Dizem que a PERSEVERANÇA é a voz da alma que sussurra 'mais uma vez' toda vez que a ADVERSIDADE grita 'chega'. Se pensarmos em uma orquestra: na sinfonia da vida, a segunda é a variedade de instrumentos, e a primeira é o maestro que harmoniza o concerto criando uma obra de arte inesquecível.
Principais Personagens:
Henry & Brigite Dubois (https://postimg.cc/m1Cjc5Vc)
Duque Jean Paul e Duquesa Emanuelle (https://postimg.cc/PvXpHHT9)
Continuando ...
Os três primeiro dias de Blanche na cidade de Chester, na Inglaterra, foram como se ela tivesse voltado no tempo e o mundo vivesse em paz.
A alegria de ver o pai vivo, principalmente quando, na segunda visita que fez à clínica, ele deu sinais de que se lembrava dela foi algo impagável. Não bastasse isso e a atenção e cuidados que Charles dispensava a ela, ainda tinha o carinho dos pais dele que a tratavam como a uma filha e, o simples fato de estar sendo cuidada, mimada e poder olhar nos olhos de seu pai e ver nele um sinal de carinho, pequeno, era o suficiente para que ela pudesse gritar ao mundo que seu pai estava vivo e sendo bem cuidado.
Até porque a clínica em que ele estava contava com funcionários muito experientes que se desdobravam para ajudar seus pacientes a se reconectarem com o mundo real, pois todos os que lá eram mantidos, tinham passado por traumas de guerra, traumas que deixavam sequelas muito graves.
O senhor e senhora Dubois, Henry e Brigitte eram a cereja do bolo. Eles agiam como se a conhecessem desde a infância e, quando na casa deles, ficavam em volta dela tentando adivinhar todos os seus desejos e realizá-los. Ela não podia usar o verbo “gostar” perto deles que era bombardeada com perguntas sobre o que aquilo significava e assim poderem fazer algo para agradá-la.
Foi no quarto dia, quando a felicidade ainda existia, mas agora um pouco conturbada por suas preocupações sobre o que estava acontecendo em Paris e se a presença dela na casa da família Dubois não estava sobrecarregando a todos com o trabalho que ela estava dando, que Blanche questionou Charles em um dos raros momentos em que eles ficaram sozinhos:
– Charles, o que eu faço para que seus pais não fiquem fazendo de tudo para mim? Estou achando que é muito trabalhos para eles.
– Lamento te informar que isso é impossível. Eles estão encantados com você!
– Mas por quê? Eu não fiz nada para merecer isso?
– Talvez eles amem muito ao filho deles. – Charles ficou com o olhar perdido como se estivesse revivendo sua vida e depois confirmou: – É isso! Só pode ser.
– Agora que eu não entendi nada. Que eles te amam, é normal, eles são seus pais e você, pelo que notei, é um bom filho e é muito cuidadoso com eles.
– Então eu mereço, não é verdade?
– É, Charles, você merece, sim. – Blanche falou demonstrando irritação por não entender o objetivo do homem com aquela conversa, mas se controlou e voltou a falar: – Mas então, por que é que eles não estão mimando você? Por que eu?
– Você nem imagina o motivo?
– Pare com isso, Charles, por favor. Eu estou falando de um assunto e você vem com outro? O que você está pretendendo? Me confundir?
Vendo que Blanche estava realmente ficando irritada, ele resolveu esclarecer o assunto, mas o fez não como o militar francês resoluto que ele era, mas sim como um homem apaixonado:
– Como você é ingênua, Blanche! Só você que ainda não percebeu o que está se passando. Os meus pais estão te mimando como a uma filha, mas não porque eles a veem dessa forma. Eles estão fazendo isso porque você está aqui comigo e isso me deixa extremamente feliz. E o empenho deles é que eu continue com essa felicidade.
– Você ... Não acredito que você fez isso, Charles. Você foi falar para o seu pai que a gente já ... Você está doido homem. Uma coisa nossa, tão íntima! Não pode ficar comentando isso por aí. Como é que vou encarar seus pais agora?
– Nossa, Blanche. Sabe que tem hora que eu fico admirado como você, tão dinâmica, inteligente, resoluta, demora para entender certas coisas. Lógico que eu não falei nada para eles. Coitado de mim se eu tivesse falado. Se eles, ao menos, sonharem com isso, vão ficar em cima de mim como uma praga, exigindo que eu repare o mal que te fiz.
Pega de surpresa e diante de um comentário tão estapafúrdio, Blanche não resistiu e começou a rir. Não um riso de divertimento ou de alegria, aquilo era uma gargalhada de alguém que tinha se deparado com a coisa mais engraçada do mundo, o que constrangeu Charles que reclamou:
– O que eu falei de tão engraçado assim? Por que você está rindo desse jeito?
Com muito esforço para se controlar, a jovem Marquesa explicou:
– “Fazer mal pra mim”? Quer dizer que você acha que “roubou” a minha inocência e agora tem que reparar? Ah não, Charles. Desculpe, mas isso é a coisa mais ridícula que eu já ouvi.
– Por que você acha tão ridículo assim?
– Charles! Ouça, querido! Você nunca fez nada que eu não quisesse ou que eu não permitisse. Nisso você pode se considerar um perfeito cavalheiro. Nossa! Se seus pais souberem a verdade sobre mim, em vez de sua mãe ficar correndo para a cozinha todas as vezes que me vê e seu pai ficar me rodeando, perguntando se eu tenho sede, se quero comer alguma coisa, se quero ir tomar ar fresco, ar quente e sei lá mais o que, eles vão querer me queimar em uma fogueira.
– Calma, Blanche. Também não é assim.
– É assim, sim. Me ajuda a dar um jeito nisso. Além do mais, não é justo eu ficar dando tanto trabalho.
Aquela conversa, que no começo era divertida para Charles e que, a certa altura, provocou a gargalhada de Blanche, acabou de uma forma que o deixou constrangido, passando a agir diferente, o que logo foi notado por sua mãe, o que praticamente obrigou Charles a ter uma conversa com ela.
