemos as fotos, saímos pra contar as novas, ficamos um encantado pela transformação do outro, e daí foi um pulo pra gente se pegar. Quando fui apresentar ele à minha mãe, a senhora estava com ela na praia, lembra? Vocês participaram de uma corrida. Quando vi a senhora, fiquei sem graça, pois eu ia dizer que era um ex-colega e explicar aquilo naquele momento ficaria complicado.
Helena: ah, sim, entendi. Notei que você não esperava me ver lá.
Karina: Pois bem, eu ia procurar o Lucas pra comunicar isso, juro. Mesmo não estando muito próximos, devido ao corre da vida, era meu dever contar a ele o que estava acontecendo.
Luan: Lucas era muito brother, mas quando sai da escola não nos procuramos e vida que segue. Quando começamos a namorar, fiquei meio sem jeito de falar com ele. Não o via há alguns anos e encontrá-lo após namorar com a ex dele ficaria meio esquisito. Até hoje não o procurei.
Helena: Entendo perfeitamente, mas o estranho é que ele nunca comentou nada comigo! Pelo que eu lembre, não falei a ele que vi vocês na praia, e aí ficou esse desencontro, ele também não quis conversar nada sobre isso. Agora entendo porque ele ficou receoso de vir, acho que... pode não ter superado, não sei.
Karina: Sei que pode parecer chato, mas passaram tantos anos! Sim, nos afastamos, mas o Zeca sempre tentou chamá-lo pra gente se encontrar sem mágoa, na boa, mas ele não dava bola...
Helena: Por falar nisso... e você, Zeca? Como está namorando a Michele?
Michele: Eu o vi uma vez jogando vôlei quando fui na praia com o Lucas, fiquei interessada, mas na época era muito nova, ele não me deu bola. Anos depois, fui a um barzinho com minha prima, falei com o Lucas para aparecer e ele estava lá com um amigo. Quando chegamos lá, o amigo era o Zeca. Fomos dançar, rolou um clima e daí foi um pulo pra gente se pegar na pista. Desde então, estamos juntos, e lá se vão dois anos e meio!
Helena: Puxa, o Lucas nunca me falou isso! Não somos de fofocar, você foi lá em casa uma vez, nunca tivemos qualquer proximidade, mas não custava nada ele me dizer que vocês estavam juntos.
Zeca: Nesse dia, a prima da Michele estava esperando o namorado, daí ele não quis ficar “segurando vela”, então ele caiu fora logo. Olha, desde então, não me recordo ter encontrado ele lá na rua, quando vou visitar meus pais.
Helena: Olha, não somos de fofoca, praticamente não conversamos sobre isso, mas não tinha nada demais ele comentar sobre isso.
Karina: Nós encontramos eles na praia ano passado, reconheci o Zeca, logo depois me dei conta de que a garota que estava com ele era “irmã” do Lucas. Desde então estamos inseparáveis. Acho que o Lucas sentiu que estava sobrando, algo assim, que não fez com que ele colasse com a gente. Uma pena.
Zeca: Nesse dia do encontro, mandei uma foto nossa pra ele e até hoje ele não respondeu. Respeitei que ele não quer muito papo e desde então... não temos nos falado muito.
Helena: Nossa, estamos todos alvissareiros hoje. Vamos brindar esse encontro!
E todos brindaram. Os demais convidados foram chegando e a festa foi rolando. Um trio nordestino estava animando todos, que dançaram, formaram quadrilhas, beberam, comeram, deram vivas a São João, uma diversão só. Teve fogueira, fogos, rodas animadas, brincadeiras, risadas, e muita curtição. Uma noite inesquecível.
Na hora das despedidas, muitos abraços, todos repartindo o brilhantismo daquele evento, lamentando o fim da noite, e prometendo mais festança dali em diante.
Helena: Nossa, Marcelo, que delícia de festa! Como curti! Há tempos precisava dessa animação toda depois de tanta tragédia sanitária.
Marcelo: Ângela e Ferdinando são especialistas em festa, desde que frequento a casa deles, é uma melhor que a outra.
O casal foi pra casa feliz e treparam o resto da madrugada.
No outro dia, Helena estava em casa conversando com Lucas.
- Você perdeu, filho, a festança de ontem. Superou e muito aquele Natal. Tive algumas surpresas... o namorado de Karina foi seu colega no ensino médio e chegou a frequentar aqui em casa. Ela lhe procurou pra falar sobre isso e você nem comentou nada.
- Ah, pra que? A senhora não conheceu ele e eu nem iria adivinhar que você ia namorar alguém ligado à família dela pra ficar contando isso.
