Na noite fatídica de 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel, com sua pena dourada, rabiscou seu nome na Lei Áurea e pôs fim ao cativeiro que amarrava o Brasil há séculos, o império inteiro pareceu explodir em um êxtase descontrolado. O ar do Rio de Janeiro, úmido e carregado de cheiro de mar e fuligem, transformou-se em um perfume de luxúria desmedida. O povo, que até então gozava às escondidas — nas senzalas escuras, onde os gemidos se misturavam ao choro dos açoites, ou atrás das cortinas pesadas dos salões aristocráticos, onde as damas fingiam pudor enquanto abriam as pernas para os capitães do mato — resolveu cuspir na cara da hipocrisia e esfregar a liberdade não só na alma, mas no rabo, na buceta e no pau uns dos outros.
O Largo do Paço, coração pulsante da cidade, virou um caldeirão fervente de corpos suados e desejos reprimidos. Ali se juntou um caldo grosso e pegajoso: negros recém-libertos, com as costas ainda marcadas pelas chibatadas mas com os olhos brilhando de uma fúria libidinosa; barões arrogantes, aqueles fidalgos de barriga cheia e bolsos vazios pela perda do "patrimônio" humano, agora obrigados a dividir o ar com os que outrora chicoteavam; prostitutas de luxo, com seus corpinhos de cocote pintados e perfumados, vindas dos bordéis da Lapa, onde vendiam prazeres por tostões; vadios de boteco, bêbados de aguardente barato e cheirando a cigarro de palha; soldados da guarda imperial, ainda fardados mas com as baionetas esquecidas em favor dos seus paus endurecidos; e até uns padres hipócritas, daqueles que pregavam castidade de dia mas afundavam em vícios à noite, agora cambaleando com garrafas de vinho do porto nas mãos. O clima era de suruba anunciada, uma orgia profana onde ninguém queria saber de missa rezada, de discursos pomposos ou de política enfadonha — só de meter com gosto, sem freio nem vergonha.
A lua cheia iluminava a praça como um holofote indecente, e o som de tambores improvisados, misturado a risadas roucas e gemidos guturais, ecoava pelas ruas de pedras. Um mulato parrudo, de peito largo e músculos forjados no trabalho forçado, subiu em cima de uma carroça abandonada e gritou para a multidão, jogando o paletó surrado no chão enlameado:
— Ora, meus compadres e comadres! Hoje não tem senhor nem escravo, não tem sinhô nem sinhá! Hoje todo mundo mete em todo mundo, e quem não quiser que vá se foder sozinho em outro lugar!
A multidão rugiu em aprovação, um coro de vozes roucas e excitadas. Foi dito e feito. No centro da praça, improvisaram uma cama colossal: carroças viradas de lado, cobertas com bandeiras do Império — aquelas com o verde e amarelo desbotados — que serviram de colchão para a primeira fornicação coletiva da nação que ainda nem sonhava com a República. As damas brancas, outrora finas e intocáveis, com suas peles pálidas como leite e saias rendadas importadas da França, erguiam as anáguas com mãos trêmulas de vinho e ofereciam suas bucetas pálidas como quem oferece champanhe em taça de cristal. Os libertos, rindo com dentes que pareciam de marfim e brilhavam sob a luz das lamparinas, metiam-se entre as coxas sem pedir licença, sem súplicas ou promessas vãs.
Uma sinhazinha loura, de cabelos cacheados e olhos azuis como o céu europeu, perdida em goles de vinho do porto que escorriam pelo seu decote, gargalhava alto enquanto um negro alto e forte a erguia nos braços, pressionando-a contra a parede de uma carroça:
— Ai, meu Deus do céu! Negro liberto mete melhor que esses fidalgos de pau murcho! E cospe menos promessas vazias, ó diabo! Enfia logo esse caralhão preto em mim, homem, que minha perereca tá ardendo de vontade!
O homem, com um sorriso safado, rosnou de volta, as mãos grossas apertando as nádegas dela:
— Pois então abre essas pernas, sinhazinha! Hoje eu sou dono do meu pau, e vou enterrar ele todinho nessa bucetinha rosada até você festejar seu primeiro orgasmo de verdade!
E assim ele fez, empurrando com força enquanto ela gemia, as unhas cravando nas costas dele, misturando dor e prazer em um ritmo frenético. Ao redor, os homens do Exército formavam uma fila bagunçada, mais parecida com um tumulto: soldados com espadas na bainha mas paus duros saltando das calças desabotoadas, querendo enfiar em qualquer buraco disponível — uma boca gulosa, um cu apertado ou entre os peitos fartíssimos de uma mulata voluptuosa que dançava nua no meio da praça, balançando os quadris como se invocasse orixás lascivos.
— Aqui não tem senhor, não! Aqui quem manda é a xereca! — gritava a mulata, com voz rouca de tanto rir e gemer, enquanto dois soldados a atacavam de uma vez: um chupando os mamilos escuros de onde escorria leite e o outro enfiando os dedos na sua buceta molhada e de pentelhos fartos e duros. — Vem, soldadinho, mete esse pauzinho branco no meu cu! Vamos ver se aguenta o rebolado de uma preta liberta!
