Gosto amargo 1
A dúvida e o engano criam uma mistura estranha.
Pum! Eu não esperava por isso, e o tapa me fez cambalear para trás, com os ouvidos zumbindo. "Que diabos foi isso?" gritei, sentindo um gosto amargo na boca.
Espere, preciso voltar algumas semanas e explicar algumas coisas, senão isso não fará sentido nenhum.
Entrei em casa pela garagem e fui para a cozinha pouco depois das 17h, horário em que costumo sair do trabalho. A empresa para a qual trabalho tem vários clientes no Rio, então começo a trabalhar às 7h da manhã todos os dias para ter um pequeno intervalo de tempo entre os horários. Levei um tempo para me adaptar ao horário, mas agora gosto dele.
Ao entrar na cozinha, instintivamente olhei para o nosso quadro de avisos, mas a única anotação que vi foi: "Trabalhando até tarde".
Puxa, acho que isso significa que vou jantar sozinho de novo hoje à noite.
Quando Ana e eu nos casamos e morávamos naquele pequeno apartamento, penduramos um quadro-negro na parede da cozinha para coordenar nossos horários. E quando compramos a casa, mantivemos a tradição.
No começo, a gente trocava bilhetinhos de amor meio constrangedores. Lembro de uma vez que mandei um recado para ela dizendo: "Mal posso esperar para chegar em casa do trabalho, Cajuzinho. Já estou com saudades!". Quando cheguei em casa naquela tarde, ela tinha escrito: "Sinto mais saudades de você - e não me chame de Cajuzinho!". A gente se conheceu numa padaria e eu comecei a chamá-la de "cajuzinho" naquela época. Agora que ela estava mais estabelecida, não queria que os outros soubessem o apelido carinhoso que eu usava para ela, mas foi difícil para mim me livrar desse hábito.
Sim, eu sei, os bilhetes e o apelido soam um pouco melosos, mas significavam muito para mim — especialmente agora que a doçura do nosso relacionamento parece ter diminuído. Hoje em dia, tenho sorte se encontro um bilhete me dizendo o que ela vai fazer e quando espera chegar em casa. Ou, como hoje, apenas "Trabalhando até tarde".
Não sou ingênuo. Sei que até as joias mais brilhantes perdem o seu brilho com o tempo, e que a rotina e a familiaridade podem apagar o encanto de um novo amor. Mas, durante o último ano, senti que algo mais do que a familiaridade estava mudando nosso relacionamento. Não era apenas o fato de não estarmos mais deixando bilhetes de amor um para o outro; as coisas tinham chegado a um ponto em que quase não passávamos tempo juntos.
É claro que meu horário de trabalho era parte do problema. Durante a semana, eu saía para o escritório bem antes dela sequer acordar. Mas o trabalho dela agravava a situação. Veja bem, Ana é formada em administração mas está trabalhando como corretora de imóveis credenciada e que também paga muito melhor do que na carreira de administração e, embora seu escritório tenha horário comercial fixo, ela está basicamente à mercê de qualquer vendedor ou comprador. Quer fazer uma oferta por uma casa às 21h? Ana vai até a sua casa para te ajudar com a papelada. Está tentando vender sua casa? Ana vai organizar um open house que a deixará ocupada a tarde toda de sábado ou domingo. Deu para entender, né?
Mas isso não é nem metade da história. Há dois anos, Ana resolveu se candidatar a uma vaga no Conselho Municipal. Fiz o possível para dissuadi-la, mas amigos e conhecidos continuaram a incentivá-la. Na época, não me preocupei muito, pois nosso vereador veterano havia obtido dois terços dos votos na última eleição. Mas, no meio da campanha, sua esposa sofreu um AVC e ele desistiu da candidatura para cuidar dela. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, minha esposa já estava assumindo sua cadeira na Câmara Municipal.
Isso, é claro, resultou em uma série de novas responsabilidades para ela. Não eram apenas as reuniões mensais da Câmara. Logo, Ana também estava se reunindo com eleitores, participando de grupos de trabalho e fazendo tudo o que se espera de um vereador eleito.
Quando estive com ela no palanque na noite da eleição, quando ela foi reeleita, senti orgulho dela e de seu sucesso. Quando vi o quanto suas novas responsabilidades a faziam feliz, fiquei radiante por ela. Mas, com o passar das semanas, o tempo que tínhamos juntos foi diminuindo cada vez mais. Quando tentei tocar no assunto, ela ficou na defensiva, me acusando de ciúme e de falta de apoio.
Tudo isso já seria ruim o suficiente, mas ao longo do último ano tenho notado uma mudança na atitude dela. Não é só que ela pareça mais fria comigo; ultimamente, quando estamos juntos, tenho percebido uma atitude de condescendência que beira o desprezo. Não houve nada explícito, entenda bem, apenas uma sensação que tenho.
Com todo o tempo que tive para mim, fiquei remoendo bastante a situação. Não se surpreenda ao saber que isso me deixou numa situação ruim. Fiquei incomodado com a perda de tempo com ela e ressentido com as exigências que se interpuseram entre nós. Ainda me lembro de uma noite em que estávamos nos aconchegando. Estávamos no meio de uma transa alucinada, com ela gozando aos berros quando o telefone tocou. Adivinhe: era um dos clientes dela do ramo imobiliário com uma "emergência" que ela precisava resolver. Até hoje, isso ainda me incomoda. Mas, para ser justo, também me lembro da vez em que tive que cancelar nossos planos de uma viagem de fim de semana porque um dos maiores clientes da minha empresa teve uma queda de rede.
Então sentei-me à mesa da cozinha e tentei organizar meus pensamentos. Talvez eu não esteja sendo justo com a Ana. Talvez eu esteja apenas com ciúmes porque outras pessoas monopolizam muito do tempo dela.
