SOB O MESMO TETO - Capítulo 3 – Malbec

Da série Sob o Mesmo Teto
Um conto erótico de ViviK
Categoria: Heterossexual
Contém 3846 palavras
Data: 01/04/2026 02:33:42

Absorta em meus pensamentos, fiquei pensando nas últimas conversas que tive e que acenderam uma chama diferente em mim.

Passei um bom tempo acordada pensando, afinal o Zé Luiz trouxe a consciência que eu mesma evitava: ou eu mandava o Erick embora para manter a honestidade, ou eu me entregava ao desejo. Não dava para ficar nesse meio-termo. Mandar o Erick embora era impossível. Recém-separado, sem recursos por causa daquela situação dele. E ele sempre ajudou tanto, devíamos tanto a ele. O mínimo era deixar tempo suficiente para ele se ajustar.

A Tati sim foi mais sagaz. Jamais passou pela minha cabeça o que ela sugeriu: procurar a Patrícia e descobrir mais sobre o Erick. Quando ela me disse que “mulher não resiste falar dessas coisas se der abertura, vc sabe como é”, eu realmente sabia, sim, e muito.

Adormeci. Acordei pensando nas falas da Suelen, que foi bem direta, dizendo que eu precisava experimentar o pau do Erick. Confesso que essa conversa passou várias vezes na minha cabeça, o meu corpo já respondendo sozinho. Estava deitada na cama, o Léo já tinha saído para o trabalho, e Erick provavelmente já trabalhando. A porta do quarto entreaberta. Meus dedos começaram a percorrer o corpo quase sem que eu percebesse. Fechei os olhos e imaginei aquela voz máscula sussurrando no meu ouvido, as mãos percorrendo minha pele. Minha mão deslizou para dentro da calcinha, já molhada, e comecei a me tocar devagar, pensando na Suelen dizendo “experimenta o pau do Erick”. O ritmo foi aumentando, eu me arqueava na cama, mordendo o lábio para não gemer. Imaginava que fosse a mão do Erick. Torcia para que ele passasse pelo corredor e me visse ali, quem sabe decidisse entrar. Fiquei imaginando tantas situações e posições. Cheguei a pensar até se eu daria conta de ter os dois. Foi quando gozei, foi um espasmo longo, silencioso, e fiquei ali ofegante, sentindo o coração bater forte. Depois, uma ponta de culpa. Mas a culpa durou pouco.

A ideia de procurar a Patrícia foi crescendo. Não era só curiosidade. Era uma forma de me aproximar do universo do Erick sem me expor. De entender o que houve, de saber mais sobre aquele homem que invadiu meus pensamentos e trazia tantos desejos.

No sábado, tomei coragem. Avisei o Léo que ia ao shopping com umas amigas. Como ele trabalha aos sábados, não teria problema. Passei uma base, um batom discreto, nada que parecesse ensaiado, e fui.

Sabia que ela estaria lá, pois tinha visto num stories da Renata, uma amiga em comum. Renata é daquelas mulheres que se metem na vida de todo mundo, mas são tão simpáticas que a gente acaba relevando. Alta, corpo malhado, cabelo loiro platinado escorrendo pelas costas, unhas enormes, sempre com um brilho nos olhos de quem está procurando a próxima fofoca. Ela é desbocada, fala de sexo como quem fala do tempo, e todo mundo ao redor acaba entrando no ritmo.

Encontrei as duas na praça de alimentação, depois de dar uma volta para coincidentemente esbarrar nelas. Renata me viu primeiro e veio com aquele abraço apertado.

— Vivi! Que bom te ver! A gente ia almoçar agora. Senta aqui.

Patrícia estava diferente. Engordou um pouco, pintou o cabelo de vermelho, uma roupa folgada que tentava esconder o que o tempo e a ansiedade tinham feito. Me cumprimentou com um sorriso que me pareceu sincero.

Almoçamos juntas, conversa leve. Renata falava pelos cotovelos, contando de um cara que tinha conhecido no Tinder.

— Gente, que delícia de homem. Moreno, alto, cavalo. Já saímos duas vezes. Na primeira, fiquei só nos beijos, pra não parecer fácil. Na segunda… bem, digamos que ele não decepcionou. Sabe aquele que te come de um jeito que você esquece até o nome?

