Boa noite pessoal, segue mais uma parte só com drama. Próxima postagem semana que vem, dia 30 de abril por volta das 19:00h.
Submisso daquele cara – Isso é um namoro ou uma relação de dominação? – parte 1 de 1.
Estávamos juntos ha cinco meses, foi o maior tempo que tive com um dom. Estava usando o cinto há dois meses, com poucos dias sem poder tirar e gozar, bem… acho que não passou de cinco dias que fiquei sem o cinto. Minha relação com o Renan seguia normal, com ele cada mais rígido comigo. Nos víamos duas ou três vezes na semana. Agora ele também mandava eu caminhar ou correr ao menos três vezes na semana, geralmente antes do trabalho. Inicialmente acordava com ele ligando e me xingando porque não estava indo, mas logo me acostumei. Depois de duas semanas estava me sentindo bem melhor. Dormia ainda melhor, ia ao banheiro regulamente, ficava mais disposto tanto para trabalhar quanto para estudar.
Confesso que os ganhos na vida por ter ele ao meu lado eram claros. Até minha fisionomia mudou uma vez que passei a beber menos, me exercitar, dormir mais. Olhando as minhas fotos percebia como estava mudado. Havia mais suavidade no meu rosto, menos olheiras, havia emagrecido também.
Mas nem tudo são flores. Essa vida como submisso que resolvi aceitar tinha muitos reveses. Se por um lado estava de fato mais disciplinado, até mesmo resiliente, por outro estava me sentindo só. Queria sair a noite novamente, beber sem ter hora para voltar. Ter meu tempo com meus amigos. As vezes me sentia solitário.
Acho que tudo é um equilíbrio, para a disciplina e a resiliência chegar precisava abrir mão de algo. A vida como submisso impôs mudanças drásticas na minha vida. Se eu estava certo estava certo ou errado só o tempo vai dizer.
Era uma quarta feira quando sai mais cedo do serviço e fui para a praça de alimentação. Estava com fome e hoje comeria alguma besteira, talvez um hambúrguer. Mereço também gastar um pouco comigo. Enquanto andava pela praça, para minha surpresa, vi Renan sentado em uma mesa com um rapaz mais novo que eu. Inicialmente estranhei os dois conversando e, sem dizer nada apenas observei.
Mandei mensagem para o Renan depois de um tempo perguntando onde ele estava, ele pegou o celular, olhou e depois guardou. Pude ver a confirmação da leitura. Achei aquilo bem estranho. Senti uma coceira de leve no estômago, aquele incômodo chato, mas não disse nada. Não tinha motivo para ciúmes. Fui comprar meu hambúrguer mas acabei perdendo a fome. Logo sai da praça e sentei em um banco qualquer. Liguei para ele e o telefone tocou ate desligar.
Talvez estivesse ocupado, talvez fosse um amigo ou até mesmo outro submisso. Já havia ficado com Renan e outra pessoa mais de uma vez, inclusive quando o conheci ficamos com um amigo “hetero” dele. Resolvi ir para casa.
Não consegui estudar naquele dia, fiquei deitado na cama pensativo. Mandei outra mensagem para ele e ele apenas visualizou e não respondeu. Perguntei se estava tudo bem e ele disse comente: "sim".
Por volta das dez horas ele me ligou, disse que estava ocupado e por isso não respondeu. Perguntei com o que estava ocupado e ele disse “estava ocupado”.
Confesso que fiquei chateado com isso. Logo dei boa noite e fui dormir. No dia seguinte acordei com mensagem dele de bom dia. Apenas respondi e não rendi qualquer conversa. Ele tentou puxar assunto e eu apenas respondi. No final dia ele me chamou novamente.
- Agarrou hoje? Quase não falou comigo – disse ele na ligação.
- Sim, estava com muita coisa para fazer – disse desanimado.
- Vou te buscar, estou com saudades - disse ele.
- Eu estou cansado hoje, quero ir para casa descansar. Conversamos depois tudo bem? - perguntei para ele.
- Ok… - disse ele e depois desligou.
A noite ele me ligou. Ele liga a todo dia, religiosamente, as dez horas em ponto. Ele era muito metódico com as coisas. Atendi e ele veio me perguntar se tinha acontecido algo, pois eu estava estranho. Pensei um tempo e então ele disse.
- Fui na praça ontem e te vi com um rapaz - disse para ele. - Te mandei mensagem, liguei na hora e não respondeu e recusou. Depois perguntei o que estava fazendo e não respondeu.
- Ah... ele era um submisso. Ficava com ele há um tempo. Ele vem conversando comigo esses dias. Estava querendo ficar novamente – disse ele naturalmente.
Aquilo bateu fundo em mim. Logo meu coração ardeu. O rapaz era lindo, magro, olhos claros.
- Entendi - disse para ele não querendo dizer nada. Em todas as brigas que tivemos foi pior para mim.
- Só vai dizer isso? - perguntou Renan. - Estava me vigiando?
- Não, apenas vi o senhor, não fui direito pois não sabia quem era, por isso liguei e mandei mensagem – disse para ele me justificando.
- Queria conversar com ele, a conversa estendeu de mais, ia te buscar mas acabamos bebendo e conversando na hora. Por isso não avisei que ia.
- Entendi.
Ficamos um tempo sem falar nada, e o silêncio foi desconfortável.
- Por que não me falou quanto perguntei onde estava? - perguntei para ele.
- Não devo satisfação do que faço para você - disse ele serio. - Quem me deve satisfação é você e não o contrário.
Fiquei calado, mais um soco na boca do estômago.
- Entendido?
Pensei um pouco.
- Entendido? - chamou ele novamente.
- Não – disse para ele. - Eu tenho sim o direito de saber onde o senhor está. Estamos juntos, numa relação. Eu posso ficar preocupado com.
- Não venha com drama – disse ele. - Sabia onde eu estava, tinha me visto na praça de alimentação – finalizou ele. - Está é com ciumes.
