Cap 1.5 . A praia Parte 1
(Tauane)
Eu comecei a me afastar.
Não de forma brusca, nem com uma decisão clara. Foi mais sutil do que isso — como se, aos poucos, eu simplesmente deixasse de prestar atenção.
Como se o que acontecia entre o Carlos e a Luana deixasse de me incomodar o tempo todo.
Ou, pelo menos, era isso que eu dizia pra mim mesma.
Passei a não observar tanto, a não reparar nos detalhes, a não buscar explicações em cada olhar, em cada aproximação, em cada gesto que antes eu analisava quase automaticamente. Era um esforço consciente, mesmo quando eu fingia que não era.
Era mais fácil assim.
No lugar, eu me concentrei no meu relacionamento com Hugo. No fato de ele ter quase trinta anos, ter história, experiência… saber o que queria.
Eu tentei. Sinceramente, tentei.
Ele era diferente do que eu estava acostumada. Mais direto, menos complicado, sem aquela necessidade constante de interpretar o que estava acontecendo. Com ele, as coisas vinham prontas — não exigiam esforço, não pediam leitura, não deixavam espaço pra dúvida.
E, por um tempo, isso foi suficiente. Ou, pelo menos, pareceu ser.
Ele parecia querer de verdade. Não só estar, mas ficar. Construir algo, um relacionamento real. Não como era com o Antônio… uma fantasia mal sustentada.
E isso, por si só, já me colocava em um lugar estranho.
Porque eu não estava acostumada com isso — com alguém que não precisasse ser puxado, provocado, controlado. Com alguém que simplesmente vinha… e ficava, sem que eu precisasse fazer esforço pra manter.
A viagem entrou nisso como mais uma tentativa.
Não só de sair, mas de mudar. De colocar distância. De reorganizar alguma coisa que, dentro de mim, já não funcionava do mesmo jeito.
Eu dizia que eram apenas férias.
Mas não era.
Era uma forma de me afastar do Carlos sem precisar dizer isso em voz alta, sem precisar admitir o quanto aquilo ainda pesava.
Porque, no fundo, era isso.
Não era só sobre ele… mas também era. Sempre foi.
Desde o momento em que eu percebi que me importava. Desde o momento em que entendi que… o amava.
E era exatamente isso que eu queria parar de sentir.
Queria que a presença dele deixasse de ter peso, deixasse de influenciar, deixasse de interferir em coisas que, teoricamente, não tinham nada a ver com ele.
Queria que fosse só mais uma pessoa — e não alguém que reorganizava tudo dentro de mim sem esforço nenhum.
Mas não era simples. Nunca tinha sido.
E, mesmo tentando não pensar, tinha uma coisa que não saía.
Uma preocupação constante, mesmo quando eu fingia que não estava ali.
A Luana.
Ou, mais especificamente… o que ela escondia.
Um segredo que poderia acabar com ele. Com o que ainda restava dele.
Eu não sabia exatamente como. Nem quando.
Mas tinha uma sensação incômoda de que, em algum momento, aquilo ia aparecer. Ia escapar. Ia chegar até ele — do jeito mais errado possível.
E, quando isso acontecesse…eu não fazia ideia de como ele iria reagir.
O Carlos não era como os outros.
Ele não ignorava. Não fingia.
Não simplificava. Ele pensava.
E, quando começava… não parava.
Eu tentei imaginar a cena dele descobrindo a verdade mais de uma vez. Mas sempre parava no meio.
Porque nenhuma versão parecia boa. Nenhuma parecia simples.
E, ainda assim, eu não fiz nada.
Esse erro me atormenta até hoje. Eu não falei, não avisei, não tentei intervir. Eu simplesmente não fiz nada.
Parte de mim dizia que não era meu lugar, que aquilo não tinha mais a ver comigo. Que, se existia alguma coisa ali, não era responsabilidade minha resolver. Que cada um lidava com o que escolhia.
Mas não era só isso. Nunca era.
Tinha outra parte. Mais silenciosa.
Mais difícil de encarar.
A parte que sabia. Que entendia.
Que, de alguma forma, ainda estava envolvida, mesmo sem estar diretamente.