Mas, como engenheiro de redes, desenvolvi a capacidade de identificar problemas com base em sintomas aparentemente insignificantes. E meu instinto me dizia que havia algo mais em jogo do que os fatores que eu havia considerado até então.
Não eram apenas nossas agendas malucas que me causavam tanto desconforto. Talvez sim, percebi, a atitude dela em relação a mim. Quando ela se tornou vereadora, estava tão ansiosa para me contar tudo o que acontecia na Câmara Municipal e no Gabinete do Prefeito. Mas agora ela nunca mais tocava no assunto. Será que era só o entusiasmo inicial que a estimulava, ou será que ela simplesmente decidiu que eu não valia a pena conversar? Essa possibilidade me incomodava muito.
De repente, um pensamento verdadeiramente sombrio me atingiu: e se ela estivesse tendo um caso? Imediatamente rejeitei uma ideia tão vil; meu cajuzinho jamais me trairia. Mas eu não conseguia tirar essa ideia da cabeça, porque parecia responder a muitas das minhas perguntas. O que ela realmente fazia todas aquelas noites em que trabalhava até tarde? Ela podia estar atendendo clientes, mas também podia, percebi, estar se encontrando com um amante. Por que ela não me dizia mais para onde ia? Era porque simplesmente não se importava, ou porque não queria que eu soubesse? Por que ela era tão fria comigo sempre que estávamos juntos? Será que ela passou a me desprezar agora que me tornei seu corno involuntário?
Quanto mais tempo eu ficava sentado ali pensando, mais sentia que estava mergulhando numa espiral de raiva e suspeita. Eu precisava fazer alguma coisa para interromper esse fluxo de pensamentos antes que fizesse alguma besteira irreversível. Então, levantei da mesa e vesti umas roupas velhas de trabalho. Depois, peguei o cortador de grama e ataquei o gramado até ficar escuro demais para enxergar.
O exercício físico ajudou um pouco. Eu ainda não conseguia parar de pensar na situação, mas me acalmei o suficiente para elaborar um plano de ação. Quando uma rede começa a apresentar problemas, meu primeiro passo é realizar uma série de testes para identificar a causa. Preciso fazer o mesmo com meu casamento: fazer o diagnóstico e descobrir o que deu errado.
Durante um jantar com sobras, fiquei pensando em quais ferramentas de diagnóstico eu poderia usar. Estou bastante familiarizado com muitas das maravilhas eletrônicas que facilitam espionar alguém. Mas quanto mais eu pensava nisso, mais complicado o problema se tornava. Claro, eu poderia colocar microfones e câmeras pela casa, mas com o pouco tempo que Ana passava em casa, parecia improvável que isso revelasse algo útil. Era o tempo que ela passava fora de casa que me preocupava.
Pensei em colocar um rastreador no carro dela, mas de que adiantaria? Entre visitas a imóveis e reuniões da Câmara Municipal, minha esposa estava sempre em movimento. Tocaia em um hotel? Ela estava sempre participando de almoços e realizando reuniões em salas de conferência de hotéis. Dispositivos de gravação em miniatura? Tentar grampear todos os telefones que ela usa? Nada parecia muito promissor.
Eu sabia a resposta, mas não queria usá-la porque imaginei que provavelmente seria caro. Mas contratar um profissional era claramente a melhor opção, então sentei no computador e pesquisei por agências de detetives. Bem, isso não ajudou — havia dezenas delas. Algumas tinham avaliações, mas eu me tornei bastante cético em relação a avaliações online e recomendações de usuários. É muito fácil falsificá-las. Droga!
Mais adiante na minha busca, notei um vídeo no youtube. Ao clicar, descobri que eles haviam feito uma reportagem sobre agências de detetives locais um ano antes. Um podcast, hein? Eu estudei com a Amanda, a moça que agora é apresentadora do canal de podcast. Chegamos a namorar um pouco na faculdade. Não foi nada sério, mas terminamos como amigos. Liguei para ela.
"Ei, Amanda, quanto tempo! Será que você poderia tomar uma cerveja comigo depois do trabalho hoje?"
Ela ficou agradavelmente surpresa ao receber minha mensagem. "Acho que consigo me ausentar, Marcos. Hoje é um dia de notícias tranquilas, então, a menos que aconteça alguma coisa importante, estarei lá."
Quando ela entrou no bar, lembrei-me do porquê de ter me interessado por ela. Ela continuava tão atraente quanto na época em que namorávamos, mas agora tinha o estilo confiante de uma profissional bem-sucedida. Ficava bem nela.
Conversamos um pouco, colocando o papo em dia sobre amigos em comum e nossas vidas desde a faculdade. Mas, eventualmente, mudei de assunto sutilmente. —Vocês não fizeram uma matéria sobre agências de detetives locais há um tempo atrás?
Ela me olhou com perspicácia. —Ah, Marcos, me desculpe. Eu estava me perguntando por que você não mencionou a Ana. Você está procurando uma recomendação?
Flagrado! Abaixei a cabeça e assenti.
Ela parou por um momento para pensar. —Considerando a posição da sua esposa na cidade, eu evitaria as grandes agências. O fato de elas terem mais funcionários só aumenta a possibilidade de fofocas. Faz sentido?
—Com certeza!
—E provavelmente você não quer uma agencia de um homem só, porque conseguir o que precisa em tempo hábil pode ser um problema. É difícil para o proprietário lidar com mais de um ou dois casos por vez.
Assenti com a cabeça. Isso também fazia sentido.
