O Filho do Pastor - Mais que amigos

Da série Meus amigos e eu
Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 3676 palavras
Data: 02/03/2026 21:08:07
Assuntos: Gay

Capítulo seis - Mais que amigos

Quarta-feira, 14 de Março de 2007

“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.” (Jeremias 29:11)

Longe de mim duvidar do mano Jeremias, mas se o Senhor tem um plano para mim ele deve ser bem complicado e cheio de etapas. Abstinência. A abstinência é o ato de se abster, ou seja, renunciar voluntariamente ao uso ou consumo de algo que, geralmente, proporciona prazer ou satisfação de apetites. Esse é o sentimento que eu tenho em relação ao Isaac agora. Primeiro ele me beija e flerta comigo, depois me deflora — eu sei deflorar é uma palavra meio forte, mas é a que eu pensei agora — com seus dedos me fazendo conhecer o prazer de ser tocado por um homem e então ele some.

Ele não parou de falar comigo sobre o assunto, ele parou de falar comigo. Eu sei que venho pedindo paz desde que nos conhecemos, mas é que eu não queria uma paz tão em paz assim, ontem só o vi no culto e ele ainda sentou longe de mim e não sai de perto da mãe dele um minuto sequer, agora estou uma pilha pensando no que eu posso ter feito de errado para ele ter mudado assim dessa forma.

Ontem ele não foi para escola — meu pai me levou e me buscou — hoje acordei cedo antes do Pastor me chamar, e me arrumei só para ter certeza de que vou ver ele, sei lá, vai que ele sai mais cedo só para não me ver? Minha madrasta até tomou um susto quando me vê na cozinha todo arrumado para tomar meu café da manhã.

— Hoje eu não tenho como te levar Jonas — diz o Pastor com os olhos presos no jornal.

— Tudo bem pai, eu posso ir a pé — digo pensando na grande peregrinação que vou fazer agora e torcendo para não chegar suado na escola.

— E nem na volta lembra Adalberto? Você tem que me levar para outra cidade hoje — diz minha amada madrasta.

— Ele volta só, o almoço vai está no fogão depois de comer, lembra de limpar tudo na cozinha ouviu Jonas? — Ordena o Pastor.

— Ouvi sim senhor — para mim é um alívio ficar em casa sozinho.

— A gente só vai voltar no final da tarde e é para você ficar em casa, ouviu?

— Sim senhor — repito olhando para meu café — Marilene dá sua chave para ele.

Ter uma cópia da chave não é uma opção para mim, nem celular e nem nada além da roupa do corpo. Para o Pastor celular e chaves são um voto de confiança e aparentemente ainda não provei ser confiável, ou ele só não quer gastar dinheiro me dando um celular e nem fazendo uma cópia da chave para mim, pelo menos eu tenho um quarto só para mim, já é uma vitória pessoal minha.

— Hoje tem ensaio Pastor — digo para o meu pai que arqueia a sobrancelha — posso ir mesmo que o senhor ainda não tenha chegado?

— Pode, mas acho que já vamos ter voltado até a hora de você sair.

— Eu vou cinco e meia — falo.

— Certo — ele assente com a cabeça.

Estou terminando meu café quando ouço o telefone de casa tocar, minha madrasta que está de pé servindo mais café para o Pastor vai até a sala atender. Como não quero me atrasar, levo minha xícara para pia e já vou tomando meu rumo também. Passando pela sala percebo meu pai com uma cara muito fechada ouvindo alguém do outro lado da linha, aparentemente não é alguém com quem queria está falando, isso fica nítido, mas meu medo de perguntar quem é não supera minha curiosidade.

Parado em frente minha casa montado em sua bicicleta está o Atribulado filho de Jezabel — lindo de morrer de manhã cedo, isso me quebra demais — os cabelos molhados e a cara amassada e ainda sim ele continua sendo o homem mais lindo do planeta para mim. Ele tá de fone, mesmo assim nota quando saio de casa. Isaac tira o braço do guidão me dando espaço para montar no seu quadro como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse passado o dia de ontem inteiro ignorando minha existência.