O casal Dubois era um caso bem interessante. Brigitte fazia o papel de simples dona de casa, cuidando do marido e do lar e, quem convivia com eles ficava com a impressão de que esse era o único papel que ela desempenhava naquela relação e que Henry era a cabeça pensante do casal. Mas nada podia ser mais equivocado do que isso.
Na verdade, era ela quem dançava e tocava a música, enquanto seu marido orbitava a sua volta, vivendo com as lembranças do tempo em que era um funcionário importante do governo francês, ou então se vangloriando da posição que seu filho ocupava junto ao General De Gaulle. Era o tipo de pessoa que estava sempre com a cabeça mais perto da lua do que os pés do chão.
A mãe, depois de ouvir os comentários de seu filho sobre como eles tratavam Blanche e entender o que se passava, ficou muito pesarosa ao saber que seu filho não era correspondido em seu amor por aquela adorável criatura, pois ela admirava muito a Blanche, independente da dor que ela causava no seu filho. Ela era sensata o suficiente para entender que a jovem não tinha culpa de não corresponder ao amor dele. Então, ela fez a única promessa possível:
– Pode deixar, meu filho! Eu vou me controlar. Eu fico triste porque eu gosto muito dela e, quanto ao seu pai, pode deixar que eu o controlo.
A mudança já foi sentida no dia seguinte. Tanto é que, quando tiveram uma oportunidade de ficarem sozinhos, já no final da tarde, ela perguntou:
– Você comentou alguma coisa com seus pais?
– Sim. Falei com minha mãe. – Respondeu ele sem esconder sua tristeza.
– Hum! Faz sentido. Sua mãe, apesar de tentar mostrar o contrário, exerce um poder muito grande sobre seu pai.
– Você notou isso também?
– Nossa! Chega a ser palpável que aquela mulher submissa que vive sorrindo e dizendo sempre “sim” para o marido é quem na verdade manda aqui.
– E pelo jeito, deve ser hereditário, pois estou indo pelo mesmo caminho.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntou Blanche realmente intrigada.
– Que entre nós dois, quem está no comando é você, minha Marquesa.
– Deixe de ser bobo, Charles. Eu não sou assim.
– Não é, ainda! Mas tem tudo para ser.
– Vem cá, o que é que você quer dizer com isso?
– Quero dizer que eu estou aqui morrendo de vontade de te beijar, mas você não vai deixar.
– Pare com isso, homem! Já pensou se alguém nos vê?
– Ninguém vai nos ver. Meus pais já foram para o quarto e estão se preparando para dormir, estamos sozinhos aqui nesse jardim.
– Dormir ... já? – Perguntou Blanche, intrigada, pois o dia ainda estava claro.
– Não, querida, eles não vão dormir agora. Só estão se preparando. Até porque, mesmo com o dia claro já são mais de 20 horas.
– Nossa, eu não tinha reparado que era tão tarde.
– No verão é assim mesmo, a noite chega e o sol ainda está clareando o céu. – Explicou Charles.
Estavam no mês de junho, dia dezesseis, a quatro do início do verão e o clima morno, com uma brisa suave refrescando o final de tarde e início da noite, era um convite a permanecer naquele local por mais tempo. Somado a isso tudo, a presença de Charles, seu charme e carinho, sempre mexia com ela que já sentia seu corpo reagir ao momento, onde a soma do clima ideal com a companhia perfeita se transformam em um convite ao prazer. Então, ela disse com a voz melodiosa que sabia ser irresistível para Charles:
– Você jura mesmo que ninguém pode nos ver?
Já conhecendo bem à jovem, Charles não respondeu. Em vez disso a puxou para perto dele, abraçou e beijou seus lábios com todo o empenho de um homem apaixonado e ela correspondeu à altura. Quando o beijo acabou, ela olhou à sua volta e viu que, perto de onde estavam, havia um balanço improvisado no galho de uma frondosa árvore e falou para ele, ainda mantendo o tom de voz:
– Então vamos ali naquele balanço, querido. Eu nunca transei em um balanço antes, você já?
– Não, nessa encarnação. – Respondeu ele engolindo a pressa de despir sua amada.
– Se foi em outra encarnação, já serve. Vem cá. Me mostra como é que foi isso?
De mãos dadas, eles saíram andando em direção ao balanço, sem notar que atrás da janela escura do quarto do casal Dubois, Brigitte assistia àquela cena e, quando eles abandonaram o local e saíram do raio de sua visão, voltou para a cama falando baixo:
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– Isso, meu filho. Você é o homem certo para ela e vai saber ensiná-la a te amar.
Da cama veio a voz quase sonolenta de Henry:
– O que foi? Do que é que você está falando, Brigitte?
– De nada, Henry. De nada. Agora, volte a ler o seu livro, por favor.
Enquanto isso Blanche e Charles já tinham chegado ao local onde havia o balanço e ela, com a ajuda dele, ficou sentada no mesmo e ele, em pé, na frente dela, começou a beijar sua boca e, quando desistiu e beijou o seu pescoço, ela gemeu e, num ímpeto de desejo, abraçou o quadril dele com suas pernas e o prendeu junto ao seu corpo.
A posição que eles se encontravam era propícia para o sexo, mas Blanche ainda temia ser vista. Mesmo assim, permitiu que ele tirasse sua calcinha e abrisse os botões de sua blusa. Ele apenas abriu sua calça e tirou o pau para fora e ali, em meio ao som de insetos e aves noturnos, Charles teve um orgasmo que, de tão forte, não deixou que ele reprimisse seus gemidos de prazer e depois, com as pernas tremendo, teve que se afastar dela e se apoiar no tronco da árvore para não cair.
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Ainda com a respiração alterada, ele voltou ao assunto que ela sempre evitava:
– Eu não posso mais viver assim, querida! Vou te pedir mais uma vez. Case-se comigo.
– Não faça isso de novo, Charles. Você sabe que eu não posso.
– E por que não? Você não me ama?
