Não Basta Ser Pai 44 - antepenúltimo capítulo

Um conto erótico de Xandão Sá
Categoria: Gay
Contém 6705 palavras
Data: 03/03/2026 20:21:06

TRÊS ANOS DEPOIS…

Outubro de 2025, acabo de chegar de uma viagem pela Europa. Dessa vez troquei o calor do nordeste brasileiro, as praias, o sol, pelo frio do outono europeu. Ganhei um presentaço do dono da empresa, meu chefão ficou tão satisfeito com a performance da nossa unidade que, além do bônus anual que todos recebemos e da taxa de sucesso que eu tinha direito como gestor executivo do contrato, ele me surpreendeu com um baita presente extra: uma passagem ida e volta Fortaleza/Paris na executiva da Air France, mais um cartão com 10 mil euros para minhas despesas. Um baita presente mas que não ameaça o lucro que ele teve com os contratos que nós fizemos a empresa conquistar. Não importa, o mais importante, além do reconhecimento, foi ele me dizer que era uma ordem para eu tirar férias. Trinta dias inteiros, coisa que eu não fazia há alguns anos. Tirava no máximo vinte dias que ainda dividia em dois períodos: uma viagem em família com Patty e Dan e outra, as vezes mais curta, só eu e minha mulher.

Foi assim que, pela primeira vez em muitos anos, viajei sozinho. Depois de vinte anos casado com Patty e quase três namorando com Wellington, fiquei solteiro no começo do ano e decidi permanecer assim por um tempo. Eu tinha praticamente emendado meu casamento com Patty com o namoro com Well, então precisava botar minha cabeça no lugar, ter um tempo emocional de recolhimento e reflexão sobre todas as mudanças que passei, sobre como minha vida mudou, mudanças que começaram quando me envolvi com meu filho, Dan, há quatro anos. A gente estava saindo da fase crítica da pandemia de COVID, havia um desejo de voltar a vida e de certa forma, esse contexto de desejo de liberdade foi o pano de fundo para que uma situação completamente inesperada abrisse a caixa de Pandora dos meus desejos e fizesse aflorar dimensões e possibilidades para minha sexualidade que eu não fazia ideia de que existiam dentro de mim.

Sim, até Dan me “seduzir” naquele abril de 2022, eu nunca tinha pensado na possibilidade quanto mais transado com outro homem, Nunca tinha rolado nenhuma vontade, enrustida que fosse, do tipo olhar pra outro homem e sentir tesão, curiosidade, etc… Até aquele fatídico dia que fui chamado ao colégio onde Dan terminava o ensino médio, porque ele havia sido flagrado em atos libidinosos com um funcionário no depósito de material esportivo da escola, eu jamais tinha tido desejo ou ato sexual por outro homem. Até hoje me pergunto como Dan percebeu que havia uma brecha, uma chance, algo latente, desconhecido de mim mesmo, para que ele fosse bem sucedido no que fez ao me “atacar”. Perguntei isso pra ele uma vez, meu filho não teve respostas, ele disse que simplesmente seguiu a intuição e buscou algo que já desejava há tempos. A medida em que a sexualidade foi se manifestando, Dan foi se dando conta que ele se interessava pelos homens, que era pra eles que seu olhar era atraído e no meio desse despertar, tinha eu, ali, perto, casado com a mãe dele, o pai que ele conheceu de fato, o homem com quem ele mais convivia, então passou a reparar em mim e aos poucos a me espiar trocando de roupa, a ficar reparando no volume do meu pau quando eu estava de sunga ou cueca, alimentando de forma crescente o desejo secreto de tocar na minha rola, na rola do seu pai.

Esse desejo foi se acumulando dentro dele e irrompeu feito um tsunami quando naquele dia, ao voltar da escola, Dan achou que o fato de eu não ter brigado, não ter lhe castigado nem recriminado quando descobri que ele andava “fazendo coisas gays” por aí, e que, ao contrário disso, procurei conversar e entender o que se passava com ele, Dan deduziu e investiu, de forma intuitiva, que havia ali uma oportunidade. A intuição dele era mais perspicaz do que a minha própria consciência e hoje me pergunto que embotamento foi esse que eu não consegui perceber, por quarenta e dois anos, que eu podia ter tesão por homens, ainda mais com a intensidade e paixão como as coisas começaram a rolar, eu passei a curtir muito fazer sexo com homens e descobri camadas de tesão em comer um cu, ser comido, chupar uma rola e ser chupado que eu não tinha ideia do quanto era tesudo, gostoso pra caralho.

E isso não negava a autenticidade do meu desejo pelo corpo feminino, meu tesão pelas mulheres continuou forte, porque também é genuíno, até hoje sinto vontade de comer uma bucetinha, menos que antes, é verdade, mas isso não desapareceu do meu radar, tanto que, ano passado, fui a Sampa, encontrei com Patty e fomos de novo àquele clube de swing, trepamos muito, fodemos com outros casais, com garotas e rapazes separadamente e ainda teve um momento muito gostoso, só nosso, em que chupei a xaninha da minha amada Patty por longos minutos, fiz ela gozar gostoso e depois afundei meu cacetão na sua xota encharcada de tesão até a gente gozar gostoso.