Pondero por dois segundos e decido que tô fulo da vida com ele, então agora é minha vez de ignorar sua existência. Agora conheço o caminho da escola então sigo caminhando como era o plano para hoje, nem me dou o trabalho de lhe dar um bom dia, Isaac sorrir pois ele ama quando consegue me irritar, mas dessa vez ele se alagou, pois estou mesmo chateado com ele, depois de tudo ele vai querer fingir que não fez nada de errado.

— Vamos filho do Pastor, sobe — diz ele pedalando devagar do meu lado.

— Não obrigado! — Ele que se ferre, nem me preocupo em ser educado também.

— Tá chateado comigo? — O Cínico é tão cínico que vai tentar se passar agora.

Não respondo só aumento o passo, fiquei mais que chateado agora que ele vai mesmo fingir que não fez nada de errado. Mas ele está de bicicleta, então consegue ser mais rápido do que eu com facilidade. Isaac dá duas pedaladas e já consegue me interceptar colocando sua bicicleta no meu caminho me forçando a parar.

— Olha só quem lembrou que eu existo.

— Nunca esqueci de você — responde ele confuso.

— Vai pro inferno Isaac — dessa vez não me seguro, mostro o dedo do meio para ele, até o Senhor tem que concordar que foi merecido.

— O que eu fiz?

— O que você não fez né, você me ignorou ontem o dia inteiro — me sinto ridículo cobrando isso dele, mas depois de meter dois dedos em mim acho que ele me deve explicações sim.

Isaac baixa a cabeça e tira os fones, depois de respirar fundo e parando de rir volta a me encarar, me pegando totalmente de surpresa ele diz.

— Desculpa.

— Hã?

— Desculpa, eu não queria te ignorar, só que não consegui ir para escola ontem.

— E na igreja?

— Você não falou comigo na igreja também — ele tem um ponto, droga.

— Porque não foi para aula? — Pergunto um pouco menos irritado agora.

— Eu dormi demais.

— Vai mentir para mim? Você nem parece precisar dormir — digo como se ele fosse um vampiro ou algo assim, ele me lança uma risada.

— É a verdade.

— Tá bom então, pode me dar licença por favor?

— Sobe, deixa disso bem — eu cedi, queria poder dizer que não, mas eu cedi, sentei no quadro da bicicleta e ele partiu pedalando nos levando para escola.

Não quero conversar com ele, mesmo sentindo muita falta até da voz dele, é foda que literalmente tudo nele me faz querer está perto dele. Isaac aproveita nossa proximidade para ficar ainda mais perto de mim o que me deixa mais relaxado, me incomoda que ele consiga me desarmar assim tão rápido, mas não tem muito que eu consiga fazer a respeito agora.

— Você tá muito irritadinho — ele põe o lado esquerdo do seu fone no ouvido e quando penso que ele vai para o outro para me ignorar, ele coloca o lado direito na minha orelha — pega.

No meu ouvido começa a tocar “ I’m with you” da Avril Lavigne, nem sabia que ele curtia, ela é tipo meu top três coisas para escuta quando o Pastor não está por perto, eu adoro esse música também, mas não vou dar o gosto a ele de saber que temos gostos parecidos, todo acerto que ele tem só o deixa mais convencido. Perto dele preciso me parecer como uma rocha, tenho que mostrar para ele que sei jogar esse jogo tanto quanto ele, mas quando chega no refrão sou traído por minha paixão pela música, e começo a cantar o refrão.

— Eu também adoro essa música — ele diz pertinho da minha orelha.

— Prefiro Complicate — falo só para ser o do contra.

Ele sorri e só o som da sua risada combinada com seu perfume amadeirado já basta para esquecer completamente que estava P da vida com ele. Pior que pensando na música da Avril o refrão parece até com algo que eu cantaria para ele, tipo quando ela fala “eu não sei quem você é, mas eu estou com você” isso é muito profundo, Avril tem ótimas músicas, uma pena que para o meu pai ela vai arder no fogo do inferno por cantar músicas seculares. Chegamos na escola e fico puto de novo com a coincidência da playlist dele, já que agora está tocando “Beijos, Blues e Poesia” do K-sis, até parece que ele fez de propósito.

— Tá seu gosto musical não é tão ruim — digo devolvendo seu fone e ele abre um sorriso imenso.

— Obrigado, fiz essa playlist pensando em você ontem, a próxima é até nossa música — fico me sentindo bobo quando ele diz que “Equalize” é nossa música.

