Dizem que a verdadeira VOLÚPIA começa onde a OBEDIÊNCIA se torna prazerosa. Ou seja, é o oposto de resignar-se: é afirmar o comando como se fosse o próprio desejo disfarçado de voz alheia e isso revela que a soberania não está no mando, mas no poder de se entregar sem reserva. É o ponto em que viver intensamente e obedecer de forma voluptuosa se tornam idênticos: a vida, em seu excesso, não resiste — ela goza de se curvar.
Personagens principais:
Aimée Durant (https://postimg.cc/dDy9Prm9)
Blanche Leblanc (https://postimg.cc/5X7zF2qh)
Gerard Durant (https://postimg.cc/rKg0vwbt)
Grace Hudson (https://postimg.cc/XZBrGcvh)
Hamdi Moreau (https://postimg.cc/67CGbfNp)
Michel Durant (https://postimg.cc/TLRh789H)
Pierre Leblanc (https://postimg.cc/xJTTGvfx)
Continuando …
Tarnos, França, 1940
O dia em Tarnos amanheceu nublado, apesar de ser o início do verão na Europa e os jornais traziam estampado em suas manchetes o que os franceses chamavam de a ‘Nova Ordem’, que nada mais era do que a implantação do regime nazista naquele país, que além da exigência de obediência total e completa de todos os franceses que deveriam atender aos militares alemães, dava início a campanha contra os judeus, com promessas de vantagens a qualquer cidadão que denunciasse a existência de um deles.
Na mansão em Tarnos, ninguém teve tempo para ler os jornais do dia, e não teriam lido mesmo que tivessem, pois, pela primeira vez em meses, o jornal não foi entregue pelo jovem rapaz que prestava esse serviço. Ele inexplicavelmente não apareceu e ninguém teve tempo para reparar nisso, uma vez que o dia de todos começou cedo.
Eram cinco horas da manhã quando as portas dos quartos que as pessoas presentes na mansão usavam foram socadas enquanto gritos intimando todos a acordarem ecoavam pelos corredores:
– TODOS DE PÉ! DEZ MINUTOS PARA SE PREPARAREM E EM QUINZE TODOS DEVERÃO ESTAR NA BIBLIOTECA PARA UMA REUNIÃO.
Entre resmungos e pragas rogadas contra os militares ingleses e aquele francês esquisito, todos obedeceram e quinze minutos depois mostravam suas caras sonolentas para um Coronel Smith vestido com farda de campanha, enquanto o Capitão York, ao lado dele, olhava para todos com uma expressão de total descrença, exibindo uma fisionomia de quem se vê diante do grupo mais improvável para executar a mais simples missão. Olhando para eles, o Coronel fez uma contagem mental e depois perguntou:
– Onde está a garota negrinha?
– O nome dela é Hamdi. – Protestou Blanche.
Ao notar que estava sendo confrontado, o Coronel saiu de trás da mesa em que estava, andou até Blanche parando na sua frente. Em seguida, tocou com a ponta do bastão que tinha nas mãos no queixo dela forçando para que seu rosto ficasse voltado para cima e pudesse encará-lo, pois ele tinha um metro e oitenta e oito centímetros de altura, e gritou em tom autoritário:
– QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA FALAR COMIGO ASSIM! ELA É UMA NEGRINHA E VOCÊ UMA JUDIAZINHA INÚTIL.
Tirou o bastão do queixo do queixo de Blanche e se virou para Aimée quando ouviu o riso contido que ela deu, repetiu o mesmo gesto e continuou a gritar:
– E VOCÊ, ESTÁ RINDO DO QUE? POR ACASO ESTÁ PENSANDO QUE É MELHOR QUE ELA? SE ESTIVER TIRE ISSO DA CABEÇA, POIS NENHUM DE VOCÊS AQUI PRESENTE ATINGIU O STATUS DE VERME. VOCÊS SÃO MENOS QUE ISSO E AINDA NÃO SÃO NADA. ENTENDERAM?
Aimée só não ficou mais branca de susto porque sua pele já era clara demais. Ela engoliu em seco desejando ser invisível, porém, o Coronel não se deu por satisfeito e gritou:
– VOCÊS ENTENDERAM?