Aquilo me deixou irritado, mas me contive e não disse nada. Novamente um silêncio chato. Eu tava muito puto. Nunca achei que o Renan poderia me trair ou ficar com outra pessoa, não sem eu estar junto, pelo menos. Ele era meu dominador… ele poderia ficar com quem quisesse e eu deveria ser fiel a ele… eu… eu nem sei como deve ser essa relação esquisita que a gente tem.
- Quer dizer algo? - questionou Renan depois do silêncio desconfortável.
- Não, vou dormir, estou com sono - disse para ele. - Boa noite.
- Boa noite, dorme bem.
Aquilo tudo me deixou muito confuso, sendo bem honesto. Como dominador ele poderia ficar com outras pessoas? No geral sim, mas minha relação com ele não era somente uma relação entre dominador e submisso. Ele me colocou uma aliança, falou que me ama. Fiquei confuso e confesso, com muito ciúmes. Fiquei com aquilo na cabeça. Aquele rapaz era lindo. Meu coração ardia quando pensava na forma que o Renan falou comigo. Ele foi grosseiro, rude, mas de uma forma diferente de como é geralmente. O que me confortava era pensar que era submisso e isso não era um problema, mas ficava em pânico só de pensar naquele rapaz ficando com ele. Entre eu e ele o Renan escolheria ele fácil. Ele é submisso, é bonito…
O pior de ficar com o Renan é constante comparação que faço entre mim e a beleza dele. Nunca tive problema de autoestima, mas sendo honesto, agora tudo parecia bem confuso para mim.
No dia seguinte fui trabalhar emburrado e sem paciência. Ele mandou bom dia como sempre faz, respondi, mas não dei muita atenção para ele. O dia passou lento e quase não conversamos. Eu não sabia o que fazer. Estava com muito ciúmes dele. Com outros dominadores isso não aconteceu, fiz muita suruba por ai, já fui divido por outros dominadores. A lista de experiência era extensa, mas com o Renan... o celular vibrou, era uma mensagem dele.
“Vai ficar emburrado ate quando?” perguntou Renan pela mensagem.
“Não estou emburrado”, respondi.
“Está sim. Não está falando comigo direito, mal responde o que mando”.
“Eu só fiquei confuso”, disse para ele.
“Com o que?”
“O senhor falando com o outro submisso. Está ficando com ele?”
“Não”.
Senti aliviado.
“Pensei que estivesse”, disse para ele.
“E se ficasse, qual o problema, não achou ruim com o Cláudio”.
“É diferente. O Cláudio não era submisso de verdade”.
“Submisso é submisso, não tem diferença alguma”.
“O Cláudio é homão, grande, forte. Por algum motivo fiquei com ciúmes dele”.
“Claro, viu ele e achou que ele ia te comer”, disse Renan.
Aquilo é verdade, apesar de nunca ter dito.
“Mesmo assim”.
“A diferença desse é que é tão submisso quanto você, mais passivo se duvidar. E você percebeu isso, por isso está achando ruim.”
“Não achei ruim. Não sei de onde o senhor essas coisas, não tem nada a ver.”
“Então me diga o porque se incomodou com ele?”
Como eu poderia dizer a verdade? Meu medo era o Renan me trocar por ele, visto que ele é mais bonito que eu, submisso.
“Achei estranho somente, vamos deixar isso para lá”.
“Agora eu quero saber, passou quase dois dias me dando gelo, agora fala”.
“Eu só me senti um pouco inseguro, vi o senhor com outro sub, não me atendeu, fiquei meio inseguro”.
“É mesmo, com o quê?”, perguntou Renan.
“Vamos deixar isso para lá, não quero fala sobre”.
“Ultima vez que disse que estava inseguro estava achando que tinha vergonha de você”.
“Momentos antes do seu ex aparecer e me agredir”.
Ele começou a digita e parou.
Suspirei e olhei a loja, estava vazia. Fui até o estoque e sentei na escada.
“Vai usar isso contra mim quando ficar irritadinho”, perguntou Renan.
“Eu não usei nada, foi o senhor quem jogou na minha cara um momento de insegurança”.
“Não, apenas lembrei seu último momento de insegurança e como você estava equivocado”.
“Esquece isso Renan”.
“?”.
“Desculpe, senhor”, disse me sentindo idiota fazendo isso. Nos momentos de raiva isso soava esquisito.
“Me diga, por que está inseguro”, questionou novamente Renan.
“Eu não quero mais falar sobre isso”, disse para ele.
“Diz, agora!”, mandou ele.
“Não!”, respondi somente.
“Eu te digo então, já que se recusa a dizer e iniciou essa conversa inútil comigo”.
“Diga”, provoquei ele.
“O motivo é ele o fato dele ser mais bonito que você. Obviamente ficou com medo de trocar por ele. Na sua cabeça insegura deve ter ficado pensando nisso.”
Aquilo que ele disse me pegou em cheio. Senti meu coração apertar na hora. Senti envergonhado também.
“É isso?”, Perguntou.
Olhei para a tela do celular incrédulo.
“Responde, porra!”
Eu simplesmente não sabia o que dizer. Na hora talvez devesse ficar com raiva. Mas na hora só consegui a ler “é o fato dele ser mais bonito que você”. Era uma afirmação direta.
“Responde porra!”
“É isso que você acha?”
“Corrige a frase e coloca o senhor nela, não me faz raiva. E sim, o Fernando é MUITO mais bonito que você. Agora corrige a frase”.
Fiquei calado. Não estava acreditando no que estava vendo.
“Corrige a frase agora!”
“É isso que o senhor acha?", disse corrigindo.
“Já passamos da fase de você não me chamar de senhor”.
“Eu não estou acreditando me mandou isso”.
“Que o Fernando e mais bonito que você? Ele é, isso é um fato que qualquer pessoa pode concluir com poucos segundos ao olhar para você e para ele. Acha que eu vou ficar fomentando sua baixa autoestima para sempre? Se valorize mais ”.
Meu olhos encheram-se de lágrimas.
Mesmo por mensagem senti como as palavras dele foram duras.
“Estou cansado de ficar acudindo esse lado frouxo seu. Que merda de autoestima é essa? Um homem da sua idade nessa frescura da porra. Pois saiba que ele não só e mais bonito que você de rosto, ele também tem a rola maior, e magro e não tem o corpo cheio estrias. Está satisfeito agora?”