Ela ria, e eu ria junto. Patrícia sorria, mas não entrava muito. Eu percebi que Renata era o tipo de amiga que fazia companhia para a Patrícia nos roles, mas não sabia até onde ia a intimidade entre elas.

Assim que terminou o almoço, Renata olhou para Patrícia.

— Estamos indo pra casa da Patrícia, vamos?

Patrícia ficou levemente desconcertada, como se tivesse sido interrompida em algo, mas logo amenizou. Virou-se para mim, confirmando o convite.

— Venha, vamos continuar essa conversa.

Aceitei na hora. Aquela conversa já estava dando bons sinais de que eu poderia conseguir o que queria.

O carro da Patrícia era o mesmo que eles tinham antes de separar, um Volvo XC60 preto. Enquanto ela dirigia, eu olhava pela janela, reconhecendo o caminho. Eu já tinha ido algumas vezes àquela casa, em churrascos, jantares. Era um sobrado enorme, em um condomínio fechado, num dos melhores endereços da cidade. Quando chegamos, percebi que o jardim estava um pouco descuidado, a grama alta, algumas folhas secas no caminho, a piscina também sem tanta manutenção. Nada grave, mas antes era impecável.

A porta abriu com chave eletrônica. A entrada ainda era a mesma: piso de mármore, escada em caracol, um enorme vaso de flor artificial que sempre achei brega. Mas algumas coisas tinham mudado. Móveis que antes estavam num lugar agora estavam em outro, como se ela tentasse reorganizar a casa para apagar a presença dele.

Patrícia nos levou até a sala de estar, ligou um som. Ali percebi três fotos emolduradas. Em uma, ela aparecia de costas, olhando para o horizonte, completamente nua. Em outra, um close dos seios, cobertos apenas pelas mãos. Na terceira, deitada de lado, a curva do quadril exposta, uma perna esticada e a outra dobrada, sugerindo mais do que mostrava. Renata percebeu que eu estava olhando os quadros e rompeu o silêncio.

— Nossa, Paty, você tá muito gostosa aí — Renata soltou, sem filtro. — Quando fez isso?

— Algumas semanas antes da separação. Fiz escondida, sem ele saber. Fui abordada enquanto caminhava no parque por um fotógrafo que comentou que eu poderia ser modelo. Eu até sabia que ele só queria me vender o book, mas nem liguei pra isso.

Renata olhava para os quadros e olhava Patrícia. Se olhasse pra mim daquele jeito eu certamente ficaria sem graça. Eu ando pensando tanta coisa que cheguei até a cogitar se eu havia atrapalhado algo.

Patrícia riu, mas foi um riso de quem esconde algo.

Renata nem perdeu tempo e brincou, toda cheia de malícia:

— Mas você pagou como?

Patrícia respondeu de pronto:

— Nem te conto.

E levantou, perguntou se gostaríamos de um vinho. Foi até a adega e voltou com uma garrafa que ela segurou com cuidado, como quem exibe um troféu.

— Esse é um Malbec da Catena Zapata, safra 2019. Deram pra gente no último aniversário do Erick. Amigos dele, claro.

Ela fez ar de descaso:

— Ele não bebe, então ficou pra mim.

Ela girou a garrafa, mostrando o rótulo elegante, e serviu em taças grandes que tilintaram suave. O vinho escorreu escuro, quase preto no fundo da taça, com reflexos violáceos que dançavam contra a luz.

Renata levou a taça ao nariz, fechou os olhos.

— Nossa, Paty, isso é vinho de verdade. Frutas pretas, especiarias… até couro eu sinto aqui.

Patrícia sorriu, orgulhosa.

— Erick não se preocupava se eu decidisse beber, mas dizia que esse era pra guardar pra ocasião especial. Mas ocasião especial, hoje em dia, sou eu decidindo.

Eu levei a taça aos lábios. O vinho era denso, aveludado, com um toque de baunilha e um final longo que ficava na boca. Cada gole parecia aquecer por dentro, e eu senti o corpo relaxar, os pensamentos escorregando para lugares que eu tentava manter fechados.

— Mais um presente de um dos tantos amigos do Erick, daqueles que ele ganhava mas não bebia porque não era de álcool. Ela disse isso como quem lamenta um desperdício.

Sentamos cada uma num canto do sofá. Patrícia serviu o vinho, e o clima foi ficando mais solto.

Renata não se conteve.

