A porta do quarto do motel bateu com um clique, selando-os num túmulo de papel de parede amarelado e com cheiro de desinfetante barato. Natália ficou paralisada do lado de dentro, com as costas contra a madeira frágil, enquanto as mãos de Samuel imediatamente se dirigiam aos botões de suas calças de linho. Seus dedos eram desajeitados, ansiosos.
'Só desta vez', ela repetia mentalmente, um mantra desesperado. 'Só hoje. Não significa nada.'
As calças se acumularam em seus tornozelos. Suas palmas calejadas deslizaram por suas coxas lisas e depiladas, um carinho possessivo que fez sua pele arrepiar. Ele prendeu os polegares na renda de sua calcinha e a puxou para baixo, deixando-a exposta da cintura para baixo. O ar frio e mofado do quarto roçou sua umidade. Ela não o ajudou, mas também não o impediu. Era uma estátua, assistindo à sua própria degradação se desenrolar.
Ele recuou por um instante, os olhos absorvendo a visão dela — a advogada bem-sucedida e elegante, seminua e à espera naquele lugar imundo. Então, com um grunhido, empurrou-a para trás. Ela caiu na cama, as molas do colchão rangendo em protesto. Ele não se juntou a ela. Em vez disso, ajoelhou-se no tapete fino, afastou as pernas dela e enterrou o rosto entre elas.
O primeiro toque de sua língua foi um choque — áspero, como lixa grossa, e absolutamente exigente. Ele não se conteve. Lambeu uma faixa larga e úmida da entrada até o clitóris, depois selou a boca sobre o botão sensível e chupou com força.
As costas de Natália arquearam para fora da cama, um grito agudo escapando de sua garganta. 'Deus, não' — mas seus quadris já se erguiam, buscando mais daquela fricção abrasiva e perfeita. Ele a devorou com uma intensidade singular e concentrada, o nariz pressionado contra ela, a língua explorando e circulando. A técnica era bruta, animalesca e devastadoramente eficaz. Não tinha nada a ver com o sexo oral delicado e cuidadoso que ela havia experimentado antes.
'Bruno era tão gentil', o pensamento lhe ocorreu, sem ser convidado, enquanto o prazer começava a se enroscar, intenso e quente, em seu ventre. 'Ele perguntou o que eu gostava. Ele era tão… respeitoso'. Seu ex da universidade, alto e charmoso, seu toque sempre limpo, seus movimentos atenciosos. Tinha sido bom. Satisfatório, ela pensara. Agora, com a mandíbula por fazer de Samuel roçando suas coxas internas, seus gemidos famintos vibrando contra sua pele, aqueles encontros passados pareciam pálidas e patéticas imitações. Eram água. Isto era fogo.
A mente de Samuel trabalhava a mil enquanto ele a saboreava. 'A poção acabou. Agora sou só eu'. Era um desafio, e ele estava determinado a vencer. Aqueles anos no cabaré, com mulheres degradantes e que eram pagas para ensinar, lhe deram uma educação vulgar. Ele sabia como usar a língua, os dedos, para encontrar os pontos que faziam uma mulher estremecer. Ele usaria cada lição agora. Ele a faria gozar tão intensamente que ela esqueceria o próprio nome.
Ele enfiou dois dedos grossos dentro dela, curvando-os para cima, e sugou seu clitóris para o calor de sua boca.
O orgasmo atingiu Natália como um trem desgovernado. Foi brutal, indigno, sacudindo seu corpo com espasmos que a fizeram agarrar o lençol áspero. Ela gritou, um som rouco e áspero que ecoou no pequeno quarto. Samuel a lambeu a cada pulsação, bebendo-a até que ela desabasse, sem forças e ofegante.
Ele não lhe deu tempo para se recuperar. Levantou-se, tirando as próprias roupas, seu pênis monstruoso já completamente ereto, projetando-se de seu corpo peludo. Subiu na cama, seu peso fazendo-a afundar bruscamente. Agarrou seus quadris, virando-a de bruços com uma força surpreendente. Puxou-a para cima, fazendo-a ficar de joelhos, com o rosto pressionado contra o travesseiro que cheirava a poeira e pecados alheios.
'Isso está errado, isso está errado', sussurrou sua mente, mas seu corpo já se oferecia para ele.
Ele a penetrou por trás com uma estocada profunda e intensa. O alongamento era ainda mais profundo nessa posição, preenchendo-a completamente. Ele impôs um ritmo implacável e pulsante imediatamente, sua barriga batendo contra a bunda dela a cada investida.