Não conseguia dizer nada. Na verdade olhava para o celular incrédulo.
“Vamos deixar as coisas bem claras. Eu amo você, quero você comigo na minha vida, mas não somos iguais. Eu sou dominador aqui, e se eu quiser ficar com o Fernando eu vou ficar. Se você achar ruim te ajoelho no quarto de frente para a cama e te faço assistir. Coloco você para dormir no chão enquanto durmo com ele. Estamos entendidos?
Eu não sabia o que dizer. O sentimento de impotência tomando conta de mim. Poderia até sentir raiva na hora, mas as palavras do Renan, mesmo por mensagem, me cortaram todo por dentro. Será que eu me iludi nessa relação.
“Essa é a última vez que te falo isso hoje, quando te perguntar algo a resposta é sim, senhor!”
“Sim, senhor” disse para ele. Os olhos cheios de lágrimas.
“Tenho que trabalhar, ate mais. Te busco mais tarde hoje, não demore”.
[…]
Mais tarde, naquele dia sai do serviço e ele estava na porta da loja me esperando. Ele havia largado serviço e ido em casa. Estava com uma calça de moletom, tênis e camisa polo. Olhei para ele, geralmente sorria ao velo mas hoje... sinceramente nem queria vê lo.
- Boa noite – disse ele sério, o olha intenso me invadindo.
- Boa noite, senhor – disse desanimado e cansado. Estava meio triste com a forma que ele falou, apesar de serem verdadeiras.
- Como foi o dia? - perguntou ele.
- Cansativo, como sempre - respondi.
Ficamos calados um tempo enquanto andávamos pelo shopping. Acho que ele notou que estava abatido, mas não disse nada.
- Vou trabalhar até mais tarde e todos os dias da semana – disse Renan. - Muita coisa acumulada para fazer. Acho que vai ser mais difícil nos vermos.
Estava me dando satisfação da vida dele? Curioso, pensei.
- Ok. Nos vemos depois então - disse meio apático.
Ficamos calado enquanto andávamos pelo shopping. Eu estava um pouco cansado e não queria muito papo com o Renan. Ele parecia sério e não dizia nada.
- Quer fazer algo hoje? - perguntou ele sério, mas a sobrancelha dele arqueou, quase que vi um sorriso de canto de boca nele.
- Não... sinceramente quero ir para casa somente. Estou bem cansado – disse desviando o olhar.
- Vou te levar então - disse ele sem render muito.
Logo ele me levou em casa e não falamos muito durante o caminho. O carro ficou um silêncio completo. Sinceramente de tudo que aconteceu o Renan ter dito o que disse me deixou bem para baixo. Não sejamos ingênuos, eu não era bonito como ele ou como as pessoas do ciclo dele. Renan tinha cara de rico, aquele rapaz que ele conversava tinha cara de rico. Ambos eram padrões. Na boa, eu me achava feio perto deles e ouvir aquilo do Renan me deixou chateado, mas enfim, coisa minha. E de todo modo, não era mentira as duas palavras dele.
- Vai ficar emburrado por conta do que falei? - perguntou ele.
- Não - disse para ele prontamente. - O senhor não disse mentiras, então não tem porque ficar emburrado.
- Hum.
Suspirei audivelmente. Estávamos quase chegando em casa.
- Não gostei de ver você com ciúmes - disse Renan me olhando enquanto dirigia. - Eu não sou seu namorado, se quiser ficar com alguém eu não te devo satisfação.
- Eu sei disso - disse para ele sem rodeios. A dura realidade da nossa relação. - O erro foi meu, interpretei as coisas de outro jeito.
- Achou que eu era seu namorado e ia ficar te dando presente e te paparicando - disse Renan. - Não sou e não vai ser assim. Não espere isso da nossa relação.
Aquilo me irritou.
- Quer se volta - disse entregando o iphone para ele.
Ele me olhou surpreso, o rosto sempre inexpressivo mostrou uma rara surpresa.
- Não foi o que quis dizer – disse ele.
- Foi o que pareceu. Eu não te pedi nada – disse para ele. - Vou comprar um celular e te devolvo, pode ficar tranquilo – disse para ele. - E caso queira me dar qualquer outra coisa que não tenha relação com o fato de ser submisso eu vou recusar.
- Porra! Não foi isso que quis dizer! Que drama da porra você ta criando.
- Foi exatamente, com todas as palavras, o que o senhor acabou de dizer – disse para ele.
- Foi em um contexto diferente, não se faça de burro – disse Renan agora irritado.
Suspirei fundo. Não queria brigar com ele.
- Me desculpe - disse para ele. - Não precisa de me dar satisfação de nada e também não vou perguntar mais qualquer coisa que vai além da minha posição de submisso. Pode ter certeza que isso nunca mais vai acontecer.
O carro parou na porta do prédio que morava.
- Boa viagem para o senhor e boa noite - disse descendo do carro.
Renan me olhou sério e não disse nada, o olhar me avaliando.
- Deseja algo? - questionei.
- Boa noite! - disse ele saindo dando partida no carro.
[...]
Mesmo com os sentimentos confusos e o desconforto não abandonei a rotina e estudei como era para estudar. Senti realmente falta de sair com meus amigos essa noite. Pensei em reativar as redes sociais, mas mudei de ideia. Confesso que nessa noite me senti muito só. Não me sentia assim há muito tempo. Apesar de me sentir meio solitário devido a nova rotina da minha vida, sabia que o Renan sempre estava ali.
As coisas com o ficaram estranhas. Pensei em mandar mensagem para ele mas, a ideia de que ele poderia estar com o outro submisso me fez não enviar a mensagem várias vezes. As dez horas ele me mandou:
“Estudou?”
“Sim senhor”, respondi.
“Ótimo. Boa noite, dorme bem meu Estressadinho”.
“O senhor também”, respondi alguns minutos depois.
Deitei desanimado e fui dormir.
[…]
Mesmo com as coisas estranhas entre mim e Renan ele disse que não ia mais adiar o encontro com meus amigos. Sendo muito honesto eu não estava com vontade alguma de ver ele. Talvez estivesse sendo fresco e deveria aceita a verdade que ele disse.
