A mudança começou de maneira quase imperceptível. Depois daquelas tardes juntos, nada entre nós voltou exatamente ao que era antes, mas, ao mesmo tempo, nada parecia ter mudado o suficiente para que alguém de fora notasse.
Rodrigo e eu continuávamos nos encontrando com a mesma frequência. Clube no final de semana, academia no fim da tarde, cerveja barata escondidos no bar da esquina, longas caminhadas sem rumo pelas ruas do bairro. Para quem olhasse de longe, erámos apenas dois amigos.
Mas, para nós, cada gesto agora carregava um peso novo. Rodrigo demorava mais para tirar a mão do meu ombro. Eu prestava atenção demais quando Rodrigo ria de algo que eu dizia. Havia um campo elétrico invisível entre nós dois. E, como todo campo elétrico, às vezes ele atraía. Às vezes ameaçava explodir.
Certa vez estávamos juntos numa noite chuvosa. Rodrigo tinha ido à minha casa sob o pretexto de assistir um jogo (ele era fanático com esporte, principalmente futebol, já eu sempre fui um fraco entusiasta do esporte). Meus pais haviam saído, estávamos sozinhos. A cidade estava mergulhada naquele tipo de chuva fina e constante que parece não ter começo nem fim.
A televisão iluminava a sala com flashes azulados, mas o volume estava baixo demais para que qualquer frase fosse compreendida. Era apenas ruído, mas ninguém prestava atenção. Rodrigo estava jogado no sofá, a camiseta ainda molhada colando no peito e nos ombros largos depois da corrida debaixo da chuva. Eu estava sentado no chão, encostado na perna dele.
Durante muito tempo, nenhum de nós dois disse nada. Rodrigo passava os dedos distraidamente pela própria nuca, como se estivesse tentando decidir se dizia alguma coisa. Até que soltou, meio rindo, mas com um nervosismo que não conseguiu esconder:
— Você sempre foi assim?
Eu levantei os olhos devagar.
— Assim como?
Rodrigo hesitou. Deu de ombros, olhando para a tela da televisão.
— Sei lá… – ele franziu um pouco a testa, procurando a palavra – Tão tranquilo com essas coisas.
Eu entendi. E, por um momento, fiquei em silêncio. Eu sabia exatamente do que Rodrigo estava falando. O reflexo azul da televisão atravessava o rosto de Rodrigo, iluminando metade do olhar e deixando a outra na sombra. Percebi que ele evitava me encarar diretamente.
— Não — disse finalmente — Demorou um pouco.
Rodrigo soltou um “hmm” baixo. Passou a mão pelo cabelo ainda meio úmido, bagunçando ainda mais os fios lisos e castanhos.
— Eu nunca… — começou.
A frase morreu no meio. Eu virei um pouco o corpo, apoiando o braço no sofá para poder olhar melhor para ele. Rodrigo mordeu o canto do lábio, claramente irritado consigo mesmo. Ali estava uma coisa que ninguém imaginaria olhando para Rodrigo: aquela insegurança quase infantil escondida por trás da postura segura.
A constatação não mudou o que eu sentia. Mas mudou a maneira como eu passei a olhar para ele. Com mais cuidado. Mais respeito. Mais responsabilidade do que eu estava acostumado a carregar. Na maior parte do tempo eu o via apenas como um moleque meio infantil, barulhento, desajeitado e sem modos, o que ele era, sob muitos aspectos. Era estranho enxergar que por trás do menino que eu conheci a minha vida inteira, havia um homem em desenvolvimento, tão complexo e cheio de fragilidades e inseguranças quanto eu.
— Nunca o quê? — perguntei, com calma.
Rodrigo soltou uma risada curta, sem humor.
— Cara, você é muito direto.
— E você está dando muitas voltas.
Rodrigo finalmente olhou para mim. Havia algo estranho naquele olhar, uma mistura de curiosidade, desafio e… medo.
