PLUGADOS PELO CU E PELA GLÓRIA!

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Homossexual
Contém 1512 palavras
Data: 05/03/2026 13:09:33

O galpão da antiga fábrica de parafusos "Santa Elvira" nunca viu tanto cu exposto e cheiro de sodomia condensada sob o mesmo teto. O chão de cimento irregular, manchado de graxa e esperma dos ensaios anteriores, recebia os corpos seminus com uma acolhida fria. Era ali que a centopéia humana ganharia forma. E nome. E fama.

Tudo começou com uma ideia idiota:

“E se...”, disse Beto Cotovelo numa mesa de bar, “...a gente fizesse uma centopéia humana, mas com rola no cu em vez de pica na boca?”

O silêncio posterior foi quebrado apenas por um arroto de cerveja e uma risadinha abafada do Rafinha, que naquela noite usava um shortinho tão justo que o rego parecia sorrir.

Mas aquilo grudou na mente de todos. Como porra nos pentelhos. Cresceu. Germinou. Floresceu.

Duas semanas depois, havia um grupo no Telegram com 243 membros, um PDF com logotipo, estatísticas e planos de emergência médica, e um crowdfunding que já tinha arrecadado quase 12 mil reais.

O evento foi batizado de “Plugados pela Glória — O Encadeamento da Consagração”.

O DIA ANTERIOR

A véspera foi quase xamânica.

Noite de unção anal.

As esposas e namoradas, antes céticas, viram-se tomadas por um espírito de solidariedade suada. Um pacto de apoio insano. Decidiram, juntas, em um grupo chamado “Cu é Cultura”, que fariam amor com seus homens naquela noite. Amor suado, desesperado, anal ou vaginal, não importava — era a despedida antes da grande penetração coletiva.

Miriam, esposa de Zezão, chorava ajoelhada diante do marido nu enquanto lambia-lhe os testículos, dizendo:

— Vai com Deus, meu amor. E se doer, pense em como o meu cu se sente quando você arromba ele com essa rola de jumento.

Já a traveca Sabrina do Engenho foi fodida com violência por um fã que só queria "desejar boa sorte pra rainha". Ela engasgou com o pau dele três vezes, sorriu entre lágrimas e cuspiu sangue.

— Tá selado o pacto — disse, enquanto aplicava lubrificante industrial nas nádegas com uma pistola de graxa.

OS PREPARATIVOS

Na manhã do evento, o caos era um orgasmo interrompido.

O caminhão pipa com os 500 litros de lubrificante "SlipSlide Extra-Flex" estava parado na marginal.

Os preservativos tamanho XXL (cavalo) haviam sido trocados por camisinhas sabor menta para médio dotado.

A estrutura de contenção dos corpos deslizava mais do que devia, e dois voluntários já tinham se estatelado com o pau mole sobre o cimento frio, causando microfraturas no cóccix e no orgulho.

A equipe de produção improvisava.

— Usa óleo de cozinha!

— Traz KY da farmácia do Edir!

— Passa cuspe! Mijo! A namorada faz um boquete antes! Qualquer porra serve!

A tensão era tanta que um dos femboys, Tonzinho Glitter, teve um surto, arrancou a peruca e começou a correr pelado pela rua gritando:

— EU TENHO HEMORRÓIDA, PORRA!

Mas voltou trinta minutos depois, com uma máscara de pinguim e três poppers no bolso.

A FORMAÇÃO

Era hora.

Corpos nus se alinhavam, gemendo, rindo, tremendo de nervoso. Alguns paus já subiam, outros ainda moles.

O DJ colocava uma trilha que mesclava Enya com gemidos gravados por inteligência artificial.

A iluminação era um show à parte: luz negra, estroboscópio, lasers nos ânus.

A posição era simples: cada um com o pênis enfiado no cu do da frente, criando uma corrente anal inquebrantável.

— VAI! — gritou Sabrina.

— EU JÁ TÔ DENTRO! — respondeu Cotovelo.

— TAMBÉM TÔ ENCAIXADO! — ecoou pela fileira.

Um a um, os encaixes aconteciam. Lentamente. Com dificuldade. Gemidos. Peidos. Pregas ardendo. Parafusos emocionais se soltando.

Alguns choravam de dor. Outros riam descontroladamente. Um ou outro gozava já no encaixe.

Era grotesco. Era lindo. Era o caos sexual ritualizado.

O CLÍMAX

A centopéia contava agora com 71 corpos plugados.

Homens de barba grisalha, femboys depilados, travestis de cílios colados com cuspe, todos unidos pelo orifício nal e pela vontade de bater o recorde que pertencia ao Japão.

Um drone filmava do alto.

As câmeras captavam closes absurdos: cus dilatados, pênis escorregando, alguém gozando, o beijo entre dois participantes que nunca se viram, o gemido final de Bilu:

— EU TÔ VIVO, PORRAAA!

De repente, a energia caiu.

O som parou. A luz negra morreu.

Silêncio.

Escuridão.

Cheiro de cu.

Por três segundos, ninguém se mexeu.

Então… o primeiro grito:

— CONTINUA!

— NÃO PODE PARAR!

— EU AINDA TÔ DENTRO!

E eles continuaram. Uns começaram a comer os cus dos outros, numa loucura febril de pura libertinagem.

Com as entranhas em festa e sem enxergar nada, eles seguiram plugados, fudendo uns aos outros.

Alguns grunhiam como animais, outros cantavam louvores baixinho, uns gozavam e gemiam, alguns choravam e desmaiavam.

O FIM

Na manhã seguinte, o galpão cheirava a porra, sangue, mijo e cu suado.