Esse episódio explica como meu relacionamento com Patty continua ótimo. Conseguimos preservar nossa amizade, nossa parceria, nossa cumplicidade. Talvez as coisas mudem um pouco porque há poucos meses ela começou a namorar um empresário goiano que conheceu em São Paulo, numa Feira, um cara da nossa faixa etária, divorciado também e pelo pouco que pude conviver com ele, quando ela o trouxe a Fortaleza, me parece ser um cara legal. Tulio tem um papo agradável, é inteligente, bem-humorado e muito charmoso. Segundo Patty, é 100% hetero, nem deixa ela fazer fio terra… Já Danzinho tem implicado com ele, acha que ele é machista, diz que sente homofobia velada na forma como ele olha, mas quando ele e Juan estiveram em Sampa recentemente, foram muito bem tratados por Túlio que, segundo meu genro, contradizendo Dan, em nenhum momento fez ou disse qualquer coisa que demonstrasse preconceito com o fato de meu filho ser gay, acho que é ciúme de filho em relação a mãe, mas enfim… estamos acompanhando.

Eu e Wellington estávamos indo bem até final de 2024, mas aos poucos a rotina e o excesso de convivência, no trabalho, em casa e até na academia, todos os dias juntos, praticamente inseparáveis, começaram a deixar as coisas entre a gente um tanto mornas. Não foi subitamente, foi aos poucos. A gente nem sabe dizer em que momento foi, porque não teve um episódio, um fato, uma situação. Foi um desgaste progressivo, tinha dias que estávamos tão cansados que a gente chegava em casa e dormia, mesmo com ele continuando a se dividir entre minha casa e a dele. Nos dias que ele estava longe, me surpreendia que sentia quase alívio de dormir só. Alguns meses nesse banho maria, conversamos sobre nossa “crise”, que chamávamos de cansaço e estresse, tentamos algumas coisas, passamos final de semana em hotel nas Flexeiras, subimos pro chalé de Guga em Guaramiranga, fomos pro Rio passar um feriadão, momentos que davam um gás novo mas não o suficiente pra gente voltar a se sentir tão apaixonado quanto antes.

A gota d’água foi quando fomos juntos a uma sauna em Fortaleza e eu percebi o interesse dele por uma dupla de caras, charmosos por sinal, mas não quis ir junto, senti um certo tédio diante da ideia de rolar uma suruba entre nós 4, falei que ele podia ir com o casal pra uma cabine que eu ia curtir a sauna, sozinho. Nesse dia, terminamos transando separadamente com outras pessoas e ficamos ok com isso. Quando fomos embora, Well, com seu jeito claro e correto de ser, me intimou:

- Du, a gente precisa conversar…

- É, eu sei que a gente precisa, mas precisa ser hoje? Tô tão cansado…

- Melhor a gente conversar quando a vontade está gritando dentro da gente do que empurrar com a barriga pra ver se o problema se resolve por si… como você fez com a Patty.

A acusação e desabafo de Wellington me fez sentir uma dupla dor: perceber que a situação era mais séria do que eu pensava e que ele estava coberto de razão, sobre mim, sobre nós dois e sobre como conduzi meu casamento. Como alguém que detém posição de poder, me acostumei a estrategicamente esperar e usar o tempo a meu favor.

- Ok, Wellington, vamos conversar então. Vamos lá pra casa?

E fomos. Chegamos, nos sentamos e botamos pra fora tudo que estava em nossos corações após quase três anos de relacionamento. Não havia queixas sobre o comportamento nem sobre o caráter de nenhum de nós dois. Foi mais um diálogo – desabafo que anunciava o nosso fim enquanto casal. Pois é, infelizmente, a chama da paixão que queimou tão forte entre a gente, perdeu o viço, fomos nos acostumando à rotina e engolidos por ela, descuidamos do romance, até que o sexo, que tinha sido o pilar que sustentou nossa relação, sempre tão excitante, ousado, cheio de furor e luxúria, virou algo previsível, confortável, mas não estimulante para quem tinha tomado gosto pela novidade. Wellington estava incomodado e, ao mesmo tempo, sentindo os desejos próprios de alguém muito mais jovem mas que, mesmo estando num relacionamento aberto, não se sentia totalmente livre para sair experimentando e aventurando todas as chances que se colocam diante dele. A minha indiferença ao tesão dele pelo casal na sauna foi a gota d’água. Ali ele percebeu que o “tanto faz” estava instalado entre nós. Em comum acordo, embora tenha sido ele a verbalizar, decidimos dar um tempo, afinal havia muito carinho entre a gente e esse afastamento, presumivelmente provisório, ajudaria ambos a elaborar e realizar o fim.