— E aí, Paty, conta pra gente. Como era o Erick na cama? Porque pelo que você me disse, ele não era só de flores.

Patrícia deu um gole no vinho, os olhos brilhando.

— Ele era bom. Muito bom. Sabia o que fazer, sabia o ritmo. Eu nunca tinha experimentado gozar tanto antes dele. Tinha vezes que eu ficava mole, derretida, e ele continuava. Me provocava até eu pedir pra parar.

— E ele era safado? — Renata se inclinou. — Gostava de umas putarias?

Patrícia respirou um pouco, deu um suspiro.

— Nem tanto. Ele era mais… como posso dizer

Patrícia deu uma pausa, pensou um pouco:

— Parecia que tinha medo de me desrespeitar. Eu às vezes queria que ele fosse mais bruto, mas ele era sempre “você é linda”, “você é perfeita”. Parecia meio falso.

— E você? Fazia algo pra provocar? — perguntei, aproveitando o gancho.

— Claro. Usava roupa curta, lingerie, às vezes até me insinuava de um jeito que não dava pra não entender. Ele sempre elogiava. Tomava iniciativa, mas ele só partia pra cima de verdade mesmo quando tinha certeza que eu queria. Acho que um pouco era minha culpa mesmo que por várias vezes negava. E depois de um tempo, eu comecei a usar isso contra ele. Se ele fizesse o que eu queria, eu deixava. Se não fizesse, negava. Sexo virou moeda de troca.

Ela disse isso sem rodeios, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Renata nem piscou.

— Já fiz isso também — confessou, rindo. — Mas comigo funciona. O cara fica louco.

— Com o Erick funcionava, mas ele nunca reclamava. Só aceitava. E eu achava que aquilo era poder. Que eu mandava.

Ela encheu o copo de novo.

— Depois da separação, fiquei com uns caras. Mas não encontrei ninguém igual. Ele me fazia gozar de um jeito… sei lá. E tem também a questão do padrão de vida né? Às vezes eu penso em ligar pra ele, apagar o fogo ou mesmo reatar e sei que ele ficaria fácil aos meus pés. Mas a advogada disse que se eu tiver qualquer contato, posso perder tudo. A medida protetiva foi pesada. Se eu chamar ele de volta, tudo que conquistei pode ir por água abaixo.

Pensei comigo no "uns caras", nem 1 mês da separação, não conseguia nem pensar muito bem, mas forcei um pouco a conversa.

— Mas com o que ele fez com você também, como poderia né?

Ela quase engasgou, a Renata deu um sorrisinho malicioso.

— Pior que não fez nada, antes tivesse feito. Eu queria separar e a advogada fez dessa forma pois seria a melhor forma de manter o que eu conquistei.

— O que você conquistou? — perguntei, mesmo sabendo.

— A casa, o carro, as contas. A casa a gente vai ter que dividir um dia, mas enquanto isso, tenho direito de morar aqui. Só que sem ele, a manutenção pesa. O jardim, a diarista… eu não ganho o bastante sozinha pra manter tudo como era. Então vou levando.

Fiquei olhando para os quadros na parede. A mulher nua, exposta, que ele tinha elogiado. Enquanto isso, ela já estava com outros, usando a medida protetiva

— E o Léo? — ela perguntou, virando-se para mim. — Ele nunca te deu motivo?

— Nunca. O Léo sempre foi muito respeitador.

Patrícia soltou uma risadinha.

— Respeitador. O Erick também era. Às vezes eu pensava: será que ele me elogiava porque realmente me achava linda ou porque era obrigação? Eu precisava ouvir de outros que eu era bonita, que eu era desejada. Porque se só ele falasse, eu não acreditava.

Renata interrompeu:

— Mas então, se ele era tão bom, por que você arrumou outro?

O silêncio veio. Patrícia mexeu no copo.

— Porque eu não me sentia merecedora. Ele era bom demais, e eu não acreditava que era verdade. Achei que ele devia estar aprontando por fora, que me elogiava só pra me agradar, que no fundo me achava feia. Comecei a desconfiar de tudo, arrumar briga. Até que um dia…

Ela parou.

— Até que um dia? — Renata insistiu.

— Até que um dia fiz uma coisa que não devia. E depois foi ficando mais fácil. Mas ele nunca soube.

Ela não ia contar. Eu sabia. Mas já tinha ouvido o suficiente.