Tentei dissuadir Renan desse encontro, mas disse que o encontro não seria desmarcado. Renan acreditava que a imagem dele era a pior frente as pessoas que conviviam comigo e queria mudar isso. Algumas das coisas que ele achava que meus amigos pensavam não estavam totalmente erradas, mas preferi não dizer isso a ele. Era fato que saia menos e a proximidade com meus amigos caiu drasticamente.
Estávamos no carro indo para o encontro. Eu ainda estava calado e desanimado, olhava a rua sem falar nada com ele.
- Ainda está chateado com o que falei – disse perguntou Renan. - Já tem três dias isso.
Pensei em falar com ele, mas respirei fundo e não disse nada.
- Eu não disse que você é feio, só falei que o Fernando é mais bonito, e ele é mesmo, o cara é modelo – disse Renan. - Ele é mais bonito que eu.
Achava que Renan não poderia mais piorar as coisas… Modelo, o cara era modelo.
- Tudo bem, deixa isso no passado – disse para ele. Esperei um pedido de desculpas dele que não veio. - Mas não entendo essa insistência para conhecer meus amigos. Isso é claramente uma coisa que namorados fazem.
Renan não respondeu, o silêncio se prolongou e eu achei que ele ia me deixar no vácuo, logo virei para a rua novamente.
- Aos olhos de todos é o que somos – disse Renan quebrando o silêncio. - E eu amo você. Amo muito mais do que imagina. Ser seu dono não me impede de te amar e querer te fazer feliz. Por isso quero conhecer seus amigos e deixar uma boa impressão – disse dando uma pausa. - Mas meu jeito ogro e autoritário vai ter que encontrar um jeito de suportar. Esse é meu jeito te de amar.
Por mais que estivesse chateado com ele aquilo me tirou um sorriso.
- Ok, vamos virar a página nessa história, como você disse – disse Renan olhando a rua. - Vou precisar encontrar um colega de trabalho, vou te deixar no bar e encontro vocês depois. Não vou demorar.
- Sim, senhor.
Ele me deixou no bar e saiu para o seu compromisso. Jorge foi o primeiro a chegar, visto que morava próximo ao centro. Estava sentado tomando uma cerveja e fumando. Ele me olhou meio sem graça, achou que eu estava vindo com o Renan. Desde que ele tentou me beijar não falamos no assunto e ele desconfiava que eu tinha contato para o Renan.
Vesti a minha marcara de falsidade e fingi estar de boa e alegre. Não queria transparecer que estava chateado. Não era bom para mentir mas bastava ser alegre e ficar perguntando coisas para desviar o assunto de mim. Sempre dava certo.
Franciele chegou logo em seguida com sua namorada, Lindsey. Thiago havia chegado também, animado e espalhafatoso como sempre.
Era uma noite de sábado, a rua estava movimentada e os bares cheios. Esse bar era bem no centro, frequentado majoritariamente por LGBTs. Era um copo sujo, nada que aparentemente o Renan estava acostumado. Não entendia bem o cargo dele, mas sabia que ele ganhava bem. Nas redes sociais dele vi fotos fora do país e em vários lugares diferentes.
Renan não demorou para chegar. Ele costumava ser bem pontual. Ele me mandou mensagem falando que estava chegando e eu reforcei com ele a forma de me tratar perto do meus amigos. Ninguém sabia dos nossos fetiches e o tipo de relação que a gente tinha. Ele mandou um “Você já falou isso uma vintes vezes, mas meu jeito autoritário não vou mudar”, sempre respondia “é, o senhor disse isso vinte vezes também”. Falei varias vezes que não ia chamar ele de senhor na frente deles até ele ficar estressado. Nesse ponto tive certeza que a mensagem foi assimilada.
Ele estava muito bonito como sempre quando chegou.
- Pessoal, esse é o Renan – disse apresentando ele. A visão que tiveram foi o Renan usado uma camisa polo rosa claro, jeans e sapatênis (o básico que ele gostava). Estava muito cheiroso. A camisa destacava os peitos musculosos e estava justa nos braços, evidenciando os bíceps definidos. Estava com o bigode mais grosso e a sombra da barba estava quase por fazer. Os olhos azuis mesmo naquela claridade se destacando. O cabelo castanho claro estava aparado com máquina, como sempre. Estava com um relógio e uma pulseira de prata no punho esquerdo.
- Esse o Thiago, a mais passiva da mesa – disse apresentando o Thiago, que olhou com desdem para mim. Era um rapaz magrinho, muito alto, um pouco mais velho que eu. Tinha rosto fino e cabelo alisado, num topete. Era um amigo de longa data.
- Ô bicha, faz raiva não! - disse ele virando os olhos. - Oi gato! – disse para Renan.
Renan sorriu.
- O jorge você conhece – disse apresentando um mal-humorado e vergonhoso Jorge, que cumprimentou Renan sem jeito. Ele desconfiava que tinha contato para o Renan sobre o beijo então estava com medo de uma cena com o Renan.
- Tudo bem? - perguntou Renan simpático.
- Tudo ótimo – disse Jorge constrangido.
- Franciele, a sapa do grupo – disse mirando Franciele, que sorriu.
- Enfim trouxe o boy pra sabatina – disse ela sorrindo. - Prazer Renan.
- Ele fala bastante de você – disse Renan sorrindo.
- E essa é… - disse quando Lindsey, a namorada da Franciele disse, gaguejando.
- Te… te… te... Tenente?! - Lindsey pareceu totalmente surpresa. Ela era uma mulher magra e alta, com cabelos lisos pretos soltos. Tinha olhar marcante, com olhos escuros e brilhantes. Não gostava de usar maquiagem e era um tanto calada. Era boa de copo e eu e ela já passamos noite bebendo naquele mesmo bar.
- Oh… Lindsey! – disse Renan também surpreso, a testa franzida.
- Você se conhecem! - disse animado olhando para os dois. Não percebi um leve clima esquisito.
- Nós trabalhamos juntos – disse Renan sorrindo. Logo ele se sentou ao meu lado. - Tudo bem?
