Meu vizinho viril - parte 02

Um conto erótico de Anônimo Romântico
Categoria: Gay
Contém 1506 palavras
Data: 17/03/2026 11:40:21
Última revisão: 17/03/2026 12:04:47

... Aquele último encontro no elevador foi um verdadeiro bálsamo para mim. Ter o contato dele me fez sentir esperançoso, com possibilidades ainda desconhecidas. Eu me sentia um adolescente com os nervos à flor da pele. As borboletas no estômago estavam em polvorosa. Inquietas. A sensação de me aproximar dele... Isso bastava para me fazer suspirar, sonhando acordado com um próximo encontro e tudo o que poderia sair disso. O que eu diria a ele? O que ele diria a mim? Como iríamos nos comportar? Haveria, de fato, um próximo encontro?

Ah, fui esmagado pela inevitabilidade dessas e outras perguntas atravessarem meus pensamentos sem descanso. Eu precisava arrumar algo com que me ocupar ou teria uma crise de ansiedade.

Naquele mesmo dia à noite recebi as fotos que havia pedido. Acompanhadas de um simples "Muito lindo, parabéns!". Tentei esticar o assunto, ressaltando o quanto havia ficado satisfeito com o resultado da reforma e da decoração do lugar, e o quanto estava grato a ele pela gentileza de me enviar as imagens. Queria o convidar para conhecer meu apê, sob o pretexto de que ele visse o quão belo o interior ficara. Mas a conversa simplesmente não frutificou. Suas respostas lacônicas não deram espaço para qualquer continuidade. Aquilo me chateou e amargou a boca, mas as expectativas eram todas minhas. O que eu poderia fazer? Nada! Entendi o recado: ele não estava para conversa. Encerrei nosso bate-papo de forma polida e segui navegando no mar das conjecturas. Malditos pensamentos!

Alguns dias se passaram sem que eu tivesse notícias dele. A vida acontecia para nós dois. Eu estava ocupado com a minha rotina, assim como ele deveria estar focado em suas coisas. No entanto, volta e meia sua imagem me vinha à cabeça, quase como uma obsessão, ocasiões em eu saia para fora e me punha a reclinar a cabeça olhando para o alto, procurando o rosto dele naquele emaranhado de concreto. Nada. Alguns impulsos me diziam para o chamar, afinal, ele estava apenas a um teclado de distância. Noutros acessos mais ousados, sentia-me compelido a subir até o apartamento dele. Vejam só quanta bobagem! Eu não faria nada daquilo que meus arroubos postulavam. O medo de sofrer qualquer rejeição ou indiferença continuava a empunhar as rédeas das minhas decisões.

As coisas permaneceram iguais por um tempo, até que num sábado de clima instável tudo mudaria. Naquele dia, eu havia lavado as roupas e as estendido nos varais do quintal. Durante a manhã e tarde, o dia transcorreu normalmente. Um dia agradável de sol, acompanhado de algumas pequenas e esparsas brisas. Nenhum indício predizia a mudança repentina que estava para irromper. Eu estava tão compenetrado nos estudos e preocupado com o período de provas que se aproximava que sequer me dera conta das nuvens escuras e o vendaval que já anunciava a tempestade que chegara de súbito. Minha distração foi interrompida pelo som enervante de um trovão quase apoteótico, que fora precedido apenas dois segundos antes pela soberba luminosa de um relâmpago que rasgou o céu e clareou todo o apartamento. Saí às pressas para recolher as roupas da chuva que já havia começado.

A abóboda celeste se mostrava plangente, completamente enegrecida pelas nuvens carregadas que já tinham aberto suas comportas. Ao sair, fui apanhado por uma dança exasperada de folhas, gravetos e pequenos objetos perdidos ao vento, que seguiam o ritmo ditado pelas rajadas furiosas que indicavam não quererem cessar tão cedo. Enquanto eu corria desesperado, seguindo meus instintos em compasso quase que frenético, repentinamente os pêlos da minha nuca se eriçaram e entrei em estado de alerta: senti estar sendo observado. Por um instante, parei tudo o que fazia, esquecendo-me completamente das roupas, e percorri os olhos ao derredor, até pousar na varanda do quinto andar. Estava escuro, mas era possível vislumbrar um vulto. Não demorou até que um clarão provocado por outro raio denunciasse sua presença. O meu vizinho me assistia do alto, deixando-me completamente embaraçado. Naquele breve lampejo, imaginei ter visto um olhar implacável, mas que ardia em desejo. Ele estava com o peito e barriga desnudos, apenas com sua samba-canção. Seu peitoral e barriga eram completamente lisos, mas confirmavam o que eu já havia presumido: ele tinha corpo de paizão. Parrudo, estivador. As gotas d'água batiam contra seu corpo e escorriam. O volume despudorado entre suas pernas roubava toda a atenção. Aquela cena foi muito para mim. O que fazia ele ali naquele momento? Em plena tempestade? Por quê?