- Ora, mas foi algo bem inusitado. Ela reencontrou alguém que vocês conheciam. Isso é bem incomum. Outra coisa: você também não disse que o Zeca estava namorando sua “irmã”. Eles estavam lá também, e estavam bem íntimos da Karina e do Luan.
- Não achei importante falar... nem estou falando tanto com ele assim, ele se mudou, acho que sobre isso eu falei.
- É que... os laços criados acabaram unindo pessoas do seu convívio, e... bem... eu achei, e eles comentaram por alto, que isso possa ter lhe chateado... Daí você ter se afastado de todos.
- Bom, eu não me afastei, na verdade, todos estavam iniciando o namoro e quando isso acontece todo mundo quer espaço. Veio a pandemia, não sai pra canto nenhum, o negócio entre eles parece que rendeu bastante, e não tinha porque eu ficar acompanhando eles.
- Mas veja... Zeca lhe procurou pra você participar de algum programa com eles e você não deu retorno, segundo ele. Não é porque eles se acertaram que você não possa continuar interligado. Entendo seu lado, mas também não precisa cortar amizade por isso.
- Não cortei amizade, só está momentaneamente cada qual do seu lado. Vou terminar o curso fim do ano, essa porra dessa pandemia me atrasou um bocado, e isso sim me chateou. Não tem nada a ver com eles.
Helena não quis seguir, ele tinha suas razões, até pertinentes. Mas para ela, ele ainda não tinha superado totalmente Karina. E parece que estava receoso em encarar isso, ainda mais que Zeca e Michele vem reforçando esse vínculo.
Passado um mês, Marcelo e Helena estavam na cama, conversando no pós-foda, quando Marcelo lhe falou:
- Você nunca me perguntou como conheci Ângela e Ferdinando.
-Verdade. Parece que vocês se conhecem há anos.
- Não há tantos anos assim. Eu e minha ex estávamos num momento ruim e começamos a conversar sobre apimentar a relação, esses papos de quem sente que a coisa tá desandando. Disse a ela que já havia feito troca com uma ex-namorada, quando estava iniciando a faculdade, nós e um outro casal colega. Gostei muito e fizemos mais uma vez e até uma surubinha rolou com demais pessoas. Ela ficou curiosa sobre a troca e combinamos de ir a um clube de swing. Lá chegando, quem foi o casal que nos recepcionou?
- Mentira???? Sério???
- Seríssimo. Os dois foram bem atenciosos, já frequentavam aquele lugar há tempos, veteranos. Naquela noite, apenas rolou papo. Marcamos depois. Simpatizei com eles logo de cara, dois artistas, bem desencanados. Adiantando as coisas, rolou apenas numa viagem, os dois casais num mesmo quarto de pousada. Foi deslumbrante, prazeroso demais. A partir daí, nos tornamos amigos, frequentávamos a casa deles. Ficamos tristes quando eles anunciaram que iam passar um tempo na Europa. Então, continuamos a busca por outros casais, minha ex estava encantada, não queria parar, eu também não, a coisa vinha dando certo. Procuramos casais via net, encontramos alguns, até que marcamos com um e nos conhecemos. Levou meses pra que isso ocorresse. Rolou menos empatia que com Ângela e Ferdinando, mas fomos em frente. Na hora da transa, a mulher do cara passou a gemer bastante e foi fazendo um escândalo. Estranhei, o marido dela reclamou, minha ex também, e aí começou uma indesejável discussão.
- Nossa, que horror!
- Fomos embora antes que a coisa piorasse, chegamos em casa e minha ex deu razão ao marido dela, não concordei, e acabamos brigando. Resolvemos parar, mas o clima voltou a ficar ruim, como antes de partimos pra essa aventura toda. Depois de um ano e meio, minha esposa pediu pra que retornássemos, tentássemos novamente. E lá fomos, procuramos um casal e nos encontramos. Tá lá rolando e aconteceu o inverso da última vez: minha ex começou a gemer, falar que o cara era um gostoso, e falando os maiores absurdos eróticos, uma palhaçada. Não arrumei confusão, saímos de lá com o cara pedindo desculpas a mim. Chegamos em casa e o pau quebrou. Falei que aquilo foi infantilidade, que ela queria se vingar da outra vez, ela jogava na minha cara que eu tinha que aprender como se comportar nessas horas, ou seja, ela criou caso sem necessidade. Daí a relação foi ladeira abaixo. Ângela e Ferdinando retornaram ao Brasil, nos convidaram praquela festa de Natal e fiz questão de ir sozinho. Parece que estava escrito nas estrelas, foi naquele dia que lhe conheci. Os resto você já sabe.
