Capítulo dez - Dilema do passado
Sexta-feira, 06 de Abril de 2007
“A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual.” (1 Tessalonicenses 4:3)
Perdão a todos os Tessalonicenses, mas é que a barba rala do Isaac no meu pescoço, enquanto o peso do corpo nu dele cai sobre mim, enfim é meio complicado me abster da imoralidade. Eu sumi por uns dias? Perdão, calma vou te contar o que rolou, e não se preocupe, eu sei que você quer saber porque o corpo nu do Isaac está em cima de mim, vou chegar lá.
— Jonas, escola! — Grita o Pastor do corredor.
— Já acordei — grito de volta, mas não tão alto, não quero ser mal interpretado.
Depois de conversar com o Pastor sobre a mulher que nos abandonou, nossa relação voltou para a dinâmica de Pastor e ovelha. Entretanto minha madrasta anda meio estranha e um tanto pior em suas “cobrisses” comigo. Desde o começo da semana tenho andado ainda mais na linha só para não muni-la com coisas contra mim. Depois de me arrumar me junto ao Pastor e sua serpente na mesa para tomar meu café.
— Jonas, o Isaac vai te levar hoje? — Pergunta o Pastor.
— E ele não tem levado desde o começo da semana — responde a serpente por mim — você vai para onde hoje Adalberto?
— Tenho que levar o eletricista para ver o problema no templo, te falei ontem.
— Vai almoçar em casa hoje? — Me sinto como se tivesse pegado um livro para ler só que na metade. Tem muito sendo dito agora nessa mesa, mas pouco que eu consiga entender.
— Já vou indo Pastor — digo levantando e levando o que sujei até a pia.
— Espera Jonas — diz o Pastor, pela cara da serpente, seja o que for que ele deseja ela desaprova.
— Oi Pastor — para perto dele esperando.
— Pega lá no quarto Marilene — muito a contra gosto ela vai para o quarto.
Estou curioso, mas se tratando do Pastor o medo dentro de mim me faz ficar atento, ele está muito calmo para ser algo ruim e gosto de pensar que se ele tivesse descoberto sobre mim e o Isaac uma hora dessas estava falando com Jesus não com ele. Então me pergunto o que possa ser. É aí que vejo ela voltando do quarto com uma caixa dessas de correios, mas o mais curioso é que no papel pregado na caixa tem nosso endereço e o meu nome. Jonas Nascimento Pereira.
— Eu juro que não sei o que é isso — me antecipo, já sentindo o nervosismo crescendo dentro de mim, mas o meio sorriso dele me tranquiliza.
— Eu sei filho, sua mãe mandou para você — fico estático segurando a caixa, a serpente até pragueja algo, porém a ignoro, pois tenho coisas maiores agora para lidar.
— O que eu faço?
— Abre — ao me diz que ele sabe o que tem na caixa, por isso está tão tranquilo.
Faço o que ele diz e abro a caixa. Fico meio segundo estático sem conseguir esboçar nenhuma reação e então sou tomado por um misto de emoções: euforia, confusão, medo e mais algumas que não sei explicar muito bem. Eu queria um celular a tempos, porém nunca passou por minha cabeça que ganharia um dela.
— Você vai deixar ele ficar com esse telefone Adalberto?
— Vou sim Marilene, foi um presente da mãe dele — a serpente está mais incomodada com o presente do que eu — mas Jonas, tem que ter responsabilidade, se perder ou quebrar não vou lhe dar outro.
— Sim senhor.
No final resolvo ficar feliz. Ela tem uma dívida comigo, e esse telefone não chega nem perto de pagá-la.
— Agora vai para a escola Jonas, não deixa o Isaac esperando — Pastor chama minha atenção, porque o Senhor Perfeitinho (meu nomorado) não pode ficar esperando.
— Sim senhor.
— Jonas!
— Oi Pastor?
— Deixa o celular, colégio é para estudar, quando você chegar você pode mexer.
— Sim senhor.
