Mais tarde, recebi duas mensagens. A primeira era da Vanessa, querendo conversar; a segunda, da Yara: "Adorei a loucura de hoje". Respondi a ambas. Para Yara, enviei apenas um emoji de berinjela; para Vanessa, perguntei quando poderíamos nos falar. Ela sugeriu sábado, e eu confirmei.
Por volta das dez da manhã, Letícia chegou contando entusiasmada sobre a viagem com os amigos. Eu estava morrendo de sono, mal conseguia processar o que ela dizia. Jaque também não parava de bocejar.
— Nossa, vocês nem estão prestando atenção! — Letícia reclamou. — Parece que passaram a noite em claro.
— E passamos — respondi com honestidade.
Letícia fechou a cara imediatamente.
— Já até sei o que vocês fizeram. Vou para o meu quarto.
Não fiz o menor esforço para argumentar com a minha filha. O cansaço era maior que qualquer vontade de conversar. Me arrastei de volta para a cama e apaguei. Só fui despertar por volta das 16h, quando vi a silhueta de Letícia entrar no meu quarto e dizer:
— Se você continua comendo a própria filha, pelo menos põe para lavar o lençol!
Ela jogou sobre mim o lençol, ainda úmido devido à noite anterior. Levantei-me, coloquei tudo para lavar, mas o clima pesou: Letícia se trancou no quarto e de lá não saiu.
Na quinta, saí para trabalhar e ela permanecia isolada. Quando voltei, ela sequer olhou na minha cara. O gelo continuou na sexta. No sábado de manhã, Beth me ligou perguntando sobre a viagem para o Sul, marcada para o fim de março. Confirmei que sim, já estava com as passagens compradas. Ela confessou que as coisas com o Jorge não iam bem e que talvez não fosse o melhor momento para me receber, mas acabou insistindo para que eu fosse assim mesmo. Mal sabia ela que o meu foco era a Juliana.
À noite, fui a um barzinho encontrar a Vanessa. Ela estava sozinha. Sentamos e jogamos conversa fora até que ela tocou no assunto que realmente importava:
— Bom, o motivo dessa conversa é o que a sua filha disse...
— Sim, eu também ouvi — interrompi. — Falei com ela. A Jaque estava bêbada, peço desculpas por isso.
— Eu ainda estou sem entender. Ela queria que a gente transasse todo mundo junto?
— Deixa para lá essa conversa — tentei cortar, mas Vanessa não cedeu.
— Como que ela conseguiria envolver a Miriam?
— Vanessa, sério, esquece isso. Já conversei com ela.
— Não, eu preciso entender o que ela quis dizer — insistiu, o olhar fixo no meu. — Se você não me responder, eu mesma pergunto a ela.
Soltei um suspiro pesado. Ela não ia desistir.
— Tá, tá... sim. O objetivo era esse mesmo. Para falar a verdade, isso nem partiu de mim, eu nem sabia, mas a Jaque falou com essa intenção.
Vanessa absorveu a informação em silêncio por um momento.
— Entendi. Então seríamos nós quatro?
— Sim.
— E se eu aceitar... como faríamos?
Olhei para ela, pego de surpresa.
— Você... aceitaria?
— Sim, vocês já sacaram o meu interesse em Miriam em dois dias. Penso nisso o tempo todo: em como seria a gente junto e no que viria depois. Estou a um passo de contar até para a minha filha. Se houver qualquer chance de dar certo, eu estou dentro, não importa como.
— Dessa forma? Não precisa humilhar...
— Não que eu não queira, é que nunca imaginei que seria assim. No meu roteiro, éramos só eu e ela: algo mágico, com vinho, queijos e banho de espuma.
— É, gente rica joga em outro nível.
— Mas enfim, diz para a sua filha que eu topo.
Enquanto isso, a Vanessa pega a bolsa e se despede num gesto rápido.
— Já?, pergunto.
— Sim, tenho um compromisso agora, ela responde, saindo de cena.
Eu não consigo acreditar. Chego em casa e a imagem das três na minha cama não sai da minha cabeça, me forçando a bater uma punheta. À meia-noite, cruzo com Letícia na cozinha. Nossos olhos se encontram por um segundo, mas ela vira o rosto com desprezo e se tranca no quarto. O silêncio dela virou rotina naquela semana, e nem a Jaque escapou do desprezo da irmã. O clima estava pesado.
