Certa vez, no interior de São Paulo, nasceram quatro bebês. Renata, Rita, Roberta e Rubiana nasceram juntas, univitelinas, tão idênticas que a mãe precisava amarrar fitinhas coloridas nos punhos para não confundi-las no berço. Cresceram numa casa simples de interior, onde a harmonia entre elas era tão perfeita que parecia propaganda de margarina. Brincavam de boneca, de casinha, e de “troca-troca”. Mas não esse que vocês estão pensando: elas estudavam na mesma escola, mas em duas salas diferentes. Então, quando uma tinha alguma dificuldade em alguma matéria, outra ia em seu lugar. Ninguém nunca desconfiava.
Na adolescência, essa cumplicidade ficou mais perigosa. Aprenderam a trocar de namorados como quem troca de roupa. Se uma enjoava de um namorado, outra assumia o posto sem remorso. Até que Rubiana, apaixonada de verdade pelo namorado de Rita, se passou por ela numa festa e passou a noite inteira com o rapaz, não apenas ficando, ou namorando, mas transando. A primeira vez. A primeira das irmãs.
Só que sua atitude não foi bem vista e a briga que se seguiu quase destruiu a irmandade. Só Roberta e Renata, segurando as duas pelos braços, impediram que os tapas e puxões de cabelo descambassem para algo ainda mais violento. Ainda assim, elas ficaram quase um mês sem se falarem.
Na universidade, pela primeira vez se separaram de vez. Rubiana decidiu cursar Arquitetura. Roberta, a confidente de todas, decidiu ser psicóloga. Rita, a mais “avoada”, que sempre queria entender tudo o que não se entendia, decidiu pela Filosofia. E Renata, a mais tranquila e conservadora das quatro, decidiu-se pelo Direito.
Apenas Rubiana e Renata ficaram no mesmo campus. As outras duas tiveram que se mudar de cidade, pois suas faculdades eram distantes. Ainda assim, ligavam toda noite para contar as conquistas. Rita e Rubiana, as mais safadinhas, varriam os garotos dos “campi” como quem varre folhas no outono. As outras duas foram mais contidas.
Ainda na faculdade, cada uma arrumou seu namorado fixo. Renata namorava Artur, também futuro advogado, filho de delegado, criado na linha dura da direita conservadora. Rita vivia com Betão Caçapava, ator de teatro, um especialista em “expressão corporal”. Roberta estava com Mateus, médico residente em psiquiatria. Rubiana, depois de um trisal que manteve no dormitório acadêmico, ficou só com Vinicius, engenheiro civil, com quem discutia sobre linhas e estruturas como se fosse preliminar.
Três anos depois, casaram todas juntas, num casamento coletivo que parou a pequena cidade natal delas. A festa foi linda e enorme, e durou três dias inteirinho. Foi uma coisa de bailão, meio misturado com churrasco, com almoço de família, enfim, parecia uma quermesse de igreja que trouxe até gente das outras cidades da região, curiosos com o acontecimento excêntrico.
O tempo passou. Todas elas seguiam suas respectivas vidas normalmente, cada uma morando em uma cidade diferente. A distância não era relevante, pois elas sempre faziam questão de manter o contato, através de um grupo num aplicativo de mensagens que elas nomearam de “As Irmãs”.
Foi de Rita o convite para fazermos uma noite do pijama, o que foi aceito pelas demais. Na verdade, seria um final de semana, pois ela queria matar as saudades das irmãs.
No final da tarde do dia combinado, os maridos das outras três, as trouxeram para a casa de Rita. Cumprimentaram-se todos e ficaram pouco tempo, logo cada um tomou seu rumo. Inclusive, o marido de Rita que foi convidado a sair de seu próprio lar. Ali, as quatro conversaram, brincaram, beberam, vestiram simples camisolas. Foi quando Rubiana, com uma taça de vinho na mão e uma meia luz iluminando o semblante, soltou a bomba:
- Eu vou engravidar. Já combinei tudo com o Vinicius. Desse ano, não passa.
As outras três comemoraram a decisão, dizendo que também estavam planejando e que seria muito legal se todas engravidassem no mesmo ano, para que os filhos e filhas crescessem juntos:
— Ué! E se a gente fizesse uma suruba com os nossos maridos? Só uma noite. No escuro. Sem saber quem é quem. No nosso período fértil. – Disse Rubiana.