Assim fizemos, ele subiu, recolheu algumas coisas que estavam lá em casa, ainda que eu tenha dito que não precisava ser assim, que ele podia fazer isso depois, mas Well insistiu que simbolicamente era importante. Nas primeiras semanas de julho, foi especialmente tenso no trabalho. Vira e mexe a gente se olhava um segundo a mais, sentia aquela pontada de tristeza e, ao mesmo tempo, se policiava para não mudar a forma de nos relacionarmos. Depois de algumas semanas, vieram as recaídas, o “tô com saudade”, o “sinto falta do teu beijo”, mas essas voltas não tornaram as coisas mais difíceis, pelo contrário, percebemos que, passada a paixão, podíamos voltar ao ponto de origem, de sermos “amigos com benefícios”, como chamam os americanos, ou seja, a gente podia transar, se curtir sem culpa. Aceitamos de bom grado sermos o pau amigo um do outro e, com uma certa regularidade, desde então, a gente se pega e pega outros caras, juntos. Com uma regularidade bem episódica, na linha “de vez em quando”, sem nóia, sem agonia. Somos bons amigos que fodem e tá tudo bem. Até agora, ele ainda não engatou nenhum romance. Tonzinho teve algumas empolgações com caras que ele conheceu, mas nada que tivesse substância pra virar namoro. Como amigo, desejo que ele encontre um parceiro que traga um sentido de completude pra vida dele.

Dan e Juan seguem firmes, com todas as oscilações, instabilidades e aventuras de um casal jovem. Juan terminou faculdade e o pai quis que ele fosse fazer uma pós fora mas ele não quis se mudar pra Sampa. Achou um MBA de uma dessas faculdades top de linha em Fortaleza, numa faculdade parceira e está se especializando em logística. Continua trabalhando nas empresas da família e, falando em família, ano passado Ramon e Olga se separaram. Um divórcio ruidoso, saiu em colunas sociais, a bruxa tentou fazer barulho mas o dinheiro e o poder de Ramon silenciou os portais e sites de um por um, até que ela se convenceu que a melhor saída era voltar pra junto da família dela no Equador. Saiu com uma boa grana mas menos do que pretendia. Eles casaram com separação de bens e tinham contrato pré-nupcial, exigência da família de Ramon, ricaços da elite equatoriana, para proteger o patrimônio da família.

Essa confusão me ajudou a descobrir que aquela mulher antipática era de origem humilde mas muito ambiciosa, razão pela qual os pais de Ramon sempre a trataram com desconfiança. Sua natureza ruim nunca deixou que ela baixasse a guarda para meu filho e enquanto esteve casada com o pai de Juan, perturbou a vida de Dan e Juan, criando situações embaraçosas em datas como natal, aniversários, formatura do irmão mais velho. Ela só não impediu a presença de Dan na formatura de Juan porque já estava no litígio com o ex-marido e sequer foi convidada para a solenidade e festa. Juan não quis a mãe presente. Aliás, ambos os filhos se mantêm afastados da mãe, a convivência agora é quase protocolar, sobretudo depois que ela foi embora.

Dan começou a fazer faculdade de Administração, mas depois de dois semestres viu que não era sua vocação. Decidiu estudar mais, repetiu o ENEM e com a boa nota que tirou conseguiu entrar para o curso de Design Digital da UFC em Quixadá. Ele passa 3 dias lá, alugamos um pequeno apto pra ele que, na verdade, queria morar numa república, mas o convencemos de que seria menos confortável para ele. Juan nos ajudou na pressão e Dan cedeu. Tem sido uma experiência curiosa ficar completamente só em casa alguns dias da semana. Às vezes, Juan aparece, me faz companhia, nos divertimos juntos, meu genro continua sendo um putinho gostoso que ama levar rola do sogro fazendo cosplay de paizão. Já chegamos a foder fazendo vídeo chamada pra Dan que ficou louco por não poder estar com a gente.

Quando Dan está em casa, as vezes os dois dormem comigo e nosso ménage continua poderosamente libidinoso. Nunca é programado, acontece espontaneamente, como sempre foi. Do mesmo modo que continuo transando com Dan quando o tesão rola entre a gente, algo que continua forte. Ainda olho pro meu filho e vejo também o belo homem jovem de vinte e dois anos que ele tornou e quando rola tesão fico de pau duro por ele, sobretudo quando lembro das muitas putarias que já fizemos juntos e continuamos a fazer. Mas nem sempre são aventuras legais. Outro dia, ele me arrastou para um cinemão no centro. Nunca tive num lugar tão horroroso antes. Sujo, fedido, um povo esquisito e, ao mesmo tempo, pervertidamente sem limite. Vi gente transando de formas inimagináveis e isso não me excitou de jeito algum. Com meia hora Dan se convenceu que aquele lugar era um limite acima do que eu podia suportar e fomos embora. Pedi muito a ele para nunca mais voltar naquele lugar escroto, mas sabe-se lá o que Dan é capaz de fazer com sua sexualidade sem limites.