Renata, porém, não se deu por satisfeita.

— Ele não soube? Então por que a separação?

— Porque eu mesma não aguentava mais. Os elogios dele, o desejo dele por mim não tinham valor. Comecei a brigar por tudo, desconfiar de mensagem, fazer escândalo. Eu imaginava que ele estaria aprontando algo, mesmo sabendo que ele era fiel. No fim, ele só aceitou. Disse que ia sair de casa pra me dar espaço. Aí a advogada entrou com a medida. Foi a única forma de garantir que eu ficaria aqui.

Ela disse isso como se fosse um detalhe técnico, não a ruína de um casamento.

Meu celular vibrou. Era o Léo.

— Oi, amor, tudo bem? — atendi, já me levantando.

— Tudo. Só queria saber se você vai demorar.

— Não, já estou indo. Chego logo.

Desliguei e me despedi das duas.

— Preciso ir. O Léo já chegou em casa.

Renata fez um beijo no ar. Patrícia me acompanhou até a porta.

— Aparece mais. A gente conversa.

— Claro! Adorei a conversa.

No caminho de volta, a cabeça não parava. Ela queria o Erick de volta, pelo menos na cama. Mas tinha armado tudo para tirá-lo de casa. E agora estava ali, na casa enorme, sem conseguir manter o padrão, sozinha, se perguntando se valeu a pena, com certeza pensando nas questões financeiras. Ela realmente não merecia o Erick.

Cheguei em casa no fim da tarde. O Léo já estava lá.

— Achei que você ia demorar mais — disse, entrando.

— Reunião acabou cedo. Senti sua falta.

Ele me abraçou, e eu senti o corpo dele contra o meu. Algo nos meus olhos devia entregar a excitação que eu tinha trazido da conversa com Patrícia, e o Malbec estava falando alto também, eu estava excitada.

— Tá com fogo, Vivi? — ele sussurrou no meu ouvido, percebendo que eu havia bebido.

Respondi com um beijo. Logo estávamos nos agarrando, subindo as escadas. Ele me jogou na cama, tirou minha roupa com pressa, mas antes de partir para o que ele queria, me virou de bruços.

— Deixa eu te relaxar primeiro — disse, com a voz macia.

Começou a massagear meus ombros, devagar, com as mãos firmes. A pressão certa, os dedos deslizando pela minha nuca, descendo pelas costas. Fechei os olhos e tentei relaxar, mas a mente já estava longe. As mãos de Léo desciam pelo meu corpo, e eu imaginava que fossem as mãos de Erick. Aquelas mãos que eu observava na mesa, segurando o copo, digitando no computador, cortando a grama. Será que eram ásperas? Macias? Como seria sentir aqueles dedos percorrendo minha espinha?

— Tá tensa ainda — Léo murmurou, aprofundando a massagem na lombar.

Eu não conseguia parar de imaginar. As conversas com Patrícia tinham aberto uma porta que eu não sabia como fechar. Ele a fazia gozar como nenhum outro. Ele era cuidadoso, respeitoso, mas quando queria, entregava prazer de um jeito que ela nunca tinha encontrado igual. E agora eu imaginava as mãos dele – as mãos de Erick – percorrendo minhas costas, desciam pela minha bunda, abriam meus glúteos devagar, me preparando para o que vinha.

Quando Léo começou a passar o gel, eu já estava completamente entregue à fantasia.

— Hoje vou pedir uma coisa — ele disse, me virando de bruços. — Você deixa?

Respirei fundo. Pensei em tudo: no desejo por Erick, na conversa com Patrícia, na culpa que eu sentia por estar traindo Léo só de pensar. Talvez se eu desse o que ele queria, eu pudesse me sentir menos culpada. Ou talvez fosse só mais uma forma de me entregar ao desejo que me consumia, ou fosse apenas o Malbec falando alto. Sussurrei enquanto ele continuava a massagem.

— Deeixooo.

Ele passou a mão na minha bunda, abriu meus glúteos, passou o ky, senti o dedo entrando com cuidado, me preparando, e depois a cabeça do pau pressionando. Arfei quando ele entrou, devagar, e eu estava relaxada, excitada.

— Te amo, amor — ele disse, com a voz rouca.