Não quero deixar meu aparelho celular novo em casa, mas não vou abusar, já é quase um milagre ter me deixado ficar com ele. Coloco a caixa na minha mesa no quarto e finalmente segui meu rumo para encontrar meu namorado e irmos juntos para escola com tem sido todos os dias desde que resolvemos namorar escondido.
— Bom dia — diz com um sorriso enorme ao me ver.
— Bom dia.
— Eita essa felicidade toda é por me ver? — Ele está muito convencido, sempre tentando me tirar da minha graça.
— Claro que não, estou feliz porque finalmente ganhei um celular.
— O Pastor te deu?
— Não, foi a minha progenitora — evito chamá-la de mãe, pois não vou me vender por um celular.
— Legal, mas pensei que você não tinha contato com ela.
— Não tenho, mas aparentemente ela falou com o Pastor — me assusta um pouco ele ter conversado com ela sem simplesmente surtar de ódio.
— Talvez ele realmente tenha mudado — Isaac só tá dizendo isso para tentar me fazer relaxar sobre nosso namoro.
— Ele ainda é um Pastor Isaac e para ele isso que estamos fazendo é pecado.
— Um pecado bem gostoso — ele faz questão de roçar em mim bem mais do que o necessário enquanto pedala até a escola.
— Não me envolve nessas suas perversões Isaac — ele rir, pois seu passatempo favorito é me provocar — para com isso seu idota ou vou passar dois dias sem falar com você.
— Você não consegue — até tenho vontade de fazer isso só para mostrar para ele, mas o pior que o Atribulado tem razão.
Isaac e eu temos ficado escondidos na hora do intervalo — vinte minutos por dia — e para mim sinceramente não tem sido o bastante, até um preso condenado tem um banho de sol de uma hora. O Pastor ama o Isaac, só que isso não faz com que as regras deixem de se aplicar a ele, quando estou sozinho em casa — que é quase nunca — não tenho permissão para receber ninguém e nem posso sair que não seja para igreja e para escola.
Durante os ensaios têm os outros, então na igreja é impossível termos um momento sozinhos, só restando a escola e nosso intervalo. O problema é que cada vez mais nosso momento juntos tem ficado mais íntimo e um pouco mais quente, ontem mesmo ele me fez gozar sem nem encostar no meu membro. Preciso de mais tempo com meu namorado, porém não faço ideia de como vou conseguir isso.
— Tenho um plano para a gente ficar um tempo juntos hoje — diz Isaac como se tivesse acabado de ler minha mente.
— Como assim?
— Hoje é sexta feira santa e o Pastor não vai fazer culto hoje certo.
— Certo, mas vai ter célula lá em casa — estou sem entender onde ele quer chegar.
— A gente vai para uma célula, mas não a que o Pastor está organizando.
— Tá Isaac, seu grande plano para gente poder dar uns beijos é ir para outro culto?
— Não amor, presta atenção — fico meio desnorteado com a casualidade em que ele me chamou de amor pela primeira vez — não vamos para uma célula, só vamos falar isso para o pastor.
— Ele, ele, quer dizer — não consigo formular uma frase e ele é tão idiota que não notou que foi por causa de ter me chamado de amor.
— Para, deixa que eu falo com o Pastor, está tudo certo, vamos a noite uma seis.
— Esqueceu que só tem a igreja dele aqui na cidade?
— Mas tem outras na cidade vizinha.
— Ele não vai acreditar e nem muito menos deixar Isaac.
— Confia em mim — quero dizer que não, mas tudo dentro de mim quer que esse plano maluco dê certo então aceito a maluquice dele.
— Tá bom! Mas se der errado não quero ter problemas com o Pastor.
— Não vai.
Fico um pouco frustrado por não ouvi-lo me chamar de amor de novo. Vai ver que ele só falou por falar, deve ter sido isso, com certeza. Já na aula Davi escreve seu número no meu caderno já que agora tenho um celular, preciso ter o contatos meus amigos. Meu primeiro contato salvo vai ser o do Isaac, mas não vou contar essa parte para ele, porque senão esse Atribulado vai ficar se achando.
