Paola Negri é uma mulher apreciável, mesmo com quase quarenta anos. Quase da minha altura, morena clara, dos cabelos dourados, dos olhos amendoados, das bochechas salientes, com os seios medianos e as coxas grossas. Gosta de se cuidar, exercita três vezes por semana na academia. Cuida da pele, dos cabelos, das unhas como a maioria das mulheres fazem. Além de adorar se vestir com as melhores roupas que consegue comprar.
Há pouco mais de dois meses conseguiu um emprego novo, só para complementar a renda.
“Quero visitar o Japão no ano que vem.”
Eu falei que eu não vou, muito caro e longe. Ela deu de ombros, nem se importou.
“Vou sozinha ou arranjo uma companhia, mas eu quero conhecer Tóquio. Ver o monte Fuji, as cerejeiras florindo e andar naqueles trens que eles tem por lá.”
Trabalha seis horas num escritório de advocacia há muito tempo e conseguiu esse emprego novo num desses cursinhos de MBA que existem por aí.
“Vou dar aula de economia internacional. Foi o que me pediram depois que viram que me formei em relações internacionais.”
“E você vai dar conta? Dois empregos só pra poder viajar pro Japão.”
“É claro que eu vou, eu quero, eu posso.”
E lá foi a convencida a trabalhar durante o dia e dar aula durante a noite. Começou e um mês depois me pediu para ir buscá-la depois das aulas. Não gostei nem um pouco.
“Essa semana você me busca depois da aula?”
“Por que?”
“Levei meu carro pra a revisão e eles avisaram que vai demorar pra arrumar. Tem algo para trocar e não tem no estoque foi o que disseram.”
“Saco!”
“Prefere me deixar voltar de Uber, não foi você mesmo que me falou para não andar num deles à noite?”
Lá fui eu pegar minha esposa no seu novo emprego. Nada agradável ainda mais ter que se aprontar todo só para ficar fora de casa menos de um hora. Pior é que como estou ficando velho, mais de quarenta, meu negócio agora é dormir cedo, ainda mais durante a semana.
Cheguei faltando uns minutinhos para encerrarem as aulas. Sentei num dos bancos de cimento espalhados entre vários jardins que haviam no hall de um edifício moderno, enorme, cheio de vidraças espelhadas.
Pouco depois das dez começaram a sair os primeiros alunos, todos muito apressados correndo em direção aos seus automóveis. O movimento foi aos poucos aumentando e também o burburinho deles conversando.
Me chamou a atenção a conversa entre um negro alto e forte acompanhado de um sujeito mais baixo, com uma testa avançada e os cabelos encaracolados em forma de meia lua.
“Meu irmão, o que foi aquilo?”
“Cê viu? Falaram, mas eu mesmo…”
Não deu pra ouvir o que o sujeito meio careca ainda falava, caminhavam muito apressados e o número de pessoas passando só aumentava o barulho. Algumas mulheres rindo, homens batendo os sapatos como se estivessem marchando.
Foi quando chegaram três caras, dois deles engravatados de terno, na faixa dos seus trinta anos e o terceiro numa roupa mais informal, um casaco azul marinho, uma calça de moleton e uma camisa da Lacoste.
Pararam do meu lado, pelo jeito nem me viram, mas pareciam muito excitados com o assunto que falavam. O mais jovem era o mais animado.
“Cara, quando ela sentou atrás da mesa e abriu as pernas. Minha nossa! Dava pra ver até a alma. A calcinha branca enfiada, sabe? Deu pra ver aquilo enfiado no meio, marcando a buceta. Coisa incrível, meu irmão!”
“Eu só consegui ver quando ela fechou a perna e puxou a saia laranja, vermelha, sei lá.”
“Era vinho, a saia era da cor de vinho. E ela tem umas pernas, as coxas então, minha nossa. Que mulher gostosa.”
As pessoas passavam e eles ainda falavam sobre a tal mulher. E eu ali parado já meio nervoso por que Paola não aparecia e eu doido para ir para casa dormir. Olhei as horas no celular, vi algumas notícias e quando voltei a procurar os caras eles já estavam longe descendo as últimas rampas que levavam a saída do edifício.
“Caio!”
Olhei para o lado e era Paola descendo de lado os degraus por causa dos saltos.
“Poxa, demorou mulher.”
“Tive que resolver umas coisas com o coordenador do curso. Vamos?”
***
Voltamos pra casa, o mais rápido que eu podia dirigir, mas só ia chegar em casa depois das onze.
“E aí como foi a aula hoje?”