Na quarta eu aviso a Jaque sobre o sim de Vanessa. Ela abre um sorriso safado e diz:
— Deixa comigo agora, pai!
Sexta-feira, véspera da minha viagem para o Sul. Procuro uma camiseta perdida e acabo abrindo a porta do quarto da Letícia. Dou de cara com ela chorando.
— Filha? O que foi? Por que esse choro?
— Nada! Sai daqui, me deixa sozinha!
Sento na ponta da cama, sem pressa de sair. O peso do silêncio dela agora transbordava pelos olhos.
— Chega, Letícia. Está na hora da gente conversar.
— Eu não quero falar nada.
— Mas nós vamos falar. O que está acontecendo de verdade? Abre o jogo comigo.
— Ah pai. Preciso esquecer você e não consigo.
— Vem cá, vem. Me dá um abraço — pedi.
Ela me abraçou. Foi a primeira vez que senti algo que não era apenas carinho de pai ou desejo carnal; era algo novo. Beijei sua testa e a puxei de volta para o abraço.
— Mas Letícia, já dissemos que não podemos. Todo mundo saberia que somos pai e filha. Você é a minha cara.
— Podemos morar no interior, temos dinheiro guardado — ela insistiu. — Vendemos o apartamento, compramos um sítio longe daqui, talvez no Paraná. Tem cidades minúsculas, vi lugares que cabem no nosso bolso.
— E viveríamos de quê?
— A gente planta. Eu trabalho remoto. Passar fome a gente não vai.
— E a sua irmã?
— Se ela quiser, vem junto. Se você prometer ser meu homem, eu aceito dividir você com ela. Mas só com ela.
Fiquei em silêncio. Ela leu meu rosto e cortou o ar:
— Já sei a resposta. Melhor terminar sua mala.
— Aconteceram coisas que dificultam essa decisão — respondi.
— O quê? Que você comeu a tia e a Jaque? Você acha que eu não sei? A Jaque me contou. Por isso estou revoltada.
O segredo tinha acabado. Resignei-me:
— Aconteceu.
— Eu sabia que ia acontecer. Vi o jeito que a tia te olhou quando você chegou bêbado. Era questão de tempo, ainda mais com a Jaque, que adora uma putaria...
— E mesmo assim você quer levar isso adiante?
— Doeu saber, mas quero. Vou te fazer uma última proposta. Minha faculdade está acabando e eu vou sair de casa.
— Sair de casa? Não, você é nova, não precisa disso.
— Já está decidido. Vou te dar três meses. Até lá, você faz o que quiser. Coma a Jaque, a tia, quem for. Você é livre. Mas no dia 29 de junho, você me dá a resposta: se fica comigo ou não. E se ficar, será como marido e mulher. Vendemos tudo e sumimos. Só aceito a Jaque conosco, ninguém mais. A tia pode visitar, mas está proibida de tocar em você.
— Justo — respondi, processando o peso daquelas palavras. — Prometo que vou pensar. Se eu aceitar, você será minha mulher e será tratada como tal.
Ela me deu um abraço apertado. Saí do quarto com a cabeça girando. Por volta de uma da manhã, tentei dormir; às dez, meu voo para o Sul me esperava.
Minha programação era ficar duas semanas. Na primeira, nada de extraordinário aconteceu; eu saía apenas com Beth e Jorge, íamos em bares e restaurantes, e quase não via a Juh. No primeiro fim de semana, fomos à festa de um amigo da Beth e tudo parecia dentro da normalidade.
No entanto, o domingo trouxe o evento que mudaria tudo. Eu tinha saído sozinho para caminhar pelo centro de Gramado e, ao retornar, antes mesmo de entrar na casa, fui atingido por uma discussão acalorada:
— Você não me procura mais, não transa comigo! Estamos assim há três anos — gritava Beth. — Toda hora você vem falar em separação, mas esquece: eu não vou te dar o divórcio.
— Você me traiu, Beth! Com o motorista da sua empresa — Jorge rebateu, a voz carregada de mágoa. — Você acha mesmo que eu ia perdoar?