Roberta quase engasgou com o vinho:
— Você só pode estar drogada... Essa merda aqui tá batizada?
— Ou maluca! — Emendou Renata: — Seu marido não é psiquiatra, Rô? Pede pra ele dar uma avaliada nela.
Rubiana riu, escondendo o rosto atrás da taça, mas não recusou a proposta indecente. Rita se sentou sobre as próprias pernas, com os olhos brilhando:
— Ué? A ideia até que... é curiosa.
— Até tu, Rita!? — Renata se levantou, balançando os braços: — Gente, eu vou embora. Vai que esse negócio é contagioso.
— Não, Rê! Pensa só... — Insistiu Rita, como se lecionasse para uma aluna rebelde: — A gente se ama demais, ama os nossos maridos. Somos todas amigas de nossos cunhados. Então... por que não?
— Por que não!? — Gaguejou Roberta: — Gente… vocês estão cogitando transar com um marido que pode não ser o seu, no período fértil, pra engravidar de um homem que pode não ser o pai da criança que vai ser seu filho!? E se o bebê nascer e não parecer com ninguém? O que a gente faz?
— A gente cria, ué! — Respondeu Rubiana, rindo: — Esse negócio de aparência é muito relativa. E... nossos maridos nem são tão diferentes assim.
— Eu não topo porque é errado! — Cortou Renata, tentando encerrar a questão: — Se eu for transar com outro, quero de olhos bem abertos, quero ver e aproveitar tudo.
Rita arregalou os olhos e a encarou com um sorriso malicioso nos lábios:
— Mas que ousada! — Provocou, enquanto levantava sua taça: — Você propõe uma suruba então? A gente se vendo transando com os nossos maridos e com os das outras? Cara, e não é que eu gostei.
— Sa-fa-di-nhaaaaa! — Gritou Rubiana, caindo na gargalhada.
A conversa durou até o dia raiar. Argumentos prós e contras surgindo aos montes. Rita era a cabeça do time a favor, e filósofa, tentava convencer as irmãs com base nas surubas gregas e romanas. Mas Renata era contra, e como advogada, argumentos jurídicos e até filosóficos também não lhe faltavam.
Acabou que elas beberam mais, muito mais. Depois decidiram que a democracia deveria dar a palavra final. Assim, votaram em papeizinhos, com simples “sim” e “não”. Se houvesse empate, o que parecia certo, desistiriam da proposta, arquivando-a por falta de “quórum”. Qual não foi a surpresa com o resultado: 3 a 1 pelo “sim”. Roberta e Renata se acusaram mutuamente de terem mudado de lado, mas nenhuma delas assumiu a virada de casaca. No final, aceitaram.
A próxima questão era como abordar e convencer os maridos a toparem aquilo. Rita, sempre ela, aconselhou:
- Melhor hora é na cama. Façam eles delirarem e quando estiverem virando os olhinhos, façam a proposta. É tiro e queda. Garanto.
- Eu vou perder o meu marido... – Resmungou Renata.
- Perde nada! Tenho certeza que ele topa. – Insistiu Rita: - O meu, eu sei que topa fácil. Ele gosta de uma safadeza.
- O meu, acredito que tope também, afinal, a gente até viveu um trisal com o André antes de nos casarmos. – Concordou Rubiana.
Roberta pensou um pouco antes de falar:
- Não faço ideia de como o Roberto vai reagir. Bom... de duas, uma: ou ele vai achar ousada e topa; ou vai achar que estou louca, e manda me internar. Se eu sumir, vocês já sabem a resposta.
As três deram risada da resposta e encararam Renata, aguardando seu posicionamento:
- Não sei, meninas. O Artur é muito certinho, bolsonarista. Então, acho que... – Ela se calou, fazendo um bico: - Sinceramente? Eu não sei...
- Vamos fazer o seguinte? A gente vai e tenta: se der, valeu; se não der, valeu também. – Disse Rubiana: - Temos uma semana para fazer virar, senão esquecemos dessa história.
Na semana seguinte, cada uma bolou o seu plano particular e foi conversar com o marido.
Rita mal esperou as irmãs irem embora e ligou para Betão, pedindo que ele voltasse imediatamente porque ela tinha uma coisa para resolver com ele. Betão estranhou o tom e chegou meio desconfiado, imaginando que tivesse feito alguma coisa errada. Antes que Rita abrisse a boca, ele tentou aliviar o clima, mostrando o roteiro de uma peça de teatro que iria encenar. Mas ela o calou:
— Amor, as meninas tiveram uma ideia muito louca, mas eu preciso que você aceite participar.
