Mão Amiga

Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2284 palavras
Data: 23/03/2026 21:59:00
Última revisão: 23/03/2026 22:18:30

Senti meu próprio pau reagir com uma urgência que me envergonhou. Eu estava vestindo um short, o tecido já tensionado de forma inadequada. A hesitação se instalou como uma segunda pele: me masturbar seria um ponto de não retorno, uma admissão de que aquela situação me excitava. Mas não me masturbar poderia ser pior, uma espécie de recusa que deixaria transparecer exatamente o mesmo.

Deslizei a palma da minha mão pela minha cintura com a lentidão de quem acredita na invisibilidade. O contato mesmo através do tecido produziu um arrepio que subiu pela minha espinha. Na tela, o casal mudou de posição. O homem agora estava deitado, a mulher o montando com movimentos mecânicos de aeróbica.

Marcelo voltou a se deitar, agora de lado, apoiado no cotovelo, observando não só a televisão, mas os outros. Principalmente a mim.

— Você fica nervoso fácil, né? — disse ele, de repente, a voz mais baixa agora.

Demorei um segundo para responder.

— Depende da situação – respondi, curto demais.

Marcelo sorriu de leve, como quem coleciona pequenas contradições.

— E essa aqui?

A pergunta ficou suspensa. Do outro lado, Tiago soltou uma risada leve, quase constrangida, mas não desviou o olhar da televisão. Ele virou de lado na cama, apoiando o rosto na mão, olhando para o filme com uma curiosidade quase transparente.

Rodrigo soltou o ar devagar. Ele não ria, eu sentia isso sem precisar ver. O corpo dele ao meu lado estava diferente agora, mais presente. Mais atento. Como se cada movimento no quarto atravessasse diretamente ele.

— Para de encher — murmurou.

Havia algo na voz dele que não era só irritação, era tensão. Percebi o meu próprio corpo reagindo de forma contraditória: um misto de desconforto e curiosidade, de impulso e contenção. Virei o rosto, tentando escapar da linha direta do olhar de Marcelo.

Não consegui completamente. Porque, mesmo sem encarar, eu sentia a proximidade, o calor, a consciência mútua. Era como se o espaço entre nós quatro tivesse diminuído. Como se qualquer movimento tivesse peso. Como se qualquer gesto pudesse mudar tudo. Marcelo ignorou de novo.

— Ninguém aqui é criança — ele disse, olhando de um para o outro, como se distribuísse uma ideia — Ou é?

Silêncio. Mas não era mais o mesmo silêncio de antes. Era outro, mais quente, mais denso. Um silêncio que já não protegia ninguém. Tiago se masturbou primeiro. Um ajuste no lençol, um gesto pequeno demais para justificar o impacto que teve no ambiente. Era como se alguém tivesse dado o primeiro passo em um terreno onde todos fingiam não estar. Rodrigo soltou um riso curto pelo nariz.

— Você é sem noção, velho…

Mas a frase veio sem direção. Sem tentativa real de interromper. Respirei fundo. Aquilo estava acontecendo de um jeito muito previsível e, ainda assim, completamente fora de controle. A televisão continuava acesa, lançando sombras instáveis nas paredes.

— Vou botar pra fora— disse Tiago, a voz estrangulada — A cueca tá atrapalhando.

— Você primeiro – Marcelo riu, baixo.

O som de elástico sendo esticado preencheu o quarto. Não olhei, mantive os olhos na mulher cujo rosto expressava êxtase de maneira convincente demais para ser real. Quando finalmente desviei o olhar, foi para encontrar Rodrigo: cabeça apoiada no travesseiro enrolado, braço trabalhando em ritmo constante sob o lençol agora abandonado no chão. O pau dele surgiu visível, rosa escuro contra a barriga branca, a mão envolvendo seu cacete com a intimidade de rotina.

— Não encara não, porra — disse Rodrigo, mas sem raiva. O tom quase convidativo.

Senti o sangue pulsar nas minhas têmporas. Minha mão acelerou involuntariamente, a fricção da cueca agora insuficiente. Eu a puxei para baixo, libertando o meu pau com um movimento que soou mais dramático do que pretendia. O ar frio do quarto atingiu a minha pele sensibilizada.

A luz azul recortava os corpos de forma fragmentada, como se ninguém ali estivesse inteiro. Marcelo mudou de posição, mais confortável agora, como quem já tinha conseguido exatamente o que queria: deslocar o eixo.

— Agora sim — ele disse, da cama — Como tudo fica mais honesto quando ninguém precisa fingir que não tá vendo.

— Você gosta de provocar, né? – Rodrigo perguntou.

Marcelo sustentou o olhar.

— Só quando funciona.

Ninguém respondeu, mas, pela primeira vez, ninguém também tentou negar. Os gêmeos estavam ambos nus da cintura para baixo, os corpos espelhados na penumbra, mas não idênticos. Marcelo era mais largo nos ombros, Tiago tinha uma cicatriz no joelho direito que brilhava contra a pele. Ambos se tocavam com a naturalidade de quem compartilhavam quarto desde sempre, os olhos alternando entre a tela e a Rodrigo e eu no chão.