Por volta das 8h, a Jaque passou em casa para me levar ao aeroporto. O destino era Porto Alegre, com Gramado logo em seguida. Jorge e Beth já me esperavam no desembarque; meus olhos buscavam a Juh freneticamente, mas ela não fazia ideia de que eu estava ali.
Já eram 16h quando estávamos na casa da minha irmã. Entre um gole de chimarrão e outro, minha sobrinha apareceu. Ela veio direto em minha direção com um sorriso e me apertou em um abraço.
— Que bom que você veio, tio! Espero que a viagem tenha sido boa.
Antes que eu pudesse aproveitar o momento, vi um rapaz surgir logo atrás dela. Juh o apresentou com uma naturalidade que me cortou:
— Tio, este é o Léo. Meu namorado.
Foi um balde de água fria. Cumprimentei o sujeito por educação, mas minha vontade era dar meia-volta e ir embora. Todo o meu objetivo para aquela viagem era transar com a Juh, e agora tudo parecia desmoronar.
Eu ficaria duas semanas, mas a primeira passou sem grandes emoções. Saía com Beth e Jorge, quase não cruzava com a Juh. No primeiro final de semana, fomos a uma festa de um amigo da Beth; as coisas seguiam um ritmo normal, mas o incômodo ainda fervilhava por baixo da superfície.
No entanto, o domingo trouxe o evento que mudaria tudo. Eu tinha saído sozinho para caminhar pelo centro de Gramado e, ao retornar, antes mesmo de entrar na casa, fui atingido por uma discussão acalorada:
— Você não me procura mais, não transa comigo! Estamos assim há três anos — gritava Beth. — Toda hora você vem falar em separação, mas esquece: eu não vou te dar o divórcio.
— Você me traiu, Beth! Com o motorista da sua empresa — Jorge rebateu, a voz carregada de mágoa. — Você acha mesmo que eu ia perdoar?
— Eu me arrependi, Jorge.
— Problema seu — ele retrucou, frio.
— Eu não saio do casamento. Se quiser se separar, saia você.
— Eu não vou sair. A casa são dos meus pais, Beth!
— Eu te odeio, Jorge!
Ali, estático atrás da porta, eu entendi tudo. O problema não era o Jorge; era a traição da Beth. Fazia sentido ele não a procurar mais, por mais atraente que ela fosse. Entrei de fininho e, no mesmo instante, o silêncio se instalou. Eu estava ocupando o quarto de hóspedes e, ao me ver, Beth disparou:
— Paulo, vou dormir no quarto de hóspedes hoje.
— Tudo bem, Beth. Eu durmo na sala ou alugo um hotelzinho por aqui — respondi, sem jeito.
— Não, eu coloco um colchão no chão. Você não se importa, né?
— Imagina, a casa é sua. Eu durmo fora para não atrapalhar.
— Não mesmo, você é visita — ela insistiu.
— É, Paulo. Fica — reforçou Jorge, com um olhar cansado. — Não precisa sair.
— Tá bom. Mas eu faço questão de dormir no colchão no chão.
Aproveitando o clima pesado, chamei o Jorge:
— Jorge, podemos dar uma volta?
— Claro, cunhado.
Saímos e, longe dali, perguntei o que realmente estava acontecendo. Ele desabafou:
— Eu peguei sua irmã me traindo, Paulo. Pedi a separação na hora, mas ela não aceitou, disse que foi um erro terrível. Juro que tentei perdoar no primeiro mês, mas o encanto morreu. Paramos de ter intimidade, embora continuássemos morando juntos. Estou implorando pelo divórcio há oito meses, mas ela usa a Juh como desculpa. A menina já tem 23 anos, ela sabe que não estamos bem.
— Nossa, Jorge... eu não fazia ideia.
— Pois é. Eu sei que você é irmão dela, mas a Beth sabe que eu não escondo mais. Já estou com outra pessoa há um seis meses e, mesmo assim, ela não aceita o fim. Não quero levar para a justiça e forçar a barra em respeito à Juliana; seria traumático para ela. Mas não tem volta. Acredita que a sua irmã sugeriu até chamarmos essa pessoa que eu estou para um ménage?