— Você tem um celular que foda — Davi diz feliz por mim.
— Estou feliz também, mas meio pensativo se deveria aceitar, já que ela claramente está tentando me comprar saca?
— Olha Jonas, de uma pessoa que cresceu sem pai, tudo que ela puder fazer por você é o mínimo.
— Acho que penso assim também, sei lá, eu estou mesmo é confuso Davi.
— Não fica, só curte seu telefone e não esquece de me passar seu número quando já tiver.
— Pode deixar.
— Meninos, prestem atenção! — A professora chama nossa atenção por causa da conversa durante a aula.
— Foi professora — me desculpo enquanto o Davi apenas rir.
O sino do intervalo chega e corro para encontrar com Isaac, todo minuto é preciso com ele, pois esse é nosso momento. A sala dele é mais perto do que a minha, então ele sempre chega primeiro — fico meio bobo por ver que não sou o único que corre para cá assim que o sino toca — assim que me vê já me puxa para um beijo.
Normalmente não conversamos durante o intervalo, é só pegação. O sabor de canela com leve toque de icekiss já tão familiar para mim, eu simplesmente amo o beijo do Isaac. A forma como ele me toca também me deixa nas nuvens, ele sabe como me excitar e nem é difícil para ele, pois Isaac é tudo que espero ter em um parceiro.
— Jonas, o Pastor vai almoçar em casa hoje?
— Acho que sim, por que? — Estou atordoado com seus beijos e seu cheiro.
— Vou falar com ele sobre nossa pequena viagem hoje.
— Não sei, Isaac, talvez não seja uma boa ideia — ter esse medo é muito ruim, mas não consigo controlar.
— Relaxa, se ele disse que não é não, mas me deixa tentar pelo menos?
— Tá bom — a verdade é que dizer não para ele é uma tarefa quase impossível, principalmente quando minha ereção está pressionada contra a coxa dele e a dela na minha.
— Você já sabe seu número? — Ele muda de assunto.
— Ainda nem liguei o celular, não sei se ele já veio com um chip ou se o Pastor vai comprar um para mim.
— Se quiser eu te arrumo um chip.
— Não, precisa o Pastor deve providenciar isso e se eu aparecer com um chip ele vai querer saber como consegui — não posso vacilar.
— Tá bom então, mas se precisar me avisa ok?
— Sim — ele sendo tão cuidadoso comigo me faz rir feito um bobo.
— O que foi?
— Nada.
— Tá bom — e lá vem ele se roçando em mim no caminho para casa.
Na minha porta damos de cara com o Pastor que também acabou de chegar.
— Irmão Isaac, tudo bem?
— Tudo Pastor.
— Você vem mais tarde com seus pais para a célula? — Pergunta, dando exatamente a abertura que ele queria.
— Não, eu prometi para um amigo que iria na igreja dele na outra cidade.
— Ah sim, é promessa é uma coisa séria — diz o Pastor, tenho para mim que se o Isaac só respirar já será motivo de orgulho.
— Ah Pastor, o senhor permitiria que o Jonas fosse comigo, é que meu amigo falou que eles estão sem baterista e o culto hoje vai ser tão bonito, seria ótimo poder contar com uma banda completa — fico espantado com a facilidade que ele tem em mentir.
— E você vai com quem?
— Meu amigo bem buscar a gente e quando acabar também nós traz de volta.
Meu medo é do Pastor achar que eu quem pedi para ir, mas Isaac está parecendo bem convincente com sua desculpa, então espero não levar um sermão por conta disso.
— Seus pais conhecem esse amigo Isaac?
— Sim senhor, inclusive ele até já frequentou algumas vezes a nossa congregação.
— Então sendo assim, se ele vai vir buscar vocês e depois deixar, tudo bem, mas quando acabar o culto quero o Jonas em casa.
— Sim senhor, até porque é na outra cidade, não é bom ficar depois do culto para não voltarmos tão tarde.