- Ideia!? Que ideia?
- Uma suruba. Todas juntas. No nosso período fértil. A gente vai trepar com todo mundo e se rolar gravidez, pode ser que seja seu ou de algum cunhado.
Betão largou o roteiro, arregalando os olhos. Encarou a esposa por alguns segundos, mas logo ela notou seu pau marcando a calça:
— Caralho, Rita… Isso é genial! Imagina transformar num roteiro, ou numa peça experimental? Ou série? Já estou vendo meu nome na Netflix... Eu topo na hora. Quero ver você gozando até se acabar enquanto eu como suas irmãs. Eu vou poder filmar escondido?
Rita riu da cara dele. E já respondeu, molhada:
— Safado! Eu sabia que você ia pirar. Mas é claro que não pode filmar, né? Que ideia...
Transaram naquela noite como se fosse a última. Betão jogou alguns consolos que eles usavam para se divertir sobre a cama e começou a dar ordens para Rita, como se dirigisse suas trepadas no dia.
Roberta, a psicóloga, decidiu usar uma abordagem mais científica. Ela, que vinha estudando neurociência e programação linguística, após transar com Mateus, sentou-se e começou a explicar a ideia das irmãs:
— Amor, pensa no sistema de recompensa do cérebro. Dopamina, oxitocina… A gente vai explodir de tanto gozar. E a questão psicológica também não me preocupa, afinal, é só uma curiosidade humana. Uma... Uma experiência controlada, de uma noite.
Mateus, com cara de quem estava realmente analisando se a esposa havia enlouquecido, coçou a barba:
— Roberta, como homem, a ideia me excita; mas como psiquiatra, eu vejo risco de ciúme retroativo, apego imprevisto... Um trauma de apego mesmo. Mas… — Ele parou, um brilho curioso no olhar enquanto encarava o teto: — Confesso que a ideia me intriga. A mente humana é tão fascinante... Taí: eu topo! Uma última loucura antes de termos o nosso filho.
De repente, ele fechou a cara:
- E se o nosso filho... não for nosso?
- Sempre vai ser nosso, amor. Vai sair de mim e vai conhecer um único pai: você. Além do mais, vocês são todos parecidos, ninguém nunca notará nada, caso aconteça de eu engravidar de outro.
- Ainda assim... Não sei não...
- A gente faz o seguinte: eu transo com você primeiro, e você goza bem lá no fundo. Depois, damos um tempinho, dizendo que queremos descansar. Só então eu ficarei com outro. Você sendo o primeiro, a chance dele ser seu é maior, não acha?
Mateus concordou e pulou em cima da esposa, virando-a com a bunda para cima, onde deu dois estalados tapas:
- Mas se vocês querem engravidar... Então, não vou poder o cu de ninguém?
- Sinto muito, amor, mas nós queremos as sementinhas no jardinzinho correto. Quem sabe não liberamos o cu para vocês após os bebês nascerem... – Ela gargalhou.
- Bem... Se não vou poder comer o cu de ninguém lá, vou comer o seu cá!
E comeu mesmo. Fazendo Roberta urrar de dor e prazer com as estocadas profundas por minutos que pareceram horas.
Rubiana, apesar de ser a única das irmãs que teve uma relação mais liberal na juventude, com dois namorados, foi a mais envergonhada. Chegou no Vinicius já vermelha e gaguejando:
— Amor, eu queria falar com você. – Disse ela, fazendo Vinicius encará-la e fechar um notebook: - Eu... Eu... É que... As meninas tiveram uma ideia meio arrojada. Elas e eu... Bem... A gente pensou em fazer algo para facilitar ainda mais a gravidez.
Vinicius colocou o notebook de lado e cruzou os braços, encarando Rubiana. Ela se calou. Mas logo ganhou coragem e falou quase correndo:
- Uma suruba! Todas com todos. No período fértil. Pode rolar gravidez cruzada. Mas é uma chance quase certa da gente realizar o nosso sonho.
Vinicius arregalou os olhos. Depois sorriu devagar. Um sorriso que Rubiana não entendeu de imediato:
— Topo.
— Topa!? Sério? Fácil assim? — Ela piscou, surpresa.
