No começo, eram só elogios. Mas não elogio qualquer. Glauber sabia onde bater. Não era só sobre eu cantar bem — ele falava do meu jeito no palco, da forma como eu segurava o público, de como eu não parecia nervoso, de como eu dominava o ambiente sem esforço. Coisa que muita gente via, mas não sabia colocar em palavra. Mas ele sabia. E quando alguém nomeia o que você faz bem, isso pega.
Depois veio o resto. Comentário sobre meu corpo, sempre jogado no meio de outra coisa, como se não tivesse peso. “Tu tem presença, cara… não é só voz não. Teu corpão é de marcar território”. Ou então, rindo, depois de alguma brincadeira: “Minha irmã dessa vez acertou na loteria! Além de tudo, canta bem”. Eu levava na esportiva. Era o tipo de coisa que homem fala com homem, dependendo da intimidade. Não tinha nada demais… pelo menos era assim que eu via. E talvez fosse aí que ele queria chegar.
A gente começou a beber junto depois dos shows. Nada exagerado no começo, só o suficiente pra prolongar a noite, relaxar depois do trabalho. E, nessas horas, a conversa mudava. Saía da música e entrava em mulher. História de uma, de outra, risada, exagero, comparação. Eu falava das minhas, ele falava das dele — ou do que dizia ser dele — e aquilo ia criando um tipo de cumplicidade que só cresce quando ninguém tá tentando parecer melhor que o outro. Mas era solto, natural.
E, no meio disso, ele começou a observar mais. Eu percebia. O olhar demorava um pouco mais, a atenção vinha inteira quando eu falava, como se ele realmente estivesse interessado — não só no que eu dizia, mas em como eu dizia. E isso… também pega.
A gente continuou se vendo toda semana. Trabalho, bebida, conversa, rolê às vezes... Mas agora eu percebia mais. O jeito que ele encostava às vezes, sem precisar. A mão no meu ombro, ou na minha coxa, mais tempo do que o normal. Piadas de duplo sentido. Elogios sobre minha aparência e porte físico enquanto falava comigo na frente dos outros, tipo “Oh meu bonitão, hoje é pra tocar só modão animado!” A proximidade que antes parecia casual, agora não parecia tanto assim. E eu não afastava, pois gostava dessa atenção toda. E então, as coisas começaram a desenrolar.
Uma noite, o bar já estava fechado. Era 2:45 h da madrugada. O pessoal já tinha organizado tudo e ido embora. As cadeiras estavam viradas sobre as mesas, a única luz acesa era só a do balcão, aquele silêncio da noite... Eu estava guardando meu violão, organizando minhas coisas devagar, sem pressa de ir embora. Glauber também não tinha pressa. Ele fechou o caixa, conferiu mais coisa do que precisava, e quando terminou, ficou ali, encostado no balcão, me olhando daquele jeito que já não era mais novidade… mas também não era simples de ignorar.
— Bora tomar uma? — ele perguntou.
Eu aceitei. A gente abriu duas cervejas ali mesmo, sem cerimônia, e ficou um tempo sentado em um sofazinho no canto perto do balcão.
A conversa foi indo como sempre ia. Mulher, história, sexo, exagero, risada… aquela coisa solta que aparece quando a noite já passou do ponto e ninguém mais precisa se medir tanto. Glauber falava mais, sempre puxando pra um lado mais carregado, descrevendo com bastante detalhe, rindo sozinho de certas coisas, como se estivesse testando até onde eu acompanhava. E eu acompanhava, sem esforço. Até que, no meio de uma dessas histórias, ele soltou, como quem conta algo corriqueiro, que já tinha ficado com um cara.
— Ah é mesmo? — perguntei surpreso, mesmo já sabendo que ele curtia.
— Sim. E foi com um amigo seu.
Eu fiquei ainda mais surpreso com essa afirmação.
— Ah é? Amigo meu?
Ele deu um gole na cerveja, tranquilo.
— Sim.
Ficou um silêncio curto, desses que pedem continuação. Ele puxou o celular do bolso, abriu uma foto e virou na minha direção.
— Esse aqui. Cara super gente boa. Filipe.
Eu reconheci na hora. Apesar das mudanças no cabelo, no corpo agora mais parrudo, o rosto era o mesmo. Mas eu não falei nada. Só devolvi o olhar pro Glauber, e fingi que não lembrava quem era.