O relacionamento de Guga com Pedro engrenou e eles seguem felizes juntos, quase quatro anos depois. Uma paquera que começou na Órbita Blue despretensiosamente. Meu irmão acaba de fazer 49 anos e está mais lindo e gostoso do que nunca com seus cabelos grisalhos, seu corpo sarado e seu charme demolidor. Ele e Pedro estabeleceram uma sintonia fina para um relacionamento gay, são parceiros pra tudo, se divertem na companhia um do outro, inventam programas para não deixar a convivência cair na rotina e olha que estão praticamente morando juntos, ainda que Pedro relute em se desfazer de seu apto, mesmo que esteja de fato morando com Guga. Tenho uma convivência íntima muito gostosa com os dois e sim, continuamos transando de vez em quando. Com menos frequência, mas estamos na mesma sintonia, sobretudo eu e Guga. Depois que acabei o namoro com Well, ele passou a vir ficar comigo de vez em quando. A gente toma vinho, fica na piscina, conversa, namora, fode. Às vezes, Pedro vem junto, noutras ele vem só, continuamos tendo nossos momentos de muito tesão. Eu e meu irmão temos uma conexão muito especial, somos totalmente versáteis entre nós. Ninguém come meu cu como ele. Ninguém goza no meu pau como ele. Nossos paus e cus foram feitos um para o outro.

Quem deu uma sumida foi Otávio, tenho visto ele bem menos que antes. E olha que ganhou uma liberdade maior que antes. O casal de filhos passou para faculdades no Cariri e a mulher decidiu acompanhar os filhos e ir morar com eles em Barbalha, ampliando para uma separação de fato o que já vinha rolando. A questão é que nosso amigo policial tem enfrentado problemas no trabalho, o novo delegado geral quer mostrar serviço e resolveu pegar no pé dele e de outros colegas. Ele não conta exatamente o que tem rolado mas fato é que recusou alguns convites que lhe fiz, não todos, não sempre, mas ficou claro que atravessa um momento com pouca disponibilidade. Pelo menos, dessa vez, ele aceitou meu convite para passar o fim de semana conosco no chalé da Serra. Estamos indo amanhã, sexta. Foi ideia de Guga reunir a macharada pra gente ter um fim de semana estilo Clube do Bolinha. Iremos em três duplas: Guga e Pedro, Dan e Juan, eu e Otávio e sabe Deus o que pode acontecer.

Como só volto ao trabalho na segunda, assumi a função de fazer as compras para o fim de semana e me mandei pro supermercado. Ia levar umas coisas que trouxe da viagem, como queijos, embutidos e vinho pra gente saborear lá na Serra, mas como estamos perto do final do ano, faz muito calor, então providenciei também cervejas, petiscos, carnes pra churrasco, itens pro café da manhã e outras coisas que Guga pediu. Tava saindo do Sams, depois de ter passado pelo Cometa, quando meu celular tocou. Achei estranho porque hoje ninguém liga assim de primeira, né? As pessoas mandam msg perguntando se podem ligar… Quando olhei pra tela, era Juan. Atendi e pedi a ele alguns segundos até terminar de colocar as sacolas no porta-malas do carro. Em seguida, entrei no carro e voltamos a falar, dessa vez pelo viva voz do carro. Juan gaguejou um pouco mas enfim fez a pergunta para qual ligou:

- Tio Du, o pai pode ir com a gente?

- Ahnnn? Como assim, Juan? Seu pai quer ir com a gente pra Serra? Que história é essa?

- É que ele perguntou durante o café da manhã o que eu ia fazer e eu contei que estava indo passar o fim de semana fora, ele perguntou pra onde, falei que era pro chalé de tio Guga em Guaramiranga, ele perguntou quem ia e quando eu falei, ele riu e ficou zoando que só ia homem, que não entendia porque eu gostava de sentir catinga de um bando de macho junto, mas depois perguntou se ainda tinha vaga… eu fiquei sem graça, sem saber o que dizer, então falei que ia te ligar perguntando… o que eu faço, tio? Ele falou que podia ligar diretamente pro senhor mas eu falei que não precisava, que eu resolvia. E agora? O senhor sabe que se ele for vai embaçar nosso reggae né. Ele perguntou o que tinha pra fazer lá, se vocês jogavam pôquer, carteado… sinceramente não sei o que tá passando pela cabeça do meu pai…

A pausa que Juan fez se estendeu como espaço de tensão entre nós dois, porque fiquei tão surpreso que não sabia o que responder, até que Juan me tirou do torpor:

- Então, tio, o que eu falo? Posso dizer que já tá lotado, que o chalé só acomoda seis pessoas…

- Pera, Juan, calma aí, deixa eu pensar… teu pai já tinha feito esse tipo de coisa antes?7

- Não, assim… quer dizer… depois que separou da mãe, ele procurado estar mais perto da gente, outro dia ele foi pro Preá com meu irmão e a turma dele…

- Então, você acha que ele pode estar tentando participar mais da vida de vocês?

- é… sim, pode ser…sei lá… não sei…tô confuso…

Rimos e eu decidi propor uma maneira de resolver a questão procurando quem de fato tem o poder de decidir:

- Ok, vamos fazer o seguinte, vou ligar pra Guga, afinal ele é o dono da casa e, dependendo do que ele decidir, eu te retorno para dizer sim ou não.

- Ok, tio, aguardo então…

Desliguei e, em seguida, mandei mensagem para meu irmão perguntando se ele podia falar. Manobrei o carro e saí do estacionamento do supermercado. Pouco depois, já na avenida, Guga respondeu que estava terminando de dar aula, em seguida me ligaria. De fato, quando eu tava chegando em casa, ele ligou e expliquei a ele o motivo do meu contato, no que Guga respondeu minha pergunta com outra pergunta:

- O que você acha?

