A noite foi difícil. Carol acordou várias vezes para vomitar, e quando Carol finalmente acordou, lá pela hora do almoço, decidimos curtir a piscina do hotel para tentar uma recuperação da ressaca da noite anterior.
Enquanto nos arrumamos em completo silêncio, fiquei pensando o que passaria na cabeça dos caras que tentam que nem cachorros no cio pegar a minha esposa se eles tivessem que ficar segurando o cabelo dela enquanto ela vomitava, que nem eu fazia. Todo mundo fica fantasiando em comer a gostosa, ninguém imagina o que é viver com ela.
E como era usual naquela viagem, eu já estava puto. Carol não tinha culpa pelo que aconteceu na cozinha com Murilo. Ela foi atacada, e fez de tudo para se livrar daquela situação. Ainda assim, ela não me contou o que tinha acontecido, e isso estava me enlouquecendo. Se ela não estava me contando aquilo, o que mais ela tinha escondido de mim durante os oito anos que a gente era casado?
Fomos para o elevador de mãos dadas, mas o clima entre nós era pesado como chumbo. Entramos no elevador, eu apertei o térreo e, quando as portas do elevador estava prestes a se fechar, uma mão gigantesca surgiu no meio delas como num filme de terror.
Carol congelou ao meu lado, os olhos verdes arregalados por um instante antes de compor uma expressão de surpresa forçada. "O que você tá fazendo aqui?"
Sim, era ele. Logo a pessoa que eu menos queria ver no mundo inteiro.
Murilo entrou com um sorrisão escancarado de quem se acha o rei do mundo, apertou o botão já pressionado e encostou na parede do elevador, como se o espaço lhe pertencesse.
"Oi pra você também, Carolzinha!", disse, grave e confiante, percorrendo-a de cima a baixo sem disfarce, os olhos demorando nos seios da minha esposa. "Eu ajudo meu pai a gerir os hotéis dele, que conhecidência boa vocês estarem aqui"
Fiquei quieto, apertando a mão de Carol com mais força, e ele mal olhou para mim. Era como se eu fosse uma mera decoração. E já que nem eu e nem minha esposa tivémos forças para ser simpáticos o suficiente para continuar aquele agradável papo de elevador, Murilo continou: "Vocês vão pra piscina? Depois dou uma passada lá."
As portas abriram-se no térreo e saímos depressa, Carol puxando minha mão tentando fugir dali. "Ignora, amor. Vamos curtir a piscina como planejamos", murmurou ela, forçando um sorriso que não chegava aos olhos. Meu desespero era tanto que tive vontade de me agachar e chorar. Era como se uma malidção estivesse sob mim, que me impediria de ter um minuto de paz naquela viagem.
Sentamos nas espreguiçadeiras para relaxar, mas eu me sentia como um veterano de guerra à beira de uma crise de ansiedade. Fiquei ali, esperando pelo inferno que sabia que ia começar no momento em que aquele traste voltasse. Mesmo assim, nem nos meus piores pesadelos imaginei que ele apareceria sem camisa, vestindo apenas uma sunga preta, equilibrando uma bandeja com três drinks coloridos. “Então… isso aqui é um pedido de desculpas por ontem. Acabei bebendo demais e passando um pouco do limite, né, Carolzinha?”
Era assim que ele começava uma conversa.
Eu me sentia completamente despreparado para aquela situação. Nunca, em toda a minha vida, tinha sido obrigado a conviver com alguém tão babaca quanto aquele cara. Minha esposa também parecia perdida, o olhar dela era de puro terror, talvez com medo de que eu tivesse uma crise de ciúmes agora que ele tocava no segredo que ela vinha se esforçando para esconder de mim desde a noite anterior.
Escolhi ignorar tanto a fala dele quanto a reação dela, fingindo ser um idiota. Não queria começar uma briga — ainda mais ali, e muito menos na frente daquele filho da puta.
"Ah, não tem problema… obrigada", respondeu ela, sem jeito.
"E vocês ficam até quando? Tão gostando do hotel?"
Respondi rápido, querendo encerrar o papo, como se ele fosse aqueles gerentes de restaurante que passam de mesa em mesa perguntando se tem algo errado com a comida: "Até o fim da semana. Sim, tá tudo ótimo."