— Rapaz… — ele continuou, com um meio sorriso — bom demais. O cara sabe quicar numa rola melhor que minha namorada.
Glauber falou sem pressa e sem vergonha, como se estivesse descrevendo qualquer outra experiência. Ele detalhou a foda o suficiente pra provocar, não pra explicar. Do jeito certo pra deixar imagem, não informação. Por um instante, me lembrei de Filipe revezando a sentada em mim e no Bernardo no celeiro da fazenda e fiquei de pau duro.
E enquanto falava, a mão de Glauber tocou na minha coxa. Natural demais pra ser acidente. Eu olhei, ele não tirou. Continuou falando por mais alguns segundos, como se aquilo fosse só extensão da conversa, mas o tom já tinha mudado. Mais baixo e mais lento, mas com um tesão na voz, que me deixou ainda mais excitado. A mão dele ficou na minha coxa, e eu não afastei.
Aos poucos, ele começou a deslizar os dedos, num movimento que não deixava mais dúvida nenhuma do que aquilo era. Não tinha mais provocação escondida ali. Era direto. E eu continuei sem interromper. Quando o silêncio voltou, não tinha mais espaço pra fingir que aquilo era só conversa.
Eu levantei o olhar, e ele já tava olhando pra mim. Mas, dessa vez, não tinha disfarce nenhum. Foi ele que avançou, sem pressa. Como se já soubesse que não ia ser impedido. O resto veio como consequência.
O bar vazio, a porta fechada, o som distante da rua… tudo ficando menor perto do que tava acontecendo ali, naquele espaço curto entre a gente. E, em nenhum momento eu pensei em parar.
Glauber subiu a mão até tocar no meu pau. Ele o massageou, apertou, acariciou devagar, por toda a extensão do meu membro. Eu engolia a seco, depois tomei quase um copo cheio de cerveja em um só gole. Então, eu o puxei segurando em sua nuca e o beijei. Um beijo de língua daqueles de filme que te deixa sem fôlego.
Comecei a pensar que não devia fazer aquilo, muito menos com o meu cunhado. Porém, quando Glauber tirou a camisa, meus pensamentos cederam lugar a um tesão absurdo: fiquei vidrado pela definição do corpo dele... sem exageros, é perfeito! Eu me virei e deitei sobre ele; beijei seu peito todo, sua barriga, seus mamilos... Ele gemia sem pudor, e falava safadezas, o que me deixou ainda com mais tesão.
Tiramos a roupa e ele abocanhou minha rola, fazendo um boquete sensacional. Ele manda muito bem, até melhor que Júlia. Foi o que pensei enquanto lembrava disso. Ele se virou e me deu seu pau pra eu chupar... Comecei com uma punheta, enquanto observava o membro: 16 cm, grossura normal, todo lisinho sem pelos, cabeça avermelhada, retinho mas inclinado, saco pequeno. Há anos eu não sabia o que era pegar, muito menos chupar, uma pica, mas é como andar de bicicleta: a gente nunca esquece como se faz. Chupei muito aquele pau e o saco dele.
Depois, mudamos de posição e o coloquei de bruços para explorar seu cu rosinha. A cada lambida e linguada, Glauber tremia e gemia e me dizia pra foder ele logo. Então, encapei meu pau e me sentei no sofá; ele veio por cima e sentou, fazendo seu cuzinho engolir centímetro por centímetro da minha pica. E aí, começou a quicar em mim e a me provocar.
— Era assim que Filipe fazia? Ele sentava assim em você?
Eu não respondia, apenas socava forte no cuzinho dele olhando em seu olhos. E enquanto socava, eu beijava seu peitoral, segurava em sua rola que babava muito e eu lambia tudo. Em seguida, eu o coloquei de quatro e aí sim, soquei com gosto, segurado em sua cintura.
E então, de repente, Glauber se ergueu e encostou suas costas em meu peito.
— Soca mais forte, cunhado! Vou gozar, vou go... Aaaaah!
A rola de Glauber balançava enquanto jatos fartos de porra voavam até o sofá. O puto gozou sem tocar no pau. O cuzinho dele parecia mastigar meu pau. Acelerei as estocadas e gozei também, enchendo a camisinha de porra.