— Sério? — perguntei, chocado.
— Sim. Não vejo a hora de sua irmã arranjar alguém e me esquecer. Não sinto mais nada por ela.
Voltamos. Naquela noite, ela de fato dormiu no quarto comigo: ela na cama e eu no colchão. Não aconteceu nada. Na segunda-feira, os dois saíram para trabalhar e eu fiquei sozinho. A Juh continuava sumida. Porém, ao cair da noite, a minha situação com a Beth começou a mudar drasticamente.
No meio do silêncio, acordei para ajustar o travesseiro. Ao levantar um pouco a cabeça, a visão me paralisou: a bunda deliciosa da Beth estava virada exatamente na minha direção. Tentei baixar a cabeça rápido, mas o barulho do colchão ou da minha respiração a despertou.
— Paulo? Tá tudo bem? — a voz dela soou baixa, sonolenta.
— Tá sim... Só estava brigando com o travesseiro — respondi, tentando disfarçar o nervosismo.
— Tá desconfortável aí embaixo, né?
— Um pouco.
— Vem, deita aqui do lado. A cama é de casal, tem espaço.
Ela se afastou para o canto, abrindo um lugar para mim. Deitei ao lado dela, mas o sono sumiu instantaneamente. Cada centímetro daquele colchão parecia queimar, enquanto minha mente voltava obsessivamente para a aventura que tivemos com Vanessa e Gabriel um ano antes. Mas não aconteceu nada naquela noite.
Na terça-feira, a cena se repetiu. Dormimos na mesma cama, dividindo o mesmo lençol, mas o silêncio entre nós estava carregado de coisas não ditas.
Mas ao chegar quarta a situação começa a sair do controle. Eram cerca de três da manhã quando despertei, ainda meio grogue de sono. A primeira coisa que meus olhos focaram foi o contorno do corpo da Beth, com as curvas voltadas exatamente para mim. Num impulso que nem eu mesmo soube explicar, decidi abraçá-la por trás, deixando meu pau ficar bem no meio da sua bunda.
No início, meu pau estava mole, mas a proximidade física mudou tudo. Beth permaneceu em silêncio absoluto, não se moveu para se afastar. Senti meu corpo reagir, endurecendo contra ela, e foi então que percebi o sinal: em vez de recuar, ela deu um leve empurrão para trás, ajustando-se para senti-lo melhor.
O coração disparou e, num misto de receio e surpresa, acabei me virando para o outro lado. O resto da noite passou em um silêncio carregado, mas, fisicamente, não aconteceu mais nada..
Na quinta-feira, a Juliana veio com a proposta:
— Tio, amanhã é minha folga. Vou te levar para conhecer o Largo Negro.
Recebi o convite sem muito entusiasmo. Na minha cabeça, o namorado dela certamente estaria incluído no pacote, transformando o passeio em algo que eu não tinha o menor interesse em participar. Assenti, mas por dentro a empolgação era nula.
A noite caiu e, por volta da uma da manhã, fomos nos deitar. Notei um detalhe que não passou despercebido: ao contrário das noites anteriores, Beth usava apenas um short leve, claramente sem nada por baixo.
O sono veio, mas a madrugada reservava outro despertar. Às três da manhã, abri os olhos e lá estava ela, novamente com aquelas curvas voltadas para mim, como um convite silencioso. Decidi testar o terreno e a abracei, encaixando meu corpo ao dela. No mesmo instante, um suspiro forte escapou dos lábios de Beth. Ela estava acordada.
Ficamos assim, em um silêncio carregado, por mais de vinte minutos, até que ela se virou bruscamente, ficando cara a cara comigo no escuro.
— O que você está fazendo? — perguntou, a voz num sussurro baixo.
Fingi despertar naquele momento, abrindo os olhos devagar.
— Nossa... desculpa. Eu devia estar sonhando.
— Ah, é? — um sorriso contido pareceu surgir no rosto dela. — Então o sonho devia estar muito bom, porque seu pau está completamente duro.
Tentei recuar, mas ela me impediu antes que eu pudesse me afastar.
— Pode continuar — ela disse, puxando meu braço de volta. — Quero dormir de conchinha. Faz tempo que não sinto alguém assim.