– Sim senhor. – Responderam Pierre, Blanche e Michel.
– VOCÊS ENTENDERAM? EU FIZ UMA PERGUNTA E QUANDO EU FAÇO UMA EU QUERO UMA RESPOSTA!
– Sim senhor. – Responderam todos em voz normal.
– Ainda não entendi e vou perguntar pela última vez. VOCÊS ENTENDERAM?
– SIM SENHOR! – Gritaram todos.
– Que Deus me proteja da incapacidade de vocês. Capitão, ensine a esse bando de incapazes como se deve responder a um superior.
– SIM SENHOR, CORONEL! – Gritou o Capitão York todo empertigado.
– Muito bem. Pela última vez. Vocês entenderam?
– SIM SENHOR! CORONEL! – Alguns, como Michel e Blanche, ainda tentaram imitar a posição de sentido que o York manteve enquanto respondia, conseguindo uma risível imitação.
Finalmente satisfeito, embora olhando para eles como se estivesse diante de um monte de lixo malcheiroso, o coronel retornou para trás da mesa e voltou a falar, desta vez se dirigindo a todos:
– Vocês, a partir de agora, só serão ...
Nesse momento foi interrompido por Hamdi que entrou na sala esbaforida e usando um sapato diferente em cada pé. Além disso, seu cabelo estava desarrumado e muito armado e a preocupação que trazia estampada no rosto lhe dava um aspecto engraçado. Só que ninguém teve tempo de achar graça porque o Coronel mandou que ela se aproximasse e falou alto com ela:
– Quando alguém disser para você estar em algum lugar em quinze minutos, quer dizer que você deve estar lá em dez. Entendeu?
Hamdi assentiu com um movimento de cabeça, o que pareceu ter enfurecido o Coronel que gritou:
– VOCÊ ENTENDEU?
– Entendi. – Respondeu ela já se virando para se juntar aos outros.
– SIM SENHOR, CORONEL! – Gritou ele segurando nos ombros dela e a obrigando a ficar novamente cara a cara com ele, repetindo a lição que tinha acabado de dar aos outros.
– Que bom! Você entendeu, eu entendi. Então, estamos todos de acordo. – Falou Hamdi sem saber o vespeiro em que estava se metendo.
Se, em vez de falar daquele jeito, Hamdi tivesse simplesmente dado um pontapé no saco do Coronel o efeito não teria sido pior. O militar ficou vermelho, parecia estar prestes a explodir e a cara do Capitão olhando para ele com preocupação denunciava que uma tempestade se aproximava, mas como ninguém prestava atenção nele, houve os que não conseguiram evitar um riso baixo, mas não tão baixo para que Smith não ouvisse.
Como num passe de mágica, as feições do Coronel Smith se atenuaram, mas isso fez com que o Capitão York e agora também Charles, arregalassem os olhos. Então ele começou a falar com a voz pausada, como quem está fazendo um enorme esforço para se acalmar:
– A partir de hoje, vocês são meus. Só meus. Não pensem que são pessoas porque não são. Vocês decidiram entrar para a vida militar e todos que a escolhem, tem que começar de baixo e na linguagem dos soldados isso significa que vocês são menos que nada. Vocês são a escória e vou tentar transformar vocês em alguma coisa que se aproveite. Quando se dirigirem a mim, ao capitão ou ao nosso colaborador, Charles, usem a palavra “Senhor”, sempre. Vocês ... O QUE FOI AGORA?
A pergunta foi dirigida a Pierre que deu um passo a frente com a mão levantada em uma atitude clara de quem pedia permissão para falar. Com a voz insegura, ele disse:
– Deve estar havendo um engano Coronel, eu ...
– VOCÊ POR ACASO É UM ASNO? ACABEI EXPLICAR COMO SE DIRIGIR A MIM!
Ainda mais trêmulo, Pierre continuou:
– O senhor deve estar enganado, Coronel. Eu vou fazer o trabalho de mensageiro, então, não estou entrando para o serviço militar.
– SOLDADO BLANCHE. – Gritou ele fazendo com que Blanche desse um salto para a frente.
– Sim senhor, Coronel!
– NÃO ESTOU TE OUVINDO! FALE ALTO! – Reclamou ele:
– SIM SENHOR, CORONEL!