— Relaxa — eu disse, em tom baixo — Não precisa provar nada pra mim.
— Eu nunca fiquei com um cara antes — disse Rodrigo, mais baixo.
O som da chuva pareceu crescer na janela. Eu não reagi imediatamente, apenas continuei olhando para Rodrigo. A postura confiante de sempre, os ombros largos, o jeito meio relaxado de ocupar o espaço, continuava ali. Mas, por baixo disso, havia algo que quase ninguém via. Rodrigo desviou o olhar de novo, encarando o próprio joelho.
— Quer dizer… — ele continuou, passando a mão no rosto — Eu nem sei exatamente o que isso significa.
Inclinei a cabeça.
— O quê?
— Isso — Rodrigo fez um gesto vago entre nós dois — O que aconteceu… aquilo entre nós…
Ele parou de novo. Respirou fundo.
— Aquilo faz de mim o quê?
A pergunta ficou suspensa no ar. Senti algo apertar dentro do peito. Me levantei devagar do chão e me sentei ao lado de Rodrigo no sofá, com cuidado. O espaço entre nós diminuiu de repente. Perto demais para fingirmos que aquilo era apenas amizade. Rodrigo percebeu. Nós dois ficamos alguns segundos em silêncio. Apoiei os antebraços nas próprias pernas.
Nem mesmo com Heitor eu tive uma conversa tão franca, direta e sincera sobre o assunto. Ninguém havia me ensinado nada. Eu só tinha a minha própria sabedoria adquirida para compartilhar com Rodrigo.
— Não faz de você nada que você não queira ser.
Rodrigo franziu a testa.
— Como assim?
Dei um meio sorriso.
— As pessoas gostam muito de rótulo. Como se tudo tivesse que caber numa palavra.
Rodrigo observava o meu rosto com atenção agora.
— E você? — perguntou.
Levantei uma sobrancelha.
— Eu o quê?
— Você se encaixa em qual palavra?
Soltei um pequeno suspiro pelo nariz.
— Demorei muito tempo achando que precisava escolher uma.
Rodrigo inclinou levemente o corpo para frente.
— E agora?
Pensei um segundo.
— Agora eu acho que… — procurei a expressão certa — Eu gosto de quem eu gosto.
Rodrigo soltou um “porra…” quase inaudível. Passou as duas mãos pelo rosto.
— Pra você parece simples.
Virei o rosto para ele.
— Não foi.
— Engraçado… você falando isso.
— Por quê?
— Porque você sempre parece saber exatamente o que está fazendo.
Dei de ombros.
— Só parece.
Rodrigo ficou olhando para o chão.
— Eu sempre achei que sabia quem eu era — disse ele — Sempre foi meio óbvio, eu tenho que ser homem.
Eu observava cada pequena mudança na expressão dele.
— E agora não é mais?
Rodrigo riu baixo.
— Agora eu fico lembrando da gente junto… — ele parou, respirando fundo — Cara, eu gostei.
A palavra saiu quase como uma confissão. Ele finalmente olhou para mim. Os olhos escuros e castanhos estavam cheios de perguntas.
— Isso é normal?
Sustentei o olhar dele por alguns segundos. Depois respondi com simplicidade:
— Sim.
Rodrigo continuou olhando, como se estivesse tentando medir se aquela resposta era sincera.
— E você? — ele perguntou de repente — Você já… tipo…
Ele gesticulou no ar, sem completar a frase. Eu sorri de leve.
— Já fiquei com caras antes, sim.
Rodrigo soltou o ar pelo nariz.
— Quantos?
Soltei uma risada curta.
— Você quer número?
Rodrigo encolheu um pouco os ombros.
— Curiosidade científica.
Inclinei o corpo para trás no sofá.
— Não muitos, mas o suficiente pra aprender algumas coisas.
Rodrigo arqueou uma sobrancelha.
— Tipo?
Virei o rosto devagar para ele. Nós dois estávamos muito próximos agora. Perto o suficiente para que Rodrigo percebesse o cheiro leve da minha pele.