— Sério... — Ele puxou ela para o colo: - A gente já não viveu um rolo com o André antes? E olha que era muito mais sério. Então, o que é uma trepada a mais?
O que Rubiana nunca soube era que Vinicius havia tido um rápido affair com Renata na faculdade. Uma noite se encontraram num bar, os dois já bêbados, e Renata se permitiu viver o “troca-troca” da infância. Era um segredo que os dois guardavam a sete chaves. Então, a chance de Vinicius foder Renata de novo pareceu ser irresistível, ainda mais se pudesse foder as outras irmãs ainda:
- Mas só vou fazer se você me fizer gozar gostoso. Na sua boca...
Rubiana já foi se abaixando, mas ele ainda decretou:
- Não assim. Pega o “André 2.0” e enfia na buceta. Daí você senta e fica se esfolando enquanto me chupa.
E assim fizeram até ele e ela gozarem quase no mesmo instante.
O problema foi Renata.
Ela não achou justo jogar uma bomba dessa na cama do casa e abriu o jogo com Artur depois de um jantar a dois. Ele a ouviu em silêncio, sério, pálido. Então, explodiu:
— Você enlouqueceu, Renata!? Que porra de ideia de merda é essa? Quer me trair na frente de todo mundo, correndo o risco de engravidar de outro homem? Porra! Caralho! Eu fui criado em outra realidade. Meu pai é delegado, um homem de bem, da igreja. Não mesmo! Nem morto a gente vai fazer isso.
A conversa virou discussão. A discussão virou briga. E só não virou agressão, porque ambos sabiam as implicações jurídicas. Foi a primeira noite em que dormiram separados desde o casamento. Artur ficou no sofá; Renata, no quarto, chorando. No dia seguinte se reconciliaram. Ele a abraçou forte:
— Esquece essa loucura, amor. Você quer um filho? Eu te dou. Mas eu. Somente eu, entendeu?
No dia combinado, as quatro começaram a trocar informações no grupo. Renata já chegou postando um emoji de carinha chateada:
Renata — “Artur não topou. Desculpa, meninas, eu tentei.”
Foi uma sucessão de frases e argumentos oferecidos para que ela tentasse novamente. Mas ela recusou. Ela sabia que Artur nunca aceitaria aquela ideia. Vendo o fracasso do “projeto”, Rubiana ousou:
Rubiana — “Ué! E se eu chamar o André, meu ex? Ele me conhece tão bem quanto o Vinicius. E como nós quatro somos iguais, ele vai saber exatamente o que fazer com vocês três.”
Renata — “Você tá propondo que eu traia o meu marido?”
Rita — “Não é trair! Vocês já estavam pensando em engravidar mesmo, não estavam? Só vamos dar uma mãozinha pro destino.”
Rita e Roberta insistiram. Lágrimas transbordando nas letras. Roberta, usando de seus conhecimentos, fez uma chantagem emocional forte:
Roberta - “A gente é uma só! Sem você não tem sentido.”
As demais também insistiram, cada qual como seu modo único de ver. Renata, no fim, cedeu. O laço entre elas sempre foi mais forte que qualquer laço moral.
Rubiana teve que mudar o plano que vinha desenhando: Em vez de motel temático, alugaram uma chácara isolada: um rancho grande, com vários bancos acolchoados, além de uma piscina, sauna, hidromassagem coletiva... Tudo preparado para ser o acontecimento de uma vida.
Artur viajaria para Brasília, para participar de um congresso capitaneado por um certo Ministro careca do STF que mantém certas aparentes relações ocultas. A única justifica que Renata imaginou foi mentir:
- Amor, a Carina vai fazer aniversário numa chácara no final de semana. Você se incomodaria se eu fosse e pousasse na casa da Roberta depois?
- Não. Eu... não vejo problema.
No dia marcado, assim que deixou Artur no aeroporto, Renata partiu para a casa de Rubiana, pois iriam todos juntos. Durante o trajeto, André foi tão divertido, tão safado, que Renata, timidamente, acabou trocando umas carícias sutis de mãos com ele enquanto dirigia, tudo sob o olhar safado de Rubiana e Vinicius.
À noite, todos já se encontravam à beira da piscina. Elas de biquínis mínimos; eles, de sungas justas. Corpos dançando, se tocando, conversas mais próximas. O clima já era eletricidade pura.
