Conheça a família Lisboa

Da série A cada passo...
Um conto erótico de LuYi
Categoria: Gay
Contém 630 palavras
Data: 27/04/2026 20:37:40
Assuntos: Gay

— Eu sei que dói, mas tudo na vida tem que acabar. Tudo precisa ir. E não é um adeus, é um bem vindo, tudo que você perde é um passo que você dá. O tempo melhora a dor meu anjo, trazendo coisas que façam você seguir em frente. Essa é a graça do ser humano. Sempre siga em frente!

Mamãe havia me falado isso enquanto eu chorava, encolhido embaixo da escada na casa de vovô Antônio, onde acontecia o velório, vovó Vera estava ali, deitada, em uma caixa enfeitada de flores, com a pele pálida, seu coração parado, fria. Mamãe me abraçou com força, me dando um acalento que ela precisava naquele momento, já que sua mãe estava no centro da sala, morta. Assim que percebeu meu pai veio junto com meus irmãos abraçá-lá, confortá-la. Eu nunca imaginaria que aquelas palavras ditas por ela, serviriam para ela. Hoje faz um ano que a vovó morreu e uma semana que mamãe morreu.

A casa nunca foi tão silenciosa, o barulho das palavras pararam, as músicas internacionais com tradução questionava se silenciaram, a vantagem de descer a escada e dá um abraço na mamãe quando eu quisesse acabar. E tudo que restou foi isso, o silêncio. Hoje é sexta feira, dia 1 de maio, daqui a um dia ou melhor, hoje já que passam da meia noite, é meu aniversário, não vou comemorar, se depender de mim meu aniversário será outro dia.

Uma família de 6 pessoas se tornou 5. Eu sei que estão todos sofrendo, cada um na sua forma. Papai Murilo é o mais centrado, ele voltou ao trabalho ontem, ele é segurança de uma concessionária de carros, seu horário é intercalado, às vezes trabalha durante o dia, às vezes durante a madrugada. Ele tenta o máximo de atenção para gente, mesmo sofrendo tanto.

Meu irmão mais velho Henrique de 24 anos mal para em casa, ele trabalha em uma mecânica de carros e motos, ele é bom com bateria e tudo que envolve esse mundo, ele meteu a cabeça no trabalho depois de tudo o que houve, eu mal vejo ele.

Téo é meu irmão de 22 anos, ele é o nerd, o sabe tudo, o que terá um futuro. Era o que mamãe falava. Agora não sei se ela estava certa, desde do ocorrido ele se trancou no quarto, de nos 4 ele é o que mais preocupa o papai, só vemos ele na hora de comer ou na academia da garagem, e ele nem fala, malha com seus fones no mais alto volume, e como cada um tem banheiro no seu quarto, encontrar com ele no corredor ficou cada vez mais extinto.

Já o Lucas, de 20 anos está em todos os lugares, ele é gentil, sempre vem ver se estou precisando de alguma coisa, ele vive na academia, cedo da manhã consigo escutar ele carregando peso, ele não percebe, mas é a maneira dele tentar superar a dor.

E eu, fico aqui, deitado, às vezes vou para academia, às vezes. Assisto, leio, durmo, e assim o ciclo se repete, daqui a duas semanas volto para escola. Não quero voltar, não quero ser o colega de classe que dá pena porque perdeu a mãe.

Uma semana se tornou 2 e depois 3. E o dia de voltar para a escola chegou. É amanhã. Nesse tempo as coisas melhoram, Teo voltou a sair do quarto, e voltou a devorar seus livros. Henrique para mais em casa, e até começou a namorar. Papai demonstrou mais a dor de sua perda, e está superando com nosso apoio. Lucas continuou sendo o alívio feliz da família, e parou de viver na academia. E eu, bem, parei de dormir tanto, seguindo em frente. E também comecei a chupar o pau do Lucas.

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