O suor ainda secava no meu corpo quando Sônia se afastou, vestindo a camisola rasgada com um sorriso que desafiava o mundo. — "Vá dormir, Raimundo," — ela sussurrou, pegando o fuzil do chão. — "Eu assumo a vigília. Você precisa de cabeça fria para o que vem amanhã." — "Você mal descansou, Sônia. Deixe que eu..." — "Não discuta," — ela interrompeu, depositando um selinho demorado nos meus lábios. — "Eu estou mais acordada do que nunca."
Deixei-a na varanda e desabei na cama, mas meu sono foi um campo de batalha. A imagem da cortina se mexendo no quarto de Lúcia não saía da minha mente. O medo de que ela tivesse visto o nosso pecado era uma farpa cravada no meu juízo.
O sol nasceu forte, filtrado pelas frestas das janelas de madeira. Na cozinha, o cheiro de café fresco tentava trazer uma normalidade que não existia mais. Sônia apareceu leve, com uma energia renovada, mas Lúcia... Lúcia era uma estátua de gelo. Ela mal tocava na comida, mantendo um olhar severo e estranho, alternando entre o desprezo e uma perturbação que ela tentava esconder.
Terminamos o café em um silêncio cortante e espalhamos os mapas sobre a mesa de madeira nobre. Era hora de traçar o destino. — "Precisamos de apoio militar pesado," — comecei, apontando para Petrolina no mapa. — "O Coronel Severino é a nossa única chance. Ele é o maior traficante de armas daquela região, um exército de um homem só."
Lúcia finalmente levantou os olhos, a voz carregada de cautela: — "Seu pai e Severino sempre mantiveram um pacto de silêncio, Raimundo. Eles se respeitavam, cada um no seu território, movendo o ferro sem cruzar as rotas do outro. Antônio até salvou a vida de Severino em 2018, quando ele foi encurralado numa emboscada. Mas o que sempre balançou essa paz foi o Delegado."
— "Eu sei," — retruquei. — "O Delegado odeia o Severino. Ele vivia tentando convencer o papai a marchar contra Petrolina, a tomar as rotas deles. Meu pai sempre rejeitou, sabia que uma guerra dessas destruiria o lucro de ambos. Mas o Severino sempre teve um pé atrás com a nossa família justamente por causa dessa proximidade do Delegado com o papai."
O plano estava traçado: usar o ódio mútuo entre Severino e o Delegado. Se eu convencesse o Coronel de que o Delegado agora era o nosso inimigo comum, ele nos daria o exército que precisávamos. O resto do dia foi de preparativos. Vasculhamos a casa e descobrimos mais segredos do meu pai, documentos que mostravam a rede de influência que ele mantinha. Lúcia se manteve arredia o dia todo, como se minha presença fosse um veneno.
A noite chegou e a escala foi definida: Lúcia na primeira vigília, eu na segunda, e Sônia fecharia a madrugada. Acordei antes da hora e fui até a varanda para rendê-la. Lúcia estava encostada na pilastra, o fuzil a tiracolo, olhando para o vazio da caatinga.
Quando me aproximei, ela se virou com um olhar que me atravessou. — "Você tem merda na cabeça, Raimundo?" — a pergunta veio baixa, mas cortante. — "Eu ouvi tudo ontem à noite. Eu vi vocês dois na varanda, se pegando como animais. Isso é nojento... doentio! Você beija a sua madrasta, a mulher que te criou, e depois possui a sua própria irmã? Você perdeu o juízo?"
Ela sibilou as palavras, os olhos faiscando de uma mistura de nojo e algo que ela tentava reprimir. Disse que só não interveio porque estava exausta e a sobrevivência era a única prioridade, mas que ao amanhecer colocaria um fim naquela loucura. Antes que ela pudesse entrar, segurei sua mão com força.
— "Eu não sei o que estou fazendo, Lúcia," — confessei, sentindo o calor da pele dela. — "Mas Sônia tem razão. Estamos com um pé na cova. O amanhã pode ser apenas uma bala na testa. Eu não consigo controlar o que sinto... e o que sinto por você é mais forte que qualquer moralidade."
— "Você é um doente," — ela repetiu, mas sua respiração começou a falhar.
Eu não soltei a mão dela. Em vez disso, dei um passo à frente, invadindo o seu espaço até que o fuzil entre nós fosse a única barreira.
— "Posso ser um doente, Lúcia, mas não sou o único aqui," — sussurrei, meus olhos fixos nos dela, buscando a verdade que ela tentava enterrar. — "Você diz que é nojento, mas não desviou o olhar da janela ontem. Você ficou lá. Você assistiu. E eu sei que não foi por choque, foi porque você sentiu o mesmo fogo que me queima. Por que continuar mentindo para si mesma quando o mundo lá fora quer nos ver mortos?"
Ela abriu a boca para protestar, mas as palavras morreram na garganta.