— Tipo que ninguém descobre quem é sozinho.
Rodrigo ficou em silêncio, a respiração dele parecia um pouco mais pesada agora.
— Então… — ele disse, mais baixo — Eu estou descobrindo agora?
Eu dei de ombros.
— Talvez.
Rodrigo passou a língua pelos lábios, pensativo.
— E você está… me ajudando nisso?
Inclinei a cabeça, estudando a expressão dele.
— Você quer ajuda?
Rodrigo segurou o meu olhar por um longo segundo. Havia um brilho estranho ali, nervosismo e desejo misturados.
— Eu acho que sim.
O silêncio que veio depois foi diferente. Mais denso. Mais quente. Rodrigo apoiou o braço no encosto do sofá, ficando levemente inclinado em minha direção sem perceber. Eu notei. Nós dois estávamos próximos o bastante para que cada pequena mudança de respiração fosse percebida. Rodrigo falou de novo, quase num sussurro:
— Eu fico pensando se você acha isso… estranho.
Franzi a testa.
— O quê?
Rodrigo hesitou.
— Eu.
Fiquei olhando para ele por um segundo. Depois respondi, com uma calma que parecia vir de algum lugar muito seguro dentro de mim, que eu nem conhecia:
— Eu acho você curioso.
Rodrigo soltou uma risada baixa.
— Curioso?
— É.
Inclinei um pouco o rosto.
— E eu gosto de gente curiosa.
Rodrigo sustentou o meu olhar, por um instante que pareceu mais longo do que realmente foi. O som da chuva continuava na janela. A televisão continuava piscando luz azul na sala. Mas agora nenhum de nós dois parecia prestar atenção em mais nada. Rodrigo falou, quase sem voz:
— Mateus…
— Hm?
Rodrigo hesitou. Então perguntou:
— Se eu quiser tentar entender isso melhor…
Ele não terminou a frase. Mas o olhar dele dizia o resto. Não respondi imediatamente, apenas manteve os olhos nos dele. E sorri, devagar. Um sorriso que fez Rodrigo engolir seco.
— Então a gente descobre juntos.
O silêncio voltou. A chuva continuava batendo contra as janelas. E então aconteceu de novo. Dessa vez foi Rodrigo quem me puxou pelo braço. Um gesto rápido, quase impaciente. Respirei fundo, o ar a preencher os meus pulmões de forma dolorosa.
Eu não tinha respostas fáceis para oferecer para Rodrigo. Tudo o que podia fazer era mostrar a ele o agora. Lentamente, levantei a mão e a pousei na bochecha dele. O toque foi suave, hesitante. Rodrigo não recuou. Em vez disso, se inclinou ligeiramente para a palma da minha mão, os seus olhos a se fecharem por um momento.
— Eu não sei como te provar o que eu sinto — eu disse, a minha voz um sussurro rouco – Mas posso te mostrar.
O primeiro beijo veio com menos hesitação do que nas outras vezes. Ainda havia nervosismo, mas também havia reconhecimento. Como se nós dois já soubéssemos o caminho. Rodrigo beijava com intensidade, mas com uma curiosidade quase cautelosa, como quem explora um território desconhecido. Percebi isso imediatamente. E respondi de forma diferente do que costumava responder com outras pessoas do passado. Mais devagar. Guiando sem dominar.
Não foi um beijo de paixão desenfreada, mas um beijo lento, profundo, carregado de promessas não ditas. Os meus lábios se moveram sobre os de Rodrigo com uma delicadeza que contradizia a intensidade do momento. Era um pedido de afirmação, uma rendição.
As mãos de Rodrigo hesitaram uma vez, duas, antes de se acomodarem nas minhas costas. Senti o corpo dele tenso, não de rejeição, mas de expectativa. Ainda era algo novo para nós dois, cada um à sua maneira. Rodrigo respondeu ao meu avanço, sua mão subindo para segurar o meu cabelo, me puxando mais para perto, fundindo as nossas bocas numa única respiração.