—Então, se você está procurando algo intermediário, recebemos bons relatos sobre a Agência Master. Eles não são os mais baratos da cidade, mas os clientes com quem conversamos disseram que eles são minuciosos, profissionais e entregam resultados em um prazo razoável. — Ela fez uma pausa. —Marcos, o ramo de detetives particulares é um pouco obscuro por natureza, mas você poderia fazer escolhas muito piores do que contratar a Master.
Aquilo me pareceu ótimo, então agradeci. Mas, quando me levantei para ir embora, ela estendeu a mão por cima da mesa e apertou a minha. —Foi bom te ver, Marcos. Espero que tudo dê certo para você. Mantenha-me informada.
Eu prometi a ela que faria isso.
Enquanto dirigia para casa, fiquei pensando na nossa conversa. Droga, tanto esforço para manter meus problemas conjugais em segredo! Só espero que Amanda seja discreta.
No dia seguinte, a recomendação dela ainda fazia sentido para mim, então liguei para a Agência Master para marcar uma consulta. Por sorte, a mulher com quem falei me disse que eu poderia ver o próprio Sr. Mauricio se eu pudesse ir lá logo de manhã. "Estarei lá", prometi.
Para variar, Ana chegou em casa na hora certa naquela noite, e jantamos juntos pela primeira vez em dias. Dado o que eu estava prestes a fazer, fiquei nervoso por ter que conversar com ela. Mas não precisava ter me preocupado. Ela passou a noite inteira reclamando da audácia de um certo empresário que estava pensando em concorrer contra ela na próxima eleição. Eu não precisei falar muito — nem fingir.
Na manhã seguinte, levantei cedo e pulei o café da manhã para garantir que não me atrasaria para a minha consulta. Depois de deixar um recado no nosso mural para a Ana, entrei no meu carro e dirigi até o centro. Para minha surpresa, o trânsito estava tranquilo e acabei chegando mais cedo do que esperava.
Verifiquei novamente o endereço da Agência Master e percebi que ficava perto da minha cafeteria favorita: coffee five no centro. Quando o lugar abriu, há uma década, houve muita conversa sobre o nome e seu significado. Algumas pessoas acreditavam que refletia a mistura única do café da casa; outras juravam que o novo dono era um ex-hippie com senso de humor. Seja como for, a Coffee five dava um banho nas grandes redes de cafeterias, na minha opinião.
Claramente, eu não era o único que gostava do lugar. Mesmo tão cedo, tive sorte de encontrar um lugar quando cheguei. Mais clientes continuavam chegando enquanto eu tomava meu café e comia um sanduíche de café da manhã.
De repente, houve uma confusão em uma mesa perto de mim, e olhei para cima para ver um homem grande e de rosto vermelho gritando com uma jovem sentada sozinha. —Você ainda não terminou? Que direito você tem de ocupar uma mesa inteira quando outras pessoas querem um lugar?
A jovem permaneceu sentada em silêncio, visivelmente atônita com o súbito acesso de raiva do homem. Isso pareceu enfurecer ainda mais seu acusador. —Você é uma maldita feminista, não é? Aposto que é. Primeiro você faz protestos por igualdade, agora está sozinha ocupando uma mesa na minha cafeteria. Por que você não volta nadando para casa, atravessando o piscinão de ramos, de onde você veio? — Ele estendeu a mão e a jogou sobre a mesa, derramando o café dela por todo o chão.
Antes mesmo de pensar, levantei-me e comecei a me mover, colocando-me entre a mesa da mulher e a do homem. —Por que você não a deixa em paz? Ela estava aqui antes de você e tem todo o direito àquela mesa. Você precisa comprar outra xícara de café para ela e se desculpar por tê-la insultado!
O rosto do homem ficou ainda mais vermelho, e eu me preparei, esperando que ele me atacasse. Mas seus olhos de repente se voltaram para algo atrás de mim, e quando olhei para trás, vi o dono parado ali. O sujeito não era grande, mas estava brandindo um taco de sinuca. —Você— ele gritou para o grandão, —saia da minha cafeteria e não volte mais. Você não tem o direito intimidar um dos meus clientes, e eu certamente não preciso do seu dinheiro.
Achei que o homem ainda pudesse começar uma briga, mas ele olhou para o taco de sinuca, depois para mim de novo e finalmente decidiu não arriscar. —Tudo bem— gritou ele enquanto saía pisando duro da cafeteria, —Estou feliz em ir embora. Este lugar é uma droga mesmo.
Assim que a confusão diminuiu, me virei para a mulher abalada. —Sinto muito pelo ocorrido, senhora. Posso lhe oferecer outra xícara?
A mulher olhou para mim timidamente. —Você não me conhece - por que fez isso?
Dei de ombros. —Não sei. Acho que odeio valentões e intolerantes.
Ela sorriu e estendeu a mão. —Bem, eu sou Maria Helena e sou muito grata pelo que você fez. Há muitos que não se sentem como você, e ainda menos que interviriam para ajudar um estranho.
—De nada, Maria Helena. Sou Marcos Sandoval e fico feliz por ter podido ajudar.
Nesse instante, Joe voltou apressado com duas xícaras de café. —Trouxe uma xícara fresca para cada um de vocês. Peço desculpas pelo ocorrido e espero que se sintam à vontade para vir aqui quando quiserem.
Garantimos a ele que voltaríamos, e então Maria olhou para mim. —Gostaria de tomar seu café comigo? Isso liberaria sua mesa para outros.
—Se você não se importar com a companhia, terei prazer em me juntar a você.
Sentei-me ao lado dela e começamos a conversar enquanto tomávamos nossas bebidas fumegantes em xicaras de porcelana. Ela balançou a cabeça com pesar. —Foi pura coincidência eu estar aqui. Vou começar um novo emprego aqui perto e cheguei cedo porque não queria me atrasar no meu primeiro dia. — Ela tomou outro gole e olhou para mim. —Você vem aqui com frequência?
