Relato V - Mandato paralelo

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Gay
Contém 3648 palavras
Data: 04/04/2026 21:08:09

Eu não costumo misturar agendas. Aprendi cedo que vida pública e vida privada funcionam melhor quando não se tocam. Há menos ruído, menos margem para erro, menos variáveis fora de controle. Mas existem situações específicas — raras, mas previsíveis — em que essa separação precisa ser flexibilizada. Aquela noite foi uma delas.

O hotel era exatamente o tipo de lugar que costumo escolher em viagens oficiais: discreto, eficiente, sem excessos desnecessários. Carpete neutro, iluminação indireta, uma vista genérica da cidade que poderia ser qualquer outra. Nada que chamasse atenção. Nada que permanecesse.

Hugo estava no quarto antes de mim. Isso, por si só, já dizia mais do que qualquer gesto posterior. Ele não perguntou se deveria ir. Não hesitou. Não criou um pretexto. Apenas entendeu.

Quando entrei, ele estava de pé, perto da janela, com o celular na mão — provavelmente simulando alguma ocupação que justificasse a própria presença ali. Levantou o olhar quando ouviu a porta, e naquele instante específico havia duas coisas muito claras na expressão dele: consciência e escolha. Fechei a porta com calma.

— A reunião de amanhã começa às oito — eu disse, pousando o paletó sobre a cadeira. — Convém que estejamos descansados.

Ele assentiu, como sempre faz. Hugo tem essa qualidade rara: responde sem excesso. Nem submisso demais, nem seguro demais. Um equilíbrio que, em política, costuma indicar potencial.

Aproximei-me alguns passos. Não houve toque imediato. Não há necessidade disso quando a situação já está definida. O espaço entre duas pessoas, quando carregado da maneira correta, é mais revelador do que qualquer contato.

— Você entende por que está aqui — eu disse, mais como constatação do que como pergunta.

Ele demorou um segundo a mais do que o habitual para responder.

— Entendo.

E entendeu mesmo. Porque não se trata de impulso. Nunca se tratou.

Hugo é inteligente. Foi isso que me chamou atenção primeiro. A forma como observa, como antecipa, como escolhe as palavras. Mas há outra coisa — menos evidente — que se revela com o tempo: a disposição para permanecer mesmo quando a situação ultrapassa o limite confortável. Isso não se ensina. Isso se identifica e se utiliza.

A distância entre nós deixou de existir de forma gradual, quase administrativa. Um passo, depois outro. Nenhuma pressa, nenhuma ruptura. Enquanto me aproximava dele, eu deixava pelo caminho minhas próprias roupas até ficar nu diante dele, revelando minha forte ereção.

Ele não recuou. E esse é sempre o ponto decisivo. Não o momento em que alguém se aproxima, mas o momento em que o outro decide não se afastar. Quando finalmente o toque aconteceu, já não havia dúvida alguma. Nenhuma tensão mal resolvida, nenhum conflito explícito. Apenas a continuidade natural de algo que vinha sendo construído há alguns meses.

Hugo ainda mantinha um certo cuidado nos gestos. Uma atenção quase excessiva, como se estivesse consciente de cada movimento. Isso é comum nas primeiras vezes. Não pela novidade do ato em si, mas pelo contexto em que ele ocorre. Eu, ao contrário, não precisei ajustar nada. Situações como essa não me desestabilizam. Não há culpa no que é compreendido antes de acontecer. Há apenas… execução.

Eu me inclinei para beijá-lo. Ele retribuiu de forma calorosa, mais do que eu esperava pelo comportamento dele até então. Ele queria também, mas ainda pensava demais. Acabei, como sempre, tomando a iniciativa em tudo. Abri os botões de sua camisa branca e beijei seu peito, lambi seus mamilos, o que arrancou dele suspiros e gemidos contidos. Fui descendo e beijei seu abdômen sarado, os gomos em sua “barriga de tanquinho”. Me abaixei e contemplei seus poucos pelos loiros abaixo do umbigo, que desciam em direção ao púbis. Abri o zíper de sua calça azul marinho e constatei, com grande prazer, que ele não raspava os pelos, talvez porque eram poucos... e assim estava muito bom. Encostei meu nariz e puxei o ar profundamente, enchendo meus pulmões do seu cheiro de macho, aquele cheiro característico que é suficiente para excitar.