O Pau foi entrando aos poucos, num ritmo de vai e vem devagarzinho, mas cada vez mais fundo. A sensação foi um pouco estranha no começo, mas foi se transformando em algo intenso. Ele começou a se mover, devagar, e eu me perdi naquilo. Gemi, agarrei o travesseiro, e ele foi aumentando o ritmo, até que eu comecei a rebolar em um vai e vem gostoso.

— Isso, assim — eu ouvi minha própria voz pedindo, como se fosse outra.

Ele se soltou, parado, só aproveitando o meu rebolar, e eu me abri para ele completamente. Na minha mente, não era Léo que me tomava por trás. Era Erick. Eu fechei os olhos e me entreguei àquela imagem. Minha mão escorregou por entre as pernas, buscando o clitóris, enquanto ele continuava ali, parado, sentindo meu corpo se movendo contra o dele. Os dedos encontraram o ponto certo, começaram a circular devagar, e a combinação das duas sensações – ele dentro de mim, eu me tocando – me levou a um lugar que eu nunca tinha ido.

O orgasmo veio de dentro, profundo, como se algo tivesse se rompido. Não foi aquele prazer rápido que sobe e explode. Foi uma onda que começou no meu centro, se espalhou pelo ventre, subiu pela espinha, fez meus dedos dos pés se contraírem. Meu cuzinho começou a pulsar, apertando ele num ritmo que eu não controlava, e eu soltei um gemido longo, preso, que veio do fundo da garganta. Senti meu corpo inteiro se contrair, cada músculo tensionado, e depois um relaxamento tão completo que eu achei que ia derreter na cama. Foi o tipo de gozo que deixa a gente mole, sem força, como se tivesse levado uma descarga elétrica.

Léo gemeu junto, sentindo a pressão, e gozou logo depois, se derramando dentro de mim, caindo ao meu lado ofegante.

Ficamos em silêncio por um momento. Meu corpo ainda tremia, os espasmos pequenos continuavam. Mas uma ponta de desejo ainda ardia em mim, diferente. Mais aguda, mais superficial. Eu queria mais.

Ele sentiu.

— Não acabou, amor — ele disse, descendo na cama.

Abriu minhas pernas e mergulhou a boca em mim. A língua dele percorreu minha buceta, ainda molhada da primeira gozada, e subiu até o cuzinho, que ainda latejava. Eu me contorcia, agarrando o lençol, enquanto ele alternava entre os dois, me chupando com uma fome que eu não via nele há tempo. A sensação era completamente diferente do orgasmo que eu tinha acabado de ter. Esse era mais raso, mais rápido, mais elétrico. Eu sentia cada centímetro da minha pele arrepiada, cada toque da língua dele se transformando em faíscas.

Quando ele colocou dois dedos dentro de mim e chupou meu clitóris ao mesmo tempo, eu me perdi. O orgasmo veio como um estalo, um feixe de luz que subiu da buceta e explodiu na minha cabeça. Foi mais curto que o primeiro, mas mais intenso na superfície, me fazendo arquear as costas, gemer alto, apertar a cabeça dele entre minhas coxas. As pernas tremiam, os dedos se crispavam no lençol. Dessa vez, o prazer não veio de dentro, veio de fora, como se minha pele inteira fosse uma só ferida exposta e ele tivesse tocado nela.

— Agora vamos tomar um banho — ele disse, me dando a mão.

Mal conseguia ficar de pé. Minhas pernas estavam moles, bambas, e ele percebeu, me segurando pela cintura enquanto caminhávamos até o box. A água quente começou a cair sobre nós, e ele me virou de frente para o jato, deixando a água escorrer pelos meus seios, pela minha barriga. Suas mãos ensaboadas deslizaram pelos meus ombros, meus braços, minhas costas. Depois desceram para meus seios, acariciando devagar, os dedos brincando com os mamilos que ainda estavam duros.

— Deixa eu cuidar de você — ele sussurrou.

O sabonete escorria entre nós, e eu fechei os olhos, deixando que ele me lavasse. As mãos dele percorreram meu corpo inteiro, descendo pela minha barriga, entre minhas pernas, ensaboando cada canto. Eu me apoiava no braço dele, mal equilibrada, entregue àquela sensação de ser cuidada, desejada. Mas na minha mente, não eram as mãos de Léo. Eram as mãos de Erick. Eram os dedos dele que percorriam minha pele, era a voz dele que dizia “deixa eu cuidar de você”.