Nos sentamos no sofá, completamente suados e ofegantes. Ele tinha um sorriso sacana no rosto, um certo ar de triunfo. Ficamos em silêncio e então eu fui o primeiro a me levantar para me vestir. Ele continuou sentado, me observando. Terminei de me arrumar, peguei o violão e a mochila que carregava e me despedi dele, saindo do bar em seguida sem olhar para trás.
No caminho, eu comecei a me sentir um pouco estranho pelo que tínhamos acabado de fazer, um certo arrependimento. Mas depois procurei agir como fiz no passado: isso não muda nada do que eu sou e o que gosto. Aconteceu, mas agora bola pra frente. Não vou fazer isso de novo. Mas não foi assim que aconteceu.
Depois daquela noite, não teve conversa. Nem no dia seguinte, nem na semana seguinte. A gente não sentou pra definir o que era, nem pra colocar limite, nem pra decidir se ia continuar ou parar. A gente só… continuou se pegando.
No sábado seguinte, eu voltei pro bar como sempre. Cantei, conversei, cumpri tudo exatamente como antes. A Júlia estava lá, como quase sempre estava, me olhando daquele jeito que já era nosso, me acompanhando, presente. E, claro, o Glauber também. Circulando, resolvendo coisa, falando com os clientes… como se nada tivesse mudado. E, de certa forma, não tinha mesmo. Só que, quando o pessoal foi embora, incluindo a Júlia, e fechamos o bar, a gente se pegou de novo no mesmo sofá, sem precisar chamar nem combinar. Só aconteceu. E foi ali que eu entendi que não era mais sobre aquela noite. Era sobre o que vinha depois dela.
A partir daí, virou rotina. A gente transava sempre quando fechávamos o bar. Sempre quando ninguém mais tava prestando atenção. Sempre no intervalo entre o que o mundo via e o que ficava escondido. E, com o tempo, foi ficando mais fácil. Não porque era menos errado, mas porque deixou de ser novidade e virou hábito.
Eu não pensava mais tanto antes de ir. Não ficava criando justificativa. A culpa, quando vinha, era rápida. Passava fácil, como passa quando você já decidiu, mesmo sem dizer em voz alta, que vai fazer de novo. E eu fazia toda semana. Às vezes mais de uma vez. Passamos a transar na casa dele também e em algum motel fora da cidade. Dependendo do dia, da bebida, do olhar, da proximidade… não precisava de muito.
Foi só depois de um tempo que eu entendi outra coisa. O Glauber não tinha chegado ali por acaso. O Filipe, meu amigo da época da juventude, tinha passado pela cidade meses antes de eu conhecer a Júlia. Os dois acabaram se conhecendo, ficando, conversa vai, conversa vem… e o que era pra ser só mais uma história virou outra coisa.
Filipe falou do jeito dele, e acho que nem sabia que eu tava cantando por aqui; falou provavelmente sem achar que tinha importância nenhuma... Mas tinha. Porque ele contou mais do que devia. Contou de mim, do Bernardo e do que a gente fazia. Contou de coisas que eu achei que tinham ficado enterradas num tempo que não voltava mais. E o Glauber ouviu e guardou. E, quando me conheceu, já não estava me conhecendo do zero.
Aquilo tudo que eu achei que era coincidência — o jeito que ele puxava assunto, o tipo de provocação, o caminho que a conversa tomava… nada era tão solto quanto parecia. Ele só foi conduzindo. Devagar, do jeito certo. Até chegar onde queria. E eu deixei. Talvez porque, no fundo, já tivesse alguma coisa em mim que não precisava ser criada — só despertada. E, mesmo sabendo disso depois… não fez diferença.
Eu continuei indo, continuei voltando, continuei deixando. E o mais estranho é que isso não tirou nada do resto. Eu continuava com a Júlia, continuava querendo ela, continuava vivendo a minha vida do mesmo jeito. Mas tinha uma parte que não cabia ali. E que, ainda assim, eu não largava.
Com o tempo, eu parei de tentar entender, porque não parecia necessário. Funcionava desse jeito. Era simples, era muito gostoso. E, de algum jeito que eu não sei explicar direito… eu dava conta dos dois lados. Ou, pelo menos, era isso que eu dizia pra mim mesmo.