Quando abaixei sua cueca boxer preta, seu membro ereto saltou direto para a minha boca... Engoli cada um dos 20 cm de Hugo até senti-lo tocar minha garganta. Aos poucos percebi que meu secretário deixava o gemido engasgado sair, foi se soltando a ponto de começar a tratar minha boca como um cu do namorado que ele fodia há pelo menos três anos. Eu sabia desse fato — Rodrigo era o nome do namorado dele —, investiguei e isso me impulsionou ainda mais a ter Hugo pra mim. Eu não resisti e o chupei até que ele gozou na minha garganta, em meio a espasmos e gemidos, agora sem inibição alguma. Ali mesmo agachado eu gozei enquanto o pau de Hugo ainda pulsava na minha boca.

Levantei-me e o beijei novamente. Em algum momento, ele desviou o olhar. Não por desconforto físico, mas por reconhecimento. É diferente. E é precisamente esse tipo de reação que torna tudo mais… interessante. Porque não é o corpo que responde, é a posição. O silêncio que se seguiu depois não foi estranho. Não houve constrangimento, nem necessidade de explicação. Apenas o entendimento tácito de que aquilo não exigia nome, nem promessa, nem consequência imediata.

— Amanhã será um dia longo — eu disse, abotoando sua camisa.

Ele assentiu novamente. Sempre contido, sempre atento. Antes de sair, ele ainda hesitou por um breve instante na porta. Quase imperceptível. Um gesto mínimo, mas suficiente para confirmar o que eu já sabia. Ele voltaria e eu permitiria. Porque, ao contrário do que muitos gostam de acreditar, certas relações não começam quando o corpo se encontra. Elas começam muito antes. No momento exato em que alguém percebe que pode atravessar um limite… e escolhe não parar.

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Meu nome é Paulo Vitor. Tenho quarenta e dois anos, doutorado em Administração e estou no meu segundo mandato como prefeito. Não costumo mencionar essas informações por vaidade — embora reconheça que elas têm peso —, mas porque ajudam a estabelecer contexto. Pessoas tendem a interpretar escolhas sem considerar a estrutura em que elas são feitas.

Eu fui formado para ter controle. Controle sobre linguagem, sobre imagem, sobre decisões. Passei anos fora do país, em ambientes onde qualquer hesitação é rapidamente identificada e descartada. Voltei ao Brasil com um objetivo claro: não ser apenas mais um nome em um sistema que já funciona mal por natureza. E consegui. Não por acaso. Disciplina, método, leitura adequada de cenário são coisas que, uma vez incorporadas, deixam de ser esforço e passam a ser padrão.

Fisicamente, sempre fui um homem de presença discreta, mas precisa. Nunca tive interesse em excessos. Corpo magro, definido o suficiente para não sugerir negligência. Pele negra, sempre bem cuidada. Cabelos curtos, quase sempre raspados. Olhos cor de mel, lábios carnudos, corpo com pelos mas sempre aparados. Dizem que me pareço com o gato do ator Samuel de Assis, e tenho que admitir alguma semelhança.

Gosto de roupas que não chamem atenção pelo exagero, mas pela qualidade. Quem sabe olhar, reconhece. A forma como me apresento não é estética, é estratégia. As pessoas confiam mais em quem aparenta controle e desejam mais do que não é imediatamente acessível.

Allan entrou na minha vida em um momento em que estabilidade deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade. Ele é branquinho, corpo mais forte que o meu. Não é gordo, digamos que está fora de forma. Seus dentes são muito bem alinhados e claros, sempre bem cuidados, e seu sorriso é encantador, o que o torna ainda mais belo.