Aquela era a pergunta que Blanche temia responder. Mesmo porque, se havia algo que ela vivia se perguntando a si mesmo era sobre o que é o amor. Seria amor aquele afeto que ela sentiu por Kurt? Ou a definição mais exata era o que ele sentiu por ela, porque hoje, mais madura, ela se perguntava se a reação dele ao descobrir que ela era judia ocorreu em virtude de ele se ver em uma situação impensável, por toda a lavagem cerebral que os nazistas praticavam com os cidadãos alemães, principalmente os mais jovens, ele ficou entre dois amores e não soube administrar a situação.
Quanto aos outros homens com quem ela esteve na cama, podia dizer com certeza que não nutriu nenhum sentimento por eles além do prazer. Michel era como um parente querido que precisava crescer e se libertar das amarras de sua irmã. Antonio, um excelente exemplar de macho, mas era só isso, um macho que sabia dar prazer a uma mulher, mas que fora da cama era uma incógnita. Wolfgang nem entra nessa equação, pois ele não representava nada para ela. Von Rommel, apesar de ter idade para ser o pai dela, era o homem que, se acaso convivesse, poderia vir a ter um sentimento mais intenso.
Aquele sim era um homem de verdade e em todos os sentidos, pois além de ser honrado e honesto, se mostrou um grande amante, porém, o coração dele já tinha dona e ela estava ciente de que também não queria mudar aquele fato. Até porque ele, apesar das qualidades, era alemão e fazia parte do que ela prometeu ajudar a destruir. Mas, pelo menos, o general servia para uma comparação.
De todos os homens com quem ela transou, Charles foi o único que demonstrou ter as mesmas qualidades de Rommel, na cama e fora dela. Ele era o tipo de homem que tinha todas as chances de, um dia, ganhar seu coração. Se é que já não o tinha feito.
Entretanto, o problema não era esse. O que impedia Blanche de se dar uma chance era o medo de magoar a uma pessoa por quem nutria tanto carinho, pois tinha certeza de que ele iria sofrer todas as vezes que ela saísse de casa para cumprir alguma missão, sabendo que, na maioria das vezes, nessa missão existiria o fator sexo. Além disso, como voltar para casa depois de transar com o inimigo e encontrar o marido esperando por ela? Isso era algo que, para ela, estava fora de cogitação e foi exatamente isso que ela tentou explicar para ele que, depois de ouvi-la, perguntou:
– Você acha mesmo que eu vou te julgar por isso, Blanche? Que eu vou questionar a sua moral quando isso acontecer? Pense bem antes de responder à pergunta que eu vou te fazer e só o faça com toda a sinceridade. Você acha que eu sou um assassino?
– Lógico que não! Que pergunta é essa?
– Mas eu já matei e ainda vou matar, eu espero, muitos soldados inimigos na guerra. Vou matar pessoas que eu nem conheço. Homens que têm um lar em algum lugar nesse mundo, que tem esposa e filhos esperando por ele, morreram nas minhas mãos e outros ainda vão morrer. Você não acha que isso faz de mim um assassino?
– Não, Charles. Se você matou alguém foi por conta da guerra. Você não fez por lucro, por vingança ou por maldade e muitas dessas vezes foi até para se defender. A culpada é a guerra, não sua.
– Pois é. Eu não matei por vingança, lucro ou maldade, como você disse. Agora me responda com toda a sinceridade, por que é que você está fazendo o que faz?
A lógica daquele argumento atingiu Blanche como uma chicotada. Então era isso? O homem que estava pedindo sua mão em casamento estava lhe explicando que a guerra cria situações que levam os homens a fazer todo o tipo de concessão. Matar, prender, jogar bombas sobre eles matando civis, tudo isso é justificado pela guerra. Que até mesmo uma mulher ir para a cama com outro que não é o seu marido encontra justificativa na maldita e infeliz guerra. Ela tinha dificuldade em entender como podia ser tão simples assim. Simples e lógico.
E diante dela estava o homem que acabara de lhe confessar o seu amor e logo a seguir lhe disse que ela estava livre para o trair, desde que essa traição tivesse como objetivo, conseguir algo que ajudasse seu país a se libertar do invasor e isso era muito mais complicado do que ela imaginou quando resolveu entrar nessa guerra.
Confusa, aterrorizada e com um medo a correr suas entranhas, ela se atirou no pescoço de Charles, enfiou o rosto em seu peito e falou com voz chorosa:
– Oh, Charles! Por quê? Isso tudo é tão sem sentido que eu fico aterrorizada só de pensar. Por que tinha que ser assim?
– É a guerra, minha querida. Ela existe por causa da ambição dos homens. Você sabe qual é a melhor definição que eu já tive sobre a guerra?
Blanche respondeu que não com um movimento de cabeça e Charles explicou:
– Eu li em algum lugar que dizia que a guerra é aquela ocorrência onde homens que não se conhecem se matam por causa das desavenças de homens que se conhecem e não se matam. Não existe verdade maior do que essa e nós, eu, você, nossos amigos, parentes, conterrâneos, todos nós somos levados a isso sem ter nenhum motivo pessoal.
– É. Você está certo em tudo o que você falou, mas ainda tem algo que eu não entendo. É algo sobre o qual você nunca diz nada, mas que deve te incomodar muito. Então eu tenho que te perguntar: e a Hamdi?
– A Hamdi e você são um caso a parte. Vocês passaram por situações que as uniram. Toda a adrenalina provocada pelos riscos, pelos perigos e depois o alívio por terem conseguido se salvar, criou uma conexão entre vocês que explica essa relação. Não se trata de um caso de lesbianismo, pois se fosse isso, nem você e nem ela estariam se relacionando com homens sem que ocorresse um trauma muito grande, pois você sabe que as verdadeiras lésbicas são mais ciumentas que o mais ciumentos dos homens. Além disso, mulher transar com mulher pode ser altamente condenável para a sociedade, mas você pode acreditar que, dentro dessa sociedade, isso acontece muito ...
