A vitória de Samuel - Cap.8

Um conto erótico de ThiThe
Categoria: Heterossexual
Contém 1879 palavras
Data: 15/03/2026 18:23:01

O ônibus urbano parou com um chiado, expelindo uma nuvem de fumaça no ar morno do terminal rodoviário. Samuel desceu com uma mochila de roupas amassadas e descombinadas pendurada no ombro. O lugar era barulhento e gasto — bancos de metal riscados, piso manchado, gente passando de um lado para o outro — e ele parecia inquieto no meio daquilo tudo, como se a pressa que carregava por dentro não coubesse no próprio corpo. Seus olhos percorreram a rua freneticamente, até pousarem no carro prateado estacionado do outro lado. Uma onda de triunfo o percorreu. Ela esperava por ele.

Ele caminhou até lá, seus sapatos gastos arrastando no asfalto. Abrindo a porta do passageiro, jogou a mochila aos seus pés e entrou. O cheiro imediato e familiar dele — cabelo sem lavar, suor velho e aquele sabonete barato e enjoativo — invadiu o interior do carro, com seu aroma fresco de limão, uma nuvem palpável.

— Oi, amor — ele sorriu, inclinando-se sobre o console central.

O coração de Natália batia forte contra as costelas. Ele estava ali. No espaço dela.

— Olá. Como foi a viagem? — ela conseguiu dizer, com a voz tensa.

Ele não respondeu. Segurou o queixo dela, o polegar áspero contra a bochecha. — Beijo primeiro.

Ela hesitou por apenas um segundo antes de se inclinar, pressionando os lábios fechados contra os dele num beijo rápido e casto. Era como beijar lixa. Ela se afastou.

— Antes de irmos — disse ela, estendendo a mão para o banco de trás. — Um presente. — Ela lhe entregou uma caixa fina e brilhante.

Samuel olhou para a caixa, depois para ela. Rasgou a caixa. Um smartphone novinho em folha, com a tela escura e brilhante. Sua boca ficou entreaberta.

— O que… isso deve custar uma fortuna.

— Você merece — disse ela suavemente, colocando o carro em marcha. O verdadeiro motivo a sufocava: o medo irracional de que o celular velho e surrado dele parasse de funcionar. Que, de repente, as mensagens deixassem de chegar. Elas já ocupavam tanto do dia dela que sua mente começava a inventar futuros inteiros em que aquilo simplesmente acabava. Ela não suportaria o silêncio.

Enquanto conduzia o veículo em direção ao seu bairro, a mão de Samuel pousou em sua coxa. Não um carinho. Uma reivindicação. Seus dedos massageavam o músculo firme através da lã fina de sua calça. Ele olhava pela janela, os olhos arregalados enquanto a cidade se transformava. Os prédios decadentes e os muros cobertos de grafite perto do motel "Paraíso" davam lugar a amplas avenidas arborizadas, parques bem cuidados e edifícios imponentes com porteiros uniformizados. O contraste era um golpe físico. Ele não disse nada, mas seu aperto em sua perna se intensificou.

A garagem subterrânea de seu prédio era uma catedral de concreto e veículos de luxo reluzentes. Seu rosto queimava enquanto o guiava até o elevador de serviço. Ainda existia um resquício de vergonha e ela temia que ele percebesse. Mas Samuel entrou, olhando ao redor para o aço inoxidável com uma espécie de curiosidade desafiadora, como se o desafiasse a rejeitá-lo. A ansiedade se acumulava no estômago de Natália a cada andar que subia.

O elevador tocou. Sua porta se abriu para a vasta extensão ensolarada de sua sala de estar. Samuel parou abruptamente na soleira da porta, sua mochila caindo de sua mão com um baque surdo.

—Caralho — ele sussurrou.

A sala era um exemplo de luxo minimalista — um enorme sofá modular cinza-pombo, uma pintura abstrata que custava mais do que a casa de sua avó, janelas do chão ao teto oferecendo uma vista panorâmica da cidade. Era maior do que toda a sua casa.

Ele entrou, seus sapatos sujos deixando marcas tênues no piso de carvalho claro. — Você se deu bem, hein, Naty? — disse ele, com a voz misturando admiração e um tom amargo. A acusação implícita pairava no ar: 'e eu não dei'.