- Caramba, sua ex foi bem rabugenta. Ela ficou com aquele episódio que a outra gemeu com você e calculou uma vingança. Foi isso mesmo?
- É, aquilo mexeu com ela, mas acredito que ela não quis retornar pra dar o troco, ou algo assim, na hora lá que ela se entusiasmou e aí sim falou aquelas coisas pra eu “sentir o drama” do que havia ocorrido a primeira vez. Foi meio que uma justificativa que ela deu.
- Com Ângela e Ferdinando não rolava essa gemedeira também??
- Sim, mas a química com eles existia antes das trocas, então a coisa era bem gostosa, e como eles eram muito amigos e desencanados, isso não incomodava ela. Minha ex e Ângela eram muito amigas. Nem sei se ainda se falam.
- Agora fiquei curiosa: você pretende... retornar... essas coisas... com eles de novo??
- Minha intenção ao contar isso a você foi pra deixar você a par de tudo, não foi pra plantar sementes na sua cabeça.
- Eu sei, tô brincando. Mas... sente alguma... vontade... de estar comigo... nessa?
- Nossa relação ainda está se fortalecendo, cedo demais pra tocar nesse tipo de assunto. Comigo e minha ex foi após 12 anos de casório.
- É que... você me contando isso agora, fiquei pensando também como minha vida sexual sempre foi uma merda, eu praticamente só engravidei do Lucas quando me relacionei com o pai dele, e depois era tudo meio frio, sem sal, tanto que nem me lembro de boas transas naquela época. Depois cuidei dele e a vida sexual era sempre secundária. Me dediquei muito a estudar, conseguir um emprego digno e toda sexualidade me escapou. Você quem resgatou isso, eu já passando dos 40! Então, quando eu perguntei se você se sentiria disposto a fazer isso comigo é porque se você quiser retomar velhos hábitos... eu não vou me opor.
- Nossa, isso é que é uma companheira! Se a Ângela gemer muito você vai aceitar de boa?ahahahahahahahha
- Não só aceitaria como mandaria o Ferdinando mandar ver pra descontar, sou competitiva!! ahahahahahahahah
- Ah, não sei se você notou também, mas aqueles jovens me parecem bem alinhados nesse ponto...
- Será? Olha, achei eles bem sintonizados! Puxa... pode ser, viu? Uau! Faz sentido o que você tá dizendo.
- Eu não tenho nenhuma dúvida. Sempre achei a Karina bem pra frente, era solitária, verdade, mas muito sagaz. E aquela moça, meio parente do Lucas, bem assanhadinha... Eles se dão bem, os rapazes ali parecem corresponder os anseios delas e vice-versa.
- Hum, que safados! Não perderam tempo, ahahahahahah...
E nessa brincadeira, partiram pra mais uma, dessa vez com o fogo de uma fantasia até então distante.
No outro dia, havia mais uma novidade sobre Ângela e Ferdinando.
- Hum, não lhe falei ontem... todo mês de setembro, eles abrem a casa para rodadas de jogos... rola truco, poker, blackjack... depois rola uma discoteque.
- O que? Você está falando pra uma funcionária da Receita sobre jogatina??? Está louco?
- Ah é? E se eu falar que aparecem funcionários da prefeitura por lá? Vai prender quem, senhora?
- Ahahahahahahah... eu não tenho costume disso... eles abrem um cassino, é isso?
- Não chega a tanto, são jogos de apostas, rola dinheiro, mas só no pix, ahahahahah... não é pra lavar não, é mais por diversão mesmo.
- Seu Marcelo, seu Marcelo... olha lá onde você vai me meter, não quero ser presa pelos meus colegas da Polícia Federal!
- Tudo bem, você só vai sair no jornal, sem algemas, ahahahahah... não é nada demais, quem sabe você não ganha uns extras?
- Vou só pela discoteca! Adoro dançar!
Dois meses depois, lá estavam eles pra mais um evento na casa de Ângela e Ferdinando. No início, Helena ficou só observando, mas logo depois entrou na onda, já que todo mundo estava entretido na jogatina. Rolou bingo também, prêmios, muita algazarra, zoeiras, comemorações de conquista, e “plins” de pix em alta. Logo depois, a galera foi pra uma pista improvisada próximo à piscina e a esbórnia rolou solta. Todos dançando com todos, passos atrevidos, concurso de dança, e muita, muita cantoria. Helena se esbaldou, juntamente com Ângela, Karina, e Michele, as mais animadas.