— "O amanhã é uma promessa que o sertão nunca cumpre," — continuei, a voz baixa e densa. — "A gente pode ser cercado por Severino, traído por Ceará ou executado pelo Delegado antes do próximo pôr do sol. Vai mesmo levar esse desejo para a cova? Vai morrer com o gosto da amargura em vez do prazer? Ceda, Lúcia. O pai se foi. Só restou a gente e essa vontade que é maior que nós dois."
O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som do vento na caatinga. Vi a máscara de Lúcia rachar. A postura rígida cedeu e ela soltou um suspiro trêmulo, fechando os olhos enquanto minha mão subia pelo seu pescoço, sentindo o pulso dela disparado.
— "Isso vai nos destruir, Raimundo..." — ela murmurou, mas já não havia resistência quando a puxei para o sofá de couro da varanda.
O fuzil escorregou do ombro de Lúcia e bateu no assoalho com um baque surdo, mas nenhum de nós se importou. A resistência dela tinha sido pulverizada. Puxei-a para o sofá de couro velho, e o que se seguiu não foi apenas sexo, foi uma profanação de décadas de respeito fingido.
Minhas mãos foram direto para a barra da sua camisola de seda negra, subindo-a até revelar as coxas grossas e firmes de uma mulher que nunca deixou o tempo vencê-la. Lúcia não era uma menina como Sônia; ela tinha a carne densa, madura, e uma pele que parecia irradiar um calor febril. Quando a camisola saiu, o luar desenhou o que eu sempre imaginei: seios pesados e fartos, com aréolas largas e escuras que apontavam para mim, desafiadoras.
— "Você sempre quis isso, não quis?" — provoquei, minha voz sumindo no decote dela. — "Sempre quis que o filho do seu marido te mostrasse o que é um homem de verdade."
— "Cale a boca e me possua, seu maldito..." — ela arquejou, as mãos cravando-se nos meus ombros.
Ajoelhei-me entre suas pernas e comecei o que ela tanto desejava. Mergulhei minha língua naquela intimidade madura, sentindo o gosto forte e viciante da sua luxúria. Lúcia deu um grito abafado, jogando a cabeça para trás, o corpo todo tremendo enquanto eu a devorava com uma voracidade que a fazia perder o juízo. Ela não era delicada; ela empurrava minha cabeça contra si, pedindo por mais, os dedos enrolados nos meus cabelos.
— "Raimundo... meu Deus, eu vou..." — ela gemia, as coxas apertando minhas orelhas até que ela explodiu em um orgasmo violento, as paredes dela pulsando contra minha língua.
Sem dar descanso, ela me puxou para cima. Com uma agilidade que só a experiência dá, ela abriu minha calça e libertou meu pau latejante. Lúcia o envolveu com a mão, admirando o tamanho antes de levá-lo à boca. A chupada dela era técnica, profunda, carregada de uma malícia que me fazia ver estrelas. Ela olhava para cima, nos meus olhos, enquanto me engolia, mostrando quem realmente tinha o controle ali.
Não aguentei mais. Virei-a de quatro no sofá, a bunda monumental empinada para mim. Era uma visão de tirar o fôlego: o quadril largo, a cintura que ainda resistia e aquele convite escancarado. Entrei nela com um estoco único e brutal, sentindo o aperto absurdo daquela carne quente.
— "Puta que pariu, Lúcia!" — rosnei, as mãos apertando seus seios enquanto eu a martelava por trás. — "Você é deliciosa demais para manter essa bucetinha longe do meu pau!"
— "Mais... me usa como uma vadia, Raimundo! Eu sou sua!" — ela sibilou, o som da carne batendo com força ecoando na varanda silenciosa.
A experiência dela era surreal. Ela sabia exatamente como contrair, como rebolar para me levar ao limite. Cada estocada era um terremoto. Eu a virei de frente, as pernas dela sobre meus ombros, e mergulhei até o talo, vendo o prazer deformar o rosto daquela mulher tão séria em uma máscara de luxúria pura. Estávamos ensopados de suor, o cheiro de sexo dominando o ar.
Senti o ápice chegando. Puxei meu pau para fora e, com um rugido de satisfação, gozei jatos quentes e espessos sobre os seios fartos dela, vendo o sêmen branco escorrer pelo vale entre aqueles globos pesados. Lúcia estava ofegante, os olhos vidrados, o peito subindo e descendo freneticamente.
Foi nesse exato segundo que o som da porta de correr cortou a noite.
Sônia estava parada no umbral. Ela tinha vindo antes da hora, vestida apenas com aquela camisola rasgada da noite anterior, o olhar ansioso para repetir a dose com o irmão. Mas o que viu foi o fim do seu mundo.
Seus olhos saltaram, as mãos tremiam e o rosto, antes corado pelo desejo, ficou pálido como a morte. Ela viu o irmão que amava, o homem que a possuíra horas antes, com o pau ainda pulsando e coberto de sêmen, diante dos seios melados da sua própria mãe.
— "Mãe...?" — o sussurro de Sônia saiu como um estalo de osso quebrado.
O silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer tiroteio que já enfrentamos. Os Lira não tinham mais volta. O império do chumbo agora era, oficialmente, o império da carne mais suja do sertão.
