OS TESTÍCULOS DE CAIM (UM TRANSPLANTE DE BAGOS QUE MUDOU A VIDA DE UM CASAL PARA SEMPRE)

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Heterossexual
Contém 880 palavras
Data: 26/04/2026 09:46:52

Sérgio tinha 42 anos, uma esposa linda, dois filhos ingratos, uma rotina de escritório cinzenta e um pau que já não levantava com vontade desde a eleição do último presidente.

O mundo tinha mudado. A medicina havia cruzado todas as linhas éticas: agora era possível transplantar órgãos sexuais. Não apenas rins ou corações. Mas pênis, testículos, vulvas, clitóris — e junto com eles, seus registros hormonais, neurológicos e químicos. A promessa era tentadora: "Assuma o prazer de uma terceira pessoa. Viva o desejo de quem foi mortalmente intenso."

E Sérgio era impotente.

Era invisível.

Era medíocre.

Até conhecer a Glândula Negra.

A clínica era ilegal, escondida num prédio que já tinha visto dias melhores, com a fachada cheia de grafites obscenos. Dentro, tudo era branco, asséptico, com cheiro de lixívia e sêmen fresco. Uma médica com jaleco verde lhe apresentou a “lista de compatibilidade”.

— Esses são os disponíveis para o seu tipo de sangue e genética.

Nomes, números, sentenças. Um condenado por feminicídio. Um estuprador em série. Um ator pornô falido que morreu empalado com um rolo de massa durante uma gravação. Um ex-padre acusado de abuso infantil. E, no fim da lista, ele:

CAIM.

Sem sobrenome.

Sem rosto.

Apenas: “execução autorizada, material genético preservado”.

Sérgio apontou.

Pagou em Bitcoins.

Três dias depois, acordou com os testículos transplantados.

E o mundo nunca mais foi o mesmo.

As primeiras 24 horas foram... chocantes.

Seu saco pulsava. Quente. Inchado. Como se tivesse vida própria. Ele ejaculava sem toque. Uma, duas, cinco vezes por dia. O esperma era farto, grosso, espesso como leite condensado.

Seu pênis engrossou em dois centímetros. Alongou quatro.

Veias novas se ramificaram como se estivessem sedentas.

E o desejo…

O desejo era uma praga.

Começou com a esposa.

Cláudia, que mal o tocava há meses, acordou com o pau dele dentro da boca. Ele a segurava pelos cabelos, arfando, as bolas novas batendo contra o queixo dela como badalos de carne.

— O que…é…isso?, ela sussurrou, engasgada.

Sérgio não respondeu. Apenas virou-a de bruços, deu uma cusparada ruidosa na entrada da buceta dela e a penetrou com fúria, desritmado, com a urgência de um animal pré-histórico, babando nas costas dela como um cão raivoso. Ela gritou. Amassou os lençóis. Revirou os olhos urrando. Gozou como uma messalina. Chorou. Implorou em lágrimas para que ele lhe arrombasse o cu. Ele fez tudo o que ela pediu com a selvageria de um macho carnívoro.

Na manhã seguinte, ela sorria de orelha a orelha. Parecia que tinha visto o passarinho azul.

E pediu mais.

Sérgio não parava.

Arregaçava os buracos de Cláudia no banheiro, no carro, em motéis sujos, nas escadas do prédio. Começou a olhar para as vizinhas. Para a atendente da padaria. Para a babá dos filhos.

Arrombou a buceta rosa e o cu preto da babá. No sofá. No quarto das crianças.

Ela foi embora aos prantos, com o rabo todo assado, as pregas esfoladas de tanto levar rola. Mas deixou a calcinha com cheiro de buceta nova.

Na terceira semana, Cláudia engravidou.

— Meu Deus, a gente nem transava há uns dias atrás, ela disse, nervosa.

— Agora a gente fode, ele respondeu.

— Mas... e agora?

Ele não respondia mais perguntas. Só agia.

O que começou como virilidade virou obsessão.

Ele passava horas trancado no quarto, no banheiro batendo punheta diante do espelho.

Cuspia no próprio reflexo.

Falava com os testículos.

Eles respondiam.

“Volte à origem”, sussurravam.

“Você é meu descendente.”

“Você precisa matar para manter-nos.”

A vizinha do 304 desapareceu.

A atendente da padaria encerrou o turno e nunca mais voltou.

A polícia apareceu.

Sérgio ria. Cláudia, grávida de quatro meses, já não falava. Andava nua pela casa, gemendo em línguas alienígenas, lambendo o reboco das paredes, deixando rastros de leite materno precoce nos móveis.

— Você a transformou, disse a médica da Glândula Negra, em uma visita surpresa.

— Caim fecundou a própria irmã. A maldição é genética. Essa criança... vai nascer com dentes e ereção.

Sérgio apenas olhava, com o saco latejando.

Ouvia vozes.

Via sombras trepando entre as cortinas.

Na madrugada do parto, Cláudia o mordeu no pescoço.

Com força.

Arrancou um pedaço.

E fugiu para o quintal, parindo de cócoras, sob a lua cheia.

A criança nasceu.

Mas não chorou.

Olhou para o pai — ou para o doador? — e sorriu com a boca já cheia de dentes.

Epílogo:

A Glândula Negra desapareceu.

Sérgio foi encontrado nu, sem os testículos, amarrado em posição fetal.

Morto, com o rosto coberto de gala seca.

Nos meses seguintes, relatos surgiram nas redondezas:

Uma mulher vestida com um véu sujo e os seios à mostra, caminhando por estradas rurais, segurando uma criança que ninguém conseguia encarar por muito tempo.

Ela seduzia homens e mulheres com o olhar.

Fodia com uma calma hipnótica.

E depois os deixava vazios.

Literalmente: cadáveres secos, sugados por dentro, como frutas maduras chupadas até a casca.

Ela se fundiu à maldição de Caim, tornando-se a Mãe dos Herdeiros, uma espécie de entidade lasciva e nômade, espalhando a linhagem obscena do Antigo Irmão através de sexo, amamentação e parição contínua.

Ela não é mais humana.

É útero vivo em corpo de mulher.

E está grávida de novo.

Dizem que um novo banco de genitálias surgiu no mercado negro.

E na lista de espera, entre nomes e números, está você.

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Comentários

Foto de perfil de Morfeus Negro

Gostei, o tom de heresia e a violência da história fizeram uma boa combinação.

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