- Tudo – disse ela um pouco sem jeito.
- Então esse é o famoso Renan – disse Franciele colocando cerveja para ele.
- Famoso? - questionou ele sorrindo.
- Um certo “Estressadinho” fala muito de você – disse ela rindo.
Ele sorriu, mas não disse nada.
- É o gato que roubou o coração do meu amigo – disse Thiago com a mão aberta na bochecha apoiando o rosto. - Raro isso viu. No lugar do coração ele ter um carvãozinho.
Eles estavam me deixando constrangido. Bando de idiotas.
Jorge ficou calado, totalmente sem jeito.
Renan olhou para ele curioso. Ficamos juntos na cadeira, ele colocando a mão na minha coxa. Logo ele deu um gole na minha caipirinha.
- Não vai dirigir hoje?
- Não, vim sem carro para poder beber, passei em casa rapidinho depois que te deixei aqui – disse Renan bebendo a caipirinha sem fazer qualquer cara feia. Aquele caipirinha estava horrível! - Então eu trabalho com a namorada do meu namorado – disse ele olhando para Franciele.
- Mundo pequeno não é? – disse Franciele me olhando.
- Sim – respondeu Renan dando outro gole na caipirinha.
- Até firmaram compromisso – disse Franciele olhando a aliança na minha mão direita. - Já tacou uma aliança no dedo do meu amigo.
Renan sorriu satisfeito.
- Claro, é o amor da minha vida – disse Renan com semblante feliz. - Já coloquei logo uma aliança pra mostrar que é meu.
Eu fiquei totalmente sem jeito, minhas bochechas arderam. Todos começaram a rir. Franciele ficou “ai que bonitinho”. Jorge era uma incógnita enquanto Thiago fazia um não com a cabeça debochando de mim.
No geral Renan conversou e foi simpático com todos. Ali era impossível saberem que ele era meu dominador. Bebemos bastante e eu comecei a ficar um pouco tonto. Em um momento Jorge começou a fumar e Thiago xingou ele:
- Ah não gay! Sai com essa porra daqui! – disse ele abanando o ar para dissipar a fumaça do cigarro. Irritado Jorge levantou e foi fumar mais afastado, Renan foi atrás para fumar também.
“Paciência com ele, é o amor da sua vida que está pedindo kkkkk” – mandei a mensagem para ele, que visualizou e não respondeu. Nos últimos dias foi um raro momento feliz.
- Me diga Lindsey, vocês trabalham juntos, que coisa hein? - disse olhando para ela.
Ela olhou desconfiada vendo se ele estava longe. Ele estava na esquina, aparentemente conversando com Jorge enquanto fumava. Algo que definitivamente não ocuparia minha mente agora. Confiava que o Renan não faria uma cena com o Jorge.
- Amigo, as mulheres são todas loucas com ele – disse Lindsey baixo, colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha. - Eu nunca pensaria que o Tenente Moreira é gay. Caralho! Eu estou em choque. E ainda é assumido, está aqui de mãos dadas com você todo carinhoso, cuidadoso, falando que é o amor da vida dele. Parece outra pessoa.
- Arrasou no boy amigo – disse Thiago baixo. - Fiquei sabendo que arrasa na cama e que a mala é boa.
- Enorme mesmo – disse olhando para ele. - Depois te mostro um nudes. Ele realmente parece ser discreto mesmo – disse voltando o olhar para Lindsey. -E como é trabalhar com ele? Ele parece ser muito sério. Até comigo é. Tem jeito de ser bem bravo.
Ela respirou fundo e me olhou um tempo. Ela pensava se responderia ou não.
- Olha amigo, sendo bem honesta… ele é mó cuzão com todo mundo.
Me surpreendi. Fran e Thiago também.
- Sério? Ele é tão bonzinho comigo – menti descaradamente para eles. - Ele faz tudo para mim.
- Porque está apaixonado com você e te comendo bastante aparentemente, por isso não é cuzão com você também – disse Lindsey olhando se eles ainda estavam fumando. - De fato de uns tempos para cá ele foi visto sorrindo sozinho e aparentemente feliz. A gente tava suspeitando disso mesmo, dele ter arrumado alguém. Jamais pensaria em um homem. Ainda mais você, toda assumida.
- Sério amigo, seu namorado é um cuzão com todo mundo – disse Lindsey. - Não vá contar para ele.
- Sério? – aqui me deixou um pouco frustrado, mas não surpreso, sendo bem honesto. Comigo ele também era. - O que ele faz?
- Antes… vocês brigaram há algumas semanas? - perguntou ela.
Foi o dia do cinto de castidade e aquele domingo maldito. Não gostava nem de lembrar.
- Sim, a gente desentendeu feio e quase terminamos esses dias para trás – disse para ela.
- Sabia! - disse Lindsey baixo. - Foi em um domingo. Amigo, ele ficou o domingo inteiro calado olhando o telefone. Nem conversou com a gente. Nunca tinha visto ele tão abatido. A gente achou que ele tinha terminado com a mulher que tava ficando – finalizou ela rindo.
Ele tinha dito mesmo que o dia havia sido péssimo.
- Mas diz ai gata, como é trabalhar com o boy delícia do meu amigo – perguntou Thiago, louco com a fofoca.
- Tem os prós e contras de trabalhar com ele – disse ele enchendo o copo com cerveja. - Ele é muito rígido com todas as regras, incluindo horários. Gosta de tudo feito nos mínimos detalhes. Não pensa duas vezes antes de soltar um esporro na gente. Pessoal tem receio com ele. Por outro lado, quem trabalha direito não tem problema e ele é bem leal. Ele defende os dele. Eu mesmo gosto de trabalhar com ele. Percebo que instintivamente outros gays também gostam, agora percebo o porquê. É cheio de gay onde a gente trabalha. Como ele é muito reservado com a vida pessoal ele não costuma se envolver com a vida dos outros. Para ter uma ideia ninguém tem as redes sociais dele.
- Entendo, ele é uma espécie de líder então – perguntou Thiago.