Um dos soldados, um rapazinho magro de bigode fino, bufava de excitação:
— Por Deus e pelo Imperador, mulher! Esse teu cu é mais apertado que meu orçamento do mês! Enfia, enfia meu pau todo que eu gozo pra você!
Não muito longe, a democracia do gozo livre reinava suprema: um padre gordo, com a batina arremangada até a barriga, ajoelhado no chão, chupava o pau de um negro liberto, lambendo com devoção enquanto murmurava entre lambidas:
— Pelo sangue de Cristo... isso é o paraíso na terra! Chupa, padre, chupa que hoje o pecado é livre!
O negro, com as mãos na cabeça do clérigo, ria alto:
— Vai, seu safado de sotaina! Lambe bem esse pau preto, que eu te consagro com o meu leite!
Ao lado, um barão idoso, daqueles com peruca empoeirada e monóculo quebrado, era chupado por um soldado jovem, enquanto ele mesmo enfiava a língua no cu de uma prostituta ruiva que gemia como uma gata no cio.
— Maldita abolição... — resmungava o barão entre suspiros — Perdi meus escravos, mas ganhei essa boca nervosa! Chupa mais forte, rapaz, que eu te dou uma medalha!
A prostituta, cavalgando o rosto dele, respondia com deboche:
— Medalha nada, velho! Me dá é ouro, ou eu aperto esse teu nariz com minha xoxota até você sufocar!
Uma sinhá viúva, enlutada mas com os olhos faiscando de lascívia, cavalgava em cima de uma prostituta morena, esfregando as xanas em um tribadismo furioso, enquanto um grupo de vadios assistia e se masturbava ao redor.
— Ai, minha filha, que delícia essa fricção! — gemia a sinhá, as mãos apertando os peitos da outra. — No meu tempo de casada, o maridão só metia seco e durava um minuto... mas você, ó diaba, sabe como fazer uma dama gozar!
A prostituta, rindo e rebolando, respondia:
— Pois então goza, sinhá! Esfrega essa bucetinha refinada na minha, que eu te mostro como as putas do morro fazem!
Tudo regado a cusparadas que escorriam pelos corpos, aguardente de cana, e suor salgado que misturava raças e classes em uma poça pegajosa no chão. Cada grito de prazer ecoava como um hino nacional desafinado, um berro de "Viva a liberdade!" seguido de um "Mete mais fundo!".
No meio do reboliço, um poeta anônimo de botequim, já sem calças e com o pau balançando ao vento, anotava num guardanapo sujo, entre uma enfiada e outra em uma sinhazinha que se oferecia toda empinada de quatro:
"Treze de maio, dia santo: o cu é livre, fartura de paus. Buceta aberta, sem grilhões; êxtase coletivo, sem sermões."
Mais adiante, um velho coronel derrotado, bêbado de cachaça e com o uniforme desabotoado, resmungava enquanto enfiava em uma crioula jovem, cujas tetas balançavam como frutos maduros:
— Maldita Princesa... acabou com minha lavoura de cana... mas a buceta dessa crioula compensa metade da safra! E o cu dela? Ah, o cu é o resto da colheita inteira!
A mulher, gemendo sem dó nem piedade, virava o rosto para ele:
— Mete, coronel! Mete que agora eu sou dona do meu corpo! Quer o cu? Paga com porra, não com chicote!
E ria, babando nas próprias tetas enquanto ele bufava e empurrava o pau pra dentro do rabo preto, o suor pingando como chuva tropical.
A festa se alongou noite adentro, uma verdadeira suruba democrática onde a liberdade se comemorava não com discursos enfadonhos, mas com picas latejantes, bucetas fumegantes e cus, que piscavam mais que vagalumes. Cada gozada era um grito de independência, cada trepada um decreto de igualdade racial, cada chupada uma lei contra a opressão. Grupos se formavam e se desfaziam: três negros libertos revezando em uma baronesa que gritava por mais rola enquanto todos os seus buracos eram esfolados; prostitutas chupando coroinhas enquanto soldados as comiam por trás; vadios enfiando em buracos aleatórios, sem distinguir gênero ou cor, apenas buscando orifícios onde pudessem despejar seu esperma.
Uma hora antes do amanhecer, o caos atingiu o ápice: um círculo de corpos nus, onde todos se conectavam em uma cadeia insana de penetrações — pau no cu, cu na boca, boca na buceta, um emaranhado de membros suados e gemidos ecoando como um coral profano.
— Viva o Treze de Maio, raios! — berrava um mercador português, gozando no cu frouxo de uma septuagenária banguela.
— Viva a liberdade! — respondia outro, lambendo uma glande ensopada de porra.
No fim, o sol nasceu tímido sobre o Largo, tingindo de rosa os corpos exaustos e empilhados. A praça cheirava a bacanal, ranço de pinga e catinga de suvaco, como um bordel após uma noite de folia. Os nus entrelaçados — negros com brancos, ricos com pobres, santos com pecadores — eram prova viva de que a abolição, pelo menos naquela noite insana, tinha dado certo. O Brasil acordava de ressaca, mas com o gosto da liberdade na boca……e nas partes pudendas.