Ele é confeiteiro. O melhor da cidade, com alguma folga. Construiu o próprio negócio com esforço real — algo que eu respeito. Existe um tipo específico de dignidade em quem produz com as mãos, algo que ambientes acadêmicos às vezes simulam, mas raramente alcançam.

Allan é um homem correto, afetuoso, presente, previsível. E digo isso sem qualquer ironia. Ele sabe ouvir, sabe cuidar, sabe permanecer. São qualidades subestimadas, mas fundamentais para a manutenção de qualquer estrutura duradoura. Nosso relacionamento sempre funcionou bem nesse sentido. Há harmonia, há rotina, há entendimento.

Ele me ama. Isso nunca esteve em dúvida. E eu, dentro das minhas próprias formas, correspondo. Não sou um homem frio, como alguns gostam de sugerir. Apenas não confundo intensidade com profundidade. Nem acredito que o amor precise se manifestar de maneira caótica para ser legítimo. Allan me oferece estabilidade. E estabilidade, ao contrário do que muitos pensam, não é ausência de desejo. É apenas… ausência de ruído.

Vivemos bem. Nossa casa funciona. Nossa rotina é eficiente. Há momentos de afeto, de proximidade, de convivência genuína, e claro, de sexo. Nossos papéis são bem definidos: eu ativo e ele passivo. Quase sempre assim; raramente invertemos isso. O sexo é muito prazeroso para ambos, mas falta os elementos novidade e espontaneidade.

Não há grandes conflitos no relacionamento como um todo. Não há desgaste desnecessário. E, ainda assim, isso nunca me pareceu suficiente para definir a totalidade de uma vida. Porque existem outras dimensões. E algumas delas não se acomodam dentro de estruturas previsíveis, por mais bem construídas que sejam.

Foi nesse intervalo — entre o que funciona e o que excede — que Hugo surgiu. Ele não chamou atenção de imediato. E isso, por si só, já o diferencia da maioria. Ele não era o mais expansivo nas reuniões, nem o mais ansioso para ser notado. Falava quando necessário, com clareza, sem rodeios. Tinha uma capacidade rara de ouvir até o fim antes de responder — algo incomum em ambientes políticos, onde quase todos estão mais preocupados em serem percebidos do que em compreender. Foi essa contenção que me fez observá-lo com mais cuidado.

Ele havia sido indicado para a secretaria por critérios técnicos. Currículo sólido, boa formação, passagem por projetos relevantes em outras cidades. Nada excepcional à primeira vista, mas consistente. E consistência, quando bem posicionada, costuma evoluir. Comecei a observar também seus atributos físicos, os quais me despertaram um forte tesão por ele: loiro, cabelos curtos sempre bem cuidados, olhos azuis, boca rosada, sorriso cativante. Hugo é alto, forte, com músculos definidos pelos treinos de academia e ciclismo. Tem um belo par de coxas que me atiçam durante as reuniões em que ele se senta ao meu lado. E logo nos primeiros dias percebi que era gay.

Com o tempo, comecei a notar padrões. Hugo permanecia depois das reuniões sem que fosse solicitado. Antecipava demandas. Organizava informações de maneira mais eficiente do que o esperado. Pequenos ajustes, quase invisíveis, mas que melhoravam o funcionamento geral. Isso não passa despercebido para alguém como eu.

A aproximação começou de forma natural. Convites para reuniões menores. Conversas mais longas após o expediente. Viagens em que a presença dele fazia sentido técnico — e, posteriormente, deixou de precisar de justificativa. Hugo nunca recusou. Esse é um detalhe importante. Porque há sempre um momento em que a escolha poderia ser outra. Em que seria possível manter a relação estritamente profissional, preservar limites, evitar ambiguidade. Ele não fez isso. E eu tampouco vi motivo para interromper um processo que se mostrava… produtivo.