E talvez fosse por isso que eu evitava.
Porque, se eu me aproximasse demais disso…
eu ia ter que olhar pra coisas que ainda não queria.
Então eu segui.
Fingindo que estava resolvido.
Fingindo que tinha superado.
Fingindo que aquilo já não fazia mais parte de mim.
Mas não era verdade. Nunca foi.
E, no meio de tudo isso, o que mais me incomodava não era o que podia acontecer.
Era o fato de que, dessa vez…eu não estava no controle.
……..
(Carlos)
A viagem parecia uma oportunidade.
Não exatamente pelo lugar, nem pelos dias fora, mas pelo que poderia acontecer ali — longe da rotina, longe dos espaços controlados onde tudo sempre encontrava uma forma de se ajustar.
Eu precisava entender.
Não de forma direta — eu já sabia que não conseguiria perguntar. Mas observar, juntar, perceber coisas que, no dia a dia, passavam mais fácil.
Porque tinha alguma coisa.
Eu não sabia o quê. Mas sabia que estava ali.
E isso já era suficiente pra não conseguir ignorar.
Entrei no carro com essa ideia na cabeça. Não como um plano, mas como uma intenção silenciosa: ficar atento, não deixar passar, não me distrair com o que fosse mais fácil.
No começo, tentei agir normal. Conversa leve, comentários soltos, aquele tipo de interação que preenche o espaço sem exigir muito. Mas não demorou.
Eu comecei a perceber.
Primeiro de forma sutil, quase imperceptível.
Depois… nem tanto.
O Hugo dirigia com uma confiança que chamava atenção por si só — mão firme no volante, postura relaxada, como se estivesse completamente à vontade em qualquer situação.
Mas não era isso que me incomodava.
Era o olhar. O retrovisor.
Ele olhava mais do que o necessário. Mais do que o natural.
E não era um olhar distraído, automático, desses que a gente dá sem perceber. Era direcionado, escolhido, repetido — sem medo, sem filtro.
Esse olhar se direcionava para a Luana.
Minha namorada.
No começo, pensei que estava exagerando. Que era coisa da minha cabeça, ainda presa no que eu já vinha carregando.
Mas, quanto mais eu observava… mais difícil ficava ignorar.
Porque, em alguns momentos, ela sustentava. Retribuía. Sorria.
Não de forma escancarada. Não o suficiente pra qualquer outra pessoa perceber.
Mas o suficiente pra mim. E isso bastou.
O desconforto veio rápido — não como um pensamento, mas como uma sensação. Direta. Física. Incômoda de um jeito que não dava pra racionalizar.
Eu mudei de posição no banco, tentei olhar pra fora, focar em qualquer outra coisa… mas não adiantava.
Porque não era algo externo.
Era interno.
E, junto com isso, veio outra coisa.
Pior.
Comparação.
Eu não queria, mas veio.
O Hugo era tudo que eu não era: mais velho, mais experiente, mais seguro.
O tipo de presença que não precisava provar nada, porque já ocupava espaço naturalmente.
Ele era alto, forte, não de forma exagerada, com seu corpo foi resultado de muitas horas de musculação.
Impressionava como ele tinha consciência do próprio corpo. Do próprio efeito que causava no ambiente e nas pessoas ao redor.
O jeito que ele olhava, a forma como não escondia, como não se preocupava em disfarçar.
Aquilo não era descuido.
Era escolha.
E o pior não era isso.
O pior era perceber que ele não se importava.
Não parecia se importar comigo, com a minha presença no mesmo carro. Ele não se importava nem com a presença da Tauane.
Era como se aquilo não fosse relevante o suficiente pra alterar o comportamento dele.
E, pela primeira vez, eu senti.
Não dúvida. Não confusão.
Insegurança.
Não era a timidez que sempre tive, ou o incômodo de estar em ambientes com muitas pessoas ao retorno.
Era um outro tipo de insegurança. Mais clara, direta, difícil de ignorar.
Minha mente tentou reagir. Buscar lógica. Minimizar. Dizer que eu estava exagerando, que não era nada, que era só impressão.
Mas meu corpo não acompanhava.
Porque eu estava vendo.
E, quando você vê…
fica muito mais difícil fingir que não viu.