- Sim, literalmente falando. Ele é Primeiro Tenente, sendo assim supervisiona equipes, faz planejamento e acompanha a gente em operações mais complexas – disse Lindsey colocando uma mexa do cabelo atrás da orelha que insistia em cair. - Em resumo seria isso.
- E ele é um bom chefe?
- É sim – respondeu Lindsey. - Mas como disse, ele é muito autoritário e até meio bruto com todo mundo. Essa semana mesmo – continuou ela observando eles ainda estavam fumando.
O Renan ser dominador no ambiente de trabalho não é surpresa alguma. Isso adiciona algumas camadas no que conhecia sobre ele. Mas surpresa? Via o Renan exatamente assim, mas não fazia deia de que ele era uma espécie de líder.
- Foi ele que deixou chorando aquela vez? - perguntou Fran, séria.
- Sim, foi – disse Lindsey.
- Meu Deus, eu não sabia! – disse chocado.
- Mas foi meio que culpa minha também. Dei uma mancada feia lá, pior do que essa que acabei de contar. O Tenente assumiu a culpa no meu lugar e quem levou o esculacho foi ele – disse Lindsey. Ela olhou para Fran. - Amor, por mais que acho que ele tenha sido bem bruto comigo, acho que ele levou pesado dos superiores também. Ele chegou meio pálido quando veio conversar comigo, nunca tinha visto ele daquele jeito. Poderia ter sido muito pior para mim se ele não tivesse assumido a minha culpa. Poderia até sofrer algum tipo de punição.
Franciele suspirou.
- Estou entre gostar e odiar ele – disse Franciele com a expressão fechada. - Mas ele te protegeu, levou a culpa por você. Isso faz dele uma pessoa realmente leal aos seus, um líder que cuida, apesar do jeito dele. Mas como ele ousou te deixar chorando? Vontade de voar nele.
Nãooooo, pensei em pânico, meus amigos precisam gostar do Renan! Como eu contorno isso?
- Pensa pelo seguinte lado Amor, me sinto segura com ele – disse Lindsey por fim. Eu ia sair em defesa dele instintivamente, mas Lindsey o fez primeiro. Percebi que ela tentava desfazer a impressão que todos ficaram quando disse que ele era cuzão. Talvez tivesse medo que eu contasse para ele.
- Digo, sério mesmo – continuou ela após um gole da cerveja. - Trabalhando com ele sinto que tem alguém que vai ficar do meu lado se der ruim. E isso é importante para mim, ainda mais por ser mulher e saber que ele é respeitoso e toma conta da equipe dele. Me sinto segura. Por isso nas várias oportunidades que tive de mudar eu recusei. Na verdade o pessoal no geral não quer sair de perto dele, apesar do jeito autoritário e bruto dele. Quando estamos em uma operação mais complexa ele se coloca a frente, uma vez quase levou um tiro por conta de um sargento. O tenente é foda nesse sentido. Mas o esculacho... bem… direto tem um levando. Ele só me xingou essa vez pelo menos.
Aquilo me aliviou um pouco… Fran esmoreceu.
- Se você se sente segura com ele – disse Franciele dando os ombros. - Sem falar que você realmente disse que não queria sair do local que estava, disse isso várias vezes. Esse é um baita ponto positivo do Renan, ainda mais por você ser mulher e se sentir segura. O fato dele ser respeitoso. Morro de medo de você na rua com esse monte de malandro e lá dentro com aquele tanto de homem. Mas pelo que falou ele parece ser muito grosso e escroto. Não me sinto a vontade sabendo que ele pega no seu pé.
- Não pega Amor, ele só me xingou essa vez. Ele pega no pé de quem faz besteira, gente preguiçosa, isso é verdade, ele solta uns esporros que até assusta. Ele é muito rígido com as regras também – disse Lindsey bebendo. - Se você trabalha direito ele não pega no seu pé. Aquele caso meu foi um descuido meu. Amigo eu sinceramente tenho dó de você com ele – disse ela se voltando para mim. - Ele parecer ser muito bravo e muito certinho. Sendo honesta… ele parece ser controlador e ciumento. Ele é?
- Ciumento sim – disse para ela, e controlador também, mas evitei de dizer. - Controlador até que não. Eu não sou muito difícil de me relacionar também. E ele é bem cuidador e protetor. Até romântico, de um jeito meio… rústico.
Do jeito que fala que outros são mais bonitos que você, pensei excluindo essa parte da minha resposta.
- Uma pessoa com apelido “Estressadinho” é o oposto de alguém fácil de se relacionar amigo – disse Thiago olhando se eles estavam voltando. - A primeira impressão que tive foi bem positiva. Ele é bonito, ficou grudado em você o tempo todo. Tem um ar meio protetor, sabe. Esses homens padrões iguais a eles são tudo insuportáveis.
- Ele é bem bonzinho – disse para eles, apesar de nos últimos dias ele estar bem grosso comigo. - É romântico, vive sorrindo pra mim. Tem lá os dias que ele é difícil, mas no geral é tranquilo.
- Ele é um fofo – disse Fran com sua variação entre gostar e criticar Renan indo de um extremo ao outro.
- Mas então Lindsey, o pessoal respeita muito ele?
- Muito – disse Lindsey olhando novamente se ele estava voltando. - Muita gente se inspira nele. Ele tem muito orgulho de ser militar, honra a farda. Ele é correto em tudo, paciente com quem precisa. Ajuda todos. É o tipo de pessoa que faz a diferença na corporação. Como disse, tem os prós e contras de trabalhar com ele, mais inclinando para prós que se sobressaem.
- Imaginava que ele era meio sério no trabalho, mas não tanto – disse para ela. - Ele é um amor comigo, faz tudo que eu quero – menti na cara dura sobre ele ser um amor e sobre fazer tudo para mim. Mas queria livrar ele da imagem negativa. Bebi na hora para dar uma pausa.
- Não vai falar nada com ele – disse agora apontando o dedo. - Eu não quero problemas com o Tenente Moreira.
Tenente Moreira… ah meu Deus. Que estranho se referir a ele assim. Eu nem sabia que ele era Tenente. Na verdade nem sabia o que era um tenente.
- E tenente seria… - questionei.