Não houve uma transição clara entre o profissional e o pessoal. Não existe, na verdade. Existe apenas uma sequência de decisões que, vistas isoladamente, parecem irrelevantes, mas que, somadas, constroem algo novo. Uma mensagem respondida fora de hora. Um comentário que ultrapassa o necessário. Um olhar que se sustenta por tempo demais. E, então, um dia, já não há mais diferença entre o que deveria ser e o que é.

A primeira vez em que ficou claro que havia muito desejo entre nós não foi marcada. Não houve convite explícito. Foi depois de uma reunião longa, em uma dessas viagens que se acumulam no calendário sem que se perceba. O restante da equipe já havia se recolhido. Ficamos para revisar alguns pontos — ou, pelo menos, foi essa a justificativa que demos. Em algum momento, o conteúdo deixou de importar.

Hugo ainda tentava manter uma aparência de normalidade. Falava de números, de prazos, de encaminhamentos. Mas a atenção já não estava ali. Era perceptível. Não pela falta de foco, mas pelo excesso de consciência. Ele sabia, assim como eu. Quando o silêncio se instalou, não foi desconfortável, foi conclusivo.

— Podemos continuar isso amanhã — eu disse.

Ele concordou, mas não se moveu. E esse tipo de permanência não é acidental. A partir daí, não houve ruptura. Nenhuma quebra abrupta de comportamento, nenhum gesto que pudesse ser isolado como início. Apenas continuidade.

O que aconteceu depois não foi surpresa, foi consequência. E, uma vez estabelecido, não exigiu negociação. Eu me aproximei e toquei em seu rosto e o beijei com tanta voracidade e tesão que me esqueci que alguns da equipe ainda estavam do lado de fora. Hugo não fez perguntas. Eu tampouco ofereci explicações. Algumas relações funcionam melhor quando não são nomeadas. Principalmente quando todos os envolvidos compreendem, ainda que em silêncio, o papel que ocupam. Após o beijo, ele saiu da sala segurando a pasta à frente, escondendo sua ereção. Eu continuei lá dentro até que a minha baixasse.

Então, assim que tive uma oportunidade, marquei uma viagem de negócios que eu adiava há meses. Viajamos em uma quinta-feira. Logo que fizemos o check-in no hotel, chamei-o para esperar no meu quarto. Ele gaguejou alguma coisa, algo sobre suas anotações, não lembro bem o que era... Alguma encenação desnecessária, com certeza.

E foi lá que aconteceu a cena do início desse relato.

Cerca de duas horas depois de sair do meu quarto, Hugo retornou, sem aviso, sem desculpas. O relógio marcava 23:34 da noite. Ele entrou e veio direto para minha cama, puxando o lençol, revelando meu corpo nu, meu pênis flácido, caído de lado. Coloquei o livro que lia na mesa de cabeceira e abri as pernas.

Hugo veio por cima de mim e me beijou com carinho. Estava um pouco mais calmo do que duas horas antes e mais decidido. Nossos membros ficaram duros em questão de segundos. Eu me ergui e mudei nossas posições, ficando por cima dele. De joelhos, eu coloquei meu pau no rosto dele, e sua boca se abriu gulosa, me chupando com tanta destreza que vez ou outra eu senti o gozo se aproximar e lhe pedi para ir com calma. Depois, virei-o de bruços e apertei sua bunda redonda e cheia de pelos fininhos e loirinhos. Abri as nádegas e meti a língua em seu cuzinho rosado. Hugo gemia e se contorcia. Ele ergueu o corpo de modo que o possibilitasse se punhetar. Mas eu o impedi. Continuei linguando seu cu até que ele pediu para fodê-lo.

