O Filho do Pastor - Jogo Sujo

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 3736 palavras
Data: 23/03/2026 16:11:28
Assuntos: Amor, Gay

Capítulo nove - Jogo de sujo

Sexta-feira, 30 de Março de 2007

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma.” (Tiago 1:2-4)

Será que o irmão Tiago concordaria comigo que me afastar do Isaac tem sido uma provação para mim? Acho que sim, Tiago era gente boa. Agora sabe que não é gente boa? O Atribulado filho de Jezabel. Duas semanas atrás eu pedi a ele que a gente permanecesse amigos, mas que não poderíamos ter nada além disso e sabe o que ele me disse? Que não, ele disse que não conseguia ser só meu amigo.

Pelo menos uma coisa é certa, Isaac tem tornado a distância entre nós pior do que quando ele só pegava no meu pé. Bem, deixa eu começar do começo. Durante a primeira semana ele meio que ficou fugindo de mim, na igreja se cercou de seus “fãs” o que me impossibilitou de tentar conversar qualquer coisa mais pessoal com ele, no colégio ele deu um jeito de sumir das minhas vistas, não foi nenhum dia para a caixa d'água, quando não faltou deu um jeito de ficar invisível durante o intervalo.

O gelo que ele me deu me deixou tão puto da vida que não fui nem para o vôlei e nem fiz questão de sair com eles depois do culto no domingo. Até aí estava tudo certo, só que a mente maligna dele foi além quando percebeu que me dar um gelo não me fez voltar atrás então ele resolveu me tirar da graça de outra forma.

Começou logo cedo na segunda quando ele me viu saindo de casa e só montou em sua bicicleta e foi embora, nem bom dia me deu — acredita? — Carona então nem passou pela sua cabeça me oferecer. Fiquei vendo ele sumir na minha frente indo em sua bicicleta enquanto caminhava até a escola. Na terça foi quase a mesma coisa, mas meu pai me levou, o problema foi quando eu cheguei no colégio. Desci do carro bem a tempo de ver ele chegando com uma garota muito linda no quadro.

Meu sangue ferveu na mesma hora. Na sala Davi me contou que o nome dela era Ananda e que todo mundo estava falando que eles estavam ficando — meu mundo escureceu de vez. — No intervalo ele ficou com ela e outros puxa sacos na cantina. Isaac nem olhava para mim, só tinha sorrisos para tal de Ananda. Ela era uma gata, do tipo que só um cara como ele podia ter a sorte de ficar. Cabelos longos escuros, um corpo cheio de curvas perigosas e uma pele morena que só a deixava mais atraente.

O culto de Terça é só para os casados, mas como filho do Pastor sou obrigado a está na igreja, Isaac por outro lado não apareceu, devia está com Ananda — sim pode ler o nome dela como uma criança birrenta, pois é exatamente assim que estou falando. — Na quarta fui para escola a pé de novo e ele repetiu o padrão, ficando o intervalo inteiro agarradinho com ela. Davi me perguntou se eu estava com ciúmes e eu claro neguei, mas acho que ele não acreditou em mim.

Agora pior mesmo foi no ensaio da banda, o Atribulado filho de Jezabel chegou atrasado e com um perfume que deu para sentir de longe. Isaac simplesmente apareceu para ensaiar de calça jeans, uma camisa vermelha lisa que ficou muito bem nele e uma corrente com duas alianças de prata no pescoço — minha vontade foi de enforcar ele com sua corrente. Raabe diferente de mim não tentou disfarçar, sua cara de poucos amigos o ensaio inteiro entregou seu ciúmes nitidamente, ainda mais com Joaab fez o favor de insinuar que Isaac parecia apaixonado.

— A gente veio ensaiar ou fofocar sobre a vida do irmão Isaac? — Disse ela pocessa.

Foi engraçado vê-la assim, porém, por dentro estava tão furioso, quanto ela. Quinta eu nem o vi direito e Davi ainda me fez o favor de dizer que Ananda também tinha faltado, sério Isaac era um cara muito ridículo. No culto estava lá bancando o Senhor Perfeitinho, mentiroso descarado, ele conseguiu me tirar da minha graça sem trocar uma palavra comigo, por isso o Senhor Perfeitinho na real era um filho da mãe Atribulado.

