Capítulo 5: O Reino de Hyrule no Tietê

Da série L&T
Um conto erótico de L
Categoria: Trans
Contém 1229 palavras
Data: 17/03/2026 19:08:05

Viver em Curitiba tinha suas particularidades. O clima frequentemente cinzento e o conservadorismo velado das ruas de pedra contrastavam drasticamente com o calor que Lucas e Thiago construíam dentro do pequeno apartamento. Na PUC-PR, onde ambos estudavam, as bolhas sociais eram rígidas: Thiago circulava entre os blocos de Direito com uma sobriedade que começava a lhe pesar como uma armadura mal ajustada, enquanto Lucas enfrentava diariamente o ambiente rústico, técnico e majoritariamente masculino da Engenharia Mecânica.

Thiago observava Lucas com uma adoração que transcendia o físico. Ele via como o namorado demorava cada vez mais tempo arrumando o cabelo em frente ao espelho e como ele parecia mais "em casa", mais relaxado, ao vestir aquelas roupas discretas que haviam comprado juntos. Thiago sabia que seu amor se manteria inabalável, independentemente da forma que Lucas assumisse; ele sentia que estava assistindo a uma flor rara desabrochar em câmera lenta. Ele tentava instigar Lucas a se permitir mais, apesar do seu próprio receio latente sobre o preconceito que enfrentariam por serem um casal gay em uma capital tradicional.

Para incentivar o parceiro e oferecer um espaço seguro para esse florescimento, Thiago planejou a viagem para a BGS (Brasil Game Show) em São Paulo como um laboratório de liberdade total.

— Zelda e Link — Thiago anunciou, abrindo as caixas das fantasias de alta fidelidade. — Eu serei o seu cavaleiro fiel, e você, Lucas... você será finalmente a minha Princesa Zelda.

Lucas aceitou o desafio por amor e pela curiosidade que queimava em seu peito, um desejo de se ver por fora como se sentia por dentro. No hotel em São Paulo, o ritual de preparação foi o momento mais íntimo e sagrado que já compartilharam. Lucas estava de pé, o corpo ainda úmido do banho, apenas de toalha, enquanto Thiago organizava as peças sobre a cama com um cuidado quase litúrgico.

— Primeiro, a base — Thiago disse, entregando uma pequena peça de renda rosa chá.

Lucas deixou a toalha cair, sentindo-se vulnerável e exposto. Suas mãos tremiam ao segurar a calcinha delicada. Ao vesti-la, sentiu a renda fina roçar sua pele de uma forma que o algodão bruto e funcional nunca fizera. O ajuste firme e estratégico ajudava a esconder sua anatomia masculina, criando uma frente lisa e contínua que o fazia suspirar de alívio, como se estivesse corrigindo um erro de design de longa data. Depois, vieram os enchimentos de silicone. Thiago os posicionou com paciência dentro de um sutiã de suporte, ajustando-os milímetro a milímetro até que Lucas tivesse o contorno de seios discretos e graciosos, mudando a forma como ele percebia o próprio peso e equilíbrio.

O vestido da Zelda era uma obra de arte têxtil. Lucas deslizou para dentro das camadas pesadas de cetim e brocado dourado, sentindo o peso do tecido como uma proteção. Thiago apertou o espartilho nas costas dele, um aperto firme que forçava uma postura ereta e definia uma cintura que Lucas nem sabia que possuía. Cada detalhe — as luvas longas que escondiam suas mãos de engenheiro, as joias de resina que brilhavam contra sua pele, a peruca loira de fios sedosos e as orelhas pontudas de elfo — afastava a imagem do "homem técnico" e trazia à tona uma figura mística. Quando a maquiagem foi finalizada, realçando seus lábios com um brilho rosado e seus olhos com traços suaves, Lucas olhou-se no espelho e sentiu um choque de reconhecimento. Ele ainda não se via como uma mulher, mas aquela imagem refletida parecia muito mais orgânica e correta do que qualquer macacão de oficina ou jeans largo que já usara. Era um Lucas novo, mais belo, mais delicado.