'Marco', pensou ela, o rosto bonito e carinhoso do noivo surgindo em sua mente. Marco, inteligente, em forma, bem-sucedido, com cheiro de perfume francês importado. Samuel, penetrando-a agora, exalava o cheiro do perfume barato de farmácia que claramente havia aplicado, um aroma já diluído pelo suor salgado e pungente de seu odor natural. Era o cheiro de masculinidade crua, de trabalho e negligência, e a cada suspiro, ela o inalava profundamente, e sua vagina se contraía com mais força ao redor dele.
Samuel agarrou seus quadris, seus dedos cravando em sua carne, deixando marcas que ele esperava que durassem. Ele sabia que não tinha mais nada a oferecer a ela. Nem dinheiro, nem beleza, nem cultura. Nada além disso: o puro prazer. Que isso bastasse. Ele a fodeu como se sua vida dependesse disso, cada estocada profunda e violenta era um apelo. 'Me ame'. 'Implore por mim'. 'Escolha isso'. Ele queria imprimir sua marca na alma dela com a força de suas investidas.
A humilhação provocou uma epifania sombria. Natália se lembrou das conversas de seus pais à mesa de jantar, do ridículo casual e piedoso. "Pobre neto da Lucy... um fracasso. Sem futuro." Eles zombavam dele.
Da altura dele, do desleixo, da falta de perspectivas. E agora a filha perfeita deles estava de joelhos, sendo destruída por aquele mesmo fracassado. A ironia era tão cruel que parecia verdade. Ele. Feio, baixo, fedido, pálido, gordo, peludo. Isso parecia tão… certo.
Enquanto sentia as paredes internas dela começarem a tremer novamente, um novo objetivo primitivo se cristalizou na mente de Samuel. 'Para sempre. Eu preciso dela para sempre'. Ele queria marcá-la novamente, mais profundamente do que hematomas. Queria prendê-la a si com a corrente mais fundamental. Queria plantar sua semente em seu solo fértil e vê-la crescer. 'Meu filho em sua barriga. Então ela nunca poderá partir'.
Ele a envolveu com a mão, encontrando seu clitóris, esfregando-o em círculos ásperos e frenéticos. — Venha comigo, amor — grunhiu ele, o ritmo se tornando errático, desesperado. — Tome. Tome tudo de mim.
A ordem a despedaçou. O segundo orgasmo de Natália foi uma onda silenciosa e convulsiva, sua visão turva, sua vagina ordenhando o pênis dele em pulsações intensas e rítmicas. Sentir o aperto dela ao redor dele foi o gatilho final. Com um rugido gutural, Samuel penetrou com força e se manteve firme, o corpo rígido. Ele ejaculou, jato após jato quente de sua essência inundando suas profundezas, pintando seu útero com sua marca.
Por um longo momento, só se ouviu o som de suas respirações ofegantes e o gotejar distante de uma torneira. Samuel desabou sobre ela, seu corpo pesado pressionando-a contra o colchão, a pele deles úmida de suor e sexo. O peso dele era opressivo, mas de alguma forma reconfortante, como se a prendesse ao momento, à realidade crua e sem filtros do que acabavam de fazer. Sua respiração quente roçava a nuca dela, seu peito subia e descia contra sua coluna, e ela podia sentir as batidas do coração dele reverberando por todo o seu corpo.
A mente de Natália deveria estar a mil. Mas não estava. Ela não estava com medo. Não naquele momento. O pensamento sequer lhe passou pela cabeça. Em vez disso, ela jazia ali, mole e flexível sob ele, seus sentidos inundados pelo aroma almiscarado de seus perfumes misturados. Era primitivo, inebriante, uma lembrança visceral do que haviam compartilhado.
Os braços de Samuel a envolveram, puxando-a para mais perto, seu abraço possessivo, mas estranhamente terno. Seu rosto aninhou-se na curva de seu pescoço, seus lábios roçando sua pele úmida. — Você é minha — murmurou ele, a voz rouca, mas carregada de uma intensidade silenciosa. As palavras eram uma declaração, uma insistência silenciosa que pairava no ar entre eles.
Natália não respondeu. Não conseguia. Seu corpo ainda tremia com os tremores subsequentes, sua mente uma névoa de exaustão e prazer persistente. Mas, lá no fundo, em algum recôndito da sua alma, ela sentia — uma conexão, complexa e crua, mas inegável. Assustava-a, mas também a preenchia com uma estranha, quase proibida, sensação de pertencimento.
Eles jaziam ali, entrelaçados, o silêncio do quarto envolvendo-os como um casulo. O gotejar da torneira do banheiro era um ritmo distante, constante e imutável, um contraste gritante com o caos do seu ato sexual. Lá fora, o mundo seguia seu curso, alheio à tempestade que acabara de passar entre eles. Dentro daquele quarto de motel decadente, por ora, só existiam eles — suas respirações, seus aromas, seus corpos ainda entrelaçados como se recusassem a se separar.
Continua...