- Ah, Guguinha, não sei. Como disse a Juan, o pedido do pai dele é completamente inesperado. Eu sei que a presença dele pode inibir nossas brincadeiras. O cara tem um jeito hétero machão, até nas piadas a gente vai ter que se policiar. Por outro lado, vejo como um gesto dele de aproximação com a gente, a família de Dan. Ele quer nos conhecer melhor, nossa convivência nos três anos em que nossos filhos namoram se limitou a alguns eventos por conta da chata da mãe de Juan. Dan só voltou a frequentar a casa de Juan agora, depois que Olga foi embora. Então, esse lado me leva a querer aceitar o pedido dele. Acho que ele quer estar perto, conviver um pouco com o namorado do filho, sua família, seus amigos, entender melhor o que é o meio gay onde o filho vive…

- Bem, não eram esses os meus planos, queria que a gente ficasse relaxado pra curtir de boa mas, enfim, pode ser divertido. Já pensou a gente fazer as coisas escondido, como se voltasse a ter XV anos…

- É, vai ser tenso mas vamos tentar nos divertir, ok?! E qualquer coisa, a gente liga o foda-se! Ele tá indo porque quer, então que assuma seu BO. Vou dizer a Juan que tudo bem Ramon ir mas vou avisar a Otávio, pode ser que ele não se sinta à vontade e não queira ir.

- É bom mesmo falar com Tavinho, até porque vocês três vão ter que dividir quarto.

Assim eu fiz e Tavinho teve uma reação de enfado, mas acolheu meus argumentos e, depois, ainda fez brincadeira:

- Vou levar minhas algemas, qualquer coisa a gente prende ele e come o cu desse machão…

Tirei as carnes e demais itens que precisavam ir pra geladeira e depois de arrumar tudo, liguei para Juan. Ele ficou contente com nossa resposta, mas confessou que estava ansioso e que achava que só conseguiria relaxar quando o final de semana acabasse. Eu retruquei que ele tinha que curtir nossa companhia na presença do pai sem estresse. Éramos todos adultos e íamos nos comportar direitinho. Juan falou com alívio:

- Ah, é bom mesmo, tio Du. Ele já me viu namorando com Dan lá em casa, a gente tava abraçado no sofá vendo filme, dando uns beijinhos de leve e ele ficou de boa. Claro que eu segurei a onda, controlei Dan, porque se eu deixo, o senhor sabe né, seu filho é capaz de chupar meu pau na frente do meu pai…

- Vamos ter que correr esse risco…

A gente riu e Juan arrematou com um “Deus me livre”, enquanto se despedia dizendo que ia avisar a Dan, que deveria estar voltando de Quixadá nesse momento. Terminei de arrumar as coisas, almocei e fui descansar, dar um cochilo por conta dos efeitos do jetlag, a diferença de fuso horário de 4 horas entre Europa e Brasil ainda tava me deixando meu zureta. Acordei no início da noite com Dan me chamando. Ele entrou no meu quarto e estranhou eu ainda estar dormindo. Levantei, tomei uma ducha, me vesti e desci pra encontrar ele e Juan na sala. A excitação dos dois pela ida de Ramon era evidente. Juan estava uma pilha de ansiedade. A ida do pai era algo que Juan queria que acontecesse. De certa forma era uma busca de aceitação, ver o pai interagir com a homossexualidade do filho porque, mesmo tendo aceitado o relacionamento dele com Dan, ele, de certa forma, se mantinha distante e Juan se queixava que o irmão mais velho era o preferido do pai. Ao mesmo tempo ele temia que essa convivência saísse de controle, ou seja, que, a começar pelo comportamento habitualmente ousado de Dan, começasse a rolar alguma putaria que, com certeza, ia chocar seu pai.

Chamei os dois pra comer sushi e no jantar a conversa continuou girando em torno disso, até brinquei que Otávio ia levar as algemas, a gente pensava em prender o pai dele e comer ele à força.

- Nem brincando o senhor fale isso, Tio Du, pelo amor de Deus.

- Vai que ele gosta…

Juan, mais uma vez, ficou vermelho e eu o perturbei mais um pouquinho:

- Aproveita, Juanito, sei que você tem tesão recolhido por seu pai…

- Para, tio. Por favor!!!!

Durante o jantar, Ramon ligou e pediu a Juan pra falar comigo. Perguntou sobre o que precisava levar, falei que já tinha comprado tudo, que ele ficasse a vontade se quisesse levar alguma coisa, além de suas coisas pessoais, expliquei que ficaríamos com um amigo meu num quarto, Dan e Juan em outro, e Guga e Pedro, até que ele propôs irmos com ele, mas expliquei que meu carro já tinha parte da bagagem, então ele aceitou o convite pra ir comigo, Dan e Juan. Otávio ficou de ir com Guga e Pedro se conseguisse sair mais cedo, senão iria depois no próprio carro. Marcamos de sair no meio da tarde. Meu carro é grande, desses de 7 lugares, teríamos conforto, não igual ao Porsche Cayenne de Ramon, mas nada que não seja gostoso para uma viagem de no máximo duas horas.