Ao chegarem ao pavilhão do evento, a experiência foi arrebatadora. Pela primeira vez, o mundo não via o "Lucas" que carregava caixas e operava tornos. O tratamento no feminino era constante, natural e desprovido de qualquer julgamento ou hesitação. "Com licença, princesa, pode passar?", "Ela tiraria uma foto conosco?". Cada pronome feminino era uma carícia auditiva que validava o que ele sentia no âmago, mas também alimentava um medo prático e paralisante: o inevável momento de usar o banheiro.

Após horas percorrendo os estandes, a biologia se impôs. Lucas parou diante das placas indicativas. O símbolo masculino parecia um castigo, uma negação de tudo o que ele representava naquele momento; o feminino, por outro lado, parecia uma fronteira sagrada e instransponível.

— Thi, eu não consigo. Meu coração vai sair pela boca, mas eu não consigo entrar ali — Lucas sussurrou, a voz trêmula.

— Lu, olha em volta. Ninguém aqui te vê como um garoto comum. Para cada uma dessas milhares de pessoas, você é a Zelda. Vai lá, eu espero bem aqui na porta. Acredita no que os seus olhos estão vendo no espelho, você está radiante.

Com as pernas bambas, Lucas entrou no banheiro feminino. A fila era longa, um mar de perfumes, risadas e conversas casuais. O coração dela batia tão forte que parecia que o espartilho ia estourar. Lucas mantinha a cabeça baixa, fingindo retocar o gloss com as mãos suadas, sentindo o peso daquela "infiltração". Foi então que uma drag queen imponente, vestida com um figurino galáctico impecável, notou seu tremor evidente.

— Respira, boneca. O espartilho já aperta o suficiente, você não precisa prender o fôlego por ansiedade — a drag disse, com uma voz profunda e acolhedora.

Lucas sorriu nervosa, os olhos fixos na pia. — É minha primeira vez. Em um banheiro assim.

A drag parou e olhou Lucas nos olhos com uma gentileza absoluta e desarmante. — Escuta aqui, Zelda. Eu vejo muitos garotos fantasiados hoje. Eles entram e saem do personagem como quem tira um casaco pesado. Mas você... você tem um brilho diferente. Não é o brilho de quem está fingindo ser uma princesa por diversão. É o brilho de alguém que finalmente encontrou a chave da cela e resolveu respirar o ar do lado de fora.

Lucas sentiu as lágrimas pinicarem os olhos, uma emoção quente que ameaçava a maquiagem. — Você não está apenas fazendo cosplay, querida. Você está se descobrindo. E você pertence a este lado da porta muito mais do que imagina. Aproveite essa sua fase, porque você é linda.

Quando Lucas saiu, caminhava de forma diferente. A hesitação havia sumido, substituída por uma postura mais firme e graciosa. Ela encontrou Thiago e o abraçou com uma urgência que o surpreendeu, sentindo o mundo mais leve.

— Eu me sinto tão bem assim, Thi. Nunca me senti tão... certo — ele sussurrou no ouvido dele, a voz embargada pela euforia de ser aceito.

A alegria daquela descoberta, somada à adrenalina do evento, transformou o caminho de volta ao hotel em uma contagem regressiva erótica. Ao entrarem no quarto, Lucas empurrou Thiago contra a porta, os olhos brilhando sob a peruca loira.

— Agora, Link... a princesa vai te mostrar exatamente como ela pretende te recompensar por me deixar viver isso.

No hotel Lucas começou a desabotoar a túnica de Thiago com uma pressa faminta, enquanto sentia o próprio corpo — com o vestido, o espartilho e os peitos de silicone — pulsar de desejo. Naquela noite em São Paulo, ele abraçaria cada centímetro dessa nova feminilidade que florescia nele.

Próximo capítulo: O sexo explosivo no hotel. Lucas descobrindo o prazer de ser ativa usando o vestido e a calcinha de renda, explorando o fetiche do cosplay, enquanto Thiago se entrega totalmente à sua "princesa ativa". O retorno para Curitiba e o início da fase femboy oficial.

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 96Seguidores: 69Seguindo: 4Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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