E completou o pensamento:
– ... eu, particularmente, encaro uma relação entre duas mulheres como um efeito paliativo que elas usam para fugir da mesmice em que vivem, tendo que aturar cobranças descabidas da sociedade, maridos que não as respeitam e nunca dão a elas a atenção que elas esperam receber. Nesses casos também não se trata de lesbianismo, mas sim de uma fuga de um ambiente castrador ou de um marido que não valoriza a mulher que tem em casa. Além disso, temos que considerar que em tempos de guerra, as pessoas se veem em situações em que os conceitos de moralidade são alterados.
– Mas, e como vai ficar isso no futuro?
– Ficar o que?
– A Hamdi e eu?
– Não vai ficar. Há de chegar o momento em que uma de vocês, ou até mesmo as duas, encontrem a felicidade que desejam ao lado de pessoas com quem consigam estabelecer o mesmo tipo de conexão que vocês têm e o melhor disso, é que não haverá uma ruptura. Vocês continuarão amigas, continuaram devotando o mesmo tipo de amor que uma sente pela outra, mas estarão realizadas e felizes e nem pensarão mais no assunto.
– E a Grace?
– Ah! Tem a Grace também. A Grace está no mesmo patamar que vocês. Vive sozinha, não tem alguém para chamar de “seu”, não tem família por perto e nem sabemos se tem uma longe. A diferença é que ela é mais vivida, experiente e consegue contornar essa situação. O que aconteceu entre vocês se deve ao simples fato de que vocês estavam lá e a Grace também. Pode ficar tranquila que aquela mulher jamais vai cobrar nada de vocês. Ela só quer mesmo é se divertir.
– Você chama isso de diversão?
– Bom! Pelos sons que todos ouvimos naquela mansão, briga é que não era! – Rebateu Chales sorrindo.
– Seu idiota! Você está rindo de mim outra vez. Eu aqui falando sério e você caçoando de mim. Não quero mais ouvir nada, vai embora ...
Charles calou a Marquesa com um beijo que foi correspondido por ela. Mesmo porque, ela não estava tão zangada como tentava fazer parecer. Quando o beijo parou, Charles insistiu:
– E então? Qual a sua resposta?
– Que resposta Charles, você não fez nenhuma pergunta?
– Fiz, sim. Fiz a pergunta que deu início a toda essa conversa. Você aceita se casar comigo?
Blanche olhou para Charles enquanto se imaginava casada com ele. Um homem honesto que certamente teria um futuro promissor se sobrevivesse à guerra, carinhoso e que cuidava dela. E ainda oferecia o bônus de ter uma família, porque por mais que se sentisse constrangida ao ser mimada pelos pais dele, sentia que era muito bom ter uma mãe para conversar, receber orientações, contar as suas dúvidas. E ela tinha certeza de que a senhora Brigitte Dubois era confiável o suficiente para fazer o papel de mãe, a mãe que os alemães tiraram dela por uma simples questão racial.
Não era o melhor dos mundos, mas ela já tinha ouvido muitas vezes e concordava que a guerra era uma situação especial e, por isso mesmo, tem que ser enfrentada com ações especiais. Então, por que não? Olhando para os olhos dele, ela murmurou:
– Sim, querido. Eu aceito me casar com você.
Blanche nunca foi capaz de dizer com certeza se a reação de Charles foi real, ou se ele fez por brincadeira, pois ao ouvir a resposta dela, ele foi se deixando cair até ficar estendido no chão fazendo com que ela se ajoelhasse ao lado dele preocupada:
– Charles! Querido! O que aconteceu! Por favor, Charles, fale comigo!
– O que foi que você disse mesmo? Você podia repetir?
– Eu disse “sim”. Eu me caso com você.
A reação dele de abraçá-la e fazer com que ela perdesse o equilíbrio e caísse sobre ele, fez com que ela achasse que ele estava brincando e reagiu, dando uns tapas suaves no ombro dele enquanto falava:
– Seu idiota! Você me assustou viu!
Mas depois que ele se levantou e precisou do apoio dela para percorrer o caminho até chegarem em casa, fez com que a dúvida voltasse. Quando entraram na casa, ele se sentou no sofá e Blanche, de repente, se lembrou de algo preocupante e falou:
– Meu Deus, Charles! A minha calcinha. Tenho que voltar lá para pegar. Já imaginou se sua mãe a encontra? O que ela vai pensar?
– Ela não vai pensar nada demais, Blanche. Quer dizer, ela vai pensar que eu tirei a sua inocência e vai exigir que eu repare essa ofensa me casando com você.
– Pare de brincadeira, Charles. Espere aqui que eu vou lá buscar.
Quando ela se virava para sair, ele tirou a calcinha dela do bolso e falou:
– É essa calcinha aqui que você vai procurar?
– Mas você está me saindo um perfeito idiota, sabia. Quer dizer, não perfeito, pois não existe idiota perfeito, só idiota. Cadê aquele “Charles” sério que mal cumprimentava as pessoas? Diga onde ele está porque, se eu tenho que me casar é com ele e não com esse bobão aqui na minha frente.
– Não fala isso, minha querida. Até o homem mais sério do mundo tem o direito de sair da linha quando está muito feliz. Me beija de novo.
Quando Blanche se abaixava para atender ao pedido dele, uma pigarro limpando a garganta soou no alto da escada. Olharam naquela direção e viram a senhora Brigitte descendo e, sem querer fingir que não tinha ouvido nada, foi até Blanche e a abraçou dizendo:
– Me dá um abraço, querida. Olha, é normal a gente ouvir que quando um filho se casa, a mãe dele o perde. Só que eu não concordo. Eu estou feliz porque, além de não perder o filho, ganhei uma filha adorável como você.
Com lágrimas nos olhos, Blanche abraçou aquela que logo se tornaria sua sogra, impedida de falar em virtude de sentir um nó a lhe fechar a garganta.
Se Blanche disse “sim” ao pedido de casamento que Charles lhe fez, a discussão sobre ele não terminou com essa resposta, pois o ato de aceitá-lo como marido abriu discussões importantes e, a principal delas, era como concretizar esse casamento e vários pontos apareceram sobre essa questão.