De repente, o celular de André tocou. Era Paulo, seu irmão, dizendo que sua mãe sofrera um infarto e fora internada:
- Mas como ela está?
- Melhor você vir rápido, irmão. O médico já chamou a família...
André desligou e branco, nervoso, de olhos arregalados, explicou o que ouvira:
— Poxa, André, mas que bosta! — Reclamou Rubiana.
— Lamento, gata. Mas é questão de vida ou morte. Eu preciso ir.
Minutos depois ele saiu com Vinicius. O evento naufragara. Renata, apesar dos pesares, ficou feliz. Ela sentia que não precisaria trair o marido e isso lhe trouxe um alívio tremendo.
Uma hora depois, quando o clima já estava frio que um cubo de gelo, Vinicius retornou. E não veio só. Junto dele, vinha Ricardo, primo de André. Alto, pele bem escura, sorriso largo, corpo malhado de academia, um verdadeiro deus de ébano:
— Peço desculpas chegar assim, mas o André me mandou no lugar dele. Disse que vocês precisam de mais um jogador pra não ficar desbalanceado.
- Jogador!? Ele te explicou o que viemos fazer? – Questionou Rita.
- Sim. Vocês querem uma suruba. Então, estou à disposição de vocês...
André havia contado uma meia verdade. A suruba era o meio, não o fim que elas pretendiam. As quatro irmãs pediram licença e foram se reunir num canto:
— Ele é quase preto, gente! — Cochichou Renata, em pânico: — Não dá! E se alguma engravidar dele? Como é que a gente vai fazer?
— É só mandar ele usar camisinha. — Disse Roberta.
Rubiana foi além:
— Vocês viram o volume que ele tem? Gente, deve ser daqueles paus de filme pornô. Eu queria experimentar...
- Muito arriscado, mas excitante demais. – Disse Rita, olhando para Ricardo, mordendo a unha do dedão: - É quase como uma... roleta russa.
Elas ficaram cochichando, argumentando, analisando, decidindo por vários minutos. Enquanto isso, os homens ficaram bebendo, aguardando. Logo, elas se aproximaram:
- A gente topa continuar, mas se você usar camisinha.
- Ihhhh! Trouxe camisinha não... – Falou Ricardo.
- Você vem pra uma suruba e não traz camisinha, negão? Qualé!? – Disse o Betão, o mais desbocado deles.
Ricardo ouviu o burburinho e respondeu com a tranquilidade de quem parecia já ter feito dezenas de vezes aquilo:
— Relaxa, gente. Eu sei me controlar. Basta não gozar dentro. Nunca engravidei ninguém que eu saiba. É risco zero.
As irmãos começaram a falar com os demais homens e souberam que ninguém havia levado camisinha. Nem teria porquê levarem, afinal a intenção era delas engravidarem.
Após uma rápida conversa entre todos, em que deixaram claro para Ricardo que ele não poderia gozar dentro de nenhuma delas, eles decidiram seguir.
Só que agora, eles não sabiam como reiniciar. Renata e Roberta ainda estavam frias. O susto causado pela saída repentina de André tinha esfriado o clima entre eles.
Então Rita teve uma ideia maravilhosamente idiota:
- Que tal uma droguinha? Temos um médico aqui que pode receitar algo para nos deixar mais leves. Pode não, doutor?
— Vocês querem ser drogados agora!? — Perguntou Mateus: - Isso já está ficando perigoso.
— A gente quer ser animadas, Mateus. Ver a vida com mais cores, entende? — Brincou Rita.
Nisso, Betão se levantou e foi para dentro da casa, quase correndo. Minutos depois, reapareceu com uma bolsinha a tiracolo. Quando ele abriu a bolsa, veio a surpresa: comprimidos de ecstasy, maconha, cocaína, alguns comprimidos de medicamentos controlados:
- Vocês estão loucos!? Se a polícia baixa aqui, vai todo mundo preso! – Resmungou Vinicius.
- Qualé, cunhadão? Relaxa, cara... Papai aqui manja legal dos paranauês. – Disse Betão, pegando uma seda e enrolando um baseado: - Até o Mateuzão decidir o que a gente pode tomar, vamos dando uns tapinhas...
Mateus entendeu que, ou ele assumia a direção dos trabalhos, ou o Betão o faria. Assim, decidiram só seguir com as bebidas e uns comprimidos de ecstasy. Betão ainda insistiu em seguir com seus baseados, passando-os de mão em mão.