O beijo se intensificou, o medo e a ansiedade se dissolverem, substituídos por uma necessidade desesperada de nos conectarmos, de nos reafirmarmos. Minhas mãos deslizaram pelas costas de Rodrigo, sentindo o tremor sob a sua camisa.
As mãos dele estavam por toda parte, uma segurava a minha nuca, a outra descia, dedos ásperos beliscando meu mamilo já duro, arrancando um gemido abafado da minha garganta. Eu arrepiava todo, minhas costas se curvando.
Puxei ele pelas mãos, o guiando em direção ao meu quarto, nossos lábios ainda colados, nossas línguas a dançarem num ritmo lento e sensual. No quarto, a única luz era o brilho prateado da lua que entrava pela janela. Parei junto à cama e, com os olhos fixos nos de Rodrigo, comecei a tirar lentamente a minha própria roupa, minha pele a surgir à luz fraca.
Ri sem querer ao lembrar de nós dois, alguns anos atrás, tão jovens, nesse mesmo quarto, Rodrigo dançando para mim de cueca num desafio levado entre dois moleques explodindo de hormônios. Quem diria que, naquele presente, já rapazes, eu quem estaria tirando a minha roupa para ele.
Depois, comecei a despir Rodrigo, os meus dedos a trabalharem com uma calma deliberada. A camisa de Rodrigo caiu no chão, seguida pelo seu short, e depois pela sua cueca. Ficamos nus, a lua a banhar os nossos corpos, a pintar sombras suaves nos nossos músculos.
Empurrei Rodrigo suavemente para que ele se sentasse na cama. Me ajoelhei no chão à sua frente, a minha altura a me colocar perfeitamente ao nível dos quadris dele. Sem dizer uma palavra, peguei o cacete já estalando de duro e ereto de Rodrigo nas minhas mãos. Era quente e pesado, a pele macia e esticada sobre a sua rigidez.
Rodrigo soltou um gemido abafado quando a minha língua lambeu a glande, um toque úmido e quente que lhe percorreu a espinha. Envolvi meus lábios em volta da cabeça da pica, chupando suavemente, o meu movimento lento e controlado.
Usei a língua para explorar cada um dos dezenove centímetros, para mapear as veias que se salientavam, para sentir o pulso rápido que batia contra o céu da minha boca. A mão de Rodrigo encontrou o meu cabelo, os dedos a se entrelaçarem, não a guiar, apenas a se agarrar à realidade daquele momento.
Enquanto a minha boca trabalhava, comecei a me masturbar, a minha mão a envolver o meu próprio pau, o ritmo a igualar o dos movimentos da minha cabeça. O som dos gemidos abafados de Rodrigo e do ritmo úmido da minha boca era a única música no quarto silencioso. Olhei para cima, para o rosto de Rodrigo, contorcido de prazer, os lábios entreabertos, os olhos fechados. A visão enviou uma onda de calor pelo meu corpo.
Retirei o pau da boca, um fio de saliva a ligar os meus lábios à glande de Rodrigo. “Deita,” ordenei, a minha voz grave com o desejo. Ele obedeceu, se estendendo na minha cama, o seu corpo a tremer de antecipação.
Me deitei ao seu lado, o meu corpo a roçar contra o de Rodrigo, pele com pele. O beijei novamente, deixando que Rodrigo provasse o seu próprio sabor nos meus lábios. A mão de Rodrigo, agora mais confiante, envolveu o meu cacete, que já estava duro, latejando. Ele imitou os movimentos que sentira, apertando e deslizando, aprendendo a textura e o peso do meu pau.
— Sim... — sussurrei contra a sua boca – Isso... assim...