Charles vivia na França, porém, de forma clandestina, pois sendo um militar que mantinha ligações com o General De Gaulle, o que era de conhecimento geral, ele seria preso assim que fosse localizado em território francês. Além disso, havia as missões que ela tinha que continuar executando e sendo uma mulher casada, teria dificuldade em se relacionar com os alemães.
Não que não tenha existido mulheres casadas que frequentaram as camas dos alemães. Existia, e não foram poucas, porém, era aquele tipo de acontecimento onde o marido, por interesses pessoais, se fazia de cego, enquanto os alemães, na frente deles, se faziam de santos. Entretanto, ela era uma Marquesa e o simples fato de ser vista em reuniões festivas ao lado dos invasores, no futuro iria criar problemas para ela e ainda havia o fato de ser o seu marido quem era.
A única solução que encontraram para esse dilema foi a de que esse casamento não poderia chegar ao conhecimento do público francês. Essa exigência faria com que o casamento tivesse que ser celebrado em Chester, na Inglaterra, e da forma mais discreta possível, o que fez com que o feliz noivo quisesse se casar durante o período em que ela permaneceria na Inglaterra, o que ela não aceitou por um simples motivo. Se ela se casasse sem a presença de Hamdi, sua amiga nunca mais a deixaria em paz. Isso foi a certeza que fez com que ela dissesse:
– Deus me livre de voltar para a França e informar à Hamdi que eu me casei. Seria mais fácil enfrentar uma divisão de tanques alemães do que a ela que vai transformar a minha vida num inferno.
– Você está certa, Blanche. Uma amizade como a que vocês têm, exige esse tipo de comprometimento. – Disse Brigitte apoiando a nora e continuou: – Além disso, estou ansiosa para conhecer essa jovem de quem vocês tanto falam.
– Melhor não, dona Brigitte. Pode ter certeza de que a senhora vai viver muito melhor, e mais tempo, se não passar por esse atropelo.
A mãe de Charles, ao ouvir aquilo, começou a se preocupar, porém, a gargalhada de Charles ao ouvir o comentário de Blanche fez com que ela ficasse ainda mais ansiosa para conhecer Hamdi. Sem poder se defender da aliança formada por Brigitte e Blanche, não restou a Charles aceitar as condições impostas por sua noiva, o que lhe deu alguma vantagem, pois estando ele pronto para ir até Londres informar aos seus superiores, que, no caso, se resumia a um único, o ‘General’, desistiu da viagem e resolveu gozar da companhia dela pelos dias que ainda restavam antes retornarem a Paris, onde ele encontraria o melhor momento para se comunicar com De Gaulle, já sabendo de antemão que o velho ranzinza não ia ficar nada satisfeito com essa notícia.
Se Charles pensava nos prazeres que teria com a presença de Blanche em sua casa durante aquele período, estava totalmente errado, pois ela teve que dividir todo o tempo que ainda permaneceu na Inglaterra entre as visitas que fazia ao seu pai e com sua futura sogra que fez questão de monopolizar a atenção da jovem que, como por encanto, começou a aceitar ser paparicada por ela e por seu futuro sogro, depois que ele foi liberado por dona Brigitte para fazê-lo.
Foi por esse motivo que ele sentiu um alívio quando se despediu de seus velhos e, junto com a noiva, retornou à França, onde havia uma guerra para ser vencida.
A situação que encontraram em Paris ainda era idêntica a de quando a deixaram, pois de abril a novembro de 1941 a Alemanha dedicou seus esforços à realização do objetivo de invadir a União Soviética e teve início a conquista de vários países que mais tarde seriam anexados ao “império” comunista, tomando à força aqueles que não se aliaram a ela, como foi o caso da Bulgária e da Romênia.
Os avanços em diversas frentes resultaram na capitulação de Smolensk no início de agosto, um cerco a Leningrado (atual São Petersburgo) e a tomada de Kiev na Ucrânia em setembro, o avanço em direção a Moscou em outubro e a conquista de Rostov às margens do rio Don, em novembro.
Essa decisão dos líderes nazistas foi, na verdade, o segundo grande passo para a derrota que a Alemanha sofreria mais tarde, sendo a primeira a Guerra da Grã-Bretanha que, embora a história não registre que houve um vitorioso, foi a responsável pela destruição de mais da metade do poderio aéreo alemão.
Enquanto isso, a França vivia um período de calmaria e, se fosse nos dias de hoje, poderia até ser apelidada de a “Disneylândia de Hitler”, pois sua principal utilidade era a de zona de repouso dos guerreiros alemães que se destacavam na frente da batalha e, aproveitando dessa calmaria, Blanche e seu grupo foram adquirindo experiência e conquistando espaço, não no coração, mas na cama dos alemães.
O que Blanche encontrou de diferente foi descobrir que sua aventura com Von Rommel tinha rendido frutos, e muitos. O número de convites para festas em bares e casas de shows era enorme, indicando que o simples fato de ter sido vista ao lado do grande herói alemão tinha chamado a atenção dos outros para ela. Entretanto, havia outra que não era nada feliz, que era a revolta de Hamdi por não estar conseguindo se infiltrar na mesma esfera de influência que ela.
E não foi por falta de tentativa. Blanche fazia questão de tê-la ao seu lado em todos os eventos que comparecia e até a elogiava para algum companheiro alemão que tinha conquistado o direito de aparecer do lado dela. Não era como se ela transasse com todos eles, mas o fato de que ser visto ao lado da bela mulher, portadora de um título de nobreza e que tinha dobrado a força de vontade do famoso “Raposa do Deserto”, apelido de Rommel, era garantia de ser visto como uma pessoa importante, tanto pela nobreza francesa como pelo oficialato alemão.
Mas nada disso adiantava e Blanche não demorou para identificar onde estava o problema. O que afastava os alemães de Hamdi era a cor de sua pele. Para eles, ser visto ao lado de uma afrodescendente não contava ponto junto aos seus superiores, em vez disso, poderia o inconsequente passar a ser visto como alguém que não estava alinhado com o pensamento nazista quanto a pureza da raça ariana.