Quando chegamos em casa, Dan e Juan sugeriram que ficasse com eles e eu sabia exatamente o que esse pacote englobava, muito tentador e delicioso como sempre, mas esclareci que ainda estava meio zonzo da viagem e que preferia dormir bem pra poder curtir no fim de semana. De fato, não estava numa vibe muito sexual naquele momento. Tive algumas boas fodas na viagem. Comi um gostoso no dark room de um bar de ursos em Paris, chupei o segurança tunisiano de um museu no banheiro que bateu tanto com o pauzão duro na minha cara que me deixou com o rosto dolorido, comi um casal de jovens que conheci pelo Grindr no apto deles no Marais, participei de uma suruba na sauna IDM, fui chupado por alguns caras num matagal, caçando putaria que o site gay cruising me indicou no parque de Buttes-Chaumont em pleno início de noite, curti a pegação alucinada na madrugada do Bois de Boulogne, impressionante a quantidade de homens circulando a procura de sexo lá, só não me rendi ao convite de um cara para fuder embaixo de uma ponte do Sena perto da Ile de La Cité, porque achei arriscado demais, mas enfim, tive meus bons momentos de sexo e putaria em Paris durante as férias.

Dormi sozinho e tive uma noite de sono reparadora. Acordei cedo mas muito bem-disposto, parece que enfim tava conseguindo regular meu sono, depois de um mês dormindo em outro fuso-horário. Ainda fiquei na cama enrolando até que decidi levantar e tomar café. Dalvinha já estava a pleno vapor, conversamos um bocado, ela se ofereceu para fazer algumas comidinhas (tortas, quiches, lasanha) pra levar pra Serra e eu dei OK já que teríamos tempo e, ao mesmo, tirava da gente a preocupação de fazer comida lá, economizando tempo pra gente curtir o passeio, na hora que desse fome era só esquentar e servir.

Enquanto Dalvinha pilotava os fogões, decidi curtir a piscina, nadar um pouco pra me exercitar e me refrescar do calor que fazia às 9 da manhã em Fortaleza. Durante as férias em Paris, embora tenha encontrado e me matriculado numa academia para treinar, não fui todos os dias, não queria ser escravo de nenhuma obrigação no meu período sabático, tava ali para desfrutar. Perto das 11, Dan e Juan finalmente acordaram. Tomaram café e vieram combinar comigo alguns detalhes. Juan ia pra casa arrumar sua mochila e esperar com o pai que eu passasse lá para pegá-los. Dan subiu pra arrumar as coisas dele e eu fiquei mais um pouquinho ali no desfrute. Logo depois Dalvinha me apareceu com um saborosíssimo suco de cajá geladinho, suculento, delícia até dizer chega. Acertei com ela de servir o almoço daqui a uma hora e voltei a nadar, pensando no quanto ela era demais. Tudo que eu fizesse por esse anjo da guarda que cuidava da gente e de nossa casa era pouco. Por isso que a gente pagava com gosto um salário que era o dobro da média e vez em quando a mimava com presentes e grana extra. Ela precisava muito e era de uma dedicação impecável.

Saí da piscina e subi pra tomar uma chuveirada, tirar o cloro. Olhei pra minha imagem pelado no espelho do banheiro e gostei do que vi. A regularidade dos treinos e a assessoria do personal que meu irmão indicou junto com o cuidado com a alimentação fazia um efeito visível. Meu tônus muscular estava melhor, para um homem de 45, quase 46 anos, eu tava muito bem, sem barriga, musculatura definida, tava até com peitoral definido, bíceps e tríceps marcando e o fato de ter perdido gordurinhas e aumentado a definição projetou ainda mais o volume do meu pau. Toda vez que uso calça justa é inevitável ver o olhar das pessoas para o volume que se forma entre minhas pernas. Já nem ligo mais, sou assim e pronto.

Desci pra almoçar e Dan estava na maior fofoca com Dalva, contando sobre os dias que passava em Quixadá e agradecendo a ela pelas marmitas que deixava prontas pra ele levar. Almoçamos os três e enquanto Dalvinha arrumava as coisas na cozinha subi pra terminar de arrumar as coisas. Perto das três horas, passei no quarto de Dan, o chamei e descemos. Arrumamos as coisas no carro e fomos nas Dunas pegar Juan e Ramón. Antes das três e meia chegamos lá e eles estavam a nossa espera. Rapidamente, colocaram as bolsas no porta-malas, Dan foi se sentar atrás com Juan e Ramon, ao se sentar ao meu lado, acomodou nos seus pés uma bolsa bonita de couro que ele explicou ser um porta-vinhos. No som do carro rolava uma play list eclética, em volume baixo, enquanto a gente conversava amenidades. Inicialmente a conversa envolveu a todos, mas aos poucos os assuntos se dividiram. Eu e Ramon conversávamos sobre a economia do país, política, etc. enquanto os jovens falavam sobre assuntos de entretenimento. Um papo muito agradável com ele falando aquela mistura de português com castellano, um verdadeiro portunhol. Assim seguimos pelas avenidas de Fortaleza e depois pela estrada.