— Verdade, Jonas, você pode ir, mas leve o celular para o caso de precisar me ligar ou se eu quiser falar com você.
— Sim senhor!
Estou ainda sem acreditar que deu certo, agora só quero saber como esse Atribulado do meu namorado vai conseguir um amigo de carro e que os pais dele conheçam para nos levar para onde quer que ele esteja planejando me levar. Parte de mim está vibrando pela aventura que é namorar o Isaac, mas outra parte de mim treme só de pensar no que o Pastor pode fazer se descobrir.
— As seis e meia meu amigo passa para buscar a gente — diz Isaac tomado por uma confiança assustadoramente natural.
— Tá bom — digo.
Depois disso nos despedimos e fui para dentro de casa junto do Pastor. Vou ter um momento com Isaac hoje, mas do que só vinte minutos, tipo coisa de umas duas horas pelo menos, parece um sonho virando realidade. Meu esforço para não transparecer uma empolgação que me denuncie é tremendo.
Tomo um banho rápido, depois almoço quase sem mastigar a comida direito, o Pastor e a serpente pensam que estou assim por causa do celular, mas estou bem mais ansioso em poder sair com Isaac mais tarde. No quarto finalmente pego a caixa para ver meu celular novo — pelo menos posso me distrair um pouco com ele.
É um modelo novo de uma boa marca, ele desliza a tela para cima revelando seu teclado, além de ter uma ótima câmera ele também tem MP3. Vou poder devolver o MP3 do Isaac, mas só depois de conseguir por essa playlist no meu celular, a playlist que o meu namorado fez especialmente para mim.
— Jonas — O Pastor entra no quarto sem bater.
— Oi Pastor.
— Aqui — sua mão estendida com um chip para mim — passei na farmácia e comprei antes de vir para casa.
— Obrigado Pastor.
— Tem aí na embalagem o número e como que faz para configurar.
— Sim, estou vendo aqui — quando o Pastor age como meu pai quase chego a esquecer que na verdade ele é um monstro.
— Não tem crédito a moça disse que tem que colocar depois que cadastrar o chip, você faz aí que depois quando eu tiver tempo volta na farmácia para colocar para você.
— Tudo bem Pastor, quando o senhor puder —
Não vou mentir, queria já poder sair usando meu celular, mas posso esperar por uns dias, afinal posso usar o aparelho para tirar foto e também para ouvir música — ele veio com o cabo, o Davi tem computador em casa, rapidinho ele consegue por minhas músicas no telefone. Enquanto coloco o chip no celular e configuro tudo certinho o Pastor me deixa sozinho de novo.
Como tinha planejado o primeiro número que salvo no meu celular é o do Isaac, minha vontade é de salvar como amor, mas não posso, se o Pastor pega isso no meu telefone eu vou está ferrado, depois do número dele salvo do Davi — gosto de pensar que o Davi é meu melhor amigo ultimamente, depois do Isaac é claro — então do meu pai e muito a contragosto salvo o número da serpente vulgo minha madrasta.
Pego a caixa que ele veio para jogar fora, quando vejo que tem um endereço do remetente. O endereço é de outro estado, só que é um estado vizinho. Sempre pensei que ela tinha ido para o mais longe possível do ex marido — o Pastor — mas até que faz um pouco de sentido, nós morávamos em São Paulo, ela fugiu para o nordeste, depois por ironia do destino o Pastor veio para o lado dela.
Mas não importa, não quero saber nada disso, pois não me importa, perto ou não nada vai mudar. Rasgo a caixa e a jogo no lixo. Vou na cozinha tomar um água e aproveitar para exibir meu celular novo para a serpente que ódio que eu pude ficar com ele.
Volto para o meu quarto. Meus olhos vão direto para a lixeira, respiro fundo e retirar os pedaços rasgados da caixa, junto tudo na minha mesa e essa é a primeira foto que vai para o meu armazenamento do celular. Não sei para que quero esse endereço, mas não consigo só jogá-lo fora, então vou deixá-lo guardado e esperar para ver o que acontece.