– Você que encabeçou a reunião ontem, me diga uma coisa. Algum dos inúteis aqui presentes disse que não aceitaria participar quando você lhes deu essa oportunidade?
– NÃO SENHOR, CORONEL!
– Então repita para que todos ouçam. Qual era a imposição para aqueles que não aceitassem.
– QUEM NÃO QUISER PARTICIPAR TEM QUE SAIR DA EUROPA, SENHOR!
Então ele se dirigiu para o Pierre:
– Você já está com a mala pronta?
– Não entendi, senhor?
– A resolução foi tomada ontem. Quem não quiser participar dessas operações tem que ir embora da Europa para evitar que seja capturado e denuncie aos outros. Então volto a perguntar. Sua mala já está pronta?
– Não senhor.
– COMO É QUE É?
– NÃO SENHOR, CORONEL!
– Então vá arrumá-la. Se estiver aqui depois do meio-dia, não terá mais como partir. E isso vale para todos vocês. ENTENDIDO?
Todos concordaram a uma só voz, da forma exigida pelo comandante.
– E VOCÊ ESTÁ ESPERANDO O QUE? VÁ ARRUMAR SUA MALA!
– Vou ficar Senhor, Coronel.
– Ótimo. Agora ouçam todos vocês. Tem um café da manhã pronto. Vocês têm meia hora para se alimentarem e depois voltem para seus quartos e comecem a ajustar suas roupas. Ao meio-dia, quero todos aqui novamente vestidos com o uniforme de campanha que é esse que estou usando.
Todos começaram a caminhar para a porta quando ele falou:
– Você não, soldado Hamdi. Espere.
Hamdi ficou parada e quando todos abandonaram a sala, o Coronel falou para ela:
– Você precisa praticar pontualidade. Eu quero que você, nessa meia hora, vá até o seu quarto, arrume esse cabelo, abotoe direito essa camisa porque os botões estão nas casas erradas, tome seu desjejum e depois se junte aos outros.
– Mas Coronel, eu ...
– NEM MAIS NEM MENOS. ISSO FOI UMA ORDEM! VOCÊ, POR ACASO É ALGUMA RETARDADA?
– DESCULPE, SENHOR. ENTENDI, SENHOR.
– ENTÃO SUMA DA MINHA FRENTE.
A rapidez com que Hamdi saiu da biblioteca chegou a ser hilário, porém, aqueles três homens não estavam para brincadeiras. Eles tinham que transformar sete pessoas totalmente inexperientes em soldados. Pior ainda, em soldados que agiriam disfarçados e infiltrados entre os inimigos, o que era extremamente perigoso e a vida deles, muitas vezes, iria depender daquele treinamento.
Todos cumpriram as determinações.
O que passou a acontecer a partir daquela reunião foi um verdadeiro massacre. Foram dois meses de exercícios físicos, marchas, caminhadas na mata, treinos de lutas marciais onde a humilhação por parte dos militares começou sendo o ponto forte e foi diminuindo na medida em que os novos soldados se tornavam mais hábeis e resistentes.
A escolha de York para vítima de seus ataques de nervos era sempre Hamdi. Parecia que nada do que ela fazia o deixava satisfeito e ele parecia ter um prazer imenso ao lhe dar castigos. Aimée, que parecia se divertir com isso, mudou de ideia na primeira vez que o Capitão a surpreendeu rindo e fez com que ela cumprisse as mesmas tarefas impostas à Hamdi durante três dias, ou seja, nesse tempo, tudo o que a garota recebia como tarefa para cumprir, tinha que ser feito pelas duas. A partir desse dia, ela parou de se divertir com o infortúnio da outra. Pelo menos abertamente.
Cansada de ser humilhada, de ser obrigada a fazer mais exercícios do que todos os outros e de ser designada para fazer serviços fora de hora, sempre os mais humilhantes, quando faltava uma semana para encerrar os treinamentos ela reclamou para Blanche que já estava pronta para o jantar quando ela entrou no quarto coberta de lama depois de cavar um buraco que não serviria para nada. Entrou no quarto onde a amiga estava lendo um livro e falou enquanto se dirigia ao banheiro:
– Para mim chega. Amanhã mesmo eu acabo com isso.