Seus olhos se fixaram na televisão gigante presa na parede. — Isso é um cinema! — Ele praticamente se atirou no sofá, quicando nas almofadas. Arrancou a camisa, revelando seu torso pálido e peludo e sua barriga enorme, e a jogou em uma poltrona branca impecável. Tirou os sapatos, depois as meias, amassadas e jogadas descuidadamente no chão. Natália sentiu uma tensão profunda. Todos os seus instintos gritavam para pará-lo, repreendê-lo, restaurar a ordem. Seus dedos se contraíram ao lado do corpo.

Samuel notou. Viu o breve e violento lampejo de angústia em seus olhos antes que ela suavizasse a expressão. Um sorriso lento e presunçoso se espalhou por seu rosto. Um teste.

— Não quer tomar banho? — perguntou ela, com a voz tensa, forçada a parecer leve.

— Estou com preguiça. Tomo mais tarde — respondeu ele, pegando o controle remoto. O som alto de um canal de esportes preencheu o cômodo silencioso. Ele aumentou o volume. — Tem cerveja?

— Não. Mas tem vinho, uísque, gim…

— Merda de bebida de rico — debochou ele, sem desviar o olhar do jogo. — Compra cerveja pra mim. A Santa Clara, da lata. — Não era um pedido. Era uma ordem.

Natália não discutiu. Pegou o celular, os polegares deslizando sobre o aplicativo de entrega. 'Sim'. 'Claro'. 'Imediatamente'. A submissão era como uma droga.

Mais tarde, com uma lata gelada na mão, os pés descalços apoiados no seu caro pufe de couro, Samuel era o rei. Natália observava da cadeira de jantar, uma estranha admiração aquecendo seu peito. Ele dominava o espaço, sua presença encolhendo o cômodo, fazendo a arte cara parecer fútil. Isto é dele agora, pensou ela, e a ideia era emocionante.

— Tô com fome — anunciou ele, durante um comercial.

— Eu peço algo. Tem um lugar de massas incrível que…

— Não quero comida de aplicativo — interrompeu ele, finalmente se virando para olhá-la. Seus pequenos olhos escuros a fitaram. — Quero que você faça. Comida caseira. Da minha mulher.

— Mas… é mais rápido pelo aplicativo — protestou ela fracamente.

— Agora — disse ele, a palavra plana e definitiva.

Natália se levantou, como uma guerreira derrotada. Caminhou até sua cozinha de última geração, um lugar que raramente usava. Ela havia mandado sua governanta embora justamente esta semana, não querendo testemunhas. Agora, sentia a ironia. Uma mulher bem-sucedida, reduzida ao fogão por uma ordem.

O cheiro de alho e cebola refogando finalmente invadiu a sala de estar. Samuel sorriu, inspirando profundamente. 'Bom'.

Ela reapareceu. — Está quase pronto.

— Enquanto isso — disse ele, mexendo os dedos do pé levantado. — Massageia aí. O sapato apertou na viagem, tá dolorido.

A respiração de Natália falhou. Ela se moveu como que em transe, ajoelhando-se no tapete macio em frente ao pufe. Ela pegou o pé dele nas mãos. A sola era um mapa de pele dura e rachada, áspera como casca de árvore. Sujeira estava incrustada nas fissuras. O cheiro — uma mistura potente e ácida de suor e couro — subia, inconfundível e forte. Suas mãos macias e hidratadas, com unhas perfeitamente feitas, começaram a massagear a carne suja, pressionando o arco do pé.

— Isso — ele gemeu, inclinando-se para trás. — Aperta mais. Você tem uma mão boa.

A posição era de total submissão. De joelhos, cuidando dos pés imundos dele. Uma onda quente e repentina de excitação pulsava entre suas pernas, encharcando sua calcinha fina. Ela mordeu o lábio, seus movimentos se tornando mais intensos.

Bip-bip-bip! O fogão elétrico tocou na cozinha.

— O almoço — ela murmurou.

— Antes de ir — disse Samuel, sua voz um murmúrio baixo. — Dá um beijinho neles. Pra melhorar. — Natália não hesitou. Inclinou a cabeça, os lábios entreabertos, e depositou um beijo suave e deliberado no peito do pé sujo e fedorento dele. Um arrepio percorreu seu corpo.