Enfim chega a hora de sair. Manter a calma é uma tarefa quase impossível, já troquei de blusa uma três vezes, mas no fim como o Pastor acha que vamos para um culto acho melhor vestir minha roupa padrão, a blusa de botões branca e uma calça social preta, meu sapato social e uma gravata azul escuro — a gravata acaba ficando um pouco exagerada então a tiro — quase visto meu terno logo, juro se não sair de casa logo vou pirar.
— Jonas — Chama o Pastor — o Isaac está te esperando.
— Já vou — responder, agora não tem mais o que fazer, passo perfume e saio.
Isaac está lindo, ele é lindo, mas com roupa social não me canso de contemplar o quanto meu namorado fica gostoso, a calça social valorizando sua bunda que eu tanto ama apertar e nossa a camisa se ajustando ao seu corpo magro, sinto um calafrio percorrer minha espinha, me sinto até mal de pensar em arrancar sua roupa e fazer amor com ele a noite toda, pois estou vestido para ir a igreja, não dá para pensar safadezas enquanto estou “indo” para o culto.
— Pastor esse aqui é o Ricardo — esse deve ser o amigo que ele comentou, o cara está de calça jeans e uma camisa de farda, pelo emblema acho que ele deve trabalhar em uma fábrica que tem no caminho entre nosso interior e a cidade.
O cara é da minha altura e tem a pele clara, cabelos grandes e ondulados, como está dirigindo e aparentemente vindo do trabalho acredito que ele seja mais velho do que Isaac e eu. Ele cumprimenta meu pai, e depois disso saimos os três de carro, estou no banco de trás enquanto os dois conversam no banco da frente.
— Ah Zac, você me mete em cada uma — diz o cara.
— Até parece Ric — a intimidade entre eles me deixa um pouco enciumado, mas não vou transparecer.
— Ah, olha esse é o Jonas meu namorado — ele me apresenta sorrindo feito um bobo apaixonado, até me faz esquecer o ciúmes — esse é meu irmão de outra mãe Ricardo, mais pode chamar ele de Ric.
— Prazer Ricardo — digo timidamente.
— O prazer é meu Jonas, finalmente estou conhecendo o famoso Jonas.
— Famoso? — Pergunto confuso.
— É que o Zac só fala de você desde que te conheceu.
— Para se não ele vai ficar convencido — Isaac pisca para mim.
— Até parece que eu não sabia que você é louquinho por mim Isaac — desvio meu olhar para janela enquanto falo, não quero que ele me veja com vergonha.
— Te falei que ele é arisco — diz Isaac rindo.
— Quem diria em Zac que você iria se apaixonar de verdade.
— Ele é pesadinho, mas eu gosto — quero pular do carro em movimento.
— Vocês se conhecem há muito tempo? — Pergunto mudando de assunto.
— Ano passado — responde Isaac.
— É, ele era meu cunhado e agora é meu amigo — completa Ricardo.
— Ainda bem né, que você se livrou daquele palhaço — entro em choque, Ricardo é ex do Davi?
— Você é ex do Davi?
— Infelizmente — responde Isaac.
— Não fala isso, mas sim, você já conheceu seu cunhado? — Ricardo pergunta.
— Cunhado é meu pau, o Davi não é dado meu — Isaac nem parece que estava rindo, pois já está mau humorado do jeito que sempre fica quando fala do irmão.
— A gente estuda na mesma sala — digo.
— Como ele tá?
— Para que você quer saber Ric? — Pergunta Isaac de forma ríspida — já esqueceu o que ele fez?
— Não vou voltar para ele Zac, só tô perguntando — defendeu Ricardo.
Quero saber porque eles terminaram, mas com certeza seria rude da minha parte perguntar então fico na minha. O assunto “Davi” se encerrou por causa do mau humor do meu namorado, enquanto puxo o assunto que quero muito saber.
— Para onde estamos indo?
— Para casa do Ricardo — Isaac me responde.