Finalmente chegamos ao presente, hoje resolvi que não vou dar moral para ele, se Isaac quer ficar com essa oferecida ele que fique, não tenho nada haver com isso, fui eu quem dispensei ele mesmo. Então eu estou por cima — né? Quer dizer claro que é! — Vou mostrar para ele que diferente da Raabe eu não ligo para com quem ele se envolve.

— Jonas! Vai perder a hora.

— Já levantei Pastor — respondo.

Hoje eu não vou ligar, quero só ver a cara dele quando perceber que não me importo — quer dizer, não vou ver a cara dele, pois não ligo. — Meu pai vai me levar para escola hoje. Quando estamos saindo é bem no momento em que Isaac está saindo também. Desvio meu olhar, só para mostrar que superei e que não estou ligando para ele, que nem ele não está lidando para mim. O telefone do Pastor começa a tocar e sua cara fecha no instante em que vê quem está ligando para ele.

— Bom dia Isaac — diz o Pastor e o Isaac responde dando bom dia de volta — irmão você consegue levar o Jonas pro colégio com você, tenho que resolver um problema que apareceu de última hora — diz ele sem ter atendido ao telefone que está tocando de novo.

Quero dizer que não precisa, que vou a pé, que ele já vai levar a namorada dele, qualquer coisa menos subir nessa bicicleta, mas o Pastor já está irritado, não quero provocá-lo, então espero que o próprio Isaac diga que não pode, entretanto o filho de Jezabel não iria deixar uma chance de me atazanar passar assim tão fácil.

— Claro Pastor, vamos Jonas — responde abrindo espaço para que eu monte em sua bicicleta, que odio que me dá desse garoto agora.

— Jonas vai com ele — ordena o Pastor e assim eu faço.

O Pastor pegou seu carro e saiu, ainda cogitou pedir para descer, mas Isaac também começa a pedalar em silêncio me levando para escola. Sério preferia estar indo a pé do que está nessa bicicleta sentindo o cheiro tão familiar do seu perfume.

— Não precisa me levar, eu posso ir andando, não quero que Ananda perca a carona dela — digo um pouco mais afetado do que deveria e ele rir, que saudade que eu tava desse riso, droga!

— Não sabia que você conhecia a Ananda — cheio de prepotência, o Senhor Perfeitinho.

— Nem conheço, só ouvi o Davi comentando — eu sei que ele não gosta do Davi, por isso estou pondo o nome dele na conversa.

— Claro, esse fofoqueiro não tem nada melhor para fazer do que ficar reparando na minha vida — fico feliz só de ter irritado ele um pouquinho também.

Meu coração vai na boca quando percebo que na sua corrente agora só tem uma aliança, a outra deve está com ela, que filho da mão, como ele pode dizer que não quer ser meu amigo, que gosta de mim e em tão pouco tempo ficar tão sério com outra pessoa? Isaac é um mau caráter, perco toda a vontade de falar com ele, só fico em silêncio o resto do caminho.

Chegamos no colégio, eu agradeço a carona sem nem olhar para ele e saiu pisando forte até minha sala. A vontade que tenho é de esganar o Isaac, mentiroso filho da mãe, Atribulado do inferno. Meu sangue ferve de ódio. Davi nem precisa perguntar para saber do que se trata, mas também não perde a chance de dizer um eu te avisei.

— Ai Davi, eu não estou assim por causa do Isaac.

— Eu te conheço Jonas, meu irmão é assim, no fim pode acreditar é até melhor você se afastar dele, o Isaac não é quem você pensa.

— Porque vocês brigaram, Davi? — Ele se cala e desvia o assunto — não ligo para o Isaac, quero que ele se ferre.

As duas primeiras aulas passaram voando, mas não peguei uma palavra do que o professor falou, só consigo pensar na aliança de prata solitária na corrida do Isaac. Eu sou um trouxa, é isso que eu sou por ter me entregue a uma pessoa tão falsa. Acho que nunca senti tanta raiva assim na vida. Atribulado ao inferno, filho de Jezabel, tomar que ele seja muito feliz com Ananda — não consigo dizer o nome dela sem fazer uma vozinha.

O sino do intervalo toca e sinceramente não quero sair do meu lugar, só para não dar de cara com Isaac e sua namorada. Davi percebe que não estou me arrumando para sair, ele me encara e por fim abre a boca.

— Não foi você que passou a semana falando que não se importa?

— E não me importo.

