Segredos quentes na serra isolada

Um conto erótico de feminive
Categoria: Heterossexual
Contém 1279 palavras
Data: 06/03/2026 18:34:40

Capítulo 2

Eu poderia ter começado minha história bem antes, tipo lá na infância, mas ia ser só um monte de choradeira, insegurança empilhada, medo de ser descoberta, vergonha de tudo. Eu amadureci pra caralho nesses últimos anos, cresci rápido demais por dentro, e por isso achava que já tinha direitos de adulta. Enchia o saco dos meus pais todo dia pra deixar eu e a Jana viajarmos sozinhas, só nós duas. Na cabeça da gente ia ser a maior aventura: outro país, praia, balada, beijando todos os gatinhos e gatinhas que passassem na nossa frente, sem ninguém pra vigiar, sem regra, sem medo.

Mas claro que não rolou. Meus pais não são loucos.

Eles olharam pra mim como se eu tivesse pedido pra ir morar na Lua. O máximo que eu consegui foi convencer eles a nos deixarem ir pra casa da serra, um cantinho encravado na montanha, lindo de morrer, daqueles lugares que parecem cartão-postal. A cidade é um ovo, minúscula, sem graça. Sem carro você fica ilhada de verdade, e a gente nem carteira tem, nem sabe dirigir. Nossos pais liberaram porque era seguro demais: vizinhos todos velhos bichos-grilos, aposentados, gente que acorda às seis pra tomar café na varanda e vai dormir às nove. Trabalho na cidade? Só agricultura ou nada. Quem quer vida tem que descer pra cidade grande. Então, boca beijável? Zero. Eles acharam que não tinha como dar errado.

A aventura não foi nada do que a gente sonhou. Nem ônibus deixaram a gente pegar sozinhas. Gastaram um rio de dinheiro num Uber contratado por fora, o cara só saiu quando viu nós duas fechando as portas da casa e acenando tchau pela janela.

A casa é linda, não tem nada de moderna, é velhinha, cheia de madeira escura, piso que range, janelas grandes que dão pro verde. Arquitetura antiga, tipo chalé de filme, o lugar que todo mundo sonha pra se aposentar. Montanhas em volta te cercando, te desafiando a subir, clima frio e chuvoso de um jeito gostoso, daqueles que te fazem querer ficar de cobertor o dia inteiro.

E o que a gente ia fazer lá?

Nada.

Tem um mercadinho pequeno que vende pão de queijo, leite, uns doces caseiros. Tem um barzinho descolado na praça, com mesas de madeira do lado de fora, cerveja gelada e música baixa à noite. Só. Internet? Quase zero. O sinal pega uma barra se você ficar na varanda virada pro sul, e mesmo assim cai toda hora. E nessas circunstâncias, o que duas adolescentes fazem quando ficam sozinhas, trancadas numa casa no meio do nada, sem ninguém pra fiscalizar, sem celular funcionando direito?

Merda.

A gente saiu pra rua fazendo cara de adulta responsável, tipo "olha nós aqui, duas meninas maduras comprando mantimento". Entramos no mercadinho minúsculo da praça, pegamos cesta e fomos enchendo: comida congelada pra esquentar no micro-ondas velho da casa, uns pacotes de salgadinho, pão de forma, queijo, presunto. Depois fomos na parte de bebidas. Cervejas geladas, gim e uma garrafa de vodka que a Jana jurou que dava pra fazer drinque decente misturando com suco de laranja.

Tinha bebida suficiente pra gente ficar bem louca e acordar com uma cirrosezinha de brinde no fim de semana. Ah, e claro, compramos um quilo de carne pra tentar fazer churrasco. A Jana disse que sabia fazer, que via o pai dela todo fim de semana na churrasqueira, eu topei na hora sem pensar duas vezes. Ia ser épico, ou pelo menos a gente ia fingir que era.

A gente só não comprou o sal e o carvão.