Foi nesse momento que a Luana percebeu.
Ela virou um pouco mais o corpo na minha direção — um movimento discreto, como se fosse só pra se ajustar no banco.
Mas não era. A mão dela encontrou a minha.
Segurou com firmeza. Parecia querer me transmitir seu calor. Mostrar que estava presente.
Após alguns segundos ela se aproximou do meu ouvido.
— Tá tudo bem? — ela perguntou, baixo, quase sem abrir a boca.
Assenti de forma automática.
— Só cansado.
Ela não insistiu.
Mas também não soltou.
E, logo depois, começou a falar. Coisas simples, leves, sem importância real — perguntas soltas, comentários sobre a viagem, qualquer coisa que mantivesse minha atenção ali, longe do que estava acontecendo ao redor.
E, por um momento…funcionou.
Ou quase.
Porque, mesmo olhando pra ela, mesmo ouvindo, mesmo respondendo…uma parte de mim continuava ali.
No retrovisor.
E, dessa vez, não era só dúvida.
Era a sensação incômoda de que alguma coisa estava acontecendo bem na minha frente…
e eu ainda não entendia exatamente o quê.
……………..
(Tauane)
A chegada na casa já começou errada.
Nem deu tempo de organizar as malas ou repetir o combinado. Eu e Tati iríamos ficar no quarto de casal, os meninos no que tinha a beliche e a Luana na sala.
Simples.
Já com tudo resolvido… negociado.
Mas o Hugo não parecia interessado em nada disso.
Ele segurou minha mão e me puxou para dentro, direto pelo corredor, sem olhar pra trás, sem perguntar, como se já tivesse decidido tudo sozinho.
E eu deixei.
Ele parecia faminto, com uma fome urgente de me devorar. Mal entramos no quarto e fechamos a porta, ele já me pressionou contra a parede próxima à entrada.
Senti seu corpo musculoso contra o meu. Começou a me morder o pescoço, puxar meu cabelo, beijar forte, mordiscando meus lábios.
Senti que ele já estava preparado. A pressão que eu conhecia bem, vinda do meio do quadril dele, me cutucando entre as pernas.
Eu estava com uma saia jeans, que foi levantada sem dificuldade por suas mãos, que apertavam minhas coxas, meus glúteos.
— Amor, calma… vamos para a cama. A casa é pequena… aqui, assim… com certeza vão ouvir.
Parece que, ao ouvir isso, ele enlouqueceu ainda mais.
Não sei como, mas minha calcinha não foi obstáculo.
A penetração foi rápida, profunda, sem preparação ou aviso. E isso me excitou ainda mais, me deixou automaticamente molhada, pronta.
Talvez a certeza de que outras pessoas poderiam ouvir tenha potencializado… acho que, com certeza, sim. E ele já me conhecia… e como conhecia.
Consegui conter o grito e os sons no começo.
Porém, seus movimentos — o quadril se chocando contra o meu com força, de forma ritmada — tornavam impossível manter aquilo por muito tempo.
Mesmo se estivéssemos trancados no banheiro do quarto, daria para ouvir.
Quando ele encontrou o ponto certo, eu não consegui segurar.
Um grito vergonhoso saiu da minha boca… e não tive mais forças.
Cedi.
Senti que tinha perdido completamente o controle. Que já não tinha mais forças.
Hugo, me conhecendo, me segurou nos braços e, ainda em pé, continuou.
Ele não teve dificuldade em me tirar do chão, mantendo minhas pernas abertas. Seus braços, ao mesmo tempo que me erguiam, mantinham minhas pernas afastadas, me deixando totalmente exposta.
Meu corpo naturalmente se inclinou para trás e, para não bater a cabeça na parede ou na porta, precisei usar os braços como apoio.
Em alguns momentos, meu braço batia na porta, reforçando ainda mais o som — que já era alto — dos nossos corpos se chocando.
Ele me comeu desse jeito por minutos… muitos minutos… até que, quando finalmente terminou, gozando dentro de mim, me jogou na cama e deitou ao meu lado.
Estávamos suados. Marcados. O lençol e o edredom já úmidos, o cheiro forte impregnando aquele quarto.