- Faz parte do quatro de oficiais – disse Lindsey explicando a hierarquia miliar. - Eu sou cabo, do quatro praças. O quadro de praças tem o Soldado, Cabo, Sargento e Sub Tenente. Ele é primeiro-tenente, que seria um posto abaixo do Capitão do quadro de oficiais. Que inicia com o Aspirante, Tenente, Capitão, Major, Tenente-coronel e Coronel. Tem suas nuances mas em resumo é isso.
- Entendi – disse para ela. Na verdade nunca tinha pensando no que ele faz no trabalho dele.- Tenente é um cargo importante então. Achei que ele era um guardinha.
Lindsey deu uma risada alta.
- Não o chame assim – disse ela rindo. - E sim, é uma liderança. Conversa com prefeitos, deputados, juízes… goza de alguns privilégios – disse Lindsey. - Tem um salário muito bom inclusive.
Como estou com ele ha cinco meses e nunca tive interesse de saber do trabalho dele. Então ele era impostante, conhecia gente importante.
Essa rigidez toda se aplicava a mim também, pensei dando um gole na cerveja. E mal sabe ela que ele era tão ou talvez mais rígido comigo. Sei bem como é levar um esporro dele. Levei vários já. Diferente dos colegas de trabalho que levavam somente um xingo, eu levava muito mais. As vezes o esporro vinham com tapas, cintadas, castigo ajoelhado.
- Claro, não vou falar nada, pode ficar tranquila – tranquilizei ela.
Logo fui ao banheiro. O bar que estávamos era literalmente um copo sujo. O banheiro tinha somente uma cabine e estava com a fila enorme. Havia pensado bem como mijar quando desse vontade, porque não seria possível sentar.
O banheiro estava imundo, com mijo pra todo lado, o chão molhado e bem fedido. O vaso branco não tinha tampa, os azulejos brancos do piso e do chão ou estava falhados ou rachados. Havia varias assinaturas e inscrições nas paredes com números de telefone, declaração de amor, propaganda de michês e todo tipo de coisa. Não havia papel higiênico para limpar o vaso para sentar e a pia ficava ao lado de fora. Poderia fazer alguns malabarismos para poder mijar mas fiquei com medo de cair naquela imundice. O meu plano foi levar o copo.
Tirei o pau pra fora, vi o cinto de castidade e o cheirinho de sebo subiu. Estava acostumado e vou falar com você: gostava do cheiro da minha rola. Mas enfim, voltando, a ideia era mijar no copo até ele encher, travar o mijo e jogar tudo no vaso e depois mijar no copo de novo. E deu certo. Não era tão gostoso quanto mijar continuamente, mas com cinto de castidade teria de ser daquele jeito. Enchi o copo umas seis vezes até não conseguir mais.
Logo voltei, deixando o copo sujo de mijo em cima da pia do banheiro me fazendo de bobo e peguei um novo quando passei pela bancada do bar.
Quando voltei senti que o assunto não era o Renan. Graças a Deus.
- Amigo, agora aqui, entre a gente – disse Lindsey falando baixo. - Ele é lindo. Meu Deus que homem maravilhoso. E olha que eu nem gosto de homem – completou rindo.
- Não tem como negar – disse Thiago. - A macumba foi pesada hein amigo.
Virei os olhos.
O celular vibrou, tinha uma mensagem dele.
“A Lindsey já falou que sou um monstro?”, perguntou ele pela mensagem.
“O senhor é?”
“Acho que sim… as vezes”.
“Relaxa, eu te defendo”.
“Então ela disse algo...”
Na mesma hora senti o estômago esfriar. Como eu era burro.
“Não, ela só falou que te conhece, Tenente Moreira kkkkkk, e que no geral o senhor é bem reservado. Não adiciona ninguém nas redes sociais. Nada além disso. Mal sabe ela com é bruto e autoritário comigo”.
“Não me chame assim” – consegui sentir o ar autoritário dele pela mensagem.
“Tenente… que chique, ela explicou o que é. Achei que o senhor era um guardinha”.
“Eu vou fingir que não li isso...”
“Falei que é um amor e faz tudo para mim kkkkkkk. Eles acreditaram.”
“Não sei por que riu, isso só falou verdades. Faço tudo para você”.
Renan e Jorge voltaram para a mesa. Assim que ele me olhou sorriu. Um sorriso lindo e genuíno, talvez oriundo de uma Renan sob efeito do álcool. Fran olhou para Thiago na hora percebendo e riram desfaçados. Ele sentou perto de mim, me abraçando. Parece que os dois tinham se entendido. O cheiro natural dele misturado com perfume me inundando completamente. Também tinha um pouquinho de cheiro de cigarro.
Essa foi a primeira vez que sai com ele em público, salvo quando nos conhecemos e a noite com o joão. Achei que ele ficaria bem receoso, mas não, ele ficou bem grudado em mim evidentemente apaixonado. Ele estava sorridente e comunicativo com todos. Lindsey realmente estava surpresa com a reação dele, dava para ver pelo jeito que ela olhava. Bebemos bastante esse dia. Em um certo momento Renan mandou eu parar de beber. Pensei em responder, mas optei por parar. Ele pediu um suco de laranja e me deu. Ele parecia bem mais forte para a bebida que eu.
- Eu não quero suco – disse para ele.
- Quer sim, já bebeu de mais – disse ele tentando de forma fracassada não parecer autoritário. - Amanhã fica o dia todo falando na minha cabeça que está com ressaca.
Eu suspirei e peguei o suco.
- Hummm está muito gostoso – disse oferecendo ele.
Ele bebeu também.
- Eu percebi esse olhar tristinho hein amigo – disse Thiago me observando.
Eu travei na hora.
- Sério? – perguntou Fran.
- Conheço essa bicha há, pelo menos, dez anos – disse Thiago.
Fiquei calado. Jamais ia expor uma coisa minha com o Renan.
Renan não demonstrou nenhuma reação, estava mexendo o suco com o canudo como se nem tivesse ouvido o que falaram.
- Ainda tá chateado com o cara da loja amigo? - perguntou Thiago.
Cara da loja…
Renan olhou curioso.
- Ele não te contou? - perguntou Thiago para o Renan.