– E para onde você vai? Estados Unidos ou algum país da América do Sul?
– Não vou para lugar nenhum. Quem vai desistir e sumir da França vai ser aquele filho da puta pederasta. Eu juro que amanhã eu acabo com a raça daquele pulha.
Blanche segurou o riso ao imaginar aquela garota bem menor que o York entrando em uma luta corpo a corpo contra ele. Ela só não saiba que estava entendendo tudo errado e que não era sobre uma luta que a Hamdi estava falando.
O dia seguinte amanheceu ensolarado, o que fez o Capitão confirmar a programação e fazer uma simulação de combate na selva, usando a mata que havia no entorno da propriedade. Ele separou o pessoal em dois grupos e deu a cada um a tarefa de caçar e capturar os indivíduos do outro grupo. Lógico que, ao fazer essa divisão, ele fez com que Hamdi ficasse no grupo contrário ao seu e, já olhava para ela com aquele olhar de lobo mau e quando ela o encarou, falou sem conseguir esconder a alegria que sentia com a oportunidade de ser ele a encontrá-la no meio do mato:
– Se prepare que hoje é o dia em que você vai ver com quantos paus se faz uma canoa.
O Capitão não ouviu o que ela disse, mas viu seus lábios se mexendo e a encarou. Sem desviar o olhar, ela falou em um volume que só Blanche conseguiu ouvir.
– Bom. Isso se você tiver um pau que pelo menos funcione quando nos encontrarmos.
– Olhe lá, Hamdi. Pense bem no que você vai fazer!
– Eu já pensei. Pode deixar comigo.
Aquela resposta pegou Blanche de surpresa e ela quis saber o que Hamdi pretendia fazer. Porém, York parecia estar desconfiado de algo, pois não parava de olhar para as duas e esperou uma oportunidade para tentar demover Hamdi daquela ideia, porém, quando tentou, a morena não permitiu que ela falasse e explicou:
– Sei o que você vai falar e não quero ouvir. E não se preocupe. Esse fodido pensa que é macho, mas já enfrentei homens bem piores do que ele. Homens que realmente queriam me machucar. Você está preocupada porque nunca soube o que é ser uma prostituta negra na Alemanha. Lá eles não sabiam direito se me matavam antes ou depois de me foderem. Mas nenhum deles conseguiu isso.
Blanche resolveu não dizer mais nada. Entretanto, apesar da preocupação, ela sentiu um pouco de pena do Capitão. Ela conhecia muito sua amiga e sabia que ela era cheia de artimanhas e sabia usar sua beleza quando necessitava.
Logo em seguida o exercício começou e o grupo de Hamdi foi se esconder enquanto o outro aguardou vinte minutos e depois saiu em sua perseguição. Charles, que se arvorou em líder do primeiro grupo, propôs que quanto mais distância colocassem entre eles e seus perseguidores, mais tempo teriam para se preparar para o encontro que teriam. Só que Hamdi tinha outros planos.
Assim que entraram na mata, na primeira oportunidade que teve, a africana se separou do grupo e se escondeu em um local de onde podia observar quando o outro grupo passasse. Quando viu os perseguidores passarem, ela seguiu na retaguarda deles sempre atenta ao que o York fazia e, na primeira chance que teve, quando ele se isolou um pouco de seus parceiros, ela permitiu que ele a visse e fugiu. Feliz por ter a chance de capturá-la antes de todos os outros, ele foi atrás dela sem saber que estava sendo conduzido para uma armadilha.
Nos últimos três dias a menina tinha se esquivado dos trabalhos de limpeza depois das refeições e desaparecido. Blanche fazia o serviço dela e depois a interrogava sobre onde ela tinha ido, porém, ela se recusava a dizer. Mesmo assim, Hamdi continuou a receber cobertura da amiga. Essas fugas dela tinham um propósito que era o de preparar terreno e colocar em andamento seu plano de vingança.
Ela não queria ferir ao York, assim como não era seu desejo humilhá-lo na frente dos demais componentes daquele grupo. Ela só queria que, a partir do dia em que realizasse sua vingança, ele a respeitasse.
