Samuel sempre fora visto pela sociedade como um fracasso em praticamente todos os aspectos de sua vida. Pobre, foi abandonado pelos pais ainda criança e criado pela avó paterna, Lucy, que agora se encontrava bastante idosa e dependente de seus cuidados. Nunca teve um trabalho de verdade; sobrevivia, na prática, do dinheiro da aposentadoria da avó, que também ajudava a administrar.
Fisicamente, Samuel não chamava atenção de maneira positiva. Tinha apenas 1,66m de altura, pele branca, cabelos escuros e curtos, cabeça pequena e traços discretos: nariz fino, lábios estreitos e dentes amarelados e desalinhados. Seus olhos eram marcados por profundas olheiras. O corpo era desproporcional — braços e pernas magros contrastavam com uma barriga volumosa, resultado de anos bebendo cerveja quase diariamente. Era bastante peludo e até as solas dos pés mostravam sinais de descuido, ressecadas e rachadas.
Se havia algo que Samuel considerava possuir de impressionante era o tamanho do seu pênis de exatos 20 cm, incomumente grande e grosso para alguém de sua estatura. A ironia daquela desproporção frequentemente lhe passava pela cabeça. Ainda assim, isso nunca lhe trouxe qualquer vantagem real em sua vida afetiva.
Samuel jamais havia namorado ou sequer beijado alguém de verdade. As experiências sexuais que tivera ocorreram com prostitutas do prostíbulo da cidade, mulheres pouco atraentes e que ele pagava com parte do dinheiro da aposentadoria da avó — o mesmo dinheiro que também sustentava seu hábito constante de beber cerveja.
Durante todos esses anos, porém, Samuel alimentou um misto perturbador de inveja, obsessão e desejo por alguém muito diferente dele: sua vizinha da casa em frente, Natália.
Natália era, em muitos sentidos, o oposto absoluto de Samuel. Alta, com cerca de 1,72m, tinha pele morena clara, cabelos pretos e longos que desciam quase até o fim das costas, lábios cheios e um nariz delicado. Seu corpo era esguio e bem cuidado: barriga lisa, pernas definidas, quadris bem desenhados e seios de tamanho médio. O sorriso revelava dentes brancos e alinhados, e sua aparência sempre transmitia cuidado e elegância.
Os pais de Natália sempre lhe proporcionaram boas condições de vida, permitindo que se dedicasse integralmente aos estudos. Aos dezoito anos, deixou a pequena cidade onde crescera para cursar Direito em um centro urbano maior, onde permaneceu desde então. Com o tempo, tornou-se uma advogada extremamente bem-sucedida, requisitada e financeiramente próspera — motivo de orgulho para a família e para muitos na cidade natal. Mesmo vivendo longe, Natália ainda voltava ocasionalmente para visitar os pais. Nessas ocasiões, Samuel a observava discretamente da janela de sua casa. Era um hábito antigo, alimentado por anos de curiosidade, fascínio e ressentimento.
Ao longo da vida, Natália tivera poucos relacionamentos. Namorara três vezes, envolvendo-se intimamente apenas com dois deles — homens que, aos olhos de Samuel, eram exatamente o tipo que ele jamais poderia ser: altos, fortes e atraentes. Aquilo o corroía por dentro. Naquele momento, ela estava noiva de seu terceiro namorado, Marco.
Samuel e Natália tinham apenas um ano de diferença de idade. Quando criança, ele já a considerava a garota mais bonita da rua. Com o passar dos anos e as transformações naturais da adolescência, aquela admiração infantil se transformou em uma atração intensa e obsessiva. Em sua mente, Natália tornou-se objeto constante de fantasias e pensamentos, resultando em inúmeras masturbações. Sempre que a via com algum namorado ou ouvia comentários sobre seus relacionamentos, sentia uma mistura amarga de frustração e raiva. Dentro de sua lógica distorcida, acreditava que, de alguma forma, ela lhe pertencia — como se fossem destinados um ao outro.
Quando soube, pelos comentários da vizinhança, que Natália se casaria em breve, a notícia o atingiu com força. A ideia de perdê-la definitivamente para outro homem o lançou em desespero. Naquele momento, passou a acreditar que precisava agir. Durante dias, mergulhou em pesquisas pela internet, procurando por supostos feitiços de amarração, poções de amor e rituais estranhos. Em meio a essas buscas, encontrou um subfórum dedicado a ocultismo no Reddit. Em um dos tópicos, leu sobre uma suposta “poção de acasalamento”, preparada com uma mistura específica de ervas, bebidas e um ingrediente final: o sêmen da pessoa que desejava despertar o desejo no alvo.
Obcecado pela ideia, Samuel decidiu tentar. Para conseguir todos os ingredientes necessários, precisou até abandonar temporariamente suas visitas semanais ao cabaré, redirecionando o pouco dinheiro que tinha para comprar os itens indicados. Algumas semanas depois, todos os ingredientes finalmente chegaram. Ele os guardou cuidadosamente, esperando o momento que considerava ideal.
Samuel sabia que Natália costumava visitar os pais em uma data específica do ano. Assim, aguardou ansiosamente a aproximação daquele fim de semana. E, como esperado, naquela manhã, por volta das oito horas, viu o carro dela estacionar em frente à casa da família. Ao vê-la sair do veículo com sua postura confiante e elegante, sentiu o coração acelerar. Ele precisava agir rapidamente. Antes disso, já havia preparado o terreno: convencera a avó a passar o feriado na casa de uma filha que morava em outra cidade, garantindo que ficaria sozinho.
Assim que confirmou a chegada de Natália, foi até a cozinha e preparou a mistura descrita no fórum: combinou as ervas, adicionou as bebidas indicadas e, por fim, acrescentou o último ingrediente: seu próprio sêmem, proveniente de uma das muitas masturbações direcionadas a Natália. Quando terminou, observou o líquido no recipiente — sua suposta poção de acasalamento.
Na parte da tarde, pegou o celular da avó e enviou uma mensagem para Natália, fingindo ser Lucy. O pretexto era simples: a idosa teria algumas dúvidas sobre uma questão jurídica. Samuel tinha certeza de que Natália não recusaria. Ela sempre fora conhecida por sua gentileza e disposição para ajudar.
Além disso, sabia que aquele era um horário relativamente tranquilo na rua. Muitas pessoas da vizinhança costumavam se reunir na igreja naquele período do dia durante esse fim de semana — algo que Natália raramente fazia quando estava na cidade, pois geralmente chegava cansada das viagens.
Pouco depois, a resposta chegou. Natália disse que passaria na casa de Lucy às duas da tarde para ajudar com a suposta dúvida jurídica.
Continua...