— Bom… parece que agora não há escolha… vamos ter que ficar com esse quarto. Não tem máquina pra lavar a roupa de cama e nem lençol extra.
Falou rindo.
Um deboche que me deixou puta.
Levantei sem responder e fui direto para o chuveiro.
A água caiu quente, mas não adiantou.
Fiquei parada ali, deixando a água escorrer enquanto minha cabeça começava a se organizar — ou tentar entender — o que tinha acabado de acontecer.
E não era difícil de entender.
Eu sabia o que tinha feito.
Sabia por que tinha deixado.
Sabia por que não tinha parado.
Mas, pela primeira vez…eu não consegui fingir que era só isso.
O Hugo não tinha perdido o controle.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo.
Queria ser ouvido. Queria marcar território. Queria se mostrar.
E eu deixei.
Fechei os olhos por um instante.
Tati.
Minha irmã. A mais nova. A certinha.
O que ela tinha ouvido? O que ela estava pensando agora?
Engoli seco.
E, logo depois…
Carlos.
O nome veio sem esforço. Pesado.
O que ele estava pensando?
Não sobre o Hugo.
Sobre mim.
E foi aí que a coisa ficou pior.
Porque, pela primeira vez, eu não precisei imaginar.
Eu já sabia.
Sabia exatamente o que ele pensaria. O que qualquer um pensaria.
Passei a mão no rosto, sentindo a água escorrer.
Tentei justificar. Como sempre fazia.
Dizer que não era isso.
Que era diferente.
Que eu estava diferente.
Mas não era. Porque, no fim… eu tinha feito exatamente a mesma coisa.
Talvez pior.
Porque, dessa vez… eu sabia. Eu podia ter escolhido outro caminho.
E, mesmo assim, fui.
A água continuava caindo, mas a sensação não diminuía.
Nem o incômodo.
Nem a consciência.
O Hugo era exatamente o tipo de cara que eu dizia que não queria.
E o pior…era que eu reconhecia isso antes mesmo de começar.
Mas meu corpo…
Meu corpo respondeu.
E isso…isso me irritou de um jeito diferente.
Mais consciente.
Mais difícil de ignorar.
Porque, pela primeira vez…não dava mais pra fingir que eu não sabia o que estava fazendo.
E talvez…
esse fosse o problema de verdade.
……..
(Carlos)
Fiquei puto.
Não foi uma reação pensada, nem construída. Veio direto, automático.
Tauane e o cara simplesmente entraram na casa e sumiram, como se o resto não existisse, como se não tivesse mais ninguém ali pra ajudar, pra dividir, pra fazer o mínimo.
Parece que ela tem um dom de sempre se envolver com idiotas.
O pensamento veio rápido. Natural demais. Mesmo irritado, um sorriso involuntário surgiu… e logo sumiu.
Continuei ajudando, terminando de organizar o que faltava com a Luana e a Tati. A casa não era grande por dentro, então não tinha muito pra onde fugir — tudo precisava ser feito ali, no meio de todo mundo.
Deixei a mala do casal no carro por um momento, mas logo percebi que as meninas já tinham levado pra dentro.
Nem perguntei. Nem quis saber. Provavelmente só arrumaria confusão desnecessária.
Respirei fundo. Tentei não sentir. Não reagir.
— A gente vai se trocar lá no outro quarto — a Luana avisou, com a Tati já puxando ela pelo braço.
Assenti. Ia sugerir que a gente se organizasse pra aproveitar a piscina depois, mas deixei pra lá.
Antes de entrar, ela parou e me olhou.
— Acho melhor você ficar no sofá… na sala — disse, meio hesitante — já que a divisão não deu certo.
Fiquei em silêncio por um segundo.
Se eu estivesse esperando alguma coisa diferente… alguma expectativa de que nossos momentos avançassem um pouco mais… talvez aquilo me incomodasse mais.
Mas não estava.
Ou era isso que eu queria acreditar.
— Tudo bem — respondi.
Fui até a geladeira, que já estava abastecida, peguei um refrigerante e me joguei no sofá.
E foi aí que começou.
O som.
Primeiro baixo.
Depois… nem tanto.