Era o que eu queria ouvir. Coloquei-o em posição de frango assado e posicionei meu pau em seu cuzinho cor-de-rosa após lubrifica-lo. Meu pau não é tão grande como o dele, tenho 18 cm, mas é um pouco grosso, envergado para cima. Segurei no pau dele, o qual estava muito duro, e fodi com força. Em seguida, eu o coloquei de quatro e montei sobre ele, enterrando minha rola até o fundo. Nesse ponto, tive que desacelerar porque já sentia o gozo próximo. Pra não terminar logo, eu tirei o pau e voltei a chupa-lo por um instante. Depois, enfiei o pau novamente no meu assistente, dessa vez com ele cavalgando sobre mim, pois essa posição me faz demorar um pouco mais. Porém, toda regra tem exceção. Bastou apenas poucas estocadas, e eu o enchi de porra. Hugo rebolou no meu pau enquanto batia uma punheta e gozou em seguida.

Enfim, ao sair de cima de mim, eu o beijei com muita volúpia, e então, fomos tomar um banho. Houve um silêncio. Eu sabia que ele queria dizer alguma coisa, na verdade até imaginei o que era. Era como se ele não devesse estar ali, mas ao mesmo tempo queria tanto quanto eu.

Após o banho, Hugo voltou pro quarto dele. No dia seguinte, tivemos a reunião, a qual nada foi resolvido – assim como eu previa. Após a reunião, pegamos a estrada, mas ao invés de voltarmos para casa, levei Hugo para uma cidade vizinha, uma cidade litorânea. Nos hospedamos em uma pousada daquelas bem tranquilas, aconchegantes, e lá passamos o final de semana com muito sexo.

Ao voltarmos, passamos a nos encontrar com uma regularidade que não comprometia a rotina — apenas a complementava. Viagens oficiais oferecem esse tipo de margem. Horários ajustáveis, espaços neutros, ausência de interferência. Tudo muito funcional.

Hugo, no início, mantinha certo cuidado excessivo. Uma preocupação em não ultrapassar limites que, na prática, já haviam sido ultrapassados. Isso é comum. Uma tentativa de preservar alguma narrativa interna de controle. Mas com o tempo, isso diminui. Não desaparece completamente — o que, em certa medida, é desejável —, mas se ajusta ao novo padrão. Ele continuou eficiente no trabalho. Eu continuei oferecendo as condições para que isso acontecesse. O restante se organizava ao redor disso. E assim, seis meses se passaram.

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Durante esse tempo, Allan nunca me fez perguntas difíceis. Essa sempre foi uma das razões pelas quais nosso relacionamento funcionou. Ele preferia observar. E eu, talvez, tenha confundido isso com previsibilidade. Foi então que, em uma “viagem de negócios”, resolvi levar Hugo para a nossa casa de praia. Na verdade, a casa de praia era de Allan. Um investimento antigo, bem localizado, discretamente confortável — como tudo que Allan constrói. É o tipo de lugar onde a rotina se desloca sem se alterar. Mesmos gestos, outro cenário.

Eu levei Hugo até lá em um fim de semana em que Allan, em teoria, estaria ocupado na cidade com alguma encomenda grande. Não foi um impulso, nada em mim é. Foi uma decisão baseada em informação disponível. Porém, como se provou depois, incompleta.

Hugo hesitou ao entrar.

— Tem certeza? — ele perguntou, já dentro da sala, olhando em volta com uma atenção que beirava o incômodo.

— Tenho — respondi, sem prolongar.

A casa estava exatamente como sempre: organizada, silenciosa, funcional. Nada fora do lugar. Nenhum sinal de presença recente. Allan é metódico. E eu considerei isso suficiente. E que aconteceu depois seguiu o mesmo padrão de sempre. Sem excesso. Sem tensão desnecessária. Hugo ainda carregava aquele cuidado residual, mas já não interferia.

Tiramos a roupa ali mesmo na sala, e o joguei no sofá. Não foi preciso conter os gemidos, as expressões de tesão e luxúria. Não havia perigo algum... assim eu pensei. Hugo se virou de costas para mim, pegando em meu pau para guia-lo ao seu cuzinho delicioso. Quando o penetrei, eu o agarrei com força, prendendo seus braços. Era muito prazeroso ouvir o barulho dos nossos corpos se chocando em meio aos gemidos e À nossa respiração ofegante.