Peguei um caminho alternativo, via Fortaleza-Canindé subindo pra Serra pelo Pernambuquinho que o pai de Juan não conhecia. Ele ficou impressionado com a paisagem, a subida, as curvas, os despenhadeiros, etc. Seguimos nessa tocada e por volta das cinco estávamos chegando no condomínio. Passamos rapidamente pela portaria e em mais alguns minutos chegamos no chalé, onde fomos recebidos por Guga e Pedro. Apresentações, apertos de mão, abraços, um ambiente inicialmente tenso logo se converteu em leve camaradagem, graças ao charme e simpatia de meu irmão e de seu namorado. Dan e Juan subiram pra deixar as coisas no quarto de cima, ao lado da suíte master do tio, enquanto Guga levou eu e Ramon para a suíte térrea que tinha uma cama de casal e outra de solteiro. Indicou a cama de casal para o pai de Juan enquanto eu fiquei com a de solteiro. Otávio, se viesse, dormiria no sofá cama da sala. Guga explicou que nosso amigo policial ligou pra ele depois do almoço avisando que o chefe tinha chamado ele no gabinete, ouviu o zunzunzun de uma operação e se fosse rolar, ele não poderia vir. Lamentei por Otávio, havia comprado Poppers em Paris que ele pediu mas eu entregava a ele depois. Deixei Ramon à vontade no quarto e fui pra cozinha ajudar Guga a desembalar as coisas e acomodá-las na geladeira e nos armários. Minutos depois Ramon chegou com seu porta-vinhos e Guga sugeriu que ele colocasse as garrafas na adega da sala, Ramon separou uma pra gente abrir e começar os “trabalhos”.

Preparamos uma tabua com queijos, frios, frutas secas e petiscos, Ramon abriu o vinho, Guga pegou as taças e junto com Pedro fomos para a varanda interna. Nos acomodamos lá enquanto Ramón nos servia de um vinho maravilhoso. Eu não sabia mas meu “consogro” era um profundo conhecedor de vinhos, fazia roteiros de viagem por vinícolas e tudo o mais. O bacana é que ele mesmo sendo um homem rico e culto, não tinha nada de metido ou esnobe, ao contrário, estava ali entre a gente na maior simplicidade, usando roupas caras mas básicas, uma camisa e uma bermuda de linho, chinelo de couro, bem à vontade. Outra surpresa foi que ele não tinha nada de machão ou conservador. O papo foi leve, divertido, ele era espirituoso e com um sotaque engraçado, sabia ser charmoso e cativante. Pouco depois, a dupla Dan-Juan apareceu, vindo da cozinha com enormes taças com Apperol. Eles tinham preparados seus drinks e se sentaram na rede, abraçados. Juan estava tenso, tentando disfarçar, mas eu sabia que ele estava vendo como seu pai reagiria vendo ele e Dan agir como namorados durante todo o tempo.

Ramon não passou recibo de incomodo, não fez cara feia, não ergueu a sobrancelha, agiu naturalmente, continuou falando e rindo normalmente das histórias engraçadas que Pedro estava contando. O namorado de Guga era uma figura muito divertida, espirituosa, tornava qualquer ambiente alegre. Assim se passaram as primeiras duas horas até que comentei que minha fome estava dando sinais e todos disseram que também estavam. Falei de uma torta que Dalvinha tinha preparado e geral se animou pra comer, Guga sugeriu uma salada pra acompanhar e lá fomos eu e meu irmão preparar as coisas. Quinze minutos servimos a mesa e chamamos o quarteto pra comer. Foi uma refeição no mesmo clima de leveza e diversão, dissipando todas as preocupações que tínhamos imaginado que pudéssemos ter com a inesperada presença de Ramon. Ele procurou se integrar e agir de forma muito sociável, tomando parte em tudo, se dispondo a ajudar, fazendo parte de fato daquele grupo que estava ali pra relaxar e se divertir e era, de fato, um cara muito agradável. Juan tinha a quem puxar!

Depois do jantar, Guga sugeriu uma partida de buraco e Ramon logo se animou. Eu sempre gostei de carteado mas tinha tempo que não jogava. Pedro avisou que não era lá muito bom, então formamos duas duplas: eu e Guga, Ramon e Juan. Pedro e Dan ficaram peruando. Pelas próximas duas horas e meia, o jogo serviu divertido e disputado até que pedi pra parar, estava cansado de apanhar. Pai e filho eram parceiros afiados, deram uma surra em mim e meu irmão que me culpou da derrota. Com a terceira garrafa de vinho terminando, o clima tava leve e ligeiramente maroto, até imaginei que em algum momento pudesse perigosamente descambar para a putaria mas não. Nos comportamos direitinho. Dan estava sendo um rapazinho e Juan estava bem mais relaxado ao ver que tudo seguia de forma tranquila.

