Henrique nunca foi um homem passional. Tinha aquele tipo de frieza elegante dos que sabem se calar ao invés de explodir. A raiva, quando lhe vinha, chegava como uma neblina: densa, úmida, silenciosa. E quando descobriu que sua esposa, Clara, o traía — não com qualquer um, mas com aquele estagiário da academia com corpo de mármore e cérebro de isopor — ele não perdeu o seu ar blasé. Não chorou. Não disse uma palavra.
Só olhou. E começou a planejar.
Clara não desconfiava. Achava que o marido era apenas um distraído. Um homem alheio. Talvez até um pouco impotente diante da situação. Mal sabia ela que ele passava as tardes estudando as gravações feitas por uma câmera discreta escondida no quarto de hóspedes — onde ela e o amante se encontravam, suados, gemendo baixo, como se fossem protagonistas de um pornô underground com ambições artísticas.
Henrique assistia. Com uma taça de vinho na mão, dedos firmes no queixo. Cada vez que o amante a chamava de "vadia" e ela sorria, arfando, Henrique tomava nota. Cada posição. Cada fala. Cada expressão. Era como estudar o inimigo. E Clara, sua mulher de anos, era agora um campo de guerra a ser minado com precisão cirúrgica.
***
No dia da virada, tudo estava pronto.
Jantar à luz de velas. Risoto com perfume de trufas. Vinho tinto encorpado. Música francesa de fundo. Ela chegou e sorriu, encantada.
— O que é isso, amor? Data especial?
— Claro. Hoje é o dia em que tudo muda.
Ela riu. Não entendeu. Nem quando ele lhe entregou uma caixa preta, bem dobrada, com um laço vermelho.
— Abra — ele disse.
Ela abriu.
Dentro, uma camisola. Mas não qualquer uma. Um emaranhado de retalhos costurados à mão: renda preta com manchas antigas, pedaços de calcinha sujas de fluidos vaginais secos e corrimento, tiras de sutiã, tecidos que ela reconheceu — horrorizada — como pertencentes aos encontros dela com o amante.
O sangue subiu-lhe à cabeça.
— Henrique... o que é isso?
Ele se aproximou. Devagar. Olhos fixos.
— É sua penitência. E minha vingança. Vista. Agora.
Ela hesitou. Mas alguma coisa no olhar dele a quebrou. E ela vestiu. A "Camisa de Vênus". Apertada. Malcheirosa. Colando em seu corpo como uma segunda pele suja.
Henrique acendeu mais uma vela. E a empurrou suavemente para a cama.
— Deita. Você vai me contar tudo. E vai gozar enquanto me conta.
Ela arquejou. Tentou protestar. Mas ele já estava por cima, beijando-lhe o pescoço, mordendo e sugando os seus seios por baixo da veste nojenta. Seus dedos já deslizavam por entre as coxas. Ela odiava. E adorava. A mente dizia "fuja". O corpo dizia "fique".
— Como ele te fodia, te arrombava? — perguntou, a voz grave, quente.
— Henrique... por favor...
— Responda. Ou eu paro.
Ela fechou os olhos. Gemeu.
— Ele gosta de me comer de quatro com violência... de me chamar de puta, de cachorra... me bate na bunda, nas costelas, na cara, me xingando...
Henrique sorriu. Estava duro. Dolorosamente duro.
— E você gosta, vadia?
Ela chorou. Mas o quadril se movia. A fricção entre os corpos já era inevitável.
— Eu gozo várias vezes com ele. Ele tem um pau enorme, maior que o seu. Eu deixo ele comer o meu cu com força e fico toda arrombada e dolorida depois — confessou, quase cuspindo as palavras.
Henrique socou de uma vez na xoxota úmida. Sem carinho. Sem pausa. Macetando a buceta da adúltera como um touro ensandecido, enquanto estapeava a cara sem vergonha da esposa.
Ela gritou. Um grito misto de dor e alívio. Ele segurava seus punhos, prendia sua cintura, e socava fundo, como se enterrasse cada humilhação naquela buceta que ele dividia com outro.
— Continua. Quero saber cada porra de detalhe — sibilava no ouvido dela.
— Ele me faz chupar o caralho dele... até engasgar... me chama de cadela imunda...de arrombada, de esposa de corninho.
Henrique riu. Mordeu seu ombro. Enfiou mais fundo, mais forte, até sentir o corpo dela inteiro estremecer.
— E agora? Tá sendo mais puta comigo ou com ele?
— Com... com você...
— Isso. Porque agora você é a minha vadia. Minha putinha imunda e adúltera. E vai implorar rastejando por mais todos os dias.
E ela implorou.
Gozaram juntos. Um gozo maculado. Quente. Violento. Sem amor. Sem ternura. Só luxúria em estado bruto.
Nos noites seguintes, o ritual se repetia nos mesmos dias em que ela trepava com o amante no quarto de hóspedes e ele estava trabalhando.
Ele chegava. Ela oferecia vinho. Ele a mandava vestir a camisa imunda com mais calcinhas meladas de esperma alheio costuradas. Transavam como animais presos em labirintos de culpa e desejo. E cada noite, ele pedia novos detalhes. Novas perversões. Fazia ela reviver tudo — e gozar enlouquecida com isso.
Clara começou a se perder. Já não sabia mais o que era culpa, o que era prazer. Às vezes se masturbava sozinha, com a Camisa escondida na bolsa. Sentia nojo, repulsa, cheirava. Sentia tesão. Henrique a havia corrompido de dentro pra fora. Ou apenas despertado a puta que ela já era.
***
Numa noite, ele apareceu com uma câmera na mão.
— Hoje é você quem vai gravar.
Ela obedeceu. Ligou a câmera. E mostrou ao mundo o que se tornara: uma mulher em transe, fodida até perder o nome de batismo, vestindo sua própria vergonha, lambendo os dedos do pé do homem que traía — e que agora a possuía por completo.
Henrique sorriu, enquanto socava o pau no seu cu com força, forçando as pregas. Suando. Gemendo enquanto arrombava de novo aquele buraco que fora arregaçado mais cedo por outra rola e ainda estava úmido e fedido de gala.
— Isso, vadia... agora sim... agora você está sendo a puta que sei que você é.
E ela era.
A esposa infiel. A traidora. A vagabunda. A escrava. A penitente. A hotwife.
Tudo ao mesmo tempo.
A Camisa não saía mais do corpo. Nem da alma. Cheia de fluidos novos. E o ciclo de putaria e adultério seguiu adiante com visitas do amante de dia e fodas sujas com o corno à noite.