— Eu tenho um aniversário para ir, então vocês dois se comportem — Isaac começa a rir e eu fico duas vezes com mais vergonha agora.
A casa do Ricardo não fica na outra cidade, mas já é quase na saída. É engraçado que ele nem desce do carro, fica parecendo que a casa é do Isaac e não dele e que só veio nos trazer mesmo — bem meio que foi o que rolou, mas você entendeu. — Sinto um nervoso em mim, mas Isaac segura meu ombro e aperta, esse simples gesto me faz lembrar que é o Isaac, o Senhor Perfeitinho, então não tenho com o que me preocupar, só curtir.
Ricardo mora em uma Kitnet, é a última do corredor de cima. A primeira coisa que eu vejo é a sala, com dois puffs grandes de cores diferentes no chão, uma Tv de 20’ sobre uma mesinha, e uma janela de vidro com curtinhas meio transparente dançando a média que uma brisa fresca entra. O espaço é pequeno pois ao lado da porta da entrada já tem um balcão que divide a sala de uma micro cozinha, também vejo duas portas, imagino que uma seja o banheiro e a outra o quarto.
Isaac fecha a porta atrás de mim e me agarra por trás, beija meu pescoço, depois vai até meu ouvido e fala:
— Um dia vamos morar em um apezinho assim, só nós dois — me arrepiei inteiro.
— Isaac — digo com a voz falha, como posso dizer a ele que quando terminar meus estudos vou fugir para o mais longe possível? Será que ele viria comigo?
— Isso é para o futuro, agora vamos nos concentrar no nosso hoje — diz me virando de frente para ele.
Em seus olhos eu me perco, sua boca me atrai para um beijo, seu sabor me desconcentra, não penso mais, só fico duro e desejando que nossos corpos se unam em um só. Agarro Isaac como se essa fosse nossa última vez, porque se tratando da minha vida essa pode ser.
Ele me leva até o quarto sem separar sua boca da minha, suas mãos habilidosas desabotoando todos os meus botões. Tira minha camisa com cuidado para não amassar — é um gesto simples, mas que me faz sorrir feito um bobo — quando vou desabotoar meu sinto, Isaac acerta minha mão com um tapinha de leve.
— Deixa que eu faço isso — sua voz é poderosa não posso questionar.
Antes de tirar minha calça ele me faz sentar na cama e se ajoelha na minha frente — parece que desaprendi a respirar, pois meu peito fica pesado — sem tirar os olhos dos meus Isaac tirou meus sapatos, ele não parece está com pressa pois faz tudo com muita calma e gentileza. Depois minhas meias fazendo uma leve massagem nos meus pés.
— Isaac a gente — ele me interrompe.
— Temos tempo, hoje eu vou aproveitar cada pedaço seu — então para terminar de me matar ele beija meu pé.
Uma corrente elétrica percorre todo o meu corpo, não estava preparada para isso. O safado rir percebendo que me venceu de novo, estou entregue a ele. Agora sim ele se concentra no meu cinto e então me leva a calça com cueca e tudo. Fico meio envergonhado por está completamente pelado, mas os olhos dele em mim não são de travessura como de costume, é luxúria, pura e evidente. Isaac me deseja e isso é assustador ao mesmo tempo que me excita mais do que qualquer coisa que eu já tenha pensado ou feito.
Ele tira sua camisa, assim como fez com a minha Isaac, desabotoa cada botão da camisa sem tirar os olhos do meu corpo. É como se estivesse a dias no deserto e agora encontrou seu oásis.
— Você não faz ideia do quanto é bonito — suas palavras me fazem estremecer.
— Para seu bobo — desaprendo a reagir a ele, é isso que ele faz, ele me desconfigurou por inteiro, me tirando da minha graça.
O sorriso que vem sempre que ele mexe comigo me faz querer cair todas as vezes em suas provocações. Os pelos em seu peito são uma das minhas coisas favoritas nele, faz ele parecer mais viril, mas macho para mim, não sei explicar, apenas ama isso nele.