E assim passamos o resto da noite: colados, sentindo o calor um do outro, em uma conchinha que de "inocente" não tinha absolutamente nada.
Era sexta-feira, e pela primeira vez a Juh estava em casa logo cedo. O aviso veio direto, durante o café da manhã:
— Tio, vamos sair daqui ao meio-dia. Esteja pronto.
— Tá bom, Juh — respondi, tentando esconder a curiosidade.
A Beth saiu para o trabalho, deixando um rastro de tensão silenciosa da nossa madrugada no ar. Fiquei na sala com o Jorge; como ele trabalhava em casa, passamos o tempo conversando até o relógio marcar a hora combinada.
Meio-dia em ponto, a Juliana surgiu na sala. Ela vestia uma calça de lycra que não deixava nada à imaginação, moldando perfeitamente as curvas que eu tanto desejava.
— Vamos, tio? — perguntou, com um brilho no olhar.
— Vamos.
Assim que entramos no carro e fechei a porta, a pergunta que estava engasgada saiu quase que por instinto:
— Seu namorado não vai com a gente?
— Vai tio. Ele vai nos encontrar as 13:30h
O silêncio dentro do carro era denso, mas logo percebi que o Largo Negro não era o nosso destino. Juliana pegou a estrada e, após trinta minutos de asfalto, manobrou para dentro de um motel de beira de rodovia. No guichê, ela foi direta, sem hesitar:
— Uma hora, por favor.
Eu mal conseguia acreditar. O objetivo da minha viagem estava, finalmente, a um passo de se concretizar.
Entramos no quarto 32. Era uma verdadeira espelunca: o espaço cheirava a mofo, com uma TV de 32 polegadas pendurada na parede e uma daquelas minigeladeiras barulhentas, estocada com cervejas de origem duvidosa. Assim que entramos, Juliana bateu a porta e se virou para mim.
— Pronto, tio. Está na hora de você ter o que veio procurar.
Fiquei paralisado pela audácia dela.
— Como você sabe que é isso? — perguntei, tentando recuperar o fôlego.
— Eu não sou trouxa, né? — Ela deu um sorriso de lado, sem desviar o olhar. — E tem mais: a Jaque me mandou mensagem perguntando se a gente já tinha se pegado. Eu disse que sim, mesmo sem a gente ter feito nada ainda. Achei melhor cumprir a mentira logo de uma vez.
Eu me deito na cama e ela vem e começa a me beijar. No começo era algo mecânico, mas aos poucos ela foi se soltando. Ela sobe em cima de mim e minhas mãos vão diretamente na sua bunda. Sinto aquela maciez e falo:
— Gostosa!
— Ih tio, tem que ser uma foda rápida. O Léo vai estar nos esperando no largo daqui a uma hora.
— Sim, Juh. Vamos fazer algo rápido, mas gostoso.
— Voltamos a nos beijar com urgência. Fui apressando o passo, arrancando a camiseta e o short até ficar apenas de cueca. O clima no quarto abafado subiu instantaneamente. Juliana se posicionou sobre mim, roçando a boceta contra o meu pau, provocando:
— Está gostando, tio?
— Só ficaria melhor se você caísse de boca nele — respondi, a voz rouca.
— Ah, é? Quer que eu chupe esse pau gostoso?
— Quero.
Ela deslizou para baixo. Minhas mãos encontraram imediatamente aquela bunda macia enquanto ela descia minha cueca com calma. No instante em que me libertei, ela começou um boquete intenso. A boca dela envolvia tudo com uma vontade absurda, fazendo minhas bolas tocarem seu queixo a cada investida. Ela fez uma pausa rápida, lubrificou a mão e começou um movimento firme e ritmado.
— Nossa, como está duro... — ela murmurou, admirada.
— Ele sabe quando tem uma gostosa por perto — devolvi.
Juliana voltou ao trabalho, intensificando as subidas e descidas. O som úmido dos movimentos ecoava pelas paredes descascadas do quarto. No ápice do prazer, dei alguns tapas firmes em sua bunda, arrancando um gemido dela que misturava dor e excitação.