— Pois então vamos comer nossa coxinha e ele que se foda — Davi tem me dado um força esses dias e ele tem razão, eu prometi que isso acabava hoje e vai acabar.

— Tá, mas você paga — brinco.

— Tudo pelos contribuintes como dia minha mãe — Davi é filho da prefeita da cidade, é uma loucura pensar nisso, tipo ele é meio que rico.

No pátio onde fica a cantina em um banco de cimento, avisto Isaac com sua namorada e os amigos dele, ela está sentada no colo dele — minha vontade é arrancar ela pelos cabelos de cima dele — eu não me importo, então desviei meu olhar. Vou com Davi sem me importar com eles, mas a carne é fraca, então enquanto Davi pede nossas coxinhas, eu lanço uma rápida olhada na direção deles, quando vejo Isaac me encarando de volta meu coração gelado.

Ele fala algo no ouvido dela, depois Ananda fica de pé, Isaac me encara por um breve momento depois se volta para ela e fala mais alguma coisa que não consigo ouvir por está longe. Então ele sai caminhando. Primeiro acho que ele vai vir na minha direção, mas me enganei, ele não está vindo para cá, está indo para caixa d’água. Isaac não pisa lá tem duas semanas e agora está indo para lá, ele disse a ela, para encontrar com ele lá, tenho certeza.

— Agora já chega, esse Atribulado filho de Jezabel está passando dos limites! — Davi me encara confuso.

— O que foi?

— Eu já volto — digo pisando forte indo atrás dele.

A caixa d’água é nosso lugar, não vou aceitar que ele beije qualquer outra pessoa lá, isso já é demais, vou acabar com a raça desse maldito, quem ele pensa que é, para me fazer de trouxa desse jeito, ele pode beijar ela onde ele quiser, mas lá é nosso lugar, nosso esconderijo secreto. Não vou aceitar compartilhar com mais ninguém. Nem espero ele falar nada e nem ligo se Ananda chegar e ouvir nossa conversa.

— Vai pro inferno Isaac! — Ele abre um sorriso enorme quando me vê — você pode ficar com quem você quiser, mas esse lugar é nosso e não vou aceitar que você beije ela aqui.

Ele está rindo e eu estou ficando ainda mais puto, com tamanha cara de pau dele, queria entender o que se passa na cabeça dele para está sendo tão ridículo, mas não vou ficar parado enquanto ele continua com essa atitude hipocrita e irritante, foda-se se ele acha que estou com ciumes, pois estou mesmo, expliquei para ele porque não podiamos ficar juntos e ele ainda sim faz isso, não vou mais me calar.

— O que é tão engraçado Isaac?

— Você — eu vou ter um treco de tanta raiva, juro por Deus.

— Vai pro inferno Isaac — dou as costas para ele, mas sua mão é ágil e segura.

— Espera — diz tentando parar de rir — você está com ciúmes?

— Claro que eu estou, você disse que me queria, aí no dia seguinte está saindo com outra pessoal.

— Você que desistiu da gente — tem um ressentimento na sua fala, por mais que ele tente disfarçar.

— Eu tô querendo proteger você seu idiota!

— E quem falou que eu preciso disso Jonas? — Ele volta a falar sério comigo agora – você nem me deu a chance de escolher.

— Aí você foi e se jogou nos braços para primeira Jezabel que encontrou — um pequeno sorriso volta a se formar no seu rosto — que foi Isaac?

— É que é bom te ver assim, morrendo de ciúmes.

— Vai se lascar Isaac! — lhe mostro o dedo do meio, foda-se não tenho o sangué de barata.

— Eu não estou saindo com ninguém — diz rindo.

— Ah claro, está só enganando a pobre moça.

— Não.

— Vai dizer que você são só amigos? — É muito sínico.

— Não, ela é uma ex.

— Vai se fuder Isaac.

— Que foi, tô falando a verdade.

— E foi o que uma recaída?

— Uma ex-membro da igreja — ele quer me ver fora da graça só pode.

— Isaac fala sério, por favor.

— Tá, ela é desviada, porque se descobriu lesbica ano passado, a gente é só amigo.

— Você acha que eu sou idiota para acreditar nisso?

— A gente confirma com ela então.

— Antes você não andava com ela para cima e para baixo.

— Porque a namorada dela tinha ciúmes da gente — ele está adorando — e também falei com ela para me ajudar com uma coisa.

— Ajudar com o que? — Eu saquei, mas quero ouvir da boca dele.