Ele sorriu, ignorando completamente o meu tom. Sem pedir licença, esticou a mão e ajustou de leve a alcinha fina do biquini da minha mulher, puxando para o lado para revelar a diferença entre a pele bronzeada e a branquinha por baixo. "Olha só: dá pra ver que você já bronzeou bastante."
Carol corou intensamente, visivelmente constrangida com aquele toque na minha frente. Ela reposicionou a alça devagar, fingindo naturalidade. "Pois é, quem trabalha em escritório precisa aproveitar essas doses raras de vitamina D."
Ele continou puxando o papo merda dele, falando da festa, da praia e de gente famosa que já visitou hotel, já que provavelmente era o que alguém com o QI daquele cara conseguia falar. O que mais me incomodava de tudo não era nem o papo ou como ele encarava o decote da minha esposa, mas o fato que em nenhum momento ele sentou. Parecia que ele queria que eu e minha esposa ficassemos olhando para o grotesco volume na sunga dele, e cada movimento que aquela coisa fazia quando ele provocava mais e mais nós dois.
"Se quiserem, posso dar um upgrade no quarto de vocês. Tem a suíte presidencial, com hidromassagem — e se não voltarem grávidos dessa lua de mel, devolvo o dinheiro das diárias", ele disse rindo da própria piada e dando cotoveladas leves no meu braço, fingindo uma camaradagem inexistente.
Forcei uma risada seca e balancei a cabeça. "Melhor não. Precisamos aproveitar a cidade e a praia, não ficar entocados no quarto de hotel."
Murilo ergueu as sobrancelhas e virou-se para minha esposa com aquele sorrisinho filho da puta que eu odiava tanto. "Ihhh... e você concorda com isso, Carolzinha? Vou te contar: já fui com umas namoradas nessa suíte, e foi uma experiência inesquecível pra elas."
Carol tomou um gole da caipirinha antes de rebater, o tom leve, mas afiado: "Então, você tem vários filhos?"
Murilo gargalhou de novo, batendo na coxa, o corpo todo tremendo de rir. "Putz, aí você me pegou... não posso fazer uma propaganda enganosa do quarto, né?" Mas tenho certeza que vocês vão curtir. Só imagina… vocês dois lá, bolhas everywhere, luz baixa, uma musiquinha. Quem sabe libero uns óleos de massagem do spa. Grátis, claro. Pra ajudar no relaxamento."
Tossi baixo, apertando o copo na mão, o ciúme subindo como bile. "A gente pensa, valeu a oferta."
Ele ignorou meu tom seco e virou-se todo para Carol. "E você, Carolzinha, o que acha? Topa o desafio do 'grávida ou dinheiro de volta'? Aposto que com uma hidromassagem daquelas, o maridão aí vira um touro."
Carol só deu um sorriso sem graça, decidida a ignorar aqueles comentários sobre nossa vida sexual. Inclinando a cabeça de leve, ela mudou o assunto com uma naturalidade que eu admirava, mas que também me deixava puto porque ela estava lidando com todo aquele assédio muito melhor que eu.
"A propósito, Murilo, onde fica o banheiro aqui na piscina? Essa caipirinha desceu rápido demais."
"Ah, fica ali no fundo do barzinho, mas é meio escondido. Eu tô indo voltar pro trabalho mesmo, passo pela recepção. Te acompanho rapidinho, Carolzinha, pra você não se perder." Murilo se levantou na hora, como se fosse a coisa mais normal do mundo oferecer companhia pra uma mulher casada ir mijar.
Ela hesitou por um segundo, olhando pra mim com aqueles olhos verdes que pediam socorro de forma silenciosa. "Não precisa, eu acho o caminho..."
"Relaxa. E assim eu já resolvo o upgrade do quarto na recepção, como prometi.", ele disse interrompendo, já andando devagar na direção do bar, esperando ela o seguir.
Até para as gaivotas que estavam ali perto na piscina era óbvio que Murilo tentaria alguma coisa. Eu fechei os olhos e contei mentalmente sessenta segundos e fui atrás dos dois. Minha cabeça estava tão ruim que nem eu sabia o que eu realmente queria naquela hora enquanto corria para o banheiro, se queria que tudo estivesse certo, ou se queria pegar aquele filho da puta no flagraQuem quiser o resto desse conto, já tem completo e grátis no ouroerotico.com.br