Parei de me masturbar. Estava apenas me segurando, a respiração presa, enquanto observava os demais. Senti Rodrigo se mover ao meu lado, se aproximando um pouco mais no colchão. Um movimento mínimo, mas direcionado. Sem falar nada, mas próximo o suficiente para que eu sentisse o braço dele roçar levemente no meu. Foi sutil, quase acidental. Mas não foi.

Eu não me afastei. Fiquei imóvel, não por falta de vontade, mas por excesso de consciência. Ali eu estava, de novo, o mesmo tipo de encruzilhada que eu já conhecia bem demais. O caminho fácil: ceder ao que o corpo já tinha decidido. O difícil: sustentar o que poderia acontecer de noite no dia seguinte.

Senti a mão de Rodrigo se mover, hesitante, como se ele mesmo não soubesse até onde ia. O ritmo dele havia mudado, se tornando deliberadamente performático, cada movimento agora visível, quase demonstrativo.

Ele parou antes de me tocar, sua mão livre suspensa no espaço entre nós, esperando, não por permissão, mas por direção. Fechei os olhos por um segundo. E entendi que o risco, ali, não era mais o desejo. Era repetir a mesma escolha. Virei o rosto, só o suficiente para que minha voz não atravessasse o quarto inteiro.

— Rodrigo... – falei baixo, perto demais.

Não era um chamado, era quase um teste. Ele virou o rosto o suficiente para encontrar o meu olhar. A luz da televisão batia de lado, deixando metade do rosto dele em sombra. Era ali que ele sempre parecia mais sincero.

— Que foi? — ele respondeu, mantendo a voz no mesmo nível.

A mão dele recuou, devagar, mas não completamente. Ficou ali, entre o ir e o ficar, como ele sempre foi. Ele hesitou e essa hesitação dizia tudo. Porque Rodrigo nunca foi de hesitar. Aquilo não era só desejo, era outra coisa misturada; dúvida, talvez medo do que vinha depois, ou do que poderia não vir.

Eu desviei o olhar de Rodrigo por um segundo, só um. O suficiente para perceber: ninguém ali estava mais no mesmo lugar de antes. Quando voltei, ele ainda estava me olhando, esperando não uma reação impulsiva, mas uma escolha.

E foi aí que o desconforto mudou de nome. Porque não era mais sobre o que poderia acontecer, era sobre quem, ali dentro, teria coragem de sustentar o próprio desejo… sem se esconder atrás do dos outros.

— Vem cá — disse Rodrigo.

Não como ordem, mas como sugestão de quem propõe algo perigoso. Eu engoli seco, a minha garganta travada, úmida.

— O quê?

— Me dá sua mão — Rodrigo retirou a própria, deixando o seu cacete exposto, vertical e pulsante contra o ventre.

Do outro lado do quarto, Marcelo soltou uma respiração quase inaudível. Não era frustração, era interesse. A madrugada ainda não tinha terminado. E, pela primeira vez, o que estava em jogo não era quem desejava quem. Era quem ia sustentar o que vinha depois.

A distância entre Rodrigo e eu não era grande, talvez alguns poucos centímetros. Me movi em segmentos, primeiro o tronco, depois os joelhos arrastando o lençol. Quando estendi a mão, encontrei a pele de Rodrigo surpreendentemente quente, quase febril. A textura do seu pau diferente, mais macia na cabeça, mais tensa na base. Rodrigo exalou perto do meu ouvido, um som que não era palavra nem gemido.

— Isso — repetiu, e eu não soube se era aprovação ou instrução.

Os gêmeos notaram ou talvez tenham sentido a mudança no ar, a eletricidade que me percorreu quando minha mão encontrou ritmo no corpo de Rodrigo. O silêncio voltou, mas agora carregado de intenção.

Tiago soltou um suspiro que não era mais exatamente inocente. Havia uma curiosidade ali agora, uma atenção que começava a entender o que estava em jogo. Ele desviava o olhar entre a televisão e a nós outros, claramente afetado, mas sem saber exatamente como agir. Marcelo, ao contrário, parecia confortável naquele território ambíguo.

— Engraçado… — disse ele, baixo — Como as coisas ficam diferentes quando ninguém tá olhando.

A frase pairou no ar, o quarto inteiro parecia suspenso em uma linha fina demais para quatro pessoas atravessarem sem consequências. Rodrigo virou o rosto lentamente, encarando Marcelo pela primeira vez com mais firmeza. A tela piscou, mudando de cena. Agora eram dois homens com uma mulher, a câmera focalizando o contato entre os corpos masculinos de forma acidental ou intencional.

— Quero também — disse Marcelo.

Ele não perguntava, afirmava. Um segundo de tensão. Dois. Senti que estava no centro de algo que não controlava e, ao mesmo tempo, participava. Aquilo era o mais perigoso. Não era só desejo. Era dinâmica, era jogo, era território sendo testado.