Quando Blanche comentou isso com Hamdi, ela resolveu que tinha que mudar de tática, acreditando que não bastava simplesmente se insinuar para os alemães. Ela precisava ser mais ativa e provocar no seu alvo um desejo tão intenso que questões raciais deixariam de ser importantes. E, nesse sentido, parecia mais fácil conseguir atingir aquele propósito se o seu alvo, ao invés do alto comando alemão, fossem os franceses que estavam alinhados com o nazismo.
E foi assim que, no começo de agosto de 1941, a garota somali resolveu se arriscar e a oportunidade surgiu quando Blanche viajou para a Inglaterra. Ela e Charles decidiram se casar logo e marcaram o dia nove de agosto, mas ela viajou duas semanas antes para cuidar dos preparativos e passar alguns dias com seu pai.
Era o primeiro dia do mês de agosto, uma sexta-feira e na terça-feira seguinte ela, Grace, Michel e Dolson, acompanhado por Aimée, viajariam para a Inglaterra onde se uniriam a Pierre e Gerard que já se encontravam em Londres e participariam de uma reunião com o Coronel Smith e seus oficiais. Hamdi ansiava por essa viagem sabendo que seria uma oportunidade de rever York e assim matar a saudade do seu “capitãozinho”. Depois dessa reunião, todos iriam para Chester para assistir o casamento de Blanche, inclusive, com Hamdi sendo a madrinha de honra da noiva.
Naquela noite ela compareceu a uma festa no Bal Tabarin, rival do Moulin Rouge, o cabaré localizado no número 36 da rua Victor-Massé em Paris, local frequentado tanto por alemães como por franceses colaboracionistas. Estava sozinha, pois por ser um evento mais voltado para os franceses, Grace preferiu não a acompanhar.
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Aquela festa, como sempre acontecia quando se realizava em uma casa de show, era composta de duas partes, sendo a primeira uma peça de teatro ou um show musical com muitas dançarinas com suas roupas decotadas e os joelhos aparecendo, o que na época já era um escândalo e depois era realizado um coquetel onde os pares iam se formando e, aos poucos, se retirando para gozarem os prazeres do sexo.
Foi durante o coquetel que Hamdi encontrou seu alvo. Não era alemão, mas um conhecido francês de nome Jean Paul que ostentava o título de Duque. Pensando em sua nova estratégia de abordagem e como não havia entre os alemães, nenhum importante, ela sabia que aquele homem gostava de se exibir como um grande comedor. Se ela lhe desse uma noite inesquecível, certamente seu nome passaria a ser citado juntamente com seu desempenho durante o sexo, o que despertaria a atenção sobre ela.
Decidida a parte do “com quem” ela passou para a do “como” sem se preocupar com o “onde”, pois ela não tinha problemas com isso, sendo solteira e, quanto mais indiscreta fosse, maior visibilidade teria junto aos demais alvos que desejava conquistar.
Pronta para ir à caça, Hamdi se aproximou do Duque quando ele estava sozinho admirando um quadro de Gustave Courbet cujo nome era “A Origem do Mundo”. Nessa obra, uma mulher que não mostra o rosto está deitada com as pernas abertas e a vagina escancarada, sendo considerado até os dias de hoje uma imagem muito forte.
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Se aproximando do homem, se movimento de forma que seus seios tocassem o braço dele, falou com uma voz sensual:
– Está apreciando uma mulher sem os véus da decência, Duque Jean Paul.
Ele, assustado com a audácia dela, mas não menos interessado, pois já tinha trocados olhares significativos com ela antes, falou sem vacilar:
– Sim. Pois trata-se da mulher no seu estado mais puro. Sem véus, sem pudor e sem limites.
– Hum! Poético! Gostei. – Falou ela enquanto pensava: “Em matéria de descrição da obra, nota cinco. No quesito sedução, nota zero”.
– O senhor não acha escancarado demais? Eu pensei que os homens preferissem quando as mulheres se desnudam aos poucos, iniciando o jogo ainda vestidas e demonstrando que quer fazer isso.
– Era isso que você estava fazendo comigo durante esse tempo todo?
– Hum! Direto ao ponto, não é senhor Duque? – Falou ela e voltou a pensar: “Direto demais para o meu gosto. Vai um zero também para a sutileza”.
Mas nada disso era importante para Hamdi que ainda via naquele nobre de araque um trampolim para poder alçar voos mais altos e ela continuou se insinuando para ele, lhe dedicando o melhor de seu sorriso, tocando seu corpo sem se preocupar com aparências e, cada vez mais, deixando que seus corpos se encontrassem.
E, quando ela estava pronta a dar a tacada decisiva, eis que surge uma mulher e, ao vê-los juntos, fala com voz calma:
– Ah, meu marido! Então é aqui que você veio se esconder? Estava mesmo me perguntando onde você tinha se metido.
– Sim. Emanuelle. Aqui estou eu apreciando essa obra de arte.
Hamdi estremeceu com a saia justa em que se viu. Não só foi surpreendida pela esposa tentando seduzir um homem casado, como também o infeliz disparou uma frase de duplo sentido como aquela, pois ao se referir a “uma obra de arte”, correu os olhos por todo o corpo dela, deixando claro ao que ele se referia.
Entretanto, esse tremor não se comparou ao que ela sentiu a seguir, ao ver a Duquesa Emanuelle repetir o gesto do marido, correndo os olhos pelo seu corpo como se o avaliasse, enquanto ostentava um semblante que era pura luxúria. E a mulher não se intimidou e foi ainda mais direta que o marido.
– Então, Jean. Por que não convida a sua nova amiga para terminarmos essa festa em nossa casa?
Sem ter tempo para digerir as palavras da duquesa, ouviu o duque dizer:
– O que você acha, linda mulher. Você não gostaria de discutir essa sua tese de sedução em um local mais reservado?