—Não com a frequência que eu gostaria. Na verdade, tenho uma reunião sobre assuntos pessoais logo cedo hoje, e também não queria me atrasar.
Ela assentiu com a cabeça e olhou para o relógio. —Na verdade, acho que preciso ir. — Levantou-se e estendeu a mão novamente. —Obrigada mais uma vez, Marcos, por ter vindo me socorrer. Foi um prazer conhecê-lo e não me esquecerei do que você fez.
Apertei a mão dela e observei-a sair pela porta. Depois de tomar mais um gole de café, decidi que era hora de ir embora também.
Assim que saí da cafeteria, comecei a caminhar pela calçada em direção ao endereço da Agência Master. Olhando para cima, notei Maria caminhando à minha frente na mesma direção. Quando ela parou no semáforo, a alcancei no cruzamento. Ela me viu, sorriu e acenou com a cabeça. Depois de atravessar a rua e caminhar um pouco mais, ela olhou para trás e me viu seguindo-a. Uma expressão de preocupação surgiu em seu rosto. Droga, não quero que ela pense que estou a perseguindo!
Então, para minha consternação, ela entrou no saguão do mesmo prédio para onde eu estava indo. Esperei deliberadamente um pouco mais, na esperança de que ela já tivesse ido embora quando eu entrasse. Mas, ao abrir a porta, vi-a parada no saguão, com os braços cruzados e o rosto preocupado. —Olha— disse ela enquanto eu me aproximava hesitante, —eu realmente agradeço o que você fez na cafeteria, mas isso não significa que você tenha o direito...
—Não, não— interrompi. —Garanto que não estou te seguindo. Pelo menos não intencionalmente. É que meu compromisso é neste prédio.
Ela me olhou com ceticismo, depois se virou e caminhou até os elevadores. Eu a segui e, quando a porta se abriu, entrei também. Ela apertou o botão do quarto andar e então se virou para mim, interrogativa. —Vou para o quarto andar— eu disse, impotente.
Ela franziu a testa novamente, mas não disse nada.
Eu fiquei para trás quando ela desceu no andar quatro, mas ela começou a caminhar pelo corredor na direção da Agência Master. Enquanto eu a seguia lentamente, ela se virou e franziu a testa. De repente, quando nos aproximamos da porta da agência, uma expressão de compreensão surgiu em seu rosto e sua carranca se desfez. Ela parou em frente a uma porta com a placa "Entrada de Funcionários" e se virou para mim. —Boa sorte com seus... negócios, Marcos.
Agora entendi. Assenti com a cabeça. —Ahh, obrigado. E boa sorte no seu novo emprego, Maria.
Ao entrar pela porta principal da agência, tudo o que eu conseguia pensar era: — Droga, aposto que ela já tem uma boa ideia do porquê de eu estar aqui hoje. Agora tenho duas pessoas que sabem que preciso de um detetive.
Depois de dar meu nome à recepcionista, não demorou muito para que me encaminhassem ao escritório de Mauricio Master. Bem, não sei se a agência é boa, mas pelo menos vou falar com o chefe, então já é alguma coisa.
Se alguma vez houve alguém que fizesse jus ao nome Master, era ele. Ele definitivamente tinha uma presença imponente. Sou um pouco acima da média em altura, e quando ele se levantou, eu estava olhando para cima. Além disso, ele tinha porte físico de jogador de futebol americano e cabelo que perecia de modelo de revista. Me senti um pouco intimidado.
Assim que apertamos as mãos e comecei a explicar o motivo da minha consulta, ele rapidamente me deixou à vontade com seu profissionalismo. Habilmente, conduziu-me por uma série de perguntas sobre minha esposa, minhas suspeitas, seus hábitos e vários outros fatores que eu provavelmente não teria considerado. Esse cara realmente sabe o que faz.
Após meia hora de conversa, ele recostou-se na cadeira. —O fato de sua esposa ser vereadora, na verdade, facilita um pouco o trabalho. Ela está acostumada a estar em público e a ter pessoas desconhecidas ao seu redor. A vigilância não deve ser um problema.
Um sinal de alerta soou na minha mente. —Seus homens precisam ter cuidado. Se vazar que eu a estava seguindo, isso pode desencadear um grande escândalo político.
Ele sorriu como um vendedor de carros usados. —Sr. Marcos, nos orgulhamos da nossa discrição e do nosso profissionalismo. Sua esposa e as pessoas ao redor dela não terão a menor ideia de que ela está sendo vigiada.
Eu ainda não estava convencido. —Então, que tipo de técnicas vocês usarão: áudio, vídeo, rastreamento por GPS?
Ele se inclinou para a frente, cruzou as mãos e me encarou com um olhar penetrante. —Não vou responder à sua pergunta porque não quero que você procure por vigilantes ou dispositivos. Já tive clientes que perderam semanas de trabalho por alertarem inadvertidamente seus cônjuges. — Então, ele franziu a testa. —Além disso, não quero que você tente fazer qualquer tipo de vigilância por conta própria. Você precisa seguir sua rotina normal durante as próximas duas semanas e agir com total naturalidade na presença da sua esposa. Somos profissionais; não precisamos de ajuda, e com certeza não precisamos de amadores atrapalhando. Ficou claro?
Recuei na cadeira. —Com certeza. — Então, algo mais que ele havia dito me atingiu. —Você disse duas semanas. Acha que consegue o que precisa em apenas duas semanas?
