42. O final
O fim do luto leva uma semana de maneira formal, leva um mês de modo cotidiano e a vida toda na prática, e Marcos tem um tom de tristeza que ficou no sorriso dele mesmo depois de dois meses, e quando julho chegou, nossos garotos foram visitar a mãe, Amós estava namorando e foi completamente aborrecido e contrariado, fez questão de cortar o cabelo ainda mais curto dias antes, mas estava lá, estiloso e lindo e com seus catorze anos recém completados, festa para quarenta garotos e garotas de sua idade, alguns amigos de André, meus primos e minhas afilhadas, e os responsáveis por essa turma da Xuxa.
A festa com tema indiano, cores por todos os lados e no início aquelas músicas de Bollywood, foi divertido usar roupa temática, meu marido estava lindo demais naquele traje azul claro cheio de bordados amarelos e laranja, os garotos estavam de verde e roxo, eu de amarelo, mas excetuando nós quatro e a namoradinha de Amós, ninguém estava caracterizado. a vida está naquela fase tranquila, conheci a mãe dos meninos pessoalmente naquela festa.
Débora é uma mulher muito formal, que exige kosher em tudo e acha um absurdo as pessoas não saberem o que é isso, de um formalismo que não admitiu que os filhos saíssem de casa no sábado às quatro horas para recepcionar os amigos que estavam chegando para a festa, que queria converter os pais da namoradinha de colégio do filho ao judaísmo para que ele não fosse negativamente influenciado. O rabino era soturno, falso e chegado a um rabo de saia, eles foram embora quando André foi à mesa deles dizer que iria quebrar a cara do rabino se ele voltasse a chamar alguma das meninas de seu grupo de potranca ou de gostosa. Débora disse que ele era um selvagem de cor.
Os pais dela se envergonhavam muito, sabiam desfazer o sentimento anti semita que a filha e o babaca que a acompanha disseminaram pela festa, pessoas muito civilizadas, divertidas, Caio disse que estava convencendo ambos a virem morar mais perto dos netos, havia um apartamento para vender dois andares abaixo do deles, super espaçoso, quatro quartos para um casal, dava para receber os netos, “Magali falou que Tânia já fez troca de casais com o marido, e parece que Tânia estava mais convidando que falando de uma bobagem de algum tempo antes, vocès sabem que eles estão lá em casa, e bem… sua sogra, judeuzinho, não se espantou quando sua mãe disse que traiu seu pai uma vez com seu ex sogro, bem… Tânia riu e lamentou só ter sido uma, diz que gosta de ser corna e quando o marido levava mulheres para dentro de casa e elas subiam em sua cama e ela assistia fingindo revolta, depois o marido a comia na frente da amante para a rebaixar. Levi ficou morrendo de vergonha e disse para ela não ser tão inconveniente. Renato perguntou se apenas nós dois entre os cinco naquela sala éramos bissexuais, ficou um climão horrível, mas depois fomos arrumando a sala e essa conversa da noite de quinta ficou no ar, saíram no dia seguinte para ver os netos e dar uns presentes, cortar cabelo e se entocaram para o sábado na volta, ainda não deu tempo, mas olha a forma como tua mãe e tua ex sogra estão conversando e olha quem está com a mão no braço de Renato, tô te falando para não haver choque. Me conta, Mateus, como é comer um cu kosher.” Não controlei a gargalhada, Marcos ficou puto com Caio e mandou ele tomar no cu, ouviu um “Deus te ouça, circuncidado.” e eu tive de tirar meu marido irritado de perto de um Caio que se diverte sendo um ótario de vez em quando.
O importante foi que ele foi contar a Rodrigo e ouviu que nossa situação ia ser melhor absorvida por Levi e Tânia se isso de fato acontecesse, e que se Rodrigo não fosse um completo idiota, eram eles que Marcos queria impressionar com essa festa, com essa família que deixou Amon e Amós tão felizes, ele queria impressionar o pai mais carinhoso, olhamos para Levi e ele estava meio bêbado gargalhando, mas para e olha pra gente e levanta o copo em um brinde. Marcos me pega pelo braço e me leva até eles.