O efeito veio rápido. A maconha deixou tudo muito mais leve e o ecstasy deu aquela energia sexual desvairada nos presentes. Olhos vidrados, risadas soltas, toques ousados que viravam carícias. A festa, enfim, começou.
Logo, as quatro irmãs estava nuas, seus corpos idênticos se misturavam numa dança que anunciava o acasalamento que viria a seguir. Betão, Vinicius e Mateus logo tiraram suas sungas, mostrando orgulhosos o instrumento que Deus lhes deu.
Betão tinha um corpo normal e um pau mediano, tanto no tamanho como na espessura.
Vinicius tinha um corpo mais forte, típico de quem trabalha em obras, e um pau do mesmo tamanho que Betão, só que mais grosso.
Mateus, por fim, tinha um corpo bem definido, de quem malha sem exagero, e um pau comprido e pouco mais fino que de Vinicius. Era o mais avantajado de todos.
As irmãs olhavam, já salivando os paus que iriam devorá-las em breve. Mas faltava um: Ricardo. E Rita, a filósofa, foi até ele, brincando:
- Vamos ver se temos aqui uma escultura grega ou uma lança de Palmares...
Ela então abaixou a bermuda dele e o pau, já meia bomba, bateu em seu rosto como um chicote. Ela arregalou os olhos e o segurou pela base, balançando-o hipnotizada:
- Gente... É maior do que eu pensava. – Gritou, balançando-o em direção às irmãs: - Olha isso!
Ela não estava brincando. Ricardo era o maior, mais forte, mais definido de todos ali. Ele era “personal” e fisiculturista. Além disso, a natureza lhe deu um pau grande, grosso, descomunal, quase...
- Do tamanho do meu antebraço! – Disse Rita, antes de gargalhar: - Isso não vai caber em mim. Não tem como.
- Relaxa, gatinha. Deixa comigo que eu faço caber. E você vai delirar. – Disse Ricardo.
O que se viu a partir daí, não se via desde os tempos de Sodoma e Gomorra. Os corpos de todos eles se embolaram quase que imediatamente. Renata beijava Vinicius e sentia as mãos de Ricardo subindo pelas suas coxas. Rita fugiu de Ricardo e foi cavalgar Betão enquanto Roberta chupava o pau de Mateus. Rubiana estava de quatro, sendo comida por Vinicius, gemendo lascivamente. Aliás, até os gemidos eram os mesmos, pois a voz delas era idêntica, o que tornava tudo ainda mais surreal.
Ricardo foi de uma em uma. O contraste da pele escura contra a pele clara delas era hipnótico. Ele era grosso, longo, pulsante. E escolheu sua primeira vítima: Renata.
Ele a pegou no colo, mesmo ela protestando e a levou até uma mesa. Ali ele a deitou e se enfiou entre as suas pernas, passando a chupá-la de uma forma como Artur nunca fizera antes. Um arrepio a dominou de imediato que se transformou num espasmo assim que ele enfiou dois dedos longos e grossos em sua buceta, dobrando-os dentro dela, como se fossem um anzol. Renata não demorou a gozar aos berros, muito diferente do que estava acostumada com seu marido.
Ricardo então a penetrou. Primeiro, lentamente, deixando que a boceta dela se acostumasse ao calibre de seu pau. Quando já tinha metade dentro, começou a bombar, forçando cada vez mais aquela vara para dentro. Renata gritava, parecendo que estava sendo empalada, ainda mais quando ele começou a meter mais rápido e fundo. Ricardo prometeu gozar fora e cumpriu. Ele não gozou dentro dela, pois ainda queria as outras irmãs, mas, por menor que seja o risco, transar sem camisinha gera algum risco.
Rubiana que já havia esgotado Mateus, veio ver o estrago na irmã. Foi o sinal que Ricardo esperava, pois ele a deitou sobre Renata, as pernas para fora da mesa, e a penetrou com o sêmen ainda quente de Vinicius. Ricardo agora já se sentia em casa e bombava rápido, ora apertando ao máximo o pau dentro de Rubiana, fazendo ela gritar e espernear.
Depois, Ricardo pegou Rita, fazendo com que ela o cavalgasse como se não houvesse um amanhã. Rita deu o seu melhor, mas não conseguia engolir mais que dois terços daquele mastro.