Ele relaxou e me deu outro daqueles sorrisos. —Você me disse que realmente notou a mudança no comportamento da sua esposa nos últimos seis meses. Isso me leva a crer que, se ela realmente está tendo um caso, está na fase mais intensa. Ela vai querer vê-lo ( eu não tinha pensado nessa possibilidade! ) o máximo possível. Ao mesmo tempo, a essa altura, ela já deve estar confiante de que está se safando. Acredito que poderemos lhe dar uma resposta definitiva na próxima sexta-feira. No mínimo, poderemos informá-lo sobre qualquer comportamento sugestivo que precise de investigação adicional.
Não pude deixar de ficar impressionado: o homem não só parecia ter as habilidades necessárias para o trabalho, como também era um grande conhecedor da natureza humana. Acho que escolhi a ferramenta de diagnóstico certa para a tarefa.
—Muito bem, estou convencido. Então, quanto tudo isso vai custar?
Sem pestanejar, ele me lançou um olhar que me fez estremecer.
—Eu sei que parece muita coisa— continuou ele tranquilamente —mas lembre-se: vamos usar várias pessoas, veículos e equipamentos eletrônicos caros. Mais importante ainda, vamos fornecer respostas. Você já me disse o quanto essa incerteza está te incomodando. Quanto vale a sua paz de espírito?
Ele tinha razão. Peguei meu cartão de credito.
As duas semanas seguintes foram muito desconfortáveis. Nunca prestei muita atenção em mim mesmo, então não sei o que é "normal" para mim. Será que pareço suspeito? Estou demonstrando muito interesse pela minha esposa? Estou fazendo perguntas demais ou de menos?
Mas logo ficou óbvio que não importava como eu agisse perto dela. Ana me tratava com a mesma indiferença que vinha demonstrando há meses. Quando tentei perguntar sobre o trabalho dela, ela agiu como se estivesse me fazendo um favor ao responder. Também ficou claro que ela achava que eu não entenderia o trabalho dela na Câmara de qualquer forma. Eu me sentia mais como um incômodo do que como o marido dela.
No fim de semana seguinte, numa tentativa de demonstrar interesse, sugeri que saíssemos à noite. Não precisava ter insistido. Ela recusou imediatamente: —Tenho visitas a imóveis abertas no sábado e no domingo, aquela mansão na Gávea tá dando trabalho e você sabe como isso sempre me deixa exausta. — Droga! Podíamos até morar na mesma casa, mas éramos mais como colegas de quarto do que marido e mulher.
O que mais me doía era a lembrança de como era nossa vida juntos. Tínhamos tanta coisa em comum, tantos interesses e atividades favoritas em comum. Lembro-me de sentarmos juntos e conversarmos por horas sobre nossos sonhos e como poderíamos realizá-los. Mas o mais doloroso de tudo eram as lembranças da paixão que sentíamos um pelo outro. Nos cruzávamos no corredor e, no instante seguinte, estávamos na cama, nos braços um do outro, desesperados para saciar nosso desejo. Ela se entregava ao sexo sem pudor, sem reservas, não tinha frescura, no início de casados, eram sessões de sexo de no mínimo uma hora, onde fazíamos de tudo na cama.
Para onde foi todo aquele amor e paixão?
Ironicamente, quanto mais nos aproximávamos dos nossos sonhos, mais nos distanciávamos um do outro. Eu sabia que tinha me deixado levar pela minha carreira, não só pelas recompensas financeiras, mas também porque achava meu trabalho intelectualmente estimulante. Mais uma vez, me perguntei: será que eu tive alguma participação em afastar a Ana?
Mas se eu tivesse feito isso, sentiria que Ana também era culpada. Ela tinha se saído bem como corretora de imóveis, mas sempre quis mais. Ser eleita para a Câmara tinha sido a realização de um sonho para ela, mas ultimamente ela vinha dando a entender que pretendia se candidatar a prefeita. Eu não conseguia entender por que ela nunca parecia satisfeita com o que tinha.
Quanto mais eu pensava nisso, mais me convencia de que nossas trajetórias profissionais haviam contribuído para o estado atual do nosso casamento. Mesmo com todo esse estresse, uma vozinha na minha cabeça insistia em me alertar que havia algo mais acontecendo, algo que eu não estava percebendo. Será que eu estava sendo paranoico ou havia uma ameaça real? Por mais que eu detestasse espionar a Ana, concluí que estava fazendo a coisa certa. Mauricio tinha razão: a paz de espírito vale muito.
Basicamente, passei as duas semanas me sentindo como um paciente agendado para uma cirurgia exploratória. Estava morrendo de medo do que poderia descobrir, mas não via a hora de tudo acabar.
Antes da minha consulta, parei no Coffee Five para tomar meu café favorito. A última refeição do prisioneiro. Enquanto estava sentado lá, olhei ao redor, curioso para ver se Maria Helena estaria lá, mas ela não estava. Felizmente, o intolerante que eu havia confrontado também não apareceu.
Finalmente, chegou a hora. Caminhei os três quarteirões até a Agência Master como um condenado à morte escoltado pela milícia. Enquanto eu dava meu nome à recepcionista, Mauricio me surpreendeu ao sair e me escoltar de volta ao seu escritório. Ih, rapaz. Isso não pode ser um bom sinal.
Ele sentou-se e, solenemente, colocou as mãos sobre uma pasta em sua mesa, o rosto impassível. Eu não aguentava mais a expectativa. —Então, qual é o veredicto? O que vocês descobriram?
Em vez de responder, ele deslizou a pasta na minha direção. —Acho que seria melhor se você visse por si mesmo— disse ele, e meu coração disparou. Droga, droga, droga!
