Demoraram três ou quatro segundos para a Marina desaparecer no meio da festa e eu ficar ali, sozinho, sem conhecer ninguém ali. Para piorar, as pessoas estavam me olhando torto, porque era o único usando roupa social.
“Onde é o casamento?”
Ouvi a gracinha e me virei pronto para arrumar confusão. Quando percebi que era alguém conhecido — e não um estranho me zoando —, senti alívio.
Era o Bruno. Pelo menos com ele ali, eu tinha com quem conversar.
Ele me apresentou a alguns amigos, e ficamos um tempo falando de faculdade, futebol, qualquer coisa para passar o tempo. Até que, do nada, ele perguntou:
“Pô, nem sabia que você conhecia o pessoal da rep. Veio com quem?”
“Vim com a Marina. Nem sei onde ela tá. Me largou aqui e sumiu.”
Bruno virou para os amigos. “Vocês acreditam que ele tem um crush na Mari?”
Eles começaram a rir. Era uma piada que eu não conseguia entender, mas já sabia que não gostava.
Um por um, os moleques da roda decidiram dar seus “depoimentos”, como se estivessem tentando me salvar de alguma tragédia anunciada.
“Apaixonado na boca de veludo? Cara, sai dessa…”
“Essa daí já ficou com meio mundo.”
“Você deve ser a última pessoa da faculdade que ainda não pegou ela.”
Esperei o assunto mudar e me afastei. Todo aquele papo me dava nojo. O passado dela não significava nada para mim.
Fui para o quintal e, pela primeira vez na vida, tive vontade de fumar. Pedi um cigarro a um cara encostado no muro. Ele me olhou torto, mas acabou me dando. Fiquei ali sozinho, tragando sem saber direito o que estava fazendo.
Se fosse um homem transando com todo mundo, seria tratado como lenda, como rei. Mas, por ser mulher, o mesmo desejo virava motivo de julgamento — quase um crime. Como se liberdade fosse um defeito quando não está no corpo certo.
Depois de um tempo, um grupo apareceu no quintal rindo alto, com cheiro forte de maconha no ar. Um deles me olhou de cima a baixo, da camisa social até o sapato engraxado.
“Aí, o engomadinho, vai um trago?”, perguntou um deles, rindo. “Tem que se soltar um pouco, irmão. Viver a vida.”
Eu balancei a cabeça, dizendo que não. Mas eles insistiram. Em outra noite, eu teria recusado sem pensar. Mas naquele momento eu só queria parar de me sentir deslocado, diferente, errado.
Dei um trago.
A fumaça queimou a garganta, meus olhos arderam, e eu tossi mais do que gostaria. Eles riram, bateram nas minhas costas, disseram que era assim mesmo na primeira vez. Fiquei ali, tentando me enturmar, enquanto sentia aquela merda descer no meu corpo, errada pra caralho.
Comecei a pirar um pouco. As vozes na minha cabeça discutiam minha vida, minhas escolhas, o que eu estava fazendo ali. Os pensamentos ficaram rápidos demais, escorregando uns sobre os outros, surgindo sem que eu conseguisse segurar nenhum.
Era como se eu tivesse perdido o controle do próprio fluxo da mente. Quase uma sensação de invasão.
“Onde tá a vagabunda agora? Ela sumiu faz quase uma hora”, disse uma voz dentro de mim.
Eu a odiei no mesmo instante. Odiava o jeito como pensei da Marina, a violência gratuita daquelas palavras. Mas também não tinha uma boa resposta para a pergunta. Ela realmente tinha desaparecido.
Joguei fora o cigarro que tinha acabado de acender, respirei fundo e entrei na casa procurando por ela.
Cozinha. Nada.
Sala. Ela não estava lá.
Banheiro… vazio.
À medida que as opções iam se esgotando, eu já sabia o que aquilo significava. Restavam apenas os quartos — e o ciúme começou a se infiltrar em mim, lento e venenoso.
O corredor tinha três portas.
Me senti um nerd idiota por pensar nisso, mas a cena me lembrou o problema de Monty Hall. No programa, duas portas escondiam um homem vestido de macaco; atrás da terceira, havia o prêmio de verdade.
Ali, porém, não parecia haver prêmio algum. Todas as portas escondiam gorilas prontos para me despedaçar.
Estava pronto para tentar todas as portas, mas não precisei. Abri a primeira, tentando não fazer barulho, e ela estava lá, de joelhos no chão, entre as pernas abertas de um cara sentado na beirada da cama. O rosto mergulhava devagar no colo dele, subindo e descendo num ritmo concentrado.
Meus olhos demoraram alguns segundos para se acostumar à escuridão. Quando finalmente consegui distinguir os rostos, senti um nó na garganta.
Era o Bruno.
O mesmo cara que minutos antes estava rindo dela.
O mesmo que tinha chamado Marina de tudo quanto é nome.
O mesmo calouro que me disse que ela só ficava com veteranos.
A raiva queimou no peito, misturada com um ciúme que eu não tinha direito de sentir. Se eu não estivesse tão chapado, talvez tivesse invadido o quarto, gritado, feito qualquer coisa. Mas fiquei ali, parado atrás da porta entreaberta, só observando.
Uma voz bêbada na minha cabeça sussurrava: “Relaxa, cara. Só aproveita o show.”
A cena era enlouquecedora. O som molhado da boca dela — aquele estalo suave de sucção a cada vez que descia fundo — se misturava aos gemidos dele. Ele segurava o cabelo dela, não forçando, só marcando território.
Meus devaneios foram interrompidos pela voz do Bruno.
“Vai, putinha… engole tudo”, sussurrou, a voz carregada de desprezo puro. “Tô ligado que você é viciada em porra.”
Em vez de recuar, em vez de se ofender ou sair correndo, Marina respondeu com o corpo. Acelerou o movimento, afundando mais fundo, mais rápido, como se aquelas palavras nojentas fossem seu combustível. Uma das mãos deslizou devagar pela própria barriga, entrando dentro da sua calça de jeans, e ela começou a se esfregar ali mesmo.
Bruno se levantou, agarrou o cabelo castanho dela com as duas mãos e puxou a cabeça dela pra frente com força. Afundou o pau inteiro na garganta dela, sem aviso. Marina engasgou, os olhos se arregalando por um segundo, mas ele não parou. Segurou firme, empurrando os quadris contra o rosto dela.
“Toma tudo, vagabunda… engole cada gota.”
E gozou. Forte. Direto na garganta. Marina engoliu o que conseguiu, o resto escorrendo pelos cantos da boca, pingando no queixo enquanto ela tossia, o corpo convulsionando em espasmos. Bruno manteve as mãos travadas na nuca dela, ofegante, forçando-a a ficar ali até o último tremor passar, até o pau amolecer dentro da boca dela.
Aquela cena não ia sair da minha cabeça nunca.
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