Eu não conseguia respirar direito. Cada movimento dos dedos de Rodrigo em meu pau era uma descarga elétrica, subindo pela minha espinha, fazendo meus quadris se mexerem sem controle. Eu deveria ter vergonha, de estar nu assim, de gemer tão alto (e se alguém nos escutasse? E se alguém nos flagrasse?), de como meu corpo respondia como se fosse a primeira vez, mesmo não sendo.
Nós nos perdemos num ritmo de mãos e bocas, um ciclo de prazer crescente. Mas eu queria mais. Eu queria dar tudo para Rodrigo, quebrar todas as barreiras. Agarrei a mão de Rodrigo.
— Vem – eu disse, guiando a mão de Rodrigo para baixo, para as minhas nádegas – Quero sentir você.
Após me lubrificar com saliva, pressionei os dedos de Rodrigo contra o meu cuzinho. Com a minha mão sobre a dele, eu pressionei o dedo de Rodrigo para dentro. A resistência inicial cedeu lentamente, e o dedo deslizou para o calor apertado dentro de mim. Rodrigo soltou um gemido, a sensação nova e avassaladora. Ele moveu o dedo, explorando, sentindo os meus músculos internos a apertarem em volta do seu dedo.
— Mais – pedi, a minha voz um ganido – Usa outro.
Rodrigo introduziu um segundo dedo, o movimento a se tornar mais fácil, mais fluido. Ele viu a satisfação no meu rosto, a forma como a minha cabeça se inclinava para trás, expondo a minha garganta, que ele sugou e lambeu. O poder que ele sentia em me dar aquele prazer era novo e embriagante. Depois de alguns momentos, agarrei o seu pulso.
— Para – eu disse, a respiração ofegante.
Me virei, ficando de quatro, me expondo inteiro para Rodrigo.
— Agora… usa a sua boca. Me chupa bem aqui, Digo. Por favor.
Rodrigo hesitou, o seu corpo a ficar rígido.
— Eu… eu nunca fiz isso.
— Eu sei – eu disse, a minha voz suave, tranquilizadora – Eu vou te guiar. Confia em mim.
O pedido, tão cru e direto, fez com que o cacete de Rodrigo pulasse. Ele se ajoelhou atrás de mim, o coração a martelar no peito. Ele nunca tinha feito nada assim, nunca tinha sequer imaginado. Mas olhando para mim, tão vulnerável e confiante na minha submissão, ele sabia que faria qualquer coisa que eu pedisse.
Ele inclinou a cabeça e, com uma última hesitação, sua boca quente desceu pela minha coluna, lambendo cada vértebra até chegar à curva da minha bunda. Eu só conseguia me segurar na madeira da cabeceira da cama, os nós dos meus dedos brancos.
Abri bem as pernas, as mãos firmes de Rodrigo segurando as minhas coxas, as forçando a se afastarem. A língua dele lambou o meu saco, uma única, longa lambida de baixo para cima, passando no meu buraquinho já se contraindo de antecipação. Soltei um som que não era nem palavra, nem gemido, só necessidade pura.
— Porra, Rodrigo… — ofeguei, a testa pressionada contra a cabeceira da cama — Não para…
Rodrigo não parou. Ele pressionou os lábios contra o meu cuzinho apertado, mergulhando num novo e profundo abismo de prazer e rendição. Ele aprendeu rapidamente, seguindo as instruções que eu dava. Logo, a boca dera era implacável, a língua trabalhando em círculos em volta do meu cuzinho, pressionando, penetrando levemente, enquanto os dedos dele subiam para brincar com as minhas bolas, apertando só o suficiente para fazer eu me contorcer.
E quando um dedo grosso, lubrificado de saliva, pressionou contra a minha entradinha, eu empurrei para trás sem pensar, querendo mais, precisando preencher aquele vazio que parecia crescer dentro de mim toda vez que Rodrigo me tocava assim.
— Assim, gostoso... — murmurei, o dedo dele afundando devagar dentro de mim, enquanto a outra mão bombeava o meu pau com ritmo firme.
— Você é todo meu agora, entendeu? – Rodrigo gemia no meu ouvido – Nenhum outro cara. Só eu.