Depois, Ricardo pegou Roberta e a fodeu num frango assado improvisado sobre um banco lateral, bem ao lado de um atônito Mateus, que temia pela integridade do seu parquinho de diversões.
Quando, enfim, Ricardo gozou, deu um verdadeiro banho de “leite moço” em Roberta, pegando Rubiana que andava com as pernas trêmulas ali perto, e esfregando seu rosto na barriga da irmã.
Betão trouxe uma rodada de Tadalafila para os homens aguentarem a noite que virou então uma confusão de bocetas molhadas, paus latejantes, porra escorrendo pelas coxas, beijos molhados, tapas na bunda. Elas e eles gozavam uma atrás da outra, misturando suor, saliva, sêmen. Ninguém mais sabia quem era quem. Era puro instinto.
O único que não gozava dentro, pelo menos não explicitamente, era Ricardo. Que fodia suas vítimas até elas quase desfalecerem e partia para a próxima. Quando o sol nasceu, estavam todos exaustos, alguns colados nos colchões, outras cheios de marcas de chupões e arranhões. Renata cochilava no colo de Ricardo, com o pau dele jogado sobre seu rosto.
Dois meses depois, veio a novidade: as quatro irmãs engravidaram! Foi uma alegria compartilhada entre todas e todos, inclusive, com Artur, que julgava ser o pai do filho que a esposa agora aguardava. Aliás, até então pairava uma dúvida sobre se alguma delas havia sido atingida pelo bala negra naquela roleta russa.
Mais alguns meses se passaram e as quatro deram à luz na mesma maternidade, com o mesmo corpo médico, e dias de diferença entre si. Os cinco bebês nasceram lindos, Roberta teve um casal de gêmeos. Quatro deles tinham os traços dos pais, de pele clara, com traços que podiam ser de qualquer um dos maridos brancos. Vinicius, Betão e Mateus estavam radiantes.
Então, surgiu o bebê de Renata, tão lindo e forte, e saudável, quanto os demais, mas com um detalhe que destoava: uma pele mais escura, olhos pretos e nariz largo. Um menino perfeito. Mas inegavelmente que não era filho de seu marido. Quando o bebê saiu da barriga dela e o médico convidou Artur para cortar o cordão umbilical, um silêncio mortal surgiu na sala de parto. Artur congelou ao olhar para o bebê, e depois para Renata. O rosto dele passou do choque para a fúria:
— Esse bebê... não... não é meu! Que... Que palhaçada é... O que está acontecendo aqui!? Cadê o meu filho? – Gritou.
- Você assistiu todo o parto, senhor. Sabe que esse bebê acabou de sair do ventre de sua esposa.
- Mas ele... ele é escuro! Nariz chato... – Insistiu, ainda alterado: - Você me traiu, Renata!? Como pode?
Renata começou a chorar. As três irmãs aguardavam ansiosas no corredor da maternidade. Um tumulto chamou sua atenção, quando três imensos enfermeiros entraram correndo na sala cirúrgica. Logo, saíram arrastando Artur para fora, que gritava transtornado, xingando a esposa que lá permaneceu. Rubiana olhou para as irmãs e cunhados, e falou baixo, discretamente:
— Parece que alguém acabou sendo atingido na roleta russa, gente.
Vinicius, Betão e Mateus foram atrás de Artur até fora do hospital e souberam o que já desconfiavam. Mateus, como médico, disse que iria verificar o que aconteceu e entrou no hospital. Vinicius e Betão não precisaram após ouvir a explicação de Artur:
- Ele é preto! O bebezinho é preto!
O segredo do veio à tona dias depois, quando Vinicius, bêbado de culpa, confessou tudo para Artur que saiu de casa, abandonando Renata e o filho recém-nascido.
Seis meses depois, Artur ainda não a tinha perdoado e talvez nunca o fizesse. Mas o menino, que ela chamou de Theo, o segundo nome do marido, já era o xodó da casa, dos tios e tias, e dos avós, que lutavam para fazê-lo perdoar um erro praticamente imperdoável da filha.
Ricardo, o pai biológico, nunca soube. Nem deveria. E as quatro irmãs, agora com cinco crianças continuavam inseparáveis, cumprindo a promessa de se ajudarem na criação dos filhos.
A roleta tinha girado. E, contra todas as probabilidades, acertou a única pessoa que nunca esteve na sua mira.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
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