Hamdi olhou para a mulher. Uma loira alta, pelo menos mais alta que ela, e esbelta que aparentava estar na faixa dos quarenta anos, muito mais nova que seu marido que certamente já estava chegando aos sessenta. Os olhos azuis da duquesa fixados nela e faiscando centelhas de desejo, seus lábios ligeiramente separados mostrando os dentes brancos e perfeitos.
Os cabelos loiros, levemente ondulados, moda na época e na altura dos ombros lhe davam uma aparência ainda mais jovial e a expressão corporal que fazia seus seios se movimentarem ao ritmo de uma respiração alterada, foi decisivo para a jovem dizer um “sim” com voz clara, mas cuidadosa, no ponto certo, para deixar transparecer desejo e um pouco de receio, pois sabia que, diante daquela linda mulher e seu marido sem atrativos, tinha que se controlar para demonstrar alguma timidez, mas também muito interesse.
Quinze minutos depois estavam no carro seguindo na direção de Versalhes. O Duque ocupando o assento ao lado do motorista e a Duquesa junto com ela no banco traseiro e, mostrando que era uma mulher que se dedicava a preliminares, já deslizava suas mãos ostensivamente pelas pernas de Hamdi enquanto sua cabeça estava inclinada para a morena indicando que durante aquele trajeto, estariam ocupadas em outras atividades que não a de apreciar a beleza da noite enluarada de verão, ou saber o que o Duque pretendia com suas explicações infindáveis sobre as vantagens de serem amigos dos alemães.
Mas não foram tão longe, pois logo depois de ultrapassarem a Pont de Sèvres, o carro enveredou por uma estradinha secundária e logo passou pelo portão de um muro que cercava um pequeno palacete. Hamdi desceu do carro olhando com admiração ao notar que, embora não fosse luxuoso, o jardim era bem cuidado e, ao ser introduzida, se deparou com uma decoração de bom gosto.
Ela foi levada para o quarto do casal onde, pela primeira vez o Duque participou do enlace entre elas, dizendo:
– E então, mocinha. Agora você pode mostrar na prática o que quis dizer sobre se mostrar aos poucos.
“Me mostrar aos poucos? De que planeta você veio? Sua esposa quase me deflorou dentro do carro e está a um segundo de pular sobre mim e você pensando que vai dar tempo de se mostrar aos poucos?”.
O que Hamdi pensou não foi uma previsão. Foi apenas a constatação do que estava prestes a acontecer. Com uma urgência incontida, a Duquesa Emanuelle a puxou pela mão e depois de colocá-la encostada na cama de frente para ela, beijou sua boca e, mal acabou o beijo, empurrou seu corpo que caiu de costas sobre a cama, retirou o seu vestido e se atirou sobre ela, começando a tirar-lhe a roupa com violência e botões voavam pelo quarto, fazendo a garota pensar:
“A Blanche vai parir um urso. Ela adora esse vestido”.
(IMAGEM: https://postimg.cc/hfGsbWT5)
(IMAGEM: https://postimg.cc/64pr0n2W)
Talvez Hamdi tenha demonstrado alguma contrariedade, pois a Duquesa, sem parar de arrancar a sua roupa, informou:
– Não se preocupe com sua roupa, querida. Depois providencio outras para você.
Em questão de minutos, a jovem africana estava nua sobre a cama e a Duquesa, também nua, explorava seu corpo como se ele fosse o último que teria para fazer isso em sua vida. Beijou sua boca, sugou seus mamilos rígidos, lambeu sua barriga, agrediu suas nádegas com tapas doloridos e estalados e finalmente chegou ao seu destino pousando a boca sobre sua xoxota, começando a chupar com uma experiência ímpar.
Hamdi não demorou a gozar e, já no clima de putaria criado pela nobre mulher, retribuiu o prazer que recebeu, proporcionando a ela o mesmo que tinha recebido, porém, teve que se controlar para não rir quando estapeou a bunda dela e teve um pensamento bem ao seu estilo:
“De africana sem pai, puta de franceses e alemães, espiã e aqui estou eu batendo na bunda da nobreza francesa”.
(IMAGEM: https://postimg.cc/vcpn1pzf)
(IMAGEM: https://postimg.cc/vxnQCSV8)
(IMAGEM: https://postimg.cc/dkbFRmSB)
A mulher também gozou depressa e descansou alguns minutos para dar à Hamdi o seu segundo orgasmo da noite e depois sossegou um pouco, permanecendo deitada ao lado dela que, ao ver que o Duque Jean Paul se mantinha em pé ao lado de um item da mobília muito estranho, totalmente vestido e com apenas seu pau mole de fora, perguntou para Emanuelle:
– O seu marido não participa?
– Muito raramente, meu bem! Ele já teve seus dias de glória e agora faz parte do time que assiste a glória dos outros e fica se lembrando das suas.
– Mas ele não é um pouco novo para isso?
– Novo demais, eu diria. Quem diria que, aos quarenta e oito anos de idade, o grande fodedor “Duque Jean Paul” já estaria depondo suas armas!
– Quarenta e oito? Puxa!
– Parece ter mais, não é. Isso é o que dá dedicar todo seu tempo a jogos e bebidas, sem perceber que existem jogos mais saudáveis para praticar. Eu, nos meus cinquenta e um que o diga.
– CINQUENTA E UM! PUTA QUE PARIU! – Ao perceber que estava falando alto demais, Hamdi se controlou e voltou a falar em voz normal: – Eu calculei que a senhora tinha uns quarenta, quarenta e cinco no máximo.
– Não me trate por senhora, minha linda. E esse negócio de “duquesa” só deve ser usado se for para relatar alguma sacanagem, como você dizer por aí que fodeu uma duquesa, por exemplo.
– Você tem certeza de que o Du ... que o Jean Paul, com quarenta e oito anos de idade, não funciona mais?
– Não diria que não funciona mais, pois uma vez a cada três, quatro meses, ele dá sinais de vida. Mas é só.
– Ah não! Isso eu quero ver.