Fim de festa, despedidas com muitos abraços. Helena saiu de lá mais uma vez maravilhada.
- Nossa senhora, se toda festa fosse assim como as que acontecem nessa casa, uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
- Tô dizendo a você. Ângela e Ferdinando são especialistas nisso.
- Meu Deus, tô acabada aqui. Que noite, que noite!!! E as meninas hein? A Karina e a Michele estão bem afinadas. Os rapazes, dois pés de valsa, na cadência. Nossa, eles fazem um belo quarteto!
- Troca sexual é assim. Quando não tem besteira, ninguém anda, só flutua, ahahahahaha...
- Eita!! Assim fico mais interessada, ahahahahahahah...
Helena e Marcelo começaram a treinar pra mais uma corrida com Ângela e Ferdinando. Eles também foram a um show da dupla, antes de rolar um coquetel num luxuoso hotel. Fim de ano se aproximava, Lucas finalmente apresentou o TCC e se graduou. Não quis festa de formatura, nem nada disso, apenas um almoço com a mãe.
Lucas também começou a se engraçar com Taylane, social media da contadora onde estagiava e passaria a trabalhar fixo. Ela não aparecia no escritório, tinha função home-office, prestando serviço, mas Lucas tinha constantes contatos online. Marcaram de se encontrarem e a coisa evoluiu. Em alguns encontros, ela ia com um fone de ouvido. Só depois ele entendeu o porquê... Começaram a namorar. Helena ficou feliz da vida.
- Nossa, filho, traz ela pra almoçar aqui, pra gente conhecer!
- Vou sim, mãe. Ela é meio retraída, mas estou gostando muito dela.
Taylane finalmente foi conhecer a sogra, digamos assim. Tinha 21 anos, simpática, morena, cabelos cacheados, usava óculos de grau forte, magra, não tinha tantos atributos. Começaram conversar até que Helena comentou:
- Taylane, eu e o Marcelo temos um grupo de amigos que geralmente fazem festas na casa deles. O Lucas os conhece, eles tem uma filha que estudou com o Lucas e mais um rapaz que foi nosso vizinho e está namorando uma enteada do pai do Lucas, ou seja, um monte de gente amiga. Natal eles farão uma grande festa e gostaríamos que você frequentasse. Seria muito bem vinda.
Lucas balançou a cabeça negativamente, como se dissesse “pra que ela foi falar nisso...”. Educada, Taylane revelou um problema que a impediria de ir.
- Agradeço o convite, mas receio que não poderei ir. Tenho sensibilidade auditiva, e não me sinto confortável em ambientes onde há muita conversaria, música alta, enfim, muito barulho. Como a senhora falou em festa, imagino que terá muito ruído, então não me sentiria à vontade. Lucas está ciente dessa minha condição.
Foi um balde de água fria em Helena. Ela estava querendo justamente que Lucas voltasse a se envolver com antigos amigos. Não escondeu a cara de decepção.
Mais tarde, lamentou com Marcelo, quando estavam a sós.
- Puxa, fiquei animada quando Lucas começou a namorar essa moça, achei que ela o incentivaria a reencontrar velhos amigos, mas o efeito vai ser o inverso. Ele ficará mais isolado.
- É uma pena mesmo. Ela jamais poderia ir, imagine se ela chega lá e encontra aquela algazarra toda, som nas alturas, gente falando alto, bebedeira...
- Vixe, ela ia ligar pro manicômio, ahahahahahaha... mas falando sério, eu e Lucas nunca tivemos tão afastados. Quando aparece uma chance de reativar nossos laços, ocorre esse empecilho.
- Desde que começamos a namorar, vejo-o bem pouco. Agora que ele se formou, vai construir sua carreira, seguir a vida dele, a tendência é ele ficar mais deslocado.
- Ao mesmo tempo que fico feliz dele se tornar independente e tomar o rumo dele, queria muito que ele se enturmasse mais, ficasse mais sociável conosco. Paciência...
Verdade que Helena finalmente estava aproveitando mais, estava amando e radiante com os proveitos que apareciam, enquanto Lucas ficava cada vez mais macambúzio percebendo que seus antigos colegas, vizinho, e “irmã” formavam um elo estável. Parecia que ele queria provar pra si que poderia também evoluir afetivamente com outras parcerias. Ao namorar com uma garota que estava numa outra vibe, queria mostrar que não dependia de velhas companhias pra se dar bem, de outro jeito.
(continua...)