Decidimos ir dormir falando dos planos para o dia seguinte: café da manhã, uma volta no centrinho de Guaramiranga e depois banho de cachoeira num balneário perto do condomínio. Nos despedimos das duplas que foram pro quarto superior e entramos no nosso quarto. Ofereci a Ramon a prioridade de ir ao banheiro primeiro. Ele pegou seu pijama e sua necessarie, demorou uns 10 minutos e saiu de lá de cabelos úmidos, com um cheiro agradável de sabonete de alecrim, com uma camiseta branca e uma cueca samba canção igualmente branca com um volume que vi se soslaio, parecendo bem promissor mas não dei bandeira, não queria passar a ideia de que tava manjando a rola do sogro do meu filho. Fiz o mesmo ritual, tomei banho, escovei os dentes, botei pijama e voltei pro quarto. Ramon já estava deitado com a luminária da cabeceira da cama acesa, lendo algo em seu celular. Fiz o mesmo e depois de alguns minutos dei boa noite, ele respondeu e menos de um minuto apagou sua luz, mergulhando o quarto em profunda escuridão. Dormi tranquilo, apesar do estranhamento de estar dividindo quarto com alguém que conheço tão pouco mas o comportamento simpático de Ramon ajudou a criar intimidade.

No dia seguinte, quando acordei estava sozinho no quarto. Fiz minha higiene e ao chegar na sala, Ramon estava ajudando Pedro e Guga a providenciar as coisas do café da manhã. Meia hora depois o casal jovem desceu e começou a tomar café enquanto a gente estava terminando. Por volta das 10h botamos um cooler abastecido no carro e fomos para Guaramiranga, demos uma volta, compramos coisinhas na feirinha de artesanato e perto de meio dia fomos pra cachoeira. Estacionamos num recuo ao lado da estrada e pegamos a trilha. Quando chegamos no local tinha dois casais lá, os cumprimentamos e procuramos um local um pouco mais acima pra colocar nossas coisas. Ficamos por ali, comendo belisquetes, tomando cervejinha gelada e tomando banho de cachoeira. Um dos casais foi embora enquanto o outro continuou dentro das piscinas que se formavam entre as pedras. Continuamos num papo super animado, até que, num dado momento, percebi a falta de Dan e Juan e aproveitei que Ramon estava entretido numa conversa bem animada com Guga e Pedro e fui atrás da dupla. Com certeza, aqueles dois estavam aprontando e era melhor que eu os encontrasse pra botar juízo na cabeça dos dois antes de Ramon sair por aí e encontrar nossos filhos engatados fudendo na mata.

Subi a trilha uns trezentos metros até chegar à mata fechada e não os encontrei. Voltei a bifurcação que havia no meio da trilha e peguei o outro caminho que margeava o córrego até que, apesar do barulho da correnteza da água, ouvi o som abafado de vozes e, prestando atenção melhor, gemidos. Aqueles sons tão característicos logo me trouxeram um misto de excitação e preocupação. O primeiro impulso foi acelerar o passo e pegar os dois aprontando, mas algo me deteve, fui tomado por um sentimento voyeurístico de querer, como se diz aqui no Ceará, brechar, espiar. Sempre tive muito tesão em ver, sobretudo em ver sem ser visto. Então, passei a me mover com cautela até, protegido por arbustos, vi a duplinha de safados numa pequena poça de água, formada por um braço do riacho, quase uma jacuzzi natural, junto a uma enorme pedra redonda, esculpida pelo curso das águas.

Parei onde estava para admirar Juan, de pé, com sua bela rola morena sendo mamada pelo putinho do meu filho, ajoelhado a seus pés. Dan batia punheta enquanto chupava Juan e sua bronha fazia barulho na água já que seu pau estava parcialmente dentro d’água. Juan falava palavras de tesão para seu parceiro:

- Vai, Danzinho, mama minha pica, vai amor. Deixa ela bem meladinha pra eu meter no teu cuzinho. Se bem que você ainda deve ter leitinho que tio Guga deixou ontem à noite né safado. Imagina se teu pai sonha com a suruba que a gente fez quando eles foram dormir…

Ah que putos. Eu e Ramon dormindo feito inocentes e o quarteto fazendo putaria no pavimento superior…

- Ah, Jujuba, cê sabe que não resisto a rola de tio Guga, mas você não quis bater o leite dele, preferiu leitar o cuzão do Peu, então não reclama…

Dan e Juan seguiam falando das putarias que tinham feito e a combinação das imagens descritas com a visão do meu filho mamando a rola de seu namorado ali, a poucos metros de mim me excitou tanto que liberei meu pau da sunga e comecei a me tocar. Fiquei tão absorvido pelo showzinho privado que tomei um susto do cabrungo quando ouvi aquele vozeirão sussurrando num portunhol de sotaque bem misturado, logo atrás de mim:

- No creo, que putos! És asi que nossos hijos se divertem?!

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Foto de perfil de Xandão SáXandão SáContos: 48Seguidores: 227Seguindo: 127Mensagem Um cara maduro, de bem com a vida, que gosta muito de literatura erótica e já viu e viveu muita coisa para dividir com o mundo.

Comentários

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Não creio que esta chegando ao fim minha saga favorita! Gostei dessa reta final, de como passou o tempo e do caminho que tá seguido! Maravilhoso como sempre

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