Capítulo 07: O Brinde do Pecado
Por Fernanda
A mansão estava transformada. Flores brancas por todos os lados, luzes de LED âmbar refletindo na piscina e o som de um quarteto de cordas que meu pai contratara para o coquetel pré-casamento. Eu usava um terno feminino de corte impecável, sem nada por baixo do blazer, apenas o colar de prata que brilhava no meu decote. Eu sabia que estava atraindo olhares, mas só um me importava.
Alice estava deslumbrante em um vestido curto de seda dourada. Ela parecia uma joia, mas seus olhos, sempre que se cruzavam com os meus, gritavam um desespero que só eu sabia ler.
— Fernanda, você está distraída — meu pai comentou, aproximando-se com Cristina. — Já cumprimentou a Alice e o Stefano? Eles estão ali perto do bar.
— Vou fazer isso agora mesmo, pai — respondi, com um sorriso cínico.
Caminhei até eles. Stefano estava rindo, segurando uma taça de Martini, enquanto Alice parecia querer se fundir com a parede.
— Um brinde à nova família — eu disse, levantando minha taça. — À Alice, que trouxe tanta... luz para esta casa.
— Salute! — Stefano brindou, entusiasmado. — Fernanda, você é uma ótima anfitriã. Alice me disse que você até deu dicas de design para o novo quarto dela.
— Oh, sim — olhei para Alice, que empalideceu. — Eu tenho ideias muito profundas sobre como ocupar o espaço da sua namorada, Stefano.
Por Alice
Eu sentia que ia desmaiar. A audácia de Fernanda não tinha limites. Ela jogava com as palavras na frente do meu namorado e da minha mãe, como se estivesse caminhando sobre uma corda bamba e adorasse a vista do abismo.
— Stefano, caro, esqueci meu celular no quarto. Pode ir buscar para mim? — pedi, tentando desesperadamente tirar ele de perto antes que Fernanda falasse algo irreversível.
— Claro, amore. Já volto.
Assim que ele se afastou, Fernanda deu um passo à frente, ignorando o fluxo de convidados ao nosso redor.
— Você está fugindo de novo, Alice? O dourado combina com você. Parece uma medalha que eu adoraria ganhar.
— Para com isso, Fernanda! Alguém vai perceber — sussurrei, sentindo o suor frio na nuca.
— Deixe que percebam. Deixe que vejam que a filha perfeita do arquiteto está perdendo o juízo por causa da "irmã" — ela se inclinou, fingindo ajustar o colar no meu pescoço, mas seus dedos roçaram minha pele com uma pressão possessiva. — O porão da casa foi reformado. Tem uma adega nova lá embaixo. Dez minutos. Se não for, eu conto para o Stefano sobre o mar de Jurerê agora mesmo.
Ela se afastou sem esperar resposta.
Por Fernanda
O porão era frio, silencioso e cheirava a carvalho e vinho envelhecido. As luzes eram baixas, automáticas por sensores de movimento. Eu estava encostada em uma das prateleiras de garrafas, contando os segundos.
Nove minutos e cinquenta segundos.
A porta pesada de madeira rangeu. Alice entrou, fechando-a rapidamente atrás de si. Ela estava ofegante, o peito subindo e descendo, fazendo o vestido dourado brilhar sob a luz fraca.
— Você é doente — ela disse, mas não se moveu para sair.
— E você é minha cúmplice — rebati, caminhando até ela.
Eu a prensei contra a porta fechada. O contraste entre o meu terno escuro e o brilho do vestido dela era a imagem perfeita do que éramos: a sombra e a luz colidindo.
— Você disse que amava ele, Alice. Mas está aqui. Em um porão escuro, comigo, enquanto ele te procura lá em cima.
Por Alice
Eu odiava o fato de que ela estava certa. Eu odiava o fato de que, no momento em que ela me ameaçou, uma parte de mim sentiu alívio por ter uma desculpa para vir.
— O que você quer de mim? — perguntei, as lágrimas de frustração ameaçando cair.
— Eu quero o que você não dá a ele — Fernanda sussurrou, suas mãos descendo pelas minhas costas e puxando meu corpo contra o dela. — Eu quero a sua verdade.
Ela me beijou com uma violência faminta. Suas mãos subiram pelas minhas coxas, levantando o tecido fino do vestido dourado. Eu soltei um gemido abafado contra a boca dela, minhas mãos agarrando as lapelas do seu terno. O risco de sermos pegas ali, com a festa acontecendo logo acima de nossas cabeças, era o combustível que faltava para o meu autocontrole desmoronar.
— Fernanda... eles vão sentir nossa falta... — eu tentei dizer, mas minha voz se perdeu quando ela começou a beijar meu decote, suas mãos explorando cada centímetro de mim com uma perícia que me deixava sem forças.
— Deixe que procurem — ela murmurou contra minha pele. — Agora, você é só minha.
Ali, entre garrafas de vinhos caros e o som abafado da música lá em cima, Alice e Fernanda cruzaram a linha de onde não havia mais retorno. O desejo incontrolável se tornou uma entrega absoluta, um segredo enterrado nas fundações daquela casa.
Mas, enquanto se perdiam uma na outra, um som vindo da escada as paralisou.
— Alice? Você está aí embaixo? — era a voz de Cristina, a mãe de Alice.
O pânico foi instantâneo. O segredo estava a um passo de ser escancarado.
Continua…
Notas da Autora:
O que acontecerá agora?
A mãe de Alice está descendo as escadas! Elas conseguirão se esconder ou o escândalo vai explodir antes mesmo do casamento?