Os corpos dormiam entrelaçados, exaustos, alguns ainda plugados.

Um médico plantonista, ao entrar, desmaiou.

A notícia se espalhou.

O vídeo vazou.

A sociedade reagiu com nojo, fascínio e uma dose perigosa de inveja.

E, numa entrevista coletiva, Sabrina do Engenho disse:

— Não foi sobre sexo. Foi sobre pertencimento. Sobre se deixar invadir. Literalmente.

— E se isso é ser gay — completou Beto Cotovelo — então me deixe plugado até o juízo final.

E ninguém, absolutamente ninguém, saiu daquela noite da mesma forma que entrou.

Porque alguns eventos não se assistem.

Se penetram.

Pós-Evento

SEQUELAS FÍSICAS: A DOR VEM DEPOIS

O Hospital Municipal de São Bentinho foi tomado por uma nova síndrome:

Síndrome do Ânus Ressonante.

Os médicos não sabiam o que fazer.

“São casos de dilatação severa, trauma retal, ruptura de esfíncter, lubrificante até no pulmão”, disse a enfermeira Antônia, com um crucifixo tremendo no peito.

Dos 71 participantes, 43 foram internados nas primeiras 24 horas.

Cinco perderam momentaneamente o controle esfincteriano.

Dois tiveram o pênis dobrado em 90 graus, criando o que especialistas chamaram de “curvatura emocional peniana”.

Bilu, o femboy mais novo do grupo, teve de reaprender a andar após um pequeno colapso no quadril.

Mas ele só dizia:

— Valeu cada centímetro.

SEQUELAS PSICOLÓGICAS: O CU COMO LEMBRANÇA

A maior parte não voltou pra casa como saiu.

Havia agora um vazio estranho, uma saudade de estar com o cu preenchido, de fazer parte de algo tão insano que fizesse sentido.

— Às vezes acordo com a sensação de que meu cu tá clamando por algo — disse Zezão, já de volta à igreja, agora convertido à doutrina do “Espírito Santo Inserido”.

Alguns desenvolveram TOC anal-fantasioso: só conseguiam dormir nus, deitados de bruços, com objetos fálicos enfiados no rabo.

Outros tentaram recriar a experiência em casa, com amigos, parentes.

Rafinha tentou plugar o pênis num buraco na parede. Quase perdeu a glande.

Foi diagnosticado com “Síndrome do Reto Abandonado” e começou a fazer terapia com estímulos auditivos de gemidos e barulhos de lubrificante sendo aplicado nas pregas.

REPERCUSSÃO NA MÍDIA: DO HORROR À CELEBRAÇÃO

O vídeo do drone, vazado no X (antigo Twitter), atingiu 23 milhões de visualizações em 4 dias.

Os comentários variavam:

– “Nojo.”

– “Arte.”

– “Como faço parte da próxima?”

– “Isso é o fim dos tempos.”

– “Isso é só o começo.”

Jornais de direita pediam apuração e processo. Os Japoneses aplaudiam o novo recorde.

Blogs alternativos falavam de “ruptura performática do gozo binário”.

O Vaticano lançou um comunicado vago, condenando “atos de inserção coletiva com intenções glorificadas”, sem mencionar nomes.

Um documentário francês começou a ser produzido:

“Les Anus Connectés: Une Histoire de l’Espoir.”

E, claro, a pornografia reagiu.

Produtores do Leste Europeu procuraram Sabrina para estrelar “Centopênis 2: A Vingança das Glandes”.

NOVOS PROJETOS: UMA NOVA ERA DE PLUGAGEM

Do núcleo original, surgiu uma ONG:

“Plugue Com Dignidade”, com sede em um antigo puteiro reformado.

Missão: lutar pelo direito à prática sexual extrema consensual e documentar os efeitos sociais da união pelo cu.

Beto Cotovelo, agora celebridade do submundo, criou o projeto “Plug nas Escolas” — palestras educativas sobre sexualidade, consentimento e lubrificação comunitária.

Foi preso em dois estados, liberado em três, e hoje dá palestras online usando uma máscara de rato e batendo punheta durante as lives.

Outros projetos em fase de planejamento:

– “Plug no Campo”: a maior centopéia rural, com tratores ao fundo.

– “Plug Aquático”: formação dentro de uma piscina semiolímpica, com snorkel anal.

– “Plug no Cristo Redentor”: este foi vetado por risco de queda fatal e pressão religiosa, mas ainda é sonho para 2027.

TRANSFORMAÇÕES ESPIRITUAIS

Alguns dos plugados originais fundaram uma seita.

Nome: "CU GLORIFICADO"

Sede: um contêiner pintado de dourado, com um altar em formato de ânus dilatado.

Lá, eles celebram rituais em que se conectam não pelo sexo, mas pelo toque espiritual do reto iluminado.

Zezão, agora “Pastor Plugário I”, prega o Evangelho da Penetração Redentora.

Os cultos incluem confissão com dildo, comunhão com supositórios e cânticos guturais inspirados nos gemidos da noite original.

EPÍLOGO: E VOCÊ, PLUGARIA?

No fundo, entre sangue, esperma, lubrificante e solidão, a centopéia anal foi mais que um evento.

Foi um grito contra a solidão do orgasmo, um manifesto da carne querendo fazer parte de algo que a alma não compreende.

Os plugados não são heróis.

Não são mártires.

São só pessoas cansadas de transar com a própria sombra.

E quando a sociedade se recusa a escutar seus desejos, eles encontram um jeito de enfiar a verdade bem no cu do outro.

Literalmente.

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