— Tá bom, vou para aula — preciso me afastar dele antes de acabar falando uma besteira.

Disparo para minha sala sem nem espera que ele responda ou diga alguma coisa — morro de vergonha de fugir dele assim, mas é mais seguro para mim assim. — esbarro no Davi que também está chegando agora na sala, assim que me vê ele abre um lindo sorriso e me dar um abraço rápido, desde segunda a gente tem ficado meio próximo, ele é legal e muito divertido, também é tudo que eu não tenho coragem de ser, Davi é gay e embora não seja de um perfil afeminado, ele não faz questão de esconder sua sexualidade.

Confessor que saber que ele é gay não me ajuda em nada com meu surto dele ter tido possivelmente alguma coisa com Isaac, para piorar minha noia Davi insiste em não me contar nada e me pedir para perguntar para o Atribulado, só que o ele é arriscado me bater só se eu mencionar o nome do Davi perto dele.

— Que porra você tá fazendo falando com esse palhaço Jonas! — Juro, só passei dois segundos abraçando o Davi, mas o inimigo é ardiloso e fez com que o Isaac chegasse nesses exatos dois segundos.

— De novo não né Isaac — digo tentando evitar passar mais vergonha, as pessoas ao nosso redor já parecem saber que eles se odeiam, ou melhor que o Isaac odeia o Davi.

— Já falei que não quero você falando com ele — o Senhor perfeitinho deve está achando que é meu dono.

— Eu te falei — Davi sussurra perto de mim.

— Cala a boca seu merda! — Ele grita com Davi que se retrai, por puro instinto tomou a frente do Davi para o caso do Isaac partir para cima dele, mas minha ação só deixa ele mais processo.

— Amigo meu não fala com esse cara — ele dita em um tom sombriamente calmo e autoritário.

— Bem, amigo meu não me diz o que fazer, então parece que estamos em um impasse — nem sei de onde estou criando coragem para desafiar o Isaac no ápice de sua fúria, por dentro estou em pânico, mas não vou permitir que ele faça nada com Davi.

Isaac passa as mãos no cabelo, depois na boca, seu silêncio é breve, porém assustador, até o sorriso que ele me lança é diferente de todos que já vi em seu rosto, tem um ar sombrio e raivoso na forma como ele me encara. Decepção. Conheço esse sentimento, é o mesmo que o Pastor tem toda vez que olha para mim, sinto um gosto amargo descer pela minha garganta. A coordenadora que já parece também está acostumada com brigas entre o Davi e o Isaac surge no meio da multidão que se formou para ver a “briga”.

— Vou ter que ligar para o pai de vocês? — Espera, ela acabou de dizer pai do singular ou foi impressão minha.

— Tá tudo certo aqui — Isaac diz metendo a mão no bolso e tirando seu MP3, ele dá um passo na minha direção e me entrega o aparelho, só recebo por reflexo mesmo, no fundo sei que estou apavorado com a reação dele, depois de dar uma última encarada fuzilando o Davi com os olhos ele nos dar as costas e sai caminhando sendo acompanhado pelos seus amigos. A coordenadora começa a dispensar os alunos e só aí parece que meu corpo relaxar de novo.

— Eu te disse que ele me odeia — Davi diz quando nos sentamos no nosso lugar no fundo da sala, mas só consigo pensar no olhar de decepção que o Isaac me deu, isso machucou bastante — melhor se você se afastar de mim.

— Não vou fazer isso, o Isaac não vai dizer com quem eu posso ou não falar, se ele quiser deixar de ser meu amigo vai ser um favor que vai está me fazendo, digo tentando convencer a mim mesmo de que essa é a verdade, mas está bem longe de ser.

Os dois primeiros horários pareceram durar anos, acho que a ansiedade de falar com Isaac é a responsável pela minha inquietação e falta de foco, Davi me chama para comer algo com ele na cantina quando o sinal do intervalo ressoa estridente. Mas não posso, tenho um palpite de onde posso encontrar o Isaac e me conheço o suficiente para saber que não vou relaxar se não falar com ele.

Vou até a caixa d'água de forma discreta e é tiro e queda, vejo ele sozinho escorado em um dos pilares como da outra vez. Isaac tem algo nas mãos, mas assim que percebe que não está mais sozinho, enfia o que está em suas mãos nos bolsos com rapidez. Seus ombros relaxam um pouco quando me revelo para ele.