“A festa pra vocês acabou, eu cuido de Amélia, alceu e Elbinha, vão se divertir sem essa música do McQualque Coisa, vão se divertir, eu queria dizer que meu marido teve dois pais, Caio, você foi incrível, seu babaca, eu odeio ter de dizer que apesar da forma como você me chama de judeuzinho, gibi, destruidor do meio ambiente e outros insultos leves… eu adoro o avô, o padrasto, o que você é para meus filhos, minha mãe e também para meu pai, soube que foi você que estava lá quando meu pai foi embora. Levi é meu segundo pai, eu o amo muito, porque ele me tem como filho e a gente nunca falou sobre isso, mas eu não desrespeito minha mãe quando ela me confiou a Tânia para cuidar de mim quando ela não pode, obrigado mãe, obrigado mãe dois, obrigado pai, de verdade, eu amo vocês, confiem em Renato porque Caio não vale a merda que o gato enterra, mas ele é um doce.”
Caio abraçou a ele e a mim e corou pra caralho, chamou nós dois de filho, disse que morria de medo de ter feito tudo errado e sabe que fez, mas fez tudo com amor, perguntou a mim se minha mãe o perdoaria, “Ela te abandonou, Caio, é ela quem precisa ser perdoada, então zera essa conta. Papai.”, ele se aproximou bastante, mas o beijinho dele foi bem no cantinho de meu lábio, disse que eu lhe dei Renato, lhe dei uma família, filhos, netos, significado para viver, “Não fico onde fui expulso, essa música de puta é horrível, vou falar com meus netos enquanto não estou tão bêbado. E com meus filhos. Judeuzinho, se meus filhos não estiverem inteiros e felizes amanhã quando eu os for procurar, eu vou acabar com esse rosto lindo que você tem, vou arrancar esse sorriso dessa cara linda.” E o abraçou novamente, os dois chorando, deixando a festa morgar, “Para, vô; para, pai; porra, que mico!”
Meus filhos entraram no carro de Fred num domingo de bastante chuva, ligaram duas vezes na estrada e quando chegaram em casa, Marcos estava nervoso, irritado e preocupado com essa ausência, choveu o dia inteiro, Rodrigo o abraçou por trás e disse que estava com vontade de comer o cuzinho dele na cozinha, “Posso ir embora antes disso acontecer?”, “A gente pode esperar até você terminar de lavar a louça, André”, “Vocês poderiam liberar a casa para meus amigos e eu comermos nossas meninas na cozinha também.”, “Olha o respeito, André!”, “Não vi falta de respeito alguma, Rui. André, se você tiver a chibata de seu pai, vai ter um monte de vadia e veado fazendo fila na calçada depois dessa festinha, que tal se eu alugar um AirBNB no aniversário de tua namorada? Setembro? Mas tem uma coisa, sem filmar, sem drogas, sem nada sem consentimento, tu é de maior e pode ser preso, tu pode foder tudo no mau uso da palavra foder. E aí?”, quanto isso vai me custar, tio Galvão?”, “Isso é jeito de falar com seu padrasto, André?”, “O safado pode ser seu noivo, mas é meu sócio e meu patrão. Eu o conheço de outra forma, se me dá algo, algo ele tem a ganhar.”, o sorriso de um para o outro, quando meus filhos ficarem adultos serão meus parceiros, como André é de Galvão?