*

Depois do almoço, ocupou-se em guardar as poucas coisas dele em uma seção do closet que Marco costumava usar. A visão de suas camisas acinzentadas e esfarrapadas e calças jeans desfiadas ao lado de suas blusas de seda a encheu de uma profunda tristeza. Amanhã, prometeu a si mesma. Vou jogar esse lixo fora. Vou comprar tudo novo para ele. A lembrança da alegria dele ao telefone passou por sua mente, e seu peito se encheu de um calor possessivo e generoso. Enquanto guardava seus sapatos surrados e fedorentos na prateleira, parou. Olhando para a porta, levou rapidamente um deles ao rosto, inalando profundamente o aroma concentrado e pungente. Seus olhos se fecharam. 'Sim'.

Ao cair da noite, sua ansiedade se transformou em uma necessidade pulsante e intensa. Ela tomou um banho longo e perfumado, esfregando cada centímetro, verificando se havia algum fio de cabelo fora do lugar. Ela havia se preparado para isso. Estava pronta.

Esperou por ele na cama enorme, nua, os lençóis frescos contra a pele. A espera pareceu eterna.

Finalmente, a porta do quarto se abriu. Samuel estava lá, ainda com as calças do dia, cheirando a cerveja, à sala de estar e a si mesmo. Não havia tomado banho. Observou-a — estendida como uma oferenda em seu próprio templo palaciano. Um sorriso largo e compreensivo iluminou seu rosto. 'Ela está louca por mim'.

Ele se despiu lentamente, deixando as calças caírem. Sua ereção, grossa e com veias saltadas, já estava completamente ereta, curvando-se contra sua barriga peluda. Subiu na cama, mas em vez de se posicionar entre as pernas dela, montou em seu torso, os joelhos prendendo seus braços delicadamente ao corpo. Ele pairou sobre o rosto dela, o pênis balançando logo acima de seu peito.

— Hoje quero algo diferente — disse ele, com a voz rouca. Abaixou-se, segurando o pênis na mão, e espalhou a gota de líquido pré-ejaculatório sobre o mamilo esquerdo dela. Este arrepiou instantaneamente sob o toque úmido. — Quero sentir esses peitões lindos.

Ele se posicionou, o grosso membro encaixado entre os seios dela, juntando-os com as mãos. Então começou a se mover, deslizando o pênis pela carne macia e quente. A fricção era deliciosa, a visão obscena. Os seios perfeitos e redondos dela brilhavam com a saliva e o líquido pré-ejaculatório enquanto ele penetrava a fenda entre eles.

— Sua puta de luxo — grunhiu ele, aumentando o ritmo. — Sua advogada gostosa. Isso, aperta mais com eles.

Natália se sentia como uma prostituta paga, usada para um serviço degradante. E isso a eletrizava. Sua mão deslizou entre as próprias pernas, os dedos encontrando o clitóris, circulando em ritmo frenético com as estocadas dele. Ela estava tão molhada que os sons eram obscenos.

— Olha pra ele — ordenou Samuel, sua respiração ficando ofegante. — Olha como ele tá querendo gozar na sua carinha linda.

Ela olhou para cima, seus olhos encontrando os dele enquanto seu pênis pulsava entre seus seios. Ela estava perto, seus próprios músculos se contraindo.

— Abre a boca — ele rosnou, seus movimentos se tornando bruscos, descontrolados. — Agora!

Os lábios de Natália se entreabriram em obediência no exato momento em que o orgasmo o atingiu em cheio. O primeiro jato quente e espesso atingiu sua língua, salgado e amargo. O próximo espirrou em sua bochecha. Outro pintou sua testa e pálpebra. Jato após jato caiu em seu rosto, em seu cabelo, uma chuva quente e possessiva. Ele grunhiu a cada pulsação, se esvaziando sobre ela.

— Engole — ele ofegou, o corpo tremendo. — Engole tudo, sua vadia.

Ela fechou a boca, engolindo a potente carga, enquanto seu próprio clímax a atravessava, uma onda silenciosa e convulsiva que a fez arquear as costas para fora do colchão, os dedos cravando-se em sua própria umidade. Ela estremeceu sob ele, coberta por seu sêmen, mais possuída do que jamais estivera.

Continua...

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