— O que você quer? — Ele diz ainda irritado comigo.

— Vim devolver isso — mostro o MP3 para ele com a minha mão estendida.

— Eu deixei com você — responde desviando o olhar de mim.

— Mas acontece que você disse que não podemos ser amigos, então não tem porque eu fica com isso — meu coração parece que vai sair pela boca.

— Não somos amigos, somos um pouco mais que isso — esse atribulado está fora da graça e quer me tirar também só pode.

— Olha Isaac na moral, se você teve um relacionamento com Davi e no final não deu certo a culpa não é minha e eu não tenha nada haver com o que você fez ou deixou de fazer — me esforço para parecer verdadeiro, mas na verdade mesmo estou pilhado com isso tem um tempinho, ele reagi rindo da minha cara que é o que ele sabe fazer de melhor — que bom que eu contei uma piada aparentemente né.

— Você não contou uma piada, é que você pensa que eu tive algo com aquele merda? — Pelo menos seu humor voltou ao normal.

— Não me interessa.

— Filho do Pastor, você quer saber se eu já namorei antes de você? — O que ele quer dizer com antes de mim? — Vem cá, eu te conto o que você quiser saber.

— Eu não quero saber de nada sobre o Senhor Perfeitinho, só que você é um maluco, eu não vou deixar de ser amigo dos outros só porque você não quer.

— Tá bom — erguendo as mãos em sinal de rendição ele fica até bonito, fala sério o atribulado é bonito de todo jeito e pior que agora estou conhecendo um lado dele que é fofo, estou ferrado Senhor!

— Se você não namoraram e nem nada disso por que você odeia tanto assim o Davi? — Ele estende a mão para que eu me aproxime dele e acabe pegando na sua mão e deixo que me puxe para perto dele, Isaac beija minha boca com um selinho e então começa a responder minha pergunta.

— Ele é meu meio irmão — agora fiquei mais confuso ainda, um tantinho aliviado, mas confuso.

— Irmão? Não entendi, ele não mora com vocês?

— A mãe do Davi trabalhou com meu pai e eles tiveram um caso.

— Nossa, e sua mãe sabe disso? — Tô chocado que o pai dele é tão defensor da moral e dos bons costumes.

— Sabe e perdoou, mas meu pai nunca fez questão do Davi e nem registrar ele registrou, o negócio é que eu só descobri que tinha um irmão ano passado.

— Mesmo assim Isaac ele não tem culpa pelo que seu pai fez — vejo a cara dele fechando então melhor parar de tentar defender o Davi.

— Eu não falo com ele por causa das coisas que ele fez e por ele ter mentido para mim, não tem nada haver com ele ser meu irmão.

— O que ele mentiu? — Droga agora quero saber da fofoca completa.

— Ai você vai ter que perguntar para ele — eles só podiam ser irmãos mesmo viu — vamos ver se ele vai te contar a verdade ou vai mentir que é só o que ele sabe fazer.

Não consigo pensar em nada que o Davi possa ter feito que tenha despertado tamanho ódio no Isaac, até porque o Senhor Perfeitinho parecia a pessoa mais calma que já tinha conhecido, só que basta os dois estarem perto pro fogo tomar de conta.

— O que você quis dizer com mais que amigos? — Pergunto lembrando do que ele falou, mas minha resposta é uma sequência de três selinhos.

— Guarda o MP3, eu fiz uma seleção especialmente para você ficar ouvindo e lembrando de mim.

— Isaac o Pastor vai tocar fogo nele se me pegar ouvindo.

— É só você ser discreto, você é bom nisso — uma piscadela e outro selinho só que dessa vez um pouco mais demorado.

A gente fica trocando uns beijos e carícias até o fim do intervalo — isso ainda é surreal para mim — ele continua me segurando um pouco e acabo me atrasando para voltar para sala, por sorte o professor é legal e me deixa entrar. Da porta vejo o olhar curioso do Davi sobre mim, caminho até minha cadeira e me sento ao lado dele sem dizer muita coisa, mas acredito que minha cara fala por mim.

— Pelo jeito vocês se entenderam.

— Sim, ele foi bem sensato.