Isaac me toca fazendo meu membro pulsar na sua mãe. Seus olhos ainda presos nos meus me arrancam o resto de sanidade que me resta levando sua boca até meu membro, o calor da sua boca junto a maciez de seus lábios, poxa vida se isso é pecado, então é o pecado mais delicioso de todos.
Sentado com ele entre minhas pernas com meu membro na boca, chupando cada pedaço dele como se fosse seu doce favorito, até os dedos do meu pé se contorcem em resposta, Isaac vai até o fundo fica por uns segundos e volta, ele ainda repete isso algumas vezes me torturando, pois segurar meu gozou virou uma prova de fogo.
Ele me chupa com tanta vontade que meu coração parece até que vai sair pela boca. Mas me perco de vez quando seus braços levam minhas pernas para seus ombros, me deixando exposto. Não entendo o que ele quer fazer até sentir sua língua quente no meu cuzinho, — olha preciso aprender a língua para não soltar uma blasfêmia agora.
Me fodendo com sua língua ele me leva ao completo delírio, tudo que sai da minha boca são gemidos e sons, se duvidar desaprendi até meu nome. Meu cuzinho pisca pedindo por mais. Sua boca volta para o meu pau, enquanto dois dedos dele — que já conheço bem — me penetram da forma que ele já sabe que eu gosto, mas ser fodido pelos seus dedos com meu membro na boca dele fez nossa intimidade ir para outro patamar.
— Isaac, eu vou gozar assim — agarro seus cabelos, mas ele não para — vou gozar!
Não consigo mais segurar, gozo dentro da sua boca, ao mesmo tempo que eu aperto seus dedos dentro de mim, Isaac toma tudo sem reclamar, continuando a me chupar até sair a última gota do meu prazer. Se eu morrer agora pode ter certeza de que vou feliz. Depois de limpar meu membro com a linguá ele sobe até minha boca e me beija, em um beijo completamente apaixonado.
Ele me beija, mas quero mais.
— Eu quero tentar de novo amor! — Vejo seus olhos faiscando quando escuta a palavra “amor” sair da minha boca.
— Tem certeza?
— Tenho — agora essa é a única certeza que eu tenho.
Ele fica de pé e tira a calça. Isaac é lindo demais, ainda mais pelado. — Eu disse que ia chegar não disse, bem continuando — sua barba rala no meu pescoço me fazendo delirar de tanta vontade de ser dele.
Isaac levanta para pegar camisinha e lubrificante no bolso de sua calça, estou ansioso, mas não de um jeito ruim, venho pensando e desejando esse momento desde a primeira vez que fizemos, até tive sonhos. Ele vestiu a camisinha e passou bastante lubrificante. Já me deito de lado, pois ele me disse que essa é a melhor posição para começarmos.
— Já sabe, se doer muito me avisa e eu paro — vou fugir hoje.
— Sim.
Com meu aval para começar sinto Isaac deslizando cada centímetro do seu enorme membro para dentro de mim, a dor bem junto, porém dessa vez sinto menos dor do que da primeira vez. Jogo o quadril para trás ficando mais arrebitado para ele, o que o deixa ainda mais a fim de entrar em mim.
— Tá quase todo dentro, está doendo muito?
— Não, está bom — digo.
— Quer esperar um pouco comigo dentro para você ir se acostumando? — Ele é tão cuidadosos comigo que chego a ficar meio emocionado.
— O que foi, tá doendo muito? — Pergunta preocupado enquanto enchuga uma lagrima que escapou dos meus olhos.
— Pode ir, eu aguento.
— Mais você tá chorando amor? — Poxa vida, ele quer acabar comigo, só pode.
— Não é por causa da dor — digo morto de vergonha.
— É por causa de quê então? — Pergunta confuso.
— Eu te amo — digo tão baixo que ele não escuta.
— O que?
— Eu te amo Isaac, pronto falei e não vou repetir — quero morrer de tanta vergonha, quem diz que ama outra pessoa com menos de um mês e ainda mais com o penis do cara dentro de mim me rasgando todo.