Depois que ele me enxaguou, peguei o sabonete. Minha vez.

Passei as mãos ensaboadas pelo peito dele, pelos braços, descendo devagar. Quando cheguei no pau dele, ele já estava reagindo, mas ainda meio mole. Eu o ensaboei com cuidado, sentindo-o crescer na minha mão. A água quente caía sobre nós, o vapor subia, e eu não conseguia tirar da cabeça a imagem de Erick ali, na minha frente, daquele jeito. Eu queria ele. Queria sentir o gosto dele.

Ajoelhei no box, a água batendo nas minhas costas, e levei o pau de Léo à boca. Chupei devagar, sentindo a textura, o peso na minha língua. De olhos fechados eu continuava imaginando que era o pau do Erick que eu chupava. Aquele pau que Patrícia tinha descrito, que a fazia gozar tanto. Eu queria provar, queria saber se era verdade, queria sentir ele gozar na minha boca.

Léo gemeu, as mãos no meu cabelo, e eu acelerei o ritmo, sugando com vontade, usando a língua na cabeça, descendo até a base. Ele começou a se contorcer, a apertar meus cabelos, e eu senti quando ele chegou no limite.

— Vou gozar — ele avisou, a voz falhando.

Não parei. Queria sentir. Queria engolir. Quando ele gozou, foi com um gemido preso, jorrando na minha boca, e eu engoli tudo, os olhos fechados, imaginando que era o leite do Erick que eu estava tomando. Só abri os olhos quando senti as pernas de Léo bambas, me puxando para cima.

— Nossa, Vivi — ele disse, ofegante, me abraçando debaixo da água. — Hoje foi maravilhoso.

Só sorri, encostada nele. A culpa vinha, mas afogava na água quente, no vapor, no cansaço.

Depois, nos secamos, nos enrolamos na cama. Ele me puxou para o peito.

— Foi incrível. Você gozou quantas vezes? Três? Quatro?

— Perdi as contas — ri, encostada nele.

— Esse seu cuzinho foi uma delícia.

— É que… eu estava com vontade — disse, sem mentir totalmente.

Ele me deu um selinho.

— A gente precisa fazer mais vezes assim.

— Vamos — respondi, sentindo o sono chegar.

Ele começou a roncar logo, mas eu fiquei ali, os olhos abertos, comparando os orgasmos na minha cabeça. O primeiro tinha sido o mais intenso, o que veio de dentro, o que me fez sentir tomada. O segundo foi o mais explosivo, o que me fez perder o controle. O terceiro, no chuveiro, tinha sido o mais íntimo, o que me fez sentir no controle.

Mas em todos eles, a imagem que me levou ao limite foi a mesma: Erick. Não Léo. Erick.

Eu estava cansada, relaxada e dormi, nem vi a hora que Erick voltou.

Domingo, enquanto eles conversavam, aproveitei para ficar na cama e usar o notebook, mal consigo levantar de tanta exaustão. Tenho só a agradecer a todos pelas sugestões.

Tenho certeza que essa noite o Léo noite que ele nunca vai esquecer. E confesso que adorei. Mas não foi o suficiente. Meu desejo por Erick só aumentou.

O que devo fazer agora?

Me ajudem.

Beijos,

Vivi

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Comentários

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Por enquanto,é só fantasia,nada demais. No entanto,seu desejo só cresce. Estou imaginando o que pode acontecer,mas vou aguardar a sequência. Espero que venha com novidades. Difícil dizer aqui que atitude tomar,mas ficar alimentando isso em mente vai lhe consumir.

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Sempre trocando is 90% pelos 10%. Você já tomou a decisão, não importa o que lhe aconselhem, é só questão de tempo pra sentar no Erick e acabar com seu casamento!

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Vc vai acabar sendo igual sua amiga...

Não está valorizando o que tem em casa, indo atrás de outros...

Aí vai descobrir que se perdeu, e que vai sentir falta do que tem hoje!!!

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Você está vendo o que ocorreu com sua amiga, toda a sacanagem que ela fez pelas costas do esposo e tá querendo fazer a mesma coisa?

Quer acabar com uma amizade e com o próprio casamento, mas penso que se está cogitando fazer algo nesse sentido não há nada que alguém fale para mudar sua opinião.

Real ou não, traição é sempre algo horrível.

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