- Contou o quê? - perguntou Renan despertando do modo indiferente.
- Amigo, não falou com o Renan do cliente que foi homofóbico com você – perguntou Thiago.
Ah… lembrei. Aconteceu essa semana. Sendo muito honesto nem levei para o coração. Mas Jorge e Thiago fizeram uma tempestade em copo d’água. Uma cliente essa semana havia me chamado de bicha escrota quando disse que não poderia recuperar o número dela. Disparou algumas ofensas adicionais um pouco alterada, mas sinceramente… dei as costas e deixei ela falando sozinha.
- Ele não me disse nada – disse Renan me olhando, o desagrado no rosto dele.
- Eu nem lembrava disso gay – disse para Thiago. Logo voltei para o Renan. - Uma cliente foi bem escrota na loja. Me chamou de bicha escrota e alterou comigo porque não restaurei o número dela.
- Como não lembrava disso? - perguntou Renan.
- Ele é assim Renan, todo pacifista. Dê uns puxões de orelha nele – disse Thiago olhando Renan. - O Jorge me disse que ele passou a semana todo amuado e chateado.
Passei a semana chateada por conta do Renan, não por conta daquele cliente escrota.
- O que queriam que eu fizesse gente? Brigasse com a mulher no meio da loja cheia? Não fode – disse para Thiago.
- Eu que não estava perto, senão tinha dado um esculacho – disse Jorge igualmente irritado.
- Tem que se defender amigo, não pode deixar o pessoal crescer pra cima de você – disse Fran.
- Eu me defendo gente, mas na boa, deixei ela falando sozinha – disse me irritando com o pessoal. - Eu não vou fazer uma cena onde eu trabalho.
- Ele e todo da paz mesmo, vou querer saber disso com mais detalhes depois – disse Renan num tom de voz sutil que deu um basta no assunto. Logo ele emendou. - Vou ao banheiro.
Depois que ele saiu Jorge me disse.
- O cara tá louco com você – disse Jorge animado. - E eu e ele aparentemente demos certo.
- Não estavam dando certo antes? - questionou Fran.
- É que… - iniciou Jorge me olhando, pedindo ajuda.
- É porque trabalhamos juntos e o Jorge achou que ele tinha ciumes – disse mentindo. Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Não queria que eles soubessem do beijo.
Estranhei aquilo, Renan queria bater nele não fazia muito tempo. Será que conversaram? Não vejo o Renan sendo falso com ninguém. De todo modo, falava com ele depois.
A noite seguiu tranquila e pouco depois das duas da manhã fomos embora. Dentro do carro cochilei no ombro dele – ambos estávamos no banco de trás. Não estava tão bêbado quanto gostaria, ele me regrava para beber. Todas as vezes que saímos ele colocava um limite para a bebida. Perto de chegar em casa ele disse.
- Conversei com o Jorge – disse Renan baixo. Minha bochecha estava encostada no ombro dele. - Ele me disse que tentou te beijar e me pediu desculpas.
- Eita… foi mesmo? - perguntei para ele com sono, os olhos entreabertos.
- No fundo ele sabia que você me contaria. Ele parece te conhecer bem – disse Renan. - Resolvi deixar essa história de lado. Só não quero você saindo mais com ele.
- Eu sei… Obrigado!
- Vamos… chegamos!.
Entramos na garagem da casa dele, ele continuou falando.
- E sobre o problema na sua loja, por que não me contou da cliente? - perguntou Renan entrando em casa.
- Não achei que precisasse, pessoal fez uma tempestade com isso – disse para ele.
- Não pode deixar as pessoas falarem assim com você! Tem que se impor – disse Renan incomodado. - E tem que falar comigo as coisas. Por que não me contou?
- Do jeito que o senhor está comigo ultimamente, se contasse era perigoso me xingar mais que a cliente – disse para ele.
Ele destrancou a porta da sala.
- Não ia te xingar – disse Renan aborrecido. - Mas fico puto de saber que alguém está de destratando. Fico realmente puto. Não sei o que faria se fizessem perto de mim.
- Não foi nada sério. Ouvi a vida toda me chamarem de bicha – disse para ele bocejando. - Não vai ser nessa idade que isso vai me atingir.
- Tem que se impor Estressadinho, pega firme com as coisas. Você é muito mole – disse Renan. - Destratou você, responde a altura. Pode sair correndo com o rabo entre as pernas não.
- Não foi isso que aconteceu – disse para ele despertando. - Eu não me importei e deixei ela falando sozinha. Isso é diferente de sair com o rabo entre as pernas.
- Precisa de impor mais… isso que quis dizer – disse Renan. - Não escolhi bem as palavras.
- Tem alguma coisa em mim que o senhor gosta? - perguntei irritado. - Tudo em mim te desagrada. Meu jeito não frouxo, mole e indisciplinado não te agrada – disse listando, cada vez mais irritado. - Minha aparência não te agrada, a forma que eu faço as coisas não te agrada, meu cabelo não te agrada, o jeito que visto não te agrada. O que você ama em mim que eu ainda não entendi?
Renan não disse nada.
- Está me mudando tanto que eu vou deixar de ser a pessoa que o senhor conheceu – disse para ele.
Novamente ele não disse nada. As luzes estavam apagadas, a porta da sala aberta.
- Adoro essa resposta do senhor… o silêncio! - disse para ele depois que ficamos calados. - Eu vou dormir… boa noite!
Logo passei por ele e tirei a roupa, ficando somente de cueca. Deitei morrendo de sono e meio bêbado. Puxei o lençol e dormi rápido. Não sei o que ele ficou fazendo, mas veio deitar bem depois de mim. Acordei com ele deitando na cama. Achei que ele ficaria afastado, logo ele veio e me puxou para a coxinha. Pousei o pescoço no bíceps dele e o outro braços dele me envolveu, o corpo dele colado ao meu. Não importava o que acontecia, ele sempre dormia colado comigo.
Depois de um tempo ele beijou minha cabeça, me cheirou. Ele achou que eu estava dormindo. E de fato quase estava... Bem baixinho ele sussurrou.
- Você não mudou nada desde o dia que te conheci.