Precisei dispersar aquela curta paralisia e voltar minha atenção às roupas, que tremulavam aparvalhadas ao vendaval. Terminei de recolher tudo e entrei. Esse meio tempo lá fora tinha sido o suficiente para que eu ficasse completamente molhado. Mas nada disso me preocupava. Meus pensamentos novamente orbitavam uma única coisa: o Fabiano. Fiquei nervoso, andando em círculos dentro de casa. Eu e meus pensamentos aturdidos, misturados a um frenesi que até então não havia experimentado. Eu precisava de respostas. Queria saber o que ele pretendia. Por que ele não me procurara nem dera abertura para que nos aproximássemos? As incertezas que pairavam sobre mim estavam me enlouquecendo e eu não seria capaz de suportar ou simplesmente apaziguar o turbilhão de especulações que cirandavam minha cabeça, como que uma auréola imaginária. Eu iria até o apartamento dele e o confrontaria! Estava decidido! Não dava mais para esperar o acaso cruzar nossos caminhos!

Imediatamente, eu saí de casa e chamei o elevador. Sequer me secaria ou trocaria de roupas. Se o fizesse, perderia o momento de coragem e não teria o ânimo necessário para o que estava prestes a fazer. Eu sabia disso. Era agora ou nunca! Assim que chegou, apertei o botão do quinto andar, mas, quando as portas se fecharam, uma pontinha de arrependimento começou a brotar dentro de mim. O que eu estava fazendo? Eu não era assim. Não agia por impulso atrapalhadamente. Uma batalha interna eclodiu e as minhas emoções descarrilhavam outra vez numa montanha-russa tortuosa que me embrulhava o estômago. O elevador parou e as portas se abriram. No hall, um completo silêncio, exceto pelos sons abafados e distantes do tormento que convulsionava lá fora. Cheguei à porta dele e fiz menção de bater, mas não consegui. Depois de tocar a campainha. Idem. Paralisei. Apenas não conseguia. Fiquei lá parado, inerte, por um longo minuto. Minhas pernas bambearam e a respiração ficou escassa. Aquela onda abrupta de adrenalina que assaltara minha corrente sanguínea estava se dissipando e, com ela, a coragem que eu tinha tido alguns instantes antes. Eu precisava sair dali.

Doce ilusão! Antes que pudesse me virar e voltar para o elevador, ouvi um barulho de chaves virando e a maçaneta começando a girar. Meu Deus! O que eu diria? Como explicaria estar ali? Eu comecei a passar mal. Minhas pernas que já bambeavam perderam a força e eu petrifiquei. Não consegui agir mais. Não havia tempo para isso. Por dentro, uma sensação de náusea se apoderou de mim e meu estômago passou a queimar. Podia sentir como se fossem chamas subindo por toda a extensão do meu corpo. O sangue passou a ser bombeado com mais fervor. Eu estava perdido, não havia esperança.

A porta se abriu e lá estava ele me encarando. Seu olhar enigmático só aumentou ainda mais minha tensão nervosa. A sensação era de tinha sido pego fazendo algo de errado, cometendo um crime. Eu nada disse. Fiquei calado. Não havia nada que eu pudesse falar. Quando me dei conta, involuntariamente, como que por instinto, estava me virando para ir embora, mas fui detido. A mão dele me parou, segurando o meu braço. Meu pobre coração, que já estava em frangalhos, descompassou ainda mais. Se é que fosse possível. Eu temi não suportar um ataque cardíaco. Voltei meu olhar assustado para a mão dele sobre o meu braço e depois subi meus olhos vagarosamente para ver o rosto dele. Minha face provavelmente estava de um vermelho carmim, tamanho o rubor. Eu sentia minhas bochechas arderem. Eu estava inerte. Sentia-me como um objeto inanimado. Eu tentei dizer algo, mas não podia. Era incapaz de formular qualquer frase. Minhas têmporas doíam e o pavor havia tomado conta de mim. Senti uma lágrima seca descendo e parando na minha boca, que estava entreaberta, sem reação alguma. Era salgada. Muito salgada. Lembro-me bem daquele gosto. Talvez o paladar fosse o único dos meus sentidos que ainda não tivera sido anestesiado.

Ele tinha consciência do meu estado de pânico. Ele não me perguntou nada. Sabia que eu não responderia. Não naquele estado. Mas disse:

—Entre. Você não parece bem. Precisa se acalmar. Deixe-me ajudá-lo.

Eu não reagi. Estava disfórico. A mão dele ainda repousava sobre o meu braço e foi assim que fui conduzido, sem resistência alguma, para dentro de sua casa. Comecei a ficar tonto, com vertigem. Não sentia mais minhas pernas e não sei como consegui entrar lá. Agora não tinha mais volta. Eu não tinha a menor ideia de como sairia daquela situação. Como conseguiria me justificar. O que eu diria a ele. Aquela maldita queimação insistia.

Continua...

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Foto de perfil genéricaAnônimo RomânticoContos: 2Seguidores: 5Seguindo: 3Mensagem Um sonhador acordado. Gosto de histórias picantes, mas com tom de romance. Tento escrever histórias baseadas nas minhas experiências pessoais misturadas com ficção e o desejo do que gostaria que houvesse.

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