Foi nessa fase que eu pedi a Júlia em noivado. Sem hesitar, sem pensar demais. Como se as duas coisas não tivessem relação nenhuma. E talvez, pra mim… não tivessem mesmo. Não teve crise antes, nem dúvida aparente. Foi um passo natural pra quem olhava de fora — e, pra mim, também parecia ser. Eu queria aquilo. Queria ela, queria a vida que a gente tava construindo, queria dar nome ao que já existia.
Ela aceitou na hora. Ficou super feliz e segura, sem imaginar que, enquanto a gente marcava data, organizava festa, pensava em futuro… eu enrabava o irmão mais novo dela.
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Eu pedi a Júlia em casamento como se tudo estivesse no lugar. E, por fora, estava mesmo. A gente se entendia, se apoiava, crescia junto. Ela cuidava da vida dela, eu da minha, mas sempre puxando um ao outro pra frente. Na cama, a gente continuava pegando fogo, transando bastante, acho que até mais. E aí, o casamento foi sendo organizado com calma, do jeito dela — tudo pensado, tudo alinhado, tudo no tempo certo.
E eu fui junto. Escolhi data, provei roupa, ouvi opinião, dei a minha quando precisava. Fiz tudo o que se espera de um homem que vai casar com uma mulher como ela. Sem falhar, sem levantar dúvida. E, em nenhum momento, aquilo pareceu mentira. Porque não era. Eu queria muito aquilo. Queria ela, queria a vida que tínhamos juntos. Mas também queria o outro lado.
Glauber continuava ali, mais próximo do que nunca. Presente em tudo, ajudando e opinando na minha carreira, conseguindo agendas pra mim; também participava de coisa que, olhando de fora, fazia sentido — irmão da noiva, envolvido, atento, presente. Ninguém estranhava. E talvez fosse isso que mais facilitava. A gente se pegava no meio disso tudo. Entre um compromisso e outro, entre uma reunião e outra, como se fosse só mais uma parte da rotina que eu aprendi a encaixar sem atrapalhar o resto.
E aí chegou o dia. O dia que todo mundo espera que seja único. A casa cheia, gente chegando, voz alta, movimento constante. Eu já quase pronto, já prestes a entrar no papel que eu mesmo construí. E, mesmo assim… não foi o suficiente pra parar.
Quando eu me vi naquele quarto, sozinho por alguns minutos, com tudo acontecendo lá fora, com o tempo contado… eu ainda tinha escolha. Eu sabia que tinha. Era só não abrir a porta. Era só sair e ir direto pro que vinha depois. Mas eu não fiz. Porque, no fundo, eu já não tava mais funcionando nesse tipo de lógica.
Quando Glauber entrou, não teve surpresa, nem culpa imediata. Teve reconhecimento, como todas as outras vezes. Só que dessa vez com mais peso. Porque não era qualquer dia. E mesmo assim… aconteceu sem conversa longa e sem necessidade de justificar. Só aquele impulso que já vinha sendo repetido há tempo demais pra ser interrompido naquele momento específico.
Glauber me beijou e rapidamente desabotoou minha calça; meu pau duro saltou para fora. Sem perder tempo, ele se abaixou e o chupou com gula, com maestria, com muito tesão... Em seguida, ele abaixou as calças dele e se apoiou de joelhos sobre a poltrona que havia no canto do quarto. Eu linguei seu cuzinho e cuspi na cabeça do meu pau e só forcei. Glauber cerrava os lábios para não gemer enquanto eu entrava nele aos poucos. Segurei na sua cintura e fodi seu rabo com força, contemplando as sardas em suas costas e minha rola entrando e saindo dele. Não demorou e senti que ia gozar. Tirei o pau rapidamente e a porra jorrou na poltrona; quando olhei, ele já tinha gozado antes de eu sair dele.
Quando tudo terminou, o tempo ainda cabia. E isso era o pior. Eu me arrumei, ajeitei o que precisava, respirei fundo e saí daquele quarto como se nada tivesse mudado. E talvez, pra quem olhasse de fora… não tinha mudado mesmo.
Eu entrei na cerimônia, olhei pra Júlia, segurei a mão dela, ouvi as palavras, repeti o que precisava ser dito. E fiz tudo certo, do jeito que devia ser feito. Porque eu sabia fazer. Sempre soube. Só que, dessa vez, eu sabia de outra coisa também. Que não era falta de escolha. Nunca foi. Era só… eu escolhendo não parar.
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