De repente, ela parou. Levantou-se, tirou a camiseta e revelou um sutiã rosa rendado que realçava tudo. Ela avançou novamente para um beijo molhado e profundo, mas, no momento em que as mãos iam para o fecho do sutiã, o toque estridente do celular dela cortou o ar.
— Puta merda... — resmungou ela.
Levantou-se em um pulo, alcançou o celular sobre a mesa e atendeu rapidamente, tentando controlar a respiração.
— Oi, amor? Tudo bem? — Fez uma pausa, ouvindo a voz do outro lado.
— Ah, que bom. Eu tô bem também. Tô aqui com o meu tio, estamos indo para o Largo. Paramos agora para almoçar, estávamos só esperando você sair para te encontrar.
Ela franziu o cenho, surpresa com a resposta.
— Agora? Tá... tudo bem. Deixa só a gente terminar de comer e já vamos ao seu encontro. Em trinta minutos? Combinado. Já, já chegamos aí.
Ela desligou o celular e respirou fundo, sentindo o coração ainda acelerado. Virou-se para o homem no quarto e sentenciou:
— Vamos, tio. O Léo vai nos encontrar em uma hora. Ele não pode nem sonhar que estamos aqui.
— Já? — perguntou ele, interrompido pela pressa dela.
— Já, tio. Agora!
O silêncio tomou conta enquanto vestiamos as roupas rapidamente. Em menos de cinco minutos, ja estavámos na estrada.
— Foi mal, tio... — murmurou.
— Relaxa — respondi, ajeitando o colarinho com um sorriso de canto. — Não quero atrapalhar o namoro de ninguém.
— O Léo não pode desconfiar de nada!
— Mas prometo que até domingo dou um jeito para terminarmos.
— Relaxa, Juh!
— Encontramos o Léo no largo, e fomos andar e depois tomar sorvete.
Na volta, no carro, Juliana diz: — Você viu como está o clima de casa?
— Percebi!
Eles acham que eu sou trouxa! — diz Juliana, virando em uma rua.
— Meu pai está com outra, tio — ela confessou, a voz carregada de tristeza. — Eles não fazem ideia de que eu sei sobre a traição da minha mãe. Mas ele mereceu. A gente sofreu demais na mão dele... Ele era um machista. Batia na gente por qualquer coisa. Só parou quando fiz quinze anos e ameacei denunciar.
— Eu não sabia dessa história, Juh.
— Pois é. Eu e a mãe sofremos muito. Um dia te conto os detalhes.
— Eu imagino — murmurei, com o rosto endurecendo. — Se eu soubesse que ele maltratava vocês, teria saído de São Paulo na mesma hora só para dar uma lição nele.
— Não precisa mais. Ele mudou nos últimos três anos, virou um pai decente. Acho que o choque de descobrir os chifres da minha mãe o transformou. Ela percebeu essa mudança e se arrependeu, mas agora é ele quem não quer mais nada.
— E o que você acha disso tudo? — pergunto, observando-a.
— Ah... acho que os dois erraram — ela sorriu de canto, um brilho perigoso no olhar. — Todo erro tem uma conta a pagar. Como eu e você aqui agora. Ou você e a Jaque. Ou a Jaque e a tia... No fim, a conta sempre chega para todo mundo.
Chegamos na casa da Juh, e seu pai estava fazendo um café. Ficamos conversando, embora tivesse com raiva dele. Mais tarde, durante o jantar, Jorge soltou o convite que parecia um xeque-mate:
— Cunhado, amanhã vou encontrar uns amigos. Você se importa de ficar aqui com a Beth amanhã à noite?
— De jeito nenhum, Jorge — respondi, mantendo a voz neutra.
— É o meu ritual — ele justificou, com um sorriso que agora me parecia falso. — A gente se junta para beber e jogar conversa fora. Coisa de homem, sabe?
— Sem problemas. Pode ir tranquilo.
Eu não entendia por que ele não me convidou, já que eu teoricamente fazia parte do "clube dos bolinhas". Mas, assim que ele se afastou, Beth se aproximou e sibilou no meu ouvido a verdade nua e crua: — Ele vai sair com a outra.