Quando alguém está certo de que é melhor que seu oponente, está dando um grande passo para sofrer uma derrota e com o York não foi diferente. Ele não imaginava que pudesse haver nessa vida, ou em qualquer outra, uma forma de ser vencido por nenhum daqueles aprendizes de soldados, pois já tinha passado por tudo o que eles passaram e muito mais, inclusive, lutado na primeira guerra mundial. E essa foi a sua ruína.
York seguiu por uma trilha atento ao que acontecia ao seu redor e quando já estava distante dos demais o suficiente para não ser ouvidos, de repente, o capitão se viu diante de sua caça, parada bem na sua frente. Hamdi estava à cerca de vinte metros dele e exibia um sorriso provocante no rosto, como se o desafiasse a ir pegá-la. Aquilo estava muito mais fácil do que tinha imaginado, pensou York e começou a caminhar apressado em direção dela, já antegozando o prazer de castigá-la.
Não deu cinco passos e foi preso por uma armadilha. Um laço prendeu seu pé e, como a corda estava presa em uma árvore cujo galho foi vergado ao máximo, ao se ver livre do obstáculo que prendia a corda que a maninha assim, o galho voltou à sua posição original e o enorme capitão foi levantado no ar, preso por uma das pernas, ficando de cabeça para baixo.
A primeira reação que teve foi a que mais sabia fazer. Dar ordens. Aos gritos, ordenou que ela o livrasse daquela situação imediatamente a ameaçando com os piores castigos. Mas ela apenas ria da situação em que ele se encontrava, demonstrando que estava se divertindo à veras.
(Imagem: https://postimg.cc/DJHkWL85)
Depois foi ela que passou a dar ordens, mandando que ele se calasse e explicando que a situação em que ele se encontrava não era a de quem estava no comando. Só quando ele entendeu que ela falava a sério, foi que obedeceu e ela se aproximou do local onde a outra ponta da corda que estava presa, portando uma faca na mão. York ainda a animou, dizendo:
– Isso. Seja uma boa garota, me solte daqui e depois nós vamos ... NÃÃÕOOOO!
O Capitão percebeu muito tarde o que ia acontecer. Com a corda cortada, ele teria uma queda superior a um metro e meio e, como estava de cabeça para baixo, teria muita sorte de não quebrar o pescoço. Mas era tarde demais e a corda havia sido rompida. Entretanto, Hamdi tinha um plano para não permitir que ele se ferisse gravemente e, quando ele caiu, ela saltou na direção do corpo dele que caia, fazendo com que a primeira parte dele que tocasse no solo e sofresse o impacto fosse suas costas e não sua cabeça. Em sua inocência, ela assumiu um risco muito grande, pois não podia falhar. Se ela saltasse sobre ele um segundo antes ou depois, as consequências poderiam ser graves.
Só que Hamdi não pensou nisso. Ela queria tê-lo sob seu domínio e, antes que ele pudesse reagir, ela segurou um pedaço de madeira que deixara ali com esse propósito e lhe deu uma cacetada na fronte, fazendo com que ele perdesse os sentidos.
Quando acordou, York estava sentado no chão com as costas apoiada no tronco de uma árvore e com as mãos atadas com cordas atrás de seu corpo com suas pernas firmemente amarradas. Ele não conseguiu acreditar que aquela garota tinha conseguido arrastar seu corpo até ali, tendo ela menos da metade do seu peso. Para piorar sua situação, ele tinha sido despido de sua camisa e calça e a única peça de roupa que usava era uma cueca de uma brancura impecável. Essa dúvida fez com que ele perguntasse:
– Quem te ajudou a me amarrar? Fale que eu vou castigar quem fez isso assim como vou castigar a você.
– Ninguém me ajudou, Capitão. Deu trabalho, mas eu consegui. Agora você está bem onde eu queria.
– NÃO ME CHAME DE “CAPITÃO”, SOLDADO!
– NÃO ME CHAME DE “CAPITÃO”, SOLDADO! – Repetiu Hamdi em uma imitação ridícula da voz dele e, depois de rir, comentou: – É capitão, sim. O meu capitãozinho de merda. Hoje você é meu e eu quero ver se aquela valentia toda que você diz ter é real ou só teatro. Quero só ver se você é macho.