— A te deixar com ciúmes — filho da mãe.

— Seu ridículo!

— Funcionou, critiquei meus métodos, mas não meus resultados.

— Vai se catar Isaac — um alívio correr pelo meu corpo inteiro.

— Jonas, eu tô ficando maluco, você faz sexo comigo e depois vem me dizer que a gente não pode ficar juntos.

— É complicado Isaac — baixo a cabeça, mas ele se aproxima e me faz encará-lo.

— Jonas, eu não ligo para quem seja seu pai, o que ele pode fazer comigo, acredite, minha vida não é perfeita também, eu te entendo, eu sei o que é ter um pai merda.

— É diferente Isaac, meu pai quase se tornou um assassino — seus olhos tem um brilho enigmático, queria saber o que se passa na sua mente, mas Isaac, é difícil de se ler.

— Vamos voltar, sinto sua falta — é a primeira vez que o vejo tão vulneravel — só penso em você, tá foda a gente separado.

— E a corrente com a aliança, cadê a outra? — ele sorri por mim ter reparado em algo tão pequeno.

— Aqui — ele tira do bolso, pega minha mão e põe no meu dedo anelar direito. Eu sei que devia impedi-lo, mas me falta o ar dos pulmões tê-lo tão perto e ao mesmo tempo tão entregue.

— É lindo, mas não vou poder usar, você sabe.

— Usa quando tiver comigo.

— Isaac meu pai nunca pode descobrir.

— A gente toma cuidado.

Não tem mais o que ser dito. Beijar a boca do Isaac de novo é como fazer isso pela primeira vez. É mais do que isso, beijar sua boca é como tomar água depois de uma longa caminhada no sol, é refrescante, é restaurador. O sabor de canela misturado com o frescor do IceKiss que ele sempre está chupando.

O mundo faz sentido de novo nos braços dele, só eu e Deus sabemos o quanto foi ruim passar esse tempo longe dele, tem tanta coisa para contar para ele, mas o sino do fim do intervalo toca e sinto um aperto no peito, não quero me afastar dele, não agora que finalmente estamos bens de novo. Minha vontade era de ficar aqui com ele, mas não posso fazer isso, a escola liga para o Pastor e agora mais do que nunca preciso ficar abaixo do radar dele.

— O Pastor anda meio estressado ou é impressão minha? — Isaac pergunta enquanto voltamos.

— Parece que minha mãe andou procurando ele por minha causa, mas não tenho certeza — digo feliz por poder finalmente falar disso com alguém — ah e eu descobri que tenho um irmão, acredita nisso?

— E como você se sente sobre isso? — Me pergunta preocupado comigo.

— Feliz para caramba, não estou mais sozinho, eu tenho um irmão.

— Você nunca mais vai ficar sozinho Jonas, você tem a mim — quero tanto pular em cima dele e beijá-lo, mas não podemos fazer isso fora do nosso mundinho, é perigoso demais.

Apesar de ser chamado de burro pelo Davi por ter voltado com Isaac eu estou feliz — feliz de verdade — só espero não está cometendo um grande erro. Olho para aliança de prata no meu dedo, Isaac e meu, esse Atribulado especialista em tirar minha paz, gosta de mim, Deus me ajuda a não pirar — o Senhor é testemunha de que eu tentei ficar longe dele — Isaac me tira do chão, com ele me sinto vivo e para continuar sendo sincero, estou louco para ficar pelado com ele de novo, só que da próxima vez bem longe da minha casa.

Tiro a aliança do meu cedo e coloco junto com o MP3 escondido na minha mochila, o Pastor está na porta da escola me esperando, queria voltar com Isaac, mas não posso simplesmente dizer isso para o Pastor — infelizmente — entro no carro em silêncio, pois vejo na cara dele que seu humor está bem ruim.

— Jonas, eu tenho que te contar uma coisa — ele diz se virando para mim, meu coração vai sair pela boca de tão acelerado.

— O que foi? — Pergunto tentando manter minha voz firme.

— Sua mãe entrou em contato comigo uns dias atrás — sinto uma corrente de pavor passar por todo o meu corpo, o medo de onde essa conversa pode me levar é quase paralisante.

— O que ela queria?

— Ela quer falar com você — sua voz tem um tom de raiva, mas não é só isso, o Pastor nunca a perdoou de verdade pelo que aconteceu.