De repente, Hugo parou.

— Para, Paulo! Para! – Havia algo em sua voz, um medo talvez.

Eu não entendi o motivo e o ignorei, continuando as estocadas. Mas então, ele continuou.

— Paulo. Alguém está aqui.

— Não tem ninguém, Hugo.

Mas então, eu mesmo ouvi os passos, e quando virei a cabeça, lá estava Allan de pé atrás de nós. Não houve pressa. Nem tentativa de esconder. Allan entrou como entra em qualquer ambiente que lhe pertence: sem ruído, sem anúncio, sem necessidade de marcar presença. Parou na entrada da sala e nos observou. Hugo e eu permanecemos imóveis, meu pau ainda duro dentro dele.

Olhei para Allan. Não havia surpresa no rosto dele. Esse foi o primeiro detalhe. O segundo foi a forma como ele respirou — controlada, mas mais funda do que o habitual. E o terceiro, talvez o mais relevante: ele não olhou para Hugo imediatamente. Olhou para mim, como quem confirma algo que já sabia.

— Eu imaginei — disse, sem alteração de voz e sem dramatização.

Hugo se afastou de mim eu meu pau, agora meia-bomba, saiu dele. Eu continuei no mesmo lugar, afinal Allan já tinha visto tudo. Allan então olhou para Hugo, avaliando-o com a mesma precisão que usa para medir ingredientes e temperaturas.

— Pode se vestir — falou, simples.

Hugo não respondeu. Apenas fez. O silêncio que se seguiu não era de constrangimento, era de conclusão.

— Há quanto tempo? — Allan perguntou, ainda olhando para mim.

Considerei responder com precisão. Não havia motivo para omitir.

— Seis meses.

Ele assentiu levemente, como quem organiza uma informação que já estava, de alguma forma, antecipada.

— Eu notei — disse. — Pequenas coisas. Horários que não fechavam. Respostas que vinham rápidas demais… ou demoravam o tempo errado. Um cheiro diferente na sua roupa...

Pausou alguns segundos e então continuou:

— Você sempre foi muito eficiente, Paulo. Mas começou a repetir padrão — disse não como acusação, mas como constatação.

— E você decidiu vir até aqui — completei.

— Eu precisava confirmar. Simples assim.

Allan não levantou a voz. Não fez perguntas desnecessárias. Não pediu explicações. Ele já tinha todas. A diferença é que agora estavam organizadas.

— Eu não divido a vida com alguém que precisa de mais de um lugar para se sentir inteiro.

Ele disse isso sem dureza, sem emoção aparente, nas definitivo. Então, olhou ao redor uma última vez — não para nós, mas para o espaço. Como quem encerra algo maior do que aquela cena.

— Você pode ficar — acrescentou, ainda para mim. — Eu saio.

Ele se virou e caminhou até a porta. Parou por um instante, não para hesitar, mas para concluir.

— Só não confunda silêncio com ignorância.

E saiu. A porta se fechou com o mesmo cuidado de sempre. Hugo permaneceu imóvel por alguns segundos.

— Eu… — começou, sem terminar.

— Não há necessidade — interrompi.

Ele assentiu e vestiu-se completamente. Enquanto se arrumava, evitou meu olhar.

— Isso muda tudo — disse, já perto da porta.

Considerei.

— Não necessariamente.

Ele não respondeu, apenas saiu. A casa voltou ao estado anterior: organizada, silenciosa, funcional.

Allan sempre foi atento. Mais do que eu considerei. Mas atenção não altera estrutura, apenas antecipa movimentos. Ele tomou uma decisão — eu respeito isso. Mas decisões, como qualquer outra variável, estão sujeitas a revisão. Allan é um homem consistente. E homens consistentes raramente sustentam rupturas por muito tempo, especialmente quando o que foi construído continua… válido.

Não há desordem, não há perda real. Apenas um ajuste momentâneo. E ajustes, quando bem administrados, tendem a se corrigir sozinhos.

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