“Você vai fazer um veadinho chupar você e seus amigos e ensinar sua namorada a fazer um boquete bem feito.”, “Ela faz um boquete bem feito”, “Caralho, nenhum, quem chupa rola direito é quem tem rola, ela tem de aprender com um boqueteiro profissional. Outra coisa, uma sapatão pra ensinar você e os donzelos que andam contigo como chupar boceta, eu vim aprender em Moçambique, e me achava o fodão, porra nenhuma. Pronto é isso, vocês aprendem e depois em um almoço vão falar como foi o antes e o depois, feito?”, “Tá vendo, pai, que nada é de graça, pra esse safado? Feito, só vai pra fesa quem concordar, mas eu quero dois barris de chopp.”, “Porra nenhuma, negão, um barril,qqquemme fode é teu pai, cuzão, tu não, ou um barril ou nada.”, “Um barril, ok. Trato feito. Tio Ben, eu lhe telefono de lá, chamada de vídeo se o senhor liberar o segundo barril e umas pizzas de mercado pra gente, e lhe conto toda a resenha antecipado, corte do diretor, temos um acordo?”, “Você é uma grande influência para meus filhos, André, eles te consideram um meio-irmão descoberto recentemente, um irmão mais velho. Só estou pensando se você é uma boa influência.”, “Falou o sujeito que está adiando uma foda para não lavar os pratos, tsi, tsi, tsi… que decepção tio Marcos, o mais bonito tentando manipular um bom negociante em seu momento de pregão, que vexame, tio Marcos, podia se redimir emprestando sua caixa de som.”
Quando ele foi embora, Rodrigo pode finalmente baixar os shorts de Marquinhos e segurar sua bunda, sentou no chão e bateu em cada lado daquele traseiro, disse que amava Marcos, tanto quanto a mim o que não era pouco, mas… “Eu sou o segundo, Rodrigo?”, tive de perguntar, Rodrigo viu que foi uma péssima declaração, Marcos abriu a bunda com as duas mãos e perguntou se ele gostava, “Um grama, meio centímetro, por dois segundos só, a diferença é só essa, mas vai dizer que você não concorda comigo?”, eu desfiz minha cara feia e Rodrigo se sentiu aliviado, cheirou o cu de Marcos enquanto sugava os ovos dele, disse que nenhum de nós tem um cuzinho tão cheiroso quanto Marcos, Marcos treme as pernas quando a língua de Rodrigo encosta em seu cuzinho, uma coisa que eu adoro ver, ele me olha e fala que ama outro homem, outro homem nosso.
Por enquanto era só isso, Rodrigo o fodendo de pé encostados na ilha da cozinha, um gemendo para o outro, se beijando, os dedos de Rodrigo machucando os mamilos de Marcos, “Como pode um cu ser tão apertado depois de tanta rola arrombando ele, eu mesmo já estourei esse cu tanto, como pode ser assim quase virgem, eu te amo, meu amor, amo seu corpo, amo você ter me deixado ser seu amante, ter me tornado tio das pessoas mais incríveis do mundo depois de eu ter perdido Marinho, de você tornar a vida de Mateus plena, rebola pra mim, meu lindo, vai, veadão, faz teu homem feliz.”, “Digão, come meu marido também, faz nós dois de puta, mete em mim e chama o nome dele, vai mozão, me chama de Mateus veadinho”, eu fui beijar meu irmão, baixei minha calça de pijama, enchi a mão de cuspe e coloquei na bunda, dedo no cuzinho e esperei pelo namorado de meu marido vir me comer. Hélio chegou nu e sentou no balcão pernas abertas, coxa cabeluda pentelhos a vontade, aquela mata correndo pelo centro da barriga e do tórax e que se espalha mansa no peito, barba farta e curta e o,sorriso maroto, Marcos adora chupar Hélio, sabe que eu fico alucinado vendo ele com Helinho e Joel, eu gozo rápido, os homens de minha vida com meu marido…
Hélio ficou comandando quem nos fodia, ele nos beijava, deixava, mandava ou proibia a gente de chupar seu saco e mamar sua piroca, foi divertido, curtir novamente a casa à luz do sol. Quando gozamos estávamos cheios de porra, Joel me levou para seu quarto e tomamos banho os três normalmente e eu dormi no colo de meu homem com Hélio em minhas costas, acordamos no meik da tarde, Joel combinou com Rodrigo que Marcos e eu iríamos passar dois dias separados, ele estava morrendo de saudade de ser casado comigo novamente, “Mateus, sendo assim, vou me casar com Benjamin e Rodriguinho por uma semana, mas vou me encontrar contigo clandestinamente quando der.”, ri, concordei, mas não deu, eu me esfreguei e beijei meu marido de vez em quando, mas Joel e Hélio reclamaram uma ausência de mais de seis meses, e eles tinham razão, não era do sexo que eles tinham saudade, era de nós. Eles tinham razão.