Dizendo isso, Hamdi se levantou da cama, foi até o Duque e começou a despi-lo, recebendo a ajuda dele e depois, sob o olhar de curiosidade da esposa dele, segurou em sua mão e o levou até o banheiro. Lá chegando, empurrou o homem para debaixo da ducha que ele mesmo se encarregou de abrir, pegou uma esponja macia e começou a banhá-lo.
(IMAGEM: https://postimg.cc/3ykzL0pT)
Com suavidade, lavou suas costas, peito, dedicou especial atenção ao seu pau murcho e, fazendo com que ele apoiasse as mãos na parede do banheiro, começou a esfregar, com a mesma gentileza a bunda dele que, diferente do pau, não era nada murcha, sendo bem redonda e lisa. Esfregou gentilmente a esponja nas nádegas dele e notou que a respiração do homem ficou acelerada, o que para ela era um indício de que estava no caminho certo, o que ficou provado quando, usando a mão que não segurava a esponja, correu o dedo pelo rego dele. A reação de Jean Paul lhe deu a certeza que precisava.
O duque abriu ligeiramente as pernas e ela usou a esponja para lavar toda a sua bunda, inclusive, o cuzinho e, ajoelhando-se, fez algo que raramente fazia. Esticou a língua e forçou o buraquinho nobre do Duque e, levando a mão ao pau dele, sentiu que estava tendo sucesso, pois o combalido pênis estava ressuscitando. Agora, com a certeza que estava no caminho certo, untou seu dedo médio com espuma e, sem cerimônias, enfiou de uma vez no rabo dele.
Para o Duque foi como se um bando de clarins soasse naquele banheiro e um sol se abrisse apenas para ele. Seu pau ficou duríssimo e ele estava a ponto de gozar, o que não aconteceu, pois com a mesma rapidez que Hamdi o possuiu com o dedo, ela recuou e se levantou falando:
– Calma meu duquinho. Calma que isso pode ser ainda melhor.
Dizendo isso, usou a água do chuveiro para retirar toda a espuma de sabonete do corpo de Jean Paul e, o rebocou pelo pau a cama onde disse para uma Emanuelle perplexa:
– Descobri o caminho das minas para fazer nosso Duque funcionar e vou te ensinar como é que se faz.
Passando a agir como uma diretora de um filme pornô, ela fez com que a duquesa se deitasse de costas com as pernas abertas e seu marido de quatro sobre ela. Então repetiu o feito no banheiro, voltando a usar a língua e o dedo, obtendo novamente o resultado que queria. Sabendo que o efeito daquele tipo de milagre não era duradouro, forçou o corpo dele para se deitar sobre sua esposa, posicionou o pau dele na entrada da buceta dela e deixou o resto por conta dele, enquanto pensava:
“Pelo menos isso eu acho que vocês dão conta de fazer sem minha ajuda”.
Com o sucesso obtido, ela se deslocou até o lado de Emanuelle e, depois de beijar sua boca, se dedicou a chupar seus seios a levando ao primeiro orgasmo e, logo depois, o combalido duque emitiu o seu grito heroico de ressuscitação e gozou dentro da buceta de sua esposa.
Depois do sucesso onde os envolvidos se sentiam realizados, deixaram-se dominar pelo cansaço e dormiram os três na mesma cama, completamente nus.
Hamdi acordou assustada e levou alguns segundos para entrar em sintonia com a realidade e se lembrar de onde estava. Olhando para os lados, viu que o Duque dormia o sono dos justos, mas a Duquesa não estava na cama. Logo descobriu o motivo de ter acordado, ouvindo portas de carro se fechando e vozes.
Com muito cuidado, se levantou e, enrolando-se em um lençol, foi até a janela e viu a Duquesa vestida com um roupão conversando com dois homens que usavam o uniforme da SS (*) e notou que ela entregava aos homens uma pasta contendo vários documentos. Esperou até que os homens se despedissem fazendo o cumprimento que os nazistas faziam e que a duquesa respondeu da mesma forma.
Ver aquela mulher no jardim de sua própria residência, usando um roupão e toda empertigada, com o braço direito estendido e pronunciando com voz alta e clara o cumprimento: “Heil Hitler”, fez com que Hamdi sentisse seu corpo ferver de ódio:
“Como é que pode isso? Ela é francesa como a Blanche, o Charles, o Michel e tantos os outros e agindo como uma alemã ordinária. Aí tem coisa!”.
Quando a Duquesa regressou para o quarto Hamdi já estava deitada e fingia dormir, permanecendo assim até que seus anfitriões despertassem na manhã seguinte. Já passava das nove horas e ela aceitou o desjejum que lhe foi oferecido, conversou normalmente, mas não conseguia mais sorrir e, quando a Duquesa fez alusão a esse fato, usou a desculpa que estava cansada e se ressentindo por causa de uma noite de muitas atividades sexuais e muito álcool, sem que nenhum dos dois nobres se lembrassem que ela não tinha consumido uma única gota de bebida.
Voltando para casa no carro do Duque, Hamdi teve que aturar os olhares de repulsa do motorista que provavelmente se ressentia de estar transportando uma mulher negra e, examinando-o com atenção, pensou:
“Será que se ele soubesse que eu fodi o cu do patrão dele com o dedo estaria com essa cara de nojo?”.
(IMAGEM: https://postimg.cc/VrYGxSrK)
Depois concluiu que o motorista não era de se jogar fora e até daria para o gasto, porém, a postura dele a deixava enojada e dedicou a ele o mesmo tratamento. Tomou um banho rápido e conseguiu dormir até o meio da tarde e, quando acordou, a primeira lembrança que lhe veio à mente foi a da Duquesa e os alemães no jardim do palacete. Aquilo era muito estranho e merecia ser visto com mais atenção, o que significava que teria que voltar ao local.
(*) Schutzstaffel (SS) foi uma das maiores organizações paramilitares e ideológicas da Alemanha Nazista, sob o comando de Adolf Hitler e Heinrich Himmler. Atuou como força de elite, polícia e braço militar (Waffen-SS), sendo central no Holocausto, no terror estatal e na administração de campos de concentração, destacando-se pela brutalidade. (Widipédia)
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