– ISSO É INSUBORDINAÇÃO. VOCÊ VAI SER PRESA POR CAUSA DISSO.
– CALADO! – Gritou a garota e depois explicou: – Eu sei que vou ser presa. Mas isso não vai ser agora. Agora você é meu. Certo?
Alguma coisa na expressão de Hamdi obrigou York a se calar e ela, ao ver que ele não dizia mais nada, perguntou:
– Você explicou que, se o superior tirar a camisa onde estão suas divisas que indicam sua patente, ele se torna igual a todos os outros. Isso é verdade?
– Sim. É verdade. Por quê? Epa. Espere aí. Foi por isso que você tirou a minha roupa?
– Exatamente. Agora nós somos iguais. Ninguém aqui é superior a ninguém.
– Não é assim que funciona, sua burra. Foi você que tirou a minha roupa. Isso é um ato de indisciplina e insubordinação. Você está fodida.
Ao ouvir ele falar daquela forma, Hamdi ficou olhando para ele com uma expressão de júbilo. Era como se ele tivesse chegado aonde ela queria. Então ela começou a desabotoar a sua camisa enquanto falava:
– Ah! Agora sim. Alguém aqui vai ser fodido, mas não vou ser eu.
A forma lenta como ela foi se livrando da camisa, soltando cada botão e depois fazendo com que ela deslizasse por seu corpo, criou uma cena que calou o homem. Para piorar a situação dele, ela tinha cometido outra desobediência e não usava sutiã. Assim, quando se livrou da camisa, seus seios ficaram expostos com os mamilos marrons e durinhos apontados para ele. Então ela falou:
– Só estou tirando a camisa para você não ficar pensando que com ela vou me sentir superior a você. E não quero depois ser acusada de ter me aproveitado disso.
– Você vai ser acusada de muitas coisas, mas nunca de ter se aproveitado de mim ... Ei ... Espere um pouco. O que você está fazendo? Vista essa calça. AGORA. VISTA JÁ. É UMA ORDEM.
– Calma capitãozinho! Você também está sem calças. Para que ficar desse jeito? Olha, vou facilitar para você. Vou ficar de costas.
Hamdi, que já tinha soltado o cinto e aberto os botões, virou-se de costas para ele e abaixou a calça rebolando graciosamente, tornando a provocação que fazia sobre o indefeso homem ainda pior. Depois, só de calcinha, voltou a ficar de frente para ele e começou a caminhar em sua direção, andando lentamente e da forma mais provocante que conseguia. O pau de York já se destacava fazendo um enorme volume na cueca e, como era do tipo samba canção, a cabeça de cacete já aparecia pela abertura.
– Hum! Estou vendo que não sou a única indisciplinada aqui. Tem alguém que também não está querendo obedecer às ordens do capitãozinho.
– Não se aproxime de mim. Demônio. Volte para lá e vista sua roupa. Estou ordenando.
Hamdi, depois de um riso cristalino que encheu a mata, falou com uma voz que indicava que estava se divertindo muito:
– Isso não é justo. Seu pau está duro e você só grita comigo. Vamos fazer o seguinte. Eu visto minha roupa se o seu pau ficar mole agora. Grita com ele, grita. – Sem conseguir resistir ao inusitado da situação, voltou a rir. Riu tanto que chegou a se dobrar segurando a barriga que chegou a doer.
Quando voltou a olhar para o York, viu que o pau dele já não estava tão duro. Ela não saiba se o fato de ela ficar rindo diminuiu o tesão dele ou se ele era realmente muito controlado. Então, resolveu radicalizar e começou a abaixar sua calcinha e, ao ver isso, o homem arregalou os olhos e não falou mais nada.
A vitória de Hamdi agora era completa. Ela tinha o homem em suas mãos e podia fazer dele o que quisesse, pois ele não ia querer que ninguém soubesse que foi dominado por ela e, ainda por cima, tinha ficado na vontade. Porém, na segunda vez que o pau dele levantou, saiu mais da metade da cueca e era muito grande e grosso. Ao ver aquele pau duro e vibrando de desejo por ela, algo que não fazia parte de seus planos aconteceu e ela sentiu sua bucetinha ficar molhada e os bicos dos seios, duros.