Tiago já estava em pé, atravessando o espaço do quarto com a ousadia de quem não encontra obstáculos no próprio desejo. Ele se ajoelhou ao meu lado, o pau dele no nível dos meus olhos, uma proximidade que me fez apertar inadvertidamente o cacete de Rodrigo, provocando um suspiro.

— Dois na mão — orientou Tiago, a voz transformada, mais grave — Você dá conta?

Não respondi. Estendi a mão esquerda, vacilante, e encontrei a pica de Tiago. Era diferente da de Rodrigo, mais fina, menos longa, a pele deslizando de forma distinta. A comparação simultânea entre os dois cacetes nas minhas mãos produziu algo em meu próprio corpo, uma contração que subiu da base da minha coluna. Nunca tinha tocado dois paus ao mesmo tempo. Eu estava agora de joelhos no colchão, servindo a dois homens com as mãos enquanto meu próprio desejo pulsava, úmido na ponta.

Com a proximidade de Tiago, Rodrigo virou novamente para frente, mas o corpo dele permaneceu próximo, presente. Fechei os olhos por um instante, tentando organizar o que sentia, mas não consegui. Porque ali, naquela madrugada, não havia espaço para organização. Só para reação. E, pela primeira vez desde que chegamos ao sítio, ficou claro para mim: ultrapassamos um limite. A questão era o que aconteceria depois.

Marcelo não esperou convite. Se aproximou por trás, o calor do peito dele pressionando as minhas costas antes mesmo do toque das mãos.

— Deixa eu — sussurrou, e então seus dedos envolveram a base do meu pau, completando o circuito.

O quarto se reduziu àquela configuração: quatro corpos articulados em torno de toques, a TV projetando luzes que não correspondiam aos sons de pele contra pele. Eu perdi a noção de qual mão pertencia a quem, a mão direita em Rodrigo, a esquerda em Tiago, ambas guiadas agora por ritmos que eu não controlava. Marcelo me punhetava com a eficiência de quem conhece o próprio corpo, aplicando a mesma pressão que gostaria de receber.

— Olha pra tela — instruía Rodrigo, mas eu não conseguia.

Meus olhos viajavam entre os rostos à minha volta, Rodrigo com a cabeça jogada para trás, o tendão do pescoço esticado; Tiago mordendo o lábio inferior, os olhos semicerrados; Marcelo por cima do meu ombro, o rosto dele tão próximo que eu sentia o hálito quente no meu pescoço.

A cena no DVD avançava sem que ninguém mais a observasse. Os gemidos da TV se tornaram trilha sonora inadequada para o que acontecia, mais lento, mais exploratório, menos mecânico. Tiago iniciou um movimento nos quadris, se empurrando contra a minha mão. Rodrigo imitou, não por competição, mas por convergência. As três fricções encontraram ritmo comum, uma sincronia que surgiu sem ser negociada.

Eu senti a própria proximidade do gozo, primeiro como tensão nos meus testículos, depois como uma onda subindo pela minha coluna. Marcelo ajustou a pegada, reconhecendo os sinais, deu aquele aperto na base do meu pau, a pausa estratégica. Ele riu, o som vibrando contra as minhas omoplatas.

— Não ainda — disse — Segura.

Mas segurança era impossível. O toque de quatro corpos diferentes, a visão de Rodrigo e Tiago a se contorcer sob meu próprio toque, o corpo de Marcelo colado ao meu, sua ereção se esfregando em minhas costas, o cheiro que emergia da junção dos corpos, tudo convergia para um único ponto. Soltei o pau de Tiago apenas para se agarrar ao meu próprio peito, os dedos cravados no meu ombro como se eu pudesse me ancorar.

— Deixa — disse Rodrigo, os olhos finalmente abertos, fixos em mim — Quero ver.

A permissão foi desnecessária. Arqueei as costas contra Marcelo, sentindo meu cacete rígido contra a minha coxa, enquanto pulsos de prazer me atravessavam em intervalos que pareciam simultaneamente eternos e insuficientes, enquanto eu gozava, sujando o meu peito e barriga de porra.

Quando abri os olhos, não me lembrava de os ter fechado, encontrei Tiago e Marcelo trocando um olhar de cumplicidade que transcendia a situação, uma linguagem de gêmeos que eu nunca acessaria. Rodrigo, porém, se mantinha focado em mim. A mão dele havia retomado a própria punheta, acelerando para alcançar o mesmo ritmo.

— Quase — avisou, e eu compreendi o que era solicitado.

Me movi para o lado, ainda trêmulo, e encontrei o pau de Rodrigo com a boca antes de que a decisão fosse completamente processada. O sabor, amargo, salino, inconfundível, preencheu a minha língua enquanto Rodrigo se perdia com um som que não parecia humano, mas gutural, arrancado das profundezas. Os gêmeos assistiam, as próprias mãos acelerando uma punheta, e eu senti novamente a mão de Marcelo em meu cabelo, não guiando, apenas presente, testemunhando.

[continua...]

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 12 estrelas.
Incentive Mateus Azevedo a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil de Jota_

MATEUS. Assim você me mata de tesão, cara!! Que noite dos sonhos!

0 0