A chegada ao Sítio Olho d’Água foi como atravessar um portal para outro tempo. Após horas rasgando a caatinga por trilhas que desafiavam a suspensão da Hilux, o paredão de pedra se abriu para um vale escondido. O lugar não era apenas uma casa de taipa; era um refúgio de alto padrão que meu pai construíra em segredo absoluto. Uma casa de pedra e madeira nobre, com gerador silencioso, poço artesiano e até um certo luxo rústico que contrastava com a crueza do sertão lá fora.
— "Três dias," — sentenciei, desligando o motor e sentindo o silêncio absoluto do vale. — "Ficaremos aqui três dias. É o tempo que temos para decifrar o mapa, falar com os leais e traçar a rota para Petrolina. Depois disso, o Delegado vai sentir o rastro do nosso óleo no chão."
— "Finalmente," — Sônia suspirou, descendo da Hilux com a submetralhadora em punho, os olhos varrendo o mato com uma agilidade nova. Ela já não era mais a menina assustada do primeiro tiroteio.
Lúcia desceu logo em seguida, a postura rígida. Ela olhou para a pequena capela de cal branca nos fundos do terreno. — "Antônio dizia que, se o mundo acabasse, a gente deveria se encontrar aqui. Ele sempre soube que esse dia chegaria, Raimundo."
Não perdemos tempo. Seguindo as coordenadas de latitude e longitude que meu pai nos recitara em vida — um código de família que só nós três conhecíamos — entramos na capela. O cheiro de cera de vela e mofo impregnava o ar. Sob o altar de pedra, começamos a cavar. O suor escorria pelo meu rosto, misturando-se à fuligem da fuga na fazenda.
Depois de meio metro de terra batida, o metal ecoou. Retiramos uma caixa de aço reforçada, pesada como um segredo de sangue.
Abrimos a tampa e o conteúdo brilhou sob a luz da lanterna. Não era apenas dinheiro; era a engrenagem de um império.
O Mapa: Um pergaminho moderno, plastificado, com todas as rotas de contrabando, depósitos de munição enterrados e rotas de fuga mapeadas por décadas.
A Agenda Negra: O "quem é quem" do crime e da política. Ali estavam os nomes de juízes comprados, políticos influentes e os contatos diretos dos fornecedores de armas de fora do país.
O Dinheiro: Maços espessos de dólares e reais, o combustível necessário para comprar lealdade no sertão.
O Telefone: Um celular satelital, robusto e criptografado, programado para ser irrastreável.
Peguei o aparelho e disquei o primeiro número da agenda. Meu coração batia contra as costelas. No terceiro toque, uma voz rouca e precavida atendeu:
— "Quem fala?"
— "Sou eu, Ceará. O filho do Velho," — respondi, o maxilar travado.
Houve um silêncio absoluto do outro lado, seguido por um suspiro pesado. — "Raimundo? Graças a Deus... O boato era que vocês tinham sido fatiados pelo Delegado. O homem está louco, garoto. Ele mandou matar o Jurandir na frente de todo mundo, em Araripina, pra mostrar quem manda agora. Eu estou escondido numa gruta perto de Salgueiro com o que sobrou dos leais."
— "Escute bem, Ceará," — ordenei, sentindo o peso do comando. — "Reúna todos os homens que ainda são Lira. Fiquem nas sombras e não disparem um tiro sem minha ordem. O chumbo vai voltar para o dono, e vai ser em dobro. Aguarde meu sinal."
Após isso, entramos na casa, estávamos exaustos e precisávamos recuperar as energias. O sítio oferecia o conforto que nos fora roubado: banho quente, camas limpas e uma despensa abastecida com alimentos não perecíveis.
A noite caiu pesada e fresca no Olho d’Água. Eu assumi a primeira vigília na varanda de madeira, o fuzil descansando no colo e os olhos perdidos na escuridão do vale. O silêncio foi quebrado pelo ranger leve da porta de correr.
Era Sônia. Ela não usava mais as roupas táticas da fuga, apenas uma camisola de seda curta que meu pai deixara guardada para as visitas ocasionais. O tecido era quase transparente sob o luar, revelando as curvas da minha irmã com uma clareza que me fez perder o fôlego.
— "Você não deveria estar descansando?" — sussurrei, embora cada fibra do meu corpo quisesse que ela ficasse.
— "Não consigo fechar os olhos sem ver sangue, Raimundo," — ela disse, aproximando-se e sentando-se no meu colo, de frente para mim. Suas pernas se abriram, envolvendo minha cintura, e eu senti o calor da pele dela contra o jeans da minha calça. — "Só você me faz esquecer que o mundo está acabando."