— Oxé amo, eu também te amo.
Os pelos do peito dele colam mais minhas costas e seu membro finalmente vai até o fundo atingindo minha próstata me dando um prazer totalmente novo e perfeito. Depois disso qualquer barreira que tinha entre nós simplesmente some, Isaac deita sobre meu corpo e começa a me dar prazer com força e de forma intensa, meu gemido não é mais de dor é se satisfação, estou conectado com ele e isso é tudo que importa agora.
Isaac entra e sai de mim com força, ele urra de tanto tessão que está sentindo também, essas sensações são novas para mim, mas estou amando cada uma delas, porque estou com ele, o corpo dele batendo no meu, cada vez que seu membro sai de mim já quero que volte lá para o fundo.
— Ai amor!
— Tá doendo? — Ele volta a se preocupar.
— Tá, mas eu aguento — quero pedir uma coisa a ele, mas acho que já me expus tanto que não tenho mais coragem.
Meu amor continua entrando e saindo de mim até não aguentar mais segurar, Isaac entra todo e solta mais um urro de prazer e goza ainda estando dentro de mim. Ficamos assim por um tempinho com ele beijando minha nuca e meus ombros, até que ele sai de dentro de mim, percebo ele tirando a camisinha com cuidado para não sujar a cama e dando um nó.
Me sinto um pouco mal por ele ser tão mais experiente, infelizmente o ciúmes é um dos sentimentos que o Isaac me trouxe e que ainda não sei muito bem como lidar com ele.
— O que foi Amor? — Ele pergunta quando me vê pensativo.
— Nada — eu sei que ele vai rir se eu falar.
— Pode falar, vai, a gente acabou de transar — seus braças me colocam no seu peito.
— Isaac, você já teve algo com Ricardo?
— O que? Não, eu te falei só sai com um cara.
— Eu sei que vocês são tão próximos — só me sinto mais bobo agora que comecei a falar.
— É que o Ric me ajudou muito quando eu estava — ele busca uma palavra na mente então fala — confuso.
— Você ainda tem contato com o cara com quem você ficou?
— Não, ele é do trabalho do Ric, mas não mora na cidade.
— Desculpa — não quero desconfiar dele, só que não entendo o que estou sentindo.
— Tá tudo certo, eu não tenho porque te esconder nada, pode sempre me contar qualquer coisa — eu amo ele, principalmente quando não está pegando no meu pé com suas piadas bestas.
— Olha eu tenho ciúmes de você tá bom — digo de uma vez.
— Que bom, porque eu também morro de ciúmes de você — ele responde me pegando de surpresa — tipo não quero que você seja amigo do Davi.
— Isaac por favor não começa.
— Ué, você pode ter ciumes das meninas e eu não posso ter dele?
— O Davi não quer namorar comigo, a Raabe quer namorar com você — a gente começa a discutir.
— Amor nada haver isso ai, a Raabe é só minha amiga.
— Assim como o Davi é só meu amigo — respondo.
— Vamos esquecer todo mundo é só aproveitar nosso momento juntos pode ser?
— Pode, só tem uma coisa — aproveito o pouco de coragem que eu tenho.
— O que foi? — Pergunta curioso.
— Pode me chamar daquele jeito quando tiver, você sabe, dentro de mim.
— Você me deixa de pau duro se comportando assim todo inocente sabia — de fato ele está duro.
— Eu não sou inocente, eu posso ser tão safado quanto você — já falei pegando no membro grosso e duro dele.
— Ai é, então me diz como é que eu tenho que te chamar quando estiver metendo em você? — Isaac é vulgar sem nem pensar direito.
— Você sabe, a gente fez isso da última vez.
— Sabe que eu não me lembro.
— Vai se capar Isaac — solto o pau dele e me viro ficando de costas, mas ele me encha já com seu membro pressionando na entrada no meu cuzinho.
— Você fica mais gostoso quando está com raiva de mim sabia — diz ele no meu ouvido — eu vou te dar muito prazer entrando em você hoje, Filho do Pastor.
