Corno no Reality - 7

Da série Corno no Reality
Um conto erótico de Mais Um Autor
Categoria: Heterossexual
Contém 1734 palavras
Data: 14/03/2026 12:31:37

O cara de vermelho juntou todas as fantasias, inclusive as que estavam com as meninas, e saiu, levando junto o cabideiro.

As meninas ficaram ali, discutindo o que tinha acabado de acontecer, falando de como estavam ansiosas e da loucura que era não saber o que viria depois.

Se elas pudessem me ouvir, saberiam que eu concordava. Era realmente terrível não saber o que ia acontecer.

🎵 Everybody dance now! 🎵

Um barulho alto interrompeu a conversa, assustando todo mundo. As luzes da sala piscaram. Uma vez. Duas. A porta principal se abriu de supetão.

Quatro homens surgiram alinhados no corredor, recortados pela luz branca atrás deles. Todos eram jovens, altos, musculosos.

Mas isso nem era o pior.

Eles vestiam exatamente as fantasias que as meninas tinham escolhido. Já dava para imaginar qual era o plano da produção e o nível que aquele programa teria.

As meninas começaram a gritar.

— NÃO!

— GENTE DO CÉU!

— EU NÃO TÔ ACREDITANDO!

A música continuou. Eles dançavam como dançarinos contratados para uma despedida de solteira. Era um completo circo.

O policial levantou Laís do sofá, fez com que ela desse uma volta e passou a dançar atrás dela, num movimento que lembrava mais sexo do que qualquer outra coisa.

Já o diabo atravessou a sala inteira, olhando menina por menina, até chegar à minha esposa. Subiu no sofá, ficou de frente para ela e começou a esfregar seu quadril contra o colo dela no ritmo da música.

Parecia uma competição entre os homens para ver quem conseguia levar as meninas à situação mais constrangedora.

Mas, com o tempo, a folia inicial perdeu a força. Quando eles já tinham feito basicamente tudo o que, a música foi interrompida. Aquela era a deixa para todo mundo relaxar e se acomodar novamente no sofá.

O lenhador sentou numa das pontas, ao lado de Renata. Deixou uma mão pousar sobre a coxa dela, como se fosse algo natural. Renata baixou os olhos, percebeu o toque, mas não o afastou. E o coelhinho passou os dois braços por trás do sofá, envolvendo num abraço minha esposa e Mônica.

Aquela era a baixaria que a produção queria para o programa. Aqueles caras quase pelados ali. O jeito como eles tocavam nas meninas sem nenhum pudor. Era assustador o quanto aqueles zé-manés estavam confortáveis.

E, com certeza, as coisas ainda iam piorar.

Agora que todos estavam ali, começaria a “verdadeira” primeira dinâmica.

Os solteiros precisavam adivinhar quem havia escolhido a sua fantasia. E quem acertasse teria um “prêmio”…

O apresentador chamou o prêmio de “trinta segundos no céu”, embora, se o céu existisse, com certeza aquilo não estaria na lista das atividades aprovadas.

O solteiro teria trinta segundos de interação livre com a menina que escolheu a fantasia dele, ali na frente de todos. Ou seja, um passe livre para sarrar uma das meninas.

Lucas, o rapaz vestido de coelhinho da Playboy, foi sorteado para ser o primeiro.

— Eu tô praticamente pelado aqui, então acho que quem escolheu isso deve ser a mais safada dessa casa…

Sobrancelhas foram arqueadas, olhos arregalados; todas estavam apreensivas para saber qual delas era a detentora desse belo título.

— Vou chutar que foi a Renata.

A mulata de cabelos cacheados começou a rir.

— Nossa, é isso que você pensa de mim? — disse, fazendo uma pausa para que ele pudesse sentir vergonha. — Bom, até faz sentido, mas você tá errado, tá?

Risos. O clima era leve. Era como se não existisse um público nem maridos roendo as unhas assistindo àquilo.

Depois foi a vez de Bruno. Ele era um negão imenso, com quase dois metros de altura, que ficava mais cômico do que sensual naquela fantasia minúscula de diabinho.

— Qual de vocês é mais do capeta, hein? — disse, analisando uma a uma, tentando conseguir qualquer pista. — Bom, não sei, mas vou chutar. Pelas tatuagens e pelo piercing, a Mônica passa mais essa vibe de rock and roll.

Ela olhou para a cara dele, levantou a mão e fez um joinha, ficando naquela posição até Bruno começar a sorrir. Então, com a calma cruel de um César, virou o polegar para baixo, decretando que Bruno estava errado.

Chegou a vez de Renan, o rapaz vestido de lenhador.

Comecei a repetir um mantra desesperado na minha cabeça. Era quase uma reza.

Escolhe qualquer uma, menos a Ana. Por favor, qualquer uma menos ela.

Eu sabia que uma hora não teria escapatória e que teria que ver algo que minha mente nunca conseguiria apagar. Mas, isso não me impedia de torcer para que nada acontecesse naquele programa.

Até porque Renan era, disparado, o solteiro que mais me causava repulsa. Não só porque estava com a fantasia que a Ana tinha escolhido. Tinha alguma coisa nele que me irritava num nível quase irracional.

O cabelo loiro, os olhos azuis — tudo nele passava uma vibe de metido. Eu apostava que ele chamava todo mundo de men. Tinha um ar de príncipe encantado… mas não desses de conto de fadas. Parecia uma versão live-action do príncipe encantado do Shrek.

Renan se levantou do sofá e foi de menina em menina, fazendo uma espécie de ritual. Apoiava-se nas coxas delas, cheirava o cabelo, chegava bem perto com o rosto, como se fosse beijar.