Abri a pasta com hesitação e peguei a primeira fotografia. Lá estava minha esposa do lado de fora de uma casa que eu nunca tinha visto, segurando a porta aberta para um jovem casal. No canto da foto, havia uma placa de "Vende-se" quase invisível. E mais algumas fotos dela mostrando a casa ao casal e algumas outras pessoas em dias diferentes.
Rapidamente, peguei outra foto. Obviamente, ela havia sido tirada da galeria de visitantes e mostrava Ana sentada em seu lugar na câmara de vereadores.
Abaixo dessa, havia uma foto dela conversando com o prefeito no que parecia ser um corredor da prefeitura. Em seguida, uma foto de Ana entrando pela porta de sua imobiliária. Havia também fotos dela tomando café numa cafeteria as vezes sozinha ou com alguma colega de trabalho ou cliente.
Confuso, folheei apressadamente o resto das fotos na pasta. Todas pareciam completamente inocentes, o tipo de atividade que eu esperaria que minha esposa estivesse fazendo.
Quando olhei para Mauricio, confuso, seu semblante sério havia se transformado em um largo sorriso. —Sr. Marcos, tenho o prazer de informar que sua esposa não está lhe traindo. Ela não apenas não fugiu para encontrar um amante, como também não observamos absolutamente nenhum comportamento que considerássemos minimamente suspeito.
Ele recostou-se na cadeira e colocou as mãos atrás da cabeça, numa postura relaxada. —Sua esposa, Sr. Marcos, é muitas coisas. Ela é uma política eleita dedicada; é uma corretora de imóveis ocupada e bem-sucedida; e é uma mulher determinada a vencer. Mas posso lhe assegurar, sem reservas, que ela não é uma esposa infiel.
Então, seu rosto assumiu uma expressão mais séria. —Eu sei que você tinha dúvidas sobre ela, e suspeito que as últimas duas semanas, em particular, tenham sido muito difíceis para você. Mas agora você pode deixar todas essas dúvidas e medos de lado e se concentrar em aproveitar seu casamento.
Ele sorriu amigavelmente. —Na maioria das vezes, meu trabalho é dar notícias devastadoras a maridos ou esposas sobre seus cônjuges. Eu realmente gosto quando posso dar boas notícias, para variar. — Ele se levantou para apertar minha mão. —O senhor é um homem de sorte, Sr. Marcos. Uma mulher assim, vale ouro.
Fiquei radiante. O médico acabara de me dizer que aquela mancha na radiografia não era nada! Um alívio me invadiu como água fresca num dia quente. Apertei sua mão novamente, sem palavras para expressar minha gratidão.
O grandalhão sorriu e abriu a gaveta da sua mesa para pegar um envelope. —Aqui está o restante da conta pelos nossos serviços. Espero que considere o dinheiro bem gasto. Se puder pagar à recepcionista na saída, evitaremos que enviemos a conta para sua casa. Acho que você não gostaria disso— disse ele, rindo.
Não quero usar todos aqueles clichês batidos sobre "estar nas nuvens". Basta dizer que saí do escritório Master mais feliz do que há muito, muito tempo. Inicialmente, simplesmente me deliciei com o alívio que senti, mas logo um novo pensamento me ocorreu. Preciso começar a trabalhar imediatamente para salvar meu casamento. Preciso mostrar à Ana o quanto a amo. Preciso parar de considerá-la como traidora.
Quando voltei ao escritório, tinha uma lista de coisas que queria fazer. Por sorte, não havia nada na agenda da Ana para o fim de semana, então pude aproveitar ao máximo.
Comecei a fazer anotações. Sexta à noite: flores, comida para viagem daquele restaurante que a Ana adora, banho de espuma, lençóis novos na cama. Vou fazer desta noite um dia só para ela.
Sábado: café da manhã na cama, ida ao spa, mais flores, reserva no melhor restaurante da cidade, uma massagem corporal completa com óleo seguida daquele tipo de sexo que costumávamos ter quando éramos recém-casados.
Sorri, feliz. Isso vai ser bom.
Como eu esperava, Ana só chegou em casa às 19h da reunião do Comitê de Zoneamento. Ela cambaleou até a sala de estar e se jogou no sofá. —Estou exausta— gemeu. —Não sei se consigo cozinhar hoje à noite.
De repente, ela ergueu a cabeça. —Que cheiro delicioso é esse? — Então, olhou ao redor e notou o arranjo de flores no vaso sobre a mesa de centro. —E de onde vieram essas flores?
Caminhei até o sofá e me ajoelhei ao lado dela, com um grande sorriso no rosto. —As lindas flores são para minha linda esposa, e o cheiro que você está sentindo é o jantar já preparado e à sua espera.
Ela olhou para mim admirada e, em seguida, pegou o vaso. —São lindas! — Exclamou. —Vamos levá-las para a sala de jantar para que eu possa apreciá-los durante o jantar.
Corri para a cozinha para preparar o prato dela e o deixei pronto quando ela se sentou. Em seguida, coloquei uma toalha limpa sobre o braço e mostrei a ela a garrafa do seu vinho favorito, que eu havia deixado na geladeira. —Gostaria de uma taça, minha senhora?
Ela assentiu com gratidão e, quando nossos copos estavam cheios, começamos a desfrutar da refeição. Depois de alguns minutos, ela pousou o garfo. —Isto é maravilhoso. Você não fazia nada assim há muito tempo. A que devo este tratamento de luxo? — Então, seu rosto escureceu. —Você fez algo de que se sinta culpado?
Eu já sabia que essa pergunta viria.
—Sim, eu fiz— respondi com firmeza. —Te negligenciei por tempo demais. Você tem trabalhado incansavelmente, conciliando o equivalente a dois empregos em tempo integral, enquanto eu estava tão absorto no meu trabalho que não tive tempo para te valorizar. Sou um homem de sorte por ter você como minha esposa, e vou garantir que você saiba disso.