— Isaac sendo sensato, ele deve tá gostando mesmo de ti — eu gelo nessa hora e o encaro no susto, Davi rir e me tranquiliza — não vou contar para ninguém relaxa.

— Como você sabe? — Pergunto confuso.

— Você não é o primeiro — pronto, uma frase e o resto da minha manhã toda foi por água abaixo.

Você não é o primeiro. Pela naturalidade do Isaac eu já imaginava que ele tivesse tido outros caras, mas ele mesmo disse que somos mais que amigos, né? Ele é o Senhor Perfeitinho, não sei por que estou surpreso dele já ter conquistado outras pessoas, mas é que saber que ele já ficou com outros caras me deixa um pouco inseguro, quer dizer eu tenho quase zero experiência nisso, seria melhor se fossemos descobrindo tudo juntos — que droga estou com ciúmes desse atribulado de uma figa, e é o pior dos os tipos, que é do passado dele.

A aula acaba e Isaac está na porta da escola com sua bicicleta me esperando, para ele ter sido tão rápido tenho certeza que matou o último horário — temos cinco, dois antes do intervalo e três depois — também tem algo de diferente nele, Isaac parece mais relaxado e sorridente, os olhos estão um pouco vermelhos, mas deve ser só impressão, ele também passou seu perfume de novo, deve ser por isso que está sempre tão cheiroso, descobri seu segredo.

— Vamos — diz abrindo espaço para mim na sua bicicleta.

— Isaac você matou aula não foi? — Pergunto quando estamos voltando para casa.

— Só a última — diz como se não fosse grande coisa.

— Como você está na turma A sendo tão irresponsável — penso alto e ele rir.

— Não preciso assistir aula para tirar nota boa.

— Olha só, não fazia ideia que era amigo de um super dotado — ele solta outra risada gostosa de ouvir.

— Isso eu sou mesmo, mas você já deve ter reparado — sua fala carregada de malicia me deixa totalmente desestabilizado — você diz que eu sou certinho, mas o certinho aqui é você Filho do Pastor.

— Eu não sou certinho coisa nenhuma — tá me sinto muito certinho falando isso em voz alta assim.

— Não precisa ficar tímido, é isso que mais me atrai em você — ele diz me apertando com seu corpo enquanto pedala.

— Eu não sou certinho e posso te provar.

— Provar, como? — Ele pergunta interessado.

— Estou sozinho em casa hoje a tarde, porque não passa lá depois do almoço e descobre — o que eu estou fazendo? Senhor me mande um raio agora!

— Tá bom, vou está lá — ele quer me provocar, mas não vou cair na pilha dele, dessa vez vou vencer, ele não vai me constranger.

— Ah leva camisinha, porque eu estou sem — Isaac fica de pé para pegar impulso e sinto sua dureza nas minhas costas, pior que não posso julgá-lo pois essa conversa insinuante e picante também me deixou assim.

— Pode deixar eu levo sim.

— Você tem camisinha em casa? — Quebro um pouco do encanto que eu sei, mas é que meu eu ciumento gritou dentro de mim e ele riu.

— Não, mas vou passar na farmácia antes de ir na sua casa para comprar — me sinto bobo e aliviado agora.

— Aproveita e me compra um chocolate — é tudo que consigo fazer para tentar não sair por baixo, ele sorri e afirma que sim com a cabeça seguido de um:

— Sim senhor! — Sua voz me penetra de tal forma que me faz lembrar da sensação dos seus dedos em mim.

Isaac me deixa em casa e combinam de voltar às duas. Estou tentando respirar, mas acontece que eu acho que combinei de transar com ele hoje a tarde — eu estou pronto para ter minha primeira vez? — Que merda foi que eu fiz? Tipo eu quero, isso eu tenho certeza, mas agora vou ficar pilhado até as duas. Eu e minha boca grande, porque eu fui provocar ele, será possível que não vou aprender que com o Isaac toda atenção é pouca? Eu vou perder minha virgindade com o Senhor Perfeitinho, nossa vai rolar mesmo! Estou frito!

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Foto de perfil de R ValentimR ValentimContos: 175Seguidores: 113Seguindo: 3Mensagem não recebo mensagens por aqui apenas por e-mail: rvalentim.autor@gmail.com

Comentários

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E de repente estou completamente envolvido por uma história que eu já conhecia. Rafa, você é foda!!!!!

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