— Eu não procurei ela, Pastor, eu juro, não — me apresso em falar, pois ele pode achar que foi culpa minha de alguma forma.

— Eu sei, não estou falando que foi você — tenho mais medo dele quando parece calmo do que quando está gritando comigo — você quer falar com ela?

— Não — até mesmo eu me surpreendo com o quão rápido minha mente formulou essas três letras. Esse foi o não mais verdadeiro que já saiu da minha boca e isso parece de alguma forma ter aliviado o Pastor.

— Posso fazer uma pergunta? — Entro em uma zona perigosa agora, mas essa pode ser minha última chance.

— Pode.

— Eu tenho um irmão? — O Pastor me encara com surpresa, respira fundo e responde minha pergunta.

— Tem sim, é filho dela com o Beto — é a primeira vez que ouço meu pai falar o nome do irmão dele, desde que tudo aconteceu.

— O senhor sabe o nome dele?

— É Yuri e ele é três anos mais novo que você.

— Yuri — repito, agora sei o nome e a idade dele.

— Jonas, se você pudesse escolher você iria querer morar com sua mãe? — O Pastor me pega totalmente desprevenido com essa pergunta.

Seria minha liberdade, poder ir para longe dele, viver em paz, ficar longe dele é o que eu mais queria na vida. Só que mesmo sendo um monstro ele voltou por mim, mesmo que o motivo tenha sido a igreja, ele voltou, ela não. Assim que o Pastor saiu da cadeia arrumou um lugar para morar e um trabalho, depois disso veio atras de mim e pegou minha guarda de volta. As vezes acho que ele me pune por não poder puniar a ela, mas as vezes acho que ele só não tem amor no coração para dar, eu sei que falei que ele me odeia e que sou uma fardo que ele odeia carregar, mas estava de cabeça quente por causa do Isaac e tudo mais, eu amo meu pai, mesmo que ele não me ame.

— Não Pastor, eu prefiro continuar vivendo com o senhor.

Ir embora também significa deixar Isaac e isso não posso fazer, prefiro adiar esse momento até minha formatura, quem sabe dou sorte de convencê-lo a ir embora comigo? De qualquer forma não tem nada — tirando meu irmão — que me faça querer me aproximar dela, então minha resposta para as duas perguntas que ele me fez é a mesma, um não cheio de convicção e um tantinho de mágoa.

— Jonas. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor,o teu Deus, te dá. Êxodo 20:12 — quando ele cita a bíblia é porque vem sermão por ai — eu já perdoei sua mãe a muito tempo e você também tem que perdoar.

— Minha vó foi a única mãe que eu realmente tive pai — digo já me preparando para um serão por não colocar a serpente da minha madrasta nessa lista, mas ele não fala nada sobre isso.

— Mesmo assim filho, ela é sua mãe e quer falar com você.

— O senhor quer que eu fale com ela?

— Essa é uma decisão sua Jonas, só não quero que a minha história com ela pense na sua decisão.

Um garoto sem pai e nem mãe. O que eu realmente queria é que eles nunca tivessem reaparecido, que eles tivessem continuado com suas vidas e que eu tivesse ficado com minha avó, era isso que eu queria, mas dentro da minha realidade, mesmo com todas as dificuldades o Pastor foi quem voltou, então vou ficar com ele até conseguir ficar sozinho no mundo.

— Eu realmente não quero falar com ela.

— Tudo bem, se você mudar de ideia me avisa, tá bom?

— Sim senhor.

Seguimos para casa sem falar nada, não tem mais o que ser dito, pelo menos depois da nossa conversa sinto que seu humor melhorou um pouco. Pensando no que ouvi dele conversando com minha madrasta parte de sua preocupação era sobre eu querer ir embora morar com ela, com a mulher que virou as costas para mim para construir uma nova família, sem mim, isso me mostrou algo que eu até então nunca tinha pensado, que dentro do Pastor, tem mais do que só um instinto assassino, estou começando a achar que uma pequena parte dele realmente pode gostar de mim, isso é me preocupa, já que essa parte pode não querer me deixar ir para o outro lado do país quando a hora chegar.

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Comentários

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porra, como esse jonas é babaca. mimado. inseguro. infantil. birrento. covarde.se eu fosse isaas já tinha dado um pé na bunda . a fila anda jonas, cuidado, trata melhor o isaac. ele está disposto a ficar com você. que mais você quer seu pé no saco?

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