A madrugada chegou pesada. Por volta das duas da manhã, senti o lençol se mexer. A mão da Beth deslizou para dentro do meu short com uma agilidade perigosa, libertando meu pau. O toque era quente e urgente.
— Aqui não, Beth — sussurrei, segurando o pulso dela. — Seu marido está no quarto ao lado. Qualquer barulho...
— Eu estou com tesão — ela rebateu, a voz rouca, sem parar o movimento.
— Aqui não. Amanhã a gente dá um jeito.
— Promete? — ela parou, me encarando na penumbra.
— Prometo.
Finalmente, sábado. Meu penúltimo dia em Gramado. O dia passou sem sobressaltos, em uma calmaria que chegava a ser estranha. Porém por volta das 13h Juliana diz:
— Gente, alguns amigos virão aqui em casa essa noite!
— Que amigos? - Pergunta Beth.
— Que conheci na faculdade, mãe.
— Quantas pessoas?
— Quatro. Vai ser algo rápido. Estão de passagem em Gramado.
— Mas eles não são da faculdade?
— Conheci eles, mas não estudam mais. Ja se formaram.
— Tá bem. Seu pai não vai estar aqui, mas eu e o seu tio sim, a gente faz sala para os "guris".
Por volta das 14h Léo aparece e Juliana diz sobre a visita dos amigos dela naquela noite, e percebo ele fechar a cara ao saber. Por volta das 16h começamos a jogar Banco Imobiliário. Nesse momento Jorge não quis participar, pois iria sair. Estava muito bem arrumado. Antes, se despede de mim e diz:
— Boa viagem, cunhado!
— Não vai voltar amanhã?
— Sim, mas só de noite! — Responde.
Começamos a jogar e o ambiente estava agradável. Entre uma cerveja e outra, o jogo de cartas fluiu por quase três horas até que, finalmente, declaramos o vencedor: Léo. Assim que a partida terminou, ele consultou o relógio, já em tom de despedida:
— Que horas são?
— Sete da noite — responde, Juh.
— Melhor eu ir, então. Seus "amiguinhos" já devem estar chegando — disse Léo, com uma ponta de ironia.
— Fica, amor. Vai ser rápido — ela pediu, mas sem muita convicção.
— Não, Juh. Você sabe que eu não bato com o santo do Pedro e nem do Thiago.
— Fica, Léo — interveio a Beth, tentando manter o clima.
— Não, sogrinha, tá tudo bem. São amigos da sua filha. Já tivemos alguns desentendimentos e não estou a fim de olhar para a cara deles hoje.
— Que merda... — resmungou Juh. — Se você quiser, eu ligo e peço para não virem.
— Não precisa. Eles vieram de longe. Aproveite a companhia deles e amanhã à tarde eu volto. Só me avisa quando eles forem embora.
Léo partiu, e eu fiquei com uma pulga atrás da orelha, mas preferi o silêncio. Por volta das oito, a campainha tocou. Eram os dois casais.
O primeiro era Thiago, um homem alto, de uns trinta anos e olhar sério, cabelos e olhos pretos, 1.80m, por volta de 80 kg, acompanhado de sua namorada, Marcella. Ela tinha um rosto angelical emoldurado por óculos que denunciavam sua inteligência, com um físico magro e elegante. Tem 1.60m, por volta de 60kg, peitos e bundas pequenas. Estava usando um vestido azul. Ambos viviam em Nova Petrópolis, onde trabalhavam na mesma empresa.
O segundo casal, Pedro e Patrícia, vinha de mais longe, de Xanxerê. Pedro era mais baixo, de braços fechados por tatuagens e um porte físico robusto. Careca, por volta de 1,70, 80kg e olhos claros. Já Patrícia era de tirar o fôlego: uma mulata de cabelos cacheados, rosto lindo e curvas que prendiam o olhar de qualquer um. Por volta de 1,70,m magra, chutava uns 60 kg, seios médios, mas uma bunda enorme. Estava usando uma calça branca que deixava a sua bunda em evidência.
Os convidados não chegaram de mãos vazias: trouxeram um estoque digno de um bar, com caixas de cerveja, vinho, tequila, vodka e até catuaba. Beth, ao ver o arsenal, lançou um olhar reprovador para a filha. Assim que se acomodaram na sala e entupiram a geladeira de álcool, Beth puxou Juh para um canto da cozinha, visivelmente tensa.