Ela ficou sentada ali por um instante, e então um sorriso surgiu em seu rosto. —Nós realmente temos nos negligenciado, não é? — Então ela olhou para baixo e gesticulou em direção à mesa. —Tem mais alguma coisa?
—Com certeza— respondi com entusiasmo. —Depois do jantar, vou preparar um banho de espuma para você relaxar o quanto quiser e aliviar todas as dores. Depois, vou te colocar na cama para que você tenha uma boa noite de sono— Dei um sorriso. —Você vai precisar, porque tenho ainda mais coisas planejadas para amanhã.
Já fazia muito tempo que eu não via um sorriso assim nela.
Mais tarde, quando ela se deitou depois do banho, olhou para mim surpresa. —Esses lençóis são novos? — Perguntou, passando os dedos pela fronha. —O melhor percal, com a maior quantidade de fios que consegui encontrar— respondi, com um sorriso de satisfação. —Agora deite-se e tenha bons sonhos.
Ela me deu outro sorriso de gratidão e fechou os olhos quando apaguei a luz e fechei a porta do quarto. Quando me juntei a ela algumas horas depois, ela nem se mexeu.
Ela ainda estava dormindo na manhã seguinte quando entrei com uma bandeja cheia. —Não demore muito— avisei. —Você tem um horário marcado no spa às 10h.
Ela balançou a cabeça em sinal de admiração. —Você vai me deixar mal acostumada, sabia?
—Espero que sim - você merece. Ah, e depois que terminar no spa, por que não dá uma passada no shopping para ver se encontra alguma coisa que gostaria de usar para ir ao Esplanada Grill hoje à noite?
Ela estava radiante enquanto eu descia as escadas.
O jantar daquela noite foi muito especial. Ana tinha de fato encontrado um vestido novo para usar, e quando o vi, soube que teria sorte mais tarde. Quando o nosso garçom trouxe a garrafa de prosecco que eu havia pedido, ergui meu copo em homenagem a ela. —À linda mulher que me tornou o homem mais sortudo do mundo.
Ela tomou um gole e inclinou a cabeça, interrogativa. —Tem certeza de que não se sente culpado de alguma coisa, Marcos? Você não tem uma amante por aí, tem?
Senti um aperto no coração, porque eu já suspeitava disso. —De jeito nenhum, Cajuzinho. Em primeiro lugar, levo meus votos de casamento muito, muito a sério. Em segundo lugar, eu jamais encontraria alguém que me atraísse mais do que você. — Dei outro gole no meu vinho. —E sei que você jamais faria isso comigo.
—Nunca— disse ela, e ergueu o copo para brindar comigo.
Nosso jantar estava excelente, mas dispensamos a sobremesa para não ficarmos muito cheios para o que estava por vir. Tínhamos terminado a segunda garrafa de vinho e ambos estávamos um pouco risonhos enquanto subíamos as escadas de braços dados. Quando chegamos ao quarto, ela se virou para mim e, com a voz arrastada, perguntou: —Então, o que vem a seguir, meu querido marido?
Levei o dedo aos seus lábios e comecei a tirar cuidadosamente seu vestido novo, seguido pelo sutiã, a calcinha de renda e as meias até a coxa. Depois de tirar seus saltos, puxei os cobertores da cama e a ajudei a se deitar de bruços. Seu bumbum arrebitado tremia convidativamente.
Depois de me despir às pressas, peguei um frasco de óleo de massagem aromático que havia comprado enquanto ela estava fora e me posicionei sobre seu corpo nu. Com cuidado para aquecer o óleo com as mãos primeiro, comecei a massageá-lo em sua pele, começando pelo pescoço e ombros. Ela gemeu de prazer enquanto eu me concentrava em seus músculos.
Com calma, fui massageando suas costas, e pelos sons que ela emitia, era óbvio que estava gostando do que eu estava fazendo. Depois de usar meus polegares nos músculos da base da coluna, passei para as nádegas e comecei a massagear suas pernas. Quando cheguei aos pés, usei bastante óleo e fiz tudo com calma. Considerando o tempo que ela passou em pé durante o dia, imaginei que ela apreciaria muito isso.
Finalmente, porém, comecei a subir pelas suas pernas e fiquei satisfeito quando ela as afastou para me dar acesso. Apesar do convite, fui direto para a sua bunda e comecei a massagear as duas nádegas. Em pouco tempo, ela começou a movimentar os quadris e eu pude sentir o cheiro da sua excitação. Eu já estava com o pau trincando mas contive o impulso de penetrá-la nesse momento. Sua vagina entreaberta estava atraente demais.
—Vire-se— sussurrei com firmeza, e ela se virou de costas, mantendo os olhos fechados para se concentrar nas sensações que eu lhe proporcionava.
Apliquei mais óleo e repeti o processo que havia feito em suas costas, começando pelos braços e ombros. Depois, desci pelas laterais do corpo e passei para o estômago e abdômen. Percebi que ela ficou desapontada por eu ter ignorado seus seios, mas quando ela tentou tocá-los com as próprias mãos, gentilmente a impedi.
Em seguida, fiz uma rápida descida pela parte externa de suas pernas, seguida por uma subida mais lenta pela parte interna de suas coxas em direção ao seu centro. Ela gemeu mais alto e começou a mover os quadris novamente. Mas, mais uma vez, a provoquei, untando minhas mãos com óleo e fazendo movimentos circulares ao redor de cada seio. Seus mamilos se ergueram, implorando por atenção, e desta vez eu não a neguei. Peguei meus dedos escorregadios e lubrifiquei cada mamilo rosado, torcendo-os e puxando-os suavemente enquanto ela começava a emitir sons de miado.