A Jana e eu éramos muito amigas desde sempre. Tipo irmãs mesmo, mas sem o sangue. Ela depois de mais velha, nunca tinha visto meu pau diretamente assim, de frente, sem vergonha. Quando eu me trocava na frente dela eu sempre virava de costas, me escondia debaixo da toalha, ou esperava ela sair do quarto. Talvez ela tenha pego de relance alguma vez, quando eu era mais descuidada, mas nunca rolou um "olha aqui" ou algo do tipo. Ela ficava pelada de boa, sem problema nenhum, trocava de roupa na minha frente, andava de calcinha pela casa, tomava banho e saía enrolada na toalha só pra conversar. E para mim isso era muito normal.

A gente nunca teve nada de romance de verdade. Já se beijou na boca sim, de língua mesmo, quando a gente tinha uns doze ou treze anos. Foi numa tarde chuvosa no quarto dela, a gente tava brincando de verdade ou desafio, uma coisa boba, e rolou. Nada demais, só curiosidade de criança querendo descobrir como era. Depois rimos, demos um tapa na testa uma da outra e nunca mais tocamos no assunto como se fosse algo sério.

Mas a gente falava muito de sexo. Ou melhor, ela falava. A Jana contava tudo: como era se tocar, como a buceta dela ficava molhada quando via um vídeo safado, como ela imaginava um menino ou uma menina fazendo coisas com ela. Eu ficava quieta, sem graça pra caralho. Quando ela falava da buceta dela pra mim, tipo descrevendo o cheiro, a textura, o quanto apertava os dedos, eu sentia um desconforto estranho. Não era nojo, era outra coisa. Meu pau pulsava de leve na calcinha, eu cruzava as pernas mais forte, o rosto queimava, e eu mudava de assunto rapidinho. Não sei o motivo exato, talvez porque eu não tinha aquilo pra comparar, talvez porque imaginar ela assim me deixava excitada e confusa ao mesmo tempo.

E a conversa começou mais ou menos assim.

A gente tava no quarto de hóspedes, as janelas escancaradas deixando o vento frio da serra entrar e levar embora aquele cheiro de guardado que a casa velha tem. Já era a terceira ou quarta lata de cerveja cada uma, o céu lá fora tava escurecendo devagar, ficando roxo e cinza, e a luz do abajur amarelado deixava tudo mais quentinho e bagunçado. A Jana tava deitada de bruços na cama, pernas balançando no ar, eu sentada no chão encostada na cabeceira, joelhos dobrados, lata na mão.

Ela perguntou de repente, olhando pro teto como se fosse casual.

— E o Gabriel, nada?

Eu baixei a cabeça, mexendo na latinha gelada com o dedo, sentindo o metal suar.

— Acho que era só curiosidade mesmo. Nunca vi isso antes, mas eu acho que homem gosta mais de pau que mulher, só pode.

Ela riu baixo, deu um gole longo e virou de lado pra me olhar.

— É amiga, a gente tem que transar esse ano ainda. Dá teu jeito que eu tô quase encaminhada.

— Encaminhada pro inferno, só se for. Tu vai dar pra aquele idiota mesmo?

— Tô brincando, vou não.

Eu suspirei, olhando pro chão de madeira riscado.

— A foda é que no meu caso é diferente né?

Ela ficou quieta um segundo, esperando que eu continuasse.

— Eu queria um homem, mas e a dinâmica? Eu vou ter que dar o cu! E se eu não gostar?

Ela olhou pros lados, como se tivesse medo de alguém ouvir, mesmo a casa vazia. Depois respirou fundo e soltou.

— Mas amiga, tu num tentou enfiar nada aí... tipo... pra descobrir se rola?

Eu fiz careta, rindo pra disfarçar o calor que subiu no rosto.

— Mulher, eu nem tenho cu se tu quer saber. Meu coco é cheiro de flores que exalam pelo ar formando arco-íris purpurinados.

Ela caiu na gargalhada, jogando a cabeça pra trás.

— Eu sei que cheiro de rosa é esse sua estragada, como se a gente nunca tivesse usado o mesmo banheiro.

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