O calor das coxas de Sônia pressionando meu quadril era um convite ao inferno, e eu sentia meu pau pulsar violentamente contra o jeans, respondendo ao roçar daquela seda fina. Minha mão subiu, apertando a cintura dela com uma força que denunciava meu desespero, mas a razão ainda tentava dar um último suspiro agonizante.
— "Sônia... a gente tá enlouquecendo," — sussurrei, a voz rouca, lutando para desviar os olhos dos bicos dos seios dela que desenhavam o tecido da camisola. — "Somos irmãos, pelo amor de Deus. O papai deve estar se contorcendo no túmulo vendo a gente se pegar desse jeito. Isso é doentio."
Ela soltou uma risadinha baixa, uma nota de puro escárnio e desejo, e segurou meu rosto com as duas mãos, obrigando-me a encará-la. Os olhos dela brilhavam com uma malícia selvagem sob o luar.
— "O papai está morto, Raimundo. E nós também estaremos em breve se o plano em Petrolina falhar," — ela rebateu, aproximando os lábios dos meus até eu sentir o hálito quente dela. — "O amanhã é uma miragem. Eu não quero morrer com o gosto da pólvora na boca sem ter sentido você dentro de mim. Não quero perder tempo com regras de um mundo que já nos expulsou. Me possua aqui mesmo, irmão. Agora."
Engoli em seco, o suor frio escorrendo pela nuca. — "E a sua mãe? Lúcia está logo ali dentro..."
— "Ela está dormindo que nem um anjo no quarto que era do papai," — Sônia sussurrou, deslizando uma das mãos para o meu colo e apertando o volume rígido entre minhas pernas. — "Somos só nós dois aqui fora, sob o céu do sertão. Não negue o que seus olhos estão gritando, Raimundo. Acabe comigo. Me destrua antes que o Delegado o faça."
A última barreira se quebrou com o estalo do meu cinto. Eu a puxei para um beijo faminto, uma colisão de línguas que tinha gosto de urgência e pecado. Minhas mãos subiram por baixo da camisola de seda, encontrando a pele quente e as nádegas duras e empinadas dela. Com um movimento bruto, rasguei a seda fina até o decote, expondo os seios firmes e pequenos, com pontas que se contraíam de tesão sob o ar fresco da noite. Eram perfeitos, do tamanho exato para as minhas mãos, vibrando com a energia de quem estava pronta para a guerra e para o prazer.
Eu a levantei e a encostei contra a parede de pedra da varanda. Sônia entrelaçou as pernas na minha cintura, expondo sua intimidade já completamente encharcada. Meu pau saltou para fora da calça, latejando, uma peça de ferro pronta para o combate. Sem preliminares suaves, eu a penetrei de uma vez, um estoco profundo que a fez soltar um grito abafado contra o meu ombro.
— "Puta que pariu, Raimundo... mais forte!" — ela arquejou, as unhas cravando-se nas minhas costas.
Eu a estocava com uma fúria animal, o som da carne batendo contra a carne ecoando na varanda de madeira. O ambiente estava impregnado com o cheiro de sexo e suor. Sônia jogava a cabeça para trás, os cabelos castanhos chicoteando no ar enquanto eu devorava seu pescoço. O corpo dela era uma obra-prima: a barriga lisa, a cintura fina que se abria em quadris largos, e aquele calor úmido que parecia sugar minha alma a cada movimento.
Mudei a posição, sentando-a no parapeito de madeira da varanda, de costas para mim. Segurei seus cabelos com força, puxando sua cabeça para trás enquanto eu a possuía por trás com golpes longos e pesados. — "Você é minha, Sônia. Sangue do meu sangue," — rosnei no ouvido dela, enquanto via sua bunda monumental balançar ritmadamente sob o impacto dos meus quadris.
— "Eu sou sua cadela... faz o que quiser... sou sua!" — ela gemia, o corpo trêmulo, à beira do colapso.
O prazer era insuportável, uma descarga elétrica que percorria cada nervo. Quando senti que ia explodir, eu a virei novamente e a deitei sobre o assoalho de madeira, abrindo suas pernas até o limite. Mergulhei fundo, sentindo o aperto desesperado das paredes dela me ordenhando. Gozamos juntos, um espasmo violento que nos deixou sem fôlego, meu sêmen quente preenchendo-a enquanto ela gritava meu nome em um sussurro rouco.
Ficamos ali, jogados no chão da varanda, dois destroços de uma linhagem maldita. Sônia se aninhou no meu peito, a pele ainda ardendo. — "Batizamos o sítio, irmão," — ela murmurou com um sorriso satisfeito.
Eu olhei para cima, para a janela do quarto principal. A cortina de renda se moveu por um segundo. Eu não disse nada, mas sabia: Lúcia tinha visto tudo. E a partir de amanhã, o cerco à madrasta não seria mais feito de palavras, mas de um desejo que ela não conseguiria mais fingir que não sentia.