À medida que seus gritos se tornavam mais urgentes, deslizei para baixo e comecei a passar meus dedos para cima e para baixo na parte interna de suas coxas. Imediatamente, ela dobrou as pernas nos joelhos e as ergueu. Sua vagina se abriu enquanto ela começava a impulsionar os quadris para frente, quase desesperada por penetração.
Inclinei-me para a frente e, de repente, mergulhei para lamber desde a base da sua vagina até o clitóris. Ela soltou um uivo sobrenatural com a sensação repentina, agarrou minha cabeça e me puxou para si com toda a força. Comecei a mover minha língua para cima e para baixo sobre o clitóris dela o mais rápido possível. Mesmo com as coxas dela pressionadas firmemente contra meus ouvidos, eu conseguia ouvi-la gritar enquanto ela atingia o orgasmo enquanto eu quase mastigava o seu clitóris endurecido.
Depois de estremecer por alguns minutos, ela desabou de volta na cama, sua mão afrouxando, suas coxas se abrindo. Mas, em vez de se levantar, comecei a beijar os lábios de sua vagina novamente e, em seguida, a lamber suavemente em círculos ao redor de seu clitóris. Um som como o de um animal ferido escapou de seus lábios.
Enquanto continuava a massagem oral, levei meus dedos até seus lábios internos e os toquei suavemente. Mesmo com as sensações que minha língua provocava, ela os sentiu e gemeu. Entre o óleo de massagem em meu dedo e a lubrificação que escorria de sua vagina, consegui penetrá-la com facilidade.
Delicadamente, explorei as dobras quentes de sua entrada, penetrando cada vez mais fundo. Então, girei minha mão e comecei a procurar o pequeno ponto áspero na frente que eu sabia que estava lá. "Aah, aah, aah!", ela gemeu alto, confirmando que eu havia encontrado meu alvo. Comecei a massagear suavemente o ponto enquanto gradualmente intensificava minhas carícias em seu clitóris.
Foi como se uma corrente elétrica tivesse percorrido seu corpo. Seus quadris se ergueram e começaram a se mover no ritmo da minha língua. Agora ela gritava novamente, tão alto que chegava a ser doloroso. Sua voz foi ficando cada vez mais aguda, e de repente todo o seu corpo se contraiu. Então ela desabou na cama, mas espasmos secundários continuaram a percorrer seus quadris.
Fiquei imóvel por um ou dois minutos, sentindo sua respiração voltar ao normal. Quando achei que era o momento certo, retomei minhas lambidas suaves, quase sem tocá-la, sentindo o calor vindo de dentro.
"Oooh", ela gemeu enquanto a sensação começava a aumentar. Repeti lentamente o processo de excitação, e seu corpo respondeu, tremendo ao meu toque.
Tentei ser o mais paciente possível, mas meu desejo estava no auge e eu precisava de alívio. Então, acelerei o que estava fazendo e fiquei aliviado ao ouvi-la responder como eu esperava. Enquanto eu a explorava e acariciava, seus joelhos se ergueram e ela esticou as pernas em direção ao teto. —Por favor, chega! Você tem que me foder agora! — ela implorou, puxando minha cabeça para me colocar na posição correta.
Era exatamente isso que eu queria ouvir. Levantei-me de joelhos e usei minha mão para guiar meu pênis até a entrada da vagina dela. —Me come! — Ela soluçou enquanto eu parava na entrada, e penetrei-a completamente sem parar. Ela gritou. Depois de um instante, recuei lentamente, e ela gemeu ao sentir minha saída. Então, penetrei-a novamente, desta vez com um pouco mais de força. Ela gritou de novo. Recuei e então a penetrei com força, fazendo-a gritar ainda mais alto.
A parte racional da minha mente se perguntava o que nossos vizinhos estariam pensando, mas era o cérebro animal que estava no comando agora, e ele me ordenou a penetrar Ana com força novamente.
Agora eu não conseguia mais me conter e comecei a penetrá-la com toda a força e velocidade que meus quadris permitiam. A cada estocada, Ana gritava "Ai amor, Ai amor! — A plenos pulmões.
Não sei quanto tempo durou, só sei que de repente senti a vagina de Ana apertar meu pênis como um punho e, enquanto ela gritava a plenos pulmões em seu terceiro orgasmo, ejaculei tudo o que tinha dentro dela, bem fundo em seu útero.
Nós dois desabamos na cama, e depois de um minuto eu rolei para o lado e fiquei deitado de costas, ofegante. Então puxei o lençol sobre nós e adormecemos imediatamente.
Dormimos até tão tarde e depois de um café da manhã especial, acabamos saindo para um passeio. Depois do café, fizemos nossas tarefas habituais de fim de semana. Ana foi ao supermercado para reabastecer a geladeira enquanto eu regava as plantas. Mais tarde, naquela tarde, liguei o computador para checar meus e-mails e Ana saiu para mostrar uma casa a um potencial comprador que havia ligado interessado em um dos seus imóveis. Tudo parecia normal e feliz, como era nossa vida juntos antigamente.
Na segunda-feira de manhã, eu estava de ótimo humor quando dirigi para o trabalho. O projeto "Conquistar a Esposa" tinha sido um sucesso. Eu me sentia mais próximo da Ana do que em meses, e tinha quase certeza de que ela sentia o mesmo. Eu até deixei um recado especial no nosso mural de recados: "Cajuzinhos são gostosos, cajuzinhos são doces. Cajuzinho, você completa a minha vida." Bem piegas, eu sei, mas naquele momento eu realmente me sentia assim.
Continua....