Não respondi com palavras. Em vez disso, empurrei o quadril para trás novamente, forçando o dedo de Rodrigo mais fundo, e quando a ponta roçou algo dentro de mim que fez minhas pernas tremerem, eu gozei com um grito, as costas arqueadas, o esperma jorrando quente sobre o lençol.
Rodrigo não parou, não até eu estar ofegante, os joelhos fracos, e só então ele se levantou, me puxou para si e me beijou novamente, desta vez devagar, como se quisesse provar cada gemido que ainda ecoava na minha boca.
Meu olhar baixou instantaneamente, meus lábios entreabertos ao ver o cacete de Rodrigo, grosso, com veias salientes, já vazando, a glande intumescida. Meu próprio pau, já sem ereção, deu um espasmo traiçoeiro, minha boca salivando.
— Sua vez – sussurrei, com a voz rouca.
Rodrigo era puro sorriso. Não hesitei. Me deitei sobre o colchão, meu peito ainda brilhando com o meu próprio gozo. Rodrigo me seguiu, se ajoelhando ao meu lado, em cima da cama. Gemi, minhas mãos deslizando pelas suas coxas grossas e peludas, meus dedos cravando em sua carne enquanto ele se inclinava, o pau a poucos centímetros dos meus lábios.
"Abre a boca", ordenou Rodrigo, e eu obedeci, minha língua já se estendendo para lamber o líquido salgado que se acumulava na cabecinha. Rodrigo sibilou, os quadris se movendo para frente e para trás, me dando vara na boca. "Isso. Chupa. Chupa tudo." Ele gemia.
Eu contraía as bochechas, meus lábios se esticando ao redor da grossura da sua pica, enquanto ele metia seu pau cada vez mais fundo, minha garganta se abrindo por instinto. Eu podia senti-lo, o gostinho salgado, almiscarado, algo exclusivamente dele, e isso fez meu próprio pau se agitar novamente, meus testículos doendo apesar do orgasmo anterior ainda persistir em minhas veias.
Meus dedos apertaram a bunda grande e farta de Rodrigo, o incentivando, mas Rodrigo não precisava de mais encorajamento. Ele fodeu a minha boca com estocadas profundas, a respiração saindo em grunhidos agudos, seus quadris se movendo para frente a cada vez que eu engolia sua vara.
— Porra, essa boquinha... – a voz de Rodrigo era um rosnado, seus dedos se enroscando nos meus cabelos, me mantendo no lugar enquanto me fodia com fervor – Vou te encher... Vou te fazer engasgar...
Eu gemia, a vibração fazendo o pau de Rodrigo se contrair. Meu próprio pau estava completamente duro novamente, vazando contra a minha barriga, mas eu não ousei me tocar. Em vez disso, me concentrei no peso do pau de Rodrigo em minha língua, na forma como sua respiração falhava, como suas coxas tremiam sob o meu toque.
Sem mais delongas, o orgasmo de Rodrigo se tornou contundente, seus quadris vacilando. "Engole", ele avisou, e eu obedeci, no exato momento em que Rodrigo gozou com um gemido gutural, seu sêmen atingindo o fundo da minha garganta em jatos grossos e quentes. Engoli tudo, minha garganta trabalhando, meus lábios selados firmemente ao redor do seu cacete enquanto Rodrigo se esvaziava, seu corpo tremendo com a força da ejaculação.
O mundo parecia ter diminuído até caber apenas naquela cama de solteiro, naquele quarto, naquele momento suspenso. Mas dessa vez havia algo mais no ar. Algo que nenhum de nós dois ainda sabia nomear. Talvez porque o que estava surgindo entre nós já não era apenas impulso. Era vínculo.
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"Olha só, eu vim do interior. E ainda tem tanto desse mundo que eu não aprendi, e que eu não sei. Olha só, mas meu coração é grande e cabem todos os meninos e as meninas que eu já amei".