Desde que Blanche transara com Michel que Hamdi evitou fazer o mesmo e, durante todo esse tempo, não tinha transado com um homem. Ela tinha gozado muito com os carinhos de Blanche ou de Grace, mas um pau sumindo dentro de sua xoxota faminta era algo do qual ela sentia saudades.
E agora, tinha um bem ali na sua frente. E não era um pau qualquer. O cacete de York fazia jus ao seu tamanho e à sua valentia. Era enorme e parecia que ia espirrar sua carga de porra a qualquer momento, pois não parava de dar solavancos.
Esquecendo-se de seu desejo de vingança, ela acabou de tirar a calcinha, andou até ele e ficou com cada uma de suas pernas do lado da perna dele, o que fazia com que sua buceta ficasse bem em frente do rosto do homem. Ela estendeu a mão, segurou firmemente a nuca dele e puxou sua cabeça em direção ao meio de suas pernas enquanto dizia:
– Dizem que os ingleses não gostam muito de chupar uma buceta. Vamos ver se isso é verdade.
Os ingleses sempre tiveram a fama de ser conservadores. Mas essa fama só se justificava quando estavam em público. Na cama, eram e são tão safados como qualquer homem de outras nacionalidades.
E ele atacou com gosto aquela buceta. Sua língua afiada tilintava no grelinho dela e depois descia por entre seus grandes lábios procurando pela abertura de sua buceta, onde enfiava a língua o máximo que conseguia para colher o mel que dela escorria. Mas a situação não demorou muito, pois aquela língua áspera e maravilhosa logo fez com que o orgasmo de Hamdi se aproximasse e ela não queria gozar mais uma vez em uma língua. Ela queria mais.
Ela queria aquela tora grossa invadindo a sua intimidade, alargando as paredes de sua buceta e massacrando seu útero. Então ela foi se abaixando e com uma das mãos puxou o pau de York deixando-o completamente para fora da cueca e apontado para cima, não dando trabalho para ela acertar a cabeça na entrada de sua xoxota e abaixar seu corpo em um único movimento, engolindo tudo aquilo enquanto gemia sem conseguir mais se controlar.
(Imagem: https://postimg.cc/7J0cfRFQ)
Não foi preciso mais que três movimentos no colo de York e os gemidos dela começaram a ficar mais intensos e, movido pelo tesão, cruzou os dois braços em volta do pescoço dele e atacou a boca do homem com a sua, em um beijo profano, onde os gemidos de seu orgasmo era consumidos pela violência de suas línguas lutando por espaço dentro da boca do outro.
Mal acabou de gozar, Hamdi sentiu o primeiro jato da porra dele atingindo o seu útero e aquela sensação de ser possuída foi demais. Ela já engatou outro orgasmo, tendo assim o segundo sem nenhum intervalo do primeiro.
Depois do gozo, Hamdi deixou seu corpo cair sobre o do capitão, com o rosto apoiado em seu ombro e com as duas mãos ainda em seu pescoço, sentindo a respiração alterada dele. Quando finalmente conseguiu se mover, não falou nada. Apenas olhou para ele e lhe dedicou o sorriso mais feliz e cheio de promessas que aquele homem já tinha visto em toda a sua vida. Só então falou:
– Se eu soubesse que você tinha um pau gostoso desse, já tinha dado para você há muito tempo.
– Se eu soubesse que você era tão gostosa, eu teria te dado outros tipos de castigos. – Respondeu ele com a voz ainda embargada pelo prazer.
– Verdade? Você vai querer me castigar mais vezes de hoje em diante?
– Lógico que vou. Quem pode resistir a uma coisinha linda como você.
– Quando?
– Quando o que?
– Quando você vai começar a me castigar.
– Agora mesmo se você me soltar.
– Só solto se você me prometer não ir embora. Eu quero foder mais.
– E se eu não prometer você vai fazer o que?
– Vou te foder, lógico. Já não fiz isso uma vez? Hoje você é meu. Posso te foder quantas vezes eu quiser.
– Eu já sou seu faz tempo, garota. Você não imagina quantas vezes já me masturbei pensando em comer você. Além disso, não existe outro lugar onde eu queira estar agora.