Talvez estivesse tentando provocar alguma reação — quem sabe fazer com que a mulher que havia escolhido aquela fantasia se entregasse.

Mas elas entraram na brincadeira, tentando segurar qualquer reação, para que ele não conseguisse nenhuma informação com aquele truque.

Ele foi uma a uma pela sala, até que chegou a vez de Ana.

E eu estava apreensivo pra um caralho.

Renan começou passando o dedo pela perna dela, devagar, subindo aos poucos. A mão avançou até desaparecer dentro do vestido curto que a produção a obrigara a usar.

Quanto mais subia, mais a expressão de Ana mudava. A tentativa de manter o rosto neutro foi cedendo lugar a uma indignação visível.

— Hey… — ela protestou, talvez tentando lembrá-lo de que, se continuasse, violaria as regras do programa.

Renan apenas manteve a mão ali. Aproximou o rosto do dela, invadindo o espaço. Ana fechou os olhos, mas não se moveu. Os lábios se contraíram, tensos.

Ele chegou ainda mais perto.

Por um instante, achei que fosse direto à boca dela. Mas, no último segundo, desviou — encerrando aquele teatrinho ridículo com um beijo na bochecha da minha esposa.

— Acho que já tenho minha resposta… — disse Renan, saboreando o momento. — A gente se apaixona por aquilo que a gente é, não é mesmo?

Fez uma pausa calculada.

— Quem escolheu essa fantasia deve ter uma personalidade forte. Firme. Igual ao lenhador.

O ar sumia do meu corpo.

— Foi a Ana. Acertei?

Os gritos explodiram na casa.

Ana levou a mão à boca, fingindo surpresa, enquanto os outros comemoravam ao redor dela. E eu fiquei sem entender o porquê.

Por que as meninas estavam comemorando que uma delas ia ser sarrada à força?

Ana e Renan foram chamados para o centro da sala. Um timer de trinta segundos começou a decrescer na TV.

Renan não perdeu tempo. Se aproximou por trás e envolveu Ana num abraço, não deixando nenhum espaço entre o corpo dos dois. Inclinou o rosto, cheirando o cabelo dela, depois desceu com a boca até o cangote, dando beijinhos leves no pescoço.

Ana manteve os braços rígidos ao lado do corpo. Os olhos fechados e o rosto contraído, numa expressão de asco ou dor, como se estivesse suportando algo desagradável.

Ela não podia impedir, mas pelo menos não parecia gostar.

A mão dele escorregou até a barriga dela, usando-a como ponto de pressão para deixar Ana ainda mais próxima.

Se mexia para lá e para cá, como se estivesse dançando uma música lenta que só existia na própria cabeça. Ou talvez só estivesse mesmo roçando o pau na bunda da minha esposa.

Deixou Ana de frente para ele. Segurou-a pela cintura, aproximou-se e começou a beijar o rosto dela — primeiro perto da orelha, depois na bochecha, descendo devagar, insistente, fazendo um caminho claro até a boca.

O cronômetro marcava os últimos segundos.

Ana tentava se defender, mexendo a cabeça e se esquivando. Não sei nem se aquilo se enquadraria como uma violação da regra do toque.

Até que ela errou o cálculo. Acabou indo com o rosto na mesma direção do ataque de Renan. Os dois deram um selinho, rápido.

O filho da puta conseguiu o que queria. O alarme soou alto.

Ele se afastou imediatamente, erguendo as mãos como se estivesse finalizando uma prova do MasterChef. A casa explodiu em gritos e aplausos.

— Deus do céu, gente, que loucura — Ana disse, fazendo as meninas rirem, enquanto respirava fundo e ajeitava o cabelo.

Talvez essa fosse a forma dela de amenizar o que acabara de acontecer.

Aqueles trinta segundos pareceram uma eternidade para mim. O que eu vi ali nunca mais sairia da minha mente.

O apresentador reapareceu na televisão.

— Gente, a última coisa antes de eu me despedir de vocês. Não sei se vocês perceberam, mas a casa tem apenas quatro quartos…

Lais levou a mão à boca, chocada. Renata caiu na risada.

— Meninas, vocês vão realizar o sonho de todas as mulheres que estão assistindo — continuou ele, fazendo uma pausa calculada antes de soltar a bomba. — Cada uma de vocês vai dividir a cama com um solteiro. Um diferente a cada dia. E, como o Renan foi o vencedor da dinâmica, ele ganha o direito de escolher com quem vai dormir.

Renan se levantou. Caminhou até Ana com um sorriso teatral, ajoelhou-se na frente dela e perguntou:

— Você me daria a honra?

Ana corou, mas riu da palhaçada.

— Bom… não é como se a gente tivesse escolha, né?

Renan abaixou a cabeça e fez um biquinho exagerado, fingindo que tinha ficado genuinamente magoado com a resposta. Ela estendeu a mão, fez um carinho rápido no rosto dele para consolá-lo e, em seguida, puxou Renan para sentar ao lado dela no sofá.

— Aproveitem a casa! Amanhã eu volto — o apresentador se despediu.

A tela ficou preta e a dinâmica oficialmente terminou.

Tudo o que eu tinha assistido era um pesadelo, mas, ao mesmo tempo, eu já esperava coisas daquele nível quando fui obrigado a participar daquela merda.

Ana tinha sido simpática com os solteiros, mas a gente combinou antes do programa que seria dessa forma.

Entre mortos e feridos, eu ainda estava lá.

Obcecado, sofrendo bastante, mas, ainda assim, vivoQuem quiser a continuação tem no ouroerotico.com.br

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