“Ah, normal. É uma turma esnobe, tem uns tipos meio antipáticos.”
“Não tem mulher?”
“Tem, mas a maioria é homem. E tem aqueles que parece que nunca viram uma mulher na vida. Hoje então eles estavam alvoroçados.”
“Aconteceu alguma coisa?”
“Não, é só que um deles, o Gustavo, não para de ficar me secando. Desde o primeiro dia, tá começando a incomodar.”
“Eles sabem que você é casada?”
“Claro que sabem, eu sou besta. Ele é até bonitinho, mas é dos tais que se acham a última bolacha do pacote.”
“Bonitinho! E você fala isso na minha frente?”
“Ué! E você que vive elogiando as suas colegas de trabalho. Fala da Mirna, da Ana Júlia e claro tem a Clara…”
“Perá, peraí, mas eu não fico dizendo que elas são bonitinhas.”
“Que não fica, Caiô! Eu sei até como elas vão vestidas pro escritório.”
“É só pra te irritar. Só por isso.”
“Sei, te conheço cara. Se derem uma brecha bem que você aproveita.”
“Você pensa muito mal de mim. Eu nunca fiz nada. E você?”
“Eu o que? Uai! Parece que não me conhece.”
Não disse mais nada, apenas olhou para as mãos e depois voltou a me olhar de um modo estranho. Um riso safado foi se formando em seu rosto. Ela sabia que no fundo eu gostava, era o nosso segredo apesar de nunca ter acontecido nada de fato. Meu sonho é ver Paola com outro, um bem gostoso e grosso só para ver minha mulher gozar na minha frente. Mas é só um sonho e no fundo eu só quero isso quando eu fico bêbado, muito bêbado.
Achei que ia parar por aí, mas, sei lá porque ela resolveu me provocar.
“Se o Gustavo, se não fosse tão esnobe até que…”
E não completou a frase, só encolheu o ombro e olhou a rua pela janela da porta. Eu tive que reduzir a marcha.
“Safada. Diz isso na minha cara.”
“Você já disse mais de uma vez que se um dia pintasse alguém, você bem que deixava. Que te excitava me ver com outro homem. Foi, ou não? Eu é que nunca me interessei por ninguém. Lembra?”
“Eu não falei nada disso. Eu disse só que, me excita saber que alguém pode um dia te levar pra cama, mas isso foi há muito tempo. Não tenho mais essas ideias, esquece.”
“Háhá! Que tanto tempo, Caio. Ano passado você falou isso no motel da Barra. Falou no meu ouvido enquanto a gente transava. Ficou até mais excitado, acha que eu não percebi.”
“Eu tava meio bebado.”
“Ah, não vem com desculpa.”
“Então essa conversa toda é por que você está interessada nesse Gustavo?”
“É claro que não! Te falei ele meio antipático, até meio nojentinho. Deus me livre! E eu nem sei se eu teria coragem.”
“E por que que a gente tá falando sobre isso?”
“Eu sei lá! Você é que começou.”
***
Foi chegar em casa e eu fui logo pra cama, meti meu pijama e deitei. Na verdade sentei por que eu gosto de dar uma última olhada no celular antes de dormir, virou um vício.
Paola foi comer alguma coisa, depois foi escovar os dentes. E só então começou a se trocar de frente para o armário e de costas para mim. Foi tirando a blusa, o sutiã e finalmente jogou a saia na cama.
“Pega pra mim, amor.”
Nem tirei os olhos da tela, só perguntei sem pensar.
“Pegar o que?”
“A saia, caiu no chão.”
“Saia?”
Ela ainda procurando a camisola dentro da gaveta.
“Caiu aí do seu lado.”
Me dobrei pela borda da cama mais preocupado com o celular do que com estava procurando.
“Que saia?”
“Uma vinho, taí.”
Foi ela falar e eu puxei do chão. E num átimo me veio em lembrança os caras falando no hall do prédio enquanto eu esperava por ela. Eles rindo e a frase soando nos meus ouvidos.
“A calcinha enfiada no meio.’
Olhei minha esposa quase deitado no chão. Paola ainda com as costas nuas, dava para advinhar a curvatura dos seios. Nos quadris uma calcinha mínima entrando pelo meio da bunda, sumindo entre as ancas. Apreciáveis gomos formando duas meias luas perfeitas e o tecido surgindo com um triângulo por cima das nádegas. Estava gostosa demais, ainda mais que no tecido havia uma dobra que deixava a paisagem ainda mais excitante.
O problema era a cor da calcinha, branca como a neve.