Beijei Galvão quando ele me levou para o terraço, estava frio e ele queria um boquete enquanto tomava uísque com Joel e Caio, “Veadinho mesmo, Mateus, como é ser tão viciado em rola dessa forma?”, “Sei lá, você trouxe Levi para que ele coma Marcos do modo como você vai me comer na frente dos dois, não é?”, “Exatamente, por isso que eu amo você, você não faz, você faz e gosta de fazer”, Hélio chegou e disse que Samuel e Diogo estavam a caminho com os convidados, porra, isso já estava tomando outra proporção, gente de fora não, Joel me deu um tapa na cara e disse que eu podia me casar com quem quisesse tantas vezes fosse, eu era dele e de Hélio, e quando dois dos três decidissem o terceiro obedecia, mandou eu abrir a boca e buscou no fundo da garganta, cuspiu em minha boca, mandou eu engolir e logo em seguida me beijou, “Nem minha vida é tão importante quanto sua felicidade seu puto, se eu mandar, você obedece, filho da puta.”, ele me beija novamente e eu volto a ser dele, como eu queria Marcos comigo para me ajudar a fazer tudo o que eles quisessem.
O portão abriu, um carro foi direto para a garagem, uma moto o seguiu, Diego vinha pilotando com Samuel na garupa. Entramos, Marcos não estava desconfortável em beijar a boca de Levi, ao contrário, ele gostava de segurar a barba cheia de cochichos e beijar a boca do gordinho. Eu gosto de parrudos, musculosos, gordinhos, de magros não, Marcos não tem critérios, só não gosta dos que têm pele estragada, excerto isso todos… estavam retirando o tapete, “Vim meter pica nessa boca que eu amo e nesse cuzinho, tô morrendo de saudade de você, meu bem”, ouvir isso de Samuel me deixou todo felizinho. A porta abre e vejo um estranho bem conhecido, Sérgio disse que a mulher saiu de casa, estava ali para pedir desculpas a Rodrigo, era imperdoável, mas doía tanto… pedir desculpas ao menos aliviava, se abraçaram, “Falei com Benjamin, ele disse que ia ter cu e boquete, então eu vim, Rodrigo, vem cá.”, o pedido de perdão de Sérgio foi um beijinho na pontinha da boca, Rodrigo me chamou e a gente se beijou intenso, normal, “Beija ele, veadinho, isso, bom, muito bom, isso. E aí? Foi bom? Agora me mostra se aprendeu direito, Serginho, só era preciso, olhar pra mim e me pedir desculpas de verdade como agora, eu amo você, CARALHO, que noite feliz, eu beijei meus dois irmãos, caralho, porra, Ben, mu amor, se eu morrer hoje, foi de excesso de felicidade, vem cá, Ben, beija Serginho, amor, beija ele por favor.”
Mas a porta abriu novamente e ele estava lá, lindo, com aquele mau disfarce de tudo bem de quando nos vimos pela primeira vez, em mim o mesmo nervosismo, vi o cabelo amarelo, amo Murilo.
Apertei a mão de Marcos, eu não vi, mas escutei o som das malas de Murilo caindo no chão.