Vindo do quarto da Tauane.
Fiquei parado, olhando pro nada por alguns segundos, como se ignorar fosse suficiente pra fazer aquilo desaparecer.
Não foi. Porque não era só som.
Era ritmo.
Era repetição.
Era intensidade.
E não precisava de muita imaginação pra entender o que estava acontecendo.
Na verdade… imaginação era o problema.
Quanto mais eu tentava não pensar… mais claro ficava.
O jeito.
O tipo.
O cara.
O jeito que ele era.
Fechei os olhos por um instante, respirando fundo.
Maresias inteira devia estar ouvindo. E parecia que ninguém se importava… talvez só eu.
E eu…sentado no sofá.
Sozinho.
O incômodo veio devagar.
Crescendo. Se espalhando.
Tomando espaço.
Não era só sobre eles. Era sobre o que aquilo significava.
Sobre o tipo de coisa que eu estava começando a perceber… e não queria.
Levantei.
Não consegui ficar ali.
Saí pra área externa.
E foi como entrar em outro lugar.
Se a casa por dentro era pequena, quase apertada, o lado de fora compensava tudo. A área gourmet era ampla, bem iluminada, com uma bancada de pedra que se estendia por quase toda a lateral, churrasqueira embutida, utensílios organizados — tudo pronto pra uso.
A piscina ocupava o centro do espaço, água limpa, refletindo o céu claro, cercada por espreguiçadeiras de madeira e almofadas claras.
Um ambiente que pedia calma.
Que pedia descanso.
Mas não era o que eu estava sentindo.
Olhei o horário. Por volta das 11.
Precisava fazer alguma coisa. Qualquer coisa.
Resolvi acender a churrasqueira. O plano já estava meio decidido: churrasco no primeiro dia.
Foco.
Movimento.
Distração.
Funcionou…Por um tempo.
Por volta do meio-dia, eles apareceram.
Como se nada tivesse acontecido.
Tauane com um biquíni vermelho, mais comportado do que o normal dela. Hugo ao lado, de sunga branca, óculos escuros, leve, solto, sorrindo.
Sorrindo…
— Olha só, amor… que bom que temos um churrasqueiro — ele falou, sem esforço — tô morrendo de fome.
Eu não respondi.
Mas a Tauane…
ela reagiu.
Sutil.
Rápido.
Mas eu vi seu incômodo.
Eles foram direto pras cadeiras na beira da piscina, como se aquele espaço já fosse deles.
Como se tudo fosse.
Continuei na churrasqueira, tentando manter o foco, temperando a carne com mais força do que precisava.
Foi quando ele me chamou.
— Carlinhos… traz uma breja geladinha pra mim… e uma água pra Tauane.
Levantei o olhar.
Encarei.
Ele sustentou. Como se fosse normal.
— E aí… vai demorar muito esse churrasco? — continuou — tô com fome mesmo.
Respirei fundo.
Devagar.
Não era só o que ele dizia.
Era o jeito…
Como se testasse.
Como se empurrasse.
Como se quisesse ver até onde eu ia.
Eu já ia responder…quando elas apareceram.
Luana.
E Tati.
As duas vindo juntas, rindo de alguma coisa que só elas sabiam, leves demais, próximas demais.
Os cabelos molhados. O corpo ainda brilhando de água. Os biquínis menores do que o necessário.
E, por um instante…tudo parou.
Hugo foi o primeiro a reagir.
— Olha só, amor… — ele riu — parece que não fomos os únicos a aproveitar o quarto e o chuveiro da casa.
Nenhuma das duas negou.
Não tentaram explicar.
Só riram e foram deitar nas espreguiçadeiras.
Como se fosse normal.
Como se aquilo fosse… comum.
Olhei pra Tauane.
Ela desviou o olhar.
Rápido.
Mas não foi o suficiente.
Meu corpo reagiu antes da minha cabeça organizar qualquer coisa.
Algo estava acontecendo.
Claro.
Presente.
Ali.
E eu…eu era o único que não sabia exatamente o quê.
Mas, pela primeira vez…eu não estava só desconfiando.
Eu estava começando a entender.
E isso…não me deixava nenhuma boa saída..
Continua…