Hamdi sequer respondeu. Apenas pegou a faca e cortou a corda que prendia os pulsos dele que, antes que ela conseguisse, ele mesmo já tinha livrado suas pernas e, segurando seu corpo, a jogou no chão e foi para cima dela. A garota não teve tempo sequer de pensar e já sentia aquele pau enorme rasgando sua bucetinha mais uma vez.
Aquela noite ficou conhecida como o sumiço de York, pois os demais soldados completaram o exercício e voltaram para a mansão onde não o encontraram e, depois de esperarem por ele até escurecer, organizaram uma busca.
Quando o encontraram, ele já retornava para casa e, quando quis justificar a presença de Hamdi ao seu lado, percebeu que ela, como por encanto, tinha desaparecido. Ao chegar na mansão, ele a viu conversando com Blanche e Grace e, pelos olhares que as duas dirigiram a ele, soube que ela estava contando para suas amigas a sua aventura. Então, não encontrando outra desculpa, disse que se distraiu e caiu de um barranco, perdendo os sentidos, só conseguido sair de lá quando já tinha começado a escurecer.
Ele nunca soube em que momento a garota se afastou dele e como ela conseguiu chegar na mansão antes de todo mundo. Contudo, se Hamdi achava que sua aventura com York ia fazer com que o capitão a deixasse em paz, estava muito enganada. Porém, o que ninguém notava é que a atitude dele, de alguma forma, mudou.
O que aconteceu a partir daquele dia foi que ele, embora continuasse a implicar com ela e não perdia uma chance de chamar sua atenção com palavras humilhantes, onde a chamar de inepta era a mais branda, os castigos pararam como que por encanto e, para deixar o clima entre os aprendizes de soldados ainda mais pesado, essas tarefas quase sempre eram destinadas a Aimée que, com isso intensificou sua campanha de difamação contra Hamdi.
Blanche, vendo tudo aquilo, ficava cada vez mais revoltada, chegando a comentar com a amiga:
– Não sei como você aguenta essa santinha do pau oco pegando no seu pé. Estou a ponto de explodir e perguntar para ela, na frente de todos, porque ela se acha melhor que você fazendo o que faz.
– Melhor não fazer isso, Blanche. Isso é uma carta na manga que a gente tem e deve ser usada em um momento mais apropriado. – Falou Hamdi com uma maturidade que apenas Blanche conseguia ver nela.
– E o que pode ser mais apropriado do que fazer a Aim ... Quero dizer, a loira aguada, como você diz, parar de ficar tentando te humilhar.
– Para vai! Você acha que aquela mulher consegue me humilhar? Pois saiba que não estou nem aí para a neura dela. Aliás, acho até divertido!
– E eu que já estava pensando que você estava falando sério.
– Aber ich meine es ernst, meine liebe! “Mas eu estou falando sério, minha querida!” – Falou Hamdi antes rir.
– Und hier verschwende ich meine Zeit mit dir! “E eu aqui perdendo meu tempo com você!” – Respondeu Blanche, o que fez com que o riso de Hamdi se transformasse uma gargalhada.
Só com muito custo, a africana conseguiu parar de rir, explicando para sua amiga que o motivo de não conseguir se controlar foi o de ela ter falado em alemão, algo que dificilmente acontecia.
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PS: Queridas e queridos, se não for pedir muito, eu gostaria que vocês nos dessem um feedback sobre as imagens que estamos colocando nos capítulos.
Isso seria um grande motivador e encorajador para que essa que vos escreve continuasse nesse trabalho de formiguinha.
OS NOMES, ASSIM COMO AS CARACERÍSTICAS FÍSICAS OU COMPORTAMENTAIS DOS PERSONAGENS, ALÉM DOS FATOS MENCIONADOS E UTILIZADOS NESSA HISTÓRIA, SÃO FICTÍCIOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM ASPECTOS DA VIDA REAL DEVEM SER CONSIDERADAS COMO MERA COINCIDÊNCIA.
O MESMO PRINCÍPIO DE APLICA ÀS IMAGENS DIVULGADAS E APRESENTADAS NO TEXTO. ESSAS FORAM GERADAS COM O USO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E, EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM PESSOAS DA VIDA REAL, TAMBÉM DEVEM SER CONSIDERADAS COMO MERA COINCIDÊNCIA.
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