— Filha, eu não sabia que ia ter um bar na minha casa. E se o seu pai chegar e der de cara com isso?
— Eu também não sabia, mãe — Juh respondeu, tentando parecer surpresa. — Eles perguntaram se podiam trazer "algumas bebidas", mas não imaginei que seria um carregamento.
— Mas o Jorge...
— Mãe, relaxa. Sabemos que o pai só volta amanhã à noite. Em vez de se preocupar, me ajuda a preparar algo para esse povo comer.
As duas começaram a cortar queijo e salame. Lá fora, o frio de 10°C contrastava com o calor que começava a subir dentro da casa. Três horas se passaram num piscar de olhos. O grupo já havia zerado quatro caixas de cerveja, uma garrafa de tequila e dois vinhos. O álcool já ditava o tom das conversas, e as vozes das meninas começavam a arrastar.
Foi então que Thiago soltou, sem muita cerimônia:
— Nossa, Juh... sua mãe é linda. Não sabia que ela era tão jovem.
— Viu só, Thiago? — Juh respondeu, com um brilho malicioso nos olhos. — Minha mãe é maravilhosa.
Percebi o clima mudar. Thiago, Marcella e Pedro devoravam minha irmã com os olhos — um olhar de desejo explícito. Quando olhei para Juh e Patrícia, vi que elas retribuíam o olhar, como se estivessem alimentando aquela tensão. Beth, por sua vez, parecia ignorar o perigo, entregando-se cada vez mais à cerveja.
— Seus amigos são ótimos, Juh — ouvi Beth comentar, já bem mais relaxada. — Estou adorando conhecê-los.
Pouco depois, na cozinha, vi Juh com o celular no ouvido. A voz dela era firme, uma mentira perfeita disparada sem qualquer pudor para o Léo:
— Não, amor... Já acabou. Eles acabaram de sair. — Ela fez uma pausa, ouvindo-o do outro lado. — Isso, vem amanhã por volta das sete da noite. Vou passar o dia com o meu tio e depois levá-lo ao aeroporto. Também te amo. Muito.
Ela desligou. O palco estava montado: o pai longe, o namorado enganado e a casa cheia de segundas intenções.
Juh me lançou um olhar brilhante, uma mistura de adrenalina e plena consciência do caos que estava orquestrando. Voltamos para a sala, onde as risadas e o álcool já haviam dominado o ambiente. Mas algo me incomodava: o trio — Thiago, Marcella e Pedro — não tirava os olhos da Beth. Era uma pulga atrás da orelha que só crescia à medida que as garrafas esvaziavam.
O relógio marcou 00:45. Notei um movimento coordenado: Juliana, Patrícia e Pedro levantaram-se e foram para a cozinha. Um minuto depois, movido pela sede (ou pelo pressentimento), fui buscar outra cerveja.
Ao atravessar o batente da cozinha, a cena me parou: Pedro beijava Juh com uma intensidade selvagem, enquanto Patrícia, a noiva dele, observava os dois com um prazer silencioso no olhar.
— Tiooo! — Juh exclamou, afastando-se de Pedro, mas sem parecer nem um pouco envergonhada.
— Ele é seu tio? — Pedro perguntou, limpando o canto da boca e me encarando.
— É sim. Por parte de pai — ela mentiu rápido, com uma naturalidade assustadora.
Aquela resposta me deu um nó na cabeça, mas decidi não confrontar a árvore genealógica inventada ali. Apenas dei o aviso:
— Não deixa sua mãe ver você traindo o seu namorado, hein?
— É só você não contar — ela rebateu, com um sorriso de canto que selava o pacto de silêncio.
Peguei minha cerveja e voltei para a sala, sentindo o peso daquela casa. Pouco depois, os três retornaram como se nada tivesse acontecido. Naquele momento, as peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar na minha mente. A conversa que a Juh teve com a Jaque sobre "surubas" veio à tona. Aqueles amigos não eram apenas colegas de faculdade; eram parceiros de um estilo de vida que a Beth e o Léo nem sonhavam que a Juh participava.