O trajeto do quarto até a areia da praia foi, para Akio, uma caminhada em direção ao cadafalso. No elevador panorâmico do hotel, ele evitava olhar para o próprio reflexo, mas Nanda o obrigava a encarar o espelho, segurando-o pela nuca. O contraste era cruel: Nanda, uma estátua de ébano em seu biquíni preto, exalava uma sexualidade agressiva e natural; ao seu lado, Kiki parecia uma criatura frágil e artificial, com o biquíni branco cortininha ressaltando a pele pálida, os peitinhos sensíveis e o quadril estreito, agora liso devido ao tucking impecável.
Ao pisarem no saguão, o coração de Akio disparou. Ele sentia cada olhar dos hóspedes e funcionários como uma lâmina. Para o mundo, ele era apenas uma garota oriental de traços exóticos e roupas provocantes, mas a consciência do que escondia sob a fita e o biquíni o fazia caminhar com uma rigidez que Nanda corrigia com beliscões discretos na cintura.
— Relaxa os ombros, Kiki. Sorria. Você é minha convidada especial hoje — sussurrou ela, enquanto atravessavam o calçadão em direção à areia escaldante.
Nanda não escolheu qualquer lugar. Ela caminhou decidida até as proximidades do posto de salvamento, onde um salva-vidas moreno, de ombros largos e pele bronzeada pelo sol implacável, observava o mar. Ele já havia notado a chegada das duas. A imponência de Nanda chamaria a atenção em qualquer lugar, mas a presença da "amiga" pálida e delicada ao seu lado criava uma curiosidade magnética.
Nanda estendeu as cangas com a ajuda de Kiki, posicionandoas estrategicamente sob o campo de visão do homem. O salva-vidas, que se apresentou como Marcos, aproximou-se com uma familiaridade que pegou Kiki de surpresa. Eles conversavam como velhos amigos, trocando risadas e olhares carregados. Kiki observava a cena com um nó no estômago; Nanda, que costumava dominar Akio pela altura, agora tinha que inclinar a cabeça para cima para olhar nos olhos de Marcos. A testosterona que emanava do homem era quase palpável, e o modo como Nanda dava em cima dele, ignorando a presença de sua "bonequinha", despertava em Kiki um ciúme ardente e impotente.
— Ela é tímida, Marcos. Mas garanto que é uma ótima companhia — Nanda riu, acariciando o braço bronzeado do salva-vidas. — O que acha de nos mostrar aquele mirante reservado que você mencionou? Aquele que fica atrás das dunas?
Marcos assentiu, e os três começaram a caminhada pela trilha de areia fofa. Durante o trajeto, Marcos começou a dar uma atenção perturbadora a Kiki. Ao chegarem no ponto mais alto do mirante, onde o horizonte se perdia no azul do mar, Kiki parou para observar a vista, tentando processar sua humilhação. Foi quando sentiu o corpanzil de Marcos encostando em suas costas.
— Olha ali, Kiki... naquela ilha — Marcos sussurrou, passando os braços fortes ao redor da cintura dela, abraçando-a por trás.
A desculpa era mostrar um detalhe no mar, mas o contato físico era deliberado. Kiki sentiu o calor do peito largo de Marcos contra suas costas e a pressão da masculinidade dele contra sua bunda no biquíni branco. Ela ficou vermelha, sem graça, sentindo-se pequena e vulnerável naquele abraço de ferro. Nanda observava a cena a poucos metros, com um sorriso de aprovação.
Após alguns instantes, Marcos soltou Kiki e voltou sua atenção para Nanda. O clima entre os dois esquentou rapidamente e, diante dos olhos arregalados de Kiki, eles se beijaram com uma voracidade selvagem.
— Kiki, fique aqui apreciando a vista. Nós já voltamos — ordenou Nanda, com a voz embargada pelo desejo.
Os dois desapareceram por uma trilha lateral entre a vegetação alta das dunas. Para Kiki, os quarenta minutos que se seguiram pareceram horas de agonia. O silêncio do mirante era quebrado apenas pelo som do vento, enquanto sua imaginação trabalhava a mil, visualizando Nanda sendo possuída por aquele homem de verdade.
Quando Nanda finalmente retornou, estava sozinha. Marcos havia seguido por outro caminho para retomar seu posto. Nanda estava visivelmente suada, com o cabelo levemente desalinhado e o biquíni preto fora do lugar. Ela deu uma risada curta ao ver Kiki ainda parada no mesmo lugar.
— Ajoelha, Kiki — comandou, parando na frente dela.
Confusa e trêmula, Kiki obedeceu, sentindo a areia fina sob seus joelhos.
— Quero que você sinta o que é um prazer de verdade.
Ao encostar a boca na intimidade de Nanda, Kiki paralisou. O cheiro e o gosto eram inconfundíveis. Nanda estava completamente gozada; Marcos havia descarregado toda a sua masculinidade nela, e agora Kiki era forçada a limpar os restos do outro homem. Enquanto Nanda gemia, segurando a cabeça de Kiki com força contra sua pele quente, Akio sentia, pela primeira vez e de forma literal, o gosto amargo de ter sido substituído por um macho de verdade.
Nanda soltou um suspiro longo de satisfação e olhou para baixo, para a pequena criatura de biquíni branco aos seus pés.
— Você não tinha me perguntado o que fazia nas noites fora? Esta ai a resposta, tive de ir atras do que você não podia mais me dar meu amor, mas nós ainda podemos nos divertir juntinhos
Kiki limpou os lábios, os olhos marejados, sem saber que o que nada queria dizer sobre se divertir juntas.
